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Lição jovens CPAD2 trim 2019 cultura materialista
Lição jovens CPAD2 trim 2019 cultura materialista

 

           LIÇÃO 1 UM MUNDO IMERSO NUMA CULTURA MATERIALISTA 

                                     

 

Classe: Jovens | Trimestre: 2° de 2019 | Revista: Professor | Fonte: Lições Bíblicas de Jovens, CPAD

TEXTO DO DIA

“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.” (1 Jo 2.15)

SÍNTESE

O crente vive em um mundo dominado por uma cultura materialista, egoísta e efêmera, mas não se deixa dominar por ele. O seu prazer é fazer a vontade de Deus.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA - 1 Co 6.12: Todas as coisas são lícitas ao cristão, mas nem tudo convém

TERÇA - Gn 3.1-7: A cobiça dos olhos conduz à desobediência

QUARTA - 2 Sm 11.1-5: A cobiça dos olhos pode induzir à cobiça da carne

QUINTA - Tg 4.1-10: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes

SEXTA - 1 Co 6.9-11: Cristo é a solução para quem se entregou à cobiça e à soberba da vida

SÁBADO - 1 Jo 2.17: O mundo com sua concupiscência são temporários

 

OBJETIVOS

  • MOSTRARque aquele que ama o mundo não tem o amor do Pai;
  • EXPLICARque a cobiça e a soberba são frutos da cultura materialista;
  • REFLETIRa respeito do materialismo temporário e a vontade eterna de Deus.

 

INTERAÇÃO

Caro (a) professor(a), vamos iniciar um novo trimestre estudando a respeito do combate aos desejos da carne, o desejo dos olhos e a soberba da vida. Vamos utilizar como referência o texto bíblico de 1 João 2.15-17.

 

Sugerimos que antes de iniciar o trimestre, você leia todas as lições para ter uma ideia dos temas. Depois, a cada semana, estude a lição específica que vai lecionar. Se possível, adquira o livro de apoio do trimestre.

 

Que este não seja simplesmente mais um trimestre, mas que faça a diferença em sua vida cristã e na de seus alunos. Aproveite cada aula, cada momento para se aproximar mais de Deus. Caminharemos juntos por 13 lições, por isso, esperamos que seja agradável e produtivo para você. O comentarista do trimestre é o pastor Natalino das Neves, da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Curitiba. Ele é mestre e doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUC.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Para esta aula sugerimos a ilustração da rã. Faça o seguinte comentário: Se uma rã for lançada em uma panela com água fervendo, sabendo do perigo de morrer cozida, ela pula imediatamente para fora da panela. Todavia, se for colocada em uma panela com água fria sobre um fogão onde a água é aquecida lentamente, ela não vai tentar fugir e acabará cozida com o aquecimento da água. Qual lição podemos extrair da história? A lição é a seguinte: A rã pode ser comparada ao crente que vai se acostumando, pouco a pouco, com o estilo de vida do mundo. Ao final, ele estará tão envolvido que morrerá espiritualmente, sem perceber a mudança da temperatura ambiente, por isso esteja sempre vigilante com as “ofertas do mundo”. Promova uma aula participativa!

 

TEXTO BÍBLICO

1 João 2.15-17

15      Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.

16      Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.

17      E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.

 

COMENTÁRIO

Neste trimestre estudaremos a respeito da concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. O conteúdo da primeira lição servirá como uma introdução ao tema do trimestre. Nas demais lições serão detalhadas as recomendações bíblicas a respeito do nosso relacionamento com o dinheiro, o sexo e o poder. Ao final do trimestre, se você tiver participado de todas as aulas, provavelmente estará mais preparado para vencer as tentações nessas áreas.

 

I - QUEM AMA O MUNDO O AMOR DO PAI NÃO ESTÁ NELE (v. 15)

 

  1. O que é o mundo?

A palavra grega para mundo é kosmos. Ela tem três diferentes significados no Novo Testamento. Observe: o mundo físico criado por Deus, o planeta em que vivemos (Mt 13.35; At 17.24); a humanidade em geral, objeto do amor sacrificial de Deus para salvação (Jo 3.16) e o sistema dominante que se opõe a Deus (Mt 16.26; Jo 14.17; 15.18). Nas lições do trimestre vamos tratar a respeito deste último (Rm 12.2).

 

  1. Não ame o mundo.

A Primeira Carta de João mostra que o mundo é constituído por três tipos de pessoas: as que não conhecem a Deus (3.1); as que são contrárias à Igreja de Cristo (3.13) e as que são dominadas pelo maligno (5.19). O cristão não deve tomar a mesma forma das pessoas que fazem parte do mundo (Rm 12.1,2). O crente deve renovar sua mente por meio da Palavra de Deus, da oração e do jejum. Ele deve influenciar, com suas ações e palavras, as pessoas que se opõem a Deus. O crente é “sal” e “luz” e não pode jamais permitir ser influenciado pelo estilo de vida daqueles que não conhecem a Deus. O mundo usurpa a paixão de quem se deixa levar por ele. Por isso, precisamos estar em constante vigilância para que não venhamos a nos acostumar com o estilo de vida daqueles que são contrários à vontade e à ética do Reino de Deus.

 

  1. O amor ao mundo é inconsistente com o amor de Deus.

Quanto mais próximo o cristão estiver do sistema deste mundo, mais ele se distanciará da presença de Deus. Jesus, na oração sacerdotal, deixou claro que seus discípulos estavam no mundo (Jo 17.11), mas eles não eram do mundo, ou seja, não se conformavam com o sistema opressivo dominante dos homens ímpios (Jo 17.14). O discípulo de Cristo já foi chamado e resgatado do mundo de trevas; como filho de Deus, e nova criatura, é enviado ao mundo como luz e testemunha viva da transformação que se dá por meio do Evangelho (Jo 17.18). Os que se amoldam ao estilo de vida do mundo não tiveram uma experiência real com Jesus Cristo e jamais poderão agradar a Deus.

 

Cristo provou o seu amor por nós oferecendo a sua vida em sacrifício vivo e perfeito. Se queremos retribuir a esse amor, precisamos viver uma vida santa, longe dos pecados deste mundo. Paulo traz uma advertência séria para nós, pois os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus: “Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós [...]” (Rm 8.8,9).

 

Pense!

A quem você tem amado: ao mundo ou a Cristo?

 

Ponto Importante

O cristão não deve tomar a forma do mundo, ou seja, seguir o estilo de vida das pessoas que não conhecem e se opõem a Deus.

 

II - A COBIÇA E A SOBERBA, FRUTOS DA CULTURA MATERIALISTA (v. 16)

 

  1. A cobiça da carne.

A concupiscência da carne é a falta de domínio sobre os desejos carnais. As pessoas que se entregam à cobiça da carne tornam-se escravas de pecados, como por exemplo, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias (Gl 5.19,20). Porém, “os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gl 5.24).

 

O cristão deve ter domínio sobre a natureza humana, caída e pecaminosa. Algumas pessoas atribuem suas condutas imorais somente à ação de Satanás, mas o apóstolo Tiago deixa bem claro que elas cometem pecados motivadas pelos próprios pecados: “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência” (Tg 1.14).

 

  1. A cobiça dos olhos.

Os olhos são considerados as janelas da alma. Se controlados e conduzidos pelos interesses individuais e egoístas, podem levar o ser humano a uma cobiça desenfreada e ao afastamento da vontade de Deus. A Bíblia narra alguns episódios de pessoas que, devido à cobiça dos olhos, atraíram para si resultados desastrosos.

 

Observe:

  1. a)Adão e Eva. A narrativa da criação apresenta a entrada do pecado no mundo tendo sua origem na cobiça dos olhos. A ambição dos olhos conduziu à desobediência (Gn 3.6,7);
  2. b)Acã. Durante a conquista liderada por Josué, Acã avista entre os despojos de guerra uma linda capa babilônica, vindo a cobiçá-la e tomá-la para si. Toda a comunidade foi prejudicada (Js 7.20,21);
  3. c) Quando estava em um lugar que não deveria estar, vê uma formosa mulher (casada) tomando banho. Ele a cobiça, comete adultério e depois um assassinato (2 Sm 11.1-4). Esses exemplos têm-se repetido na vida de muitas pessoas que não estão atentas ao risco da cobiça dos olhos.

 

  1. A soberba da vida.

Pessoas famosas acabam influenciando outras, em especial a juventude. Jovens também querem, a todo custo, fama, dinheiro e prestígio. Aquele que não tem o temor de Deus busca a ostentação pretensiosa a qualquer preço, se precisar renuncia a prática da honestidade, da integridade para buscar “poder” e “glamour”. O mundo consumista da atualidade, que valoriza o ter em detrimento do ser, tem grande influência no comportamento das pessoas. Mas o maior e melhor modelo a ser seguido é Jesus, que mesmo sendo Deus, viveu neste mundo e jamais pecou, tendo uma vida simples e humilde, amando e indo ao auxílio das pessoas desfavorecidas (Fp 2.6-11).

 

Pense!

Jovem, o que você tem almejado para sua vida? Siga o exemplo de Cristo e priorize o que é santo!

 

Ponto Importante

A motivação do cristão deve ser fazer a vontade de Deus para não ser dominado pelas coisas deste mundo.

 

III - ENTRE O MATERIALISMO TEMPORÁRIO E A VONTADE ETERNA DE DEUS

 

  1. A vida é passageira.

Algumas pessoas, enquanto jovens, pensam que a juventude vai durar para sempre, mas ela é passageira. O autor de Eclesiastes, no capítulo 12, aborda de maneira magistral, a respeito do envelhecimento humano. Ele incentiva o temor e reverência a Deus desde o tempo de força e vitalidade (juventude), para não chegar ao final da vida sem forças, sem desejos e com o peso do arrependimento. Tudo teve um começo e terá um fim, a vida também. Ela é efêmera e um dia teremos de prestar contas a Deus do que fizemos com nossos recursos, dons e talentos. Por isso, a necessidade de priorizar o que é eterno. Não coloque a sua confiança nos prazeres momentâneos ou nos bens e recursos humanos, pois o conselho bíblico continua atual: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento” (Ec 12.1).

 

  1. Jovens que venceram a oferta do mundo por meio da Palavra.

O texto de 1 João 2.15-17 faz parte de um contexto literário maior. Ele está unido a 1 João 2.1214, que afirma ter os jovens já vencido as ofertas do mundo por meio da Palavra.

 

O autor enfatiza: “[...] Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno” (v. 14). Texto que, por sua vez, também tem relação com a passagem bíblica precedente (vv. 3-11). Jovem, você já venceu as ofertas do mundo, procure fazer a vontade de Deus e observe os mandamentos do Senhor.

 

  1. Trabalhando em favor do que é eterno.

Jesus, após a multiplicação dos pães, recomenda a seus ouvintes trabalharem “não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna” (Jo 6.27). Ele acrescenta que a libertação verdadeira se dá somente aos que “permanecerem em sua palavra” (Jo 8.31). Deus quer que as pessoas compreendam sua vontade (Ef 5.17) e conheçam seus atos e caminhos (Sl 103.7). Quem ama a Deus sente alegria em fazer a vontade divina e tem a garantia da vida eterna. Procure fazer a vontade de Deus ainda que você tenha que abrir mão daquilo que deseja, pois a vontade de Deus para os seus filhos é sempre boa, agradável e perfeita (Rm 12.2).

 

Pense!

Por qual “comida” você tem trabalhado? A que perece ou a que permanece para a vida eterna?

 

Ponto Importante

O ímpio tem prazer em satisfazer os desejos carnais, momentâneos, enquanto o salvo tem prazer em fazer a vontade de Deus, que é permanente.

 

 

SUBSÍDIO 1

“[...] É difícil contestar ou dissuadir os próprios discípulos do amor ao mundo. Essas razões são tiradas: 1. Da inconsistência desse amor com o amor de Deus: ‘Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele' (v. 15). O coração do homem é estreito e não pode conter os dois tipos de amor. O mundo afasta o coração de Deus; e, assim, quanto mais o amor do mundo prevalecer, mais o amor de Deus diminuirá e se deteriorará. 2. Da proibição do amor mundano ou da concupiscência; ela não é determinada por Deus: Ela ‘[...] não é do Pai, mas do mundo' (v. 16). Esse amor (ou concupiscência) não é ordenado por Deus (Ele nos chama para nos afastarmos dela), mas se intromete a partir do mundo; o mundo é um usurpador de nossa paixão. Temos aqui uma consideração e noção apropriadas do mundo, de acordo com as quais ele deve ser crucificado e renunciado.

 

O mundo, fisicamente considerado, é bom e deve ser admirado como obra de Deus e um espelho na qual a sua perfeição brilha, mas deve ser considerado no seu relacionamento conosco agora em nosso estado corrompido e como trabalho em nossa fraqueza e instiga e inflama nossas paixões perversas. Existe uma grande afinidade e aliança entre o mundo e a carne, e este mundo penetra e invade a carne e assim se volta contra Deus” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Novo Testamento: Atos a Apocalipse. 2.ed. Rio de Janeiro: 2010, p. 915).

 

SUBSÍDIO 2

“O motivo pelo qual ‘o mundo' ouve os oponentes é que eles ‘falam do mundo' (1 Jo 4.5) ou ‘falam a partir do ponto de vista do mundo'. Não provocam a hostilidade do mundo porque esta resulta somente da exibição de seus feitos malignos, quando são revelados pela luz da mensagem de Deus (Jo 7.7; cf. 1 Jo 3.12). Os oponentes de João podem ter sido como certos oponentes de Paulo, que foram atraídos ao que era visível e que impressionava (2 Co 1011). Em resposta, Paulo insistiu que os cristãos devem manter seus olhos (espirituais) fixos não no visível, que é apenas temporário, mas no invisível, que é eterno (2 C0 4.18). Isto é notavelmente semelhante à linguagem do verso final desta seção: Qualquer coisa associada com o mundo ‘passa', mas ‘aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre'. A fascinação pelo que é material é grande. Mas somente um louco acumula tesouros na terra, que breve serão perdidos, ao invés de acumulá-los no céu, onde jamais serão perdidos (Mt 6.19-21)” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 971).

 

CONCLUSÃO

 

Nesta primeira lição aprendemos que o mundo jaz no maligno e não deve ser amado e desejado, pois quem assim o faz, o amor de Deus não está nele. Aprendemos também que a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a soberba da vida são frutos de uma cultura materialista, que valoriza as coisas e usa as pessoas. A vida e os seus prazeres são passageiros, mas quem faz a vontade de Deus permanecerá eternamente em comunhão com Deus.

 

ORA DA REVISÃO

  1. Quais são os três significados da palavra mundo no Novo Testamento?

O mundo físico criado por Deus, o planeta em que vivemos, a humanidade em geral, objeto do amor sacrificial de Deus para a salvação e o sistema dominante que se opõe a Deus.

 

  1. Conforme a Primeira Carta de João, quais as características de quem ama o “mundo”? As características são: Não conhece a Deus (3.1), é contrário à igreja de Cristo (3.13) e dominada pelo maligno (5.19).

 

  1. Quais os exemplos bíblicos de cobiça dos olhos que trouxeram resultados de­sastrosos, citados na lição?

A lição cita três exemplos: 1) Adão e Eva - a cobiça dos olhos conduzindo à desobediência (Gn 3.6-7); 2) Acã - a cobiça por uma linda capa babilônica que prejudicou todo o povo (Js 7.20-21); 3) Davi - a cobiça dos olhos que resultou em adultério (2 Sm 11-12).

 

  1. Qual a recomendação dada por Jesus após o milagre da multiplicação dos pães?Jesus, após a multiplicação dos pães, recomenda a seus ouvintes trabalharem “não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna” (Jo 6.27).

 

  1. Segundo a lição, como é a vontade de Deus?

A vontade de Deus para os seus filhos é sempre boa, agradável e perfeita (Rm 12.2).

 

Lição 2 - Nem Pobreza e nem Riqueza, mas o Necessário

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Classe: Jovens | Trimestre: 2° de 2019 | Revista: Professor | Fonte: Lições Bíblicas de Jovens, CPAD

TEXTO DO DIA

“Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” (Mt 6.21)

SÍNTESE

O dinheiro pode se tornar um deus ou um instrumento de bênção, tudo vai depender da forma como o crente o utiliza.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA - Dt 28.1,2: Aqueles que fazem a vontade de Deus serão abençoados

TERÇA - Is 32.5-8: Os instrumentos do avarento serão sempre maus

QUARTA - Pv 23.4: Não use seus dons e talentos so­mente para adquirir bens materiais

QUINTA - Pv 30.8: O sábio não pede nem pobreza e nem riqueza, mas o necessário

SEXTA - Mt 6.22,23: Os olhos guiam o corpo e dirigem seus movimentos

SÁBADO - Mt 6.24: Ninguém pode servir a Deus e ao dinheiro

 

OBJETIVOS

  • MOSTRARqual era a perspectiva financeira correta no Antigo Testamento;
  • REFLETIRa respeito da prosperidade financeira dentro de uma perspectiva cristã.

 

INTERAÇÃO

Vivemos em uma sociedade onde o consumismo e a economia de mercado ditam as regras. Logo o dinheiro torna-se um “deus” que precisa ser exorcizado. Esse “deus” não se contenta em dominar o mundo secular e também em produzir uma “teologia consumista” que incentiva o atendimento rápido e a satisfação dos desejos pessoais. A relação entre a religião e o dinheiro tem se perpetuado por meio de uma valorização das “coisas” e a transformação do ser humano em mercadoria descartável. Jesus questionou tal filosofia. Ele nos convida a disseminar sua Palavra e seus ensinamentos, invertendo essa ordem de prioridade, valorizando as pessoas e não os bens materiais.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor (a), após a explanação da lição peça aos alunos que pensem em três momentos de suas vidas em que ficaram felizes e motivados por algo que lhes aconteceu. Dê pelo menos uns três segundos para pensarem. Depois pergunte: Quantos destes momentos o motivo da satisfação está relacionada ao dinheiro? A experiência demonstra que a grande maioria das vezes o que mais tem deixado as pessoas motivadas e felizes não são o reconhecimento de virtudes pessoais, de trabalhos realizados, de atitudes nobres e valorização humana, mas o dinheiro ou bens materiais.

 

Faça a atividade e reflita a respeito do resultado com os alunos. Aproveite para enfatizar a importância dos valores espirituais e de um caráter cristão. Incentive-os a valorizar as pessoas e usar as coisas, nunca o contrário.

TEXTO BÍBLICO

Deuteronômio 28.1-6

1 E será que, se ouvires a voz do SENHOR, teu Deus, tendo cuidado de

guardar todos os seus mandamentos que eu te ordeno hoje, o SENHOR,

teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra.

2 E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do SENHOR, teu Deus:

3 Bendito serás tu na cidade e bendito serás no campo.

4 Bendito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e o fruto dos teus animais, e a criação das tuas vacas, e os rebanhos das tuas ovelhas.

5 Bendito o teu cesto e a tua amassadeira.

6 Bendito serás ao entrares e bendito serás ao saíres.

 

Mateus 6.19-24:

19 Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam.

20 Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam.

21 Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.

22 A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.

 

23 Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!

24 Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.

 

INTRODUÇÃO

Essa lição abre uma série de quatro lições cujo tema é o uso correto do dinheiro. É evidente que a evolução da organização em sociedade, a fuga de uma vida rural para uma vida mais urbana, influenciou o uso do dinheiro e o acesso aos bens materiais aumentou, promovendo o uso das pessoas e o amor às “coisas”. Para analisarmos qual é a perspectiva cristã e bíblica em relação ao dinheiro, temos que primeiro analisar qual era a perspectiva do povo hebreu, e assim o faremos com base no texto de Deuteronômio 28.1-6. Somente depois poderemos analisar o ensino de Jesus em Mateus 6.19-24 e quais foram as suas recomendações aos seus discípulos.

 

I - A PROSPERIDADE FINANCEIRA NO ANTIGO TESTAMENTO (Dt 28.1-6)

 

  1. A prosperidade atrelada à obediência (v. 1).

Os expoentes da Teologia da Prosperidade, erroneamente, defendem que aqueles que estão enfermos, enfrentando um tempo de escassez ou de sofrimento, estão em pecado ou perderam a fé. Na verdade, o propósito destes é a mercantilização da fé. A Teologia da Prosperidade também é conhecida como a Teologia da Retribuição. Segundo os ensinos errôneos desses falsos profetas, tal teologia é bem destacada no livro de Jó. Nesse livro, ela é representada pelos “amigos de Jó”.

 

Eles, ao chegarem para consolar Jó das desgraças que haviam lhe abatido, logo procuram a causa do ocorrido, buscando obter de Jó a confissão dos pecados cometidos. Para eles o pecado de Jó era a causa de todo sofrimento. Esse tipo de teologia defende e legitima a riqueza, pois segundo seus defensores, a riqueza é sinônimo de justiça, pureza e santidade. Por outro lado, a pobreza significa castigo pelo pecado e injustiça praticada. Jó questiona essa teologia, pois tinha convicção de sua comunhão com Deus e da vida íntegra que vivia. Ele era testemunha viva de que a obediência era fundamental para uma vida bem-sucedida, mas não significava que o obediente não enfrentaria adversidades. A Teologia da Prosperidadade é a “teologia da barganha” com Deus. Entretanto, já no Antigo Testamento tal ensino errôneo era questionado pelos servos de Deus, como por exemplo, Jó.

 

  1. As bênçãos da prosperidade são consequências naturais (vv. 2-5).

É interessante notar que Deuteronômio 28.2-5 destaca que as bênçãos não são buscadas, elas são atraídas pela atitude obediente daqueles que ouvem e obedecem à voz de Deus: “E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do SENHOR, teu Deus (Dt 28.2)”. Desse modo, as melhores bênçãos são decorrentes do ouvir e obedecer ao Senhor. Qual seria o resultado na vida de uma pessoa que teme a Deus, o obedece e procura viver uma vida honesta, dedicada à sua família e ao trabalho? Evidente que as consequências serão as melhores possíveis, todavia essas pessoas também estão sujeitas a enfrentar dificuldades. Como nos mostra o Salmo 73, o ímpio também pode ser bem-sucedido em seus negócios e em outras áreas da vida. Contudo, do que vale essa prosperidade, sem a graça de Deus? No final eles perecerão: “Pois eis os que se alongam de ti perecerão; tu tens destruído todos aqueles que, apostatando, se desviam de ti” (Sl 73.27).

 

A prosperidade financeira não é um sinal da aprovação do Senhor. Temos de ser sábios e pedir ao Senhor discernimento para enfrentar as falsas doutrinas com relação ao uso do dinheiro e à prosperidade financeira. O crente precisa seguir o conselho de Agur em Provérbios 30.8: “[...] Não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção acostumada.”

 

  1. Bem-aventurado quem mantém sua integridade o tempo todo (v. 6).

O fato de possuir muitos bens materiais e prestígio pode significar, para algumas pessoas, sucesso e garantia de uma vida feliz. Contudo, isso não condiz com a realidade bíblica. Existem muitas pessoas desfrutando de prosperidade financeira, porém infelizes e depressivas. Da mesma forma, têm pessoas com um baixíssimo poder aquisitivo, porém felizes e desfrutando de paz. Assim, não é a riqueza ou a pobreza que define o sucesso. Segundo os padrões bíblicos, uma vida próspera é uma vida de comunhão com Deus e de obediência aos princípios bíblicos.

 

Segundo Eclesiastes 7.8, “o fim é melhor do que o começo” pois, existem pessoas que começam bem, mas não terminam bem. Deuteronômio 28.6 nos mostra que o ideal é desfrutar da bem-aventurança em todo o percurso de vida. Para isso, é preciso ser fiel a Deus em todo o tempo, independente das circunstâncias. No Antigo Testamento fica claro que muitos servos e servas, embora obedientes a Deus e fiéis, passaram por várias privações, como por exemplo o profeta Jeremias. No entanto, para quem não começou bem resta uma esperança, pode ainda terminar bem, se entrar pelo caminho da fé e obediência a Deus.

 

Pense!

Você já tentou se aproximar de Deus, obedecer à sua Palavra e buscar a vontade dEle, pensando apenas em receber benefícios financeiros?

 

Ponto Importante

Obedecer à Palavra de Deus é sempre a atitude correta, no entanto isso não pode ser usado como barganha para receber benefícios de Deus.

 

 

II - A PROSPERIDADE FINANCEIRA E O CRISTIANISMO

 

  1. O maior tesouro é fazer a vontade Deus e viver em paz (Mt 6.19-21).

Em uma sociedade consumista e centrada na economia de mercado, o dinheiro e os bens materiais assumem um papel peculiar. As pessoas são educadas para se ocuparem com o “ter”, como a busca por uma boa formação acadêmica, um emprego que dê uma boa projeção financeira e social, uma boa casa, um bom carro. Os desejos são muitos. Não

 

há nenhum problema em se preparar para o mercado de trabalho e buscar conquistar uma boa posição financeira. O problema é quando isso se torna a única meta principal a ser atingida. Jesus adverte que o principal tesouro a ser conquistado não é o material, terreno, pois eles produzem satisfação e alegrias momentâneas, efêmeras. Em vez disso, Ele recomenda ajuntar tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não podem consumir (Mt 6.19).

 

  1. A metáfora do olho como lâmpada do corpo (Mt 6.22,23).

O Reino de Deus irrompeu num tempo em que o mundo do primeiro século estava em profunda crise. A maioria, na pobreza, vivia ansiosa pelas coisas fundamentais à sobrevivência e em grande expectativa pelo futuro, com fé na esperança messiânica. Por outro lado, havia uma minoria que vivia em função do dinheiro e do que ele podia proporcionar. Eles não viam a obtenção do lucro, a qualquer custo, como um problema ético ou moral, mas como sinal de bênção divina.

 

Certa vez, Jesus falou a respeito da pureza dos olhos (Mt 6.22). . O texto descreve dois tipos de olhos: O bom e o mau. O bom enxerga segundo a vontade de Deus. É um olhar livre da ansiedade obsessiva pelas provisões materiais. Por isso prioriza a caridade e a solidariedade, o que torna todo o corpo luminoso. O olho mau revela o interesse exagerado pela riqueza egoísta, buscando o acúmulo de bens, ainda que estes sejam adquiridos de forma corrupta e torna todo o corpo tenebroso. Jesus mostra que as escolhas humanas são moldadas pela visão de mundo de cada pessoa. Desse modo, o “olho” é que determinará o futuro do corpo, o lugar para onde irá.

 

  1. A escolha entre servir a Deus ou ao materialismo, o deus Mamom (Mt 6.24).

Em todo o capítulo 6 de Mateus o tema recorrente é o compromisso do coração. Um compromisso desvirtuado tem como foco o acúmulo de bens materiais. Jesus adverte, constantemente, a respeito da motivação egoísta do nosso coração. Quando Mateus se refere ao Diabo e suas tentações, ele se concentra nos aspectos econômicos da vida. O ser humano é tentado pelas ambições pessoais, pelo desejo de ter mais do que necessário, mesmo que para isso tenha que tirar dos desfavorecidos, como tem ocorrido em muitas nações.

 

No versículo 24, Jesus adverte que ninguém pode servir a dois senhores, pois para muitos o dinheiro já se tornou um deus. Mamom, é o deus do egoísmo e contrário ao amor. Para se livrar desse “demônio” e de suas tentações é preciso, em primeiro lugar, voltar-se para Deus de todo o coração e resistir ao amor ao dinheiro. Precisamos aprender a fazer um uso sábio e prudente dos recursos materiais, pois ninguém pode servir a dois senhores. Não tem como amar e ser fiel a Deus e a Mamom, por isso a decisão de quem servir é pessoal e inevitável (1 Jo 2.15; Tg 4.4). Escolha servir a Deus, ainda que isso exija de você sacrifícios e renúncias.

 

Pense!

Jovem, a quem você tem servido: A Deus ou ao dinheiro (Mamom)?

 

Ponto Importante

 

Jesus contrasta tesouros terrenos e destrutíveis com a incorruptibilidade das riquezas celestiais, reservadas a quem prioriza a vontade de Deus.

 

SUBSÍDIO

 

“[...] que tipo de escolha Deuteronômio afirma que temos de fazer? Temos de fazer uma escolha totalmente pessoal para nós, e em sua relevância em relação a Deus. Vejamos os dois lados dessa equação. Primeiro, a obrigação de fazer a escolha cabe a nós, como indivíduos. Deuteronômio, em todas suas páginas, apresenta o contraste muito claro entre bênção e maldição [...]. Basicamente, temos duas escolhas disponíveis em relação a nossa maneira de viver, embora o povo de Deus possa escolher errar de muitas formas, — o pecado entra de muitas maneiras em nossa vida: podemos nos concentrar no único Deus verdadeiro ou em outros deuses ou ídolos. Isso nos leva a outro lado da equação. Nossa decisão de escolher a Deus não é apenas pessoal para nós, mas ela também é pessoalmente relevante em relação a Ele, pois encara nossas encolhas e nossos pecados de forma bastante pessoal. Quando pecamos, sejam quais forem as especificidades do pecado, servimos a um ídolo, a alguém ou a algo que não seja Deus. E isso, é uma afronta pessoal a Ele. Além disso, Deuteronômio e o resto da Bíblia, às vezes, referem-se à desobediência como falta de crença no Senhor” (DEVER, Mark. A Mensagem do Antigo Testamento: Uma Exposição Teológica e Homilética. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, pp. 168,169).

 

CONCLUSÃO

Os amigos de Jó acreditavam que ele deveria ter cometido um terrível pecado, por isso lhe sobrevieram tantas dores e infortúnios. Muitos acreditam, como os amigos de Jó, que quando temos saúde, bens materiais e não enfrentamos lutas e provações estamos fazendo a vontade de Deus e em comunhão com Ele. Contudo, Jesus nos alertou que no mundo teríamos aflições (Jo 16.33). Jesus combateu o amor ao dinheiro e propagou a prática da solidariedade e a valorização das pessoas e não dos bens. Os valores de Jesus, do Reino de Deus, são imutáveis e inegociáveis e precisam ser observados por sua Igreja.

 

HORA DA REVISÃO

  1. Segundo a lição, qual o outro nome da Teologia da Prosperidade?

Teologia da Retribuição que é evidenciada no livro de Jó.

  1. Qual foi o sábio pedido de Agur a Deus?

“Não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção acostumada” (Pv 30.8).

 

  1. De acordo com a lição, qual é o maior tesouro para se obter?

O maior tesouro é fazer a vontade Deus e viver em paz.

 

  1. Se nossos olhos forem bons, qual será o resultado (Mt 6.22)?

Todo o corpo será luminoso.

  1. Segundo a lição, como se livrar de Mamom?

 

Para se livrar desse “demônio” e de suas tentações é preciso, em primeiro lugar, resistir o amor ao dinheiro e as vantagens egoístas que ele pode proporcionar. Fazer um uso sábio e prudente dos recursos materiais.