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LIÇÕES JOVENS CPAD 3 TRIMESTRE 2018 doutrina da fé
LIÇÕES JOVENS CPAD 3 TRIMESTRE 2018 doutrina da fé

LIÇÕES JOVENS CPAD 3 TRIMESTRE 2018 A FÉ


 

TODAS LIÇÕES 3 TRIMESTRE 2018 JOVENS CPAD A FÉ

REALIZA O IMPOSSIVEL

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

JOVENS

3º Trimestre de 2018

Título: Milagres de Jesus — A Fé realizando o Impossível.

Comentarista: César Moisés Carvalho

Lição 1: O que é milagre

Data: 01 de Julho 2018

 

TEXTO DO DIA

 

 

“E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda” (At 3.6).

 

 

 

SÍNTESE

 

 

O milagre acontece de acordo com a vontade e a permissão de Deus.

 

 

 

AGENDA DE LEITURA

 

 

SEGUNDA — Dt 13.1-5

 

A permissão divina para provar

 

 

 

 

 

 

TERÇA — Dt 18.21,22

 

Identificando um falso profeta

 

 

 

 

 

 

QUARTA — Mc 6.5,6

 

A incredulidade atrapalha o milagre

 

 

 

 

 

 

QUINTA — Mc 6.7-13

 

Jesus outorga poder aos seus discípulos

 

 

 

 

 

 

SEXTA — Tg 5.14-20

 

A oração que salva o doente

 

 

 

 

 

 

SÁBADO — Mc 16.15-20

 

A ordem suprema e sua confirmação

 

 

 

OBJETIVOS

 

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

 

DESTACAR as definições de milagre, sua função e sua imprevisibilidade;

ELENCAR alguns dos principais perigos do milagre;

CONTRASTAR a religiosidade com a palavra do Evangelho.

 

 

INTERAÇÃO

 

 

Prezado (a) professor(a), já chegamos na metade de 2018 e estamos iniciando mais um trimestre com a graça de Deus. Nesta ocasião o tema a ser estudado é bastante sugestivo, pois trata dos Milagres de Jesus. Em uma época em que os milagres parecem ter se extinguido em alguns lugares enquanto em outros têm sido banalizados, tal assunto torna-se imprescindível, pois as pessoas continuam carentes da intervenção divina.

 

O comentário foi escrito pelo pastor César Moisés, que além de exercer a chefia do Setor de Educação Cristã da Casa Publicadora das Assembleias de Deus e lecionar por muitos anos disciplinas ligadas às ciências da religião, educação e teologia, atua como palestrante nos eventos de Educação Cristã da Casa (Capeds, Congressos e Conferências) é pedagogo, pós-graduado em Teologia pela PUC-Rio, articulista, e possui várias obras lançadas pela CPAD.

 

 

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

 

A temática do trimestre é uma excelente oportunidade para se resgatar, desenvolver ou manter a tradição da intercessão. Para tanto, convide a classe a interceder pelas pessoas necessitadas. Peça que cada aluno dedique-se a apresentar alguém durante o período do trimestre. Separe um período de cinco minutos para que cada um interceda, em classe, pela pessoa que será objeto da oração intercessória durante os quatorze domingos deste trimestre. Se o aluno não faltar, ao final, serão cerca de uma hora e dez minutos de intercessão em classe. Não pelo tempo, mas pela dedicação, o quanto o Senhor não poderá realizar se o povo de Deus colocar-se de joelhos e interceder! Pode-se apresentar como sugestão a oportunidade de o aluno que intercedeu relatar o testemunho ao final do trimestre (ou quando a bênção já tiver sido alcançada), ou quem sabe até mesmo a própria pessoa objeto da intercessão.

 

 

 

TEXTO BÍBLICO

 

 

Atos 3.1-10.

 

 

 

1 — Pedro e João subiam juntos ao templo à hora da oração, a nona.

 

2 — E era trazido um varão que desde o ventre de sua mãe era coxo, o qual todos os dias punham à porta do templo chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam.

 

3 — Ele, vendo a Pedro e a João, que iam entrando no templo, pediu que lhe dessem uma esmola.

 

4 — E Pedro, com João, fi tando os olhos nele, disse: Olha para nós.

 

5 — E olhou para eles, esperando receber alguma coisa.

 

6 — E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda.

 

7 — E, tomando-o pela mão direita, o levantou, e logo os seus pés e tornozelos se firmaram.

 

8 — E, saltando ele, pôs-se em pé, e andou, e entrou com eles no templo, andando, e saltando, e louvando a Deus.

 

9 — E todo o povo o viu andar e louvar a Deus;

 

10 — e conheciam-no, pois era ele o que se assentava a pedir esmola à Porta Formosa do templo; e ficaram cheios de pasmo e assombro pelo que lhe acontecera.

 

 

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

 

Neste trimestre estudaremos um tema oportuno — Os Milagres de Jesus. Excetuando as primeiras duas lições que têm como objetivo introduzir o assunto, e a última que conclui a revista, todas as demais lições tratarão de um dos muitos milagres realizados por nosso Senhor Jesus Cristo. O ministério terreno do Mestre foi marcado por muitos sinais miraculosos. Uma vez que o Senhor não mudou, certamente este trimestre será pontuado pela manifestação divina e muitas curas e milagres acontecerão. No ensejo deste estudo lembremos que o Senhor é o mesmo e, por isso, Ele virá em nosso socorro e nos agraciará com toda a sorte de bênçãos celestiais. Aproveitemos esse período para receber o milagre que tanto precisamos e, posteriormente, testemunhemos para a glória do nome do Senhor.

 

 

 

  1. O MILAGRE

 

 

 

  1. O que é milagre? Autores há que defendam a ideia de que o milagre seja a suspensão momentânea das leis naturais e outros que advogam justamente o contrário, ou seja, o milagre é a “normalidade” e a expressão exata do que deveria acontecer em um mundo governado pelas leis divinas e sem a mancha do pecado. Tal discussão contém verdade e conflito tanto de um lado quanto de outro. O fato mais importante é que o milagre, tal como se entende biblicamente, trata-se de uma intervenção sobrenatural de Deus na ordem dos acontecimentos e diz respeito a algo extraordinário (Jo 4.46-54: 6.1-14; At 4.22).

 

  1. A função do milagre. O propósito do milagre, invariavelmente, é prestar socorro e glorificar o nome do Senhor (Lc 13.10-17). Ele não é resultado da vontade humana e nem produto da capacidade de quem quer que seja, mas vem única e exclusivamente da parte de Deus (Tg 1.17). Portanto, qualquer tentativa de usurpar a glória do Altíssimo constitui-se em “roubo”, pois a sua glória Ele não dará a outrem (Is 42.8).

 

  1. A “imprevisibilidade” como característica do milagre. Apesar de o milagre chegar em momentos de dificuldade e de grande aflição, não é prudente “agendá-lo”, decretá-lo ou mesmo determiná-lo, pois é Deus “o que opera [...] tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13). Em casos excepcionais, em que parece ter havido um “agendamento” para o milagre, certamente Deus pode ter comunicado ao coração dos seus servos para que tal acontecesse (1Rs 17.1; 18.41-46 cf. Tg 5.17,18). Contudo, fora esses casos específicos, devemos confiar no Senhor de todo o nosso coração, mas sem querer manipular o Eterno.

 

 

 

 

 

 

Pense!

 

 

 

Se a função do milagre é socorrer ao aflito no momento de dificuldade, por que não podemos decretá-lo?

 

 

 

 

 

 

Ponto Importante

 

 

 

A imprevisibilidade é uma das características do milagre.

 

 

 

 

 

 

  1. PERIGOS QUE RONDAM O MILAGRE

 

 

 

  1. Apego excessivo ao miraculoso. Acostumar-se ao miraculoso encerra um grande perigo que é desprezar o sagrado, tornando-se ingrato (Nm 11.6). Todavia, “viciar-se” em tudo o que parece extraordinário, desprezando a ordinariedade, pode ser igualmente perigoso. O servo de Deus precisa aprender a contar com a dependência divina sem descuidar de sua parte no processo da manutenção da vida, ou seja, deve buscar o equilíbrio (Pv 30.7-9). Alcançar tal equilíbrio não parece difícil, entretanto, o que se verifica é uma tendência à polarização: quando tudo vai bem tornamo-nos relapsos quanto à oração e nem nos lembramos que o dom da vida depende de Deus e é um milagre, por outro lado, se estamos em tribulação, clamamos desespera da mente pela intervenção divina.

 

  1. Idolatria popular em relação a quem foi o canal divino. Já se disse, com propriedade, que ninguém torna uma multidão refém de si sem antes tornar-se dela refém. José foi bastante claro ao dizer que não estava nele a capacidade de revelar alguma coisa a Faraó, mas que Deus daria resposta de paz ao governante (Gn 41.16). Portar-se de tal forma pode parecer fácil, entretanto, a própria história bíblica registra casos em que pessoas se esqueceram de tributar ao Senhor a glória que lhe é devida e acabaram sofrendo as consequências de tal comportamento (2Rs 5.20-27; Dn 4.28-33). É preciso muito cuidado por parte de quem Deus opera através de sua vida, pois a tentação de sentir-se idolatrado é grande. Da parte do povo igualmente é preciso cuidado, pois este pode levar àquele que foi o canal divino a exaltar-se, porém, Deus cobrará de cada um, individualmente, a responsabilidade de reconhecer-lhe a glória.

 

  1. O perigo do descompromisso. Entre os grandes ensinamentos do Sermão do Monte, o Mestre chama a atenção ao proferir que “Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas?”; ao que Ele lhes responderá: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7.22,23). Que terrível final para quem tanto fez em nome de Deus! O perigo do descompromisso ronda todos aqueles que se entregam ao trabalho do Mestre, mas esquecem de fazer a vontade do Pai (Mt 7.21). A vontade do Pai é que o obedeçamos, em humildade e temor, submetendo-nos a sua Palavra (Jo 14.21).

 

 

 

 

 

 

Pense!

 

 

 

É possível fazer as coisas em nome de Deus e ainda assim viver longe dEle?

 

 

 

 

 

 

Ponto Importante

 

 

 

O perigo de se viver à cata de milagres ou de desprezá-los, é que ambas as posturas banalizam o sagrado.

 

 

 

 

 

 

III. O CONTRASTE DA RELIGIOSIDADE COM A PALAVRA DO EVANGELHO

 

 

 

  1. O coxo ficava à Porta Formosa do Templo. A religiosidade é pródiga em premiar aparências e desconsiderar o principal (Mt 23.23-28). A descrição de Lucas parece conter uma dose de ironia, pois diz que à hora da oração, “era trazido um varão que desde que o ventre do sua mãe era coxo, o qual todos os dias punham à porta do templo chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam” (At 3.2). Um mendigo deficiente colocado todos os dias na porta, cujo nome era Formosa, do suntuoso Templo dos judeus. Que contraste! Enquanto se praticava a religiosidade com todos seus protocolos litúrgicos, um homem jazia, diariamente, à porta reluzente do Templo padecendo necessidade e ninguém se incomodava com a situação. A insensibilidade tomara conta dos oficiais da religião, bem como do povo, de forma tão intensa que ninguém mais percebia o quanto era equivocada tal coexistência.

 

  1. A cura do homem e o exemplo de Pedro e João. Certamente dirigidos pelo Espírito de Deus, os apóstolos Pedro e João foram ao Templo e se depararam com o homem que jazia á porta Formosa (At 3.1,3). Pensando em receber esmolas, mal sabia o coxo que ao dirigir-se àqueles dois homens sua vida mudaria. Em vez de uma ajuda paliativa, que ainda gerava status religioso para o “benevolente” (Mt 6.1-4), o homem recebeu a cura divina e, instantaneamente, levantou-se tomado pela mão direita “e entrou com eles no templo, andando, e saltando, e louvando a Deus” (At 3.8). O povo, que conhecia o homem que diariamente estava no Templo, ficou admirado e aglomerou-se junto a Pedro e João, mas estes, como verdadeiros servos do Deus Altíssimo, comportaram-se humildemente, tributando ao Senhor toda honra e toda glória pelo grande milagre que acabara de ocorrer (At 3.11,12). É esta a postura recomendada para quem afirma temer a Deus e não quer usurpar a glória do Senhor para si.

 

  1. O milagre e a palavra do Evangelho. O milagre, apesar de socorrer a alguém em um momento de grande necessidade, serve igualmente como oportunidade para a pregação do Evangelho. Na verdade, o Evangelho completo traz em si a possibilidade do socorro através do milagre (Mc 16.15-20). Quando o povo, atônito, acorreu aos apóstolos, Pedro rapidamente tratou de pregar o Evangelho, demonstrando biblicamente, que através da fé em Jesus, a quem os judeus preteriram em favor de um homicida, foi possível realizar o milagre que a multidão acabara de presenciar (At 3.13,14,16). Não é de se estranhar que Pedro e João tenham sido presos e levados ao Sinédrio no outro dia (At 4.1-22), pois o povo desviou a atenção dos sacerdotes voltando-se para os apóstolos. Nesta segunda oportunidade em que Pedro pregou o Evangelho, o número de conversões chegou a quase cinco mil.

 

 

 

 

 

 

Pense!

 

 

 

A religiosidade vivida de maneira mecânica e costumeira pode levar-nos à insensibilidade?

 

 

 

 

 

 

Ponto Importante

 

 

 

A palavra do Evangelho contrasta com a religiosidade porque ela prioriza a salvação e não o ritual.

 

 

 

 

 

 

CONCLUSÃO

 

 

 

Os milagres são intervenções poderosas de Deus para socorrer-nos em momentos de aflição. Eles, sob hipótese alguma, devem ser usados como forma de autopromoção, exibicionismo ou coisa parecida. A glória do milagre pertence somente ao Senhor Jesus Cristo. Ele operou muitos milagres e tributava toda a glória ao Pai (Jo 11.41,42), Que possamos ser canais de Deus para que milagres aconteçam em nossas vidas e através delas, porém, sem nos esquecer que a glória pertence ao Senhor.

 

 

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

 

FERNANDO, Ajith. Ministério Dirigido por Jesus. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2013.

 

 

 

HORA DA REVISÃO

 

 

  1. Tal como se entende biblicamente, o que é milagre?

 

Trata-se de uma intervenção sobrenatural de Deus na ordem dos acontecimentos e diz respeito a algo extraordinário (Jo 4.46-54; 6.1-14; At 4.22).

 

 

 

  1. Porque, regra geral, não se deve “decretar” ou agendar o milagre?

 

Apesar de o milagre chegar em momentos de dificuldade e de grande aflição, não é prudente “agendá-lo”, decretá-lo ou mesmo determiná-lo, pois é Deus “o que opera [...] tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13).

 

 

 

  1. Qual a grande tentação daquele que foi canal de Deus para a ocorrência do milagre?

 

É preciso muito cuidado por parte de quem Deus opera através de sua vida, pois a tentação de sentir-se idolatrado é grande.

 

 

 

  1. Qual foi a postura de Pedro e João ao perceberem que a multidão atribuía o milagre a eles?

 

Como verdadeiros servos do Deus Altíssimo, comportaram-se humildemente tributando ao Senhor toda honra e toda glória peio grande milagre que acabara de ocorrer (At 3.11,12).

 

 

 

  1. O que o Evangelho completo traz?

 

O evangelho completo traz em si a possibilidade do socorro através do milagre (Mc 16.15-20).

 

 

 

SUBSÍDIO

 

 

“A publicidade desencorajadora

 

Um dos grandes perigos da ênfase excessiva na cura é que ela pode eclipsar o evangelho no evangelismo. Esse perigo também pode ter influenciado a ordem de Jesus para que as pessoas curadas mantivessem segredo. Como Stephen Short coloca: ‘Jesus não queria que as pessoas viessem a Ele apenas para receber benefícios físicos’. Muitos não cristãos vão as reuniões cristãs principalmente a fim de satisfazer alguma necessidade física ou material. Uma vez que eles vêm, partilhamos o evangelho com eles. Mas descobri que é muito difícil eles fazerem, em seu pensamento, a transição das necessidades sentidas para o evangelho. Ouvem nossa explicação do evangelho e talvez até mesmo a aceitem, mas, em seu íntimo, quando pensam no cristianismo e nos cristãos, imaginam o seguinte: Esse é um lugar no qual minhas necessidades físicas e materiais são satisfeitas. Por isso, eles têm dificuldade em realmente ouvir o evangelho, embora ele seja transmitido claramente a eles. Por isso, o evangelho tem sempre de ser predominante em nosso programa. A compaixão é um aspecto do evangelho. Portanto, a compaixão sempre é um aspecto do nosso ministério no mundo, Mas se os atos de compaixão são feitos principalmente para ‘ganhar pessoas para o nosso lado’ e crescermos como igreja, podemos terminar com um monte de problemas” (FERNANDO, Ajith. Ministério Dirigido por Jesus. 1ª Edição. RJ: CPAD. 2013, pp.212,213).

 

 

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

JOVENS

3º Trimestre de 2018

Título: Milagres de Jesus — A Fé realizando o Impossível.

Comentarista: César Moisés Carvalho

Lição 2: O propósito dos milagres no ministério de Jesus

Data: 08 de Julho de 2018

TEXTO DO DIA

 

 

“Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31).

 

 

 

SÍNTESE

 

 

Os milagres realizados por Jesus manifestavam a chegada do Reino de Deus.

 

 

 

AGENDA DE LEITURA

 

 

SEGUNDA — Lc 11.20

 

O sinal da chegada do Reino de Deus

 

 

 

 

 

 

TERÇA — Lc 4.18,19

 

A missão de Jesus

 

 

 

 

 

 

QUARTA — Mc 1.14,15

 

O anúncio do Reino de Deus

 

 

 

 

 

 

QUINTA — Lc 10.9

 

Milagres e anúncio do Reino de Deus

 

 

 

 

 

 

SEXTA — Mc 16.15-20

 

O Evangelho completo

 

 

 

 

 

 

SÁBADO — At 28.31

 

A igreja do primeiro século anunciava o Reino de Deus

 

 

 

OBJETIVOS

 

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

 

HISTORIAR a expectativa judaica em relação à questão messiânica;

RESSALTAR os paradoxos da vinda do Reino de Deus;

EXPLICAR a conexão do ministério de Jesus com o Reino de Deus.

 

 

INTERAÇÃO

 

 

Querido(a) professor(a), como foi a primeira aula? Qual foi sua impressão? Pela reação dos alunos é possível ter uma ideia de como será o trimestre. Se eles se mostraram interessados, parabéns. Caso isso não tenha acontecido, que tal incentivá-los? O tema é pertinente se se pensar na questão estritamente espiritual. Como tudo na vida, a espiritualidade tende a arrefecer. E tal pode acontecer não apenas na vida dos alunos, mas inclusive na nossa que ensinamos! Podemos “acostumar-nos” ao exercício do ensino, apaixonarmo-nos pela técnica, mas tornarmo-nos impermeáveis ao que ensinamos. Lamentavelmente, tal perigo não é incomum. Por isso, a sugestão da primeira aula — de instituir um período de cinco minutos de oração em cada domingo durante este trimestre — deve ser vista como uma oportunidade valiosa de resgatar uma espiritualidade aliada ao conhecimento bíblico-teológico.

 

 

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

 

Com a crescente institucionalização os testemunhos foram desaparecendo das liturgias, de forma que muitos jovens sequer alcançaram essa época em que alguém se levantava para contar uma bênção que recebera da parte de Deus. Que tal organizar uma pequena exposição? Certamente você conhece o jornal Mensageiro da Paz, órgão oficial das Assembleias de Deus no Brasil, editado pela CPAD. Esse jornal mantém, desde a sua criação em 1930, uma página destinada a testemunhos. Pergunte aos alunos se eles conhecem o jornal. Proponha que eles pesquisem entre os irmãos se há alguém que já compartilhou seu testemunho. Mesmo que não haja, peça a eles que consigam edições antigas do jornal e tragam a parte do testemunho para expor em classe. Aproveite o momento e reflita com eles acerca da importância de se dividir com os demais o recebimento de uma cura, a abertura de uma porta de emprego ou mesmo a resolução de um grande problema.

 

 

 

TEXTO BÍBLICO

 

 

Lucas 4.14-24.

 

 

 

14 — Então, pela virtude do Espírito, voltou Jesus para a Galileia, e a sua fama correu por todas as terras em derredor.

 

15 — E ensinava nas suas sinagogas e por todos era louvado.

 

16 — E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga e levantou-se para ler.

 

17 — E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito:

 

18 — O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração,

 

19 — a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor.

 

20 — E, cerrando o livro e tornando a dá-lo ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele.

 

21 — Então, começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.

 

22 — E todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que saíam da sua boca, e diziam: Não é este o filho de José?

 

23 — E ele lhes disse: Sem dúvida, me direis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; faze também aqui na tua pátria tudo o que ouvimos ter sido feito em Cafarnaum.

 

24 — E disse: Em verdade vos digo que nenhum profeta é bem recebido na sua pátria.

 

 

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

 

Sem dúvida alguma os milagres realizados por Jesus visavam socorrer as pessoas (Lc 13.16). Com seu poder, o Mestre usava de extrema sensibilidade e então toda dor e todo sofrimento cessavam. Mas será que além de socorrer aos que sofriam, havia mais algum propósito na realização dos milagres? Tal pergunta só pode ser respondida se entendermos a missão do Senhor Jesus Cristo, pois todas as ações do Mestre convergiam para o propósito final de sua missão. Nada que Ele fazia era sem objetivo ou a esmo. Na verdade, como o próprio povo reconhecia, Jesus fazia bem todas as coisas, inclusive quando curava surdos e mudos (Mc 7.37). Apesar disso, seu ministério não se deu sem oposições e enfrentamentos, pois os fariseus chegaram a acusá-lo de operar sinais, não pelo Espírito de Deus, mas por Belzebu, príncipe dos demônios (Mt 12.24).

 

 

 

  1. A EXPECTATIVA JUDAICA

 

 

 

  1. O chamado de Abrão e o Povo da Promessa. Chamado por Deus, Abrão peregrinou sob a promessa de que, a partir dele, seria formada uma grande nação (Gn 12.1,2,4-9). Juntamente com tal promessa, Deus também disse que, através de Abrão, seriam “benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3; Gl 3.8). Isso, porém, não se daria de um dia para o outro e nem sem reveses (Gn 15.13). Tal tempo era necessário, pois sendo justo, Deus aguardava que “a medida da injustiça dos amorreus” se completasse para só então desapropriá-los e dar a terra à descendência de Abrão (Gn 15.16).

 

  1. O propósito de Israel. Quando o tempo de Deus completou-se, o Senhor chamou a Moisés e o enviou ao Egito para que libertasse o povo (Êx 34). Em Êxodo 19.6 o Senhor revela o propósito da nação israelita e ordena a Moisés para que este diga o seguinte ao povo: “E vós me sereis reino sacerdotal e povo santo”. Como povo sacerdotal a tarefa de Israel era clara: servir de modelo aos demais povos, levando-os a querer ser como o Povo da Promessa (Dt 4.5-8). A ideia não era que Israel dominasse os outros povos, mas que exercesse um papel sacerdotal em relação às demais nações (Êx 23.9).

 

  1. O fracasso de Israel em representar Deus e a expectativa judaica. Como é sabido, infelizmente Israel fracassou em seu papel sacerdotal e rejeitou o conhecimento de Deus (Os 4.6). O Senhor já havia advertido, há muito tempo, que se o povo que Ele separara praticasse as mesmas coisas das demais nações, o destino deles não seria diferente (Lv 18.26-28). Desde quando Israel fracassou em representar o que significava ser governado por Deus, sua esperança era que o Senhor interviesse e mudasse a situação. No período intertestamentário desenvolveu-se uma consciência extremamente nacionalista e então se pensou na figura de um libertador político, o Messias, descendente de Davi, que mudaria tal quadro. Nos dias do Novo Testamento, tal ideia era ainda muito forte e motivo de questionamento até mesmo por parte dos discípulos (Jo 4.25; At 1.6).

 

 

 

 

 

 

Pense!

 

 

 

Você crê que, assim como Deus tinha um propósito para a vida de Abraão, e para com o povo de Israel, há um propósito dEle para sua vida?

 

 

 

 

 

 

Ponto Importante

 

 

 

Quando Deus chamou Abraão, Ele o fez não apenas para que o patriarca fosse abençoado, mas para ser uma fonte de “bênção”.

 

 

 

 

 

 

  1. A VINDA DO REINO DE DEUS

 

 

 

  1. O rei que não nasceu no palácio. A maioria das pessoas que estudam a Palavra de Deus, e que tem experiência com o Senhor, já sabe que Ele não age da forma como a nossa lógica humana pensa (1Co 1.25-29). Com o nascimento de Jesus não foi diferente. Os magos que vieram do Oriente para visitar o Salvador, orientados por uma estrela, o procuraram no palácio, mas depois descobriram que, conforme diziam as Escrituras, Cristo não nascera na capital, Jerusalém, mas sim em Belém e, conforme se sabe, não foi em um “berço de ouro”, mas numa manjedoura (Mt 2.1-12; Lc 2.1-20). Parece um contrassenso, mas foi exatamente assim que aconteceu, dando indícios de que Jesus não era um rei como os demais que as pessoas conheciam (Mt 21.5).

 

  1. João Batista anuncia a proximidade do Reino de Deus. Levantado por Deus para preparar o caminho para o Salvador, João Batista começa a pregar no deserto da Judeia: “Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus” (Mt 3.2). O povo chegou a pensar que o Batista fosse o Cristo, o Rei, mas ele tratou de desfazer tal pensamento (Lc 3.15-17). Na verdade, João Batista tinha consciência de que seu ministério tinha uma finalidade, bem como um período de abrangência (Jo 3.28-30). Sua missão era anunciar que o tempo ansiado por todos em Israel estava próximo, o Reino de Deus, e o seu Messias, estavam chegando (Mc 1.2-8).

 

  1. O Reino de Deus não é deste mundo. A despeito de todos os judeus esperarem ansiosamente pelo Reino de Deus, ou seja, pela “redenção”, ou libertação, de Jerusalém (Lc 2.38), não tardou a vir a decepção. Com expectativas equivocadas, eles ansiavam por um reinado político nos moldes dos reis-imperadores objetivando até mesmo retaliação (Lc 24.21; Jo 6.14,15; At 1.6). Contudo, como Jesus fez questão de frisar a Pilatos: “O meu Reino não é deste mundo; se o meu Reino fosse deste mundo, lutariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas, agora, o meu Reino não é daqui” (Jo 18.36). Naquele momento histórico o Reino ainda não dominaria completamente aqui, pois atua somente no coração, e realidade, daqueles que aceitam ao Evangelho e assim decidem viver (Mc 1.14,15 cf. Mt 6.10). Entretanto, chegará o dia em que o Reino de Deus será uma realidade absoluta e física (Dn 2.34,35) e neste dia, toda língua confessará ao Senhor e todo joelho se dobrará perante o Rei dos reis e Senhor dos senhores (Rm 14.11).

 

 

 

 

 

 

Pense!

 

 

 

Por que os judeus se decepcionaram com Jesus? Alguém já decepcionou você? Como reagiu?

 

 

 

 

 

 

Ponto Importante

 

 

 

João Batista nunca pensou em colocar-se em uma posição de Messias, pois tinha consciência de seu ministério.

 

 

 

 

 

 

III. O MINISTÉRIO DE JESUS SÓ PODE SER ENTENDIDO EM CONEXÃO COM O REINO DE DEUS

 

 

 

  1. Os sinais concretos da chegada do Reino de Deus. Procurado por dois discípulos de João Batista e perguntado por estes acerca de se Jesus era mesmo o Messias que havia de vir ou se eles deviam esperar por outro, a “resposta” do Mestre não poderia ser mais clara, pois a Bíblia diz que “na mesma hora, curou muitos de enfermidades, e males, e espíritos maus; e deu vista a muitos cegos” (Lc 7.21). Na sequência, Ele disse aos discípulos que retornassem ao Batista e então anunciassem o que viram e ouviram (Lc 7.22). Em outra ocasião, acusado de expulsar espíritos malignos por Belzebu, príncipe dos demônios, o Mestre disse que o fazia pelo “dedo”, isto é, pelo poder de Deus, e que, por conseguinte, isto era uma evidência concreta de que o Reino de Deus havia chegado (Lc 11.20).

 

  1. Jesus revela sua missão, causando escândalo e ira. O ministério de Jesus era dirigido pelo Espírito e consistia em anunciar o Evangelho de que o Reino de Deus havia chegado. Este era o conteúdo do seu ensinamento, inclusive nas sinagogas dos judeus (Lc 4.14,15 cf. Mc 1.14,15). Em uma dessas ocasiões, numa das passagens mais conhecidas, o Mestre, num sábado, foi a uma sinagoga em Nazaré, local onde fora criado. Ali lhe deram o livro do profeta Isaías e então Ele fez uma leitura que sintetiza perfeitamente sua missão (Lc 4.18,19 cf. Is 61.1). Pelo fato de Ele ter dito que naquele dia aquela Escritura cumprira-se, o povo se surpreendeu, pois conheciam sua origem humilde e simples (Lc 4.22). Tal reação não foi surpresa alguma para o Senhor, pois Ele sabia da resistência das pessoas em reconhecer que Deus pudesse levantar alguém entre os de sua própria terra natal (Lc 4.23-27). A revolta do povo foi tão grande que eles o expulsaram e até quiseram atentar contra sua vida (Lc 4.28-30).

 

  1. O propósito dos milagres de Jesus. O que fica claro, ao se estudar os milagres e sinais realizados pelo Senhor Jesus, é que o seu propósito só pode ser devidamente entendido levando-se em conta a mensagem do Reino de Deus o Evangelho, e o ministério de ensino que o Mestre desenvolveu (Lc 11.20). Lucas relata que em Cafarnaum, num sábado, o Mestre ensinava numa sinagoga quando um homem atormentado por um espírito imundo manifestou-se, incomodado com o ensino e com a presença do Senhor, pois sabia que o exercício de tal ministério significava a derrota de Satanás (Lc 4.31-36). As pessoas ali presentes ficaram espantadas, pois se admiravam de que o ensinamento do Senhor não fosse apenas teórico, mas extremamente poderoso e eficaz.

 

 

 

 

 

 

Pense!

 

 

 

Se o ministério do próprio Senhor Jesus tinha necessidade da direção do Espírito, será que nós podemos prescindir de tal orientação?

 

 

 

 

 

 

Ponto Importante

 

 

 

Os milagres e sinais realizados por Jesus Cristo revelavam seu compromisso com Deus e com as pessoas necessitadas.

 

 

 

 

 

 

CONCLUSÃO

 

 

 

Além de servir de alívio para a dor e o sofrimento das pessoas, os milagres e sinais realizados por Jesus manifestavam o Reino de Deus. Ocorre, porém, que tal Reino nenhuma semelhança tem com os impérios deste mundo, seja os da antiguidade ou atuais. Isso, porém, faz com que as pessoas se frustrem em suas expectativas e acabem não aceitando a mensagem do Reino de Deus. Todavia, os que o aceitam, desfrutam, desde já, do privilégio de serem feitos filhos de Deus (Jo 1.11-13).

 

 

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

 

CARVALHO, César Moisés. O Sermão do Monte. A justiça sob a ótica de Jesus. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2017.

 

 

HORA DA REVISÃO

 

 

  1. O que a Bíblia quer dizer ao mencionar que “a medida da injustiça dos amorreus” ainda não estava cheia?

 

Sendo justo, Deus aguardava que “a medida da injustiça dos amorreus” se completasse para só então desapropriá-los e dar a terra à descendência de Abrão (Gn 15.16).

 

 

 

  1. Como “povo sacerdotal”, qual era a tarefa de Israel?

 

Como povo sacerdotal a tarefa de Israel era clara: servir de modelo aos demais povos, levando-os a querer ser como o Povo da Promessa (Dt 4.5-8). A ideia não era que Israel dominasse os outros povos, mas que exercesse um papel sacerdotal em relação às demais nações (Êx 23.9).

 

 

 

  1. O que Jesus quis dizer ao afirmar que expulsava os demônios pelo “dedo de Deus”?

 

Jesus quis dizer que expulsava os demônios pelo poder de Deus, e que, por conseguinte, isto era uma evidência concreta de que o Reino de Deus havia chegado (Lc 11.20).

 

 

 

  1. Qual era o “conteúdo” do ensinamento do Mestre?

 

Anunciar o Evangelho de que o Reino de Deus havia chegado.

 

 

 

  1. O que significava o exercício do ministério do Senhor?

 

A derrota de Satanás (Lc 4.31-36).

 

 

 

SUBSÍDIO

 

 

“O Sal da Terra e Luz do Mundo (Mt 5.13-16)

 

Comparando a proposta de Jesus aos modelos de sedição política que haviam, Ele ‘não era um separatista, tampouco se comprometia com sistemas’ e, de igual forma, ‘também não era um zelote’. Distintamente de tais ‘modelos, Jesus voltou-se para as Escrituras e resgatou um modelo único de reinado na terra, muito mais judaico do que os três implementados pelo seu próprio povo’. Mais ‘judaico’ porque resgatava justamente o sentido original do que pretendia o Criador ao dizer, através de Moisés, que o povo de Israel seria um ‘reino sacerdotal’ (Êx 19.6). Isso porque, conforme Wright, os ‘judeus dos dias de Jesus não esperavam que o universo fosse parar de funcionar’. Na verdade, eles aguardavam ‘que Deus fosse agir de forma dramática no universo, como havia feito em momentos extremos — como o episódio do êxodo, no qual a única linguagem apropriada era a de um mundo abatido e, então, recriado’. Assim, quando Cristo anuncia que o ‘Reino de Deus, o retorno do exílio, o clímax da história de Israel está entre vós, Jesus está a dizer [que], embora não se pareça com o que [eles] esperavam ver’, o reinado de Deus finalmente havia iniciado” (CARVALHO, César Moisés. O Sermão do Monte. A justiça sob a ótica de Jesus. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2017, pp.57,58).

 

 

 

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

JOVENS

3º Trimestre de 2018

Título: Milagres de Jesus — A Fé realizando o Impossível.

Comentarista: César Moisés Carvalho

Lição 3: O milagre nas Bodas de Caná

Data: 15 de Julho de 2018

TEXTO DO DIA

 

 

“Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele” (Jo 2.11).

 

 

 

SÍNTESE

 

 

O primeiro milagre realizado por Jesus evidencia todo o programa de seu ministério.

 

 

 

AGENDA DE LEITURA

 

 

SEGUNDA — Jo 2.1,2

 

Jesus tinha vida social

 

 

 

 

 

 

TERÇA — Lc 7.33,34

 

Jesus é acusado por ter vida social

 

 

 

 

 

 

QUARTA — Lc 7.36-39

 

Jesus ia à casa dos seus acusadores

 

 

 

 

 

 

QUINTA — Lc 19.1-10

 

Jesus foi à casa de um famoso publicano

 

 

 

 

 

 

SEXTA — Mc 2.1,2

 

Jesus recebia as pessoas em casa

 

 

 

 

 

 

SÁBADO — Mc 5.21-43

 

Jesus vai à casa de Jairo

 

 

 

OBJETIVOS

 

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

 

ANALISAR os objetivos dos milagres no Evangelho de João;

DESTACAR o fato de Jesus ter uma vida social ativa;

DETALHAR o significado do milagre nas bodas de Caná.

 

 

INTERAÇÃO

 

 

Apesar de estar lecionando a pessoas que, em sua maioria, ainda são solteiras, sabemos que a família tem sido alvo constante de ataque. Muitos alunos podem até mesmo ser provenientes de famílias que estão vivendo conflitos terríveis. Interceda por eles e, se julgar oportuno e estiver preparado, aproxime-se e ofereça auxílio. Traumas vividos no âmbito da família de origem podem bloquear a pessoa na formação de um novo lar. Outro problema bastante comum é a reprodução daquilo que antes foi traumático. Interromper tal ciclo destrutivo é um grande desafio. Aproveite a temática transversal da lição — casamento, família — para destacar a importância de um lar harmonioso e com a presença constante de Jesus. Quem sabe você mesmo esteja enfrentando dificuldades no lar. Assim como Jesus interveio nas bodas de Caná, Ele pode entrar com providência hoje mesmo em sua casa e realizar um grande milagre.

 

 

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

 

A lição de hoje inicia os onze milagres que serão estudados neste trimestre. A peculiaridade desta é que o milagre objeto de estudo, bem como os próximos seis, são todos do Evangelho de João. Esta seção do quarto Evangelho é conhecida como “livro dos sete sinais” (2.1-11; 4.46-54; 5.2-18; 6.1-15; 6.16-21; 9.1-41; 11.1-46). Além desses sete sinais, há outros números “sete” no Evangelho joanino. Ele contém, por exemplo, sete sermões do Mestre (3.1-21; 4.4-42; 5.19-47; 6.22-59; 7.37-44; 8.12-30; 10.1-21), e a importantíssima pronúncia e/ou declaração “Eu sou” também figura sete vezes no texto (6.35; 8.12; 10.7; 10.11; 11.25; 14.6; 15.1). Uma vez que quanto mais familiaridade com o material, mais lições e conteúdo dele é possível extrair. Que tal incentivar os alunos a ler o Evangelho de João e assim descobrir outras curiosidades que, conforme será visto ao longo do estudo da revista, longe de serem acidentais, possuem um propósito muito bem delineado?

 

 

 

TEXTO BÍBLICO

 

 

João 2.1-11.

 

 

 

1 — E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galileia; e estava ali a mãe de Jesus.

 

2 — E foram também convidados Jesus e os seus discípulos para as bodas.

 

3 — E, faltando o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho.

 

4 — Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.

 

5 — Sua mãe disse aos empregados: Fazei tudo quanto ele vos disser.

 

6 — E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três metretas.

 

7 — Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima.

 

8 — E disse-lhes: Tirai agora e levai ao mestre sala. E levaram.

 

9 — E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os empregados que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo.

 

10 — E disse-lhe: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então, o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.

 

11 — Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.

 

 

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

 

Os Evangelhos, tanto os sinóticos — Mateus, Marcos e Lucas — quanto o de João, são textos basilares para a fé cristã, pois apresentam o Senhor Jesus Cristo, sua concepção miraculosa, seu nascimento, sua mensagem, seu ministério, sua paixão e ressurreição (Mc 1.1; Lc 1.1-4 cf. At 1.1-3). Mesmo assim, conforme João deixa bem claro, tais textos não são exaustivos, visto que o Mestre “fez muitas outras coisas” e, continua o apóstolo do amor, “se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem” (Jo 21.25). Portanto, a série de sete milagres do Evangelho de João que se inicia hoje não significa que o Filho de Deus tenha realizado “apenas” estes, pois como o escritor sagrado afirma, “Jesus, pois, operou também, em presença de seus discípulos, muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro” (Jo 20.30).

 

 

 

  1. O OBJETIVO DOS MILAGRES NO EVANGELHO DE JOÃO

 

 

 

  1. Um Evangelho singular. Cada um dos Evangelhos possui suas peculiaridades. Tal se dá pelo fato de que eles foram dirigidos a diferentes destinatários e públicos, além de terem sido escritos por pessoas distintas. O de João é um tratado universal e tem um caráter mais abrangente e teológico que os demais. Isso pode ser percebido pelo seu prólogo (Jo 1.1-14). Enquanto Mateus e Lucas, por exemplo, relatam lances acerca do nascimento e infância de Jesus (Mt 12; Lc 1.26—2.52), o quarto Evangelho, em seu prólogo, trata da preexistência do Filho de Deus. As divisões deste Evangelho também demonstram sua singularidade. Uma dessas divisões refere-se aos milagres que o apóstolo do amor relatara.

 

  1. Os sete sinais. A expressão “sinais” é utilizada por João com o claro significado de “milagres” (Jo 20.30). É emblemático que o apóstolo do amor relate “apenas” sete (2.1—4.54; 5.1—11.57), formando uma seção em seu Evangelho que é comumente denominada pelos estudiosos como "Livro dos Sinais". Na tipologia bíblica, e para os judeus, o número sete transmite a ideia de completude e totalidade.

 

  1. O objetivo dos sinais no Evangelho de João. Conforme já foi mencionado em lições anteriores, os milagres, ou sinais, possuem objetivos que perpassam, e satisfazem, o socorro do aflito, glorificam a Deus e chegam ao cerne do seu propósito, que é levar as pessoas a crerem “que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31). Este é justamente o objetivo de o apóstolo do amor ter relatado os sete milagres em seu Evangelho: demonstrar a messianidade de Jesus e com isto levar as pessoas à fé e, finalmente, à vida eterna.

 

 

 

 

 

 

  1. JESUS E A VIDA SOCIAL

 

 

 

  1. Jesus e a vida social. É sabido que entre outras coisas, cabia ao discípulo seguir o modelo de vida do seu mestre (Lc 6.40). Neste sentido, Jesus é a referência absoluta de todos que se propuseram a segui-Lo (Mt 16.24, cf. Ef 4.13). E como Ele viveu? Em termos sociais, por exemplo, a postura do Mestre é inequívoca, Ele não se comportou como um eremita, pois comia com pessoas discriminadas e frequentava a casa de todo o tipo de gente (Mc 2.1,2; Lc 7.33,34,36-39; 19.1-10). Não obstante ir a tais lugares, o Senhor não se contaminava com nada e nem praticava o que tais pessoas faziam, pois sua visita tinha objetivo (Hb 4.15 cf. Lc 19.9,10).

 

  1. O casamento valorizado pelo Mestre. A prova de que Jesus tinha “vida social” é que João registra o importante fato de que o seu primeiro milagre se deu justamente em uma festa de casamento (Jo 2.1-11). É no mínimo curioso que o Mestre tenha escolhido um momento tão corriqueiro para principiar seu ministério, pois tal poderia ter se dado em uma das muitas sinagogas ou mesmo no Templo em Jerusalém. No entanto, ao assim fazê-lo, Jesus demonstra igualmente o quanto Deus valoriza a instituição do casamento e a formação de uma nova família (Mc 10.6-9).

 

  1. A diferença ministerial entre Jesus e João Batista. A diferença na dinâmica de interação social entre Jesus e João Batista é marcante: enquanto o primeiro imiscuía-se nas relações interpessoais, o segundo vivia no deserto (Mt 3.1; 11.7,18,19). Contudo, tal diferença aponta para uma distinção bem mais profunda entre ambos os ministérios. Enquanto João Batista marcava o fim do Antigo Concerto, sendo o seu último profeta (Mt 11.13), Jesus Cristo, como Filho de Deus, inaugurava um novo tempo, iniciando um Novo Concerto (Mt 26.26-29; Hb 8.13; 9.15). Assim, a vida social de ambos dizia respeito ao chamado e ao ministério que cabia a cada um.

 

 

 

 

 

 

III. O SIGNIFICADO DO MILAGRE DA TRANSFORMAÇÃO DA ÁGUA EM VINHO

 

 

 

  1. “Fazei tudo quanto ele vos disser”. João registra que estando o Mestre acompanhado de sua mãe e dos seus discípulos, realizaram-se umas bodas em Caná da Galileia e eles foram convidados. Entretanto, algo embaraçoso ocorreu: o vinho que era servido na festa acabou. Uma vez que a festa de casamento podia se prolongar por até uma semana (Gn 29.27,28), essa questão não era um problema simples, pois violava uma das regras da hospitalidade. O fato foi comunicado a Jesus por sua mãe e devido à resposta do Mestre, muitos pensam tratar-se de rispidez, mas na verdade, quando se analisa o versículo quatro à luz de outros textos do Evangelho joanino (5.25; 7.30; 8.20; 12.23,27; 13.1; 17.1), fica claro que a palavra do Filho de Deus tem um sentido mais profundo. Ao dizer “Fazei tudo quanto ele vos disser”, Maria tinha certeza que o Mestre interviria mudando aquela situação, bastava apenas que os empregados, por mais que não compreendessem, obedecerem ao que Ele dissesse (v.5). De fato, Jesus orientou os empregados que enchessem de água as seis talhas de pedra que havia na casa e que tirassem em seguida uma porção e levassem do conteúdo para o mestre-sala provar (vv.6-8).

 

  1. O milagre. A narrativa diz que tão logo o mestre-sala provou da “água” trazida pelos empregados, chamou o esposo e, em tom de surpresa, disse a ele: “Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então, o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho” (v.10). O mestre-sala desconhecia o que realmente ocorrera, mas os empregados que encheram as seis talhas com água, sabiam perfeitamente de onde viera a enorme quantidade de vinho da mais alta qualidade para a festa (v.9). De forma discreta, sem nenhum alarde, Jesus realizara um grande milagre.

 

  1. O significado do milagre. O apóstolo do amor revela que dessa forma Jesus iniciou os seus “sinais” e “manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele” (v.11). Uma leitura ligeira do texto deixa escapar importantes detalhes que lançam luz em seu significado. O versículo seis diz que no local havia “seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus”. A religião oficial de Israel possuía muitos ritos que se fundamentavam não na Lei, mas na “tradição dos anciãos”, sendo um deles o hábito de lavar-se com finalidades ritualísticas e não simplesmente higiênicas (Mc 7.1-4). Ao utilizar para algo social os recipientes cujo objetivo era religioso, Jesus declara que no âmbito do Reino de Deus nada é sem importância, e que a verdadeira purificação não é exterior, mas interior, posto que a água servia para lavar “por fora” e o vinho deveria ser ingerido pelos convidados. Com este ato de transformar a água em vinho, o Mestre demonstra que o seu ministério envolve o cotidiano e que a transformação se dá em todos os âmbitos e dimensões, sendo a intervenção do Senhor a melhor parte, ainda que mude costumes religiosos e sociais, como as talhas religiosas usadas para a festa e o vinho bom distribuído por último (vv.6-10).

 

 

 

 

 

 

CONCLUSÃO

 

 

 

O primeiro milagre de Jesus é um resumo de todo o seu ministério, pois denota seu propósito — a transformação da realidade, seja ela pessoal ou ambiental — resultando na glória de Deus (Mc 7.37; Jo 9.1-4). Foi exatamente isto que ocorreu com a realização deste primeiro milagre do Senhor, ou seja, através dele o Mestre “manifestou a sua glória” e, como resultado, “os seus discípulos creram nele” (v.11).

 

 

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

 

RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007.

 

 

 

HORA DA REVISÃO

 

 

  1. Na tipologia bíblica, e para os judeus, qual ideia o número sete transmite?

 

Na tipologia bíblica, e para os judeus, o número sete transmite a ideia de completude e totalidade.

 

 

 

  1. Apesar de Jesus Cristo andar com pessoas discriminadas e frequentar suas casas, qual era sua postura?

 

Não obstante, ir a tais lugares, o Senhor não se contaminava com nada e nem praticava o que tais pessoas faziam, pois sua visita tinha objetivo (Hb 4.15 cf. Lc 19.9,10).

 

 

 

  1. O que denotam as palavras da mãe de Jesus: “Fazei tudo quanto ele vos disser”?

 

Ao dizer “Fazei tudo quanto ele vos disser”, Maria tinha certeza que o Mestre interviria mudando aquela situação, bastava apenas os empregados, por mais que não compreendessem, obedecerem ao que Ele dissesse (v.5).

 

 

 

  1. O que Jesus declara ao utilizar para algo social os recipientes cujo objetivo era religioso?

 

Jesus declara que no âmbito do Reino de Deus nada é sem importância, e que a verdadeira purificação não é exterior, mas interior, posto que a água servia para lavar “por fora” e o vinho deveria ser ingerido pelos convidados.

 

 

 

  1. Qual o significado do milagre de transformação da água em vinho?

 

Com este ato de transformar a água em vinho, o Mestre demonstra que o seu ministério envolve o cotidiano e que a transformação se dá em todos os âmbitos e dimensões, sendo a intervenção do Senhor a melhor parte, ainda que mude costumes religiosos e sociais, como as talhas religiosas usadas para a festa e o vinho bom distribuído por último (vv.6-10).

 

 

 

SUBSÍDIO

 

 

“Jesus transforma a água em vinho (2.1-11)

 

O fato de que as grandes talhas que João menciona fossem de pedra (2.6) é significativo e indica que a água que eles continham era provavelmente usada para a purificação ritual, pois recipientes de pedra, ao contrário dos de barro ou metal, não contraem ‘impurezas’. Assim, a transformação desta água em vinho tem significado simbólico: a água que representava a religião do Antigo Testamento foi transmutada por Jesus em um vinho que representava a abundante bênção de Deus. A validade deste símbolo está estabelecida nas Escrituras, que frequentemente retratam o reino escatológico de Deus como um banquete (Mt 5.6; 8.11,12; Mc 2.19; Lc 22.15-18), do qual uma característica básica era a profusão de vinho (cf. Is 25.6). Simbolismo semelhante é encontrado nos comentários que Filo, o filósofo judeu do século I, faz sobre Melquisedeque. Em Leg. Alleg. 3.79, Filo escreve que Melquisedeque ‘trará vinho em lugar de água e dará às nossas almas uma bebida pura, para que elas possam tornar-se possuídas por aquela divina intoxicação que é mais sóbria que a própria sobriedade’.

 

Ao transformar a água que representa a antiga economia em vinho que representa a vinda do reino de Deus, Jesus ‘manifestou sua glória, e os seus discípulos creram nele’” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007, p.204).

 

 

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

JOVENS

3º Trimestre de 2018

Título: Milagres de Jesus — A Fé realizando o Impossível.

Comentarista: César Moisés Carvalho

Lição 4: Curando o filho de um oficial

 

 

 

TEXTO DO DIA

 

 

“Então, Jesus lhe disse: Se não virdes sinais e milagres, não crereis” (Jo 4.48).

 

 

 

SÍNTESE

 

 

Jesus socorre o oficial e cura o seu filho, gerando fé salvadora não apenas para o pai, mas para toda a família.

 

 

 

AGENDA DE LEITURA

 

 

SEGUNDA — Mt 15.21-28

 

Jesus socorre a filha da mulher cananeia

 

 

 

 

 

 

TERÇA — Mc 9.14-27

 

Jesus atende o filho de um homem desesperado

 

 

 

 

 

 

QUARTA — Mc 5.21-43

 

Jesus traz à vida a filha de Jairo

 

 

 

 

 

 

QUINTA — Lc 7.11-17

 

Jesus devolve a vida ao filho da viúva de Naim

 

 

 

 

 

 

SEXTA — Mt 24.43

 

Jesus fala sobre o cuidado do pai de família

 

 

 

 

 

 

SÁBADO — Lc 18.15-17

 

Jesus abençoa as crianças

 

 

 

OBJETIVOS

 

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

 

SUBLINHAR a mobilidade ministerial de Jesus entre a Judeia e a Galileia;

ALERTAR quanto aos perigos da fé baseada em sinais;

REAFIRMAR o importante resultado do milagre da cura do filho do oficial.

 

 

INTERAÇÃO

 

 

O costume de se fazer algo por muito tempo tem a rara capacidade de nos dar habilidade para realizá-la melhor ou, paradoxalmente, comodismo para fazer sempre da mesma maneira o que certamente poderíamos executar de forma mais excelente. Sua experiência docente pode ser uma grande aliada ou um enorme empecilho no desempenho de sua atividade como educador, tudo dependerá de como você a encara. Muito embora o campo da educação sofra com os modismos, rejeitar novidades que são práticas sem fundamento não pode afetar a capacidade de o educador adaptar-se a novas situações e conhecer diferentes técnicas que contribuirão com o seu trabalho docente. Esteja pronto a aprender e aperfeiçoar seu ministério de ensino. Deus quer fazer coisas grandiosas através de seu trabalho, mas para isso você deve colocar-se à disposição a fim de realizar o melhor na obra dEle.

 

 

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

 

Apesar de desenvolvido num curto período de tempo, foi intenso o ministério terreno do Senhor Jesus, tal como podemos ver pelas sucessivas viagens e incursões do Mestre nas regiões da Judeia e da Galileia. A fim de melhor exemplificar tal fato, com a ajuda do Pequeno Atlas Bíblico (CPAD), reproduza o mapa, conforme suas possibilidades, e para se ter uma ideia da intensa movimentação ministerial do Senhor verifique com os alunos a configuração da Palestina do primeiro século.

 

 

 

TEXTO BÍBLICO

 

 

João 4.46-54.

 

 

 

46 — Segunda vez foi Jesus a Caná da Galileia, onde da água fizera vinho. E havia ali um oficial do rei, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum.

 

47 — Ouvindo este que Jesus vinha da Judeia para a Galileia, foi ter com ele e rogou-lhe que descesse e curasse o seu filho, porque já estava à morte.

 

48 — Então, Jesus lhe disse: Se não virdes sinais e milagres, não crereis.

 

49 — Disse-lhe o oficial: Senhor, desce, antes que meu filho morra.

 

50 — Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe disse e foi-se.

 

51 — E, descendo ele logo, saíram-lhe ao encontro os seus servos e lhe anunciaram, dizendo: O teu filho vive.

 

52 — Perguntou-lhes, pois, a que hora se achara melhor; e disseram-lhe: Ontem, às sete horas, a febre o deixou.

 

53 — Entendeu, pois, o pai que era aquela hora a mesma em que Jesus lhe disse: O teu filho vive; e creu ele, e toda a sua casa.

 

54 — Jesus fez este segundo milagre quando ia da Judeia para a Galileia.

 

 

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

 

Após o milagre nas bodas de Caná, Jesus, juntamente com sua mãe, irmãos e discípulos, se estabeleceram por alguns dias em Cafarnaum, importante cidade da Galileia (Jo 2.12). Na sequência, devido à proximidade da Páscoa, uma das três mais importantes festas judaicas, o Mestre parte para Jerusalém (Jo 2.13) e, conforme registra João, “durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome” (Jo 2.23). Contudo, o apóstolo do amor observa que, mesmo assim, “Jesus não confiava neles, por que a todos conhecia e não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem” (Jo 2.24,25). A missão do Senhor não estava baseada na aceitação popular, e sim no fazer a vontade do Pai (Jo 6.38-40).

 

 

 

  1. A MOBILIDADE MINISTERIAL DE JESUS ENTRE A JUDEIA E A GALILEIA

 

 

 

  1. O ministério do Senhor na Galileia. Apesar de Jesus ter nascido em Belém da Judeia, para cumprir a profecia (Lc 2.4 cf. Mt 2.4-6), fora criado em Nazaré, na Galileia, onde seus pais foram morar, também em cumprimento de uma profecia (Mt 2.22,23; Jo 1.45,46). Nesta próspera e populosa região, o Mestre desenvolveu grande parte de seu ministério, até para cumprir a Palavra de Deus (Mt 4.12-25). Ainda no início do quarto Evangelho, é possível ver várias incursões do Mestre por essa região (Jo 1.43; 2.1,12; 4.3,43; 6.1).

 

  1. O ministério de Jesus na Judeia. A despeito de ser judeu, por ter sido criado na Galileia, Jesus era discriminado, e sua messianidade fora colocada em dúvida por conta disso (Jo 7.41,52). Mesmo assim, em cumprimento de sua missão, o Mestre também desenvolveu grande parte de seu ministério na região da Judeia (Jo 2.13,23; 3.22; 4.47; 5.1).

 

  1. A receptividade do Senhor na “Galileia dos gentios”. Apesar dessa mobilidade do Mestre entre as duas regiões, foi mesmo na “Galileia dos gentios” (Mt 4.15 — ARA) que o Senhor Jesus realizou grandes sinais e onde muito pregou e ensinou (Mt 4.12-25; 8.28-34; 9.9-13; 14.13-36; Lc 4.31-44; 5.1-26). Tal se deu para que igualmente se cumprisse o que Isaías profetizou acerca do Messias (Mt 4.13-16). Não obstante, é preciso observar que, em Nazaré, especificamente, o Mestre enfrentou forte oposição dos seus conterrâneos, pois se revoltaram com seus ensinos e quiseram até mesmo matá-lo (Lc 4.14-30).

 

 

 

 

 

 

Pense!

 

 

 

Seria uma regra inflexível a ideia de que não somos bem aceitos no local onde nascemos e fomos criados?

 

 

 

 

 

 

Ponto Importante

 

 

 

Até mesmo Jesus Cristo sofreu preconceito por conta do local onde fora criado.

 

 

 

 

 

 

  1. O PERIGO DA “FÉ” BASEADA EM SINAIS

 

 

 

  1. A fé que surge da Palavra. João relata que após o Mestre deixar a Judeia em direção a Galileia, passou por Samaria e ali ficou dois dias na cidade de Sicar (Jo 4.3-5,40,43). Apesar de o texto não relatar a ocorrência de absolutamente milagre algum realizado por Jesus em Samaria naquela ocasião, a narrativa joanina revela que após a conversa com o Mestre, a mulher samaritana anunciou aos habitantes daquela cidade que conhecera um homem que relatara tudo quanto ela havia feito e seria interessante verificar se porventura não era Ele o Cristo (Jo 4.28-30). O apóstolo do amor diz que somente pelo testemunho da mulher “muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele” (Jo 4.39). O autor do quarto Evangelho complementa tal informação dizendo que depois de os homens da cidade ter ido falar com Jesus e pedido a Ele que ficasse na cidade, “muitos mais creram nele, por causa da sua palavra” (Jo 4.40,41). Os que ouviram o Senhor “diziam à mulher: Já não é pelo que disseste que nós cremos, porque nós mesmos o temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo” (Jo 4.42). A fé dos samaritanos não brotou por causa de algum sinal, mas exclusivamente pela Palavra do Evangelho.

 

  1. A abrangência do Evangelho de João. Esse episódio e outro como o dos gregos que queriam ver Jesus (Jo 12.20-22), por exemplo, explica o porquê de o quarto Evangelho ter um propósito mais abrangente e de também colocar em seu prólogo que Cristo “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11). Assim, para o leitor joanino fica evidente, de início, que os que recebem a Cristo e nEle creem, são agraciados e aceitos como filhos de Deus, independentemente de serem ou não judeus, pois “não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” (Jo 1.12,13).

 

  1. O contraste da fé baseada em sinais. Após deixar Samaria (Jo 4.43), o Mestre seguiu viagem rumo a Galileia e, mesmo não contando o episódio da perseguição enfrentada por Cristo em Nazaré (Lc 4.14-30), João cita a referência que Jesus faz acerca do fato de que “um profeta não tem honra na sua própria pátria” (Jo 4.44). Para o propósito do evangelista, o importante é destacar que, mesmo em outras partes da Galileia, os galileus receberam Jesus “porque viram todas as coisas que fizera em Jerusalém no dia da festa; porque também eles tinham ido à festa” (Jo 4.45). Em termos diretos, sua ampla aceitação não se dava por conta da Palavra, mas por causa dos sinais. Os principais comentaristas afirmam que é justamente em relação a estes que o apóstolo do amor observa que, mesmo tendo crido no Filho de Deus (Jo 2.23), “Jesus não confiava neles, por que a todos conhecia e não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem” (Jo 2.24,25). A não confiança se dava pelo fato de a “fé” dessas pessoas estar baseada nos sinais e não na Palavra, como a dos samaritanos.

 

 

 

 

 

 

Pense!

 

 

 

Você sabe diferençar a “fé” que se baseia em sinais da fé que se fundamenta na Palavra?

 

 

 

 

 

 

Ponto Importante

 

 

 

O problema de se ter uma “fé” baseada em sinais é que acabamos valorizando mais os milagres do que o Deus dos milagres.

 

 

 

 

 

 

III. O MILAGRE QUE GEROU SALVAÇÃO

 

 

 

  1. O desespero de um pai. O evangelista oportunamente observa que Jesus viera pela segunda vez em Caná da Galileia, justamente onde realizara o milagre da transformação da água em vinho (v.46). Desta feita, um oficial, provavelmente da corte de Herodes, ouvindo falar que o Mestre chegou de viagem da Judeia, recorreu a Jesus e suplicou que Ele curasse o seu filho, que estava à beira da morte (vv.46,47). Apesar de os limites geográficos da Galileia serem grandes, o fato de o oficial saber de Jesus significa que sua fama, como detalha Mateus (4.24), já havia ultrapassado até mesmo a região da Galileia, chegando a atingir a Síria. É oportuno, todavia, pontuar que Jesus mesmo não buscava tal fama, pois até fugia das multidões quando estas queriam fazer dEle rei (Jo 6.14,15), sendo extremamente discreto (Jo 7.3-9).

 

  1. Um homem de fé. João informa que Jesus responde negativamente ao pedido do oficial, pois o Mestre já está farto de pessoas ávidas por sinais e que precisam “ver para crer” (v.48). Contudo, o funcionário do rei parece não se importar com a resposta do Senhor e, mesmo sendo uma pessoa importante, diante de sua extrema necessidade, humilha-se e insiste para que Jesus desça a Cafarnaum e cure o seu filho (v.49). Como Jesus não necessitava que alguém dissesse o que as pessoas pensavam, pois Ele bem sabia (Jo 2.24,25 cf. Mt 9.4), atendeu então ao oficial dizendo que este fosse embora, pois o seu filho estaria vivo. João é enfático ao dizer que “o homem creu na palavra que Jesus lhe disse e foi-se” (v.50). O Mestre tinha plena consciência de estar diante de um homem que, embora necessitado, era diferente dos galileus buscadores de sinais. O oficial creu sem precisar ver e obedeceu à ordem do Senhor, revelando-se um homem de fé.

 

  1. Um milagre que salvou uma família. O texto joanino diz que tão logo recebeu esta palavra do Senhor, o oficial retirou-se e assim que encontrou seus empregados recebeu a notícia de que seu filho estava bem (v.51). Por curiosidade e, certamente para confirmar o milagre, o funcionário do rei perguntou o horário exato em que o seu filho apresentou-se melhor (v.52). Após receber a informação, o oficial certificou-se de que havia sido justamente o momento em que o Mestre disse-lhe que o seu filho estava bem. Diante disso, João afirma que “creu ele, e toda a sua casa” (v.53). O texto lembra o versículo onze de João 2, que diz que “os seus discípulos creram nele”. Não apenas o oficial do rei, mas toda a sua família passou a crer em Jesus, pois o milagre fora notório e somente Deus poderia operá-lo. Uma vez mais o milagre cumpriu seu propósito principal: socorrer ao aflito e manifestar a glória de Deus trazendo salvação.

 

 

 

 

 

 

Pense!

 

 

 

Os que possuem uma fé genuína podem passar por dificuldades semelhantes aos que possuem uma fé equivocada?

 

 

 

 

 

 

Ponto Importante

 

 

 

O oficial do rei revelou-se um homem de fé e não apenas alguém que buscava um sinal para crer.

 

 

 

 

 

 

CONCLUSÃO

 

 

 

O apóstolo do amor encerra a seção objeto da presente lição dizendo que “Jesus fez este segundo milagre quando ia da Judeia para a Galileia” (v.54), ou seja, no “caminho”. Acostumados à ideia de “esperar”, muitas vezes a confundimos com comodismo. O oficial do rei, como pai responsável não esperou acomodado, mas correu em direção a Jesus para que o Mestre atendesse ao seu filho. O resultado de tal busca não poderia ser melhor — além da cura, toda a sua casa foi salva. Que possamos ser igualmente dispostos e termos a mesma fé do oficial.

 

 

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

 

Comentário do Novo Testamento. Aplicação Pessoal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009.

 

 

 

HORA DA REVISÃO

 

 

  1. Por que, apesar de judeu, Jesus também desenvolveu seu ministério na Galileia?

 

Para cumprir a Palavra de Deus (Mt 4.12-25).

 

 

 

  1. A fé dos samaritanos da cidade de Sicar manifestou-se por causa de algum milagre realizado por Jesus?

 

Apesar de o texto não relatar a ocorrência de absolutamente milagre algum realizado por Jesus em Samaria naquela ocasião, a narrativa joanina revela que após a conversa com o Mestre, a mulher samaritana anunciou aos habitantes daquela cidade que conhecera um homem que relatara tudo quanto ela havia feito e seria interessante verificar se porventura não era Ele o Cristo (Jo 4.28-30). O apóstolo do amor diz que somente pelo testemunho da mulher “muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele” (Jo 4.39).

 

 

 

  1. Por que os galileus foram receptivos com Jesus?

 

Os galileus receberam Jesus “porque viram todas as coisas que fizera em Jerusalém no dia da festa; porque também eles tinham ido à festa” (Jo 4.45). Em termos diretos, sua ampla aceitação não se dava por conta da Palavra, mas por causa dos sinais.

 

 

 

  1. Qual a diferença dos galileus em relação ao oficial do rei?

 

O Mestre tinha plena consciência de estar diante de um homem que, embora necessitado, era diferente dos galileus buscadores de sinais. O oficial creu sem precisar ver e obedeceu à ordem do Senhor, revelando-se um homem de fé.

 

 

 

  1. O que o milagre da cura do filho do oficial gerou?

 

Não apenas o oficial do rei, mas toda a sua família passou a crer em Jesus, pois o milagre fora notório e somente Deus poderia operá-lo. Uma vez mais o milagre cumpriu seu propósito principal: socorrer ao aflito e manifestar a glória de Deus trazendo salvação.

 

 

 

SUBSÍDIO

 

 

“E havia ali um oficial do rei, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum (46) Segundo Arndt e Gingrich, a palavra traduzida como oficial poderia se referir a ‘um parente da família real (de Herodes)’, mas provavelmente se refere a ‘um oficial real’. As narrativas dos milagres de Jesus em Jerusalém (2.23) tinham evidentemente chegado antes dele à Galileia, e o primeiro milagre em Caná sem dúvida fora o assunto de muitas conversas em Cafarnaum, que ficava a somente 24 quilômetros ([...]). Assim, este oficial, ouvindo... que Jesus vinha da Judeia para a Galileia, foi ter com ele e rogou-lhe que descesse e curasse o seu filho, porque já estava à morte (47). A palavra traduzida como foi significa literalmente ‘ele se foi’, indicando que o pai deixou o filho, doente como estava, para ir fazer o seu pedido a Jesus. O verbo rogou está no imperfeito no texto grego, indicando um pedido repetido e continuado. A resposta de Jesus, embora aparentemente uma recusa, na realidade era um teste para a fé do oficial. Se não virdes sinais e milagres, não crereis (48). Esta é uma questão inquisitiva. Os sinais e milagres são o motivo ou o resultado da fé? Este acontecimento espetacular, o milagre, é a experiência estática de uma coisa a ser buscada por si mesma? É o produto de uma fé dinâmica e devidamente embasada, ou é a porta aberta para ela?” (Comentário Bíblico Beacon. João a Atos. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2014, pp.61,62).

 

 

Lição 5 - A Cura do paralítico de Betesda

 

 Classe: Jovens – 3°Trimestre de 2018 | Data da Aula: 29/07/2018

TEXTO DO DIA

“E Jesus, vendo este deitado e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são?” (Jo 5.6).

 

SÍNTESE

O Mestre curou o paralítico, libertando-o igualmente das amarras religiosas da tradição dos judeus.

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AGENDA DE LEITURA

  • SEGUNDA – Mt 9.1- 8: Jesus cura um paralítico em sua cidade
  • TERÇA – Mc 3.1-6: Jesus cura o homem da mão ressequida
  • QUARTA – Mc 3.10,11: Jesus curou muito mais do que está relatado
  • QUINTA – Mc 7.31-37: Jesus curou um surdo que: falava com dificuldade
  • SEXTA – Mt 8.14,15: Jesus curou a sogra de Pedro
  • SÁBADO – Mt 8.16,17: Jesus desempenhou um ministério em cumprimento da Palavra

OBJETIVOS

  • DESCREVER o local onde ficava o Tanque de Betesda;
  • NARRAR como se deu o milagre da cura do paralítico;
  • EXAMINAR a questão do sábado para os judeus.

 

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INTERAÇÃO

É grande o desafio de ensinar. Apenas os que acreditam que tal exercício seja simplesmente transferir informações de uma mente para a outra pensam o contrário. Todavia, os educadores conscientes de sua real tarefa sabem que pesam sobre eles uma grande responsabilidade. A partir dessa consciência, é comum que os verdadeiros educadores se preocupem e pensem acerca do que devem fazer a fim de cumprir da melhor maneira possível sua missão. Felizmente, os vocacionados ao ensino que não possuem uma formação técnica e específica na ciência da educação — a pedagogia — contam hoje com uma diversidade de recursos literários que podem subsidiá-los no desempenho de seu ministério.

Não apenas isso, atualmente não é incomum a realização de eventos de formação, aperfeiçoamento e capacitação de educadores cristãos. Portanto, lance mão de todas as oportunidades disponíveis para cumprir com eficácia seu ministério.

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ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Certamente você está lecionando a pessoas que têm bem menos idade que o tempo em que o homem que fora curado por Jesus permanecera enfermo. O texto afirma que o paralítico estava naquela condição há 38 anos. Depreende-se, pela palavra de Jesus a ele quando o encontrou no Templo (v.14), que o homem ficara naquela situação devido a alguma atitude errada e pecaminosa do passado. Aproveite o tema transversal dessa lição e reflita com a classe acerca das consequências. Apesar de sabermos que o pecado traz como resultado desastroso a perdição eterna, não raras vezes ele também produz consequências imediatas e terrenais que são extremamente danosas. Algumas atitudes podem produzir consequências que nos acompanharão por toda a vida. Considerando o fato de que a falta de experiência e maturidade pode nos conduzir a agir de maneira intempestiva, medite também com a classe a respeito do valor de uma vida pautada na oração, reflexão e orientação do Espírito Santo de Deus.

TEXTO BÍBLICO

João 5.1-15

1 Depois disso, havia uma festa entre os judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.

2 Ora, em Jerusalém há, próximo à Porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres.

3 Nestes jazia grande multidão de enfermos: cegos, coxos e paralíticos, esperando o movimento das águas.

4 Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque e agitava a água; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse.

5 E estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo.

6 E Jesus, vendo este deitado e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são?

7 O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me coloque no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim.

8 Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma tua cama e anda.

9 Logo, aquele homem ficou são, e tomou a sua cama, e partiu. E aquele dia era sábado.

10 Então, os judeus disseram àquele que tinha sido curado: É sábado, não te é lícito levar a cama.

11 Ele respondeu-lhes: Aquele que me curou, ele próprio disse: Toma a tua cama e anda.

12 Perguntaram-lhe, pois: Quem é o homem que te disse: Toma a tua cama e anda?

13 E o que fora curado não sabia quem era, porque Jesus se havia retirado, em razão de naquele lugar haver grande multidão.

14 Depois, Jesus encontrou-o no templo e disse-lhe: Eis que já estás são; não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior.

15 E aquele homem foi e anunciou aos judeus que Jesus era o que o curara.

 

INTRODUÇÃO

Seguindo sua trajetória ministerial, João informa que Jesus agora deixa a Galileia e “sobe” a Jerusalém (Jo 5.1). O evangelista ainda diz que havia uma “festa entre os judeus”. Apesar de o texto não informar a qual festa específica se faz referência, o fato relevante a ser destacado é que o Mestre não se isolava, antes, como já foi dito, ficava entre as pessoas, pois seu objetivo era libertar as pessoas, daí a necessidade de estar em contato com elas (Mc 3.7-12). Ele se retirava para períodos de oração e relacionamento particular com o Pai (Mc 1.35), mas sua prioridade era cumprir a missão que Deus o destinara (Jo 3.16,17; 9.4; 12.46,47). Além de ir à festa em Jerusalém, Jesus também foi a um local na cidade onde se concentrava uma grande multidão (Jo 5.3). E é justamente neste lugar que se passou o assunto da lição de hoje.

 

I - UM LOCAL DE SOFRIMENTO

  1. A Porta das Ovelhas.

Muito provavelmente a primeira alusão à “Porta das Ovelhas” encontra-se no livro de Neemias, onde se lê “Porta do Gado” no texto da versão Corrigida e “Ovelhas” na versão Atualizada (Ne 3.1). Na realidade, as doze portas da cidade de Jerusalém possuíam nomes que as identificavam (Ne 3.1,3,6,13-15,26,28,29,31). O texto de Neemias informa que Eliasibe, sumo sacerdote, e seus irmãos, foram responsáveis quando da reedificação dos muros da cidade, por assentar e consagrar a Porta das Ovelhas. Estudiosos afirmam que essa Porta tinha esse nome por ser o principal acesso de passagem de ovelhas destinadas, por ocasião da Páscoa, ao sacrifício no Templo, daí o seu nome.

 

  1. O Tanque de Betesda.

O quarto Evangelho informa que próximo a Porta das Ovelhas havia um tanque chamado Betesda que, em hebraico, significa “casa de misericórdia”. Neste local havia cinco pavilhões onde se encontrava uma multidão de pessoas enfermas (vv.2,3). Tal multidão aguardava o movimento das águas do referido tanque por um anjo que, acreditava-se, descia em determinado tempo e o primeiro que submergisse ficava curado de qualquer enfermidade (v.4). É óbvio que o processo de exclusão era imenso, aumentando o sofrimento deste local, pois certamente chegavam a cada dia mais e mais pessoas doentes, tornando a situação absurdamente crítica.

 

  1. O paralítico.

A prova de que o sofrimento se prolongava neste local é o fato de Jesus ter, em meio à multidão de enfermos, se dirigido a um homem em particular e por um motivo específico — ele sofria há trinta e oito anos (vv.5,6). Certamente não havia apenas ele com necessidade, mas devido ao tempo de seu padecimento o Mestre o notou, destacando-o dentre a multidão.

 

Pense!

Teria Jesus escolhido o paralítico do Tanque de Betesda como uma forma de incentivar os que sofrem a crer que a situação pode mudar a qualquer momento?

 

Ponto Importante

Se no Tanque de Betesda, local de sofrimento, apenas o primeiro era agraciado, no Reino de Deus todos são abençoados pelo Senhor.

 

II – A CURA DO PARALÍTICO

 

 

 

 

  1. A pergunta do Senhor.

Ao abordar o homem que padecia há trinta e oito anos, o Mestre o indagou acerca do seu interesse em ser curado (v.6). A pergunta pode parecer despropositada, mas revela o caráter didático não apenas da cura física, mas também psicológica, pois uma pessoa que padece há quase quatro décadas certamente “acostuma-se” ao sofrimento. Outro aspecto a ser destacado neste episódio é que conforme a própria Bíblia diz, a “esperança demorada enfraquece o coração” (Pv 13.12), e este homem provavelmente sentia-se, de forma justificável, desmotivado e deprimido.

 

  1. A resposta do paralítico.

Alheio a quem era Jesus, a resposta do homem demonstra sua desesperança em relação à possibilidade de ele chegar ao Tanque ou de alguém ajudá-lo (v.7). Assim, a pergunta do Senhor não surpreende o homem, antes lhe oportuniza a possibilidade de exteriorizar seus sentimentos em relação ao seu estado. Na resposta é possível identificar que ele sente-se abandonado e, ao mesmo tempo, revela também o quanto o individualismo e o egoísmo imperavam naquele ambiente.

 

  1. A cura.

Não obstante o homem estar alheio, naquele dia sua história seria radicalmente mudada, pois “Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma tua cama e anda” (v.8). Isso sim lhe causou surpresa, pois o desconhecido, sem rodeios, interjeições ou qualquer cerimônia, simplesmente ordenou que o paralítico levantasse, tomasse a sua cama e andasse! Numa fração de segundos o homem ficou completamente curado. Trinta e oito anos de sofrimento findaram em um instante, sem intervenção angelical alguma e sem sequer aproximar-se da água.

 

Pense!

Onde predomina o individualismo e o egoísmo é possível as pessoas ajudarem umas às outras?

 

Ponto Importante

Talvez por conta dos trinta e oito anos de sofrimento o homem já tivesse perdido a esperança, entretanto, quando Jesus entra em cena, muda toda a situação.

 

III – A CONTROVÉRSIA POR CAUSA DO SÁBADO

  1. O sábado como uma necessidade imprescindível e também um princípio.

Como todos os demais preceitos da Lei, o do sábado tinha um objetivo definido (Êx 20.8-11). O quarto mandamento do Decálogo visava preservar a saúde e a integridade da pessoa, coibindo a exploração e o abuso da força de trabalho tanto por parte do próprio indivíduo quanto por parte do patrão. Aliado a isso, Deus também consagrou esse dia como um período especial de adoração a Ele. Tomando o exemplo do próprio Criador, que realizou a obra da criação em seis dias e no sétimo “descansou” (Gn 2.2,3), o mandamento da guarda do sábado tinha o claro propósito de preservar a liberdade intrínseca do ser humano. A prova de que o sábado não era um “dia” específico e sim um princípio, pode ser vista em textos como de Levítico, por exemplo, quando Deus orientou aos israelitas que semeassem e colhessem durante seis anos, mas no sétimo, obrigatoriamente a terra deveria ter um “sábado de descanso” (25.2-5).

 

  1. O sábado como uma forma de aprisionamento.

Lamentavelmente, assim como todas as demais coisas que o ser humano desajusta, com o sábado não foi diferente. De necessidade imprescindível e princípio de descanso, o sábado foi transformado em uma poderosa arma de opressão religiosa que intensificava ainda mais a aflição das pessoas que, além de sofrer com a carga de impostos que tinham de pagar ao império, ainda padeciam com o aprisionamento religioso (Mt 23.1-4,13-35). Não poucas vezes Jesus esteve às voltas com a questão do sábado (Mt 12.11,12; Mc 2.27,28; Lc 14.3-6; Jo 5.16,17; 7.21-24).

 

  1. O milagre ignorado e a liberdade sob perigo.

O homem que padecera há trinta e oito anos obedecendo à ordem de Jesus levantou-se, tomou a sua cama e imediatamente partiu (v.9). Contudo, João observa que a cura deu-se num sábado. Tal observação se dá justamente para preparar os destinatários para a cena seguinte — o milagre completamente ignorado e a expressão fria da religiosidade representada pelos “judeus” que censuraram o homem por estar carregando sua cama em pleno sábado (v.10). A resposta do agora ex-paralítico revela implicitamente a autoridade de Jesus: “Aquele que me curou, ele próprio termos simples, o que o homem quis dizer foi que se o “desconhecido” teve poder para curá-lo, depois de trinta e oito anos de sofrimento, certamente possuía autoridade para liberá-lo para carregar sua cama no dia de sábado. Evidentemente que, devido ao uso que os líderes religiosos faziam do preceito do sábado, alguém que ousasse desafiá-lo deveria ser identificado e, consequentemente, punido, daí a curiosidade em saber quem havia dito a ele para tomar a sua cama e andar (v.12). Todavia, a espontaneidade e a forma célere com que se dera a cura, bem como a rápida saída de Jesus do local, não proporcionaram ao homem saber quem era o Mestre (v.13).

 

Pense!

O que leva as pessoas a ignorarem um milagre, que liberta alguém do sofrimento, em nome da observância de uma regra religiosa?

 

Ponto Importante

O modo como o preceito do quarto mandamento foi distorcido revela o quanto os homens podem perverter algo que foi criado para o seu próprio bem.

 

SUBSÍDIO

Jesus cura um homem paralítico perto de um tanque / 5.1-15

 

5.1 Todos os homens judeus eram solicitados a ir até Jerusalém para participar de três festas:

 

(1) a Festa da Páscoa e dos Pães Asmos,

(2) a Festa das Semanas (também chamada de Pentecostes), e

(3) a Festa dos Tabernáculos. Embora este dia santo em particular não seja especificado, a frase explica por que Jesus estava em Jerusalém.

 

5.2-4 Os leitores familiarizados com Jerusalém teriam conhecimento da Porta das Ovelhas (ela é mencionada em Neemias 12.39). Escavações recentes mostram que este local tinha dois tanques com cinco pórticos cobertos. Estes eram estruturas abertas com telhados que permitiam alguma proteção das intempéries. Uma multidão de enfermos ficava nos pórticos. As pessoas faziam peregrinações ao tanque de Betesda para receberem o benefício de cura das águas.

 

O versículo 4 não está incluído nos melhores manuscritos. Onde ele ocorre nos manuscritos posteriores, é frequentemente marcado de tal forma a mostrar que é uma adição. A passagem foi provavelmente inserida pelos escribas que acharam necessário fornecer uma explicação para o ajuntamento de pessoas deficientes e da agitação da água mencionada no versículo 7. A água se agitava e cria-se que um anjo a revolvia. A crença era de que a primeira pessoa que entrasse na água, depois que ela fosse agitada, seria curada.

 

5.10 Não há nada na lei de Deus que torne ilícito levar a cama no sábado. Mas o homem violou a aplicação legalista dos fariseus do mandamento de Deus para se honrar o sábado. A ordenança contra carregar algo no sábado era a última de trinta e nove regras na ‘tradição dos anciãos’ que estipulavam os tipos de trabalho que eram proibidos no sábado. Esta era apenas uma das centenas de regras que os líderes judeus haviam acrescentado à lei do Antigo Testamento” (Comentário do Novo Testamento. Aplicação Pessoal.

Vol 1. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, pp. 514,515).

 

CONCLUSÃO

João finaliza a narrativa da cura do paralítico do Tanque de Betesda falando de um encontro de Jesus com ele no Templo, quando então o Mestre disse-lhe: “Eis que já estás são; não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior” (v.14). Tal recomendação demonstra que Jesus conhecia aquele homem de forma sobrenatural, pois não apenas sabia que o paralítico padecera trinta e oito anos com aquela enfermidade, mas também conhecia a causa que o deixara naquele estado. Assim, Jesus o adverte a não mais incorrer nas mesmas práticas anteriores para que não acabasse ficando em uma situação pior que a que o deixara acamado por trinta e oito anos! Aparentemente o homem nada responde ao Mestre, mas finalmente descobre quem era Jesus e vai até aos judeus anunciar (v.15).

 

HORA DA REVISÃO

  1. Qual a razão de a Porta das Ovelhas ter esse nome?

Estudiosos afirmam que essa Porta tinha esse nome por ser o principal acesso de passagem de ovelhas destinadas, por ocasião da Páscoa, ao sacrifício no Templo, daí o seu nome.

 

  1. Devido ao longo tempo em que esteve enfermo aquele homem precisava ser curado em duas áreas. Quais são elas?

Física e psicológica.

 

  1. A resposta do homem quando Jesus o abordou revela o quê?

Revela o quanto o individualismo e o egoísmo imperavam naquele ambiente.

 

  1. Qual era o propósito do quarto mandamento?

O quarto mandamento do Decálogo visava preservar a saúde e a integridade da pessoa, coibindo a exploração e o abuso da força de trabalho tanto por parte do próprio indivíduo quanto por parte do patrão.

 

  1. O que a resposta do ex-paralítico aos judeus implicitamente revela?

A resposta do agora ex-paralítico revela implicitamente a autoridade de Jesus:

“Aquele que me curou, ele próprio disse: Toma a tua cama e anda” (v.11). Em termos simples, o que o homem quis dizer foi que se o “desconhecido” teve poder para curá-lo, depois de trinta e oito anos de sofrimento, certamente possuía autoridade para liberá-lo a carregar sua cama no dia de sábado.

 

 

 

Lição 6 - O Milagre da Multiplicação

 

Classe: Jovens – 3°Trimestre de 2018 | Data da Aula: 05/08/2018

TEXTO DO DIA

“E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos, pelos que estavam assentados; e igualmente também os peixes, quanto eles queriam.” (Jo 6.11)

SÍNTESE

O milagre da multiplicação dos pães e dos peixes evidencia o compromisso do Evangelho em alcançar o ser humano de forma completa.

 

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA – Êx 16.1-36: O alimento que vinha do “céu”

TERÇA – 1 Rs 17.4-6: Os corvos alimentam Elias

QUARTA – 1 Rs 17.10-16: A multiplicação da farinha e do azeite

QUINTA – 2 Rs 4.1-7: O azeite multiplicado

SEXTA – 2 Rs 4.38-41: O veneno foi milagrosamente retirado do alimento

SÁBADO – Mt 15.29-39: A segunda multiplicação dos pães

OBJETIVOS

  • CONTEXTUALIZAR o cenário e as circunstâncias da narrativa;
  • DISTINGUIR o compromisso de Jesus com as pessoas;
  • EVIDENCIAR a completude do Evangelho.

 

 

INTERAÇÃO

Invariavelmente tendemos à polarização. Tal postura parece ser inerente à nossa humanidade e, de tal forma, que dela não conseguimos escapar. Se formos bons técnicos e eficientes comunicadores, significa que não podemos igualmente ser fervorosos no Espírito. A reprodução acrítica desse pensamento reforça estereótipos e retroalimenta práticas que devem ser corrigidas. Em qualquer labor o profissional sabe que a ferramenta que estiver devidamente azeitada com certeza será mais bem aproveitada e melhor desempenho proporcionará. De forma análoga, o educador que mais dedicado se encontrar, tanto técnica quanto espiritualmente falando, será ainda mais instrumentalizado pelo Espírito Santo de Deus. Rompamos com a errônea, e até mesmo diabólica concepção de que quem se prepara tecnicamente não pode ser um instrumento poderoso nas mãos do Espírito Santo, pois se trata justamente do contrário.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

A fim de melhor traduzir a ideia de comunhão proporcionada pelo milagre objeto desta lição, que tal promover um café colonial na classe? Em muitas Escolas Dominicais a realização de um café da manhã já é tradição, porém, pense em algo mais intimista e específico. Tal momento deve ser organizado com, ao menos, uma semana de antecedência (daí a importância do planejamento, quando todas as lições são estudadas assim que você tem acesso à revista). Para melhor exemplificar os pontos que serão estudados, é imprescindível que todos participem trazendo alguma coisa para o cardápio (frutas, cereais, pães, bolos, frios, sucos, leite, café, chá etc.).

Havendo possibilidade e espaço adequado, o momento não precisa ser “estanque”, ou seja, antes ou depois da aula, mas pode ser degustado durante a aula, de forma ordeira e organizada, não podendo, sob hipótese alguma, prejudicar a exposição e a interação.

 

TEXTO BÍBLICO

João 6.1-15

1 Depois disso, partiu Jesus para o outro lado do mar da Galileia, que é o de Tiberíades.

2 E grande multidão o seguia, porque via os sinais que operava sobre os enfermos.

3 E Jesus subiu ao monte e assentou-se ali com os seus discípulos.

4 E a Páscoa, a festa dos judeus, estava próxima.

5 Então, Jesus, levantando os olhos e vendo que uma grande multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: Onde compraremos pão, para estes comerem?

6 Mas dizia isso para o experimentar; porque ele bem sabia o que havia de fazer.

7 Filipe respondeu-lhe: Duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão, para que cada um deles tome um pouco.

8 E um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe:

9 Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isso para tantos?

10 E disse Jesus: Mandai assentar os homens. E havia muita relva naquele lugar. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil.

11 E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos, pelos que estavam assentados; e igualmente também os peixes, quanto eles queriam.

12 E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.

13 Recolheram-nos, pois, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido.

14 Vendo, pois, aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, diziam: Este é, verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo.

15 Sabendo, pois, Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, ele só, para o monte.

 

INTRODUÇÃO

A continuidade do capítulo cinco do quarto Evangelho revela que os judeus passaram a perseguir Jesus e queriam matá-lo, pois Ele realizava prodígios no sábado. O Mestre ia ainda mais longe, pois justificava sua postura dizendo que o Criador ainda estava em atividade de trabalho e que Ele, justamente por isso, também trabalhava. Tal pronunciamento enchia os judeus ainda mais de ira, pois Jesus “não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (Jo 5.16-18). Dessa maneira Jesus consolida seu ministério como Messias enquanto João, por sua vez, vai evidenciando a messianidade do Senhor. Dos versículos 19 a 47 o Mestre faz um de seus discursos, intercalando sinais e palavra, como é característico do estilo do Evangelho joanino. Na sequência, Jesus realiza o grande milagre da lição que será estudada hoje.

 

I – O CENÁRIO E AS CIRCUNSTÂNCIAS DA NARRATIVA

 

  1. Jesus volta à Galileia.

Como já foi mencionado, Jesus desenvolve o seu ministério entre a Judeia e a Galileia. Assim, depois de curar o paralítico no Tanque de Betesda, reencontrá-lo no Templo em Jerusalém, confrontar os religiosos com a questão do sábado e de pronunciar seu discurso (Jo 5.1-47), o Mestre dirigi-se novamente à Galileia, especificamente, diz João, “para o outro lado do mar da Galileia, que é o de Tiberíades” (Jo 6.1).

 

  1. A multidão e os sinais.

João observa que uma grande multidão seguia o Senhor, pois via os sinais que Ele realizava (v.2). A observação é oportuna, pois evidencia que a multidão continua ávida pelo extraordinário, não tendo ainda maturidade para desenvolver uma fé solidificada na Palavra do Evangelho anunciado por Jesus Cristo, conforme pode ser visto logo mais no próprio capítulo seis do texto joanino (Jo 6.22-26). Na verdade, conforme o Senhor deixa claro, até mesmo os sinais são desprezados diante de outras necessidades priorizadas pelo povo.

 

  1. A época e o “local”.

Jesus e os seus discípulos, os doze, sobem a um “monte” não especificado (v.3). João acrescenta um detalhe que também aparece no versículo 13 do capítulo 2, demarcando um período de aproximadamente um ano, pois ele diz que se aproximava mais uma Páscoa (v.4). Têm-se então a passagem do primeiro ano do ministério terreno do Senhor.

 

Pense!

O que demonstramos quando decidimos procurar Deus apenas por interesses particulares?

 

Ponto Importante

Mesmo tendo necessidades, é preciso desenvolver uma fé madura e fundamentada no Evangelho e não na resolução dos nossos problemas.

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II – JESUS E O SEU COMPROMISSO COM AS PESSOAS

 

  1. A solidariedade de Jesus.

Ao contemplar a multidão, Jesus demonstra preocupação e comprometimento (v.5). Sua pergunta a Filipe — “Onde compraremos pão, para estes comerem?” — deixa isso muito claro. Na realidade, como João revela, o Mestre experimentava Filipe, ou seja, testava o seu discípulo com o objetivo de ver sua reação, pois o Senhor sabia perfeitamente como deveria proceder (v.6). O discípulo, visivelmente abismado, responde ao Mestre que duzentos dinheiros não seriam suficientes para que cada um pudesse comer um pedaço de pão (v.7).

 

O “dinheiro” ou denário era uma moeda romana de prata, sendo mais ou menos a média do salário de um dia de trabalho de um operário. Por isso, a sugestão de Filipe mostra-se “lógica”, pois deixa transparecer que eles não têm tal dinheiro e nem condição de alimentar tanta gente. À parte disso, é interessante pensar no fato de que mesmo Jesus, sabendo das reais intenções da multidão (Jo 6.22-26), ainda assim não deixou de ser solidário, cordato e educado, atendendo as pessoas em suas necessidades.

 

  1. A fé do rapaz.

O que acontece na sequência demonstra que o problema havia extrapolado o círculo dos discípulos e chegado ao povo, pois um rapaz anônimo avisa André, irmão de Simão Pedro, ao Senhor Jesus, oferecera seu lanche — “cinco pães de cevada e dois peixinhos” — para que pudesse ser repartido pela multidão (vv.8,9). A pergunta retórica de André deixa explícita sua completa descrença em relação ao gesto do rapaz: “mas o que é isso para tantos?”. Tal atitude, porém, revela que o rapaz tinha mais fé que os discípulos, pois ofereceu seu lanche por saber que aquela pequena quantidade de alimento, nas mãos de Jesus, certamente poderia ser transformada em muito.

 

  1. A organização da multidão.

Uma vez que havia muita relva no local, isto é, planta rasteira apropriada para descanso, o Mestre então orienta os seus discípulos para que organizem a multidão, mandando que o povo se assente (v.10). Neste  momento o texto joanino informa que o número de homens era de quase cinco mil. É importante dizer que tal contagem não considerava mulheres e crianças (Mt 14.21), portanto, a quantidade de pessoas alimentadas, provavelmente, deve ter sido bem superior a cinco mil. Certamente por isso André desprezou o gesto do anônimo que ofereceu seu lanche. Deus, todavia, não age de acordo com a lógica humana (1 Co 1.25).

 

Pense!

A admiração e a incredulidade de André, características da lógica humana, diante do gesto do rapaz anônimo, eram corretas?

 

Ponto Importante

A lógica humana é diametralmente oposta à divina, por isso, quem serve a Deus não pode orientar-se exclusivamente pelo entendimento humano.

 

III – O MILAGRE EVIDENCIA A COMPLETUDE DO EVANGELHO

 

  1. O milagre e sua relação com o Reino de Deus.

O Mestre toma os cinco pães e os dois peixinhos do moço anônimo e dá graças; a seguir passa aos discípulos, e estes ao povo que anteriormente fora organizado. O texto diz que o alimento era dado “quanto eles queriam” (v.11), ou seja, não era regulado, mas distribuído em abundância e com fartura. Tal ação, demonstra a grandeza do milagre, pois os pães eram poucos e os peixes estão no diminutivo, “peixinhos”, mas estes nas mãos de Jesus foram suficientes. O milagre também aponta para a completude do Evangelho, pois era anunciado pelo Senhor a todos, mas primordialmente aos pobres, pois estes não tinham esperança e muito menos condições de subsistência. No entanto, o Senhor era sensível às necessidades dos menos favorecidos, sinalizando o compromisso do Reino de Deus (Mt 11.5; 25.35; Tg 2.14-17).

 

  1. A saciedade e o cuidado com o desperdício.

Depois de saciada a multidão, o Senhor orientou os discípulos a que recolhessem o que sobrou para que nada se perdesse (v.12). A sobra foi tão grande que os discípulos “encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido” (v.13). Tal ação demonstra o cuidado do Mestre com o desperdício, pois se antes não havia o que comer, agora já tinha

até mesmo de sobra. Isso, porém, não justificava o desperdício.

 

  1. A discrição e a consciência de Jesus a respeito de sua missão.

Com a realização do milagre, e devido sua especificidade, a multidão concluiu que Jesus era “verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo” (v.14). Contudo, o Mestre sabia que tal pensamento não se dava por uma motivação correta, mas sim por um interesse político. E era justamente por saber disso, isto é, que “haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei”, que Ele “tornou a retirar-se, [...] só, para o monte” (v.15). Jesus tinha uma missão e sua consciência acerca desse fato levou-o a não se empolgar com o pensamento da sociedade a seu respeito, daí o porquê de Ele retirar-se (Jo 6.38).

 

Pense!

O milagre que produziu a sobra justifica o desperdício?

Ponto Importante

A consciência da missão faz com que não nos desviemos do alvo

estabelecido por Deus.

 

SUBSÍDIO 1

“Jesus... vendo que uma grande multidão vinha ter com Ele (v.5)

Os discípulos também viram a multidão, mas não com a mesma visão do Mestre. Alguns enumeram as multidões como se enumera gado, tantas cabeças. Outros, em termos de trabalho, contam as mãos. Ainda outros, o tamanho da multidão indica o grau de popularidade. Mas Jesus vê a necessidade, o anelo da alma, os sofrimentos da multidão. Aquele que percebeu a fome de Nicodemos, que sentiu a sede da mulher samaritana, que compartilhou da miséria do paralítico em Betesda, que compreendeu o anelo de Zaqueu ― Ele teve a verdadeira visão da multidão com Ele no deserto. Spurgeon teve a mesma visão quando chorou perante os trinta mil que se congregaram para ouvi-lo pregar no Great Crystal Palace. A ternura infinita de Jesus O constrangeu

a alimentar a multidão. No Seu ministério compadecia-se tanto do estado físico do povo como do espiritual. Esforçava-se para ministrar tanto ao corpo como à alma dos homens.

 

A multidão achava o pão espiritual tão bom que se esquecera de comer.

 

Compare cap. 4.31-34.

Ele bem sabia o que havia de fazer (v.6):

Nos problemas e dificuldades não sabemos avançar; mas Ele bem sabe, nunca está perplexo para nos dirigir (BOYER, Orlando. Espada Cortante. Lucas, João e Atos. Vol 2. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p. 265).

 

SUBSÍDIO 2

“Repartiu-os pelos discípulos (v.11) Lembremo-nos de que foi somente quando o menino entregou seus pães a Jesus que eles foram multiplicados para alimentar toda a multidão. É somente quando entregamos a Jesus o pouco que temos que Ele pode multiplicá-lo. Foi só quando a pobre viúva de Zarefate cedeu ao pedido estranho de Elias, Faze disso primeiro para mim um bolo, que o punhado de farinha e o pouco de azeite se tornaram provisão inesgotável para ela, 1 Rs 17.13.

 

Foi nas mãos de Cristo que os pães se multiplicavam. Os discípulos não podiam multiplicar a comida, mas tinham de voltar constantemente a Ele para receber mais para distribuir. Tudo é uma figura do que nos acontece: não podemos, nem com os maiores esforços e com estudos esmerados, alimentarmos as multidões sem recorrermos, constantemente, a Jesus.

 

Quando estavam saciados (v.12): Não comeram só um pouco, mas fartaram-se. Uma professora da Escola Dominical, bastante incrédula, disse aos meninos: É claro que Jesus não alimentou toda a multidão apenas com cinco pães e dois peixes. Isto seria impossível. Jesus ensinava de tal forma que a multidão perdia todo

o sentido da fome física e voltava à casa satisfeita” (BOYER, Orlando. Espada Cortante. Lucas, João e Atos. Vol 2. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p. 266).

 

CONCLUSÃO

O milagre da multiplicação dos pães e dos peixes evidencia a completude do Evangelho e sua relação com o Reino de Deus que, apesar de não ser “comida nem bebida; mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17), deve contemplar o ser humano em sua totalidade. O Mestre demonstrou isso com sua preocupação em deixar a multidão com fome. Ele não se preocupava apenas com as almas das pessoas, mas as via de forma global e completa. Da mesma forma, Tiago instrui que não podemos, tendo condições, ver o nosso irmão padecendo necessidades, dizer para ele ir em “paz”, pois “a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tg 2.15-17).

 

HORA DA REVISÃO

  1. O que evidencia a observação feita por João, de que uma multidão seguia o Senhor pois via os sinais que Ele fazia?

Evidencia que a multidão continua ávida pelo extraordinário, não tendo ainda maturidade para desenvolver uma fé solidificada na Palavra do Evangelho.

 

  1. A indagação de Jesus — “Onde compraremos pão, para estes comerem?” — demonstra o quê?

Demonstra preocupação e comprometimento (v.5).

 

  1. O que a atitude do rapaz em oferecer os cinco pães e os dois peixinhos evidenciou?

Tal atitude revela que o rapaz tinha mais fé que os discípulos, pois ofereceu seu lanche por saber que aquela pequena quantidade de alimento, nas mãos de Jesus, certamente poderia ser transformada em muito.

 

  1. O que demonstra o fato de o milagre ter sido realizado a partir de cinco pães e dois peixinhos e ainda ter sobrado?

Demonstra a grandeza do milagre, pois os pães eram poucos e os peixes estão no diminutivo, “peixinhos”, mas estes nas mãos de Jesus foram sufi cientes. O milagre também aponta para a completude do Evangelho, pois era anunciado pelo Senhor a todos, mas primordialmente aos pobres, pois estes não tinham esperança e muito menos condições de subsistência, no entanto, o Senhor era sensível às necessidades dos menos favorecidos, sinalizando o compromisso do Reino de Deus.

 

  1. Por que Jesus retirou-se para um monte quando quiseram fazer dEle rei?

Jesus tinha uma missão e sua consciência acerca desse fato levou-o a não se empolgar com o pensamento da sociedade a seu respeito, daí o porquê de Ele retirar-se (Jo 6.38).

 

Lição 7- O Milagre de Andar por sobre o Mar

Classe: Jovens – 3°Trimestre de 2018 | Data da Aula: 12/08/2018

TEXTO DO DIA

“Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu; não temais.”(Mt 14.27)

 

SÍNTESE

O fato de Jesus andar sobre o mar consolidou seu senhorio sobre a natureza, evidenciando sua divindade.

SAIBA MAIS:

Lição 1- O que é Milagre

Lição 2- O propósito dos milagres no ministério de Jesus

Lição 3- O milagre nas bodas de Caná

Lição 4- Curando o filho de um Oficial

Lição 5- A cura do paralítico de Betesda

Lição 6- O milagre da Multiplicação

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA – Êx 14.15-31: O mar se abriu para o povo passar

TERÇA – Js 4.14-18: O rio se abriu para o povo passar

QUARTA – 2 Rs 2.8,9: O rio se abriu para os profetas passarem

QUINTA – 2 Rs 2.13,14: O rio se abriu para o profeta passar

SEXTA – Jó 9.8: Deus anda sobre os altos do mar

SÁBADO – Sl 77.19: O caminho de Deus pelo mar

OBJETIVOS

  • COMPARAR a postura dos discípulos com a perspectiva do Reino;
  • ILUSTRAR a situação do “mar”, explicando que na verdade trata-se de um imenso lago de água doce;
  • APONTAR as evidências de que Jesus, em sua resposta, pronunciou o nome de Deus.

 

 

INTERAÇÃO

Quantas vezes já nos decepcionamos? E o quanto ainda iremos nos decepcionar? Ao pensar a respeito disso, é bom lembrar que muito de nossas decepções é resultado das próprias expectativas que alimentamos em relação às coisas e ao outro. Essas expectativas, que posteriormente se revelam equivocadas, podem ser formadas pelas pessoas ou por nós mesmos. Contudo, raramente pensamos o quanto já decepcionamos também. Será que já não criamos expectativas irreais — para impressionar alguém — e depois nos tornamos reféns da própria personagem que criamos? A lição de hoje mostra que os discípulos do Mestre estavam “chateados” por conta da expectativa que eles nutriam e não por alguma promessa feita por Jesus. Se seguíssemos o conselho do apóstolo Paulo em Romanos 12.16 certamente evitaríamos muito do nosso sofrimento neste aspecto.

TEXTO BÍBLICO

João 6.1-15

16 E, quando veio a tarde, os seus discípulos desceram para o mar.

17 E, entrando no barco, passaram o mar em direção a Cafarnaum; e era já escuro, e ainda Jesus não tinha chegado perto deles.

18 E o mar se levantou, porque um grande vento assoprava.

19 E, tendo navegado uns vinte e cinco ou trinta estádios, viram Jesus andando sobre o mar e aproximando-se do barco, e temeram.

20 Porém ele lhes disse: Sou eu; não temais.

21 Então, eles, de boa mente, o receberam no barco; e logo o barco chegou à terra para onde iam.

 

INTRODUÇÃO

Seguindo seu propósito de demonstrar que Jesus é o Cristo, o Ungido (Jo 20.30,31), João relata o “quinto sinal”. Cotejado com as narrativas de dois dos Sinóticos — Mateus (14.23-36) e Marcos (6.45-56) — o material joanino parece estar incompleto. Todavia, como já foi dito, cada Evangelho possui suas peculiaridades e o de João não é diferente. Como poderá ser visto, para os propósitos do quarto Evangelho, as informações constantes nesta pequena porção bíblica são sufi cientes.

 

I – OS DISCÍPULOS E A PERSPECTIVA DO REINO

  1. Jesus retira-se sozinho para o monte.

O texto estudado anteriormente termina com duas informações, sendo que a ênfase da lição passada recaiu apenas sobre a primeira delas. Neste tópico, a segunda será mais bem explorada para se entender o contexto do quinto sinal. João diz que Jesus “tornou a retirar-se, ele só, para o monte” (Jo 6.15). Não poucas vezes o Mestre retirou-se para períodos a sós com o Pai (Mc 1.35; Lc 5.16; 6.12).

 

 

 

 

  1. Os discípulos com o coração endurecido.

No texto paralelo de Marcos para essa narrativa, o evangelista observa que os discípulos “não tinham compreendido o milagre dos pães; antes, o seu coração estava endurecido” (Mc 6.52). Acostumados à ideia de que um grande feito como aquele deveria culminar com nada menos que o coroamento e a ascensão definitiva do seu Mestre, os discípulos certamente ficaram decepcionados e, por isso mesmo, com o coração “endurecido” pela atitude de Jesus.

 

  1. “Jesus não tinha chegado perto deles”.

O texto joanino diz que no período da tarde os discípulos desceram para o mar (v.16). Eles então embarcaram “em direção a Cafarnaum; e era já escuro, e ainda Jesus não tinha chegado perto deles” (v.17). Esse tempo que Jesus se deteve em oração talvez tenha sido oportuno para que os discípulos refletissem melhor e, quem sabe, entendessem a diferença entre a perspectiva humana e a do Reino.

 

Pense!

Onde adquirimos o costume de achar que todo grande feito, em prol das pessoas, precisa redundar em benefício para nós?

 

Ponto Importante

Ao permitir que, em alguns momentos, fiquemos sozinhos, Deus certamente dá-nos grandes lições espirituais.

 

II – O MAR E O MILAGRE

 

  1. A situação do mar.

Os discípulos haviam descido para o mar e já era noite quando zarparam rumo a Cafarnaum. Devido à topografia da região, cercada por montes, onde está situado o “mar”

da Galileia ― trata-se na verdade de um imenso lago de água doce cuja superfície encontra-se 210 metros abaixo do nível do mar. Ventos originados no mar Mediterrâneo sopram pelo vale do grande lago, fazendo com que as águas deste se agitem tornando-se perigosas (Mc 4.35-41). É exatamente isso que o texto informa ao dizer que “o mar se levantou, porque um grande vento assoprava” (v.18).

 

  1. O progresso da viagem.

Os discípulos haviam remado por muitas horas, praticamente a noite inteira, e não conseguiram navegar mais que cinco ou seis quilômetros, pois o grande vento que assoprava não permitira o progresso da viagem (vv.18,19). Isso aconteceu a despeito de alguns deles serem pescadores e, consequentemente, experientes na arte da navegação.

 

  1. Jesus anda sobre o mar.

Foi em meio a este momento difícil que os discípulos avistaram algo inusitado, que os fez temer mais ainda: ― uma pessoa andando sobre o mar (v.19). Se dentro de um barco a situação era desesperadora, o que dizer daquela experiência? Felizmente, não se tratava de nada do imaginário que povoava o folclore judaico (Mt 14.25,26; Mc 6.48,49), mas era o Mestre que, de forma sobrenatural e milagrosa, andava sobre as águas tempestuosas e revoltas do mar da Galileia.

 

Pense!

A longa experiência, em uma determinada área, garante que sempre teremos sucesso?

Ponto Importante

O inusitado pode não ser necessariamente o que imaginamos, por isso, é importante estar atento para novas experiências.

 

III – “O EU SOU”

  1. Na resposta, a afirmação do nome de Deus. Reconhecendo o pavor que tomara conta dos discípulos, o Mestre identifica-se desde onde está, dizendo a eles que não temessem. Contudo, os melhores comentaristas são unânimes em dizer que o texto vai muito além de uma resposta que visava apenas um reconhecimento superficial; antes, ao afirmar “Sou eu” (v.20), Jesus alude a um dos mais conhecidos nomes divinos do Antigo Testamento (Êx 3.14; Is 43.10,11,25).

 

  1. A divindade do Senhor.

Com a resposta do Senhor aos discípulos, identificando-se com Deus, somado ao fato de Ele estar andando sobre as águas, ao colégio apostólico, bem como aos leitores de João, não resta nenhuma dúvida: ― Jesus é Deus, pois somente o Criador, desde o Antigo Testamento, tem tal poder (Jó 9.8; Sl 77.19).

 

  1. Do assombro à esperança.

Do primeiro momento em que estavam endurecidos, e posteriormente espantados, os discípulos passaram então à esperança, pois receberam o Mestre, diz João, “de boa mente”, conseguindo chegar, em segurança, à outra margem, para o local onde tinham por destino (v.21).

 

Pense!

Quantos de nós, em meio ao desespero, conseguimos reconhecer ao Senhor Jesus?

Ponto Importante

Em meio às dificuldades Deus pode revelar grandes coisas, basta apenas prestar a atenção.

 

SUBSÍDIO

“Jesus anda sobre o mar, 6.16-21. Este é um dos grandes ‘sinais’ narrados por João para que crêssemos que Jesus é o Cristo , o Filho de Deus, e para que crendo, tenhamos vida em Seu nome, cap. 20.31. Os judeus, considerando-O o grande Líder político, designado para salvar a pátria, tinham o intuito de arrebatá-lo e proclamá-lo Rei.

Jesus, porém, ao andar sobre o mar, manifestou-se, não como um mero político em uma esfera limitada, mas como o divino Criador com supremo poder sobre o universo. O mar da Galileia, apesar de não ser mais que um lago, sofre grandes temporais. Turistas testificam que se desencadeiam lá tempestades repentinas e tão violentas que a superfície do lago parece como as águas fervendo de um gigantesco caldeirão. Logo o barco chegou à terra para onde iam (v.21).

É uma figura expressiva e palpitante do Cristo atual:

1) Já subiu para orar noutro alto, Mt 14.23; Hb 7.26; 9.24.

2) O mar deste mundo é muito tempestuoso, Lc 21.25-28.

3) A quarta vigília (Mt 14.25), Jesus está para voltar, Rm 13.11-14.

4) Com a vinda de Jesus cessa o vento. Ele não deixa a tempestade aumentar demasiado; antes de chegar ao extremo, Ele aparecerá sobre as ondas mais elevadas, Lc 21.28.

5) Com a chegada de Jesus, o barco já estava no porto, não se tinha desviado um metro da rota, durante o temporal. Com a Sua chegada findarão todos os problemas e logo entraremos no porto onde jamais baterão ventos nem tormenta (BOYER, Orlando. Espada Cortante. Lucas, João e Atos. Vol 2. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, pp. 267,268).

 

CONCLUSÃO

O grande ensinamento desta lição é justamente o fato de Jesus ter “deixado” seus discípulos por um período de tempo, permitindo que estes refletissem e enfrentassem as dificuldades de uma viagem corriqueira. Isso fez com que eles experimentassem a verdade de que se o Senhor estiver no barco tudo vai bem.

 

Vídeo aula

 

 

HORA DA REVISÃO

  1. O que fez com que os discípulos endurecessem o seu coração?

Acostumados à ideia de que um grande feito como aquele deveria culminar com nada menos que o coroamento e a ascensão definitiva do seu Mestre, os discípulos certamente ficaram decepcionados e, por isso mesmo, com o coração “endurecido” pela atitude de Jesus.

 

  1. O tempo que Jesus deixou os discípulos sozinhos pode ter servido para ensinar-lhes uma grande lição. Fale sobre isso.

Esse tempo que Jesus se deteve em oração talvez tenha sido oportuno para que os discípulos refletissem melhor e, quem sabe, entendessem a diferença entre a perspectiva humana e a do Reino.

 

  1. Ao identificar-se aos discípulos — “sou eu” — ao que Jesus fez alusão?

Jesus alude a um dos mais conhecidos nomes divinos do Antigo Testamento (Êx 3.14; Is 43.10,25).

 

  1. Qual o significado da resposta, e do milagre, de Jesus aos discípulos?

Com a resposta do Senhor aos discípulos, identificando-se com Deus, somado ao fato de Ele estar andando sobre as águas, ao colégio apostólico, bem como aos leitores de João, não resta nenhuma dúvida. Jesus é Deus, pois somente o Criador, desde o Antigo Testamento, tem tal poder (Jó 9.8; Sl 77.19).

 

  1. Como João diz que os discípulos receberam ao Mestre?

Do primeiro momento em que estavam endurecidos, e posteriormente espantados, os discípulos passaram então à esperança, pois receberam o Mestre, diz João, “de boa mente”, conseguindo chegar, em segurança, à outra margem, para o local onde tinham por destino (v.21).

Lição 8- A Cura do Cego de Nascença

Classe: Jovens – 3°Trimestre de 2018 | Data da Aula: 19/08/2018

TEXTO DO DIA

“Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.” (Jo 9.5)

SÍNTESE

Ao dar vista ao cego, Jesus devolveu-lhe também a dignidade, tirando-o da mendicância, e o libertou da opressão religiosa.

SAIBA MAIS:

 

Lição 4- Curando o filho de um Oficial

Lição 5- A cura do paralítico de Betesda

Lição 6- O milagre da Multiplicação

 

 

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA – Mt 20.29-34: Os dois cegos de Jericó

TERÇA – Mc 10.46-52: O cego Bartimeu

QUARTA – Mc 8.22-26: O cego de Betsaida

QUINTA – Lc 18.35-43: O cego de Jericó

SEXTA – Mt 9.27-31: Os dois cegos na Galileia

SÁBADO – Mt 15.14: O perigo de seguir condutores cegos

OBJETIVOS

  • VERIFICAR a forma de Jesus contemplar o cego;
  • DRAMATIZAR a forma de o Senhor Jesus curar o cego;
  • REVISAR as causas da incredulidade das pessoas em relação à cura do cego.

INTERAÇÃO

O ritmo frenético imposto pela vida moderna priva-nos de ver outras dimensões da realidade. Somos condicionados a enxergar apenas àquilo que está imediatamente relacionado aos nossos afazeres. Se por um lado este ritmo de vida certamente já é desgastante e prejudicial à saúde, por outro, tal corre-corre torna-nos muitas vezes insensíveis diante das necessidades das pessoas. Automatizados por tantas obrigações, acabamos sobrecarregados e sem tempo para coisas simples. Quando encontramos textos como o da lição de hoje, vemos um nítido contraste entre a postura de Jesus, Filho de Deus, e muitos de nós cujas atribuições humanas servem como abismos que nos separam da dura realidade de milhões de pessoas necessitadas. Que com o estudo da lição de hoje possamos aprender com Jesus e assim passarmos a olhar para além dos nossos interesses pessoais.

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ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Para essa aula, em vez de promover a conhecida dinâmica dos “olhos vendados”, que tal promover um “treinamento da visão”? Treinar a visão, de acordo com o que a lição de hoje mostra da postura de Jesus, significa ver além do que comumente vemos. Desafiar nosso condicionamento habitual e promover uma nova forma de ver as coisas. Peça que os alunos observem durante a semana o trajeto por onde eles passam todos os dias indo para o colégio, faculdade ou trabalho (pode ser o caminho para o templo também). Oriente-os a que memorizem o que eles nunca observaram antes. Solicite que eles prestem atenção, sobretudo, às pessoas. Não aquelas que já fazem parte do seu círculo de amizade, mas principalmente as que são muito diferentes, “esquisitas” e improváveis de serem suas amigas. Promova, após a exposição do primeiro ponto, um momento em que eles possam relatar o que notaram de diferente e o que aprenderam nessa semana de observação. Finalize com o exemplo de Jesus que “notou” o cego e que, de igual forma, devemos enxergar as pessoas.

 

TEXTO BÍBLICO

João 9.1-9

1 E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença.

2 E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?

3 Jesus respondeu: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.

4 Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.

5 Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.

6 Tendo dito isso, cuspiu na terra, e, com a saliva, fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego.

7 E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo.

8 Então, os vizinhos e aqueles que dantes tinham visto que era cego diziam: Não é este aquele que estava assentado e mendigava?

9 Uns diziam: É este. E outros: Parece-se com ele. Ele dizia: Sou eu.

 

INTRODUÇÃO

O sexto milagre relatado por João encontra-se em uma narrativa dividida em cinco partes (9.1-41), sempre seguindo a divisão do apóstolo do amor, que intercala sinais e palavra, ou seja, milagres seguidos por discursos de Jesus. O texto bíblico da presente lição traz apenas a primeira dessas cinco divisões e relata o milagre em si. No entanto, a continuidade da narrativa contém profundas lições, não apenas espirituais, mas também teológicas, que servem como formas de identificar as diferenças entre os princípios doutrinários da religiosidade judaica em relação ao Evangelho de Jesus Cristo cujo fim é levar à “cegueira” os que pensam ver e dar vista aos que são conscientes de que não “enxergam” (Jo 9.39).

 

I – A LUZ DO MUNDO

 

  1. Jesus contempla o cego.

A observação de que “passando Jesus, viu um homem cego de nascença” (v.1), não é fortuita e nem mera praxe para introduzir o assunto. Trata-se de um detalhe importantíssimo, pois revela, como em outras ocasiões (Mt 5.1; Jo 5.5,6; 6.5), a atenção do Mestre para os excluídos, desprezados e esquecidos pela sociedade. Em meio a um cenário tumultuado, de grande concentração de pessoas e onde cada um busca apenas os seus próprios interesses, Jesus vê e contempla aqueles que não têm visibilidade alguma, ou quando são vistos, tal não ocorre de forma correta, como se poderá ver adiante.

 

 

 

  1. Jesus desmonta a errônea crença dos discípulos.

Ao perceber que o Mestre fita alguém de forma particular, os discípulos, certamente desconhecendo as reais intenções do Senhor, dirigem-lhe uma pergunta que reflete uma antiga e errônea crença que já existia naquela época: “Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” (v.2). Em vez de enxergarem um ser humano carente de cuidados e atenção, o colégio apostólico aproveita para tomar o cego como ponto de partida para uma discussão teológica, típica da vaidade religiosa. Na verdade, a associação de sofrimento com pecado é algo bastante recorrente na Bíblia, podendo ser visto ainda no alvorecer de Israel (Êx 20.5). Mesmo tendo o Senhor Deus desconstruído tal pensamento, através de profetas como Ezequiel e Jeremias, por exemplo (Jr 31.29,30; Ez 18.1-32), nos dias do ministério de Jesus alguns setores da sociedade mantinham tal crença, ensejando a bela resposta do Mestre aos discípulos: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus” (v.3).

 

  1. Jesus declara-se a luz do mundo.

Em consonância com o prólogo do quarto Evangelho, onde se encontra o texto que diz, do Filho de Deus, que Ele é “a luz verdadeira” (Jo 1.9), o Mestre, em demonstração de profundo compromisso com seu ministério e chamado, afirma então que está incumbido de realizar, enquanto é “dia”, as obras daquEle que o enviara, pois “a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (v.4). O Senhor falava da atenção que Ele deveria dispensar a pessoas como a do cego que, anônimo, encontrava-se na mendicância e sem

esperança alguma. E tal trabalho, de iluminar — de todas as formas — deveria ser feito, pois enquanto estava no mundo, disse o Senhor, “sou a luz do mundo” (v.5). E onde é que a luz torna-se mais necessária? Evidentemente que é onde há trevas (Mt 4.16).

 

II – UMA CURA DIFERENTE

 

  1. A saliva e o milagre.

Após declarar- se como a luz do mundo, num gesto como se estivesse com “pressa” (Ele havia dito que tinha de fazer as obras de Deus enquanto era dia, pois a noite vinha, “quando ninguém pode trabalhar”), Jesus imediatamente cuspiu no chão e, “com a saliva, fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego” (v.6). Esta não foi a única vez que o Mestre agiu dessa maneira. Em outras duas ocasiões, de forma inexplicável, Ele também fez uso da saliva para realizar milagres (Mc 7.33; 8.23).

 

  1. O milagre contraria a lógica humana.

Por definição o milagre contraria a lógica humana. Não obstante, neste caso específico, “untar”, isto é, besuntar ou aplicar sobre o olho de alguém cego uma espessa camada de lama, parece não ser algo sensato, segundo o raciocínio lógico humano. Contudo, tal ato indica que os métodos divinos não precisam ser repetitivos ou iguais. O Senhor age da forma que lhe apraz e no momento que lhe convém (2 Rs 4.32-37; 5.8-14).

 

  1. A obediência e a cura.

Por mais inconcebível que possa parecer à mentalidade moderna, o cego obedeceu e foi ao tanque de Siloé lavar os seus olhos, voltando então completamente curado (v.7). É no mínimo curioso que o significado do nome Siloé seja justamente “o Enviado”. Contudo, a observação joanina figura no texto para destacar a pessoa de Jesus, que fora enviado pelo Pai para cumprir a missão de dar vista aos cegos (Jo 5.36-38; 8.16; 9.39). O texto não informa a distância que eles se encontravam do tanque e nem se alguém auxiliou o cego para que pudesse chegar até lá, todavia, diz apenas que ele “Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo” (v.7b). Há na Bíblia, outros exemplos de pessoas cuja cura aconteceu após obedecerem (2 Rs 5.8-14; Is 38.21), mostrando uma íntima relação entre obediência e cura.

 

III – A INCREDULIDADE PERANTE A CURA

 

  1. A dúvida.

Ao retornar ao convívio da sociedade e da vizinhança, o agora ex-cego ouviu as pessoas perguntarem: “Não é este aquele que estava assentado e mendigava?” (v.8b). A dúvida surge pelo fato de que a aparência do cego, ao locomover-se e transitar de forma autônoma, leva as pessoas a questionar, pois ele agora estava “diferente”. Não apenas isso, mas também o fato de ele agora não mais ficar na mendicância e ter sua dignidade restituída. Isso fez com que a dúvida se instaurasse. Era a mesma pessoa ou não?

 

  1. A desconfiança.

Como tudo na vida, as opiniões se dividiram e muitas pessoas passaram a achar que se tratava de alguém parecido com o cego, isto é, não era ele (v.9). É incrível a capacidade humana em achar que tudo aquilo que não possui uma explicação lógica deve ser desacreditado. As pessoas achavam mais fácil pensar que estavam diante de um “sósia”, alguém muito parecido, do que do antigo cego que eles costumavam ver mendigando na região. Isso a despeito de o ex-cego dizer com sua própria boca que era ele mesmo.

 

  1. A curiosidade.

Superados os estágios da dúvida e da desconfiança, depois de se certificarem de que se tratava realmente do cego em questão, as pessoas agora queriam saber como ele passara a enxergar (v.10). Tal não deve ter sido a surpresa delas ao ouvi-lo responder: “O homem chamado Jesus fez lodo, e untou-me os olhos, e disse-me: Vai ao tanque de Siloé e lava-te. Então, fui, e lavei-me, e vi” (v.11). À mentalidade incrédula, tal resposta é um insulto, pois ela nada explica. E como tais pessoas não creem em milagres, o fato inexplicável do agora ex-cego estar ali como um testemunho vivo, faz com que elas sintam-se curiosas não apenas a respeito do milagre, mas também do realizador do feito miraculoso (v.12). No entanto, Jesus que nada exigiu do cego para curá-lo, nem mesmo que este o seguisse, encontra-se em um local ignorado pelo ex-cego que se limita a responder aos inquiridores que não sabe onde o Mestre encontra-se.

 

SUBSÍDIO 1

Jesus viu um homem cego de nascença.

E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? (9.1,2) A cura milagrosa é uma evidência vívida das verdades que Jesus afirmou. Ele é a Luz do mundo, capaz de trazer a visão ao cego. Aqueles como o homem cego, cuja visão foi restaurada, reconhecem Jesus e caminham na luz. Mas aqueles que afirmam ver, porém não conseguem reconhecer a confirmação de Deus em relação aos Salvador nos seus milagres, provam que estão espiritualmente cegos, e morrerão nos seus próprios pecados.

 

Aqui também há algo especial para nós. Os discípulos, depois de verem o homem nascido cego, foram levados a fazer uma interessante pergunta teológica. A crença popular sugeria que a deficiência deste homem era devida ao pecado em sua vida. Mas, como ele nasceu cego, como poderia ter merecido esta punição? Ele foi punido por algum pecado dos seus pais? Ou quem sabe algum pecado que Deus sabia de antemão que o homem iria cometer? O que é importante aqui não é a resposta que Jesus deu — de que a cegueira não era punição por nenhum pecado, mas que servia como oportunidade para glorificar a Deus. O que é importante é o fato de que quando os discípulos viram o sofrimento — sua curiosidade, e não sua compaixão, foi despertada (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, pp. 218,219).

 

SUBSÍDIO 2

Jesus cura um homem cego de nascença / 9.1-12 9.6,7 Isto não é típico da maneira como Jesus operava milagres, de acordo com João. Mas Marcos registra dois incidentes de cura miraculosa em que Jesus usou a saliva — para curar um homem surdo e mudo e para curar um homem cego (Marcos 7.33; 8.23).

 

O relato de João, porém, fornece o único registro de Jesus cuspindo na terra e formando lodo. Desde a antiguidade, pensava-se que o cuspe ou saliva possuía algum poder medicinal. Mas os judeus desconfiavam de qualquer pessoa que usasse saliva para curar, porque tal atitude estava associada com artes mágicas. Vale a pena notar, porém, que o papel da saliva de Jesus na cura era principalmente o de fazer lodo. Como já foi salientado anteriormente ([...]),

 

Jesus não usava objetos aleatórios sem um propósito específico. Primeiro, Jesus usou o lodo para ajudar a desenvolver a fé do homem (ele tinha que fazer o que Jesus lhe disse: ir e se lavar em um certo tanque). Segundo, Jesus amassou o lodo com suas mãos a fim de colocá-lo sobre os olhos do homem. Isto constituía ‘trabalho’ em um dia de sábado e iria perturbar os fariseus. Jesus tinha muito que lhes ensinar sobre Deus e o seu sábado” (Comentário do Novo Testamento. Aplicação Pessoal. Vol 1. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 544).

 

CONCLUSÃO

A cura do cego evidencia a mentalidade prevalente de uma sociedade preconceituosa. Era mais fácil acreditar que se tratava de outra pessoa do que dobrar-se à realidade — Deus curara e restituíra uma pessoa de forma sobrenatural! Lamentavelmente, tal postura não ficou no passado, pois ainda hoje, até mesmo nos círculos religiosos, pessoas demonstram incredulidade diante de transformações radicais operadas pelo Senhor em alguém. Que tal atitude desapareça entre nós.

 

HORA DA REVISÃO

1 O que João quer expressar ao dizer que Jesus “viu” um homem cego de nascença?

Trata-se de um detalhe importantíssimo, pois revela, como em outras ocasiões (Mt 5.1; Jo 5.5,6; 6.5), a atenção do Mestre para os excluídos, desprezados e esquecidos pela sociedade.

 

  1. Elenque os versículos citados na lição que refutam a errônea crença dos discípulos a respeito do fato de o homem ser cego.

Ezequiel 18.1-32, Jeremias 31.29,30 e João 9.3.

 

  1. Qual o significado do nome Siloé e por que ele é oportunamente citado por João?

Siloé significa “o Enviado”. A observação joanina figura no texto para destacar a pessoa de Jesus que fora enviado pelo Pai para cumprir a missão de dar vista aos cegos (Jo 5.36-38; 8.16; 9.39).

 

  1. O que levou as pessoas a questionarem se o homem era realmente o cego que eles antes conheciam?

A dúvida surge pelo fato de que a aparência do cego, ao locomover-se e transitar de forma autônoma, leva as pessoas a questionar, pois ele agora estava “diferente”. Não apenas isso, mas também o fato de ele agora não mais ficar na mendicância e ter sua dignidade restituída. Isso fez com que a dúvida se instaurasse. Era a mesma pessoa ou não?

 

  1. Por que o ex-cego não sabia onde Jesus estava?

Porque Jesus nada exigiu do cego para curá-lo, nem mesmo que este o seguisse.

 

Lição 9 - O Milagre da Ressurreição de Lázaro

 

Classe: Jovens – 3°Trimestre de 2018 | Data da Aula: 26/08/2018

TEXTO DO DIA

“Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo a Maria e que tinham visto o que Jesus fizera creram nele.” (Jo 11.45)

SÍNTESE

O sétimo e último sinal do quarto Evangelho é o mais significativo de todos, pois devolveu a vida a Lázaro, mostrando todo o poder do

Filho de Deus.

 

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA – 1 Rs 17.17-24: Elias e o filho da viúva de Sarepta

TERÇA – 2 Rs 4.32-37: Eliseu e o filho da sunamita

QUARTA – 2 Rs 13.21: Uma volta inusitada à vida

QUINTA – Lc 7.11-17: O filho da viúva de Naim

SEXTA – Lc 8.41,42,49-55: A filha de Jairo

SÁBADO – At 9.36-43: A mulher que tinha bom testemunho

 

 

 

OBJETIVOS

  • DEBATER acerca do fato de a enfermidade ser para a glória de Deus e do duplo significado da morte;
  • EXPLORAR a profundidade e a riqueza do diálogo teológico de Jesus com Marta;
  • REFLETIR sobre a faceta sentimental de Jesus e também acerca da grandeza do milagre.

 

INTERAÇÃO

Acostumados com a importante e necessária prática do planejamento, vez por outra somos surpreendidos por algum acontecimento que nos desperta para o inegável fato de que, na realidade, não temos controle algum, não apenas sobre o futuro, mas também sobre o que quer que seja. Sem conhecer os contornos da estrada da existência que vai se delineando conforme os dias vão passando, muitas vezes nos pegamos absortos com os acontecimentos. Para o bem ou para o mal, quantas vezes já não exclamamos: “Nunca pensei que isto fosse acontecer comigo”. Se os que não conhecem a Deus atribuem os acontecimentos ao “acaso”, aos que creem tal maneira de pensar não faz sentido, pois acreditam na providência divina. Não obstante, uma vez que são insondáveis as formas de Deus agir, até mesmo o crente, vez por outra, incorre no erro de falar daquilo que escapa ao seu conhecimento.

 

O último sinal do quarto Evangelho ensina-nos que Deus, muitas vezes, age de maneira contrária à lógica, mas que ao final tudo concorre para a glória do nome dEle.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Como Jesus teve acesso tão rápido ao sepulcro onde jazia Lázaro? A maioria dos estudiosos defende que havia no próprio terreno das casas, sobretudo das pessoas de posse, esculpido em rochas o túmulo dos entes queridos. Reproduza, conforme suas possibilidades, a imagem do “túmulo do Jardim” e apresente-a a classe durante a exposição do tópico III da lição.

 

TEXTO BÍBLICO

João 11.28-40,43,44

28 E, dito isso, partiu e chamou em segredo a Maria, sua irmã, dizendo: O Mestre está aqui e chama-te.

29 Ela, ouvindo isso, levantou-se logo e foi ter com ele.

30 (Ainda Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar onde Marta o encontrara.)

31 Vendo, pois, os judeus que estavam com ela em casa e a consolavam que Maria apressadamente se levantara e saíra, seguiram-na, dizendo: Vai ao sepulcro para chorar ali.

32 Tendo, pois, Maria chegado aonde Jesus estava e vendo-o, lançou-se aos seus pés, dizendo-lhe: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.

33 Jesus, pois, quando a viu chorar e também chorando os judeus que com ela vinham, moveu-se muito em espírito e perturbou-se.

34 E disse: Onde o pusestes? Disseram-lhe: Senhor, vem e vê.

35 Jesus chorou.

36 Disseram, pois, os judeus: Vede como o amava.

37 E alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também com que este não morresse?

38 Jesus, pois, movendo-se outra vez muito em si mesmo, foi ao sepulcro; e era uma caverna e tinha uma pedra posta sobre ela.

39 Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-lhe: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias.

40 Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de

Deus?

43 E, tendo dito isso, clamou com grande voz: Lázaro, vem para fora.

44 E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto, envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o e deixai-o ir.

INTRODUÇÃO

O sétimo milagre do Evangelho de João coroa de forma magistral os relatos dos sinais do texto joanino, culminando com o maior deles, pois devolveu a vida a alguém que havia morrido há quatro dias (Jo 11.39).

 

I – A ENFERMIDADE PARA A GLÓRIA DE DEUS

 

 

 

 

 

  1. Jesus é notificado da enfermidade de Lázaro.

A cada sinal realizado, Jesus se indispunha ainda mais com as classes religiosas que, temendo perder seu domínio, depois deste grande feito, acabaram reunindo-se numa coalizão de forças entre sacerdotes e fariseus, formaram um conselho e reconheceram o que não dava mais para esconder — o que poderia ser feito para barrar o Senhor visto que Ele fazia “muitos sinais” (Jo 11.47)? Apesar de os milagres beneficiarem o povo, sobretudo os mais necessitados (At 10.34-38), o medo dos religiosos era que todos passassem a crer em Jesus e isso fizesse com que o poder imperial os achassem dispensáveis e não mais necessários para os interesses e acordos políticos (Jo 11.48). Foi nessa infame reunião que, diz o apóstolo do amor, depois de afirmar que convinha que um homem morresse pelo povo, o “sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação” (Jo 11.51), selando de vez o destino entre eles, pois “Desde aquele dia, pois, consultavam-se para o matarem” (Jo 11.53).

 

Dividido em duas partes, o relato do sétimo sinal tem longos 44 versículos (Jo 11.1-44). A despeito de o texto bíblico da lição conter apenas a segunda parte do relato, o contexto exposto na primeira é de primordial importância para se valorizar ainda mais a narrativa. João informa que se encontrava doente um homem chamado “Lázaro, de Betânia, aldeia de Maria e de sua irmã Marta” (Jo 11.1). Estas, conhecidas e amadas do Senhor, mandaram-lhe avisar que Lázaro, a quem Jesus igualmente amava, estava enfermo (Jo 11.3,5). Isso indica que o Senhor já conhecia essa família. Todavia, mesmo após ser notificado, Jesus “ficou ainda dois dias no lugar onde estava” (Jo 11.6).

 

  1. A doença que veio para a glória de Deus.

Felizmente, a demora de Jesus em ir até Betânia não se trata de insensibilidade, antes tem uma razão de ser, isto é, como o próprio Mestre disse: “Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela” (Jo 11.4b). Na verdade, conforme o Senhor revela, o real motivo de Ele não se apressar em ir ao povoado e curar Lázaro antes que este viesse a falecer, foi o amor que Ele tinha pelos seus discípulos, pois estes teriam a oportunidade ímpar de assistir um portentoso milagre e assim poderiam acreditar definitivamente que o Senhor era o Filho de Deus (Jo 11.15).

 

  1. O duplo significado da morte neste texto.

É natural que haja algum estranhamento no fato de Jesus ter dito que a doença não era para “morte” e Lázaro ter vindo a óbito. Vale perceber que, particularmente, neste texto, a “morte” possui dois sentidos e não significa simplesmente a cessação da vida biológica, mas tem um significado bem mais profundo, conforme se depreende da resposta do Senhor a Marta (Jo 11.25b,26). Falando, entretanto, especificamente da morte de Lázaro, o Mestre disse que aquele apenas “dormia”, algo que levou os discípulos a não entenderem a expressão, achando que o doente estivesse se recuperando (Jo 11.11-13). Para desfazer o equívoco “Jesus disse-lhes claramente: Lázaro está morto” (Jo 11.14). Portanto, vê-se que há dois sentidos para a expressão “morte” na narrativa: morte natural e morte eterna.

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Pense!

Qual deve ser a nossa reação quando Deus parece tardar, ou não ouvir, as nossas orações?

Ponto Importante

Alguém já disse, com muita propriedade, que um dos momentos mais perigosos para o crente é quando Deus fica em “silêncio”.

 

II – A RESSURREIÇÃO E A VIDA

  1. O inusitado convite de Jesus.

Quando o “tempo de Deus” se completou, Jesus então convidou os seus discípulos a retornarem à Judeia e eles, completamente confusos, tentaram dissuadir o Senhor “lembrando-lhe” que há pouco quiseram apedrejá-lo naquela localidade (Jo 10.31,39 cf. 11.7,8). A preocupação dos discípulos se dava pelo fato de Betânia distar de Jerusalém cerca de dois a três quilômetros (Jo 11.18). O Mestre então lhes esclarece por meio da metáfora do dia, já anteriormente utilizada (Jo 9.4,5), que há necessidade de se fazer o que Ele fora designado para executar (Jo 11.9-11). A resposta de Tomé, discípulo lembrado pela dúvida (Jo 20.24- 29) — “Vamos nós também, para morrermos com ele” (Jo 11.16) — que figura para muitos como uma incógnita, na verdade, trata-se de uma expressão de coragem, e resignação e não uma ironia.

 

  1. O encontro de Jesus com Marta.

É curioso notar que em Lucas 10.38-42, Marta encontra-se excessivamente ocupada com as coisas corriqueiras da vida e até solicita ao Mestre que diga a Maria para esta vir lhe auxiliar. Neste episódio, entretanto, ela vai ao encontro do Senhor mesmo antes dEle chegar na aldeia, “Maria, porém, ficou assentada em casa” (Jo 11.20). Ambas, todavia, lamentam-se da mesma forma a respeito de Jesus não ter chegado a tempo de impedir que Lázaro viesse a óbito (Jo 11.21,32). Se na ocasião da narrativa de Lucas, Maria dispôs-se a estar aos pés do Mestre para aprender, nesta oportunidade é Marta quem nos oportuniza um importante e instrutivo diálogo (Jo 11.21-27). É perigoso formar uma visão de alguém, ou ainda pior, uma caricatura, por um único lance da vida da pessoa.

 

O fato de Maria ter ficado “assentada em casa”, certamente está relacionado com a recepção dos judeus que tinham ido a Betânia consolar a ambas (Jo 11.19,31).

 

  1. Um diálogo altamente teológico.

O que acontece na sequência após Marta ter ido se encontrar com o Senhor é um diálogo de teor altamente teológico.

 

Apesar de ter dito que sabia que tudo quanto Jesus pedisse a Deus, o Pai lhe concederia, no momento decisivo, tal crença parece não ter se mostrado tão segura (Jo 11.22,39). O Mestre então diz que trará Lázaro novamente à vida e Marta responde que sabe que o seu irmão “há de ressuscitar na ressurreição do último Dia” (Jo 11.23,24). A crença na ressurreição não era novidade para os judeus (Is 26.19; Dn 12.2), porém, por entender a morte apenas no sentido natural, este evento era exclusivamente situado no futuro. Jesus revela uma verdade completamente distinta: Ele mesmo é a ressurreição e a vida e quem nEle crê, “ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê [...] nunca morrerá” (Jo 11.25,26). Portanto, morte e vida, nas palavras do Senhor a Marta, revestem-se de um significado bem mais profundo, pois indicam que, como já foi dito, existem dois tipos de morte e também de vida: naturais e eternas. O Mestre falava, obviamente, da vida eterna que era uma realidade para os que nEle criam (Jo 3.16,36). À pergunta do Senhor se Marta cria no que Ele acabara de pronunciar, ela respondeu não apenas de forma afirmativa, mas com uma confissão: “Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo” (Jo 11.27).

 

Pense!

Podemos definir o perfil de uma pessoa por uma única atitude dela?

Ponto Importante

Se por um lado uma única atitude não é suficiente para definir uma pessoa, por outro, ela pode trazer consequências — boas ou más — irreversíveis.

 

III – “PARA QUE CREIAM QUE TU ME ENVIASTE”

  1. Um homem com sentimentos.

Após fazer tal confissão, Marta então se dirige a casa e avisa a Maria que o Mestre desejava vê-la. Maria, sem demora alguma, corre ao encontro do Senhor, que ainda nem havia chegado à aldeia (vv.28-30). Os judeus que a consolavam seguiram-na pensando que ela fosse ao sepulcro chorar, e acabaram encontrando-se também com o Senhor Jesus que, observa João, “quando a viu chorar e também chorando os judeus que com ela vinham, moveu-se muito em espírito e perturbou-se” (v.33). Se essa observação parece “subjetiva”, o que acontece na sequência não deixa dúvida quanto ao fato de Jesus ser um homem sensível.

 

Após inquirir acerca do local onde sepultaram Lázaro, o apóstolo do amor registra que “Jesus chorou” (v.35), daí a afirmação dos judeus: “Vede como o amava” (v.36b). Diferentemente dos mestres da antiguidade que se esforçavam para passar uma imagem de impassibilidade, o Senhor não teve receio algum em chorar e comover-se por ver Maria e os judeus chorando.

 

  1. A dúvida dos judeus e de Marta.

Vendo que Jesus chorava, alguns dos judeus questionaram: “Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também com que este não morresse?” (v.37b). Eles até levantam a hipótese de o Senhor, por ter dado vista ao cego, caso tivesse chegado a tempo, também ter curado a Lázaro; mas trazê-lo de volta parece estar completamente fora de cogitação. Neste momento, ao chegar ao sepulcro havia uma pedra na entrada e uma vez mais o Mestre se comoveu (v.38). Sem titubear, Jesus ordenou que removessem a pedra do sepulcro, mas Marta então protestou que já fazia quatro dias que Lázaro morrera e que por isso já cheirava mal (v.39), o Mestre, todavia, respondeu-lhe: “Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?” (v.40b).

 

  1. O grande milagre.

Após removerem a pedra, Jesus faz uma breve oração, onde deixa claro sua intimidade com o Pai (vv.41,42). Na prece, o Senhor revela que a oração não fora feita por uma necessidade de comunicação entre ambos Ele e o Pai, e sim por causa da “multidão ao redor”, ou seja, para que as pessoas creiam que Deus o enviara. Logo depois de orar, o Mestre grita: “Lázaro, vem para fora” (v.43b). No mesmo instante, Lázaro despertou e “saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto, envolto num lenço” (v.44). O Senhor então mandou que o soltassem e o deixassem ir. Se o povo já admirara o milagre de dar vista ao cego realizado por Jesus, este agora era sobrenaturalmente superior, pois devolvera a vida a um morto, não de poucas horas, mas alguém que já havia morrido há quatro dias, isto é, não havia dúvida alguma acerca da impossibilidade de este voltar à vida a não ser por um milagre divino.

 

Pense!

Você teria problema em acreditar que alguém pudesse ser usado por Deus caso esta pessoa fosse emotiva e sensível?

 

Ponto Importante

O fato de uma pessoa não se envergonhar por suas demonstrações emotivas em público deve ser visto como uma virtude.

 

SUBSÍDIO 1

“Quando Jesus declarou: ‘Teu irmão há de ressuscitar’, Marta recitou: de modo muito triste, um artigo do credo judaico: ‘Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia’. O único alívio que sentia era uma esperança para o futuro distante, baseada numa doutrina. Jesus, no entanto, fez com que ela desviasse sua atenção do artigo do credo para fixá-la nEle: ‘Eu sou a ressurreição e a vida’, o que nos faz entender que o Cristianismo consiste mais em confiar numa Pessoa divina do que assentir a proposições teológicas. Não há proveito em procurar assenhorear-se da teologia sem primeiro aceitar Cristo como Senhor. Podemos crer numa doutrina sem entregar nossa vida a ela em plena confiança; podemos entendê-la sem que ela nos transforme o coração; como Marta, podemos crer na ressurreição sem ter verdadeira fé naquele que é a Ressurreição e a Vida. A causa das lágrimas de Jesus. Tais lágrimas fazem parte da humanidade de Jesus. Apesar de ser Filho de Deus, Ele sofreu todas as aflições dos homens, embora sem a prática do pecado. ‘E o Verbo se fez carne’. Sua humanidade não era fictícia; participou realmente da nossa natureza. As lágrimas brotaram de real compaixão, foram a resposta do coração de Jesus ao apelo da tristeza. Suas lágrimas também foram causadas pela tristeza — tristeza pelos danos causados pelo pecado e pela morte” (PEARLMAN, Myer. João. O Evangelho do Filho de Deus. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, pp.138-140).

 

SUBSÍDIO 2

“Pergunta-se: Por que os outros três evangelhos não relatam o grande milagre da ressurreição de Lázaro? Uma das respostas é: porque o Espírito Santo levou João a registrar esse milagre, que preenche sua parte no propósito do livro. O milagre da ressurreição de Lázaro não tinha lugar no plano dos outros três escritores. Lembremo-nos que há cinco outros milagres relatados por João, que não se mencionam nos outros Evangelhos. E há trinta e três milagres nos outros Evangelhos, não registrados por João.

[...] Tirai a pedra (v.39): Era proibido, pelo Talmude, abrir um túmulo, depois de fechá-lo com a pedra. E isso para se evitar contaminar-se cerimonialmente. Mas Aquele que tocou o esquife do filho da viúva de Naim (Lc 7.14), e que tocou o leproso (Mt 8.3), mandou que retirassem a pedra do túmulo de Lázaro — anulando o formalismo dos judeus. Jesus, levantando os olhos para o céu, disse... (vv.41, 42): Isto não é uma oração mas ação de graças a Deus, pela resposta à oração, resposta já recebida. Vd. Mc 11.24 (Vers. Bras e Vers. Ver. Autor.): Tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim. Recebestes é no tempo passado. Recebemos enquanto oramos e o vemos depois com os olhos. Cristo, diante do túmulo de Lázaro, orara até receber e só restava agradecer a Deus a resposta que ia ver logo com os próprios olhos” (BOYER, Orlando. Espada Cortante. Lucas, João e Atos. Vol 2. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, pp. 311,312).

 

 

CONCLUSÃO

A lição de hoje encerra o ciclo dos sete sinais elencados pelo apóstolo do amor. Não apenas aos seus destinatários originais, mas também a nós, nos dias de hoje, tais sinais trazem edificação e fazem com que creiamos no Senhor como o Filho de Deus, e assim tenhamos vida em seu nome (Jo 20.31).

 

HORA DA REVISÃO

  1. Por que, mesmo após avisado da enfermidade de Lázaro, Jesus ainda demorou dois dias para ir à Betânia?

Na verdade, conforme o Senhor revela, o real motivo de Ele não se apressar em ir ao povoado e curar Lázaro antes que este viesse a falecer, foi o amor que Ele tinha pelos seus discípulos, pois estes teriam a oportunidade ímpar de assistir um portentoso milagre e assim poderiam acreditar definitivamente que o Senhor era o Filho de Deus (Jo 11.15).

 

  1. No texto de João 11, a expressão “morte” tem dois significados. Quais são eles?

Morte natural e morte eterna.

 

  1. No diálogo do Senhor com Marta, morte e vida têm dois significados. Fale sobre.

Jesus revela uma verdade completamente distinta 􀀀 Ele mesmo é a ressurreição e a vida  e quem nEle crê, “ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê [...] nunca morrerá”. Portanto, morte e vida, nas palavras do Senhor a Marta, revestem-se de um significado bem mais profundo, pois indicam que, como já foi dito, existem dois tipos de morte e também de vida naturais e eternas. O Mestre falava, obviamente, da vida eterna que era uma realidade para os que nEle criam.

 

  1. Qual a evidência, neste episódio, de que Jesus era uma pessoa sensível?

“Jesus chorou” (v.35).

  1. Qual a maior lição aprendida com os sete sinais elencados no quarto Evangelho?

Resposta pessoal.

 

 

Lição 10 - A Cura do Paralítico de Cafarnaum

 

 Classe: Jovens – 3°Trimestre de 2018 | Data da Aula: 02/09/2018

TEXTO DO DIA

“E Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados

estão os teus pecados.” (Mc 2.5)

SÍNTESE

Ao tratar primeiramente da questão do pecado na vida do paralítico de Cafarnaum, Jesus demonstra que este, na verdade, é o grande problema do ser humano.

 

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA – Is 43.25: Por amor a si Deus apaga as transgressões

TERÇA – Is 55.7: Deus perdoa com generosidade

QUARTA – Cl 3.13: Perdoar como o Senhor nos perdoou

QUINTA – 1 Jo 1.9: Se confessarmos os pecados, Ele nos perdoa

SEXTA – Ef 1.7: Em Jesus temos o perdão dos pecados

SÁBADO – Cl 1.13,14: Em Jesus temos a remissão dos pecados

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OBJETIVOS

  • DISSERTAR a respeito do ministério do Senhor Jesus Cristo tendo-o como modelo absoluto;
  • VALORIZAR a amizade sincera;
  • CATEGORIZAR a dupla restauração realizada por Jesus na vida do homem.

INTERAÇÃO

Que somos seres gregários ninguém tem dúvida. A Bíblia fala, por diversas vezes, acerca da amizade (1 Sm18.1-3; Rt 1.16,17; Pv 17.17; 18.24; 27.9,10; Ec 4.9,10). O seu valor é inegável. Até mesmo o nosso querido Mestre falou a respeito do fato de que Ele não considerava os seus discípulos como servos, mas sim como amigos (Jo 15.15). Assim, além do milagre objeto desta lição, o tema transversal — a amizade —, leva-nos a refletir sobre a importância dos relacionamentos. Não apenas do fato de tê-los, mas também da qualidade de tais relacionamentos (Pv 13.20; 22.24,25; 1 Co 15.33). É gratificante saber que temos amigos e que podemos contar com eles. Contudo, dificilmente pensamos e refletimos acerca de que tipo de amizade oferecemos às pessoas ou que tipo de amigo temos sido. Sim, em vez de cobrar, que tal fazer um autoexame e pensar no quanto temos sido amigos das pessoas?

TEXTO BÍBLICO

Marcos 2.1-8

1 E, alguns dias depois, entrou outra vez em Cafarnaum, e soube-se que estava em casa.

2 E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta eles cabiam; e anunciava-lhes a palavra.

3 E vieram ter com ele, conduzindo um paralítico, trazido por quatro.

4 E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico.

5 E Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados.

6 E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seu coração, dizendo:

7 Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus?

8 E Jesus, conhecendo logo em seu espírito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração?

 

INTRODUÇÃO

Apesar de menor entre os quatro Evangelhos, o de Marcos tem sido

tradicionalmente apresentado como o mais antigo deles e também

fonte dos sinóticos (Mateus e Lucas). Trata-se, portanto, de um texto muito importante, cuja narrativa simples e direta destina-se a falar do essencial — o Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus (Mc 1.1) — isto é, o novo tempo trazido pelo Senhor, cuja condição para dele fazer parte é o arrependimento e a fé (Mc 1.14,15). Assim como esta lição, deste Evangelho serão extraídas as narrativas de milagres para as demais lições que ainda restam ser comentadas. A de hoje contém grandes valores.

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I – O MINISTÉRIO DE JESUS CRISTO

  1. Cafarnaum, cidade base do ministério de Jesus na Galileia.

O texto bíblico da lição inicia informando que Jesus “entrou outra vez em Cafarnaum, e soube-se que estava em casa” (v.1). Situada às margens do mar da Galileia, Cafarnaum tornou-se a cidade escolhida por Jesus para fixar residência após Ele deixar Nazaré (Mt 4.12,13; 9.1). Tal iniciativa se deu de acordo com o texto bíblico e como já foi comentado, para que se cumprisse o que fora

predito pelo profeta Isaías (9.1,2 cf. Mt 4.14-16), isto é, que para um povo sem esperança, uma grande oportunidade chegara, pois desde que João Batista fora preso, “veio Jesus para a Galileia, pregando o evangelho do Reino de Deus e dizendo: “O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.14,15).

 

  1. A aglomeração de pessoas.

Apesar de a questão cronológica não ser unanimidade em qualquer texto bíblico, é possível verificar no arranjo do texto de Marcos uma atividade intensa do Senhor Jesus na região da Galileia, ainda no início deste Evangelho (Mc 1―2). Jesus surge pregando a mensagem da chegada do Reino de Deus e convoca os primeiros discípulos, vai a sinagoga ensinar e al liberta um homem que tinha um espírito imundo; dirige-se à casa de Pedro e cura a sogra deste, levanta-se de madrugada para orar e depois convida seus discípulos a ir às aldeias pregar e, nestes locais, Ele comparece nas sinagogas; por toda a região da Galileia e expulsa demônios, além de curar um leproso (Mc 1.14-45). Portanto, o fato de o Senhor estar em “casa” certamente significava uma pausa necessária para um descanso, mas isso não foi possível, pois quando souberam,

“logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta eles cabiam” [...] (v.2a).

 

  1. O anúncio da Palavra.

Longe de irritar-se ou fugir, Marcos informa que diante da aglomeração que se formou, o Mestre fez o que lhe competia — “anunciava-lhes a palavra” (v.2b). O texto lembra outras ocasiões em que Jesus deixava de fazer outras coisas necessárias à vida para cumprir sua missão, pois tinha consciência de que o tempo de seu ministério terreno seria breve (Jo 4.31-34).

 

II – UMA GRANDE DEMONSTRAÇÃO DE FÉ

  1. O valor da amizade.

O versículo 45 do capítulo primeiro de Marcos informa que, após curar um leproso, “Jesus já não podia entrar publicamente na cidade, mas conservava-se fora em lugares desertos; e de todas as partes iam ter com ele”. Tal informação indica que o fato de Ele aguardar alguns dias para entrar em Cafarnaum tem uma razão de ser: provavelmente despistar a multidão para que pudesse estar em casa. Todavia, souberam que Ele “estava em casa” e então a aglomeração de pessoas foi inevitável (vv.1,2). Sabendo que o Senhor estava em casa, quatro amigos resolveram conduzir, em uma maca, um companheiro paralítico (v.3). Não é possível saber a distância que eles percorreram conduzindo aquele homem nas estradas poeirentas da Galileia, sob o sol escaldante, e nem se este era magro ou obeso. O certo é que aquele homem tinha quatro amigos e, como diz Provérbios, o “homem que tem muitos amigos pode congratular-se, mas há amigo mais chegado do que um irmão” (18.24).

 

  1. Uma atitude ousada.

Ao chegar a casa, “por causa da multidão”, os quatro amigos foram impedidos de aproximar-se de Jesus. Contudo, pela atitude dos quatro homens é possível verificar que sequer passou pela cabeça deles desistir. Marcos diz que eles descobriram o telhado da casa onde o Senhor “estava e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico” (v.4). As casas simples daquela época possuíam uma escada lateral que permitia fácil acesso ao telhado que, muitas vezes, era utilizado como caixa d’água. A cobertura era basicamente feita de madeira, com uma camada de areia e basalto, que servia como material impermeabilizante. Portanto, não deve ter sido muito fácil “cavar” o telhado, fazer um buraco e baixar o homem paralítico até Jesus.

 

  1. Uma fé quase palpável.

Para alguém que estava pregando, tal movimentação certamente interrompeu o ato, não obstante, Jesus não se mostrou incomodado, antes, diz o texto, “vendo-lhes a fé”. (v.5). A ousada atitude daqueles homens revelou uma fé quase “palpável”, pois o fato de trazer o amigo até ali e por causa da multidão não poderem

ter acesso ao Mestre não os impediu de fazer algo inusitado e que poderia gerar um efeito contrário do que eles esperavam. No entanto, foi justamente essa ação, nada convencional, que fez com que o Senhor os atendesse.

 

III – UMA RESTAURAÇÃO COMPLETA

  1. O questionamento dos doutores da Lei.

Após ser interrompido pelos quatro amigos resignados que baixaram o homem diante de Jesus, o Mestre “vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados” (v.5). Uma vez que, como já foi dito, havia uma associação muito grande entre sofrimento e pecado (Jo 9.1,2), o Senhor tratou primeiramente da questão que aflige a todos, trazendo restauração espiritual ao paralítico. Contudo, havia entre a multidão um grupo numeroso de escribas (v.6 cf. Lc 5.17), o qual seguia os passos de Jesus com intenções muito distintas das do povo (Lc 20.19,26). Estando ali assentados, começaram a questionar, argumentando em pensamento: “Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus?” (v.7). O Mestre, entretanto, “conhecendo logo em seu espírito que assim arrazoavam entre si”, os inquiriu acerca do porquê de estarem questionando (v.8).

 

  1. As inquirições e o milagre.

Se a primeira pergunta feita pelo Senhor já parecia surpreendente (como Ele sabia o que os escribas estavam pensando?), as próximas indagações vão muito além: “Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda?” (v.9). É preciso notar que o Mestre não pergunta sobre o que é mais “difícil”, e sim o que é mais “fácil”. Denotando que não há nada que lhe seja impossível, pois Ele é Deus (Lc 1.37). Digno de nota é também o fato de que “dizer” que os pecados de alguém estão perdoados é algo subjetivo, mas ordenar a alguém, paralítico, que se levante, tome sua maca e ande, é algo completamente objetivo e verificável. E foi exatamente isso que Jesus fez. Utilizando um de seus títulos para referir-se a si, Filho do Homem―, o Mestre então prova que tem poder para perdoar pecados, ordenando que o paralítico se levante, tome seu leito e dirija-se para sua casa (vv.10,11). Os que antes não queriam abrir espaço para os seus amigos que o trouxeram, tiveram agora que dar lugar para que ele mesmo passasse.

 

SUBSÍDIO 1

“A cura e o perdão (2.1-12). Este capítulo abre uma seção que descreve o desenvolvimento da oposição a Jesus. No início, o antagonismo permanecia em silêncio, na mente dos escribas (2.6); mas logo encontrou expressão nos ataques contra os discípulos (2.16) e depois nas tramas contra o próprio Senhor (3.6). Como

Mateus indica (9.1), Cafarnaum ([...]) agora havia se tornado a ‘cidade’ do Senhor, e seria a sua base de operações durante todo o seu ministério na Galileia. Quando Jesus voltou, soube-se na comunidade que Ele estava em casa, possivelmente a casa de Pedro. Ele ‘não pôde esconder-se’ (7.24). O significado exato da indicação de tempo de Marcos, alguns dias depois, continua um mistério e parece indicar que alguns dias depois que Jesus entrou

em Cafarnaum, circularam as notícias da sua presença. Então logo se ajuntaram tantos (2) que a casa não comportava tanta gente, nem havia espaço junto à porta. Era uma casa humilde, sem um

pórtico ou vestíbulo. Apesar da multidão comprimida, Jesus anunciava-lhes (ou proclamava) a palavra, ‘a mensagem’.

Quatro homens trouxeram até esta casa cheia de gente um paralítico, com a fé de que Jesus poderia curá-lo. Subindo a escada exterior até o teto daquela casa térrea, os homens descobriram o telhado (4), e rompendo a argila (ou as telhas, Lc 5.19), assim como os galhos e ramos abaixo dessa superfície, baixaram o leito. A cooperação e o trabalho árduo deles haviam aberto o caminho” (EARLE, Ralph.; MAYFIELD, Joseph H.; SANNER, A. Elwood. Comentário Bíblico Beacon. Mateus a Lucas. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p. 236).

 

SUBSÍDIO 2

Os quatro homens entraram pelo telhado, porque as portas da casa achavam-se bloqueadas. Temos aí um exemplo dos que, apesar

de buscarem a Deus, não podem achegar-se a Cristo, pois as portas da Casa de Deus encontram-se bloqueadas por teólogos profissionais e sem vida espiritual. João Wesley viu que o caminho da evangelização estava bloqueado pela igreja estabelecida. Por isso saiu aos campos abertos para pregar às massas. Tal

método horrorizou os eclesiásticos da época, mas a obra foi feita. George Fox, fundador dos ‘Quacres’, percebeu estar a formalidade da igreja inglesa servindo de empecilho Na uma experiência íntima com Cristo. Eis porque deixou-se impulsionar pelo Espírito. Embora parecesse excêntrico e extremado, seu método de trabalho conduziu milhares de almas ao Senhor Jesus. Como o cristianismo nominal não satisfaz a fome espiritual do homem, o coração busca um meio de irromper as barreiras até chegar a Cristo. Haja embora murmuração dos escribas, o telhado do eclesiasticismo é rompido.

O importante é que todos ouçam a voz do Mestre. Causas invisíveis e efeitos visíveis. Como o perdão do pecado é uma bênção espiritual, e só se evidencia na consciência do homem perdoado, o Senhor Jesus produziu um efeito físico para deixar a bênção bem patente (PEARLMAN, Myer. Marcos. 4.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, pp. 36,37).

 

CONCLUSÃO

A grande mensagem desta lição é que Deus vê a nossa fé através de nossas atitudes e não simplesmente das nossas palavras e crenças. Outra mensagem é que muito mais importante do que se ter amigos, devemos ser amigos a ponto de fazer coisas que talvez até fuja daquilo que, religiosamente falando, é convencional e protocolar.

 

HORA DA REVISÃO

  1. Jesus procurou a paz da casa, mas não pôde desfrutá-la por causa da multidão.

Em vista disso, o que Ele fez? Longe de irritar-se ou fugir, Marcos informa que diante da aglomeração que se formou, o Mestre fez o que lhe competia: “anunciava-lhes a palavra” (v.2b).

 

  1. Quando a casa foi descoberta e os homens baixaram o paralítico, o que foi que

Jesus viu nesta ação?

A fé daqueles quatro homens (v.5).

 

  1. Ao deparar-se com o paralítico, Jesus deu prioridade a uma importante área da vida humana e iniciou a restauração do homem por esse aspecto. Fale sobre o assunto.

Após ser interrompido pelos quatro amigos resignados que baixaram o homem diante de Jesus, o Mestre “vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados” (v.5). Uma vez que havia uma associação muito grande entre sofrimento e pecado, o Senhor tratou primeiramente da questão que aflige a todos, trazendo restauração espiritual ao paralítico.

 

  1. Por que Jesus utilizou a expressão o que era mais “fácil”?

Denotando que não há nada que lhe seja impossível, pois Ele é Deus (Lc 1.37).

 

  1. O paralítico buscava a cura, mas recebeu muito mais que isso. Ele foi restaurado de que formas?

A restauração foi total e completa, pois ele foi curado fisicamente e restaurado espiritualmente.

 

 

Lição 11 - A Cura do Homem que Tinha uma das Mãos Mirrada

 

Classe: Jovens – 3°Trimestre de 2018 | Data da Aula: 09/09/2018

TEXTO DO DIA

“E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem ou fazer mal? Salvar a vida ou matar? E eles calaram-se.” (Mc 3.4)

SÍNTESE

A cura do homem que tinha uma mão atrofiada foi uma restauração que contemplou não apenas o aspecto físico, mas também a dimensão social e emocional.

 

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA – Mt 15.30,31: Uma abundância de milagres

TERÇA – Mc 1.21-28: O endemoninhado que foi liberto no sábado

QUARTA – Mc 1.29-31: Jesus curou a sogra de Pedro no sábado

QUINTA – Lc 13.10-17: Jesus curou, no sábado, a mulher que andava encurvada

SEXTA – Lc 14.1-6: Jesus curou um homem hidrópico no sábado

SÁBADO – Mc 1.38,39: Jesus expulsava demônios aos sábados

OBJETIVOS

  • TRAÇAR a trajetória do Mestre em face da perseguição dos adversários religiosos;
  • ESTIMAR as pessoas “invisíveis” e as ações que devem ser realizadas no sábado;
  • COMPARAR o bem realizado pelo Mestre com a maldosa decisão dos adversários religiosos.

INTERAÇÃO

Quantas vezes já não nos sentimos tristes por sermos ignorados. É horrível a sensação de ser “invisível” — entrar e sair de um ambiente sem sequer ser cumprimentado.

No entanto, será que não reproduzimos essa postura, mesmo sem perceber, e nos fechamos em nossos círculos de amizade, ignorando completamente as pessoas que não fazem parte do nosso grupo? Não é incomum acabarmos reproduzindo algo de que fomos vítimas em algum momento da vida. Quando isto se dá de forma inconsciente, tudo bem. No entanto, é urgente investigar se o comportamento reproduzido não ocorre como uma forma de “vingar-se” do que aconteceu no passado. O desejo de vingança é contrário ao que apregoa o Evangelho, portanto, é preciso libertar-se de tal sentimento. Que possamos ser verdadeiros integradores de pessoas invisíveis, promovendo sua inclusão nos locais onde o Senhor permitir que estejamos.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

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Que tal aproveitar a temática transversal — inclusão — e promover

a integração de novos alunos à classe? Se a sua classe não for algo excepcional, certamente ela encontra-se dentro dos padrões de “normalidade” em termos de frequência, ou seja, cerca de setenta por cento dos matriculados encontra-se presente. Contudo, o número de matriculados está longe de ser o ideal pois certamente há muito mais jovens na igreja.

 

Os jovens geralmente gostam de desafios e tarefas, por isso, aproveite a temática deste domingo para convidá-los à prática de engajar-se a fim de promover a Escola Dominical. Visando estimulá-los você pode oferecer um singelo prêmio (uma lição para o próximo trimestre a ser sorteada entre aqueles que trouxerem ao menos um visitante para a próxima aula, e uma revista garantida para os que trouxerem alguém que se torne efetivamente aluno). Quem sabe desse trabalho não surja até mesmo a necessidade de se criar uma nova classe de jovens?

 

TEXTO BÍBLICO

Marcos 3.1-6

1 E outra vez entrou na sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada.

2 E estavam observando-o se curaria no sábado, para o acusarem.

3 E disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te e vem para o meio.

4 E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem ou fazer mal? Salvar a vida ou matar? E eles calaram-se.

5 E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a mão, sã como a outra.

6 E, tendo saído os fariseus, tomaram logo conselho com os herodianos contra ele, procurando ver como o matariam.

 

 

 

INTRODUÇÃO

A lição de hoje fecha um ciclo de cinco episódios relatado por Marcos que envolvem controvérsias entre Jesus e os líderes religiosos, escribas e fariseus, de seu tempo (Mc 2.1—3.6). Tais controvérsias se davam pelo fato de que o Mestre não seguia a agenda religiosa e legalista deles. A primeira destas controvérsias foi abordada na lição anterior. As outras três dizem respeito ao fato de Jesus chamar um coletor de impostos para compor seu colégio apostólico e, por conseguinte, sentar-se na casa deste com muitos “publicanos e pecadores” (Mc 2.13-17); a não prática do jejum pelos discípulos do Senhor (Mc 2.18-22); e a quarta diz respeito ao ato de os seguidores do Mestre colherem espigas, e as comerem, em pleno sábado (Mc 2.23-28). Finalmente, a quinta controvérsia será estudada na presente lição.

 

I – OS FARISEUS À ESPREITA DE JESUS

 

  1. A frequência do Senhor nas sinagogas.

Marcos, como os outros evangelistas, informa, uma vez mais, que Jesus foi a uma sinagoga (v.1). Na verdade, esta é a terceira vez, ainda no início de seu Evangelho, que Marcos diz que o Senhor esteve em uma sinagoga (Mc 1.21,29,39). Como centros de ensinamento da Lei, oração pública e onde a participação leiga era possível, a sinagoga tornou-se um dos locais preferidos por Jesus para proferir grandes ensinamentos (Mt 4.23; Lc 4.15-36).

 

  1. Jesus destaca a presença de um homem “invisível”.

A observação do texto de que “estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada” (v.1), não é sem razão. Paradoxalmente, o homem que deveria passar completamente despercebido torna-se o centro da sinagoga naquele sábado e, consequentemente, da passagem bíblica.

 

  1. Os fariseus acompanham os passos de Jesus.

No plano literário do texto de Marcos, é possível ver claramente o deslocamento dos adversários religiosos espreitando o Senhor e sondando-o a fim de julgar seus ensinamentos e atitudes (Mc 2.6,7,16,18,24). O versículo dois informa que, novamente, eles estavam ali observando se o Senhor curaria o homem no sábado, para o “acusarem”. O curioso é que enquanto muitos não confessavam acreditar no Mestre como Messias, ou Cristo, com medo de serem expulsos da sinagoga (Jo 9.22; 12.42,43), Jesus sequer se importava em desafiar os pretensos ensinadores de Israel (Mt 15.14).

 

Pense!

Será que diante da hostilidade pública temos coragem de sustentar nossa fé e nossas convicções?

 

Ponto Importante

O testemunho tem um custo para todos os que creem.

 

II – O QUE SE DEVE FAZER NO SÁBADO?

 

  1. Jesus reintegra à sinagoga o homem dantes “invisível”.

Como local de ensinamento da Lei, textos como o de Levítico 21.17-24, por exemplo, certamente era conhecido na sinagoga. Portanto, sem dúvida alguma, este homem vivia à margem da sociedade e a sinagoga não era uma exceção. No entanto, ao ordenar que ele se “levante” e, não apenas isso, mas também venha para o centro do recinto (v.3), Jesus faz com que este homem seja novamente visto pelas pessoas. Ao levantar-se sua presença foi notada por todos. Ao vir para o centro da sinagoga, o Mestre então o reintegra ao local.

 

  1. Perguntas sem respostas.

Diversamente das controvérsias anteriores quando quem indaga o Senhor são os adversários religiosos — escribas e fariseus — (Mc 2.7,16,18,24), nesta ocasião é o Mestre quem os questiona, inquirindo-os acerca do que deveria ser feito (v.4). Eles, porém, ficaram calados, pois até mesmo nisto havia divergência entre si, pois alguns rabinos concordavam que, no sábado, um médico cuidasse de alguém que estivesse correndo algum risco, enquanto outros achavam que tal ação era errada.

 

  1. Um dia santo requer que se pratique coisas boas nele.

Não obstante o homem não estar sob nenhum risco, as perguntas de Jesus colocam a questão em um patamar que transcende tal discussão. Seu motivo para agir não é a emergência, ou o sufoco, mas o amor. Sendo o sábado um dia santo, certamente as poucas ações que podem ser realizadas nele devem ser boas. Tal discussão pode ser vista no texto paralelo (Mt 12.11,12). Se um animal, neste caso tido como um bem material, sem titubear era salvo no sábado, quanto mais uma pessoa cuja deficiência física necessitava de uma intervenção!

 

Pense!

Quando uma vida está em jogo e sua salvação depende da transgressão de uma regra religiosa, qual deve ser a nossa decisão?

 

Ponto Importante

Ao curar o homem em pleno sábado, Jesus demonstra que a restituição de uma vida é mais importante que a observância de regras religiosas.

 

III – O MILAGRE E A DECISÃO DOS ADVERSÁRIOS DO SENHOR

 

  1. A indignação e a tristeza do Mestre.

O silêncio dos fariseus, isto é, sua omissão diante da dor daquele homem outrora “invisível” provoca, inicialmente, a indignação do Mestre (v.5a). O emudecimento tem um motivo muito claro, ou seja, eles não podem responder “não”, pois isso seria um absurdo, mas também não podem concordar com o Senhor, pois tal posição lhes seria constrangedora. Assim, tais motivações injustificáveis, e com certeza conhecidas por Jesus, provocam indignação no Mestre, mas ao mesmo tempo leva o Senhor a ter pena da “dureza” do coração deles, posto que deve ser muito difícil existir de forma tão desumana, sem sensibilizar-se com a dor das pessoas. É interessante notar que o evangelista pontua de forma bastante explícita os sentimentos do Senhor, evidenciando sua humanidade.

 

  1. A cura física e emocional.

Falando da mesma narrativa, Lucas informa claramente que a mão atrofiada era a direita (6.6). Como se sabe, a mão destra era de suma importância na cultura judaica (Mc 16.19; Cl 3.1; 1 Pe 3.22). Por isso, quando o Senhor, depois de mandar que ficasse em pé e viesse para o meio, também ordena ao homem que estenda a mão (v.5b), Ele não apenas lhe dá visibilidade e restituição social na sinagoga, mas também lhe proporciona, além da cura física, cura emocional, pois a mão que antes não podia ser mostrada nem estendida para cumprimentar alguém, agora está completamente sã. Na verdade, a cura emocional iniciou-se antes da física, pois a mão que certamente ficava escondida sob a roupa, desde o momento em que Jesus ordenou-lhe que fosse mostrada, quebrou uma grande barreira (v.5).

 

  1. A “união” para fazer o mal.

Do emudecimento e paralisação, após constatar o milagre, os fariseus saíram imediatamente da sinagoga e “tomaram logo conselho com os herodianos” (v.6). Os herodianos eram um grupo político-partidário simpatizante de Herodes Antipas, que lutavam para que este governasse a Judeia (à época governada por Pilatos). Apesar de o foco de interesse de ambos os grupos ser completamente distinto, eles ocasionalmente poderiam unir-se  havia um interesse comum (Mc 12.13). Neste caso, uma vez que Jesus era alguém cuja popularidade poderia converter-se em uma ameaça política pior que a de Pilatos para os interesses dos herodianos, os fariseus então os procuraram formando uma coalizão para “ver como o matariam” (v.6).

 

Pense!

O que é necessário quando, além da cura física, existe também a doença de ordem emocional?

Ponto Importante

Quando uma doença física vem acompanhada de trauma, a cura precisa ser bem mais profunda.

 

SUBSÍDIO 1

“Jesus cura a mão de um homem no sábado / 3.1-6. Esse episódio completa uma série de cinco comparações crescentes entre Jesus e os líderes religiosos. Em conjunto, elas fazem um resumo dos pontos de atrito que levaram à rejeição de Jesus. Os fariseus tinham estado observando os atos de Jesus num sábado, esperando que Ele pudesse fazer alguma coisa que lhes permitisse condená-lo. Jesus frustrou seus planos envolvendo os fariseus na decisão de curar um homem. A reputação de Jesus de ser capaz de curar (mesmo no sábado, veja 1.21-26) já era conhecida, mas será que Ele ousaria curar no sábado, debaixo dos olhos dos fariseus? De acordo com a lei de Deus era proibido trabalhar no sétimo dia da semana (Êx 31.14-17), portanto os líderes religiosos não permitiam que fosse realizada qualquer cura nesse dia, a não ser que a vida da pessoa estivesse em perigo. A cura, afirmavam eles, representava a prática da medicina e a pessoa não podia exercer sua profissão num sábado.

 

3.3 Jesus não evitou uma confrontação com seus adversários, pois precisava estabelecer o importante ponto de que não estava disposto a ficar preso às opressivas leis dos fariseus e que, sendo Deus, iria realizar um ato de caridade e curar mesmo num sábado. Portanto, mandou que o homem com a mão mirrada viesse ao centro da multidão para que todos pudessem ver sua deficiência. Os fariseus não deixariam escapar qualquer coisa que Jesus fizesse” (Comentário do Novo Testamento. Aplicação Pessoal. Vol 1. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, pp. 200,201).

 

SUBSÍDIO 2

 “3.4 Para Jesus não importava que a vida desse homem não estivesse ameaçada pelas condições da sua mão e nem o fato de poder esperar até o dia seguinte para praticar a cura legalmente. Se Jesus tivesse esperado até o dia seguinte, estaria se submetendo à autoridade dos fariseus e mostrando que suas regras mesquinhas eram iguais à lei de Deus. Deus é Deus de pessoas, não de regras. Portanto, Jesus fez uma pergunta retórica: ‘É lícito no sábado fazer bem ou fazer mal? Salvar a vida ou matar?’ Mas os fariseus não lhe responderam, pois a resposta iria privá-los da acusação que queriam lançar sobre Jesus. Suas próprias leis permitiam que o povo fizesse o bem e salvasse vidas no sábado — o fazendeiro que podia resgatar sua única ovelha de um poço num sábado sabia disso (veja Mt 12.11,12).

 

Era, então, um absurdo proibir que uma pessoa fizesse o bem para outra num sábado. 3.5 Os líderes religiosos, os guardiães da fé judaica, os mestres do povo — aqueles homens de coração duro estavam tão moral e espiritualmente cegos e empedernidos que não conseguiam ver quem Jesus realmente era, nem reconhecer as necessidades de um homem e se rejubilar com a sua cura.” (Comentário do Novo Testamento. Aplicação Pessoal. Vol 1. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 201).

 

CONCLUSÃO

A grande ironia desta narrativa é que quando Jesus questiona os fariseus acerca de se fazer bem ou mal no sábado, Ele também acrescenta uma segunda pergunta: “Salvar a vida ou matar?” (v.4). A princípio tal indagação parece despropositada ou, no mínimo, fora de contexto. Porém, no versículo seis o evangelista revela que a questão faz todo o sentido. Os fariseus que ignoraram o Senhor ter curado o homem da mão atrofiada no sábado, não hesitaram em formar conselho com os herodianos para ver como poderiam matar Jesus. Havia uma indisposição para fazer o bem, mas uma grande disponibilidade para executar o mal.

 

HORA DA REVISÃO

  1. Enquanto muitos seguiam o Senhor para aprender, ou receber a bênção de Deus, os fariseus espreitavam Jesus com qual finalidade?

O versículo dois informa que, novamente, eles estavam ali observando se o Senhor curaria o homem no sábado, para o “acusarem”.

 

  1. O que significou para aquele homem vir para o centro da sinagoga?

Jesus faz com que este homem seja novamente visto pelas pessoas. Ao levantar-se sua presença foi notada por todas. Ao vir para o centro da sinagoga, o Mestre então o reintegra ao local.

 

  1. Qual o motivo de Jesus para curar aquele homem?

Seu motivo para agir não é a emergência, ou o sufoco, mas o amor.

 

  1. Ao destacar os sentimentos de Jesus, o que Marcos evidencia?

É interessante notar que o evangelista pontue de forma bastante explícita os sentimentos do Senhor, evidenciando sua humanidade.

 

  1. Além de curá-lo fisicamente, Jesus também lhe proporcionou outro tipo de cura. Qual foi ela?

Cura emocional, pois a mão que antes não podia ser mostrada nem estendida para cumprimentar alguém, agora está completamente sã. Na verdade, a cura emocional iniciou-se antes da física, pois a mão que certamente ficava escondida sob a roupa, desde o momento em que Jesus ordenou-lhe que fosse mostrada, quebrou uma grande barreira (v.5).

 

Lição 12 - A Cura da Mulher que Tinha um Fluxo de Sangue

 

 Classe: Jovens – 3°Trimestre de 2018 | Data da Aula: 16/09/2018

TEXTO DO DIA

E disse Jesus: Alguém me tocou, porque bem conheci que de mim saiu virtude. (Lc 8.46)

SÍNTESE

A atitude ousada da mulher que tocou na orla das vestes de Jesus em circunstâncias extremamente desfavoráveis ensina-nos que devemos crer que Ele conhece nossas intenções.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA – Nm 15.38-40: As bordas das vestes serviam para lembrar o povo da Lei

TERÇA – Nm 21.8,9: A serpente de bronze de Moisés

QUARTA – Js 2.12-21: O fio de escarlate no muro de Jericó

QUINTA – At 5.14-16: A sombra de Pedro

SEXTA – Mt 14.35,36: Pessoas eram curadas ao tocar na orla das vestes de Jesus

SÁBADO – At 19.11,12: Lenços e aventais de Paulo

 Lições Bíblicas da Escola Dominical:

 

- Lições Bíblicas de Jovens – 3° Trimestre de 2018 – Acesse Aqui

- Lições Bíblicas de Adultos – 3° Trimestre de 2018 – Acesse Aqui

- Sala do Professor – Acesse Aqui

 

 

OBJETIVOS

  • ANALISAR a atitude da mulher e o porquê de ela ter sido ousada;
  • INTERPRETAR a excepcionalidade do milagre ocorrido;
  • DESTACAR o valor da fé que não apenas cura, mas que também salva.

 

 

INTERAÇÃO

Somente quem já experimentou alguma forma de preconceito sabe quão sofrido é viver sob a égide de algo que o marca, aos olhos dos outros, negativamente. Ser olhado não como um ser humano, digno de respeito, mas ser visto sempre a partir de alguma coisa que o rotula. Se você nunca enfrentou tal situação, talvez tenha dificuldade de entender como é terrível viver dessa forma. Talvez você tenha preconceitos e mesmo antes de entender de algo, sinta-se bloqueado e não queira se inteirar do tema. Tal postura não combina com quem ensina. Mesmo porque, há que se distinguir “aceitação” de “aprovação” (vide Orientação Pedagógica a seguir). Portanto, o educador deve entender de todas as coisas para que possa orientar aqueles que o Senhor lhe confiou para ensinar.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

O preconceito, tema transversal dessa lição, está muito em voga nos dias atuais. Inicie um bate-papo com a classe acerca do tema e verifique o que os alunos entendem por preconceito. Trata-se de um conceito que todos temos formado de algo antes mesmo de saber o que àquilo, de fato, significa. Analisando por esse aspecto, todos somos “preconceituosos”, pois temos uma visão preformada das coisas. Todavia, na acepção usual, preconceito é entendido como uma postura de não aceitação do outro tal como este se apresenta. Assim, muitas vezes, se afirma que o crente é preconceituoso, pois não aceita as pessoas como elas são. Neste caso, é imprescindível fazer uma distinção entre “aceitação” e “aprovação”. Devemos, como o Senhor, aceitar as pessoas como elas são, mas não necessariamente devemos concordar e aprovar as coisas que elas fazem.

 

TEXTO BÍBLICO

Marcos 5.25-34

25 E certa mulher, que havia doze anos tinha um fluxo de sangue,

26 e que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior,

27 ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua vestimenta.

28 Porque dizia: Se tão somente tocar nas suas vestes, sararei.

29 E logo se lhe secou a fonte do seu sangue, e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal.

30 E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão e disse: Quem tocou nas minhas vestes?

31 E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou?

32 E ele olhava em redor, para ver a que isso fizera.

33 Então, a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade.

34 E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz e sê curada deste teu mal.

 

INTRODUÇÃO

Esta e a próxima lição possuem uma peculiaridade, além do milagre, que as unem — ambas tratam de episódios cujas personagens envolvidas são mulheres. Numa cultura e tempo extremamente distintos de tudo que se conhece atualmente, a forma de o Senhor Jesus Cristo tratar a mulher é inequívoca. Como alguém que desenvolveria um ministério dinâmico e intenso, Jesus teve de abandonar sua atividade na carpintaria de Nazaré (Mc 6.3). Não é de forma alguma um dado sem importância que Lucas registre que o Senhor “andava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do Reino de Deus” e que, além de seu colégio apostólico, “iam com ele [...] também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com suas fazendas” (Lc 8.1-3).

 

I – UMA ATITUDE OUSADA DE ALGUÉM  QUE PADECIA

 

  1. Um sofrimento que já durava doze anos.

Como o leitor atento sabe, o contexto deste milagre está situado dentro de outro em que o Senhor devolve a vida à filha de um dos chefes da sinagoga, Jairo (Mc 5.21- 24,35-43). Foi durante o trajeto para a casa deste homem que aconteceu de estar entre a multidão uma mulher que há doze anos padecia de uma hemorragia inestancável (v.25). Esta havia empregado todas as suas economias com a medicina da época, porém, não obtivera nenhum êxito, antes, seu estado de saúde tornara-se cada vez pior (v.26). Tal informação indica que além de padecer com a doença, esta mulher também havia empobrecido, tornando sua situação ainda mais grave.

 

  1. Uma ousada atitude.

Se é fato de que havia entre a multidão muitos curiosos e até mesmo adversários do Senhor, o texto de Marcos informa que a mulher que muito sofrera nas mãos dos médicos, tendo ouvido falar de Jesus, e de como as pessoas enfermas e oprimidas obtinham libertação através dEle, veio com um propósito muito definido para vê-lo. Ela, diferentemente dos que esbarravam em Jesus de maneira desavisada, procurou de forma intencional, em meio à multidão e com todas as dificuldades, tocar ao menos no manto do Mestre (v.27). Devido à sua condição, de mulher e ainda hemorrágica, esta foi uma atitude ousada (Lv 15.19-33).

 

  1. O porquê de a mulher ter tomado aquela atitude.

Ciente de que seria muito difícil aproximar-se do Mestre, a mulher já viera com o firme desejo de, ao menos tocar nas vestes do Senhor, pois diante de seu desespero pela enfermidade que a assolava há doze anos, ela então, depois de ouvir falar de Jesus, pensou: “Se tão somente tocar nas suas vestes, sararei” (v.28). Dois sentimentos a fez tomar aquela atitude — a necessidade de cura e a certeza de que seria curada. Mais à frente o evangelista relata, se em decorrência deste ato de fé da mulher não sabemos, que “onde quer que [Jesus] entrava, ou em cidade, ou em aldeias, ou no campo, apresentavam os enfermos nas praças e rogavam-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua veste, e todos os que lhe tocavam saravam” (Mc 6.56).

 

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II – A VIRTUDE QUE “SAIU” DO SENHOR

 

  1. A cura milagrosa.

Talvez mesmo sem conhecer a Palavra esta mulher tenha vivido a realidade esposada por Jesus quando este instruiu seus discípulos dizendo que se eles tivessem fé “como um grão de mostarda” poderiam dizer “a este monte: Passa daqui para acolá — e há de passar; e nada vos será impossível” (Mt 17.20). A fé que a movera a buscar o Senhor e tocar em suas vestes fez com que ela sentisse que instantaneamente havia estancado “a fonte do seu sangue”, isto é, ela “sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal” (v.29). Tal como ela pensara lhe sucedeu!

 

  1. Jesus percebe que dEle “saíra” virtude.

Por sua vez, Jesus percebe claramente que dEle “saíra” virtude (v.30a), isto é, “força” ou “poder”. Tal virtude não lhe é apenas latente, mas evidente e conhecida dos escritores neotestamentários, pois ela não era um acessório, mas um instrumento a serviço do Pai no cumprimento do ministério terreno do Senhor (Lc 6.19). Ao discursar na casa de Cornélio, o apóstolo Pedro disse que Deus “ungiu Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude” e que por isso o Mestre “andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo” (At 10.38). O mesmo Lucas, referindo-se a Jesus, registra na narrativa paralela que trata da cura do paralítico de Cafarnaum, que “a virtude do Senhor estava com ele para curar” (Lc 5.17b). Portanto, a virtude que a mulher “extraíra” de Jesus, não se caracteriza como um ato reprovável, antes deve ser vista como a apropriação legítima de um poder que se encontrava à disposição dos que dele tinham uma clara e real necessidade.

 

  1. Uma pergunta que “ninguém” entendeu.

À pergunta do Mestre ― “Quem tocou nas minhas vestes?” (v.30b) ―, faltou sensibilidade e tato dos seus discípulos para entendê-la, pois eles observam que a multidão apertava o Senhor (como se Jesus fosse incapaz de perceber o quanto era comprimido) e admirados questionam como pode o Senhor querer saber quem o tocou (v.31). Evidentemente que a mulher, que ainda não havia se afastado suficientemente dali, ouvira o Senhor indagando e sabia que era a responsável por aquele toque. Ela transgredira a Lei e, desconhecendo a reação do Mestre, sabia o que isso poderia lhe causar (Lv 15.19-33).

 

III – A FÉ QUE SALVOU UMA MULHER MARGINALIZADA

 

  1. Jesus “procura” a pessoa que o tocou com propósito.

Jesus procura fazer contato visual com a pessoa responsável por tocá-lo com fé e propósito (v.32). Em muitas outras ocasiões é perceptível que Ele conhecia os pensamentos e intenções das pessoas (Mc 2.6-8; Jo 6.64). Assim, a pergunta do Mestre “Quem tocou nas minhas vestes?”, não sinaliza um desconhecimento, antes figura como uma oportunidade de a mulher revelar-se publicamente, alcançando visibilidade e espaço. Dessa forma, Jesus a restituía socialmente. Na realidade, como se pode perceber, a “procura” de Jesus é parte do processo da cura completa que Ele queria dar-lhe.

 

  1. A revelação e o temor.

O medo da mulher em revelar-se não era sem razão, pois ciente de sua condição, ela sabia que tudo em que tocasse, mesmo involuntariamente, ficaria impuro (Lv 15.19-33). Seu receio poderia advir não apenas de ter tocado em Jesus, mas de ter esbarrado nas pessoas e estas se revoltarem por terem ficado cerimonialmente impuras, já que certamente para se aproximar do Senhor que estava comprimido pela multidão, ela deve ter “tocado” em muita gente que, ao saber de sua condição, poderia voltar-se contra ela (v.27). Ainda assim, observa Marcos, ela “aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade” (v.33). Tal “confissão” fez toda a diferença, pois oportunizou a Jesus, como já foi dito, restituí-la radical e completamente.

 

  1. A fé e a confirmação da cura.

A mulher que buscara a cura às escondidas, pelas razões já expostas e analisadas, agora tem a sua fé revelada publicamente e de forma explícita. Tal atitude do Senhor devolveu-lhe a dignidade perdida pelo estado de permanente impureza cerimonial e, não apenas isso, mas a fé que a moveu para ser curada transformou-se em “fé salvífica”, pois Jesus disse-lhe: “Filha, a tua fé te salvou; vai em paz e sê curada deste teu mal” (v.34). Além de ter sua cura confirmada pelo Mestre, a mulher ainda obteve o maior bem que um ser humano pode alcançar de Deus: ― a salvação. Ainda que seu nome próprio não seja conhecido, o Senhor dirige-se a ela chamando-a de “filha”. A despedida desejando- lhe “paz” também não é algo meramente formal e protocolar, mas designa um estado de espírito bem como descreve sua situação espiritual diante de Deus (Rm 5.1,2). A mulher que antes se aproximara, “temendo e tremendo”, e que caíra aos pés do Senhor, levanta-se como uma nova mulher.

 

SUBSÍDIO

“Uma Interrupção Patética (5.25-34). Entre os que apertavam Jesus (24), quando Ele caminhou para a casa de Jairo, havia uma certa mulher (25) que havia doze anos tinha um fluxo de sangue. A sua enfermidade tinha a mesma idade da criança que naquele momento estava ‘moribunda’ (23). Esta mulher, cujo nome não é mencionado, tinha procurado alívio com muitos médicos (26), mas isto de nada lhe serviu. O texto de Marcos é direto e não fornece muitos detalhes

quanto aos médicos da época. A mulher havia padecido muito nas

mãos deles, tinha despendido tudo quanto tinha, e estava cada vez pior. Lucas, o médico amado, de forma mais amigável com seus colegas de profissão, observa que a enfermidade não pudera ser curada (Lc 8.43).

 

A condição da mulher era patética — ‘supostamente uma hemorragia crônica, debilitante, embaraçosa... empobrecedora... desencorajadora’. Não é de surpreender que ouvindo falar de Jesus (27), cuja fama agora se espalhava enormemente, ela tivesse procurado a libertação através dele. Esperando ‘roubar um milagre’, ela veio por detrás de Jesus, em meio à multidão, e tocou na sua vestimenta.

 

A prática da cura normalmente tem sido associada com um toque. Nós já observamos como Jesus, ‘movido de grande compaixão, estendeu a mão, e tocou’ um leproso para curá-lo (1.41)” (Comentário Bíblico Beacon. Mateus a Lucas. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p. 255).

 

CONCLUSÃO

Entre outras coisas, a narrativa ensina-nos que é preciso ter um propósito. A mulher hemorrágica partiu em direção ao Mestre com um plano definido — “Se tão somente tocar nas suas vestes, sararei” (v.28) — ou seja, ela não saiu em dúvida ou com “curiosidade”, mas decidida.

 

HORA DA REVISÃO

  1. Após ler Levítico 15.19-33, você acha que a mulher hemorrágica foi ousada? Por quê?

Resposta pessoal.

 

  1. Para que servia a “virtude” que Jesus possuía?

Um instrumento a serviço do Pai no cumprimento do ministério terreno do Senhor (Lc 6.19). Um poder que se encontrava à disposição dos que dele tinham uma clara e real necessidade.

 

  1. Por que Jesus queria saber quem o tocara?

Jesus queria dar uma oportunidade de a mulher revelar-se publicamente, alcançando visibilidade e espaço. Dessa forma, Jesus a restituía socialmente. Na realidade, como se pode perceber, a “procura” de Jesus é parte do processo da cura completa que Ele queria dar-lhe.

 

  1. Qual era a razão de a mulher temer se revelar?

Ciente de sua condição, sabia ela que tudo em que tocasse, mesmo involuntariamente, ficaria impuro (Lv 15.19-33). Seu receio poderia advir não apenas de ter tocado em Jesus, mas de ter esbarrado nas pessoas e estas se revoltar por terem ficado cerimonialmente impuras, já que certamente para se aproximar do Senhor que estava comprimido pela multidão, ela deve ter “tocado” em muita gente que, ao saber de sua condição, poderia voltar-se contra ela (v.27).

 

  1. Além da fé para ser curada, aquela mulher teve sua fé convertida em “fé salvífica”. O que isto significou?

Além de ter sua cura confirmada pelo Mestre, a mulher ainda obteve o maior bem que um ser humano pode alcançar de Deus: a salvação.

 

 

Lição 13 - O Milagre da Mulher Grega e Siro-Fenícia

Classe: Jovens – 3°Trimestre de 2018 | Data da Aula:  23/09/2018

TEXTO DO DIA

“Então, respondeu Jesus e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé. Seja isso feito para contigo, como tu desejas. E, desde aquela hora, a sua filha ficou sã.” (Mt 15.28)

SÍNTESE

Além de intercessora, a mulher cananeia era também sábia, pois respondeu o Mestre corretamente e assim recebeu a bênção que necessitava.

Lições Bíblicas da Escola Dominical:

1 - Lições Bíblicas de Jovens – 3° Trimestre de 2018 – Acesse Aqui

2 - Lições Bíblicas de Adultos – 3° Trimestre de 2018 – Acesse Aqui

3 - Lições Bíblicas de Adolescentes – 3° Trimestre de 2018 – Acesse Aqui

4 – Vídeo Aula – Acesse Aqui

 

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA – 1 Sm 25.3,18-35: Uma mulher intercessora e sábia

TERÇA – Et 2.5-10: Uma jovem obediente, sábia e temente a Deus

QUARTA – Rt 1.16,17: Uma mulher exemplar e influenciadora

QUINTA – 1 Sm 1.20-28: Uma mulher de palavra

SEXTA – Lc 1.38: Uma mulher de coragem e de fé

SÁBADO – Rm 16.3,4: Uma mulher que arriscava sua vida pelos outros

OBJETIVOS

  • DEMONSTRAR o que significava a atitude do Mestre em aproximar-se de território pagão;
  • ANALISAR a reação de Jesus ante o desesperado pedido da mulher;
  • VALORIZAR a resposta da mulher e a humildade do Senhor em atendê-la.

INTERAÇÃO

O quanto estamos dispostos a reconsiderar uma decisão e rever uma posição? Pode parecer algo sem importância, mas se refletirmos com calma, veremos que não é tão simples. Geralmente ficamos tranquilos quando tudo está do “nosso jeito” e as coisas estão ao nosso favor. Mas, e quando somos contrariados ou as coisas não saem necessariamente como gostamos? Geralmente nos revoltamos e, exasperados, não raras vezes, falamos até daquilo que não sabemos, pois não apreciamos ser contrariados.

 

Acostumados com a ideia de que se tudo está indo bem é porque Deus está conosco, mas se algo não der certo significa que saímos da vontade dEle, podemos errar muito. Nem sempre a realidade funciona assim. Devemos ser sufi cientemente confiantes para crer que o Senhor da história tem o melhor para as nossas vidas, ainda que os contornos não sejam os que nós somos habituados ou conhecemos.

 

TEXTO BÍBLICO

Marcos 7.24-30

24 E, levantando-se dali, foi para os territórios de Tiro e de Sidom. E, entrando numa casa, queria que ninguém o soubesse, mas não pôde esconder-se,

25 porque uma mulher cuja filha tinha um espírito imundo, ouvindo falar dele, foi e lançou-se aos seus pés.

26 E a mulher era grega, siro-fenícia de nação, e rogava-lhe que expulsasse de sua filha o demônio.

27 Mas Jesus disse-lhe: Deixa primeiro saciar os filhos, porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.

28 Ela, porém, respondeu e disse-lhe: Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos.

29 Então, ele disse-lhe: Por essa palavra, vai; o demônio já saiu de tua filha.

30 E, indo ela para sua casa, achou a filha deitada sobre a cama, pois o demônio já tinha saído.

 

INTRODUÇÃO

A narrativa da presente lição encerra, tanto no material de Marcos quanto no texto paralelo, grandes ensinamentos (Mt 15.21-28). Contudo, o destaque neste momento inicial fica por conta do fato de a narrativa colocar em relevo a pessoa de uma mulher. Mais precisamente de duas, pois a mulher viera pedir por sua filha. Como anteriormente já foi frisado, o conhecimento dos costumes sociais do Antigo Oriente indica que a forma como Jesus tratava a mulher, naquele momento histórico, estava muito à frente de seu tempo.

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I – JESUS ENTRA EM TERRITÓRIO PAGÃO

 

  1. Jesus entra em território pagão.

É exatamente isto que o texto quer destacar — a presença de Jesus, ou sua investida, em terras pagãs (v.24a). Apesar de o território de Tiro, na Fenícia, ser uma região prototípica na Bíblia, sobretudo no Antigo Testamento e, vale a pena pontuar, no aspecto negativo (Is 23.1-12; Jr 25.22; 27.1-11; Ez 26.1-21; Jl 3.4-8; Am 1.9,10), não é efetivamente a questão geográfica que interessa a Marcos, mas sim o aspecto demográfico, ou seja, a proximidade do Senhor com os gentios. Mesmo o texto não afirmando que Jesus tenha penetrado na terra de Tiro, não deixa de ser sugestivo que Ele tenha ao menos passado pela região.

 

  1. Jesus queria “esconder-se”, mas não foi possível.

A intenção do Mestre em entrar em uma casa para “esconder-se” (v.24b), não significa que Ele tenha agido de má-fé ou mesmo sido negligente, antes indica que o Senhor, juntamente com o colégio apostólico, buscava fazer uma pausa necessária em uma casa que, muito provavelmente, pertencia a um judeu conhecido deles. Contudo, mesmo com toda a sua discrição e estando fora da área em que atuava ministerialmente, não pôde manter-se afastado do cumprimento de sua missão.

 

  1. Uma mulher procura Jesus.

O evangelista revela que a possibilidade de o Mestre passar incólume, e no anonimato, não foi possível “porque uma mulher cuja filha tinha um espírito imundo, ouvindo falar dele, foi e lançou-se aos seus pés” (v.25). A fama de Jesus havia extrapolado a Judeia e a Galileia (Mt 4.24; Jo 12.20-22). Isto era um fato. Não obstante, considerando o aspecto puramente histórico e a cultura da época, a situação dessa pessoa que procurara o Senhor em nada lhe era favorável, pois se tratava de uma mulher que, pela forma com que se colocara diante do Mestre, estava em flagrante desespero.

 

II – A REAÇÃO DE JESUS DIANTE DO PEDIDO DA MULHER

 

  1. A religião da mulher e sua naturalidade.

Devido ao domínio grego que outrora havia prevalecido na região, Marcos informa que a mulher era “grega”, isto é, uma legítima gentia nos costumes incluindo a religião que não era o judaísmo, e siro-fenícia de nação, ou seja, aqui sim o aspecto de sua naturalidade (v.26). Tal informação vem a calhar com os propósitos e os destinatários do Evangelho de Marcos que, como tradicionalmente tem sido defendido, são os romanos, isto é, cristãos de origem pagã. A narrativa neste caso seria, dentro do contexto do que anteriormente havia sido discutido (Mc 7.1-23), a demonstração concreta de que realmente não havia diferença entre judeu e gentio, pois não é o ritual que define a pessoa e sim o coração. Dessa forma, os ouvintes e leitores de Marcos deveriam ficar em paz, pois eram tão alvo do amor divino quanto os judeus.

 

 

  1. Um pedido desesperado.

A despeito de a cultura grega antiga ser conhecida não apenas por sua mitologia, mas também por causa de sua racionalidade e lógica (1 Co 1.22-25), essa mulher mostrava-se desesperada diante do fato de que sua filha estava dominada pelo demônio. De certa forma, o texto paralelo parece sugerir que juntamente com a possessão havia também enfermidade (Mt 15.28c). Portanto, não é de admirar que esta mulher estivesse extremamente aflita. Ela roga ao Senhor que expulse o espírito maligno de sua filha (v.26). Tal súplica indica que tudo que ela ouvira falar acerca do Mestre fora suficiente para produzir-lhe a confiança de que Ele poderia libertar sua filha.

 

  1. A curiosa resposta do Senhor.

Jesus responde de forma, no mínimo curiosa, à interpelação da mulher: “Deixa primeiro saciar os filhos, porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos” (v.27). Os intérpretes são unânimes a respeito do fato de que “filhos” trata-se de uma alusão aos judeus, enquanto que “cachorrinhos” refere-se aos gentios. Eles, todavia, se dividem quanto ao significado do texto. Há os que acreditam ser uma resposta dura, marcada pela distinção que o judeu faz entre ele e as demais pessoas, tratando muitas vezes os gentios como “cães”, enquanto outros defendem a ideia de que se trata de um “dito espirituoso” que pedia uma resposta igualmente “engenhosa”. Independentemente de qual delas é a correta, o fato é que o Mestre, no texto de Marcos, fala de precedência e não de exclusão. Ele deve atender primeiramente os judeus e posteriormente os demais. Contudo, como pode ser visto no prólogo do quarto Evangelho, foi justamente entre os gentios que sua obra acabou sendo mais proeminente (Jo 1.11-13).

 

III – UMA RESPOSTA SÁBIA E O RECEBIMENTO DO MILAGRE

 

  1. Uma surpreendente resposta.

Seja qual for a interpretação que se dê à resposta de Jesus, dura ou espirituosa, a verdade é que o clímax da passagem está na reação da mulher. De forma surpreendente ela respondeu a Jesus: “Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos” (v.28). A sábia resposta da mulher demonstrou que ela não apenas entendeu o que o Mestre disse, mas que, além disso, aceitou as posições apresentadas! De fato a resposta da mulher traz à mente uma cena bastante corriqueira: Uma grande mesa em que uma família banqueteia e, no entorno, cães de estimação, ou não, se deliciam com os restos que caem ou que são lançados. Digno de menção também é a expressão grega Kyrios ― (Senhor) ― que ela utiliza para dirigir-se a Jesus. Tal destaque é merecido porque está é a única ocorrência da expressão, como forma de confissão, em todo o Evangelho de Marcos. E ela não vem de um judeu, mas de uma gentia, uma mulher pagã que desde o momento que viu Jesus reconheceu seu senhorio, pois “lançou-se aos seus pés” (v.25).

 

  1. O elogio do Senhor e a concessão do milagre.

Se a resposta é surpreendente, não menos inesperado nessa narrativa é o fato de que é a siro-fenícia que dá o tom do assunto e acaba fazendo toda a diferença. Na verdade, ela decide o desfecho final, pois o Mestre, no texto paralelo, por exemplo, a elogia (Mt 15.28b), e aqui no texto de Marcos, Ele observa: “Por essa palavra, vai; o demônio já saiu de tua filha” (v.29). Ambas as narrativas não deixam margem alguma para dúvida, foi a resposta da mulher quem decidiu o final feliz desse episódio em que o Senhor parece colocar à prova a fé dessa mãe.

 

  1. A confirmação do milagre.

Chega a ser intrigante a confiança dessa estrangeira. Tal como o oficial do rei (Lc 7.1-10), ela não solicita que Jesus vá até a sua casa, mas apenas pede que o Senhor expulse o demônio de sua filha. Ela crê que, à distância, Jesus tem tanto poder que pode realizar esse milagre. De fato, Marcos encerra essa narrativa com fortes tons comprobatórios dizendo que “indo ela para sua casa, achou a filha deitada sobre a cama, pois o demônio já tinha saído” (v.30). Os comentaristas concordam em dizer que as expressões utilizadas indicam uma libertação total, ou seja, o espírito imundo não mais achou lugar e, por isso, não retornaria.

 

SUBSÍDIO

Jesus expulsa o demônio de uma jovem / 7.24-30

[...] 7.24 Jesus viajou cerca de trinta milhas até o território de Tiro, e depois de Sidom (7.31). Essas eram duas cidades portuárias localizadas no Mar Mediterrâneo e ao norte de Israel. Ambas praticavam um intenso comércio e eram muito ricas. Além disso, eram duas orgulhosas e históricas cidades cananeias. Na época de Davi, Tiro mantinha boas relações com Israel (2 Sm 5.11), mas logo depois a cidade tornou-se conhecida pela sua imoralidade. Seu rei até afirmava ser Deus (Ez 28.1ss.). Toda cidade se regozijou quando Jerusalém foi destruída em 586 a.C., porque sem a sua concorrência o comércio e os lucros de Tiro iriam aumentar. Provavelmente, Jesus e seus discípulos foram a esse território dos gentios pensando que lá seriam menos conhecidos e assim poderiam ter algum tempo de privacidade para descansar. Foram à casa de alguém (provavelmente o lar de um judeu que vivia nesse local) e não queriam que ninguém soubesse sobre sua chegada. Mas nem mesmo nesse território Jesus conseguiu manter sua presença em segredo” (Comentário do Novo Testamento. Aplicação Pessoal. Vol 1. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, pp. 235,236).

 

CONCLUSÃO

Uma das grandes lições deste episódio é que Jesus, ao aproximar-se da região gentílica, de certa forma permitiu-se ser interpelado, como de fato o foi, por alguém que não pertencia à nação de Israel. Tal atitude antecipa a abertura do Evangelho, a mensagem de salvação e o caminho de Deus aos que não tinham nenhuma esperança, isto é, a nós que, parafraseando Pedro, em outro tempo, não éramos povo, mas, agora, somos povo de Deus; que não tínhamos alcançado misericórdia, mas, agora, alcançamos misericórdia (1 Pe 2.10).

 

HORA DA REVISÃO

  1. Dentro do contexto, a narrativa da libertação da filha da siro-fenícia fora uma demonstração concreta de quê?

A demonstração concreta de que realmente não havia diferença entre judeu e gentio, pois não é o ritual que defi ne a pessoa e sim o coração.

 

  1. Quais são as duas opções interpretativas da resposta de Jesus à mulher?

Há os que acreditam ser uma resposta dura, marcada pela distinção que o judeu faz entre ele e as demais pessoas, tratando muitas vezes os gentios como “cães”, enquanto outros defendem a ideia de que se trata de um “dito espirituoso” que pedia uma resposta igualmente “engenhosa”.

 

  1. A sábia resposta da mulher traz à mente uma cena. Qual é?

Uma grande mesa em que uma família banqueteia e, no entorno, cães de estimação, ou não, se deliciam com os restos que caem ou que são lançados.

 

  1. O que foi decisivo para o desfecho final dessa história?

A resposta da mulher.

 

  1. Qual seria sua reação diante da resposta de Jesus?

Resposta pessoal.

 

 

 

Lição 14 - Deus continua Realizando Milagres

 

 Classe: Jovens – 3°Trimestre de 2018 | Data da Aula: 30/09/2018

TEXTO DO DIA

“E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos [...].” (At 5.12a)

SÍNTESE

Conforme prometido pelo Senhor Jesus Cristo, os sinais realizados por Ele foram também efetuados pelos apóstolos e tal igualmente deve ser uma realidade entre a igreja nos dias de hoje.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA – Lc 10.1-17: Os discípulos foram instrumentos de Deus nos dias de Jesus

TERÇA – Lc 10.18,19: Jesus concede poder aos discípulos

QUARTA – Lc 10.20: A verdadeira alegria do discípulo

QUINTA – Lc 10.23,24: O privilégio de contemplar o que outros não viram

SEXTA – At 5.12: Os apóstolos foram instrumentos de Deus após a ascensão

SÁBADO – Jo 14.11,12: Quem crê no Senhor realizará obras maiores

OBJETIVOS

  • REVISAR a realização da continuidade da missão de Jesus Cristo pela igreja;
  • AVALIAR os fatores impeditivos dos milagres;
  • REAFIRMAR a atualidade dos dons espirituais.

INTERAÇÃO

Chegamos ao final de mais um trimestre. O que alcançamos, quais objetivos atingimos? É comum e até mesmo salutar que façamos tais perguntas. Este trimestre, devido a sua temática, teve várias reflexões práticas, pois atualmente vivemos dois extremos no cristianismo, numa ponta do espectro temos uma completa extinção do sobrenatural e noutra uma banalização do sobrenatural. Ambas as posições são equivocadas, pois a espiritualidade sadia não coaduna com nenhum desses exageros. O primeiro descamba para o formalismo e o segundo para o fanatismo. Você certamente se recorda do propósito firmado na primeira aula desse trimestre, quando foi estabelecido o período de cinco minutos de oração intercessória. Certamente, alguns alunos já podem ter algum testemunho para contar. Oportunize neste momento que tais alunos se expressem e contem o que o Senhor realizou como resposta das orações.

 

 

 

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Quando algum assunto toma vulto, é comum falar-se muito a respeito sem necessariamente se ter conhecimento claro e domínio do tema, gerando adesão irrefletida. Aproveite a aula de hoje para esclarecer algo sobre uma posição teológica que muito tem crescido ultimamente. Conhecida como “cessacionismo”, ela consiste basicamente na ideia de que os dons e os milagres cessaram com a morte do último apóstolo. Biblicamente falando, tal posição é insustentável. Mas por que as pessoas aderem tal pensamento? Talvez seja justamente pela extinção do sobrenatural em alguns lugares e também pela banalização do mesmo sobrenatural noutros. Teologicamente, os defensores dessa posição repetem a ideia difundida pelo teólogo de Princeton, Benjamin Breckrenridge Warfi eld, seu proponente original, que no início do século passado disse que houve apenas três períodos em que os milagres foram comuns na história do relacionamento de Deus com seu povo: nos dias de Moisés e Josué, de Elias e Eliseu e de Cristo e seus apóstolos, ou seja, três períodos de duas gerações cada. Aprofunde um pouco mais a discussão com o auxílio dos subsídios.

 

TEXTO BÍBLICO

Marcos 16.15-20

15 E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.

16 Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.

17 E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas;

18 pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão.

19 Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e assentou-se à direita de Deus.

20 E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém!

 

INTRODUÇÃO

Após ter estudado alguns dos 35 milagres que os Evangelhos relatam que foram realizados pelo Senhor Jesus, cabe agora analisar o papel da igreja, a comunidade de discípulos que foi chamada a dar continuidade à obra do Mestre (Mt 28.19,20). Se conforme o texto de Hebreus 13.8, “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente”, algumas perguntas são inevitáveis: Por que, em alguns locais, os milagres parecem ter desaparecido? Existe alguma relação entre avanço científico, ascensão social e escassez de milagres, por exemplo? Qual tipo de mensagem tem sido pregada nos locais onde os milagres estão cada vez mais raros? Estas e muitas outras indagações são necessárias e pertinentes quando se trata de analisar a questão dos milagres e sua escassez, bem como também atualidade hodiernamente.

 

I – A CONTINUIDADE DA MISSÃO DE JESUS CRISTO PELA IGREJA

 

  1. A Grande Comissão.

É tradicionalmente conhecida como “Grande Comissão” a tarefa dada pelo Senhor Jesus Cristo aos seus discípulos e, por extensão, a toda a Igreja, a comunidade de fiéis que foi chamada para fora e que igualmente recebeu tal incumbência, qual seja, pregar, discipular e batizar (vv.15b,16 cf. Mt 28.19,20; Lc 24.47; Jo 20.21). Conquanto amplamente estudada, divulgada e conhecida, nunca é demais relembrar que a razão de ser da Igreja é justamente esta. Ao se anular ou suprimir tal missão, desfaz-se a imprescindibilidade da Igreja.

 

  1. Um elenco ou exemplos de sinais?

Além da Grande Comissão, o Senhor falou acerca dos sinais, que acompanharão aos que crerem (vv.17b,18). Longe de ser um elenco de sinais o que restringiria a livre atuação divina, estes são, certamente, exemplos de milagres que aconteceriam, mas obviamente que não se circunscreve a estes, pois se assim fosse, os apóstolos não teriam, por exemplo, ordenado que pessoas falecidas voltassem a viver (At 9.36-42; 20.7-12). Lamentavelmente, ouve-se dizer de verdadeiras imprudências cometidas por conta de distorções interpretativas, mas o fato é que devidamente entendido e aplicado, não há nenhum problema com o que diz o texto a respeito de “pegar” em serpentes, pois ainda em Atos 28.1-6 vemos um episódio envolvendo a questão. A alusão ao falar em “novas línguas”, símbolo do Pentecostes de Atos 2, também pode ser visto ainda nos momentos iniciais da Igreja do primeiro século. Aliás, as línguas estranhas são tão atuais hoje como ontem.

 

  1. A ascensão do Senhor e a cooperação divina.

Os últimos dois versículos resumem de forma brilhante os momentos finais dos seguidores do Senhor (v.19) e também os “atos dos apóstolos”, pois diz que “tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram” (v.20). É curiosa a maneira sumária e resumida como o texto limita-se a dizer o quão veraz foram as palavras do Mestre. Na realidade, ao obedecer a ordem de pregar “por todas as partes”, os discípulos receberam a contrapartida divina, ou seja, sua cooperação naquilo que, obviamente, não poderia ser realizado pelo ser humano. Tal exemplo sinaliza um padrão que deve ser observado, posto que a Grande Comissão preceitua justamente a obrigatoriedade de se pregar o Evangelho por todo o mundo e fazer discípulos. Uma vez observado tal método, certamente haverá cumprimento da parte do Senhor naquilo que lhe cabe.

 

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II – FATORES IMPEDITIVOS DOS MILAGRES

 

  1. A Escritura como padrão normativo.

Mesmo não sendo os destinatários originais do Evangelho de Marcos ― e de nenhum outro texto bíblico, é entendimento corrente que, como Palavra de Deus, a Bíblia é nossa regra de fé e prática (2 Tm 3.16,17). Portanto, a ordem de Jesus Cristo, transmitida de forma original e pessoalmente, é extensiva a todos nós, discípulos atuais (Mt 28.19,20; Mc 16.15,16; Lc 24.47; Jo 20.21). A partir desse entendimento, torna-se imprescindível verificar, na Escritura, o que é apresentado nas primeiras experiências dos discípulos do Senhor e na Igreja do primeiro século para delas extrair a práxis para a igreja atual. Neste tópico, a partir de tais exemplos, vamos examinar o que deve ser evitado.

 

  1. Falta de fé, ausência de disciplina e dedicação espirituais.

Um único episódio envolvendo os discípulos do Senhor ilustra o ponto do problema com a falta de fé, além da ausência de disciplina e dedicação espirituais. A narrativa encontra-se no Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (17.14-21) e relata que o Senhor, juntamente com três de seus discípulos, Pedro, Tiago e João―, desceram do monte em que ocorrera a transfiguração, e encontraram os demais junto à multidão. Um homem desesperado havia solicitado aos nove discípulos que expulsassem o demônio de seu filho; eles, porém, diz o texto paralelo, “disputavam” com alguns escribas (Mc 9.14). O Mestre, visivelmente desapontado, pede que tragam o menino até Ele, repreende o demônio “e, desde aquela hora, o menino sarou”. De forma particular, os discípulos quiseram saber o porquê de não terem conseguido expulsar o demônio, e Jesus então lhes disse que foi por “causa da pequena fé”.

 

O curioso é que o Senhor observou que se eles tivessem “fé como um grão de mostarda [...] nada vos será impossível”. Portanto, considerando a dimensão de uma semente de mostarda, a expressão eufemística do Senhor ao referir-se à “pequena fé” dos discípulos significava que eles não tinham fé alguma, pois se a tivessem como um pequeno grão de mostarda seria suficiente. Jesus ainda acrescentou que aquela “casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum”. Quem ora e jejua, via de regra, mortifica o seu eu e desenvolve um relacionamento mais íntimo com o Senhor. Note, entretanto, que quando o Mestre chega encontra os discípulos “disputando” com os escribas.

 

  1. Falta de compromisso e de relacionamento com o Senhor.

Lucas relata um caso instrutivo acerca de fatores que impedem a ocorrência de milagres. Em Atos 19.13-17, o médico amado narra o episódio em que sete exorcistas judeus, “filhos de Ceva, judeu, principal dos sacerdotes” gente que, do ponto de vista religioso, tinha “sangue azul”, “tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo:

 

“Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega”. Em tom irônico, Lucas afirma que o “espírito maligno disse: Conheço a Jesus e bem sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?”, e que, após dizer isso, o homem endemoninhado surrou-os “de tal maneira que, nus e feridos, fugiram daquela casa”. Tal episódio se passou em Éfeso durante a terceira viagem missionária do apóstolo dos gentios e o caso foi tão notório, que impressionou a todos os que residiam naquela importante cidade grega: “tanto judeus como gregos; e caiu temor sobre todos eles, e o nome do Senhor Jesus era engrandecido”. Tal exemplo denota que o nome de Jesus não pode ser utilizado de forma descompromissada, pois se não houver relacionamento com o Senhor, nenhuma garantia há de que funcionará invocar o seu nome. Por outro lado, o evangelista Marcos fala de um homem que expulsava demônios em nome do

Senhor Jesus, mas foi repreendido pelos discípulos. O Mestre, porém, os chamou a atenção para que não proibissem, pois certamente esse homem, apesar de não ser um dos apóstolos, era alguém que cria em Jesus e por isso Deus era com ele (Mc 9.38-40).

 

SUBSÍDIO

“[...] Sempre que o livro de Atos usa a expressão ‘sinais e maravilhas’ há referência a uma grande abundância de milagres feitos por aqueles que pregavam a Jesus. Quem se atarefa no ministério de sinais e maravilhas em Atos? Lucas diz-nos por duas vezes que os apóstolos faziam ‘muitos sinais e maravilhas’ (At 2.43 e 5.12). Quando ele nos ilustra os milagres apostólicos, limita-se a mostrar-nos os sinais operados através de Pedro e Paulo. A exceção são as maravilhas que aconteciam mediante Estevão

e Filipe.

 

Por que Lucas escolheu dois apóstolos e dois não-apóstolos para ilustrar o ministério dos sinais e maravilhas? Sem dúvida havia muitas histórias de milagres efetuados pelos outros apóstolos. Lucas, porém, as deixou de lado por não se ajustarem aos seus propósitos. Se fosse realmente seu objetivo ensinar-nos que o ministério dos sinais fosse distintamente apostólico, não teria ele dado mais atenção aos milagres dos demais membros do colégio apostólico? E, além do mais, teria suprimido as histórias de Estevão e Filipe. Se, como afirmam [Benjamin Breckrenridge] Warfield e seus descendentes teológicos, o propósito primário dos sinais e das maravilhas era autenticar os apóstolos, então por que Estevão e Filipe também os operaram?” (DEERE, Jack. Surpreendido pelo Poder do Espírito. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, pp. 222,223).

 

 

 

 

CONCLUSÃO

A tendência ao comodismo institucional não é algo típico dos tempos modernos. Ainda nos dias da Igreja do primeiro século, o grupo tornou-se estacionário e não queria cumprir àquilo que fora chamado a realizar. Lucas informa que Deus permitira uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém, de forma que todos foram dispersos pelas terras da Judeia e Samaria e nesta dispersão eles “iam por toda parte anunciando a palavra” tal como dissera o Senhor que deveria ser feito (At 8.1-3 cf. 1.8). Quem sabe não é exatamente isto que está faltando à igreja hoje?

 

HORA DA REVISÃO

  1. O que é a Grande Comissão?

É tradicionalmente conhecida como “Grande Comissão” a tarefa dada pelo Senhor Jesus Cristo ao seu colégio apostólico, discípulos e, por extensão, a toda a Igreja, a comunidade de fiéis que foi chamada para fora e que igualmente recebeu tal incumbência, qual seja, pregar, discipular e batizar (vv.15b,16 cf. Mt 28.19,20; Lc 24.47; Jo 20.21).

 

  1. O texto de Marcos 16.17,18 trata-se de um elenco de sinais ou exemplos de sinais?

Longe de ser um elenco de sinais  o que restringiria a livre atuação divina, estes são, certamente, exemplos de milagres que aconteceriam, mas obviamente que não se circunscreve a estes, pois se assim fosse, os apóstolos não teriam, por exemplo, ordenado que pessoas falecidas voltassem a viver (At 9.36-42; 20.7-12).

 

  1. Por que os discípulos não puderam expulsar o demônio do menino?

Por “causa da pequena fé” deles.

 

  1. Basta apenas citar o nome de Jesus para que os demônios sejam expulsos?

Não, pois o nome de Jesus não pode ser utilizado de forma descompromissada, pois se não houver relacionamento com o Senhor, nenhuma garantia há de que funcionará invocar o seu nome.

 

  1. Você crê que os milagres são para hoje? Justifique sua resposta.

Resposta pessoal.