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Lições jovens CPAD 3 TRIM-2019 TODAS LIÇÕES
Lições jovens CPAD 3 TRIM-2019 TODAS LIÇÕES

 

 

TODAS LIÇÕES DO  3 TRIMESTRE 2019 JOVENS

 

 

Lição 1 - As cartas de Pedro: vivendo em esperança e firmados na verdade

Classe: Jovens | Trimestre: 3° de 2019 | Revista: Professor | TEXTO DO DIA

"Amados, escrevo-vos, agora, esta segunda carta, em ambas as quais desperto com exortação o vosso ânimo sincero."

(2 Pe 3.1)

SÍNTESE

As Cartas de Pedro foram escritas com o propósito de encorajar os cristãos em tempos de provação e a se manterem firmes na verdade diante dos falsos ensinamentos.

 

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA - Jo 1.40-42: Pedro conhece Jesus

TERÇA - Mt 4.18-20: Chamado para ser pescador de homens

QUARTA - Mc 3.13-19: A nomeação de Pedro entre os doze

QUINTA - Jo 18.10,11: Um homem impulsivo

SEXTA - Jo 21.15: A ordem para apascentar as ovelhas

SÁBADO - At 2.14: Um líder no poder do Espírito Santo

 

Objetivos

I - APRESENTAR o perfil de Simão Pedro, autor das epístolas;

II - EXPOR sobre a ocasião e o conteúdo da primeira Carta;

III - APRESENTAR  o conteúdo da Segunda Carta.

 

Interação

Neste trimestre estudaremos as Epístolas universais do apóstolo Pedro, assim chamadas porque são dirigidas à comunidade cristã como um todo. O apóstolo conclama os crentes a recordarem o que haviam aprendido, crescerem no conhecimento de Deus e a se manterem firmes na Palavra da Verdade. Certamente, o estudo destes dois fragmentos do Novo Testamento será muito proveitoso para a nossa juventude que vive em um contexto pós-moderno, numa época de desespero, desânimo e engano.

 

O comentarista da lição é o professor Valmir Nascimento Milomem Santos. Ele é ministro do Evangelho em Cuiabá/MT, jurista e mestre em Teologia. É membro da diretoria do Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR) e escritor com várias obras publicadas pela CPAD.

 

 

 

Orientação Pedagógica

Prezado(a) professor(a), esperamos que esteja animado para o novo trimestre que se inicia. Nesta lição introdutória, destaque a relevância da mensagem das cartas de Pedro para os nossos dias, precisamente na vida do jovem cristão. Apresente uma síntese e o esboço do conteúdo das Epístolas conforme o esquema abaixo:

 

1 PEDRO

Na Primeira Epístola de Pedro, Jesus é proeminente como exemplo de sofrimento inocente e como aquEle cuja ressurreição e volta para a glória confirmam a nossa própria esperança. Esta Carta vigorosa continua a inspirar os crentes que sofrem perseguições por causa da fé comum.

  1. A Dádiva da Salvação (1 Pe 1.1 - 2.10)
  2. O Chamado à Submissão (1 Pe 2.11 - 3.12)

III. Soberania e Sofrimento (1 Pe 3.13 - 4.6)

  1. A Perspectiva da Glória (1 Pe 4.7 - 5.14)

 

2 PEDRO

A grande importância da Segunda Epístola  está no convite do apóstolo para que resistamos aos falsos ensinamentos, crescendo em santidade, enquanto esperamos pelo retorno prometido de Jesus Cristo.

  1. As qualidades de um cristão (2 Pe 1)
  2. Os Falsos Mestres (2 Pe 2)

III. O Retorno de Cristo (2 Pe 3)

 

 

 

Texto bíblico

 

1 Pedro 1.1,2; 5.12; 2 Pedro 1.1; 3.1,2

1 Pedro 1

1        Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia,

2        eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: graça e paz vos sejam multiplicadas.

 

1 Pedro 5

12      Por Silvano, vosso fiel irmão, como cuido, escrevi abreviadamente, exortando e testificando que esta é a verdadeira graça de Deus, na qual estais firmes.

 

2 Pedro 1

1        Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo:

 

2 Pedro 3

1        Amados, escrevo-vos, agora, esta segunda carta, em ambas as quais desperto com exortação o vosso ânimo sincero,

2        para que vos lembreis das palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas e do mandamento do Senhor e Salvador, mediante os vossos apóstolos.

 

INTRODUÇÃO

Neste trimestre estudaremos a respeito da concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a Depois de Jesus, sobressai, nos Evangelhos, a figura de Pedro, o pescador inconstante e temperamental, a quem o Mestre convocou para ser um dos seus doze apóstolos. Foi preciso que o Senhor trabalhasse e moldasse o caráter desse homem para transformá-lo num líder destemido e pastor amoroso, que viria a liderar os primeiros cristãos. É este homem transformado que agora vive não pelo ímpeto, mas no poder do Espírito, que escreveu as duas epístolas que levam o seu nome nas páginas no Novo Testamento. Apesar do tempo, o conteúdo de ambas continua relevante. Seus conselhos e exortações compõem uma mensagem poderosa e revigorante para os cristãos do tempo presente. Escritas em tempos de perseguição ao povo de Deus e disseminação de ensinos enganosos, essas epístolas deixam transparecer o sentido da esperança cristã, uma esperança viva e eficaz que, além de nos preparar para o porvir, nos fortalece, encoraja e nos orienta para vivermos plenamente a fé cristã nesta era de descrença e desespero, enquanto esperamos o retorno do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

 

 

 

I - SIMÃO PEDRO, O AUTOR DAS EPÍSTOLAS

 

  1. Servo e apóstolo de Cristo.

Inegavelmente, as duas epístolas que trazem o seu nome foram escritas por Simão Pedro, também chamado Cefas, a quem Jesus chamou para ser um dos seus apóstolos. Conquanto tenha havido ao longo da história algum questionamento sobre a sua autoria, principalmente a respeito da Segunda Carta, não existe qualquer evidência que a contrarie. Além de o autor identificar-se com o apóstolo (1 Pe 1.1; 2 Pe 1.1), o conteúdo e o caráter da mensagem apóiam a sua autenticidade, tendo sido reconhecida por muitos pais da igreja, a exemplo de Irineu, Tertuliano, Clemente de Alexandria e Orígenes. A diferença no estilo de redação entre as duas missivas (cartas), atribui-se ao fato de a primeira ter sido redigida com a ajuda de Silvano (1 Pe 5.12), também chamado Silas, o companheiro das viagens de Paulo (At 15.40; 17.15).

 

  1. Um homem renovado e cheio do Espírito.

Para entendermos a importância dessas Epístolas, vale destacar que o seu autor foi um dos principais personagens do Novo Testamento. Pedro e seu irmão, André, eram pescadores no mar da Galileia (Mt 4.18; Mc 1.16) e parceiros de Tiago e João (Lc 5.10). Desde o início da sua chamada, Pedro assumiu certa proeminência e liderança entre os demais discípulos. Servia regularmente como o porta-voz deles, e é mencionado em primeiro lugar em todas as listas (Mt 14.28; 15.15; 18.21; 26.35,40; Mc 8.29; 9.5; 10.28; Jo 6.68). Apesar das virtudes e boas intenções, Pedro era também impulsivo e instável. Passou por uma derrota pessoal dolorosa ao negar Jesus veementemente (Mt 26.69-74). Todavia, de um pescador simples, temperamental e inconstante, Deus o transformou em um destemido líder da Igreja Primitiva e um dos principais da história do cristianismo.

 

A sublime mudança faz-se evidente no Dia de Pentecostes (At 2), ocasião em que o apóstolo pregou o seu primeiro sermão no poder do Espírito. French Arrington diz: "Inspirado pelo Espírito, o sermão e caráter de Pedro ficam em contraste com suas negações do Senhor (Lc 22.54-62). Depois do derramamento do Espírito, ele se torna corajoso e ousado. Seu primeiro sermão reflete suas convicções claras. Ele já não tem dúvida sobre o Salvador e a missão do Salvador, e interpreta o significado da vida e ministério de Jesus."

 

 

 

 

  1. Cartas de experiência.

Fica evidente que as Epístolas de 1 e 2 Pedro foram escritas por um homem com rica experiência com Deus. Sua mensagem é afetuosa, seu tom é humilde e sua preocupação é legítima. Expressa a ternura e zelo de um pastor com seu o rebanho, que buscava pôr em prática a ordem direta que recebeu de Cristo (Jo 21.15). Sua experiência de arrependimento e renovação espiritual é um aspecto que inspira esperança na vida daqueles que, por um motivo ou outro, não se acham capazes de vencer suas fragilidades e superar seus reveses. Da mesma forma que Pedro teve a sua vida restaurada após um fracasso espiritual, Deus também é suficientemente capaz de prover uma cura interior e mudar o rumo da história daqueles que fraquejaram na caminhada.

 

II - PRIMEIRA CARTA DE PEDRO: ALEGRIA E ESPERANÇA EM TEMPOS DE PROVAÇÃO

 

 

 

  1. Destinatários.

Pedro direciona sua primeira Epístola aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia; cinco províncias da Ásia Menor à época pertencente ao Império Romano, atualmente parte da Turquia. É consenso que a sua audiência era formada pelas comunidades cristãs espalhadas nesta região, incluindo não somente judeus convertidos como também cristãos de origem gentílica. Embora Pedro utilize várias referências judaicas, a exemplo de diáspora - termo usado para os judeus que viviam fora da Terra de Israel, e apelar às profecias do Antigo Testamento que haviam se cumprido, a Carta também contém uma linguagem que fala diretamente aos gentios convertidos. O apóstolo afirma que foram  "resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais" (1.18), e que "em outro tempo, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia" (2.10).

 

  1. Ocasião e propósito.

Não é possível saber com exatidão a data em que a Carta foi escrita, por isso os estudiosos a situam entre 60-63 d.C. Percebe-se claramente que os cristãos da época não viviam em condições favoráveis; as circunstâncias e o tom da Epístola deixam transparecer que os crentes estavam padecendo provações e sofrimentos em inúmeros contextos. A religião dos cristãos ainda era  considerada como uma pequena seita, composta de uma minoria que vivia oprimida e à margem da sociedade. Por diversas razões, o padrão de vida dos crentes não era aceito pelos costumes da época; não se adequava nem ao judaísmo, nem ao paganismo greco-romano, por isso os cristãos eram injustiçados e até mesmo acusados de serem ateus, pois rejeitavam os deuses pagãos e adoravam um Deus Único. Todavia, ao que tudo indica, não se tratava ainda de uma perseguição oficial, notadamente aquela que viria a ser promovida pelo imperador Nero a partir de 64 d.C, após atribuir a causa do grande incêndio em Roma aos seguidores de Cristo. Na verdade, Pedro parece estar preparando a comunidade cristã para esta prova ardente que estava por vir (4.12), na qual ele próprio viria a ser martirizado. Assim, diante desse contexto difícil, Pedro escreve esta Epístola com a intenção de encorajar os cristãos a manterem a esperança em tempos de provações e desfrutar alegria nas adversidades.  Não é de estranhar que Pedro seja chamado de o "apóstolo da esperança", pois ele insiste que a despeito de tudo, em Cristo temos uma esperança viva, que nos ensina a viver o tempo presente e a descansar em Deus na jornada para o céu.

 

  1. Inspiradora, doutrinária e instrutiva.

A Primeira Carta de Pedro é um documento único e abrangente. Ela é devocionalmente inspiradora, teologicamente doutrinária e ricamente instrutiva. Ensina a respeito de vários princípios fundamentais da fé, e ao mesmo tempo contém valiosos conselhos para o viver diário. Como teremos a oportunidade de estudar ao longo do trimestre, Pedro se dirige a grupos específicos dentro da comunidade cristã, dentre os quais servos, esposas, esposos, jovens, idosos e líderes, fazendo surgir um guia abrangente sobre diversos assuntos éticos e doutrinários. Os temas tratados englobam, além de outros, a obra da salvação, graça, perseguição, sofrimento de Cristo, santidade, integridade, vida familiar, relacionamento conjugal, relação com o governo, convivência cristã e liderança. Certamente será muito proveitoso e enriquecedor estudar cada um desses temas no decorrer do trimestre.

 

III - SEGUNDA CARTA DE PEDRO: CRESCIMENTO ESPIRITUAL  E FIRMEZA NA VERDADE

 

 

 

  1. Destinatários.

No início de sua Segunda Epístola Pedro registra quem são os seus destinatários: "(...) aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo" (2 Pe 1.1). É provável que estes crentes em Cristo fossem os mesmos a quem a Primeira Carta fora destinada, conforme se depreende do que o autor registra em 3.1. Portanto, Pedro está escrevendo para uma comunidade cristã heterogênea, composta de judeus e gentios convertidos ao Evangelho, incluindo escravos, esposas com maridos pagãos, jovens e anciãos (1 Pe 2.13;3.1;5.5). Conquanto não tivessem visto o Senhor (1 Pe 1.8), e embora tivessem passado por diversas provações, estes irmãos haviam alcançado uma fé preciosa.

 

  1. Ocasião e propósito.

Quando foi escrita a segunda Carta de Pedro? Considerando que Nero, o algoz do apóstolo, morreu em 68 d.C, a maioria dos estudiosos colocam a data da escrita entre 65-67 d.C. Embora o público seja o mesmo da Primeira Epístola, as circunstâncias e propósitos são bastante distintos. Na primeira, a comunidade cristã passa por severa provação advinda de fora da igreja. Na ocasião da Segunda Epístola, os perigos são internos, por causa dos ensinos heréticos que estavam sendo disseminados dentro dela. Chegou ao conhecimento do apóstolo que falsos mestres haviam se introduzido entre os irmãos e estavam distorcendo a verdade do Evangelho, produzindo heresias de perdição (2Pe 2.1).

 

Entre outros ensinamentos insidiosos, os falsários da fé negavam a divindade e a volta gloriosa de Cristo. Além da falsa doutrina, apregoavam também o falso comportamento, pelo qual induziam os crentes a abandonarem o padrão de vida santa e piedosa. Diante disso, com coragem e tenacidade Pedro escreve esta Segunda Carta com a intenção de advertir os cristãos sobre os falsos ensinadores e incentivá-los a crescerem na fé e no verdadeiro conhecimento de Deus. Pedro está dizendo para os cristãos ficarem firmes na chamada de Deus, agir com diligência e empenho, aguardando confiantemente o cumprimento da promessa do retorno do Filho de Deus!

 

  1. Verdade e esperança.

Esta Segunda Carta complementa de uma forma extraordinária a Primeira Epístola do apóstolo Pedro. Enquanto na carta inaugural somos instruídos a viver com esperança, alegria e santidade em tempos de provação, na segunda somos advertidos a não esquecer a vocação e as verdades da Palavra de Deus numa época de falsidade religiosa. Uma prepara e inspira, a outra diz: agarre-se à verdade e mantenha-se firme nela. Juntas, elas ensinam que esperança e verdade devem andar juntas no caminho da fé. A esperança sem a verdade é mero otimismo humano, e verdade sem esperança é religiosidade vazia. É exatamente essa junção que faz com tenham um propósito comum: despertar o ânimo sincero dos crentes (2 Pe 2.1).

 

SUBSÍDIO

 

"Pedro trata seus leitores como se estivessem exilados e dispersos, numa clara referência à dispersão dos judeus por todas as nações do mundo. Mas em 1 Pedro 1.14; 2.10-12; 4.2-4, esta mesma expressão é aplicada às igrejas gentias. Embora isto não parecesse uma honra aos olhos do mundo, identificava-as como povo escolhido de Deus; "eleitos" (separados para servir), "de acordo com a presciência de Deus Pai". Essa separação não precisa ser interpretada como predestinação arbitrária. Israel tornara-se um povo escolhido não por um afago todo especial de Deus, ou para ser-lhe a possessão favorita (At 10.34), mas para servi-lo (Is 41.8). Os israelitas, pois, foram separados, ou eleitos, a fim de preparar o mundo à vinda de Cristo, e para ser uma bênção a "todas as famílias da terra" (Gn 12.3). Vejo a escolha do filhos de Israel como a dos comandos aliados na Segunda Guerra Mundial. A missão destes era justamente estabelecer cabeças-de-praia em território inimigo para que os outros pudessem avançar. Mais uma vez a presciência de Deus tem de prevalecer, não tanto em seu conhecimento em relação a nós, mas em relação aos seus próprios planos e objetivos. Isto é sentido na esfera da santificação pelo Espírito, e é efetuado através do sangue de Cristo pela demonstração de nossa obediência.

É muito importante, pois, que nós, como estrangeiros, exilados e residentes neste mundo, lembremo-nos de quem realmente somos" (HORTON, Stanley M. 1 e 2 Pedro: A Razão da nossa Esperança. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp. 12,13).

 

CONCLUSÃO

 

As Cartas de Pedro, escritas em meados do primeiro século da Era Cristã, porque inspiradas pelo Espírito Santo, continuam a fornecer uma mensagem de esperança em tempos de desespero, e uma palavra de crescimento e firmeza na Verdade para uma era de ceticismo e de falsas religiões. Ambas contém riquezas doutrinárias e instruções precisas para vivermos em diferentes situações da vida. Por essa razão, temos à nossa disposição um conjunto de ensinos que nos ajudarão como cristãos em tempos-modernos.

 

HORA DA REVISÃO

1) Segundo a lição, a que se atribui a diferença de redação entre as duas Cartas?

Atribui-se ao fato da primeira ter sido redigida com a ajuda de Silvano (1 Pe 5.12), também chamado Silas, o companheiro das viagens de Paulo (At 15.40; 17.15).

 

2) Quem era a audiência da Primeira Carta de Pedro?

É consenso que a sua audiência era formada pelas comunidades cristãs espalhadas nesta região, incluindo não somente judeus convertidos como também cristãos de origem gentílica.

 

3) Qual o período provável em que a Primeira Carta foi escrita?

Entre 60-63 d.C.

 

4) Qual a intenção da Segunda Carta de Pedro?

Pedro escreve a Segunda Carta com a intenção de advertir os cristãos sobre os falsos ensinadores e incentivá-los a crescerem na fé e no verdadeiro conhecimento de Deus.

 

5) Qual o propósito comum das duas cartas

Despertar o ânimo sincero dos crentes (2 Pe 2.1).

 

 

Lição 2 - Desfrutando a Alegria na Esperança da Salvação

Classe: Jovens | Trimestre: 3° de 2019 | Revista: Professor | TEXTO DO DIA

"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos."  (1 Pe 1.3)

 

SÍNTESE

A salvação em Cristo produz esperança legítima e alegria verdadeira, e capacita espiritualmente o crente a enfrentar os sofrimentos e desafios deste mundo.

 

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA - Rm 8.24: Em esperança fomos salvos

TERÇA - Rm 4.18: Esperando contra a esperança

QUARTA - Hb 10.23: Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança

QUINTA - Tt 3.5: Lavados pela regeneração

SEXTA - Fp 4.4: Alegrai-vos no Senhor

SÁBADO - Hb 2.3: Atentando para a salvação

 

Objetivos

I - SABER que o cristão foi regenerado para uma esperança viva;

II - DESTACAR a alegria decorrente da salvação;

III - RESSALTAR que a salvação em Cristo é o fim da nossa fé.

 

 

 

Interação

Como você anima e inspira uma pessoa que se encontra em um momento de dificuldade? Dando esperança a ela! É exatamente isso o que Pedro trata de fazer logo no início de sua Carta. Todavia, a mensagem de Pedro não se baseia no otimismo humano, resultado da utopia terrena ou da confiança pessoal. É uma esperança viva, decorrente da nova vida em Cristo. Essa é a razão pela qual Pedro é chamado de o apóstolo da esperança. Ainda hoje, o teor da Carta em estudo permanece relevante. A pós-modernidade, época em que vivemos, é marcada pelo desespero, ausência de sentido e vazio existencial. Nesse período em que os valores propagados pelo cristianismo bíblico são sistematicamente atacados, encontramos no texto do apóstolo Pedro uma mensagem verdadeiramente esperançosa. A salvação produz esperança legítima e alegria verdadeira, e capacita espiritualmente o crente para enfrentar os sofrimentos e desafios deste mundo.

 

 

 

Orientação Pedagógica

 

Prezado(a) professor(a), o educador por excelência deve ser capaz de contextualizar o ensino para o seu próprio tempo. Segundo Silas Daniel, "o princípio da contextualização consiste em aplicar um texto bíblico à nossa realidade, e para isso é preciso pinçar fatos seculares para submetê-los ao escrutínio da Palavra de Deus.". Desse modo, na presente lição, além de proporcionar aos alunos uma visão sobre a situação do mundo na época em que a Carta foi escrita, devemos aplicar o ensinamento para os nossos dias. Para isso, é recomendável destacar as características do tempo presente denominado de pós-moderno, enfatizando que por ser atemporal, as Escrituras oferecem respostas contundentes para os desafios de hoje.

 

TEXTO BÍBLICO

 

1 Pedro 1.3-12

3        Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,

4        para uma herança incorruptível, incontaminável e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós

5        que, mediante a fé, estais guardados na virtude de Deus, para a salvação já prestes para se revelar no último tempo,

6        em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações,

7        para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo;

8        ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso,

9        alcançando o fim da vossa fé, a salvação da alma.

10      Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada,

11      indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir e a glória que se lhes havia de seguir.

12      Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, para as quais coisas os anjos desejam bem atentar.

 

INTRODUÇÃO

 

Como tivemos a oportunidade de estudar na primeira lição, o contexto em que a Primeira Carta de Pedro foi escrita era desolador para os cristãos. Além de serem menosprezados socialmente, como se fossem uma classe inferior, exatamente por repudiaram a cultura e os costumes da época, os seguidores de Cristo eram hostilizados e violentamente perseguidos, principalmente por cidadãos e vizinhos não crentes. Esse contexto desfavorável fazia brotar no coração daqueles cristãos sentimentos de marginalização, desprezo e até mesmo desânimo. Era preciso revigorar neles a esperança viva e a alegria verdadeira decorrentes da salvação em Cristo. Pedro faz isso logo no início da sua Carta, tema do estudo de hoje!

 

 

 

I - GERADOS PARA UMA VIVA ESPERANÇA

 

  1. Vida nova, esperança viva.

Pedro introduz sua Carta com um ato de gratidão, bendizendo a Deus por ter nos gerado novamente para uma viva esperança (1.3). Ninguém é capaz de nascer espiritualmente pelos seus próprios méritos (Jo 3.3-9). Fomos regenerados e temos entrada na vida cristã, por causa da misericórdia divina. É a partir do reconhecimento desta graça que o crente deve encontrar sua identidade e encarar os dilemas da vida. Isso nos instiga a não olharmos o mundo e as lutas diárias pela perspectiva do velho homem, que é dominado pelo pecado e sufocado pelo mundo, e que só conduz ao desespero e desânimo. Em vez disso, temos agora uma esperança viva. Muito mais que uma expectativa que pode enfraquecer com tempo, esta esperança é cheia de vida, sempre renovada, que se fundamenta na confiança inabalável em Deus. A esperança cristã não é um conceito teórico ou o mero otimismo humano; é a confiança plena na providência divina. Ela implica tanto esperar confiantemente o futuro preparado pelo Senhor, quanto vivenciá-la hoje como um estilo de vida. Portanto, a esperança dos crentes não é algo que diz respeito somente à vida eterna, mas como desfrutamos dela no tempo presente.

 

  1. Porque Ele vive, podemos crer.

Não é sem sentido que esta nova vida em esperança, escreve Pedro, se deu "pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos" (v.3). Este acontecimento histórico é a base da confiança dos salvos. Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e fé (1 Co 15.14). Mas, uma vez que Ele ressurgiu dentre os mortos ao terceiro dia, podemos confiar. Como diz a bela letra do Hino 545: "Porque Ele vive, posso crer no amanhã. Porque Ele vive, temor não há. Mas eu bem sei, eu sei que a minha vida. Está nas mãos do meu Jesus, que vivo está".

 

Muitas pessoas se frustram por depositarem as esperanças no dinheiro, na política ou na capacidade humana, pois tudo isso não passa de ilusão. Enquanto o ceticismo, o ateísmo, o existencialismo e as demais filosofias humanas que emergem da pós-modernidade não conseguem fornecer um fundamento de esperança real para as pessoas, a fé cristã, com os olhos voltados para a cruz, dá significado e perspectiva de futuro a todos quantos recebem a salvação em Cristo.

 

 

 

  1. Uma herança superior.

A seguir, o "apóstolo da esperança" revela que a salvação aponta para uma herança sublime, com três atributos especiais: ela é incorruptível, incontaminável e não pode murchar (v.4). Trata-se de uma herança incomparável, imensamente mais valiosa que os bens e os tesouros deste mundo, os quais perecem, são maculados e desintegram facilmente (Tg 5.1-3; Lc 12.19,20). Por meio desta palavra, o Espírito de Deus quer mostrar ao cristão quão precioso é estar em Cristo e aguardar nEle as bênçãos celestiais da salvação (Cl 3.24; Ef 1.18).  Deus nos concedeu uma herança indestrutível que nem o mundo ou as condições desfavoráveis podem abalar.

 

Pense

Não confunda autoajuda com esperança cristã. Pela autoajuda, o homem olha para dentro de si em busca de respostas. Na esperança, olhamos para Jesus, autor e consumador da fé.

 

Ponto Importante

A fé cristã dá significado à vida e perspectiva de futuro a todos quantos recebem a salvação em Cristo.

 

II - A ALEGRIA DA SALVAÇÃO

 

 

 

  1. Alegria no sofrimento.

A salvação não produz somente uma herança futura, mas também alegria presente (v.6). Enquanto vive nesta terra, o cristão pode desfrutar de todas as suas bênçãos, inclusive a alegria verdadeira (Sl 35.9; 68.3; 1 Ts 5.16). Esta alegria não se confunde com um estado de euforia ou com um sentimento de prazer passageiro. A alegria resultante da salvação não é um fim em si mesma, mas sim o contentamento que advém da transformação interior e da comunhão que o crente tem com Deus. É uma alegria espiritual profunda (Lc 1.46,47; At 16.34; 1 Pe 4.13). Isto não significa de modo algum que o cristão esteja isento de passar por momentos difíceis na vida. Pelo contrário, até importa, diz Pedro, estar contristados com várias provações. Seu objetivo era preparar e encorajar o coração daqueles irmãos para os momentos de turbulência.

 

O homem sem Deus persegue sem sucesso algum tipo de alegria para a sua vida. Mas, alegria não pode ser achada; nós que somos achados por ela.

 

  1. A fé que é provada.

As perseguições que os cristãos daquela época suportaram eram intensas devido ao compromisso com Cristo. Pedro tinha convicção disso, assim como sabia que a tendência da perseguição era aumentar com o tempo. Considerando que os valores de Cristo se contrastam com os do mundo, os discípulos de Jesus serão hostilizados e perseguidos sempre que se mantiverem fiéis aos ensinos do Mestre. Em nossos dias, apesar de possuirmos uma ampla liberdade religiosa, todo aquele que se submete ao senhorio de Cristo também é passível de ser hostilizado, perseguido ou tratado com indiferença. Apesar de tudo, não devemos nos sentir atemorizados, pois sabemos que Deus está conosco em qualquer circunstância. Além disso, o sofrimento do crente por causa do Evangelho é proveitoso. Em outras palavras, o sofrimento do cristão é uma forma de testar a sua fé. Assim como o ouro é provado e depurado pelo fogo, reluzindo ainda mais, a provação na vida do crente ajuda a remover as impurezas e redunda em louvor, honra e glória.

 

  1. Cristo, o motivo da alegria cristã.

O júbilo do cristão está alicerçado em Cristo, mediante a fé (v.5). Ele é a razão da nossa alegria. Da mesma maneira que os destinatários da carta não chegaram a ver Jesus pessoalmente, mas o amavam e nEle se alegravam, assim somos nós. Enquanto o mundo valoriza e se satisfaz somente com aquilo que se pode ver e tocar, submersos nessa cultura materialista e hedonista, o jovem cristão exulta por causa da fé! Mas não se trata de um pensamento positivo, mas uma fé com firme fundamento e convicção profunda (Hb 11.1), que produz uma alegria inefável e repleta de glória.

 

Pense

À luz das Escrituras, a alegria não é uma conquista, é uma dádiva. O ser humano pode forçar um sorriso, mas somente a graça de Deus proporciona contentamento ao coração.

 

Ponto Importante

A salvação não produz somente uma herança futura, mas também alegria presente. Então, desfrute-a!

 

III - A MARAVILHOSA SALVAÇÃO

 

  1. O propósito da fé.

Apesar do contentamento que o cristão pode desfrutar nesta terra, o propósito central da fé é a salvação da alma (v.9). Os leitores da epístola, assim como nós, não poderiam perder o foco da redenção proporcionada por Cristo Jesus. Afinal, tanto no Velho quanto no Novo Testamento a doutrina da salvação ocupa um lugar especial nas Escrituras, tendo sido tratada de maneira diligente pelos profetas que falaram desta graça. É essencial, portanto, atentarmos para esta tão grande salvação, como bem alerta a Carta aos Hebreus (Hb 2.3). Isso significa valorizar a morte dolorosa e vicária de Cristo no Gólgota, assim como exercê-la com temor e tremor (Fp 2.12), com uma conduta digna de alguém que foi justificado e absolvido da condenação eterna. 

 

  1. A salvação é pela graça.

O verso 10 deixa transparecer que a salvação é pela graça (gr. charis). É esta benevolência da parte de Deus que possibilita ao homem ter os seus pecados perdoados e o nome escrito no Livro da Vida. O apóstolo Paulo também reforça esta verdade ao escrever: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8). A salvação, nesse sentido, não se deve ao mérito, às obras ou à capacidade do homem (Rm 11.6). A graça salvadora é uma bênção abrangente. Além de ser uma provisão do Senhor para com o indigno transgressor da sua lei (cf. Rm 3.9-26), ela convida, convence, e capacita o pecador a ir ao encontro de Cristo. Mas não se trata de uma força irresistível, como defende certo segmento religioso, até porque isso seria um contrassenso. A graça de Deus é uma oferta benevolente, cabendo ao pecador, de maneira voluntária, aceitá-la ou não.

 

  1. A salvação profetizada.

Seguindo seu raciocínio, Pedro destaca que a vinda de Cristo era um cumprimento profético. As dores e a glória do Filho de Deus já haviam sido reveladas aos profetas, por meio do Espírito Santo. Com efeito, da mesma maneira que o sofrimento se cumpriu, a glória também há de ser efetivada. Esta confiança está alicerçada no fato de que a Palavra de Deus não volta vazia (Is 55.11).

 

Pense

O crente não foi salvo para ser feliz. É feliz porque é salvo!

 

Ponto Importante

Apesar do contentamento que o cristão pode desfrutar nesta terra, o propósito central da fé é a salvação da alma.

 

SUBSÍDIO

"Nascer de novo (1 Pe 1.17-25)

Jesus quem disse isso primeiro: "Necessário vos é nascer de novo" (Jo 3.7). Mas Pedro pode nos dar a melhor explicação, encontrada nas Escrituras, do impacto do nascer de novo. Em uma passagem curta e vigorosa, ele falou sobre o custo na nossa nova vida, da sua natureza e da diferença que ela faz. O "custo" é o precioso sangue, o preço pago para que possamos ter uma nova vida. Por natureza, a nossa vida é imperecível. E a diferença que isso faz é tão grande quanto a diferença entre a noite e o dia.

 

  1. B. Philips nos ajuda a compreender a natureza da nossa nova vida em sua paráfrase de 1 Pedro 1.23: "Deus nos deu a sua própria herança indestrutível". A nossa vida é a própria vida de Deus, fundida permanentemente à nossa personalidade humana. Toda carne é como a erva, perecível. A nova vida que recebemos de Deus é permanente, uma fonte inesgotável de existência e vitalidade espiritual" (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Devocional da Bíblia. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 964).

 

 

 

CONCLUSÃO

 

Como aprendemos nesta lição, na primeira seção da sua carta, Pedro leva aos seus leitores uma mensagem de ânimo e confiança em Deus. Mesmo enfrentando perseguições, estes crentes podiam se lembrar da graça de Deus e continuar a viver conforme a sua vontade. "Desfrutem da alegria na esperança da salvação" é a mensagem de Pedro que ecoa na primeira seção da sua epístola. Assim como os irmãos daquela época, somos inspirados pela Palavra a encontrarmos a legítima alegria que advém da nova vida em Cristo. Em tempos de desânimo e desespero, os salvos têm razões para viver de maneira esperançosa e alegre.

 

HORA DA REVISÃO

 

1) Como o apóstolo Pedro introduz a sua Carta?

Com um ato de gratidão, bendizendo a Deus por ter nos gerado novamente para uma viva esperança.

 

2) Quais as características da herança dos salvos?

Ela é incorruptível, incontaminável e não pode murchar (1.4).

 

3) Com o que a alegria decorrente da salvação não se confunde?

Não se confunde com um estado de euforia ou com um sentimento de prazer passageiro.

 

4) De acordo com a Primeira Carta de Pedro, qual o propósito da nossa fé?

A salvação da nossa alma (1.9).

 

5) Por que a graça de Deus é uma bênção abrangente?

Além de ser uma provisão do Senhor para com o indigno transgressor da sua lei (cf. Rm 3.9-26), ela convida, convence, e capacita o pecador a ir ao encontro de Cristo.

 

 

Lição 3 - Vivendo em Santidade e Integridade

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Classe: Jovens | Trimestre: 3° de 2019 | Revista: Professor | Fonte: Lições Bíblicas de Jovens, CPAD

 

TEXTO DO DIA

"Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo." (1 Pe 1.15,16)

 

SÍNTESE

A santidade de Deus, o atributo da sua perfeição moral, é a razão que nos inspira ao vivermos de maneira santa e íntegra neste mundo.

 

Agenda de leitura

SEGUNDA - Êx 39.30: Santidade ao Senhor

TERÇA - 1 Ts 3.13: Irrepreensíveis em santidade

QUARTA - 1 Ts 4.7: Chamados para a santificação

QUINTA - 1 Ts 4.3: Santificação, a vontade de Deus

SEXTA - Js 3.5: Santificai-vos para sempre

SÁBADO - Ap 5.10: Feitos reis e sacerdotes

 

Objetivos

I - COMPREENDER os conselhos de Pedro para uma vida de santidade;

II - REFLETIR a respeito do mandamento divino para sermos santos em toda nossa maneira de viver;

SABER acerca do fundamento e da natureza da Igreja.

 

 

 

Interação

Depois de falar sobre a esperança da salvação, Pedro exorta os leitores da sua Carta para uma vida de santidade. O apóstolo estava preocupado com a salvação dos crentes, mas também com a santidade e integridade moral deles. Afinal, uma coisa está intimamente ligada à outra. Em nossos dias, falar em santificação parece algo antiquado e politicamente incorreto. Para os relativistas morais da pós-modernidade, ninguém deve dizer a outra pessoa como se comportar em termos éticos, pois cada um possui o seu próprio conceito do certo e do errado, sobrando pouco espaço para falar de retidão, caráter e virtudes morais. Em meio ao caos moral da presente era, o chamamento dos cristãos à santidade pelo apóstolo Pedro mostra-se altamente relevante.

 

Orientação Pedagógica

Estimado (a) professor (a), nesta lição teremos a oportunidade de ensinar aos nossos alunos a respeito da santidade e santificação. Recorde que, segundo a Bíblia, a santificação refere-se ao estado daqueles que foram salvos por Cristo (1 Co 6.11; Cl 2.10; Hb 10.10), mas também ao processo de contínuo aperfeiçoamento dos crentes (2 Co 7.1). Além disso, se possível, esclareça o significado das palavras santidade, santificação, santificar, santíssimo, santo e santuário, utilizando o quadro abaixo:

 

 

 

TERMOS

TERMOS

REFERÊNCIA

Santidade

Qualidade daquilo ou daquele que é santo.

Êx 15.11

 

Santificação

 

 Ato ou efeito de santificar.

 

Rm 6.19

Santificar

 

 Tornar sagrado, separado, consagrado; fazer santo.

Js 3.5

Santíssimo

 

Muito santo; santo dos santos.

Jd v.3

Santo

 

Sagrado; separado, que vive de acordo com a lei divina.

1 Pe 1.16

Santuário

Lugar consagrado, santo, preparado para adoração.

Lv 19.30

 

Texto bíblico

1 Pedro 1.13-16; 22-25

 

13      Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo,

14      como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância;

15      mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver,

16      porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.

22      Purificando a vossa alma na obediência à verdade, para caridade fraternal, não fingida, amai-vos ardentemente uns aos outros, com um coração puro;

23      sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre.

24      Porque toda carne é como erva, e toda a glória do homem, como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor;

25      mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada.

 

1 Pedro 2.9,10

9        Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;

10      vós que, em outro tempo, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.

 

INTRODUÇÃO

Para muitos estudiosos, a Primeira Carta de Pedro, além de "Epístola da Esperança", também poderia ser chamada de "Epístola da Vida Santa", pois enfatiza a importância da santidade após o novo nascimento. Uma vez que os crentes foram agraciados pela salvação, e adquiriram uma esperança viva, agora devem dar mostras da nova vida por meio de uma conduta íntegra. Apesar de remeter à ideia de separação e consagração, santidade não significa isolamento social ou afastamento de outras pessoas. Os salvos testificam que são santos vivendo de acordo com a vontade de Deus, e interagindo em uma sociedade contaminada pelo pecado. Isso exige ter contato com o mundo. Por tal razão, faz todo o sentido a oração de Jesus acerca dos seus discípulos: "Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal" (Jo 17.15). Como isso em mente, aprenderemos nesta lição a respeito do santo estilo de vida dos salvos.

 

 

 

I - CONSELHOS PARA UMA VIDA DE SANTIDADE

A palavra "portanto" empregada por Pedro em 1.13 conecta o raciocínio anterior com o tema a seguir apresentado. Assim, o apóstolo apresenta três conselhos para uma vida de santidade:

 

  1. Prepare a mente.

A expressão "cingindo os lombos do vosso entendimento" tem um sentido metafórico; remete à prática da época de amarrar a vestimenta acima da cintura para ficar pronto para a ação. O conselho é que os crentes preparem as suas mentes, a fim de poderem pensar adequadamente e com profundidade nas coisas de Deus. Isso porque a santificação abrange primeiramente a mente, o centro das decisões e das faculdades da pessoa. Quando aceitamos Cristo, em arrependimento, passamos por um processo de conversão, do grego metanoia (At 3.19), que significa mudança de pensamento. Por isso, Paulo diz que temos a mente de Cristo! (1 Co 2.16).

 

Quando preparamos e entregamos a mente para o Senhor, deixamos que Ele seja o guia das nossas decisões. Obviamente, ainda assim, não podemos impedir que determinados pensamentos entrem em nossa mente. Nesse caso, Stan Toler, na obra Repense a Vida, aconselha que "tudo que podemos fazer é administrá-lo quando já se é um pensamento negativo, pecador e destrutivo, podemos prendê-lo, rejeitá-lo e lançá-lo fora da mente. Se é um pensamento positivo, santo e produtivo, podemos detê-lo, meditar sobre ele e aplicá-lo à vida. O pecado não acontece quando temos um pensamento passageiro, mas quando nos concentramos em um pensamento pecador em vez de expulsá-lo".

 

A verdadeira santidade requer a compreensão daquilo que estamos fazendo ou deixando de fazer. Agir pela simples obrigatoriedade, sem saber a razão, não é santidade, é mera religiosidade farisaica! Uma mentalidade regenerada pelo Senhor nos habilita a entender a importância de uma vida íntegra e sincera.

 

  1. Seja sóbrio.

Pedro também assevera que o cristão deve ser sóbrio, ou seja, ter domínio próprio, autocontrole, pois a vida cristã é incompatível com os excessos. Além de significar ao crente abster-se da embriaguez, a sobriedade refere-se também ao viver com moderação, em constante equilíbrio (Ef 5.18; Rm 12.3). Tal virtude deve ser uma característica dos salvos, porquanto as Escrituras assim nos exortam reiteradamente (1 Ts 5.6; 2 Tm 4.5). Aplicada ao consumo, a santificação promove na vida do crente uma postura contracultural, no sentido de rejeitar e se afastar da cultura dominante que valoriza a moda e tudo aquilo que é supérfluo. O consumo santificado significa apartar-se do modelo consumista em curso na sociedade contemporânea, e desenvolver um estilo de vida frugal, com hábitos de consumo santos, disciplinados pelo fruto do Espírito (Gl 5.22).

 

  1. Espere na graça.

A santificação envolve ainda esperar inteiramente na graça. Diante do contexto sombrio a que estavam submetidos, os destinatários são encorajados a olharem para frente e aguardarem em Deus. Isso não é passividade, é paciência: o ato de confiar na providência divina.

 

Vivemos em uma cultura imediatista e acelerada, na qual as pessoas perderam o hábito de esperar. "Tudo ao mesmo tempo e agora" é um dos slogans que caraterizam a sociedade contemporânea. O adoecimento emocional e psíquico que acomete boa parte da população de hoje é em grande parte consequência da ansiedade descontrolada. Portanto, a espera confiante em Deus, além de preparar o coração para o futuro, contribui para que o crente tenha uma vida emocionalmente saudável.

 

Pedro também assevera que o cristão deve ser sóbrio, ou seja, ter domínio próprio, autocontrole, pois a vida cristã é incompatível com os excessos.

 

II - A ORDEM DA SANTIDADE

 

 

 

  1. Filhos obedientes e inconformados.

Considerando que a santificação se prova com ações reais, somos exortados como "filhos da obediência' (ARA) a ter um padrão de conduta exemplar. Tal expressão, comum naquele tempo, é uma maneira de dizer "que nossas vidas são caracterizadas por um obediência contínua ao Senhor e à sua Palavra", como bem observou o teólogo pentecostal Stanley Horton. A prova dessa obediência sincera é a inconformidade com o mundo (Rm 12.2) e com as concupiscências - os desejos e as paixões carnais da antiga vida. Quando a santidade de Deus molda o nosso caráter, não nos conformamos com o pecado. Ainda que o cristão esteja sujeito a uma batalha interna contra a carne (Rm 7.20), não deve achar normal cometer qualquer tipo de pecado, muitas vezes sob a justificativa do "não tem problema".

 

  1. O imperativo da santidade.

O apóstolo Pedro reitera uma ordem divina: Sede santos, porque eu sou santo! (Lv 11.44; 19.2). A santidade não é uma opção na vida cristã. É um imperativo para nos tornarmos cada vez mais parecidos com aquele que nos chamou (Sl 99.9; Ap 4.8). A santidade é o atributo moral de Deus. Nenhum outro atributo divino é tão solenizado nas Escrituras como esse: "Não há santo como é o SENHOR; porque não há outro fora de ti" (1 Sm 2.2).

 

Muitos concebem a santidade como algo bastante severo e até mesmo opressor, resultado do esforço humano. Longe disso, a santificação decorre da ação libertadora e transformadora de Deus em nós. Quando o Senhor nos ordena à santidade, na verdade está querendo que o deixemos trabalhar em nós, corrigindo, guiando e purificando as nossas vidas (Jo 17.17; 1 Ts 5.23). A santificação não decorre do mérito do homem, mas da graça de Deus. Mas este processo requer a disposição e a cooperação do indivíduo (1 Jo 3.3). O Espírito Santo é o agente da santificação (Rm 1.4) e a Palavra de Deus, o instrumento (Jo 17.17).

 

  1. Santidade que gera integridade.

Vale notar que a santidade não envolve somente uma área de nossas vidas, mas se aplica a toda a nossa maneira de viver. Isso porque santidade tem a ver com integridade; santificação produz uma conduta autêntica, honesta e virtuosa, que afasta o salvo das práticas reprováveis. Nas palavras de John Eldredge: "Você não consegue se tornar íntegro sem se tornar santo, nem pode se tornar santo sem se tornar íntegro. As duas coisas andam juntas". Por esse motivo, logo adiante, Pedro apresenta uma lista de cincos vícios morais que os cristãos devem deixar: malícia, engano, fingimentos, invejas e murmurações (2.1).

 

  1. A razão da nossa santidade.

Depois de recomendá-los a uma vida de temor a Deus (v.17), Pedro faz recordar da razão para uma conduta digna por parte do crente. Não fomos resgatados por ouro e prata, e sim pelo precioso sangue de Jesus (v. 18,19). Que maravilha sabermos que a nossa salvação não está firmada em coisas perecíveis e passageiras, mas sim no sangue do Filho de Deus.

 

III - A NATUREZA DA IGREJA

 

  1. Cristo, a pedra de esquina.

No início do capítulo 2, Pedro reflete sobre a natureza da Igreja de Cristo. Numa interpretação distorcida de Mateus 16.18, muitos acreditam que Pedro seja o fundamento da Igreja. Mas enquanto Pedro é um pedra pequena, por isso também chamado de Cefas, Jesus é a rocha sobre a qual a Igreja está edificada. A metáfora da pedra de esquina é uma referência direta a Cristo. Naquele tempo, pedra de esquina ou pedra angular era a mais importante de uma construção, aquela que ficava na base e dava a direção do edifício. Logo, a base sobre a qual a Igreja está edificada não é o apóstolo, mas o próprio Senhor Jesus. Ele é a pedra principal, o firmamento espiritual da sua Igreja. Através dele nos tornamos pedras vivas (v.5). Embora rejeitada pelos homens incrédulos e desobedientes, Ele é a rocha eleita e preciosa para os crentes (v. 6,7).

 

 

 

  1. Igreja, o povo eleito de Deus.

O objetivo do apóstolo é demonstrar que os crentes encontram-se numa posição privilegiada: "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido [...]"(v.9). Tais designações, anteriormente aplicadas à nação de Israel, referem-se agora à Igreja. Na antiga aliança, a nação de Israel foi eleita para ser um canal de bênção para as demais nações (Gn 12.3). Mas, devido à sua desobediência e fracasso, Deus faz surgir um novo povo, formado por todos aqueles que creram em Cristo e em sua obra salvadora, sejam judeus, sejam gentios (Ef  2.14). A missão desse povo é anunciar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (2.9).

 

A expressão geração eleita evidencia que, em termos bíblicos, a eleição para a salvação não é só individual, mas também corporativa (cf. 2 Ts 2.13), sempre por intermédio de Cristo. A nossa eleição vem de Deus: "sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus" (1 Ts 1.4)

 

  1. Sacerdócio real.

Ao dizer que somos o sacerdócio real, Pedro destaca que, enquanto o ofício de sacerdote era privilégio dos membros da tribo de Levi, na Nova Aliança a Igreja ocupa a posição de sacerdócio real. Portanto, não precisamos de mediadores entre nós e Deus. A Reforma Protestante revigorou a doutrina do sacerdócio de todos os crentes, no sentido de que cada cristão tem livre acesso à presença do Pai, tendo como único mediador o Senhor Jesus Cristo (1 Tm 2.5).

 

Pedro faz recordar da razão para uma conduta digna por parte do crente. Não fomos resgatados por ouro e prata, e sim pelo precioso sangue de Jesus.

 

SUBSÍDIO 1

 

A Importância da Santificação

"[...] Embora o homem tenha a propensão ao pecado em decorrência da Queda, as Escrituras deixam entrever que após salvação em Cristo, o crente, por obra do Espírito Santo, passa por um processo de santificação. Antônio Gilberto lembra que a santificação possui dois aspectos. O primeiro é a santificação posicional, que ocorre mediante a fé por ocasião do novo nascimento (1 Co 1.2; Hb 10.10; Cl 2.10; 1 Jo 4.17; Fp 1.1). O segundo é a santificação progressiva (1 Pe 1.15,16; 2 Co 7.1; 3.17,18), pela qual estamos em processo constante de santificação. Em Hebreus 10.10,14 essa verdade é enfatizada, declarando o processo contínuo de santificação em nosso viver aqui e agora proveniente de tal posição: 'sendo santificados'.

 

Antônio Gilberto lembra ainda que a santificação deve ocorrer em 'todo o vosso espírito, e alma, e corpo' (I Ts 5.23), significando que 'devemos ser santos em nosso viver, e em nossa conduta - isto é, em nosso caráter, internamente -, e em nosso proceder, externamente'. Nossa vida natural, diz ele, é uma série diuturna de hábitos, práticas e costumes, que podem ser bons ou maus, ou um misto dos dois. E evidente que um povo santo, porque pertence a Deus, deve ter costumes santos" (NASCIMENTO, Valmir. O Cristão e a Universidade: Um Guia para a Defesa e o Anúncio da Cosmovisão Cristã no Ambiente Universitário. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2016, p. 241).

 

SUBSÍDIO 2

 

A Metáfora da Pedra ou do Templo (2.4-8)

"Antes de aplicar essa imagem a seus leitores, Pedro aplica-a a Jesus. Ao responder ao chamado de Deus, seus leitores vieram a Ele, a 'pedra viva'. Essa descrição de Jesus pode parecer estranha aos ouvidos modernos. No entanto, escrita por alguém que teve seu nome mudado por Jesus, de Simão para Cefas (em aramaico) = Pedro (em grego) = Pedra (como em João 1.42) e que havia ouvido Jesus falar de si mesmo, em termos do Antigo Testamento, como sendo uma pedra que os edificadores rejeitaram (Mc 12.10-12; cf. Sl 118.22), essa metáfora torna-se bastante apropriada e significativa. Pedro qualifica essa pedra como "viva", não só? deixando bem claro que está escrevendo metafórica e espiritualmente, mas talvez aludindo até à ressurreição de Jesus dos mortos (1.3,19-21). Desenvolve essa alusão à morte e ressurreição de Jesus ao descrevê-lo como 'rejeitado pelos homens' e, ao mesmo tempo, como eleito por Deus e precioso.

 

[...] Não só? Jesus é uma pedra viva, mas os leitores de Pedro também são 'como pedras vivas', uma descrição que indica sua intima identificação com o Senhor' (Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 1705).

 

CONCLUSÃO

 

Como vimos nesta lição, para os salvos a santidade nunca sai de moda. Mesmo em tempos de relativismo moral e inversão de valores, nós cristãos temos a responsabilidade de sermos santos em toda a nossa maneira de viver. Isso porque, a santificação verdadeira leva a uma vida íntegra, a ser testemunhada em todas as esferas da sociedade. Não podemos nos esquecer que fazemos parte não de um clube social ou de uma associação religiosa, e sim da Igreja de Cristo, o povo eleito de Deus.

 

HORA DA REVISÃO

 

1) Qual o sentido da expressão "cingindo os lombos do vosso entendimento"?

A expressão tem um sentido metafórico; remete à prática da época de amarrar a vestimenta acima da cintura para ficar pronto para a ação. Em nossos dias, possui a mesma acepção de "arregaçar as mangas".

 

2) Qual a principal razão pela qual os crentes devem ser santos?

Porque Deus é santo (1 Pe 1.15, 16).

 

3) O que era uma pedra de esquina?

Pedra de esquina ou pedra angular era a mais importante de uma construção, aquela que ficava na base e dava a direção do edifício

 

4) Quais são os cinco vícios morais que Pedro aponta em sua Primeira Carta?

Malícia, engano, fingimentos, invejas e murmurações (1 Pe 2.1).

 

5) Conforme a lição, qual doutrina foi revigorada na Reforma Protestante?

A doutrina do sacerdócio de todos os crentes, no sentido de que cada cristão tem livre acesso à presença do Pai, tendo como único mediador o Senhor Jesus Cristo (1Tm 2.5)

 

Lição 4 - O Relacionamento do Cristão com o Estado e com os Superiores

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Classe: Jovens | Trimestre: 3° de 2019 | Revista: Professor | Fonte: Lições Bíblicas de Jovens, CPAD

TEXTO DO DIA

 "Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores e para louvor dos que fazem o bem." (1 Pe 2.13,14)

 

SÍNTESE

As Escrituras ensinam que o cristão deve se submeter às autoridades constituídas, porque toda autoridade provém de Deus, com o propósito de punir o mal e beneficiar a vida em sociedade.

 

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA - Rm 13.1-6: Obedecendo às autoridades superiores

TERÇA - Lc 20.19-25: Jesus e a questão do tributo romano

QUARTA - 1 Tm 2.1,2: Orando pelas autoridades

QUINTA - At 5.27-29: Importa obedecer a Deus

SEXTA - Rm 7.15-25: A luta interna do ser humano

SÁBADO - Mt 5.44: Amando os inimigos

 

OBJETIVOS

I - CONSCIENTIZAR de que a conduta exemplar do cristão requer a abstinência das paixões carnais;

III - CONHECER a maneira adequada de se relacionar com o Estado e com as autoridades constituídas;

III - MOSTRAR o padrão bíblico do relacionamento do crente com os seus superiores.

 

Interação

 

A Primeira Epístola de Pedro contém recomendações para a vida devocional, mas também para a vida pública. Nesta segunda parte de sua Carta, ele oferece verdadeiros princípios sobre como o cristão, enquanto cidadão deste mundo, deve se relacionar com as autoridades e superiores hierárquicos. Tais princípios são atemporais, oferecendo hoje diretrizes valiosas para a participação política e interação dos seguidores de Cristo com o Estado. Saber aplicar corretamente tais princípios é essencial para o testemunho público da Igreja, pois, do contrário, a Igreja corre o risco de adotar um modelo de envolvimento inadequado com o poder público, seja de completa subordinação ou de tentativa de dominação a ele. Desse modo, considerando que a desilusão com a política e com o poder público são características do tempo presente, assim como a secularização - que visa afastar os crentes da esfera pública, esta lição é propícia para conscientizar os jovens crentes sobre temas como engajamento político, cidadania cristã, democracia e participação profética no processo eleitoral.

 

 

 

Orientação Pedagógica

 

Prezado (a) professor(a), o que você acha de usar no Tópico II desta lição a dinâmica "tempestade de ideias"? Para tal, peça que os alunos opinem a respeito dos desafios do relacionamento do cristão com o Estado. Registre as ideias em um painel ou lousa, sem censurá-las. Essa atividade deve demorar aproximadamente 5 a 10 minutos. Na sequência, à luz do conteúdo da lição, e com base em outras pesquisas sobre o tema, explique como tais desafios podem ser vencidos segundo os princípios bíblicos.

 

 

 

 

Texto bíblico

1 Pedro 2.11-23

11      Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais, que combatem contra a alma,

12      tendo o vosso viver honesto entre os gentios, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no Dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem.

13      Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior;

14      quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores e para louvor dos que fazem o bem.

15      Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo o bem, tapeis a boca à ignorância dos homens loucos;

16      como livres e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus.

17      Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai o rei.

18      Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor ao senhor, não somente ao bom e humano, mas também ao mau;

19      porque é coisa agradável que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente.

20      Porque que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas, se fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus.

21      Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas,

22      o qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano,

23      o qual, quando o injuriavam, não injuriava e, quando padecia, não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente,

 

INTRODUÇÃO

 

Nesta seção de sua carta, Pedro passa a tratar de aspectos práticos da vida cristã, especialmente sobre deveres e responsabilidades sociais. Nitidamente, a epístola petrina demonstra a dupla cidadania dos discípulos de Cristo.  Ao mesmo tempo que somos chamados de peregrinos por causa de nossa cidadania celestial, Pedro conclama os crentes a se submeterem livremente a todas as autoridades legítimas, numa clara alusão à cidadania terrena. A mensagem que o apóstolo está transmitindo é que, não importa o tipo de governo humano, seja monarquia ou república, toda autoridade provém de Deus. Desse modo, o governo civil, assim como o tudo mais na vida, está sujeito à lei do Criador. Este é o tema da presente lição.

 

 

 

I - A CONDUTA EXEMPLAR DOS PEREGRINOS

 

  1. Abstendo-se das paixões carnais.

Em tom amoroso, Pedro se dirige aos crentes como peregrinos e forasteiros. Enquanto cidadãos de uma pátria distante, os crentes precisam abster-se das paixões carnais que guerreiam contra a alma (v.11). Abster-se aqui tem o sentido de manter-se continuamente longe, afastado dos desejos pecaminosos. Por causa da sua natureza pecadora, o homem se encontra numa luta interna da carne contra o Espírito (Gl 5.17). Se por um lado, queremos obedecer a lei moral de Deus, por outro, somos inclinados a cumprir os desejos da nossa velha natureza, conforme Paulo descreve em Romanos 7.15-25. Não obstante, isso não significa que tais desejos sejam absolutamente incontroláveis e que estejamos sujeitos somente aos nossos institutos naturais. A vitória contra o pecado começa, primeiramente, com o reconhecimento de nossas fraquezas morais. O cristão não pode se esquecer das armadilhas do seu coração (Jr 17.9,10) e que as suas percepções não são plenamente confiáveis. Somente com a ajuda do Santo Espírito o crente é capaz de vencer essa guerra interna. O segredo para vencermos os desejos pecaminosos está em andarmos segundo o mover e o poder do Espírito (Gl 5.16).

 

  1. Abstinência cristã.

A abstinência é uma virtude cristã. Uma vez exercitada, ela leva o cristão a abdicar não somente do consumos de bebidas alcoólicas e de substâncias entorpecentes, mas de toda atividade que provoque algum tipo de dependência. Numa era caracterizada pela sensualidade e por vários tipos de compulsão, inclusive de smartphones, jogos, seriados e mídias sociais, saber se privar de algumas condutas e práticas é crucial para que tenhamos uma vida de acordo com a vontade do Senhor.

 

Recomendado pelas Escrituras, o jejum é um importante hábito de abstinência (Mc 9.29; At 10.30). Apesar de negligenciado por alguns crentes e desconhecido por outros, o jejum é disciplina espiritual sadia, pela qual nos concentramos nas coisas espirituais em detrimento da vontade do nosso corpo físico.

 

  1. Exemplos de conduta.

Pedro prossegue instando os cristãos a manterem uma conduta exemplar no meio dos descrentes (v.12). Naquela altura, os discípulos de Jesus eram falsa e injustamente acusados de diversos crimes e delitos. Em vez de argumentar com palavras, eles deveriam provar a sua inocência e integridade moral por meio de uma vida exemplar, relevada nas boas obras. Afinal, ações valem mais que palavras, e do verdadeiro cristão espera-se que seja exemplo em tudo (1 Tm 4.12) e em todos os ambientes da sociedade.

 

Pense

Não deixe que pequenas derrotas contra a carne façam você perder o foco de toda a batalha espiritual.

 

Ponto Importante

Apesar de negligenciado por alguns crentes e desconhecido por outros, o jejum é disciplina espiritual sadia, pela qual nos concentramos nas coisas espirituais em detrimento da vontade do nosso corpo físico.

 

 

 

II - O CRISTÃO E O ESTADO

 

  1. Submissão às autoridades.

Seguindo o raciocínio do tópico anterior, uma importante maneira de o cristão ser exemplo é submetendo-se às autoridades constituídas. Assim como o apóstolo Paulo (Rm 13.1-3), Pedro igualmente enfatiza que toda autoridade foi estabelecida por Deus (vv.13,14). As autoridades constituídas, reis, governantes, legisladores, magistrados e outros detentores de poder, portanto, receberam de Deus delegação para exercerem suas atividades, seja para promover o bem (instituir políticas públicas, por exemplo), seja para coibir o mal (aplicar a justiça, condenar os criminosos etc). O ensino subjacente é que Deus domina sobre toda a sua criação e o objetivo desse poder é o bem de todos. Afinal, sendo um Deus amoroso, Ele zela pela ordem das coisas criadas (1 Co 14.33), pela boa convivência entre os homens (Hb 12.14) e pela obediência à sua própria lei (Jz 2.16,17).

 

  1. Obediência ao Estado.

Em nossos dias, vivendo sob um regime democrático de direito, a Igreja submete-se à autoridade e às leis emanadas do Estado. O que é o Estado? É o povo organizado política e juridicamente, que exerce sua soberania dentro de um território. Disso se denota que é incompatível com a fé cristã uma conduta de rebeldia, revolução e desrespeito à ordem pública. Por princípio, o cristão é um cidadão exemplar, pois, além de exigir os seus direitos, é cônscio dos seus deveres com a sociedade e com o poder público. Em sua conduta diária, é dever do crente atentar para o cumprimento das leis e regras impostas, não somente as de natureza penal, mas também as civis, trabalhistas, fiscais, trânsito, ambientais, eleitorais etc.

 

Todavia, considerando que a autoridade do Estado é delegada e derivada, a obediência a ele não é cega e sem limites. Jesus disse que devemos dar a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus (Lc 20.25). A única autoridade absoluta é Deus. Logo, sempre que o governo confrontar os princípios morais e espirituais contidos nas Escrituras, o cristão deve se preocupar em obedecer mais a Deus que aos homens (At 5.27-29). Nas Escrituras e ao longo da história muitos servos de Deus foram presos ou morreram exatamente por desobedecerem a leis e a ordens injustas de reinos e governos perversos. "A lealdade ao reino de César é condicional, mas a lealdade ao Reino de Deus é absoluta" (Bíblia de Estudo Pentecostal). O seguidor de Cristo honra ao Rei, mas teme a Deus (v.17).

 

  1. Liberdade do cristão.

Independentemente da forma de governo, o cristão é livre (v.16). A liberdade é um princípio essencial no Cristianismo, e serviu de base para a formatação dos valores do mundo Ocidental. Assim, ao se submeter à autoridade do Estado, o cristão não o faz na condição de escravo, mas de pessoa livre. Todavia, a liberdade não pode ser utilizada como pretexto para a prática de atos maliciosos. Ela jamais pode conduzir ao escândalo ou como justificava para dar lugar à carne (1 Co 8.9, Gl 5.13). Ainda que sejamos livres, nem tudo nos convém (1 Co 10.23).

 

III - O CRISTÃO E OS SEUS SUPERIORES

 

 

 

  1. A submissão aos senhores.

Tendo tratado do relacionamento do salvo com as autoridades, o apóstolo passa agora ao âmbito dos relacionamentos privados. Ele admoesta os servos cristãos a se submeterem aos seus senhores (v.18). Pedro emprega o termo grego oiketai, que designava o escravo doméstico, uma espécie de empregado ou servente da casa.  A menção deles nas páginas do Novo Testamento é um claro indicativo da posição de igualdade humana que eles ocupavam na comunidade de fé (Ef 6.5; Fl 16; Gl 3.28). Enquanto a sociedade os tratava com desprezo, para os cristãos eles são irmãos em Cristo, dignos de receberem ensinamentos.

 

Numa época em que havia no Império Romano mais de 60 milhões de escravos, dentre os quais muitos cristãos, o conselho era para que eles se portassem com respeito aos seus superiores, tanto em relação aos bons quanto aos maus. Tal conselho somente pode ser compreendido pelo verdadeiro súdito do Reino de Deus, cujo padrão de comportamento é completamente inverso ao do mundo. Qualquer pessoa pode obedecer a um superior justo e humano, mas somente o cristão, por amor a Cristo, é capaz de respeitar alguém perverso e ímpio.

 

Por certo, hoje as relações de trabalho são muito diferentes. Os empregados gozam de maior liberdade e possuem uma série de direitos trabalhistas assegurados. Assim, ao aplicarmos o ensinamento de Pedro para a vida contemporânea, devemos ter em mente o princípio ali contido: submissão por amor ao Senhor (Ef 6.5). Portanto, o empregado cristão submete-se ao seu patrão ou chefe principalmente porque teme e ama a Deus.

 

  1. Seguindo os passos de Jesus.

Por que devemos ter esse tipo de comportamento? Porque temos em Jesus o melhor modelo de conduta diante do sofrimento e da perseguição. Mesmo tendo sido ultrajado, maltratado e injustiçado em nosso lugar, não revidou ou ameaçou seus algozes. É Ele quem o cristão deve imitar e seguir os passos. O seu ensinamento é claro: "[...] Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem!" (Mt 5.44). A lógica do seu Reino é diferente da dos homens, mas vale a pena trilhar os passos do Mestre!

 

  1. A crise de autoridade.

Vivemos um tempo de verdadeira crise de valores e referenciais. Uma característica nociva da pós-modernidade é exatamente a perda da noção de autoridade, com alunos que não respeitam professores, filhos que se insurgem contra os pais e jovens que confrontam diretamente os mais velhos. Esse tipo de rebeldia fragiliza os relacionamentos e provoca verdadeiro caos na sociedade. Por essa razão, o princípio da submissão à autoridade que se extrai da mensagem da carta em estudo é muito atual, servindo como valiosa diretriz para a vida em comunidade.

 

Temos em Jesus o melhor modelo de conduta diante do sofrimento e da perseguição. Mesmo tendo sido ultrajado, maltratado e injustiçado em nosso lugar, não revidou ou ameaçou seus algozes.

 

SUBSÍDIO 1

 

"A Bíblia mostra-nos que, como cristãos, podemos viver sob qualquer forma de governo. Ainda que, como estrangeiros, nossos direitos sejam limitados no que diz respeito a esse mundo. Mas enquanto cidadãos dos céus, temos uma lealdade mais elevada, e isto deve colidir com nossas responsabilidades perante os potentados terrenos. Foi o que ocorreu quando o Sinédrio ordenou a Pedro e a João a não mais pregarem no nome de Jesus. Eles foram obrigados a declarar que lhes era necessário obedecer antes a Deus que aos homens. O próprio Jesus os tinha comissionado. Por isso, não podiam deixar de contar as coisas que haviam visto e ouvido (At 4.19,20).

 

Vejamos o exemplo do próprio Cristo. Num momento difícil, Ele evitou o choque com o poder imperial romano, ao recomendar: 'Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus' (Mt 22.21). A Bíblia é muito clara ao afirmar que Deus instituiu as autoridades terrenas para que mantenham a ordem e a legalidade (Rm 13.1-7).

 

A responsabilidade do cristão, enquanto residente temporário na terra, é submeter-se de boa vontade às instituições humanas. Assim o fazemos não porque tais instituições sejam boas. Elas podem estar muito distantes do ideal bíblico. O império romano em nada diferia das ditaduras modernas. Não obstante, Pedro e Paulo exortavam aos crentes a acatarem-lhes as leis. Assim procedemos, não para agradar ao governo, mas ao Senhor" (HORTON, Stanley M. 1 e 2 Pedro: A Razão da Nossa Esperança. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp. 36, 37).

 

 

SUBSÍDIO 2

 

"Que vos abstenhais das concupiscências carnais (1 Pe 2.11)

Pedro dedicou o resto deste capítulo e o início do próximo para explicar como você e eu 'anunciamos as virtudes de Deus'. Basicamente, nós as anunciamos mais pela maneira como vivemos do que pelo que dizemos.

A primeira declaração de virtude que Pedro mencionou foi: 'abster-se das concupiscências carnais'. Uma tradução melhor sugere que o cristão deve romper claramente os impulsos 'os impulsos naturais' que o dominaram no passado. O adjetivo sarkikon, encontrado nesta expressão grega, sugere que os impulsos que Pedro tinha em mente não são impulsos para o pecado declarado, mas a inclinação natural de cada pessoa para preservar o seu bem-estar material e a sua individualidade. Pedro advertiu que esta preocupação com as coisas deste mundo 'combatem contra a alma'. Quanto mais nós nos preocupamos com o universo material, menos nos preocupamos com o espiritual.  As coisas desta vida devem ter pouco valor para o cristão, cujas esperanças estão fixas no retorno de Cristo" (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Devocional da Bíblia. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 965).

 

CONCLUSÃO

 

É marca indelével do verdadeiro cristão o exercício da boa cidadania. O crente honra a Deus respeitando as leis do governo civil e contribuindo para o bem comum. O testemunho cristão começa em Jerusalém, mas alcança os confins do mundo (At 1.8). Assim como os cristãos primitivos abalaram o mundo de sua época, chegando a Roma, a capital política do mundo de então, ainda hoje os seguidores de Cristo tem a incumbência de agirem como sal da terra e luz do mundo, como uma religião verdadeiramente profética na esfera pública.

 

HORA DA REVISÃO

1) Por que a abstinência pode ser considerada uma virtude?

Porque, uma vez exercitada, ela leva o cristão a abdicar não somente do consumo de bebidas alcoólicas e de substâncias entorpecentes, mas de toda atividade que provoque algum tipo de dependência.

 

2) Segundo a lição, o que é o Estado?

É o povo organizado política e juridicamente, que exerce sua soberania dentro de um território.

 

3) Qual a postura do cristão se o governo confrontar os princípios morais e espirituais contidos nas Escrituras?

Deve se preocupar em obedecer mais a Deus que aos homens (At 5.27-29).

 

4) De que modo o cristão não pode usar a liberdade?

Não pode ser utilizada como pretexto para a prática de atos maliciosos.

 

5) Na sua opinião, qual o maior desafio do relacionamento do cristão com o Estado, hoje?

Resposta pessoal.,

 

Lição 5 -Conselhos valiosos para a vida cristã em Família

 

Classe: Jovens | Trimestre: 3° de 2019 | Revista: Professor | Fonte: Lições Bíblicas de Jovens, CPAD

TEXTO DO DIA

"Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne." (Gn 2.24)

 

SÍNTESE

O matrimônio feliz e duradouro é aquele no qual os cônjuges compreendem seus respectivos papéis e responsabilidades à luz da Bíblia, respeitando-se mutuamente.

 

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA - Gn 2.19-25: Deus cria a primeira família

TERÇA - Mc 10.7-9: O homem não deve separar o que Deus uniu

QUARTA - 1 Co 7.3-6: A responsabilidade mútua do casal

QUINTA - Tt 2.4,5: O perfil da esposa cristã

SEXTA - Cl 3.19: O perfil do esposo cristão

SÁBADO - Pv 31.30: O engano da beleza

 

OBJETIVOS

I - DESCREVER a conduta da mulher cristã segundo as Escrituras;

II - EXPLICAR e incentivar à busca pelo padrão da verdadeira beleza;

III - APRENDER sobre os deveres conjugais do homem cristão.

 

 

 

INTERAÇÃO

Nas Escrituras o casamento e o relacionamento conjugal são temas altamente valorizados. Isso porque, a família não é uma criação humana, mas divina. Foi ela formulada para ser um centro de comunhão entre os cônjuges, a célula básica a partir da qual as bênção de Deus brotariam e se espalhariam sobre a terra (Gn 1.28). Todavia, para que a família seja bênção, e não maldição, núcleo de cooperação mútua e não de desavenças, requer-se que o matrimônio seja construído com estrita observância aos princípios bíblicos, e que cada cônjuge, esposo e esposa, desempenhem com fidelidade o respectivo papel que lhe foi ordenado por Deus. O declínio da família nuclear e o aumento considerável de divórcios nos tempos atuais resultam da dessacralização do matrimônio, assim como da falta de compromisso e compreensão dos deveres pelos cônjuges. Por esse motivo, os ensinamentos de Pedro sobre a vida em família permanecem relevantes.

 

Veja: É Lícito ao crente divorciar-se? – Clique Aqui

 

Orientação Pedagógica

Prezado (a) professor (a), nesta lição você terá a oportunidade de dialogar abertamente com as moças e os rapazes sobre família, casamento e responsabilidades conjugais. Será uma aula ideal para ouvir deles a percepção sobre tais temas, principalmente o matrimônio. Em um contexto social saturado de valores invertidos sobre família, é crucial levá-los a compreender e internalizar os ensinos bíblicos sobre o papel do homem e da mulher cristã dentro do matrimônio. O jovem crente precisa ter em mente que o casamento é algo sério, pois se trata de uma aliança sagrada entre duas pessoas. Não obstante, se o homem e a mulher cristã estiverem cientes de seus deveres conjugais, dispostos a se amarem e respeitarem mutuamente, colocando em prática os princípios bíblicos para a vida em família, não há porque temer o casamento. Ele será uma bênção para a glória de Deus!

 

Texto bíblico

1 Pedro 3.1-7

1        Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas ao vosso próprio marido, para que também, se algum não obedece à palavra, pelo procedimento de sua mulher seja ganho sem palavra,

2        considerando a vossa vida casta, em temor.

3        O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de joias de ouro, na compostura de vestes,

4        mas o homem encoberto no coração, no incorruptível trajo de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus.

5        Porque assim se adornavam também antigamente as santas mulheres que esperavam em Deus e estavam sujeitas ao seu próprio marido,

6        como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor, da qual vós sois filhas, fazendo o bem e não temendo nenhum espanto.

7        Igualmente vós, maridos, coabitai com ela com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações.

 

INTRODUÇÃO

Na lição deste domingo, iremos estudar uma porção da epístola em que Pedro profere diversos conselhos sobre a vida familiar, na qual enfatiza os deveres conjugais do homem e da mulher cristã. O valor que a Bíblia atribui ao matrimônio e as obrigações que ela impõe aos cônjuges, dentro do plano de Deus, contraria frontalmente os padrões adotados pela sociedade pós-moderna, padrões estes que têm conduzido a família ao colapso.

 

 

 

I - A CONDUTA DA MULHER CRISTÃ

 

  1. A submissão da esposa cristã.

Ainda se valendo do princípio da submissão, aplicado anteriormente ao governo e aos superiores, Pedro dirige agora sua atenção para a família. Ele recomenda inicialmente que as mulheres sejam sujeitas aos seus próprios maridos (v.1). Evidentemente, tal orientação não significa uma subserviência cega, pela qual a esposa deva se colocar numa situação de servidão ao seu cônjuge, nem sugere que os homens sejam melhores que as mulheres. As Escrituras ensinam que a mulher foi criada por Deus como a auxiliadora, a companheira do homem (Gn 2.18).

 

Em termos bíblicos, a esposa se submete voluntariamente ao seu marido não porque o sexo feminino seja inferior ao masculino, e sim porque o esposo recebeu de Deus a autoridade do lar (Gn 3.16; 1 Co 11.3; Cl 3.18; Tt 2.5). Note que a submissão da mulher, a que Pedro alude, é em relação ao marido, dentro do casamento, e não ao sexo masculino em geral. Isso porque, a mulher é um ser criado por Deus (Gn 1.26, 27), detendo a mesma dignidade e honra humana. Na perspectiva cristã, portanto, não há distinção no status entre homem e mulher; somos um em Cristo Jesus (Gl 3.28).

 

  1. O valor da mulher no Cristianismo.

É válido recordar que o Cristianismo foi responsável por elevar a mulher à condição de igualdade e dignidade social. Em muitas culturas antigas elas ocupavam posição de inferioridade, eram excluídas da vida social e até mesmo tratadas como objetos. Enquanto isso, com base nos princípios éticos extraídos das Escrituras e, principalmente no exemplo de Cristo, a cristandade sempre defendeu a valorização da mulher como imagem e semelhança de Deus. Tais ensinamentos são suficientes para rejeitar tanto o machismo quanto o feminismo presente na sociedade contemporânea. Enquanto o primeiro é uma postura que supervaloriza o sexo masculino em detrimento do feminino, o segundo é uma ideologia diabólica que distorce o papel da mulher, criando uma luta entre sexos.

 

  1. Ganhando o esposo não crente.

A conduta respeitosa da mulher cristã para com o seu esposo é importante inclusive como uma forma de ganhar aqueles que ainda não conheciam ao Senhor. Naquele contexto, na medida em que a comunidade cristã se expandia, era comum que mulheres casadas se convertessem, enquanto seus cônjuges continuavam no paganismo. Isso provocava tensão dentro do lar, pois os maridos viam isso como uma forma de infidelidade e insubmissão. As mulheres cristãs, todavia, não deviam desonrar os seu maridos e muito menos abandoná-los. Por meio de um temor santo e um bom testemunho dentro do lar (v.2), a esposa poderia levar o seu companheiro ao pés de Cristo, mesmo sem proferir qualquer palavra.

 

O apóstolo preocupava-se com a salvação dos esposos incrédulos, mas também com a preservação do matrimônio. Em nossos dias, em que a instituição familiar sofre ataques de vários lados, e casais se unem em casamento como se fosse uma aventura qualquer, os cristãos continuam defendendo que o matrimônio é uma instituição sagrada. Por esse motivo, jovem, a decisão de constituir uma família deve ser tomada com muita cautela e oração, pois não se trata de um simples contrato, mas o solene ato pela qual homem e mulher se tornam uma só carne. E o que Deus uniu, não separe o homem (Mc 10.7-9).

 

Pense

O casamento é uma criação de Deus, e por isso deve ser valorizado como algo sagrado.

 

 

 

Ponto Importante

A esposa se submete voluntariamente ao seu marido não porque o sexo feminino seja inferior ao masculino, e sim porque o esposo recebeu de Deus a autoridade do lar.

 

II - A VERDADEIRA BELEZA

 

  1. O perigo da vaidade.

Dentro da cultura pagã havia uma preocupação excessiva com a aparência exterior. As mulheres se valiam de vários adornos e adereços, fabricados com pedras e metais preciosos, com o propósito de seduzir os homens. Contrário a esse modelo, Pedro orienta as servas de Deus a agirem de maneira diferente: "O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de joias de ouro, na compostura de vestes" (v.3). A advertência é contra a conduta vaidosa, a valorização excessiva da aparência exterior. Os dicionários definem vaidade como a ostentação das próprias características pessoais, e também como a qualidade do que é vão, inútil, sem valor. Eis o motivo pelo qual as Escrituras insistentemente exortam contra este pecado (Sl 24.4; Jó 15.31; Jr 51.18).

 

O envaidecimento pode se manifestar em todas áreas da vida, mas é na aparência pessoal que ele mais se revela. Se o autor sagrado tinha motivos suficientes para conscientizar a comunidade cristã ainda no primeiro século, vivendo numa sociedade que ainda desconhecia os apelos da mídia e da moda, quanto mais tem a igreja em atentar para os perigos da vaidade no Século XXI. Afinal, o tempo presente é marcado pela busca da beleza efêmera, pela supervalorização do corpo e da estética pessoal. O crescimento da indústria cosmética e dos acessórios de embelezamento mostram a devoção excessiva das pessoas em busca da aparência e do corpo ideal.

 

  1. A verdadeira beleza.

O cerne do ensino do escritor bíblico é que a verdadeira beleza não está no exterior, naquilo que é aparente, nas roupas de grife e nas joias caras e extravagantes, e sim no interior do coração (v.4). Os adornos e as roupas da moda com o tempo perecem e perdem o valor, assim como a beleza física um dia se vai. Mas o encanto que brota do interior, consistente num caráter manso e sossegado, que é precioso diante de Deus, nunca se deteriora. Por certo, isso não significa que a mulher cristã deva descuidar da sua aparência e vestuário. Afinal, uma vez que o corpo é o templo do Espírito Santo (1 Co 3.16), precisamos zelar  por ele como verdadeiros mordomos, alimentando e cuidando (Ef 5.29), assim como usando as roupas adequadas.

 

Na vida cristã, caráter e conduta valem mais do que a aparência estética. Todavia, aquilo que trajamos revela o que há dentro de nós, bom ou ruim. Assim, a mulher cristã é aconselhada a se vestir com modéstia e discrição (1 Tm 2.9,10). Com graça e elegância, pode-se revelar um viver lindo e transformado por Cristo, tendo como modelo as santas mulheres de Deus.

 

 

 

Pense

A verdadeira beleza de uma pessoa se revela nas suas atitudes.

 

Ponto Importante

A verdadeira beleza não está no exterior e sim no interior do coração.

 

III - A CONDUTA DO HOMEM CRISTÃO

 

  1. A responsabilidade do esposo cristão.

Pedro não restringe seus conselhos às mulheres; ele também se dirige aos maridos cristãos. A palavra "igualmente' (v.7) denota que, assim como a mulher, o homem tem as suas responsabilidades matrimoniais, porquanto o casamento exige obrigações recíprocas entre os cônjuges. O fato de o homem ser o detentor da autoridade familiar, aliás, lhe exige maiores responsabilidades, começando por saber exercê-la com sabedoria. O esposo e pai cristão deve governar sua casa com autoridade e não com autoritarismo, falta de respeito e truculência. O homem é o líder, não o ditador do lar. Por meio do exercício correto do poder que lhe fora confiado por Deus, o homem cumpre fielmente o papel de governante, protetor e provedor do lar (1 Tm 3.4; 5.8), não somente no aspecto material, mas também espiritual e emocional.

 

  1. Coabitar com entendimento.

Considerando que o marido cristão ocupa a posição de autoridade do lar, Pedro os instrui a conviver com entendimento com suas esposas, dando-lhes a devida honra, como vaso mais fraco. O primeiro ensinamento que flui dessa passagem é a importância da convivência familiar. O trabalho e os afazeres do dia a dia, até mesmo os eclesiásticos, não podem tirar a atenção e o cuidado devido à esposa. Coabitar com entendimento implica constante diálogo e comum acordo, visando o bem-estar de toda a família.

 

Em segundo lugar, o esposo cristão é instado a tratar sua mulher com consideração e respeito, pois ela é merecedora de honra, como um verdadeiro presente de Deus. Tal tratamento somente será possível se colocado em prática o mandamento bíblico direcionado aos maridos de amarem suas esposas, tendo como referência não o amor do mundo, mas o amor de Cristo pela Igreja (Ef 2.25).

 

O terceiro aspecto subentendido no texto é que o marido cristão precisa considerar as características femininas: a sua condição física e emocional. Ao se referir à mulher como "vaso mais fraco" Pedro não está desmerecendo o sexo feminino, e sim chamando a atenção para que o esposo cuide com esmero e carinho da sua companheira, como um delicado vaso de porcelana, o que sugere apoio, cortesia, cavalheirismo e compreensão. Isso se aplica a todos os âmbitos do relacionamento, inclusive sexual (1 Co 7.3).

 

  1. A igualdade espiritual.

O autor reforça a igualdade entre homem e mulher à luz das Escrituras ao dizer que ambos são coerdeiros da graça divina. A salvação e as bênçãos espirituais não são privilégios dos homens, pois Deus não faz acepção de pessoas. Mais um motivo para Pedro advertir os homens sobre a importância do tratamento dispensado à esposa, sob pena de as orações serem impedidas de chegar a Deus. Em outras palavras, a relação matrimonial tem consequências espirituais. A oração não tem efeito quando falta respeito e cumplicidade no lar!

 

Pense

"Tanto os homens quanto as mulheres que são crentes são parceiros na graça da vida que é dada por Deus - a vida eterna" (Comentário do Novo Testamento de Aplicação Pessoal).

 

Ponto Importante

Por meio do exercício correto do poder que lhe fora confiado por Deus, o homem cumpre fielmente o papel de governante, protetor e provedor do lar, não somente no aspecto material, mas também espiritual e emocional.

 

SUBSÍDIO

"A família tem sido atacada no lado espiritual, com as investidas satânicas que propõem a sua destruição. Grande parte das famílias, em todo o mundo, não tem estrutura para enfrentar as mudanças rápidas e desintegradoras das famílias. A falta de Deus é o inimigo número 1 do lar. Ele se revela quando o ambiente em casa é destituído de espiritualidade. Quando Deus está presente no lar, sente-se uma atmosfera diferente, agradável e santa. O pai e a mãe se unem aos filhos para servirem ao Senhor. Deus é o hóspede invisível, mas real, que domina o ambiente da família. Em cada canto da casa, pode-se sentir Deus. Há harmonia entre todos. Há louvores. Há devoção sincera ao Senhor. As coisas de Deus são colocadas em primeiro lugar e o lar é uma continuação da igreja. Por outro lado, quando Deus não está no lar, sente-se que o ambiente é carnal, pesado, cheio de manifestações mundanas. As coisas materiais estão em primeiro lugar. Só pensam em prazeres materiais, riquezas, dinheiro, diversão e coisas mundanas! A casa é uma continuação mundo!

 

[...] É interessante que os que vão constituir família convidem Jesus para se fazer presente no seu lar, mesmo antes de se casarem" (RENOVATO, Elinaldo. A Família Cristã e os Ataques do Inimigo. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p. 66).

 

 

CONCLUSÃO

Aprendemos nesta lição que, não obstante o homem seja a autoridade do lar, ele tem a responsabilidade de amar, honrar e respeitar a sua esposa. Enquanto isso, a mulher, sujeita-se voluntariamente ao esposo, porque isso é agradável a Deus. Desse modo, quando o casal se ama e se respeita mutuamente, dentro de um clima de comunhão e de compreensão, a morada é abençoada por Deus (Pv 3.33).

 

HORA DA REVISÃO

1) Por que a esposa cristã se submete ao esposo?

Porque o esposo recebeu de Deus a autoridade do lar.

 

2) Segundo Pedro, onde está a verdadeira beleza?

A verdadeira beleza não está no exterior, naquilo que é aparente, nas roupas de grife e nas joias caras e extravagantes, e sim no interior do coração.

 

3) De que forma o esposo e pai cristão deve governar sua casa?

Com autoridade e não com autoritarismo, falta de respeito e truculência.

 

4) Qual a intenção de Pedro ao chamar a mulher de "vaso mais fraco"?

Sua intenção é chamar a atenção para que o esposo cuide com esmero e carinho da sua companheira, como um delicado vaso de porcelana, o que sugere cortesia, cavalheirismo e compreensão.

 

5) De que forma o cristão solteiro pode se preparar para o casamento?

Resposta pessoal.

 

 

Lição 6 - A Razão da Nossa Esperança

 

Classe: Jovens | Trimestre: 3° de 2019 | Revista: Professor | Fonte: Lições Bíblicas de Jovens, CPAD

TEXTO DO DIA

"Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós." (1 Pe 3.15)

 

SÍNTESE

Diante das injustas perseguições, os cristãos devem se preparar para dar a razão da esperança cristã.

 

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA - Gn 3.12-17: Sofrimento, consequência da liberdade mal utilizada

TERÇA - Lc 21.12-17: Jesus diz que os cristãos serão odiados e perseguidos

QUARTA - 2 Tm 2.3: Sofre as aflições como bom soldado

QUINTA - Rm 8.22: A criação sofre

SEXTA - Jo 16.33: No mundo tereis aflições

SÁBADO - 1 Co 15.35-58: Esperando a plena glorificação

 

 

OBJETIVOS

I - DESCREVER as qualidade da vida cristã;

II - REFLETIR acerca da questão do sofrimento;

III - SABER como defender a razão da esperança cristã.

 

Interação

Em todas as direções que olhamos, presenciamos dor e sofrimento. Apesar do avanço da ciência e das inúmeras comodidades inventadas pelo homem nos últimos séculos, trazendo melhores condições de vida, a dor física e emocional permanece como uma realidade perturbadora para o ser humano. Diariamente, a mídia noticia uma série de acontecimentos trágicos, violência, assassinatos, acidentes de trânsito, doenças e muitos outros eventos dolorosos. Como o cristão se porta diante do sofrimento?  Sabendo que o sofrimento tem uma origem espiritual, decorrente da Queda no Éden, e que será aniquilado somente no fim de todas as coisas, o cristão usa a esperança, a fé, o consolo de Deus e o amparo dos irmãos para passar pelas tribulações nesta terra.  

 

Orientação Pedagógica

Prezado (a) professor (a), o sofrimento do cristão é um dos temas centrais da Epístola petrina. Este assunto, como sabemos, é um tema delicado e complexo, pois envolve profundas questões teológicas, filosóficas e emocionais. Nesta lição, como forma de preparar o caminho para a lição seguinte, é interessante entender o contexto mais amplo, proporcionando aos seus alunos uma reflexão teológica sobre o "problema do mal" no nível intelectual. O propósito é munir os seus alunos com fortes argumentos apologéticos, para que a fé e a esperança deles estejam bem alicerçadas. Contudo, como escreveu Josh McDowell "os jovens cristãos de hoje precisam muito mais do que uma postura estritamente modernista, que apela para o intelecto. Precisam muito mais do que o ponto de vista pós-moderno, que rejeita a verdade e exalta a experiência pessoal" (Razões para Crer, CPAD, p. 33). Eles precisam ser ajudados a entender que o Evangelho é verdadeiro, mas também é significativo e relevante para a vida. Assim, para esta lição, recomenda-se a leitura dos capítulos 1 e 16 do livro Razões para Crer: Argumentos a Favor da Fé Cristã.

 

Texto bíblico

1 Pedro 3.8-17; 4.1,2

1 Pedro 3

8        E, finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, amando os irmãos, entranhavelmente misericordiosos e afáveis,

9        não tornando mal por mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, sabendo que para isto fostes chamados, para que, por herança, alcanceis a bênção.

10      Porque quem quer amar a vida e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano;

11      aparte-se do mal e faça o bem; busque a paz e siga-a.

12      Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos, atentos às suas orações; mas o rosto do Senhor é contra os que fazem males.

13      E qual é aquele que vos fará mal, se fordes zelosos do bem?

14      Mas também, se padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados. E não temais com medo deles, nem vos turbeis;

15      antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós,

16      tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom procedimento em Cristo,

17      porque melhor é que padeçais fazendo o bem (se a vontade de Deus assim o quer) do que fazendo o mal.

 

1 Pedro 4

1        Ora, pois, já que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos também vós com este pensamento: que aquele que padeceu na carne já cessou do pecado,

2        para que, no tempo que vos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus.

 

INTRODUÇÃO

A questão do sofrimento é tão antiga quanto a história da humanidade. "Por que sofremos?" é uma pergunta perturbadora, que leva o homem a questionar vários aspectos da vida, inclusive a existência de Deus. Nesta lição, veremos que a conduta reta e virtuosa, apesar de prevenir uma série de infortúnios, não isenta o cristão do sofrimento.

 

I - AS QUALIDADES DA VIDA CRISTÃ

 

  1. Unidade cristã.

Tendo direcionado uma série de conselhos para grupos específicos dentro da igreja (cidadãos, servos, esposas e esposos), agora Pedro se volta para os crentes em geral. A palavra "finalmente", empregada no versículo 8, indica a conclusão não da carta, mas do raciocínio que acabara de empregar, apresentando uma síntese das implicações da submissão no relacionamento entre os crentes. Podemos perceber que o apóstolo está reunindo em poucas palavras as qualidades morais e espirituais da vida cristã, a começar pela unidade. Recomenda que os crentes tenham "um mesmo sentimento", ou seja, seu propósito é que os cristão vivam em harmonia e união uns com os outros (Ef 4.3; Fp 2.2). A metáfora do corpo usada por Paulo é elucidativa a esse respeito (Rm 12). Apesar de cada membro possuir a sua individualidade, quanto à forma de operar, formamos um só corpo em Cristo. Cada parte é diferente em si, mas o corpo só funciona adequadamente se houver cooperação e relacionamento harmonioso entre todos.

 

 

 

  1. Simpatia e perdão.

Outra qualidade do comportamento genuinamente cristão é a simpatia. A palavra grega sympathês traduzida nesta passagem por compassivos tem o sentido de colocar-se no lugar do outro. Ser simpático, portanto, é muito mais que ser cordial e atencioso; consiste numa virtude que expressa solidariedade e compaixão pelo próximo. Virtude esta que deve ser seguida da prática do amor fraternal, com os corações cheios de misericórdia e humildade. Ao encorajar, no verso 9, que os crentes não tornem o mal por mal ou injúria por injúria, Pedro realça outra qualidade cristã: o perdão. A característica do cristão é perdoar a outros da mesma forma que foi perdoado (Ef 4.32). Somente com o amor depositado em nossos corações, deixamos de revidar e de retribuir com a mesma moeda a ofensa recebida. A frase "não levo desaforo para casa", não deveria encontrar espaço no vocabulário cristão.

 

  1. Guardando a língua.

Pedro recorre à citação do Salmo 34.12-15 com o propósito de acrescentar à sua lista de virtudes o cuidado com a língua: "Porque quem quer amar a vida e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano" (v.10). Encontramos aqui um verdadeiro princípio de sabedoria para a vida, pois quem guarda a sua boca e fala somente o necessário evita muitos dissabores e sofrimentos (Pv 12.13; 21.23). De forma contundente, Tiago advertiu que aquele que se considera religioso, mas não consegue conter a sua língua, engana-se a si mesmo; e a sua espiritualidade não tem valor algum (Tg 1.26).

 

II - A QUESTÃO DO SOFRIMENTO

 

 

 

  1. O sofrimento do justo.

Apesar de elencar uma série de qualidades para a conduta do cristão, o apóstolo Pedro sabe que isso não é suficiente para isentar os justos das provas e perseguições na vida. Ora, tomar decisões adequadas e viver piedosamente ajuda a prevenir muitos dissabores, mas ainda assim o sofrimento é inevitável. Eis o motivo pelo qual Pedro indaga: "E qual é aquele que vós fará mal, se fordes zelosos do bem?" (v. 13). Trata-se de uma pergunta retórica, a fim de enfatizar a importância de uma postura de zelo pelas coisas corretas. Afinal, espera-se que os justos sejam recompensados enquanto os desordeiros e irresponsáveis recebam a merecida punição. No entanto, vivendo em um mundo caído e de valores invertidos, pessoas íntegras sofrem injustiças e passam por provações, enquanto ímpios prosperam (Sl 73). Com efeito, Pedro estava preparando os crentes daquela época para as provações que lhes sobreviriam. Em vez de se sentirem amedrontados e alarmados com as ameaças que usualmente recebiam dos seus perseguidores, os cristãos são encorajados a recordar que são bem-aventurados ao padecerem por causa da justiça (v. 14). Não há nenhum louvor em sofrer justamente pelos erros cometidos, mas há grande alegria em padecer por fazer a coisa certa. Ao contrário do que afirmam os teólogos da prosperidade e do triunfalismo espiritual, vida cristã não significa ausência de provações e lutas. Basta olharmos para a galeria de heróis da fé de Hebreus 11, para percebermos que muitos deles foram torturados até à morte, açoitados, acorrentados, apedrejados e estiveram famintos no deserto.

 

  1. O problema do sofrimento.

Para os acusadores do Cristianismo, o mal é um argumento da inexistência de Deus. Os ateus e agnósticos, que não conseguem entender a questão do sofrimento - mas também não oferecem qualquer resposta satisfatória, indagam: se Deus é onipotente, por que permite que pessoas inocentes sofram? Se Ele é onisciente, por que não intervém? O simples fato de o ser humano inquirir acerca do sofrimento, a maldade e as injustiças do mundo, indica a natural percepção de que algo se encontra com defeito, fora do propósito para o qual fora planejado. Ficamos perplexos com o sofrimento porque, originariamente, a raça humana não foi criada para sofrer. Deus é bom e Todo-Poderoso, e criou criaturas boas com a capacidade de tomarem decisões livres. Todavia, o mau uso dessa liberdade levou o primeiro casal e toda a humanidade à Queda (Rm 5.12).

 

A desobediência no Éden, além de afastar o homem do Criador, introduziu a morte, a angústia, a dor e toda sorte de males que provocam o sofrimento. Somente em um mundo, onde o homem não tivesse liberdade, o sofrimento não existiria. Isso porque, é logicamente incompatível um mundo no qual o homem possa decidir entre o bem e o mal e ao mesmo tempo não ser afetado pelas consequências de sua decisão. A liberdade de colocarmos a mão no fogo, por exemplo, resulta em queimadura e dor. A completa ausência do sofrimento pressupõe a inexistência da liberdade humana. Porém, Deus não criou robôs, e sim pessoas livres. O sofrimento, portanto, além de ser o resultado da distorção da liberdade, é algo que se encontra dentro da permissão de Deus, que pode ser utilizado para ensinar e disciplinar o ser humano.

 

  1. Deus sabe que sofremos.

Além de responder intelectualmente ao problema do mal presente no mundo, a fé cristã oferece consolação na tormenta. Ainda que Deus permita o sofrimento, Ele não fica indiferente à dor humana. A maior prova disso é que o Pai enviou seu Filho Unigênito para sofrer pelos nossos pecados (Jo 3.16; Rm 5.8), oferecendo-se em sacrifício no Calvário. E assim, a cruz é a maior prova de que Deus é sensível ao nosso sofrimento. Por esse motivo, o apóstolo refere-se repetidas vezes ao padecimento de Jesus, a fim de nos recordar de que Deus, em Cristo, morreu por nós. Para Pedro, o mais importante não é saber a causa cósmica do sofrimento, e sim como devemos reagir a ele. E isso começa com a compreensão de que Deus está ao nosso lado em momentos de angústia, levando-nos a aprender com o sofrimento. Paulo disse que devemos nos gloriar também na tribulação, sabendo que a tribulação produz a paciência; e a paciência a experiência, e a experiência a esperança (Rm 5.3,4).

 

III - A DEFESA DA NOSSA ESPERANÇA

Em seguida (3.15), Pedro fornece um dos conselhos mais primorosos do Novo Testamento, no qual enfatiza o segredo para o povo de Deus enfrentar a perseguição e responder aos ataques contra a fé.

 

  1. Preparados para responder.

Diante da hostilidade, a primeira e mais importante atitude do cristão é santificar a Cristo em seu coração. Antes de qualquer coisa, Jesus deve ser consagrado e reverenciado no interior do nosso ser, de modo a ocupar a primazia de nossa existência. Em segundo lugar, o crente é instado a estar sempre preparado para responder (gr. apologia) sobre a razão da sua esperança. No original, a palavra apologia tem o sentido de discurso de defesa e justificação de algo. Assim, se alguém lhes perguntasse por que eles se consideravam cristãos - um grupo inexpressivo de religiosos à época, os crentes deveriam estar prontos para argumentar em defesa da fé que professavam. Tal prontidão deveria ser permanente, não importando o momento ou a circunstância.

 

  1. Apologética que é cristã.

Desde a Igreja Primitiva, os ataques e objeções ao Cristianismo nunca cessaram. A apologética cristã, portanto, não é responsabilidade exclusiva dos pastores e teólogos cristãos; todo aquele que professa essa fé viva e genuína deve ser capaz de explicar aos outros os motivos pelos quais acredita nas convicções cristãs. Cada crente é convocado a dar razões intelectuais sobre a veracidade do Cristianismo, demonstrando não ser a fé cristã um salto no escuro, mas uma visão de mundo plausível e consistente com a racionalidade. Ao mesmo tempo, o testemunho do Espírito Santo e a experiência real que sentimos em Cristo, nos habilita a dar aos descrentes as razões pessoais da esperança que há em nós. Antes de sabermos no que cremos, sabemos em quem cremos!

 

  1. Mansidão e temor.

É importante observar que Pedro apresenta o jeito adequado de respondermos aos descrentes: com mansidão e temor. A apologética cristã jamais deve ser usada com altivez e em clima de beligerância. O seu propósito não é vencer debates, e sim conduzir as pessoas ao Evangelho. Afinal, ganhar uma alma é mais valioso que ganhar uma discussão. Mesmo que os descrentes sejam hostis em seus ataques, o cristão defende as suas convicções com gentileza e cordialidade. Com mansidão e reverência cativamos e conquistamos os outros, por meio de uma apologética testemunhal.

 

 

 

SUBSÍDIO

"Aqueles que repudiam a crença religiosa por causa do mal banalizam o sofrimento e a fé admirável e invejável de quem sofre, sobretudo quando aqueles que sofrem permanecem firmes e encontram motivos de esperança em face do sofrimento por conta da presença e bondade de Deus para com eles. É muito mais intrigante quando as pessoas de orientação naturalista sofrem com graça e coragem. Ao que será que atribuem sua resistência no sofrimento? Qual é a fonte de sua força? Não é mais fácil os crentes que sofrem explicarem a fonte de sua força de sua coragem, consolo e graça em Deus? Os céticos que ridicularizam a crença que Deus existe e que Deus tem razões moralmente suficientes para permitir males terríveis tacitamente zombam da fé vibrante e autêntica dos crentes verdadeiros que experimentam males terríveis e, ainda assim aprendem a amar e confiar em Deus ainda mais. Talvez a profundidade da crença entre os crentes que sofrem seja um sinal indicador de uma realidade que os não crentes ainda têm de experimentar" (GEISLER, Norman L; MEISTER, Chad V. (eds.). Razões para Crer: Apresentando Argumentos a Favor da Fé Cristã. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p. 281).

 

CONCLUSÃO

A maneira mais eficaz de demonstrarmos a razão da nossa esperança aos descrentes e àqueles que questionam a nossa fé é mediante a nossa conduta pessoal. Argumentos teóricos e teológicos são importantes, mas, a menos que sejam corroborados pelo nosso testemunho de vida e no poder do Espírito, não passarão de palavras vazias. Tal testemunho ganha ainda mais valor quando mantemos a fé inabalável em tempos de sofrimento e perseguição.

 

HORA DA REVISÃO

1) Qual o propósito de Pedro ao orientar os crentes a terem "o mesmo sentimento"?

Seu propósito é que os cristão vivam em harmonia e união uns com os outros.

 

2) Qual é a palavra original empregada por Pedro traduzida por "compassivos" em 1 Pe 3.8, e qual o seu sentido?

A palavra grega sympathês traduzida por "compassivos" tem o sentido de colocar-se no lugar do outro. Ser simpático, portanto, é muito mais que ser cordial e atencioso; consiste numa virtude que expressa solidariedade e compaixão pelo próximo.

 

3) O fato de o ser humano inquirir acerca sofrimento, da maldade e das injustiças do mundo indica o quê?

Indica a natural percepção de que algo se encontra com defeito, fora do propósito para o qual fora planejado.

 

4) Qual a maior prova de que Deus não fica indiferente ao sofrimento humano?

A maior prova disso é que o Pai enviou seu Filho Unigênito para sofrer pelos nossos pecados.

 

5) Segundo Pedro, de que forma devemos responder àqueles que indagarem a razão da nossa esperança?

Com mansidão e temor.

 

Lição 7 - Alegria em Meio à Dor

Classe: Jovens | Trimestre: 3° de 2019 | Revista: Professor | Fonte: Lições Bíblicas de Jovens, CPAD

 

TEXTO DO DIA

"Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis." (1 Pe 4.13)

 

SÍNTESE

Ao experimentar a dor, o crente fiel não é levado ao desespero e à perda do sentido da vida, mas se alegra verdadeiramente em Deus.

Agenda de leitura

SEGUNDA - Tg 1.2-4: Alegrando-se na provação

TERÇA - 2 Tm 3.12: Perseguidos por amor a Cristo

QUARTA - Is 43.2: O fogo não vos queimará

QUINTA - At 16.22-33: Louvando a Deus, a despeito da perseguição

SEXTA - 2 Co 4.17: A momentânea tribulação não se compara à glória futura

SÁBADO -Rm 12.12: Alegrai-vos na esperança

 

Objetivos

I - EXPLICAR o sentido da alegria cristã diante do sofrimento;

II - MOSTRAR as tristes consequências da conduta desonrosa;

III - COMPREENDER o atual contexto de perseguição ao Evangelho e o sofrimento dos jovens.

 

Interação

A forma como o Cristianismo encara o sofrimento é completamente distinta das demais religiões e visões de mundo. Diante da calamidade, os cristãos são aconselhados a se alegrarem, não pelo sofrimento em si, mas porque temos a garantia de eterna presença e consolo de Deus. Havemos de convir que é um conselho um tanto incomum. Mas, é exatamente esse tipo de postura que fortalece e prepara o cristão para caminhar na jornada para o céu, para a morada eterna com Deus. Esse princípio norteou a Igreja ao longo da sua existência, fazendo-a passar por terríveis períodos de perseguição. Para quem a vida não tem qualquer sentido, o sofrimento leva ao desespero. Mas, para o cristão, cujo propósito da vida se firma em Deus, o sofrimento  por causa da justiça  o conduz para mais próximo do Criador. O sofrer nos ensina que a vida é frágil, passageira e que estamos sujeitos a acontecimentos que estão além das nossas forças. Por isso mesmo, dependemos de Deus!

 

Orientação Pedagógica

Prezado (a) professor(a), nesta lição prosseguimos falando sobre o tema do sofrimento. Enquanto na lição passada enfocamos o aspecto teórico, nesta é importante enfatizar o lado prático da dor. Afinal, não adianta ter respostas intelectuais para a questão; é necessário aplicá-las à vida. Como um conselheiro cristão, ouça os dramas e as angústias dos jovens, ensinando-os a suportarem com esperança e alegria os momentos difíceis. Nesta aula, peça para um dos alunos expor algo que o tenha afligido, e qual o sentimento dele em relação a isso. Qual foi a primeira reação? Querer deixar a igreja ou pedir o socorro de Deus? Reflita por alguns minutos nesse tema com a classe. Explique que muitos acabam escolhendo a primeira opção, acreditando que Deus as abandonou. Mas, essa é a decisão errada. Pelas Escrituras temos a garantia de que Deus caminha ao nosso lado quando enfrentamos o infortúnio, e tem uma gloriosa recompensa àqueles que perseveram até o fim.

 

Texto bíblico

1 Pedro 4. 12-16

12      Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós, para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse;

13      mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis.

14      Se, pelo nome de Cristo, sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus.

15      Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios;

16      mas, se padece como cristão, não se envergonhe; antes, glorifique a Deus nesta parte.

 

INTRODUÇÃO

Se você perguntar a qualquer pessoa, em perfeitas condições, se ela aprecia a dor ou se gosta de sofrer, a resposta certamente será não. Ninguém aprecia os infortúnios, nem mesmo os cristãos. Todavia, diferentemente dos descrentes, aqueles que conhecem ao Senhor encaram o sofrimento de uma maneira peculiar. Ao experimentar a dor, o crente fiel não é levado ao desespero e à perda do sentido da vida, mas se alegra em Deus, pois o sofrimento está no âmago da fé cristã. Este é o conselho que Pedro dá em sua carta, tema da presente lição.

 

I - A ALEGRIA DE SOFRER COMO CRISTÃO

 

  1. Não se surpreenda com o sofrimento.

Nesta seção, ao retomar o tema do sofrimento Pedro diz aos crentes para não estranharem a ardente prova que sobreviria sobre eles. A expressão ardente, como se passando pelo fogo, evidencia que não era um infortúnio qualquer, mas um processo doloroso de provação. A mensagem subjacente é que os discípulos de Jesus não devem se surpreender com o sofrimento, mas tê-lo como algo certo na vida. Consequentemente, o legítimo ensino bíblico rejeita as teologias triunfalistas que negam as provações e "profetizam" somente as bênçãos materiais sobre a vida dos cristãos. Embora os salvos sejam verdadeiramente abençoados por Deus com as bênçãos celestiais (Ef 1.3), no plano terreno estamos sujeitos a uma série de perdas e infortúnios, como perseguições sociais (cf. Tg 2.6), doenças (cf. Tg 5.14), crises emocionais, desemprego e afins (cf. 1 Pe 1.6; At 14.21,22). Somente quem desconhece ou distorce o Evangelho estranha o sofrimento por amor a Cristo!

 

  1. Alegria na aflição.

Em vez de espanto e perplexidade, os leitores da Carta deveriam se alegrar. Conselho semelhante foi dado por Tiago em sua epístola (Tg 1.2). O cristão não se regozija pelo sofrimento em si, mas porque o experimenta na condição de representante de Cristo na terra. Era importante que a comunidade de salvos percebesse o bom propósito de Deus por trás daquela tribulação, como uma forma de provar a qualidade da fé e conduzir ao amadurecimento do caráter cristão. A passagem do cristão pelo fogo pode ser comparada ao trabalho com uma forja quente, no qual o metal é moldado, refinado e purificado. Para o homem carnal, que não conhece as coisas do Espírito, esta é uma verdade difícil de ser compreendida. Sentir alegria mesmo em meio à aflição parece um contrassenso que somente as pessoas espirituais são capazes de compreender. É que a alegria cristã independe das circunstâncias e do nosso estado emocional. Ela decorre da presença do Espírito Santo que habita no interior de cada crente. É uma dimensão do fruto do Espírito (Gl. 5.22). Mesmo perseguido e preso, o apóstolo Paulo alegrou-se em Deus, cantando (At 16.22-33). O homem sem Deus, para quem o propósito da vida é a felicidade e o bem-estar, quando o sofrimento chega, perde completamente o sentido da sua existência. Enquanto isso, o salvo, embora não deseje a dor, sabe que cedo ou tarde ela aportará em sua vida. Mais importante, somos sabedores que Deus caminha conosco dentro da fornalha da vida!

 

  1. A alegria na glorificação.

Os crentes deveriam se alegrar diante da perseguição, pois, além desta ser uma forma de participar das aflições de Cristo, também haveriam de se regozijar na revelação da sua glória (v.13); ou seja, quando Ele voltar. Inspirado pelo Espírito Santo, Pedro está dando tanto um consolo quanto uma garantia aos leitores da sua Carta. Aquele que se alegra com Cristo na dor, haverá de se alegrar muito mais na sua glória. Quem sofre com Ele na perseguição, reinará com Ele na glorificação (2 Tm 2.12). O apóstolo Paulo confirma essa verdade com a sublime declaração: "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente" (2 Co 4.17). Isso nos mostra que o sofrimento precede a glória, assim como a cruz precede a coroa!

 

LEIA TAMBÉM:

Lição 1: AS CARTAS DE PEDRO: VIVENDO EM ESPERANÇA E FIRMADOS NA VERDADE

Lição 2: DESFRUTANDO A ALEGRIA NA ESPERANÇA DA SALVAÇÃO

Lição 3: VIVENDO EM SANTIDADE E INTEGRIDADE

 

 

 

 

 

II - A TRISTEZA DE SOFRER COMO UM MALFEITOR

 

  1. Sofrimento por conduta desonrosa.

Em seu escrito, Pedro faz questão de deixar claro que não é qualquer tipo de sofrimento que dignifica o crente fiel. Essa a razão pela qual adverte veementemente: "Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como se entremete em negócios alheios" (v.15). Por certo, nenhuma dessas condutas honram o nome de Cristo. Ocorre que, naquele contexto, não era incomum criminosos se infiltrarem entre os crentes dando a impressão de estarem sendo castigados por serem cristãos. Na verdade, eram crentes nominais, que professavam uma fé somente da boca para fora.

 

  1. O perigo de intrometer-se onde não é chamado.

Na lista de Pedro, chama a atenção principalmente a conduta de se intrometer em negócios alheios. Apesar de ser um comportamento aparentemente menos danoso que os demais, é uma atitude de consequências trágicas. A Bíblia chama o intrometido de tolo (Pv 20.3) e o compara àquele que toma um cão pelas orelhas (Pv 26.17). Nesse caso, o sofrimento advindo da intromissão não é motivo de júbilo, e sim de tristeza.

 

  1. O juízo de Deus.

No versículo 17, os destinatários da Epístola são chamados a atenção acerca do juízo divino. Por causa da sua justiça, Deus há de julgar todo o ser criado, a começar pela Igreja. O Senhor, afinal, não deixa impune aquele que pratica o mal e insiste no pecado. Ele não se deixa escarnecer. Todavia, embora os crentes verdadeiros sejam destinatários do julgamento divino, sendo exortados, disciplinados e corrigidos nesta terra, serão salvos (v. 18) e livres da condenação eterna. Enquanto isso, o julgamento daqueles que insistem em desobedecer ao Evangelho sofrerão eternamente. Pedro finaliza com uma mensagem de confiança. Se os cristãos padecem segundo a vontade de Deus, devem ficar tranquilos e depositar com confiança a vida nas mãos do fiel Criador. Deus cuida de nós com zelo!

 

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III - PERSEGUIÇÃO AO EVANGELHO E O SOFRIMENTO DO JOVEM

 

  1. Perseguição ao Evangelho hoje.

No Brasil, embora ainda existam empecilhos para o exercício pleno da liberdade religiosa, especialmente no ambiente público, nem de longe se comparam às perseguições suportadas pelos irmãos da Igreja Primitiva. No nosso país, existe uma perseguição velada e ideológica, pela qual cristãos são hostilizados por suas convicções e valores morais. Mas, em nível global, muitos cristãos são violentamente perseguidos. De acordo com a missão Portas Abertas, aproximadamente 215 milhões de cristãos em 50 países diferentes experimentam altos níveis de perseguição por sua fé.

 

  1. Orando pelos perseguidos.

Diante desses números, somos conclamados a orar pelos cristãos que vivem nesses locais de intensa perseguição ao Cristianismo. Igualmente, ao nos colocar no lugar daqueles que sofrem por causa do Evangelho, podemos comparar com a nossa própria vida. Será que o nosso infortúnio se compara à dor dos nossos irmãos que sofrem por amor a Cristo?

 

  1. Sofrimento psicológico.

Ao refletirmos sobre a questão do sofrimento na Carta de Pedro, é importante recordarmos que a juventude do tempo presente está sujeita a uma série de fatores que desencadeiam algum tipo de dor psicológica. Pesquisas apontam uma geração de jovens ansiosos, depressivos e traumatizados, levando muitos ao isolamento e até mesmo ao suicídio. O número de adolescentes e jovens que tiram a própria vida tem aumentado consideravelmente nos últimos anos no Brasil e no mundo. Diante desse quadro, é importante lembrar de que as Escrituras têm um resposta para o sofrimento psíquico, pois oferece consolo e cura para as doenças da alma. Toda pessoa pode passar por um momento de fragilidade emocional, inclusive o cristão. Não obstante, com a ajuda do Consolador e de uma comunidade cristã amorosa, é possível vencer!

 

SUBSÍDIO

 

 

 

 

"À proporção que sofremos com Cristo, mantemos nossas consciências puras, descobrimos que temos uma nova vitória sobre o pecado. Não vai aqui nenhum pensamento de que o sofrimento limpa-nos de nossos pecados. Apenas o sangue de Jesus pode fazê-lo (1 Jo 1.7; 2.2). Mas a determinação de fazer a vontade de Deus leva-nos, através do sofrimento, a romper com o pecado de maneira que deixe de ser um hábito em nossas vidas. Os leitores de Pedro precisavam desta exortação. Como gentios, haviam feito de tudo para evitar o sofrimento. Haviam procurado viver para satisfazer as concupiscências da carne, como se isto fosse o supremo alvo da vida. Agiam como muitos hoje: tudo em prol do próprio conforto, prazer e segurança.

 

[...] É imprescindível que tenhamos diante de nós o fato de que Cristo não se consolou ou cuidou de si mesmo. Ele tomou o caminho mais difícil; sofreu muito por nós; seguiu até o Calvário para cumprir a vontade do Pai.

 

Em diferentes épocas da história da Igreja, alguns cristãos tomaram essa recomendação como um apelo ao martírio. Durante as perseguições, tudo faziam para que os inimigos de Cristo os executassem. Mas a Bíblia não encoraja a morte por Jesus tanto quanto viver por Ele" (HORTON, Stanley M. 1 e 2 Pedro: A Razão da Nossa Esperança. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp. 57,58).

 

 

 

CONCLUSÃO

 

A fé e a esperança em Cristo nos dão os recursos necessários para encararmos os dias maus. Temos o consolo extraordinário de um Deus amoroso que caminha conosco quando passamos pela fornalha da aflição. Lembre-se, jovem, de que o fogo da provação que atinge a sua vida não é capaz de destruí-lo (Is 43.2), mas serve para purificar e moldar o seu caráter, para que se torne cada dia mais parecido com Jesus.

 

HORA DA REVISÃO

1) A expressão "ardente prova" empregada por Pedro evidencia o quê?

Que os cristão não enfrentariam um infortúnio qualquer, mas um processo doloroso de provação.

 

2) Por que os crentes deveriam se alegrar diante da perseguição?

Pois, além se ser uma forma de participar das aflições de Cristo, também haveriam de se alegrar e regozijar na revelação da sua glória; ou seja, quando ele voltar.

 

3) Conforme a lição o que não era incomum no contexto em que a Carta de Pedro foi escrita?

Não era incomum criminosos se infiltrarem entre os crentes dando a impressão que estavam sendo castigados por serem cristãos.

 

4) Qual a atual situação da perseguição aos cristãos em nível global?

Muitos cristãos são violentamente perseguidos. De acordo com a missão Portas Abertas, aproximadamente 215 milhões de cristãos em 50 países diferentes experimentam altos níveis de perseguição por sua fé. Em 21 desses países, a porcentagem de cristãos perseguidos é de cem por cento da população cristã.

 

5) Na igreja, temos jovens cristãos afetados pelo sofrimento emocional? Por quê?

Resposta pessoal.

 

 

 

Lição 8- O Papel do Líder e a Convivência Cristã

 

Classe: Jovens | Trimestre: 3° de 2019 | Revista: Professor | Fonte: Lições Bíblicas de Jovens, CPAD

 

TEXTO DO DIA

"Semelhantemente vós, jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes."  (1 Pe 5.5)

 

SÍNTESE

Quando o líder cristão cumpre fielmente o seu chamado ministerial e os irmãos de fé se relacionam em mútua humildade e submissão, criamos uma comunidade fraterna e forte, capaz de resistir às adversidades.

 

 

Agenda de leitura

SEGUNDA - Rm 12.8: A responsabilidade do líder

TERÇA - 1 Tm 3.1-7: O perfil do presbítero

QUARTA - 1Tm 3.1: A legitimidade do anseio ministerial

QUINTA - Jo 10.11-15: A diferença entre o pastor e o mercenário

SEXTA - 1 Tm 4.12: Não despreze o fato de ser jovem

SÁBADO - Rm 12.10: O amor mútuo

 

Objetivos

I - CONHECER os conselhos de Pedro à liderança cristã;

II- CONSCIENTIZAR sobre a importância da obediência dos jovens aos pastores e aos mais velhos;

III- MOSTRAR os princípios para o relacionamento saudável entre os irmãos.

 

 

Interação

Concluindo sua Primeira Epístola, Pedro tem uma palavra de exortação aos líderes da igreja, responsáveis por conduzir e cuidar do rebanho de Deus. Diante da provação que estavam passando por causa da perseguição, internamente, no seio da comunidade cristã, era essencial que a igreja fosse liderada com fidelidade e amor pelos pastores, aos quais o apóstolo admoesta sobre seus deveres e motivações. Por outro lado, os mais jovens e os crentes em geral são igualmente aconselhados a um padrão de conduta obediente, respeitosa e humilde, em relação aos mais velhos e entre eles mesmos. Assim, nesta lição que finaliza a primeira Carta de Pedro, veremos que as Escrituras têm orientações para toda a comunidade cristã, do maior ao menor, do mais velho ao mais novo, pois Deus não faz acepção de pessoas. Iremos aprender que quando os irmãos de fé se relacionam de maneira saudável, em mútua submissão e com o afetuoso desejo de servir, criamos uma comunidade fraterna e forte, capaz de suportar as adversidades até a volta de Jesus.

 

Orientação Pedagógica

Prezado (a) professor(a), observe esta sugestão da educadora Marlene LeFever: "Ninguém conhece os jovens como eles próprios. E ninguém precisa conhecer os jovens melhor que os professores. Dê a seus alunos a chance de compartilhar o que você precisa saber, não apenas com você, mas com outros professores da mesma faixa etária. Convide-os para uma reunião de esclarecimento pela Internet, onde eles falarão acerca de si mesmos. Tenha perguntas prontas para o ponto de partida, mas esteja aberto a questões sobre as quais eles gostariam de falar. Como eles gostariam de aprender? Que métodos realmente funcionam em sala de aula? Quais são enfadonhos? Quais são as características que eles gostam nos professores? O que os desestimula? Incentive-os a compartilharem que tentações estão tendo" (Métodos Criativos de Ensino, CPAD, p. 418).

 

Texto bíblico

1 Pedro 5.1-14

 

15      Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar:

2        apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto;

3        nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho.

4        E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de glória.

5        Semelhantemente vós, jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.

6        Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que, a seu tempo, vos exalte,

7        lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.

8        Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar;

9        ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo.

10      E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá.

11      A ele seja a glória e o poderio, para todo o sempre. Amém!

12      Por Silvano, vosso fiel irmão, como cuido, escrevi abreviadamente, exortando e testificando que esta é a verdadeira graça de Deus, na qual estais firmes.

13      A vossa coeleita em Babilônia vos saúda, e meu filho Marcos.

14      Saudai-vos uns aos outros com ósculo de caridade. Paz seja com todos vós que estais em Cristo Jesus. Amém!

 

 

 

INTRODUÇÃO

Pedro está chegando ao fim da sua primeira Carta, e antes de concluir tem uma palavra pastoral aos membros da igreja, incluindo os líderes, pois sabia da importância do bom preparo dos ministros cristãos na condução do povo de Deus em tempos de angústia. O apóstolo igualmente exorta aos jovens cristãos acerca da necessidade de se submeterem aos líderes e aos mais velhos, assim como conclama todos os crentes a uma vida de humilde convivência.

 

Desse modo, numa época marcada pela crise de convivência e pelo enfraquecimento da confiança mútua, a presente lição ecoa uma mensagem de esperança que irradia da vida em comunidade.

 

I - CONSELHOS À LIDERANÇA CRISTÃ

 

  1. Uma palavra aos presbíteros.

Ao final de sua Epístola, Pedro dirige alguns conselhos especiais aos presbíteros. A palavra grega presbyteros descreve o título de dignidade dos indivíduos experientes e de idade madura que formavam o governo da igreja local, também chamados anciãos (cf. At 14.23; 20.17; 1 Tm 5.1). No Novo Testamento, as funções de pastor, bispo e presbítero tem a mesma conotação; são homens experientes na fé vocacionados para atuarem como supervisores da obra de Deus e no cuidado pastoral. Dada a responsabilidade do ministério a eles confiado, a Bíblia apresenta uma série de qualidades essenciais para o santo ofício (1 Tm 3.1-7). Por conseguinte, como instruiu o apóstolo Paulo, os presbíteros são dignos de honra (1 Tm 5.17).  Ao apelar em especial aos líderes cristãos da sua época, Pedro enfatiza a dignidade do cargo que ocupam, para que não se esqueçam dos seus deveres. Nota-se o zelo do apóstolo com a excelência da liderança das igrejas locais. Afinal, para que a Igreja possa passar pelas lutas e provações, é crucial que os líderes cumpram com fidelidade o chamado divino, trabalhando com dedicação e diligência pela congregação.

 

Apesar da sua autoridade apostólica, Pedro apresenta-se como um presbítero. Uma postura humilde muito diferente daqueles que, atualmente, se auto proclamam apóstolos!

 

 

 

  1. Apascentando o rebanho de Deus.

Recordando possivelmente a ordem que ele mesmo recebeu do Mestre Jesus (Jo 21.16), Pedro admoesta os obreiros a apascentarem o rebanho de Deus (v.2). Nas Escrituras, dada a familiaridade com o pastoreio, a relação entre o pastor e suas ovelhas é usada como uma bela metáfora de amor, cuidado e proteção. Por esse motivo, o salmista Davi declara de modo confiante: "O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará" (Sl 23.1). Jesus se apresenta como o Bom Pastor, que conhece as suas ovelhas e por elas dá a sua vida (Jo 10.11-15). Aplicada à Igreja, apascentar as ovelhas tem o sentido espiritual de guiar biblicamente o povo de Deus, alimentar por meio da Palavra, resgatar as ovelhas perdidas e defendê-las contra os lobos devoradores.

 

  1. O cuidado com as ovelhas.

É um enorme privilégio alguém ser chamado para o santo ministério. Todavia, pesa sobre o obreiro cristão a grande responsabilidade de cuidar do rebanho, o dever de zelar pelas vidas que foram confiadas por Deus. Pedro dá três solenes advertências sobre o ministério pastoral, contrapondo com três recomendações: Primeiro, o ministério não deve ser exercido por obrigação, e sim voluntariamente. O ofício pastoral não é profissão, mas vocação divina.  Segundo, o ministério pastoral não pode ser movido pela ganância, mas com o desejo de servir. A Bíblia diz que é legítimo aspirar ao episcopado (1 Tm 3.1), todavia, o ofício eclesiástico jamais pode ser usado para benefício próprio ou para levar alguém ao estrelato religioso. Terceiro, embora os líderes tenham autoridade de Deus, não devem abusar do poder que receberam, impondo sobre o rebanho um poder excessivo e autoritário. Em vez disso, devem ser modelos de conduta para todos os cristãos.

 

II - CONSELHO À JUVENTUDE

 

  1. Sujeição dos jovens.

Em seguida, Pedro volta-se para os mais moços: "Semelhantemente vós, jovens, sede sujeitos aos anciãos [...]" (v.5). Aqui, o sentido é que a juventude deve obedecer não somente aos líderes religiosos, mas também se sujeitar aos irmãos de fé mais velhos. Por que essa instrução específica destinada aos jovens? Porque, como é comum nessa fase da vida, os jovens tendem a ser mais rebeldes e contestadores. O respeito aos pastores e aos mais velhos é um princípio que vale para todos, mas deve ser recordado com maior veemência na flor da juventude, quando os hormônios afloram e o sentimento de independência costuma despontar. Apesar das diferenças de uma geração para outra, a juventude em geral é marcada pela formação da consciência crítica e pelos constantes questionamentos. Se não souber amadurecer e aprender a lidar com as suas inquietações, o jovem cairá numa vida de rebeldia e desobediência. Pelo fato de Deus conhecer o coração do homem, da criança ao adulto, deixou esse lembrete tão preciso em sua Palavra.

 

  1. Obedecendo aos pastores.

Como nunca, a ordem para o jovem cristão obedecer ao seu pastor merece atenção em nossas igrejas. A chamada geração do milênio caracteriza-se por sua contraposição às regras, à formalidade e às instituições. Diversas pesquisas sugerem que um alto percentual de jovens da atualidade diz ter fé, mas não querem pertencer a uma religião; afirmam ser espirituais, mas preferem não fazer parte de uma igreja específica. Um número significativo deles têm percepções negativas sobre a Igreja e a liderança religiosa. Em um contexto assim, é fundamental que o jovem cristão não seja contagiado por esse sentimento depreciativo em relação à Igreja e aos santos homens que Deus escolheu para conduzir o seu rebanho na terra. Somos admoestados a obedecer aos nossos pastores porque eles receberam autoridade espiritual e velam pelas nossas almas (Hb 13.17). É possível que você não concorde com tudo que o seu líder faz ou prega, mas lembre-se de que o pastor detém a autoridade divina enquanto for fiel às Escrituras. Por isso, a postura de rebeldia e desrespeito ao líder eclesiástico é uma ofensa à Palavra de Deus. O jovem cristão deve honrar e imitar os pastores que vivem segundo a Bíblia.

 

  1. Respeito aos mais velhos.

Vivemos numa cultura que menospreza os idosos. Muitos jovens e adolescentes os consideram ultrapassados e antiquados. Contra esse pensamento, a Bíblia nos ensina a honrar as pessoas mais velhas. Olhe para o que está escrito em Levítico 19.32: "Diante das cãs te levantarás, e honrarás a face do velho, e temerás o teu Deus. Eu sou o SENHOR" (Lv 19:32). Em Provérbios 16.31 está escrito: "Coroa de honra são as cãs, achando-se elas no caminho da justiça." Respeitar os mais velhos é, além de uma recomendação Bíblia, um princípio milenar de educação.

 

III - RELACIONAMENTO ENTRE OS IRMÃOS

 

 

 

  1. Revista-se de humildade.

Depois de dizer que os presbíteros devem servir e que os jovens precisam se sujeitar, Pedro agora diz que todos devem se revestir de humildade. Afinal, trata-se de uma virtude cristã fundamental a todo crente. Humildade não é auto-piedade e falsa humilhação. Também não é sinônimo de fraqueza e acanhamento. Humildade tem a ver com simplicidade e singeleza de coração (At 2.46), cujo maior exemplo vem do próprio Senhor Jesus (Fp 2.7,8; Jo 13). Além de nos levar a reconhecer os outros superiores a nós mesmos (Fp 2.3), ser humilde implica reconhecer nossa pequenez diante de Deus (Jó 42.2) e considerar que aquilo que somos, fazemos e possuímos é resultado da sua maravilhosa graça. Por isso, ao reiterar um princípio presente em diversas passagens das Escrituras, o apóstolo diz que Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.

 

  1. Lance toda a ansiedade sobre Cristo.

Não é fácil manter serenidade e calma diante das dificuldades. O ser humano tem a propensão de se consumir pelos problemas atuais e mais ainda por aqueles que virão. Isso se chama ansiedade: a preocupação excessiva com aquilo que ainda não aconteceu. Sabendo disso, Pedro recomenda uma atitude importante para a nossa saúde espiritual e emocional: depositar toda a ansiedade em Deus, pois Ele cuida de nós e se encarrega das nossas cargas. Jesus, afinal, prometeu: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (Mt 11.28). Então, por que muitos crentes, apesar de estarem na igreja, ainda vivem sob o peso da ansiedade? Talvez porque insistem em carregar os seus próprios fardos, acreditando que são capazes de suportá-los. Ocorre que, por mais leve que seja, qualquer carga que tentarmos carregar sem a ajuda divina, será esmagadora. Eis porque Pedro diz que devemos lançar sobre Deus não parte, mas toda a nossa ansiedade. É um alento para a nossa alma saber que podemos entregar aos pés de Cristo nossos medos, frustrações e angústias, pois temos a garantia de que Ele cura as feridas da nossa alma.

 

  1. Resista ao adversário.

Por fim, Pedro reitera a exortação para que todos os salvos mantenham a sobriedade e a vigilância, pois o inimigo das nossas almas está à espreita, bramando como um leão, querendo nos tragar. O adversário e seus demônios tentam se aproveitar dos momentos de turbulência para destruir a vida do cristão. "Quando os crentes se sentem sozinhos, fracos, desamparados, e desgarrados dos outros crentes, eles podem se concentrar tanto nos seus próprios problemas, que se esquecem de vigiar quanto ao perigo. Nestas ocasiões, os crentes são particularmente vulneráveis aos ataques de Satanás, que podem vir sob várias formas, frequentemente atingindo o ponto mais fraco da pessoa - tentação, medo, solidão, preocupação, depressão, perseguição" (Comentário Bíblico de Aplicação Pessoal). No entanto, em vez de temer o Diabo, o acusador e caluniador, o crente deve vigiar e resisti-lo firme na fé. Em conselho semelhante, Tiago disse para resistir o Diabo e ele fugirá (Tg 4.7b).

 

SUBSÍDIO

"Que ninguém se queixe de que Deus lidou de maneira cruel consigo, proibindo-lhe os prazeres pelos quais há um desejo natural, pois Ele bondosamente providenciou a satisfação regular de tais desejos. Não podes comer de toas árvores do jardim, mas escolhe a tua, a que quiseres, desta poderás comer livremente; a natureza ficará satisfeita com isto, mas a luxúria não terá nada. Deus, ao limitar o homem a uma só, estava tão longe de lhe impor quaisquer dificuldades, que na realidade buscava o seu melhor interesse; pois, como observa o Sr. Herbert: 'Se Deus tivesse permitido tudo, certamente o homem teria sido o limitador.' - este é um provérbio conhecido pela igreja. Aqui Salomão explica isto, não somente prescrevendo como um antídoto, mas apresentando como um argumento contra a prostituição, o fato de que os prazeres permitidos no casamento (ainda que a sagacidade dos ímpios, que colabora com o espírito da impureza possa tentar ridicularizá-los), transcende, e muito os falsos prazeres proibidos da prostituição" (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento: Jó a Cantares de Salomão. 2.ed. Rio de Janeiro: 2015, p. 743).

 

 

 

CONCLUSÃO

 

Pedro encerra sua Carta com o mesmo tom de esperança, lembrando aos leitores de que Deus está no controle de tudo. Podemos viver em esperança porque foi Cristo quem nos chamou à sua eterna glória, e as provações momentâneas simplesmente estão nos aperfeiçoando, confirmando, fortificando e fortalecendo. Nosso caráter está sendo moldado e melhorado no fogo da provação.

 

HORA DA REVISÃO

 

1) Quem eram os presbíteros designados pela palavra grega prebyteros?

A palavra grega presbytero descreve o título de dignidade dos indivíduos experientes e de idade madura que formavam o governo da igreja local, também chamados anciãos (cf. At 14.23; 20.17; 1Tm 5.1).

 

2) Aplicada à Igreja, qual o sentido espiritual da expressão "apascentar as ovelhas"?

Tem o sentido espiritual de guiar biblicamente o povo de Deus, alimentar por meio da Palavra, resgatar as ovelhas perdidas e defendê-las contra os lobos devoradores.

 

3) Qual o sentido da ordem de Pedro quando diz: "Semelhantemente vós, jovens, sede sujeitos aos anciãos [...]"?

O sentido é que a juventude deve obedecer não somente aos líderes religiosos, mas também se sujeitar aos irmãos de fé mais velhos.

 

4) Por que a ordem dos jovens obedecerem aos pastores merece atenção em nossas igrejas?

Porque a chamada geração do milênio caracteriza-se por sua contraposição às regras, à formalidade e às instituições.

 

5) O que não é humildade?

Humildade não é auto-piedade e falsa humilhação. Também não é sinônimo de fraqueza e acanhamento.

 

Marcadores: Liderança

 

 

 

Lição 9 - O Conhecimento de Deus que conduz ao Crescimento Espiritual

 

Classe: Jovens | Trimestre: 3° de 2019 | Revista: Professor | Fonte: Lições Bíblicas de Jovens, CPAD

 

TEXTO DO DIA

"Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus e

de Jesus, nosso Senhor."  (2 Pe 1.2)

 

SÍNTESE

A fé no Senhor Jesus Cristo e o conhecimento dEle, que levam ao crescimento espiritual, impulsionam os crentes a fazerem a diferença no mundo e perseverem até o final.

 

Agenda de leitura

SEGUNDA - Os 6.3: Conhecendo a Deus continuamente

TERÇA - Mt 22.29: O erro de não conhecer as Escrituras e o poder de Deus

QUARTA - Jo 17.3: A vida eterna mediante o conhecer a Deus

QUINTA - 2 Co 1.20: As promessas de Deus são cumpridas

SEXTA - 2 Ts 1.3: Uma fé crescente

SÁBADO - Mt 24.13: Aquele que perseverar até o fim

 

Objetivos

I - COMPREENDER a suprema importância do conhecimento de Deus;

II - REFLETIR a respeito da vocação celestial e as preciosas promessas de Deus;

III- RESSALTAR a necessidade de termos uma fé crescente e frutífera.

Interação

Daremos início ao estudo da Segunda Epístola do apóstolo Pedro. Ao passo que a Primeira foi uma Carta de encorajamento aos cristãos que estavam sofrendo, esta Segunda concentra-se nos problemas internos da igreja, especialmente nos falsos mestres que estavam fazendo com que alguns crentes duvidassem da sua fé e se afastassem do cristianismo. Portanto, são textos que se complementam. Assim como a Primeira, a Segunda Carta petrina tem uma mensagem vigorosa para a Igreja em tempos pós-modernos, ao reafirmar as verdades centrais do cristianismo e combater os impostores e mercadores da fé. Imersos numa cultura que descrê da verdade e numa época em que grande parte do segmento cristão afirma não reconhecer a ortodoxia bíblica, o texto que passaremos a examinar defende, entre outras doutrinas essenciais, a autoridade das Escrituras, a divindade de Cristo, a supremacia da fé e a volta de Jesus. Portanto, temos muito o que aprender com esta carta!

 

Orientação Pedagógica

 

Prezado (a) professor(a), esta aula é a oportunidade perfeita para conversar com os seus alunos sobre o andamento da lição e o aproveitamento das aulas anteriores. O que eles aprenderam com a Primeira Epístola de Pedro? Quais lições podem ser aplicadas à vida deles? O que não ficou claro nas aulas passadas? A Primeira Epístola realmente tem uma mensagem para os nossos dias? O que acham que irão aprender nesta Segunda Epístola? Lembre-se que é papel do educador avaliar continuamente o nível de aprendizado e envolvimento dos seus alunos.

 

Texto bíblico

2 Pedro 1.2-11

 

2        graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor.

3        Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou por sua glória e virtude,

4        pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que, pela concupiscência, há no mundo,

5        e vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude, a ciência,

6        e à ciência, a temperança, e à temperança, a paciência, e à paciência, a piedade,

7        e à piedade, o amor fraternal, e ao amor fraternal, a caridade.

8        Porque, se em vós houver e aumentarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.

9        Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados.

10      Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis.

11      Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

 

INTRODUÇÃO

Nesta lição, começaremos o estudo da segunda Carta de Pedro, documento no qual o apóstolo adverte sobre os perigos das heresias e dos falsos mestres da época. Por esse motivo, esta epístola é caracterizada pelo forte conteúdo doutrinário, com a intenção de levar os leitores ao verdadeiro conhecimento de Deus e ao crescimento espiritual por intermédio do exercício da fé. Pela sua experiência, o homem que já fora impetuoso e autoconfiante, sabia da importância de o crente amadurecer espiritualmente, em direção a uma vida abundante e piedosa.

 

I - A SUPREMA IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO DE DEUS

 

  1. Refutando o gnosticismo.

Em sua Segunda Epístola, Pedro dá ênfase especial ao conhecimento de Deus. Naquele contexto, como o gnosticismo havia distorcido o significado do saber, introduzindo sérias heresias no meio cristão, era necessário um ensino cuidadoso e fundamentado para refutar a filosofia gnóstica. Entre outras coisas, os gnósticos acreditavam possuir um conhecimento de origem mística (gnose). Para eles, a salvação vinha por meio do conhecimento, basicamente pela capacidade intelectual e pelo autoconhecimento.

 

 

 

 

Veja também:

Lição 4: O RELACIONAMENTO DO CRISTÃO COM O ESTADO E COM OS SUPERIORES

Lição 5: CONSELHOS VALIOSOS PARA A VIDA CRISTÃ EM FAMÍLIA

Lição 6: A RAZÃO DA NOSSA ESPERANÇA

 

Lição 7: ALEGRIA EM MEIO À DOR

  1. O conhecimento de Deus.

Contrapondo tais heresias, Pedro diz que a graça e a paz são multiplicadas pelo conhecimento (gr. epignosis) de Deus e de Jesus Cristo, nosso Senhor. No grego, a palavra empregada para conhecimento é gnosis, mas aqui o apóstolo acrescenta o prefixo epi, que significa completo, claro, pessoal. Ou seja, na perspectiva bíblica o conhecimento divino não é algo abstrato ou baseado nalgum tipo de esoterismo, e sim o resultado do relacionamento íntimo com Deus (Jo 17.3). Este conhecimento também não significa possuir muita informação teológica na cabeça e pouca devoção no coração. Afinal, como disse certo autor cristão, "é possível saber muita coisa sobre Deus sem conhecê-lo muito". Tal ocorre quando se pretende compreender as coisas espirituais de maneira puramente racionalista. A boa teologia cristã, salutar a todo crente, compreende conhecer ao Senhor de modo relacional e experiencial, expresso por meio da piedade. Para o crente pentecostal, principalmente, conhecer a Deus é mais que uma questão de intelecto, é uma questão de profunda experiência existencial e espiritual.

 

  1. Conhecimento para a vida e piedade.

Pedro faz no verso 3 uma declaração que realça a divindade e a autoridade de Cristo, quando sublinha que o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e à piedade. Jesus graciosamente nos fornece absolutamente tudo o que necessitamos para a salvação e uma vida de santidade. Sua autoridade não está confinada à devoção religiosa, mas abrange todos os aspectos da vida. Não tinha o apóstolo qualquer dúvida sobre isso, pois ele fora testemunha do poder de Cristo sobre a natureza (Mt 14.22-29), e tinha ouvido do Mestre ressuscitado que todo o poder lhe havia sido entregue (Mt 28.18,19).

 

II - A VOCAÇÃO CELESTIAL E AS PRECIOSAS PROMESSAS

 

 

 

  1. Chamados por Deus.

Todas as bênçãos espirituais são alcançadas mediante o conhecimento íntimo daquEle que nos chamou. Conhecer a Deus não é privilégio exclusivo de alguns poucos escolhidos. A divina chamada para a salvação e para a vida santa é para todos. Deus não escolheu uma classe privilegiada de homens e mulheres, pois sua graça salvadora se estende a todos e a cada um dos homens (Jo 1.29; 3.16; Rm 5.15-19). Pedro ressalta a dupla característica da vocação divina. A glória ressalta a nobreza do Ser de Deus; a virtude, sua excelência ética e moral. Segundo Lawrence Richards: "Não recebemos poder para sermos bem-sucedidos nos negócios, nem para nos tornarmos populares. Recebemos poder para vivermos vidas devotas. Se você e eu nos concentrarmos em viver vidas devotas, descobriremos que temos poder abundante" (Comentário Devocional da Bíblia).

 

  1. Grandíssimas e preciosas promessas.

Deus não nos deixa desamparados e sem direcionamento na longa caminhada cristã. Ele nos deu tudo para a vida e piedade, e também grandíssimas e preciosas promessas (v.4), as quais expressam o seu amoroso e fiel compromisso. Os dois atributos refletem a grandiosidade daquEle que promete e o valor inestimável para os destinatários. Deus alicerça a nossa fé e fortalece a nossa esperança por meio delas (Hb 10.23). Aliás, as promessas são o combustível para a esperança do cristão. Não é reconfortante saber, por exemplo, que temos a promessa da vida eterna (1 Jo 2.25) e para sempre estaremos com o Senhor (cf. Ap 21,22)? Mas as promessas do Evangelho não dizem respeito somente aos eventos escatológicos; elas também se referem às bênçãos espirituais decorrente da nova vida em Cristo, principalmente a participação da natureza divina. Isso não significa que nos transformamos em pequenas divindades, mas que nos tornamos novas criaturas, regeneradas e santificadas, que têm comunhão e refletem o caráter moral de Deus. Enquanto os falsos profetas prometem uma falsa liberdade que aprisiona o homem aos desejos da carne, o Evangelho genuíno liberta e nos livra da corrupção.

 

 

 

  1. A fidelidade de Deus à sua Palavra.

Podemos confiar na palavra empenhada de Deus, pois temos a firme convicção de que ela não volta vazia, antes fará aquilo que lhe apraz e prosperará naquilo para que foi enviada (Is 55.11). Ele mesmo diz o Amém à sua própria promessa! Todavia, é preciso sabedoria para interpretarmos as promessas bíblicas. Além de tomarmos cuidado para não lermos as Escrituras como uma "caixinha de promessas", selecionando as partes que nos convém, devemos ter a cautela de verificar quem são os destinatários das promessas. Isso porque, ao longo do Antigo e do Novo Testamento, encontramos promessas gerais e individuais; promessas que foram direcionadas a Israel e para a Igreja.

 

Pense

Se temos a garantia de Deus de que Ele cumpre todas as sua promessas, por que duvidar da sua Palavra?

 

Ponto Importante

As promessas do Evangelho não dizem respeito somente aos eventos escatológicos, elas também se referem às bênçãos espirituais decorrente da nova vida em Cristo.

 

III - A FÉ CRESCENTE E FRUTÍFERA

 

  1. Crescer requer diligência.

Embora a vida cristã seja o resultado da graça de Deus, não somos isentados da nossa responsabilidade humana. Assim como uma planta precisa ser regada e adubada para crescer e dar frutos, a vida cristã requer disciplina e empenho permanente, cooperando com o Senhor (Fp 2.12,13). Sem dúvida, a fé é a raiz primária da vida cristã (Hb 11.1). Ela expressa uma firme convicção em Deus e na sua provisão. Dada a sua importância, o escritor da Carta aos Hebreus diz que "sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam" (Hb 11.6). Contudo, Pedro deixa entrever que a fé não é o único ingrediente da espiritualidade cristã. "Acrescentai à vossa fé" significa tomar abundantes providências, esforçando para agregar virtudes. Afinal, a fé sem as obras é morta, escreveu Tiago em sua carta (Tg 2.26). Assim, para ser vigorosa, a árvore da vida cristã precisa ser acrescida  com galhos que vão brotando do seu tronco.

 

  1. Desenvolvendo as virtudes cristãs.

O que devemos acrescentar à fé? Primeiro, a virtude. No grego, arete podia significar excelência, bondade ou até mesmo bravura. Arete é um princípio espiritual e ético, aplicável a qualquer aspecto de nossas vidas. Numa cultura que valoriza a busca do sucesso, o cristão é exortado a perseguir a excelência. Depois, prossegue Pedro, adicione ciência, isto é, o conhecimento de Deus. Na sequência, temperança (domínio próprio), paciência (perseverança), piedade (humilde devoção), amor fraternal (fraternidade) e, por fim, caridade. O clímax, portanto, da vida cristã é o amor ágape, o amor perfeito de Deus.

 

  1. Deixando de ser estéril.

Na medida em que desenvolve tais virtudes e cresce espiritualmente o cristão deixa de ser estéril e inútil. A espiritualidade abundante e rica extrapola o simples ato de crer, resultando em bons frutos e maturidade. Enquanto isso, o crente que não se alimenta da Palavra e não desenvolve hábitos e disciplinas espirituais saudáveis, é carente e estagnado. Segundo o texto (v. 9), esse tipo de crente é espiritualmente cego e mentalmente esquecido. A cegueira espiritual, ou pelo menos a deficiência visual, impossibilita que enxerguem ao longe, algo típico daqueles que perderam a capacidade de ver pelos olhos da fé. O esquecimento faz com que estes crentes percam a memória daquilo que Deus fez em suas vidas, conduzindo-os ao retrocesso.

 

  1. Fazendo firme a vocação.

Diante das consequências trágicas que uma fé nominal e improdutiva pode acarretar, o escritor bíblico insta aos destinatários da carta a aumentarem os seus cuidados: "[...] procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis" (v.10). Esta recomendação mostra de modo inconfundível que, em termos bíblicos, a eleição não é uma ação incondicional da parte de Deus, sem qualquer responsabilidade do homem. Nossa eleição é assegurada enquanto nos mantemos fiéis ao Senhor e à sua Palavra. Em outras palavras, enquanto estivermos em Cristo, e assim o fazendo, temos entrada garantida no reino de Deus (v.11). Eis porque todos somos exortados a perseverar até o fim: "aquele que perseverar até ao fim será salvo" (Mt 24.13).

 

Pense

"Uma pessoa que afirme ser salva, enquanto não for transformada não compreenderá a fé ou o que Deus fez por ela." (Comentário Bíblico Aplicação Pessoal)

 

Ponto Importante

Assim como uma planta precisa ser regada e adubada para crescer e dar frutos, a vida cristã requer disciplina e empenho permanente.

 

SUBSÍDIO 1

 

 

 

"Reconhecendo as Promessas de Deus

Para podermos depositar nossa fé nas promessas de Deus é necessário, primeiramente, sabermos o que é e o que não é uma promessa de Deus na Bíblia. Obviamente, se aplicarmos como promessa um versículo que, de fato, não é nenhuma promessa, então nossa fé estará deslocada e ficaremos desiludidos quando não virmos os resultados que esperamos. Entretanto, não ficaremos desapontados com a Palavra de Deus se a interpretarmos corretamente (2 Tm 2.15) e aplicarmos apenas os versículos que se constituem em promessa para nós hoje. [...] Vejamos algumas observações baseadas em muitos anos de estudo da Palavra de Deus:

 

Promessas feitas a indivíduos específicos não foram formuladas com a intenção de ser válidas para todos os crentes. Um exemplo disso é Gênesis 12.2. Essa promessa foi feita apenas a Abraão, e não aos crentes em geral. Portanto, os crentes de hoje não devem considerá-la como uma promessa bíblica dirigida a eles [...]. Quando encontramos promessas na Bíblia, é bom fazermos duas perguntas: A quem esta promessa está sendo feita? O contexto indica que ela é uma promessa que eu posso aplicar pessoalmente, ou ela foi feita apenas a um indivíduo em particular? [...]" (RHODES, R. Livro Completo das Promessas Bíblicas. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp. 19,20).

 

SUBSÍDIO 2

 

"Devido à maravilhosa dádiva de Deus, a salvação prometida, os crentes devem colocar toda a diligência para aplicar os benefícios das promessas, para viver a vida de acordo com um padrão de elevada moral. Embora Cristo dê o poder e a natureza divina, os crentes devem usar este poder, fazendo todo o esforço para se afastar dos seus desejos pecaminosos e procurar ativamente as qualidades que Pedro descreveu abaixo (além de outras, como o fruto do Espírito, mencionado em Gálatas 5.22,23). A medida que os cristãos se esforçam, eles continuam se tornando cada vez mais semelhantes a Cristo. Os crentes devem usar o poder de Deus e cada grama de determinação para produzir as oito características mencionadas.

 

A fé é, naturalmente, a primeira característica, pois sem ela os cristãos não são diferentes dos pagãos no mundo ao seu redor. A fé a que Pedro se referia é a fé em Cristo, a fé que os coloca na família de Deus. Embora as pessoas possam ter algumas das características a seguir por sua própria natureza, elas não terão valor na eternidade se não estiverem baseadas na fé. Mas os cristãos não devem ficar satisfeitos somente com a fé. Pedro sabia, como Tiago, que a fé sem as obras é morta. Os crentes têm trabalho a fazer. A sua fé devia produzir uma vida de virtude" (Comentário do Novo Testamento de Aplicação Pessoal, Vol. 1.ed. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 744).

 

CONCLUSÃO

Como foi possível aprender nesta lição, o conhecimento de Deus não é algo abstrato e teórico, nem fruto de algum tipo de misticismo; é o resultado do nosso relacionamento íntimo e experiencial com Ele. Todavia, este conhecimento precisa aumentar continuamente, por isso somos instados a conhecer e a prosseguir conhecendo ao Senhor (Os 6.3). Na medida em que crescemos na fé, desenvolvemos virtudes de uma vida cristã genuína e frutífera.

 

 

 

HORA DA REVISÃO

 

1) De acordo com a lição, em que acreditam os gnósticos?

Acreditavam possuir um conhecimento de origem mística (Gnose). Para eles, a salvação vinha por meio do conhecimento, basica­mente pela capacidade intelectual e pelo autoconhecimento.

 

2) Conforme estudado, o que é conhecer a Deus para o crente pentecostal?

Conhecer a Deus é mais que uma questão de intelecto, é um questão de profunda experiência existencial e espiritual.

 

3) Para quem é a chamada para a salvação e para a vida santa?

A divina chamada para a salvação e para a vida santa é para todos. Deus não escolheu uma classe privilegiada de homens e mulheres de sorte que sua graça salvadora se estende a todos e a cada um dos homens (Jo 1.29; 3.16; Rm 5.15-19; 1 Tm 2.1-6; Tt 2.9; 1 Jo 2.2).

 

4) O que significa a expressão "Acrescentai à vossa fé..."?

Significa tomar abundantes providências, esforçando para agregar virtudes

 

5) O que mostra a recomendação de Pedro ao dizer: "[...] procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis" (v.10)?

 

Mostra de modo inconfundível que em termos bíblicos a eleição não é uma ação incondicional da parte de Deus, sem qualquer responsabilidade do homem. Nossa eleição é assegurada enquanto nos mantemos fiéis ao Senhor e à sua Palavra. Em outras palavras, enquanto estivermos em Cristo, e assim o fazendo, temos entrada garantida no reino de Deus (v.11).

 

 

 

LIÇÃO 10 – PERMANEÇAM FIRMES NA PALAVRA DA VERDADE

08/09/2019

 

TEXTO DO DIA

 

 “Pelo que não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas, ainda que bem as saibais, e estejais confirmados na presente verdade.” (2 Pe 1.12)

 

SÍNTESE

 

Somente firmados na inspirada, infalível e inerrante Palavra de Deus podemos identificar e rejeitar os falsos ensinamentos.

 

 

AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – Sl 119.105 A Palavra de Deus ilumina

 

TERÇA – 1 Pedro 1.25 A Palavra de Deus permanece para sempre 

QUARTA – Sl 12.6 A Palavra de Deus é pura

QUINTA – Jo 17.17 A Palavra de Deus é a verdade

SEXTA – Hb 4.12 A Palavra de Deus é viva e eficaz

SÁBADO – 2 Tm 3.16 A Palavra de Deus é inspirada

OBJETIVOS

 

  • CONSCIENTIZAR a respeito da importância de recordar as verdades antigas;
  • APRENDER sobre a autenticidade da Palavra de Deus;
  • SABER o valor da Palavra profética.

 

 

INTERAÇÃO

 

O coração pastoral de Pedro o impeliu a admoestar seus leitores para que não esquecessem dos ensinos que haviam recebido. Apesar de estarem firmes na fé, eles deveriam manter vivas na memória as verdades da Palavra de Deus. Esse é o segredo para que o cristão não seja enganado pelos falsos mestres, dando lugar à falsidade. Não há como refutar as heresias e os modismos se o crente não estiver submetido ao estudo constante da Palavra de Deus, sendo sempre recordado dos princípios basilares da fé. Por essa razão, a Escola Dominical, os cultos de ensino e a pregação expositiva das Escrituras são essenciais para o preparo não somente dos novos convertidos, mas até mesmo dos crentes mais maduros na fé. Uma Igreja que não prioriza o ensino e não investe na capacitação de seus membros é uma presa fácil para os mercenários, falsos mestres e todos aqueles que propagam heresias. 

 

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Prezado(o) professor(a), tenha em mente que você, enquanto educador, possui grande influência sobre a vida de seus alunos. Nesta lição, em que estudaremos sobre a necessidade do cristão ficar firme na fé e na Palavra de Deus, disponha-se a orar pelos seus jovens alunos. Além disso, durante a semana, envie mensagens especiais a cada uma deles, demonstrando o seu interesse e cuidado pela vida espiritual deles.

 

TEXTO BÍBLICO

2 Pedro 1.12-21

 

12 Pelo que não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas, ainda que bem as saibais, e estejais confirmados na presente verdade.

13 E tenho por justo, enquanto estiver neste tabernáculo, despertar-vos com admoestações, 14 sabendo que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo, como também nosso Senhor Jesus Cristo já mo tem revelado. 15 Mas também eu procurarei em toda a ocasião que depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas. 16 Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade, 17 porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido. 18 E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo, 19 E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações, 20 sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; 21 Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.

INTRODUÇÃO

 

Recordar instruções do passado não é uma prática popular na cultura contemporânea. Há em nossa geração um enorme desprezo pela sabedoria antiga e uma certa idolatria às novidades. Mas o apóstolo Pedro sabia que se os crentes não se voltassem para as antigas verdades, seriam enganados pelas novas mentiras. As heresias surgem exatamente quando se desprezam as verdades tradicionais e buscam- -se modismos religiosos. Por esse motivo, nesta lição veremos que o incentivo de Pedro é que os crentes permanecessem firmes nos fundamentos da sua fé, lembrando-se das verdades da Palavra de Deus que haviam aprendido.

 

I – RELEMBRANDO VERDADES ANTIGAS

 

  1. Um chamado à lembrança. Nesta seção, Pedro encoraja os leitores da sua Carta a recordarem importantes recomendações que eram de conhecimento deles: “não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas, ainda que bem as saibais, e estejais confirmados na presente verdade” (v.12). Apesar de serem conhecedores da verdade, o apóstolo tinha por importante reavivar na memória de seus leitores alguns princípios importantes da Palavra de Deus. Considerando a nossa propensão ao esquecimento (Sl 78.11; Is 49.15; Lm 3.17), as Escrituras nos instigam a relembrar fatos e verdade espirituais (Êx 13.3; Js 1.13; Is 46.9; Hb 10.32). O pastor Pedro não se furta, em sua responsabilidade, de prover para a igreja da época o ensino de valores elementares da fé cristã. Enquanto estivesse vivo, Pedro haveria de despertar os crentes com admoestações (v.13), pois queria gravar na mente e nos corações de seus leitores a Palavra da Verdade. Ele não estava preocupado em atender aos anseio de seus leitores, pregando novidades, mas em transmitir a perene mensagem de Deus.

 

  1. A importância da recordação. A recordação é um aspecto relevante na fé cristã, porquanto é preciso lembrar os atos divinos e as palavras sagradas como diretriz para vivermos o presente e esperarmos o futuro. Por esse motivo, a tradição tem o seu valor no Cristianismo, tanto a tradição bíblica quanto aquela que formou a história da igreja. Não é de estranhar, portanto, que Deus tenha instruído os israelitas a ensinarem reiteradamente a Lei às crianças. Por isso Provérbios 3.1 diz: “Filho meu, não te esqueças da minha lei, e o teu coração guarde os meus mandamentos”. O Espírito Santo foi dado à Igreja, dentre outros motivos, para lembrar aos cristãos as lições que já aprenderam (Jo 14.26).

 

     Pregadores e ensinadores da atualidade devem seguir o exemplo do apóstolo. Ainda que venham a ser considerados repetitivos e antiquados, não podem negar a missão de pregar princípios atemporais da Palavra de Deus.

 

  1. Consciência da morte. Pedro tinha consciência da iminência de sua morte: “brevemente hei de deixar este meu tabernáculo” (v.12). Para o servo de Deus, a iminência da morte não é algo que leva ao desespero, pois o viver é Cristo e o morrer é lucro (Fp 1.21). O apóstolo queria que, mesmo depois da sua morte, suas palavras se mantivessem vivas na mente de seus leitores. Ele queria deixar um legado para a posteridade. Isso porque, sabia que o mais importante não era ele, e sim a mensagem de Deus. Os homens passam, mas a Palavra de Deus permanece para sempre (1 Pe 1.25).

II – A AUTENTICIDADE DA PALAVRA

 

  1. Um ensino verdadeiro. Por que o apóstolo insiste com seus leitores para que não se esqueçam o que haviam aprendido? Porque ele tinha uma profunda convicção de que tudo aquilo que dera a conhecer sobre Jesus, notadamente sobre o seu retorno glorioso, eram ensinos verdadeiros, firmados na realidade, não se tratando de invenções humanas. Nos tempos do Novo Testamento, os mitos eram responsáveis por moldar a cultura e a visão de mundo das pessoas. A mitologia grego-romana idealizava estórias, deuses e heróis na tentativa de dar sentido à vida. Em notório contraste, Pedro enfatiza que o seu ensino não seguiu fábulas artificialmente compostas (v.16), ou seja, que os seus ensinos não foram elaborados ardilosamente pela mente humana. Diferentemente das mitologias pagãs, a fé cristã se baseia em fatos e firmes evidências. A Bíblia não é uma obra de ficção, assim como os seus personagens e relatos não foram inventados como um conto fantasioso. Por isso, ela nos adverte a rejeitar as fábulas profanas (1 Tm 1.4; 4.7; Tt 1.14), uma vez que elas distorcem a verdade.
  2. O testemunho ocular. Pedro reivindica a veracidade da sua mensagem ao colocar-se como testemunha ocular da manifestação divina em Cristo. A expressão “nós vimos a sua majestade” (v.16) refere-se ao episódio em que ele, juntamente com Tiago e João, presenciaram a transfiguração de Jesus no monte santo, conforme registrado nos Evangelhos (Mt 17.1-13; Mc 9.2-13; Lc 9.28-36). Foi um momento sublime que marcou profundamente a vida do apóstolo. Além de ter um vislumbre da glória do Filho de Deus, ouviu a voz do Pai que dizia: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Mais que um experiência pessoal do apóstolo, a transfiguração de Cristo foi uma revelação especial de Deus, que honrou e testificou do Filho. Jesus, afinal, é a revelação mais completa de Deus. Pedro está mostrando que a experiência no Monte da Transfiguração é um elemento crucial para demonstrar a autenticidade dos ensinos cristãos, pois ele viu, ouviu e sentiu a manifestação sobrenatural de Deus.
  3. O valor da experiência. As experiências com Deus possuem importante valor na vida cristã, na medida em que autenticam a veracidade das Escrituras em nós. Sabemos que Deus existe e que a sua Palavra é verdadeira não somente porque são plausíveis ou por causa das evidências externas, mas também porque temos o testemunho interno do Espírito Santo (Rm 8.16) e experimentamos o seu poder. O crente pentecostal tem no encontro com Deus e na relação com o sobrenatural o aspecto central da sua espiritualidade. Além de serem confirmadas, as nossas crenças básicas ganham vida e vigor quando são vivenciadas na prática. Não sem razão, a Bíblia contém um conjunto de histórias e narrativas das experiências de homens e mulheres de Deus. O livro de Atos dos Apóstolos, em especial, com suas magníficas narrativas de batismo no Espírito Santo, falar em novas línguas, curas e milagres, dentre outros eventos miraculosos, fornecem para a igreja contemporânea um modelo de vida e experiência pentecostal.

 

III – O VALOR DA PALAVRA PROFÉTICA

 

  1. Palavra confirmada. Pedro também diz que devemos estar atentos às palavras dos profetas. O apóstolo está se referindo aos vaticínios de Deus constantes do Antigo Testamento, pois eles precedem e ao mesmo tempo confirmam o Evangelho, tornando a sua verdade ainda mais incontestável. Ainda que constituída de sessenta e seis livros, escritos em continentes diferentes, em três idiomas e por autores provenientes de várias classes sociais, a Bíblia é única em sua mensagem e consistente em seu conteúdo. Logo, não há divergência ou incoerência na Palavra do Senhor, pois se trata da revelação divina escrita. É o maior e melhor de todos os livros! O cumprimento profético é uma evidência inconteste da veracidade das Escrituras e da onisciência de Deus. A Bíblia contém centenas de profecias feitas séculos antes dos próprios eventos, muitas delas sobre o nascimento, obra e morte de Jesus. Há predileções do nascimento virginal de Cristo (Is 7.14; Mt 1.23), do local de seu nascimento (Mq 5.2; Mt 2.6), da maneira de sua morte (Sl 22.16; Jo 19.36), e do local de seu sepultamento (Is 53.9; Mt 27.57-66). No dia de Pentecostes (At 2), Pedro testificou o cumprimento daquilo que fora predito pelo profeta Joel (Jl 2.28). Será que tudo isso aconteceu por coincidência ou acaso? Evidentemente que não! Os ateus e céticos precisam ter muita fé para acreditar que isso tenha acontecido de maneira aleatória.
  2. Palavra iluminada. Pedro compara a palavra profética a uma lâmpada que ilumina na escuridão. Assim, os cristãos são encorajados a se deixarem iluminar por ela, pois como expressou o salmista: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho” (Sl 119.105). Note, porém, que segundo Pedro a luz ilumina “até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações”. Jesus é a brilhante Estrela da Manhã (Ap 22.16), que voltará em glória e poder.
  3. Palavra inspirada. Concluindo o seu raciocínio, Pedro agora explica porque a Palavra de Deus é digna de confiança (vv. 20,21). Para entendermos melhor a sua explicação, devemos começar pelo verso 21, pois este dá sentido ao anterior. Pedro está dizendo que as Escrituras não foram produzidas pela mente humana, mas inspiradas pelo Espírito Santo de Deus. O sentido do texto é que os autores humanos eram “levados adiante” (gr. pheromenoi), conduzidos pelo Espírito ao comunicarem as coisas de Deus. Desse modo, a totalidade das Escrituras é inspirada, pois seus autores as escreveram sob a inspiração, supervisão e orientação do Espírito Santo (2 Tm 3.16). Por conseguinte, “nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação” (v.20). Ao leitor não é dado o direito de dar ao texto sagrado o sentido que melhor lhe convém. Devemos ler a Bíblia com o propósito de entender o propósito de Deus, com o auxílio do Espírito Santo, pois sendo Ele o agente de inspiração, é também Ele que nos ensina a interpretá-los corretamente e aplicá-los à vida. Somente com a iluminação do Consolador conseguimos compreender as verdades de Deus. Essa passagem refuta os falsos mestres e pregadores que alegam possuir “revelações especiais” de Deus.

SUBSÍDIO 1

“Lembrete sobre a Autenticidade Profética (1.19-21)

 

Em seguida, Pedro começa a estabelecer o contraste entre os verdadeiros e os falsos profetas. Dá uma severa ordem para que se preste atenção às palavras dos profetas. Pode fazê-lo por ter o suporte das próprias Escrituras. O salmista, inspirado, referiu-se à Palavra de Deus nos seguintes termos: ‘Lâmpada para os meus pês é tua palavra e luz, para o meu caminho’ (Sl 119.105). Sob uma inspiração semelhante, Pedro fala da palavra profética como ‘uma luz que alumia em lugar escuro’ (2 Pe 1.19).

 

     O apóstolo atribui uma dimensão de tempo a essa luz: ‘Até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração’. É possível que essa ‘estrela da alva’ seja uma referência ao quarto oráculo de Balaão, em Números 24.17a: ‘Vê-lo-ei, mas não agora; contemplá-lo-ei, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacó, e um cetro subirá de Israel’. Esse também é o nome de Cristo que aparece em Apocalipse 22.16. Provavelmente Pedro esteja usando o exemplo de um falso profeta como a representação de um lugar escuro, e a estrela da manhã com o uma palavra profética a respeito de Cristo. Qualquer que seja o significado desse verso, está enfocando a necessidade de dirigirmos nossa atenção às palavras dos profetas” (Comentário Bíblico Pentecostal.Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 1739).

SUBSÍDIO 2

 

“O Exercício Diligente da Fé Produz Frutos

 

Em virtude das promessas que nos fez o Senhor, e por havermos rompido com o pecado, e por estarmos agora a compartilhar da natureza divina, temos de manter toda diligência no desempenho de nossa missão. Deus e Cristo já fizeram sua parte. Deram-nos todos os recursos necessários. Nossa parte é ‘acrescentar’ nossa fé; exercitá-la de tal modo que venhamos a provar o abundante suprimento das qualidades mencionadas em (2 Pe 1.5-7). Cada um de nós tem de ser exercitado para que seus frutos apareçam. Não estou falando em auto-esforço, mas em fé e num zelo vivo, pois a cooperação do Espírito é certa.

    Não são poucos os que acham que os cristãos não precisam se preocupar com o seu crescimento espiritual. Tudo que precisam fazer é sentar ao sol de seu amor e beber da chuva de seu Espírito; e o crescimento virá por si só. Mas não é bem assim. A erva daninha cresce sem cuidado, mas o fruto valioso precisa de muito trabalho. Sem diligência, o fruto não se reproduzirá; as graças e as promessas não terão efeito. É preciso mais do que desejo para se ver os frutos vingarem. Neste ponto, Pedro demonstra que a obediência à Palavra de Deus nos tornará aptos à batalha. Quanto aos frutos, hão de misturar num belo arco- -íris de santidade e amor” (HORTON, Stanley M. 1 e 2 Pedro: A Razão da Nossa Esperança. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp. 83,84).

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996

 

 

CONCLUSÃO

 

Concluímos nesta lição que a melhor maneira de ficarmos firmes na fé, sem nos desviarmos da verdade, é relembrando os ensinamentos bíblicos. Para refutar as heresias e os modismos que tentam se infiltrar em nosso meio, devemos estar submetidos ao constante estudo das Escrituras, sabendo que são elas a inspirada, inerrante, infalível e, portanto, confiável Palavra do Senhor.

 

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Segundo a lição, por que a recordação é um aspecto importante na fé cristã?

 

Porque é preciso lembrar os atos divinos e as palavras sagradas como diretriz para vivermos o presente e esperarmos o futuro.

  1. Por que o apóstolo insiste com seus leitores para que não se esqueçam o que haviam aprendido? Porque ele tinha uma profunda convicção que tudo aquilo que havia dado a conhecer sobre Jesus, notadamente sobre o seu retorno glorioso, eram ensinos verdadeiros, firmados na realidade, não se tratando de invenções humanas.

 

 

  1. O que Pedro quer dizer quando afirma que seu ensino não seguiu fábulas artificialmente compostas?

 

Que os seus ensinos não foram elaborados ardilosamente pela mente humana.

 

 

  1. A expressão “nós vimos a sua majestade” (v.16) refere-se a qual episódio na Bíblia?

 

Ao episódio em que ele, juntamente com Tiago e João, presenciou a transfiguração de Jesus no monte santo, conforme registrado nos Evangelhos (Mt 17.1-13; Mc 9.2-13; Lc 9.28-36).

 

  1. Conforme a lição, como devemos ler a Bíblia?

 

Devemos ler a Bíblia com o propósito de entender o propósito de Deus, com o auxílio do Espírito Santo, pois sendo Ele o agente de inspiração, é também Ele quem nos ensina a interpretá-los corretamente e aplicá-los à vida.

 

 

LIÇÃO 11 – ALERTA CONTRA OS FALSOS MESTRES E SUAS HERESIAS

15/09/2019

 

TEXTO DO DIA

 

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.” (2 Pe 2.1)

 

SÍNTESE

 

A Igreja deve estar sempre alerta contra os falsos mestres, pois estes se infiltram no meio dos crentes e disseminam heresias destruidoras.

 

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA – Mt 7.15 Jesus adverte sobre os falsos profetas

TERÇA – Tt 2.1 Falando o que convém à sã doutrina

QUARTA – Gl 5.19-22 Heresia, obra da carne

QUINTA – Mt 24.11 O surgimento dos falsos profetas

 

SEXTA – Ap 21.8 A condenação dos mentirosos

 

SÁBADO – Mt 7.23 Apartai-vos de mim

 

OBJETIVOS

 

  • APRESENTAR o perfil dos falsos mestres e suas heresias; • COMPREENDER as características dos falsos mestres; • REFLETIR a respeito do julgamento dos impostores da fé.

INTERAÇÃO

 

Tendo falado no capítulo 1 a respeito da Palavra revelada e inspirada de Deus, instando os crentes a se manterem firmes nela, no capítulo 2 Pedro expõe acerca dos perigos dos falsos ensinos. Assim como houve no Antigo Testamento profetas que falaram guiados pelo Espírito Santo, também houve entre o povo os falsos profetas, homens que falavam segundo os seus próprios interesses. A intenção do apóstolo, portanto, era advertir a comunidade cristã acerca dos impostores que estavam a disseminar doutrinas enganosas entre os crentes, verdadeiras heresias de perdição. Se na Primeira Carta os cristãos deveriam estar preparados para os desafios externos, na segunda a mensagem é que os crentes precisam estar prontos e precavidos contra os inimigos internos, que se infiltram dentro da Igreja e sorrateiramente torcem a verdade das Escrituras. Assim, nesta lição, estudaremos as principais características dos falsos mestres, suas heresias, motivações e, sobretudo, a certeza do seu julgamento.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Estimado(a) educador(a), existe uma grande harmonia entre 2 Pedro e a Carta de Judas. Nesta lição, utilize o esquema abaixo para identificar as características dos falsos mestres presentes em ambas as epístolas:

 

 

Tema                          2 Pedro                              Judas      

 

Infiltração                  2.1                                     4, 12

 

Imoralidade               2.3, 10, 14, 18-19             4, 7

 

Negação de Cristo     2.1                                     4

 

Movidos ambição     2.3, 14-15                           15-16

 

Rejeição autoridade   2.10                                    8-10

 

Animais irracionais    2.12                                    10

 

desejos de pecado       2.17-19                              12-13

 

Vazios, inúteis             2.3, 14-15                        15-16

 

Retribuição é certa       2.1, 3.6, 13                     5-7, 14-16

 

Quadro elaborado com base em: RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p. 531.

TEXTO BÍBLICO

2 Pedro 2.1-9

 

1 E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.

 

2 E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade; 3 e, por avareza, farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita. 4 Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o Juízo; 5 e não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, pregoeiro da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios; 6 e condenou à subversão as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinza e pondo-as para exemplo aos que vivessem impiamente; 7 e livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis 8 (porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, pelo que via e ouvia sobre as suas obras injustas). 9 Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos e reservar os injustos para o Dia de Juízo, para serem castigados,

 

 

INTRODUÇÃO

 

Depois de ensinar e aconselhar os cristãos sobre várias doutrinas, Pedro adverte agora a respeito dos impostores religiosos. Com coragem digna de um apóstolo do Senhor, Pedro não fica indiferente em relação àqueles que estavam espalhando o engano dentro da comunidade de crentes. Com o Mestre, ele entendeu a importância de se precaver dos lobos vestidos em peles de ovelhas, e agora está disposto a denunciar esse mal dentro da Igreja. Isso porque, além de ensinar a verdade, o líder cristão tem também a nobre missão de confrontar a mentira e a falsidade, falando o que convém à sã doutrina (Tt 2.1).

 

I – OS FALSOS MESTRES E SUAS HERESIAS

 

  1. A falsidade religiosa. No seu início e nas décadas seguintes, a Igreja foi ameaçada pelos judaizantes, que queriam impor a lei mosaica e seus ritos sobre os cristãos. Estes mestres alteravam o cerne do Evangelho, colocando a Lei como complemento da obra de Jesus no Calvário, razão pela qual o apóstolo Paulo os censurou gravemente (Gl 1.8,9). Tempos depois, o Cristianismo passou a ser ameaçado pelos falsos doutores (gr. pseudodidaskalos), também chamados falsos mestres ou professores, que tentavam introduzir nas doutrinas cristãs conceitos das filosofias pagãs, induzindo o povo à prática da imoralidade. É dentro desse contexto que Pedro escreve a sua Segunda Epístola, cujo teor é bem parecido com a Carta de Judas. Ambas advertem sobre as principais características dos falsos mestres, suas heresias, motivações e a certeza do julgamento divino sobre eles.

 

  1. Os falsos mestres. Os leitores da carta estavam habituados com as histórias dos falsos profetas de Israel. Em diversas ocasiões, os israelitas desviaram-se da verdade por dar ouvidos aos mensageiros enganosos. Assim, da mesma maneira que houve falsos profetas no passado (Jr 6.14; 14.14; Ez 13.16), estava havendo entre o povo mestres fraudulentos. Os tempos mudam, mas o Diabo, o pai da mentira, encontra novas maneiras de enganar o povo. Enquanto os falsos profetas supostamente falavam sob a direção de Deus, os falsos mestres distorcem as Escrituras e os falsos profetas inventam revelações, Eles adulteram a verdade de Deus.
  2. As heresias. De acordo com texto bíblico, os falsos profetas introduzem encobertamente heresias de perdição. No original grego, embora a palavra heresia (haeresis) tenha o sentido estrito de “fazer uma escolha”, no Novo Testamento ela denota uma escolha deliberada de rejeitar o verdadeiro ensino cristão, dando origem a doutrinas heréticas e movimentos sectários (1 Co 11.19; Gl 5.20). Considerando o perigo que representam à fé cristã em geral e ao crente em particular, Pedro diz que são heresias de perdição, isto é, ensinamentos que destroem princípios éticos e doutrinários. Vale atentar para a forma como os falsos mestres procedem. Utilizando a dissimulação eles introduzem suas heresias encobertamente na Igreja. Quase nunca confrontam abertamente a ortodoxia bíblica. Em vez disso, de maneira secreta, sorrateira, desprezam doutrinas elementares da fé, a exemplo da inerrância e inspiração das Escrituras, e adotam métodos hermenêuticos espúrios.
  3. Negam ao Senhor que os resgatou. Uma das principais maneiras de identificar uma heresia é observar se o seu ensino subtrai a divindade de Cristo, diminuindo seu poder e autoridade. Isso é o que Pedro quer dizer quando afirma que os falsos mestres “negarão o Senhor que os resgatou”. Eles afirmavam que Jesus não poderia ser Deus e que a sua obra vicária não tinha valor. Uma clara evidência da falsidade de um ensino é tratar Jesus somente como um grande ensinador ou mestre moral, e rejeitar a sua deidade. Jesus tinha total convicção de sua autoridade. Ele disse: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). E depois da sua ressurreição dos mortos afirmou: “É-me dado todo o poder no céu e na terra” (Mt 28.18). Cristo não era um simples sábio, um mero homem de moral elevada ou somente um profeta. Ele era e é o Filho Unigênito de Deus (Jo 3.16), enviado com o propósito de proporcionar redenção ao homem.

 

 

II – CARACTERÍSTICAS DOS FALSOS MESTRES

 

  1. Fazem seguidores. Lamentavelmente, os impostores da fé sempre alcançam êxito na tarefa de arrebanhar ouvintes e seguidores, geralmente pessoas incautas que são levadas por qualquer vento de doutrina (Ef 4.14). O ser humano possui um anseio inato por Deus, pois foi criado como um ser espiritual. Todavia, diante da sua condição caída e pecadora, acaba substituíndo o Deus verdadeiro e a sua Palavra por ídolos construídos por ele próprio, a exemplo do episódio do bezerro de ouro (Êx 32). A tática dos falsos mestres é idêntica àquela utilizada pelo falsos profetas: falar o que o povo quer ouvir (Jr 5.31; 29.8; Mq 2.11). Em razão disso, Pedro afirma que muitos seguem as suas práticas libertinas (v. 2 – ARA). Tal se deve porque enganadores religiosos não propagam somente falsas doutrinas, mas também falsas condutas. Ao distorcerem a Palavra de Deus, como fez a serpente no Éden, levam os seus seguidores à libertinagem e às práticas imorais, denegrindo o Evangelho diante do mundo.
  2. Defendem o antinomismo. A advertência apostólica contra os ensinos que conduziam à imoralidade era crucial naquele momento. Além do gnosticismo, a comunidade cristã também padecia com os ensinos heréticos dos antinomistas. Estes apregoavam a desnecessidade dos crentes seguirem princípios éticos, ao argumento de que os preceitos morais da Lei de Deus não teriam mais validade após a morte de Cristo. Para os falsos mestres, não há qualquer problema em ser crente e ao mesmo tempo viver deliberadamente no pecado. “Jesus só quer o coração” é a frase que melhor resume este ensinamento insidioso. Esta mentira satânica enganou muitas pessoas naquele tempo e continua a seduzir muitos crentes, inclusive jovens, nos dias de hoje. Paulo combateu aqueles que achavam que, por causa da graça de Deus, podiam continuar numa vida dissoluta (Rm 6.1-4). A graça divina não justifica a continuidade no pecado Como consequência dos falsos ensinos e suas práticas, Pedro enfatiza que o caminho da verdade é blasfemado. Ou seja, ao deturpar o Evangelho, os impostores trazem escândalo à Igreja e envergonham o nome de Cristo.
  3. Buscam lucro e proveito próprio. Outra marca dos falsos mestres é a busca do lucro financeiro por meio da fé. Movidos pela avareza, eles tratam os seus seguidores como mercadorias, fazendo deles negócio com palavras fingidas. Certamente, como ensina Lawrence Richards, “não devemos nos precipitar e considerar alguém como um ‘’falso mestre” com base na sua renda financeira. A questão aqui é a motivação e a exploração financeira”. Exploradores da fé não amam as pessoas, amam o dinheiro. Eles não estão preocupados com o crescimento espiritual dos crentes, e sim com o próprio benefício financeiro. Judas diz que eles são pastores que “apascentam a si mesmos” (v.12). Naquela época, muitos desses falsários espirituais cobravam para realizar suas práticas religiosas. Em nossos dias não é diferente. Em muitos casos, há quem use o ministério cristão com propósitos egoístas, com os olhos voltados para o lucro financeiro. Que Deus nos dê sabedoria para discernir entre o falso e o verdadeiro, entre aqueles que servem a Deus e aqueles que servem ao seus interesses pessoais dentro da igreja!

 

III – O JULGAMENTO DOS IMPOSTORES DA FÉ

 

  1. Uma sentença decretada. Pedro finaliza o verso 3 dando um alento aos fiéis que clamam por justiça. O tempo dos falsos mestres está terminando; o destino deles é certo: a condenação final. Ninguém poderá livrá-los da sentença do Justo Juiz, porquanto hão de pagar o preço pelos seus falsos ensinamentos e pelas vidas que desviaram da verdade. Em sua Palavra, Deus sempre deu a conhecer a sentença sobre os impostores religiosos (Ap 21.8). No Julgamento Final, nem mesmo o fato de dizerem que profetizaram, expulsaram demônios ou fizeram maravilhas no nome de Deus será suficiente para livrá-los. Jesus lhes dirá: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7.23).
  2. O Deus de justiça. O apóstolo comprova a certeza da severa condenação divina com base em três condenações anteriores: a rebelião angelical, a geração pré-diluviana e as cidades de Sodoma e Gomorra: “(…) se Deus condenou os anjos que pecaram lançando-os no inferno; se Deus condenou o mundo antigo destruindo-o pelo dilúvio, e se Deus condenou as cidades da planície reduzindo-as a cinzas, então é absolutamente certo que os falsos mestres também receberão a sua condenação” (Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento). Esta passagem enaltece a justiça e a imparcialidade de Deus. Ele é amor, mas é também justiça (Sl 50.6). De modo claro, essa passagem das Escrituras confronta os falsos ensinos que negam a ideia do inferno e da punição eterna para os pecadores. Nesse sentido, o universalismo — linha teológica que afirma que todos os homens estão destinados à salvação eterna — não encontra qualquer respaldo no texto sagrado.
  3. O livramento dos justos. Pedro contrasta a condenação dos ímpios com o livramento dos justos. Ele recorda que Deus guardou a Noé e sua família, e livrou a Ló. Evidentemente, isso é uma prova do favor divino em benefício dos pecadores arrependidos. O perdão de Deus está disponível àqueles que abandonam o pecado e passam a viver inteiramente para Ele, mediante a graça. Por essa razão, não é possível conceber a ideia segundo a qual a salvação é uma ação divina incondicional, sem a necessária correspondência por parte do homem. A condição da salvação é estar em Cristo, permanecendo fiel à sua Palavra. Isso pressupõe fé e arrependimento dos pecados.

 

Pense!

 

A falsidade não ficará impune. Um dia, os falsos mestres serão destruídos.

 

 Ponto Importante

 

O tempo dos falsos mestres está terminando; o destino deles é certo: a condenação final.

SUBSÍDIO

 

“Advertência contra as Heresias de Perdição

 

Pedro começa essa seção sobre os falsos mestres com a frase: ‘E também houve entre o povo falsos profetas’. Talvez essa seja uma referência a Balaão, a quem mais tarde citará especificamente (2.15,16), embora já tenha mencionado uma frase de seu oráculo em Números (veja comentários sobre 1.19). Pedro previne que tais falsos mestres, de forma semelhante, ‘introduzirão encobertamente heresias de perdição’ na Igreja. Esse é o desafio da Igreja do Novo Testamento. As heresias começam com argumentos plausíveis na interpretação das Escrituras, baseando doutrinas e crenças no silêncio das Escrituras e não nas palavras explícitas sobre algum assunto.  O ponto crucial da mensagem de Pedro é uma advertência contra aqueles que moralmente negam a soberania de Cristo; contrasta com o discurso destes a voz de Deus que ouviu por ocasião da Transfiguração, quando ordenou que seu Filho fosse ouvido. Esses falsos mestres não estão ouvindo e por isso negam moralmente o senhorio e a soberana propriedade que Cristo tem sobre suas vidas. Tal negação lhes trará́ rapidamente a destruição. O tema sobre ‘quem os resgatou’ é uma parte muito importante da soteriologia de Pedro (1 Pe 1.18,19)” (Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, pp. 1740).

 

ESTANTE DO PROFESSOR

LUTZER, Erwin E. Cristo entre Outros Deuses. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.

 

 

CONCLUSÃO

Desde a Queda do primeiro casal, as mentiras de Satanás e as heresias provindas das obras da carne (Gl 5.20) tentam afastar os homens da verdade de Deus, por meio da sedução e do engano. Como vimos, nesta Segunda Epístola, Pedro adverte aos crentes sobre os perigos dos falsos mestres e seus ensinos heréticos, os quais distorcem as doutrinas bíblicas e conduzem as pessoas a um padrão de vida imoral. A mensagem do apóstolo Pedro ecoa com grande intensidade para a igreja contemporânea, num tempo de falsa tolerância e pluralismo religioso, que tenta a todo custo colocar Jesus ao lado de outro deuses e transmitir a ideia de que todos os caminhos conduzem a Deus. Todavia, a verdade nunca se confunde com a mentira!

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Segundo a lição, qual o sentido da palavra heresia, e o que ela denota no Novo Testamento?

No original grego, embora a palavra heresia (haeresis) tenha o sentido estrito de “fazer uma escolha”, no Novo Testamento ela denota uma escolha deliberada de rejeitar o verdadeiro ensino cristão, dando origem a doutrinas heréticas e movimentos sectários (1Co 11.19; Gl 5.20).

 

  1. Qual a principal tática dos falsos mestres, que também era utilizada pelos falsos profetas?

 

Falar o que o povo quer ouvir.

 

  1. O que apregoavam os antinomistas?

 

Estes apregoavam a desnecessidade dos crentes seguirem princípios éticos, ao argumento de que os preceitos morais da Lei de Deus não teriam mais validade após a morte de Cristo.

 

  1. Conforme a lição, qual o destino dos falsos mestres?

 

A condenação final.

 

 

  1. O apóstolo comprova a certeza da severa condenação divina com base em três condenações anteriores. Quais são elas?

 

A rebelião angelical, a geração pré-diluviana e as cidades de Sodoma e Gomorra.

 

LIÇÃO 12 – A IMPIEDADE DECORRENTE DOS FALSOS ENSINOS

22/09/2019

 

TEXTO DO DIA

 “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça.” (Rm 1.18)


SÍNTESE 

Os ensinos dos falsos mestres conduzem os homens à impiedade e à apostasia, mas a Lei do Senhor nos ensina a viver neste mundo de maneira sóbria, justa e piedosa.


AGENDA DE LEITURA 

SEGUNDA – Pv 12.3 O homem não se estabelecerá pela impiedade 

TERÇA – Ez 33.19 Converta-se o ímpio da sua impiedade 

QUARTA – Jd 10 Animais que se corrompem 

QUINTA – 1 Tm 4.1 Apostasia nos últimos dias 

SEXTA – Hb 6.4-6 Impossibilidade de arrependimento 

SÁBADO – Sl 1.1,2 Não andando segundo o conselho dos ímpios 


OBJETIVOS 

  • EXPLICARsobre o ímpio e suas depravações; 
  • CONHECERos comportamentos decorrentes dos falsos ensino; 
  • CONSCIENTIZARsobre o perigo da apostasia. 


INTERAÇÃO 

Nesta seção da sua Segunda Carta, o apóstolo Pedro apresenta um retrato do homem ímpio, moldado pelos ensinos heréticos dos falsos mestres. Na medida em que analisamos estas características, percebemos os perigos que as heresias representam não somente para a Igreja, mas para o indivíduo e para a sociedade em geral. Isso porque, os falsos ensinos estabelecem um padrão de vida contrário ao plano de Deus e validam comportamentos imorais. Eles corrompem a boa doutrina, mas também a ética. A distorção da verdade faz com que o homem sem Deus se preocupe somente consigo mesmo, ande segundo as suas paixões, seja atrevido e desumano. Ele é audacioso, apóstata, libertino e comparável a um animal. Por tudo isso, o salmista aconselha o jovem cristão a não seguir os conselhos dos ímpios, mas se deleitar e meditar na lei do Senhor (Sl 1). 


ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Prezado(a) professor(a), esteja atento à vida espiritual de seus alunos. Lembre-se que o professor é aquele que está disposto a incentivar e a acompanhar o crescimento espiritual de seus educandos. A verdadeira Educação Cristã não se caracteriza pela simples transmissão de conhecimentos e informações, mas de um relacionamento de confiança e amor. Nesta lição, falaremos sobre os resultados nefastos produzidos pela falsos ensinos. Assim, destaque a importância do ensino que estimula a conduta ética e virtuosa, que produz crentes que dão bom testemunho do Evangelho.


TEXTO BÍBLICO

2 Pedro 2.9-19 

9 Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos e reservar os injustos para o Dia de Juízo, para serem castigados, 

10 mas principalmente aqueles que segundo a carne andam em concupiscências de imundícia e desprezam as dominações. Atrevidos, obstinados, não receiam blasfemar das autoridades; 

11 enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor. 

12 Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção, 

13 recebendo o galardão da injustiça; pois que tais homens têm prazer nos deleites cotidianos; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em seus enganos, quando se banqueteiam convosco; 

14 tendo os olhos cheios de adultério e não cessando de pecar, engodando as almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza, filhos de maldição; 

15 os quais, deixando o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça. 

16 Mas teve a repreensão da sua transgressão; o mudo jumento, falando com voz humana, impediu a loucura do profeta. 

17 Estes são fontes sem água, nuvens levadas pela força do vento, para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva; 

18 porque, falando coisas mui arrogantes de vaidades, engodam com as concupiscências da carne e com dissoluções aqueles que se estavam afastando dos que andam em erro, 

19 prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo.


INTRODUÇÃO 

Após falar sobre os falsos mestres e sobre o juízo que viria sobre eles, Pedro prossegue descrevendo o perfil daqueles que estão destinados ao juízo divino. Embora o apóstolo ainda tenha em mente os impostores da fé, a sua denúncia descreve de maneira enérgica o retrato do homem ímpio e sua apostasia. Como veremos, a rejeição a Deus e aos princípios éticos contidos em sua Palavra conduz o homem para um estilo de vida degradante e altamente nocivo para ele e para toda a sociedade


I – OS ÍMPIOS E SUAS DEPRAVAÇÕES 

  1. Andam em concupiscência.Primeiramente, o homem ímpio é dominado por seus desejos carnais. Ao dizer que eles andam em concupiscências de imundícia (ARC), ou segundo imundas paixões (ARA), Pedro deixa transparecer que não se trata de uma falha moral isolada, mas uma prática contínua e deliberada. Nesta condição, a pessoa se entrega a uma vida sexual desregrada, apresentando o seu corpo como instrumento de iniquidade (Rm 6.13). As duras palavras proferidas por Pedro e por Judas evidenciam que naquele contexto, os falsos mestres estavam incentivando a promiscuidade e as práticas sexuais pervertidas, dizendo se tratar de rituais sagrados. Ainda hoje esse tipo de comportamento é defendido por vários tipos de filosofias, porém, com roupagens modernas. A ideologia de gênero, por exemplo, tenta a todo custo desconstruir o padrão natural da sexualidade dada por Deus. Até mesmo em alguns círculos ditos cristãos surgem defensores de uma vida sexual que contraria o padrão da santidade sexual segundo as Escrituras, a ponto de reconhecerem a homossexualidade. Todavia o cristão defende que, à luz da Bíblia, o homossexualismo é algo imoral e pecaminoso (Rm 1.26-32), razão pela qual não podemos chamar o mal de bem (Is 5.20; 1 Co 6.10,11). 
  2.     Menosprezam as autoridades.Enquanto os crentes são ensinados a serem obedientes e respeitosos com os ocupantes do poder governamental, familiar ou eclesiástico, os ímpios são insubordinados e rebeldes, agindo com desprezo às dominações. É possível que Pedro esteja se referindo, no verso 12, ao desprezo dos ímpios aos líderes da igreja ou até mesmo aos poderes angelicais do mundo espiritual. Em todo o caso, essa atitude expressa uma insubmissão típica de uma rebelião moral do homem em face das autoridades estabelecidas por Deus. 
  3.     São atrevidos e difamadores.O apóstolo prossegue dizendo que eles são atrevidos, obstinados e não receiam blasfemar das autoridades. O homem ímpio, dominado pelo pecado, é petulante, prepotente e orgulhoso. Acredita ser melhor que os outros, e quer em tudo levar vantagem, esse tipo de comportamento nada tem de cristão. Além disso, gosta de falar mal não somente das autoridades superiores, como diz o texto, mas de tudo e de todos. Aqueles que imaginam que a fofoca e os boatos são vícios morais de menor gravidade devem atentar para as várias recomendações bíblicas sobre a maledicência e o domínio da língua (2 Tm 2.16,17; Cl 3.8). 

 

II – COMPORTAMENTOS DECORRENTES DOS FALSOS ENSINOS 

  1. Irracionalidade animal. Pedro compara os ímpios a animais irracionais (v.12). O homem não é obra do acaso, resultado da evolução das espécies. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 2.16). Todavia, aquele que se torna escravo de seus instintos naturais, em total desprezo à consciência moral e à voz do Espírito de Deus, assemelha-se a uma fera que vive pelos impulsos animalescos. Não é sem razão que o homem sem Deus aceita de bom grado e sem questionar a teoria evolucionista. Afinal, ela fornece uma justificativa para aqueles que querem viver sem nenhum tipo de julgamento moral. Se Deus não existe, tudo é moralmente permitido. Por causa disso, a destruição deles é inevitável, pois receberão o galardão da injustiça.
  2.    Hedonismo.Tamanha era a devassidão que os homens se entregavam à luxúria carnal em pleno dia (v.13 – ARA). Escravo do pecado, o homem busca prazer no sexo, nas bebidas, nas drogas e nas baladas. Pedro diz que eles têm “olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecado, engodando almas inconstantes, tendo coração exercitado na avareza”. Em resumo, o hedonista está sempre cobiçando, e o seu apetite pelo pecado nunca é satisfeito. Isso é típico do hedonismo, uma forma de vida que busca o prazer a todo custo. Para o hedonista, as coisas mais importantes na vida são a conquista do prazer e a fuga ao sofrimento. 
  3.     Apostasia e sincretismo religioso.Como exemplo do desvio do caminho da verdade, Pedro traz à memória o profeta Balaão, o controverso mensageiro do Antigo Testamento (Nm 22-26). Apesar de ter aparentemente resistido à proposta de Balaque, de amaldiçoar Israel, seu coração ambicionava a recompensa prometida pelo rei moabita. Atribui-se a ele o fato de os israelitas terem sido seduzidos a adorar Baal e levados a se prostituírem com as mulheres pagãs (Nm 25; Jd 11; Ap 2.14). Tornou-se, assim, um péssimo exemplo de apostasia e sincretismo religioso, que tenta misturar a fé cristã com outras religiões. A tentativa de conciliar diferentes dogmas religiosos é uma marca da presente era, sob o falso argumento de que as várias religiões do mundo são nada mais que aspectos diferentes de uma mesma divindade. Esse argumento tem tirado muitos cristãos do caminho da verdade. 


III – O PERIGO DA APOSTASIA 

  1. A possibilidade da queda.Agora, o autor sagrado adverte sobre o perigo de se abandonar a verdade. A partir da leitura do verso 20 aprendemos que aquele que conheceu ao Senhor Jesus Cristo pode perder a salvação, caso seja vencido pela contaminação do mundo. A salvação somente é garantida àquele que se mantém fiel ao Senhor. Por isso, não há qualquer base bíblica para afirmação que diz “uma vez salvo, salvo para sempre”. O apóstolo ensina que o estado final daquele que conheceu a verdade e a abandonou será pior que antes. 
  2.      O perigo da apostasia.Ao dizer que “melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça do que, conhecendo- -o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado”, o apóstolo não está incentivando algum tipo de ignorância. A sua intenção é advertir para os perigos da apostasia. Este termo, proveniente do grego apostásis, significa o abandono consciente e premeditado da fé que nos foi revelada por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo (1 Tm 4.1). É preciso esclarecer que a apostasia da qual Pedro está a tratar não se confunde com o desvio da fé, passível de retorno aos braços do Pai por meio do genuíno arrependimento (2 Co 12.21; Rm 11.21-23; Tg 5.19). Existem dois tipos de apostasia: a teológica e a moral. A primeira ocorre quando a pessoa nega e se afasta completamente da verdade de Deus. Na segunda, quando revela comportamentos contrários à santidade requerida em sua Palavra (Hb 6.4; 1 Pe 1.15,16). Os falsos ensinamentos podem conduzir a esses dois tipos de apostasia, pois nega o Senhor e conduz a uma vida ímpia e imoral. Por outro lado, a graça e o ensino da Lei do Senhor nos ensina a renunciar à impiedade e às concupiscências mundanas, vivendo neste presente século sóbria, justa e piamente” (Tt 2.11,12).


SUBSÍDIO 1

“A Apostasia Pessoal (Hb 3.12)

A apostasia (gr. apostasia) aparece duas vezes no NT como substantivo (At 21.21; 2 Ts 2.3) e, aqui em Hb 3.12, como verbo (gr. aphistemi, traduzido por ‘apartar’). O termo grego é definido como ‘decair, deserção, rebelião, abandono, retirada ou afastar-se daquilo a que antes se estava ligado’. 1. Significado de apostasia. Apostatar significa cortar o relacionamento salvífico com Cristo, ou apartar-se da união vital com Ele e da verdadeira fé nEle. Sendo assim, a apostasia individual é possível somente para quem já experimentou a salvação, a regeneração e a renovação pelo Espírito Santo (Lc 8.13; Hb 6.4,5); não é simples negação das doutrinas do NT pelos inconversos dentro da igreja visível. A apostasia pode envolver dois aspectos distintos, embora relacionados entre si: (a) a apostasia teológica, isto é, a rejeição de todos os ensinos originais de Cristo e dos apóstolos ou alguns deles (1 Tm 4.1; 2 Tm 4.3); e (b) a apostasia moral, ou seja, aquele que era crente deixa de permanecer em Cristo e volta a ser escravo do pecado e da imoralidade (Is 29.13; Mt 23.25-28; Rm 6.15-23; 8.6-13). 2. Advertência bíblica. A Bíblia adverte fortemente quanto à possibilidade da apostasia, visando tanto nos alertar do perigo fatal de abandonar nossa união com Cristo, como para nos motivara perseverar na fé e na obediência” (Bíblia de Estudo Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.1903).


SUBSÍDIO 2

“Pedro menciona aqueles que ‘depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, foram outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado. Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: ‘O cão voltou ao seu próprio vômito; a porca lavada, ao espojadouro de lama’ (2 Pe 2.20-22). João diz que a vida eterna não é possessão do crente, independentemente de ele ter a Cristo (1 Jo 5.11,12). O Pai ‘deu também ao Filho ter a vida eterna em si mesmo’ no mesmo sentido em que o Pai tem vida por seu próprio direito e natureza (Jo 5.26). A nós não foi concedido esse direito. A vida eterna é a vida de Cristo em nós, e nós a possuímos somente à medida em que estamos em ‘Cristo’. Os calvinistas, dizendo que essas advertências são essencialmente hipotéticas para os crentes verdadeiros, empregam várias ilustrações. Erickson refere-se a pais que temem que seus filhos saiam correndo para a rua e sejam atropelados por um automóvel. Eles têm duas opções: construir um muro alto que impossibilite a saída de dentro do quintal; ou podem advertir a criança contra o perigo de sair correndo para a rua” (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996)


ESTANTE DO PROFESSOR 

DANIEL, Silas. Arminianismo: A Mecânica da Salvação. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017

CONCLUSÃO 

O estudo da presente lição nos mostrou quão perigosos são os ensinos dos falsos mestres, pois conduzem a comportamentos que prejudicam o indivíduo e toda a sociedade, por meio de uma mentalidade ímpia e completamente contrária ao propósito de Deus para o ser humano. 


HORA DA REVISÃO 

  1. Segundo a lição, o que as duras palavras de Pedro evidenciam sobre o que estava acontecendo naquele contexto? 

Que os falsos mestres estavam incentivando a promiscuidade e as práticas sexuais pervertidas, dizendo se tratar de rituais sagrados. 


  1. A quem Pedro compara os ímpios? 

A animais irracionais. 


  1. Quais são as coisas mais importantes para o hedonista? 

A conquista do prazer e a fuga ao sofrimento. 


  1. O profeta Balaão é um péssimo exemplo de quê? 

De apostasia e sincretismo religioso. 


  1. O que é apostasia? 

Este termo, proveniente do grego apostásis, significa o abandono consciente e premeditado da fé que nos foi revelada por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo.

LIÇÃO 13 – A VINDA DO SENHOR: A NOSSA SUPREMA ESPERANÇA

29/09/2019

TEXTO DO DIA

 “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.” (2 Pe 3.9)

 

SÍNTESE

 

Embora os descrentes zombem da promessa da volta de Jesus, os cristãos confiam na sua promessa e aguardam esperançosamente a sua vinda.

 

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA – Jo 14.2,3,6 Jesus foi preparar-nos lugar

TERÇA – Mc 13.26,27 O Filho de Deus voltará em poder e grande glória 

QUARTA – Lc 21.27 Os sinais da vinda

QUINTA – 1 Ts 4.16,17 O arrebatamento da igreja

SEXTA – Mt 24.36-39 Não sabemos a hora

SÁBADO – Mt24.42-44 Mantendo a vigilância

 

OBJETIVOS

 

  • SABER quem são aqueles que zombam da vinda de Cristo; • CONSCIENTIZAR sobre a certeza da vinda de Jesus; • COMPREENDER a necessidade de estar preparado para o retorno do Senhor.

INTERAÇÃO

 

Pedro está chegando ao final da sua Segunda Epístola, e depois de ter advertido os crentes acerca dos falsos mestres e suas heresias, têm uma palavra de ânimo e de esperança firmada na certeza da volta de Jesus, pois foi Ele quem o prometeu. Este é o tema da presente lição que encerra o trimestre. Esperamos que tenha sido um período de crescimento espiritual, firmeza na verdade, fortalecimento da fé e da esperança cristã. Como tivemos a oportunidade de aprender, a esperança cristã permeia todas as dimensões da vida, firmando nossos passos e fortalecendo nossos corações neste mundo em que somos peregrinos. É interessante que Pedro tenha dito que fomos gerados para uma ‘viva esperança’ (1 Pe 1.3). Essa expressão qualifica a esperança cristã como sendo cheia de alegria e vivacidade. Ao mesmo tempo, pode ser também um comando para que vivamos a esperança de modo constante e pleno em toda a existência. Viver em esperança implica experimentar a realidade do Reino de Deus hoje, ao mesmo tempo em que inspira a aguardar de modo confiante a consumação de todas as coisas. Maranata!

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Prezado(a) professor(a), chegamos ao final do nosso trimestre. Nesta aula, como forma de avaliar e relembrar alguns temas que foram estudando ao longo dos meses, faça um trabalho em grupo. Separe em grupos de 5 alunos. Peça para que cada grupo discuta entre seus componentes pelo menos 3 pontos/aspectos que marcaram o aprendizado deles ao longo do trimestre. Dê 5 minutos para esta atividade. Depois, peça que o representante de cada grupo exponha aos demais a conclusão da sua equipe. É possível que vários temas se repitam. Por isso, enquanto um grupo apresenta, os demais podem contribuir.

 

TEXTO BÍBLICO

2 Pedro 3.1-10

 

1 Amados, escrevo-vos, agora, esta segunda carta, em ambas as quais desperto com exortação o vosso ânimo sincero, 2 para que vos lembreis das palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas e do mandamento do Senhor e Salvador, mediante os vossos apóstolos, 3 sabendo primeiro isto: que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências 4 e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque desde que os pais dormiram todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação. 5 Eles voluntariamente ignoram isto: que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste; 6 pelas quais coisas pereceu o mundo de então, coberto com as águas do dilúvio. 7 Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro e se guardam para o fogo, até o Dia do Juízo e da perdição dos homens ímpios. 8 Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia. 9 O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se. 10 Mas o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão

 

INTRODUÇÃO

 

Estamos chegando ao final da Segunda Carta de Pedro, e também do nosso trimestre. Antes de concluir a sua Epístola, o apóstolo desperta o ânimo dos seus leitores, fazendo-os lembrar da gloriosa volta de Jesus. Se na sua primeira Carta Pedro incentivou que os cristãos tivessem esperança no meio das provações, nesta segunda ele conclama a Igreja a manter sempre viva a esperança futura, a despeito daqueles que desdenham da promessa de Cristo. Isso porque o retorno do Filho de Deus em poder e grande glória é a nossa suprema esperança. Estudemos esta lição em oração, pedindo ao Espírito Santo que faça arder dentro de nós o forte anseio pelo retorno de Cristo Jesus.

I – AQUELES QUE ZOMBAM DA VINDA DE CRISTO

 

  1. Os escarnecedores dos últimos dias. Pedro previne os seus leitores de que nos últimos dias viriam escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências. “Últimos dias” é uma expressão bíblica que alude ao período que começa com a ressurreição de Jesus e se estenderá até a sua volta, quando estabelecerá o seu reino e julgará toda a humanidade. Neste intervalo, segundo as Escrituras, muitos rirão da verdade (1 Tm 4.1,2; 2 Tm 3.1-9), num tempo marcado pela multiplicação da iniquidade.
  2. O raciocínio herético. A indignação de Pedro era porque os hereges estavam zombando da doutrina da volta de Jesus; brincando com a esperança futura dos crentes. Eles questionavam acerca do cumprimento da promessa da vinda de Jesus: Onde está a promessa da sua vinda? A pergunta maldosa queria dar a entender o seguinte: se Cristo não tinha vindo até aquele momento, Ele nunca mais o faria. Com isso, estavam dizendo que as palavras de Jesus não eram dignas de confiança (Mc 13.26,27; Lc 21.27). Raciocínio idêntico é disseminado em nossos dias, não somente entre os descrentes, mas até mesmo entre alguns círculos cristãos que interpretam as Escrituras de maneira não ortodoxa, não crendo que Jesus retornará.
  3. O argumento falacioso. Como é de costume, os falsos mestres apelavam a um argumento falacioso: algo que tem aparência de verdade, mas no fundo é um enorme mentira. Eles diziam que, desde a antiguidade, a criação de Deus permanecia inalterada, dando a entender que, dentro da ordem natural do mundo, não haveria espaço para acontecimentos extraordinários e miraculosos, muito menos a Segunda Vinda de Cristo em glória. Esta afirmação está embasada numa visão de mundo eminentemente naturalista, que nega qualquer possibilidade de intervenção divina no universo.

 

II – A CERTEZA DA VINDA DE JESUS

 

  1. Ignorância deliberada. Inicialmente, o apóstolo questiona o método empregado pelos acusadores do cristianismo ortodoxo. Ele afirma que os falsos mestres voluntariamente ignoram algo. Sem dúvida, uma das estratégias das seitas e heresias é exatamente selecionar algumas partes das Escrituras e desprezar outras. Como é frequente, tomam passagens bíblicas isoladas e fora do seu contexto para dar credibilidade às suas falsas doutrinas. O servo de Deus deve estar preparado para refutar este método interpretativo das Escrituras.
  2. Criador e Juiz. Para comprovar a veracidade da promessa divina, Pedro apresenta dois argumentos bíblicos e históricos irrefutáveis, os quais são ignorados por aqueles que zombam da fé cristã. São eles: a criação do mundo pelo poder da Palavra de Deus e o julgamento diluviano (vv. 5,6). Tais exemplos evidenciam o poder do Criador e o cumprimento fiel à sua promessa, ao julgar os ímpios e salvar o justo Noé e a sua família. Somos lembrados de que Deus não criou o mundo e o abandonou à própria sorte, como defende o deísmo.
  3. A promessa não retarda. Até mesmo alguns crentes indagam o motivo da demora do retorno do Rei Jesus. Por isso, do verso 8, Pedro direciona uma palavra de ânimo e esperança ao amados irmãos. São três verdades bíblicas que todo crente deve guardar sem seu coração. Primeiro, o tempo de Deus é diferente do nosso: um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia (Sl 90.4). Segundo, a promessa de Deus não está atrasada como muitos creem; o Eterno é soberano e trabalha de acordo com o calendário dEle. Ter fé implica confiar que Deus está conduzindo a curva da história da melhor maneira, não cabendo a nós duvidar ou questionar os seus desígnios. Terceiro, o Senhor é longânimo, e está dando oportunidade para que os pecadores se arrependam. Ele deseja que todos os homens sejam salvos (1 Tm 2.4).

 

III – PREPARANDO-SE PARA A VINDA DO SENHOR

 

  1. Alerta. Uma vez que que a vinda do Senhor é certa, resta ao crente ter uma vida diligente, aguardando o glorioso Dia do Senhor, que virá como o ladrão de noite. Essa expressão alude à surpresa e à rapidez de um acontecimento inesperado, tal qual a ação do salteador noturno. Ela será brusca, repentina. Pedro está se lembrando das palavras do Senhor no Sermão do Monte quando promete voltar como um ladrão de noite (Mt 24.43). Somente os incrédulos e desavisados serão surpreendidos no dia da volta do Senhor. Os crentes, porém, apesar da surpresa do momento, não estarão desprevenidos, pois vivem como se o Senhor pudesse voltar a qualquer instante, num abrir e fechar de olhos. São como as virgens prudentes que, além das lâmpadas acesas, levaram azeite consigo, preparando-se para a chegada do noivo (Mt 25).
  2. Conduta. Aguardar a volta de Cristo não é uma atitude de mera passividade.

 

   Tal expectativa requer uma postura vigilante e santa (ver Rm 13.11-14; 2 Co 5.1-11; Fp 3.17-21; 1 Ts 5.1-11). Enquanto ansiamos os novos céus e a nova terra, somos instados a viver neste mundo incontaminados e irrepreensíveis (vv. 13,14). Fica evidente o contraste entre os crentes que aguardam a volta de Jesus, e os ímpios que desdenham do seu retorno glorioso. Enquanto os cristãos são aconselhados a viverem de maneira santa e piedosa, os ímpios são ensinados a procederem de modo imoral. Isso demonstra que as crenças de uma pessoa acerca das coisas futuras definem o modo como ela vive nesta terra. Aqueles que não acreditam em julgamento e vida futura vivem com base no lema “aproveite o momento”. Enquanto isso, aqueles que acreditam que devem prestar contas ao Criador, o qual julgará todo ser humano, vivem a vida presente em santidade e temor a Deus; é uma vida feliz segundo o propósito de Deus.

  1. A nossa responsabilidade. Uma vez mais Pedro deixa transparecer em sua Carta a responsabilidade do cristão em relação a sua chamada e vida espiritual. A respeito dessa passagem, Roger Stronstad escreve: “Existe uma óbvia impressão de responsabilidade humana fluindo através das cartas de Pedro. Embora Deus seja aquEle que faz preciosas promessas, e embora recebamos seu divino poder e chamada, a responsabilidade é acrescentada ao elemento divino. Uma vida moral e ética não se adquire instantaneamente após a conversão, antes, é um modo de vida consistente e cotidiano alcançado gradualmente” (Comentário Bíblico Pentecostal).

 

SUBSÍDIO 1“Os crentes esperam ansiosamente o fim da terra somente porque isto significa o cumprimento de outra das promessas de Deus — sua criação de novos céus e nova terra. O objetivo de Deus para as pessoas não é a destruição, mas a recriação; não é a aniquilação, mas a renovação. Deus irá purificar os céus e a terra com o fogo; a seguir. Ele irá criá-los novamente. Todos os crentes podem alegremente esperar pela restauração do bom mundo de Deus (Rm 8.21). Em uma bela descrição dos novos céus e da nova terra, os crentes têm a segurança de que será um mundo em que habita a justiça, porque o próprio Deus viverá entre o seu povo (veja Ap 21.1-4,22-27). Pelo fato de os crentes poderem confiar na promessa de Deus de lhes trazer uma nova terra, e por eles estarem aguardando estas coisas, eles devem viver imaculados e irrepreensíveis em paz. Em outras palavras, somente esta esperança poderosa pode nos instigar a viver com justiça. O reino de Deus será caracterizado pela paz com Deus; portanto, os crentes devem praticar a paz com Deus agora, preparando-se para vivê-la no reino. Não devemos agir como preguiçosos e ser complacentes somente porque Cristo ainda não retornou. Na verdade, devemos viver em ansiosa expectativa de sua vinda. O que você̂ deseja estar fazendo quando Cristo voltar? É assim que você̂ deve viver todos os dias” (Comentário do Novo Testamento de Aplicação Pessoal. Vol. 1. 1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 758).

“Escarnecendo da Promessa da Vinda de Cristo

 

Os escarnecedores dirigirão seu escárnio (2 Pe 3.4) à promessa da vinda de Cristo — em grego, parousia, palavra usada como termo técnico para indicar a visita de um rei ou imperador a uma província. Fazia-se, pois, uma grande celebração em sua chegada, para que todos pudessem contemplar-lhe a majestade. Mas Jesus deu à palavra novo significado. Ele virá para receber sua Igreja, para ser glorificado em seus crentes e estabelecer seu reino milenar na terra com os vencedores (Ap 3.21). Tentam alguns limitar o significado de parousia à volta de Cristo à Igreja. Contudo, um exame mais atento mostra que tem um sentido mais amplo: inclui tudo que é dito por Paulo nesta assertiva: ‘Estaremos para sempre com o Senhor’ (1 Ts 4.17). Indagam os escarnecedores com seus escárnios: ‘Onde está a promessa da sua vinda, porque desde que os pais dormiram, todas as cousas permaneceram como desde o princípio da criação’ (2 Pe 3.4). Sua atitude é semelhante a dos impenitentes do Antigo Testamento que zombavam das advertências a respeito da iminência do julgamento de Judá e Jerusalém: ‘O Senhor não faz bem nem faz mal’ (Sf 1.12). Assim o faziam, supondo ser o Senhor impotente para intervir nos problemas deste mundo (Na 1.3)” (HORTON, Stanley M. 1 e 2 Pedro: A Razão da Nossa Esperança. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp. 101, 102).

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

GEISLER, Norman; RHODES, Ron. Resposta às Seitas: Um Manual Popular sobre as Interpretações Equivocadas das Seitas. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.

 

CONCLUSÃO

 

Pedro conclui sua Segunda Carta admoestando os crentes a se precaverem contra o engano dos homens abomináveis. Para tanto, diz para crescerem na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Estes são os conselhos que sintetizam as duas Cartas do apóstolos. Para estarmos firmes na verdade é preciso crescer na graça e no conhecimento, isto é, precisamos nos desenvolver espiritual e intelectualmente. Mas, sobretudo, é preciso que seja dada glória e honra ao Senhor Jesus, hoje e eternamente. Amém!

 

HORA DA REVISÃO

  1. Segundo a lição, qual o sentido da expressão “últimos dias”?

É uma expressão bíblica que alude ao período que começa com a ressurreição de Jesus e se estenderá até a sua volta, quando estabelecerá o seu reino e julgará toda a humanidade.

 

  1. Quem são os escarnecedores?

São aqueles que zombam, ridicularizam e manifestam desdém por aquilo que deveria ser tratado com reverência e seriedade.

  1. Conforme a lição, qual é uma das estratégias das seitas e heresias em relação às Escrituras? Selecionar algumas partes das Escrituras e desprezar outras.
  2. Para comprovar a veracidade da promessa divina, quais argumentos Pedro apresenta?

A criação do mundo pelo poder da Palavra de Deus e o julgamento diluviano.

  1. O que é preciso para estar preparado para a volta de Jesus?

 

Resposta pessoal.

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