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Comentario do Apocalipse a taças da ira de Deus
Comentario do Apocalipse a taças da ira de Deus

     PRIMEIRA TAÇA DO APOCALIPSE       

   A Primeira Taça — Sobre aTerra (16:2)

      Professor Mauricio Berwald

 

Há algo de expressivo na execução das sete pragas. As taças, como um todo, implicam ação rápida. Golpeando, como relâmpago, destroem o reino da besta, que havia tomado para si mesma o reino do mundo. Destruição repentina sobrevirá à besta e aos seus adoradores, e não poderão escapar.

 

Os juízos das trombetas limitam-se, mais ou menos, ao mundo romano, mas os juízos das taças hão de cobrir a terra e devem constituir a guerra total de Deus sobre o mundo. As taças são a resposta de Deus a Satanás e destruirão seu império. Nas trombetas, o poder de Satanás é liberado a fim de dar andamento a seus objetivos. Nas taças, Deus desencadeia todo o seu poder a fim de pôr termo à obra sombria de Satanás. Entrega a seus anjos controle direto sobre todas as forças naturais, e esses anjos, por sua vez, executam o julgamento que está escrito.

 

Na primeira taça da ira vemos uma praga parecida com a sexta praga egípcia (Êx 9:8-12), a primeira a afligir os corpos dos egípcios. David Brown afirma: “A razão pela qual a sexta praga egípcia aqui é a primeira é por ter sido dirigida contra os magos egípcios, Janes eJambres, para que não pudessem permanecer na presença de Moisés; de forma que aqui a praga é enviada sobre os que na adoração à besta haviam praticado a feitiçaria. Assim como se submeteram à marca da besta, da mesma forma devem levar a marca do Deus vingador.”

 

Neste sentido, ficamos a imaginar se “a chaga ruim e maligna” não afligirá a parte do corpo que leva a marca da besta—a saber, a fronte e a palma da mão. “Sofrimento físico, sem dúvida, adicionar-se-á à angústia dos homens, mas as feições principais e predominantes será o trato judicial com a alma e com a consciência—sofrimento que excede de muito qualquer aflição corporal.” Mas certamente não podemos afastar-nos das chagas literais—feridas ruins, malignas e supuradas!

 

A palavra usada para “chaga” significa uma úlcera feia que se extravasa de forma altamente ofensiva. Em Êxodo 9:8 Moisés e Arão jogaram cinzas da fornalha para o alto, à vista de Faraó, as quais desceram sobre homens e animais na forma de terríveis tumores. Tanto aquelas pragas como estas devem ser tomadas literalmente, como prova o fato de as feridas medonhas da primeira taça ainda estarem sobre os homens na quinta taça das trevas, onde lemos de “dores e chagas” (16:11). Estas feridas abertas indicam desesperança e também horripilância; elas são incuráveis (Dt 28:27, 35) e devem ser suportadas como prenúncio da angústia do inferno.(comentario Normam R. Champlin,apocalipse).

fonte www.mauricioberwaldoficial.bogspot.com

 

 

Postado por mauricio berwald 

 

 

 

 

A SEGUNDA TAÇA NO MAR

 

                 A SegundaTaça — No Mar (16:3)

 

 

                     Professor Mauricio Berwald

 

Uma feição notável das sete taças não somente é sua semelhança com as pragas do Egito, mas também com as das trombetas. Nas taças, entretanto, não há o julgamento limitado das trombetas. Nesta segunda taça da ira temos um quadro de um homem assassinado e ensopando-se em seu próprio sangue. O mar e tudo o que nele há tornou-se “como um cadáver deitado em seu próprio sangue coagula­do”. Sob a terceira trombeta apenas a terceira parte do mar tornou-se em sangue (8:8), contudo aqui a destruição não é parcial, mas completa. Terminados os juízos, sobrarão poucas pessoas para entrarem no milênio.

 

E por que o mar cobre maior porção da terra, esta praga será largamente difundida em seu poder de acarretar a morte. Sangue, a marca vívida e terrível da morte, foi derramado abundantemente pela besta. Mas agora o sangue dos mártires há de ser vingado. A besta começa a colher o que semeou.

 

É sangue por sangue! Não há palavras para descrever a condição terrível das coisas enquanto milhões de criaturas marinhas mortas cobrem a superfície dos oceanos. O mau cheiro destas carcaças horríveis e putrefatas será grande demais. Com todos os seres viventes marinhos mortos, quanto de poluição e doença conterá tal mar de sangue!(Noman R. Champlin, comentario do apocalipse).

fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.ocm

 

 

 

Postado por mauricio berwald

 

 

 

 

TERCEIRA TAÇA NOS RIOS

 

               A Terceira Taça — Nos Rios (16:4-7)

 

 

                            Professor Mauricio Berwald

 

O terceiro anjo, presidindo sobre as águas, derrama sua taça nos rios e nas fontes das águas, isto é, as fontes do mar. Todas as fontes de progresso e bem-estar nacional entram em juízo porque o comércio e a vida, em geral, dependem dos rios, canais e fontes. Rejeitamos a aplicação inteiramente simbólica de “rios” como a vida comum da nação caracterizada por princípios reconhecidos e aceitos de governo, e “fontes das águas” como as fontes de prosperidade e bem-estar transformadas em sangue (envenenado moralmente). Sustentamos que o anjo da guarda que controla as águas as poluirá num instante.

 

Dois anjos aparecem nesta declaração dos juízos justos, recíprocos e retributivos de Deus. Primeiro, o anjo das águas (16:4) usa a expressão peculiar da eternidade de Deus—“que és e que eras”. Como o Justo, Deus não exagera no mínimo grau a medida justa de juízo estrito. Os apóstatas haviam derramado o sangue dos santos e dos profetas, e agora a justiça retributiva opera à medida que os assassinos do povo de Deus são forçados a beber a água tornada em sangue. Recebem terrível condenação. São dignos de morte medonha, que agora aparece como amostra da segunda morte no lago do fogo.

 

 

Refere-se ao segundo anjo como o anjo do altar (16:7). Mais corretamente, é o próprio altar que fala. A primeira parte do versículo 7 pode ser traduzida por “ouvi o altar [personificado], dizendo”. Neste altar, as orações dos santos são oferecidas a Deus, e debaixo dele encontram-se as almas dos mártires que clamam por vingança sobre seus inimigos e sobre os inimigos de Deus. Assim o anjo e o altar, representando o céu inteiro, admitem que os juízos de Deus são justos e verdadeiros. Todos, dentro do santuário celeste, estão do lado de Deus à medida que ele age como o grande vingador dos seus. Os clamores dos altares desde a época de Abel agora serão vingados para sempre (Mt 23:35).

 

(notas comentario biblico Normam R. Champlin, do apocalipse)

 

www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

Postado por mauricio berwald 

 

 

 

QUARTA E QUINTA TAÇA DO APOCALIPSE

 

              A QuartaTaça — Sobre o Sol (16:8, 9)

 

 

 

                                   Professor Mauricio Berwald

 

Sob a quarta trombeta escurece-se a terça parte do sol (8:12), mas aqui o poder abrasador do sol intensifica-se. “Foi-lhe permitido que abrasasse os homens com fogo.” Esta há de ser a bomba H de Deus. Não interpretamos o sol simbolicamente nesta passagem (como autoridade suprema governamental representada pelo mundo romano revivificado), mas como o sol real, de cujo calor nada pode escapar (Sl 19:1-6). Tendo controle completo sobre suas obras criadas, Deus intensifica o calor do sol e com isso causa grande morticínio. Descrevendo o grande e terrível dia do Senhor, o profeta Joel declarou:

 

O sol e a lua escurecem, e as estrelas retiram o seu resplendor (Jl 2:10).

 

Sob a primeira trombeta as árvores e a relva verde foram queima­das, mas agora Deus aplica sua política da terra abrasada aos corpos dos homens. Podemos nós imaginar a angústia terrível que as multidões experimentarão ao serem abrasadas por esse calor intenso? A versão de Almeida traduz bem a ênfase do grego, ao dizer: “Os homens foram abrasados com grande calor”—isto é, aqueles homens que em 16:2 são descritos como possuindo a marca da besta. Assim como aconteceu com as pragas do Egito, aqui também, nestas pragas do juízo, o povo de Deus fica imune. Assim como os três jovens hebreus foram preservados na fornalha de fogo, assim também o remanescente será protegido por Deus (Ap 7:16; Dn 3:27).

 

E como o coração de Faraó foi endurecido a despeito da amostra do poder absoluto de Deus sobre sua criação, assim também aqui o sofrimento físico extremo falha em produzir qualquer mudança de coração: “Não se arrependeram para lhe darem glória.” Em vez de serem esmagados pelos juízos de Deus e clamar por misericórdia, estes homens apenas blasfemaram o seu nome. O castigo merecido engrossa os lábios e endurece o coração; os fogos dos juízos falham em purificar. Por ser a bondade da graça que leva ao arrependimento (Rm 2:4), os homens que não são ganhos por meio da graça jamais serão ganhos.

 

Podemos apenas especular sobre o que poderia ter acontecido se tivesse havido arrependimento santo da parte destes homens com sua carne em fogo. Teria Deus, com autoridade sobre as pragas, parado a tempestade de sua ira e uma vez mais abençoado os arrependidos com seu favor? A tragédia será a falta absoluta de humildade e pesar da parte do homem pelo pecado. Um juízo duplo como o calor abrasador e ausência de água potável falhará em produzir qualquer mudança de coração. Por ser este povo réprobo por completo, Deus os abandonará.

 

 

 

A Quinta Taça — Sobre o Trono da Besta (16:10, 11)

 

Nesta quinta taça da ira, o juízo se derrama sobre o trono da besta que foi erigido em imitação arrogante do trono de Deus. O dragão deu seu trono para a besta (13:2). A obra-prima de Satanás agora é ferida no centro e sede do seu poder. A besta, uma pessoa real, como instrumento de Satanás, está condenada. E está claro que os súditos deste reino de imitação, e também seus executivos, sentem o golpe da vingança divina. William Newell sugere que o trono da besta será a Babilônia reconstruída no rio Eufrates—a antiga capital de Satanás na terra de Sinar, onde a maldade deve receber “uma casa” no final dos tempos (Zc 5:5-11).

 

Finalmente o desafio ímpio e insolente: “Quem é semelhante à besta? quem poderá batalhar contra ela?” (13:4) é para sempre respondido. Sob o domínio da besta, Satanás constrói um vasto império, mas Deus não há de ficar para trás: fere o reino da besta com a escuridão. Porque amaram mais as trevas do que a luz, escuridão tão negra como a da praga dos egípcios (Êx 10:21-23) agora sobrevêm aos seguidores da besta. Esta horrível escuridão sugere as trevas que devem suportar para sempre.

 

Tais trevas sem alívio fazem com que os homens mordam de dor as suas línguas. Este juízo parece acontecer simultaneamente com os efeitos das pragas anteriores. As dores e chagas da primeira taça tornam-se mais assustadoras pelas trevas. William Ramsay lembra-nos que a expressão “mordiam de dor as suas línguas” é única na Bíblia e indica uma agonia mais intensa e excruciante. Tal ação sugere ira por causa da desilusão de suas esperanças e da derrocada de seu governante e reino. Planejam vingança mas não a podem efetuar; daí a sua fúria. Sofrendo angústia mental e física, mordem os lábios e línguas.

 

É interessante notar que a parte do corpo com a qual estes rebeldes pecaram é a mesma que agora sofre a angústia. Blasfemaram o Deus do céu, Aquele que controla a luz e a escuridão. Juras terríveis procederam de seus lábios contra o nome de Deus e contra o próprio Deus. Agora estes blasfemadores mordem as línguas!

 

Até mesmo o acúmulo de pragas, em vez de mera sucessão, falha em produzir mudança de coração, pois lemos de novo que não se arrependeram de seus feitos. Sua vontade está indomada. Não correm lágrimas de penitência. Abandonados aos seus feitos malignos, golpes ainda mais pesados devem descer de Deus a fim de quebrar-lhes a vontade obstinada.

 

 

Devemos salientar que esta taça da escuridão não deve ser confundi­da com o escurecimento dos corpos celestes logo antes da aparição de Cristo em 19:11-16. O que vemos nesta quinta taça é um dos sinais que nosso Senhor deu em sua descrição do período da Tribulação (Lc 21:8-38). Para o remanescente na terra haverá luz bastante, assim como Israel teve luz em suas habitações durante as pragas egípcias.(notas comentario , Normam R. Champlin, )

 

fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

Postado por mauricio berwald

 

 

 

 

SEXTA TAÇA DO APOCALIPSE

 

    A SextaTaça — Sobre o Rio Eufrates (16:12-16)

                        

                      O sexto flagelo (16:12-16).

 

 

 

 

  1. Derramou o sexto a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas secaram para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do sol. Este flagelo é diferente dos outros, porque não in­flige uma praga sobre a humanidade, mas serve de preparo para a batalha final. Ele é semelhante à sexta trombeta, quando quatro anjos foram soltos de além do rio Eufrates, para liderar uma invasão de exércitos praticamen­te incontáveis de cavalaria demoníaca, que matou a terça parte da raça humana (9:13-19). Vimos que no Antigo Testamento o rio Eufrates é o limite da terra prometida, e atrás dele hordas de pagãos aguardavam por uma oportunidade de invadir o povo de Deus (veja 9:14). Os profetas às vezes viam o rio Eufrates secar como prelúdio para o momento em que Deus reunirá seu povo disperso em seu próprio país (Is 11:15-16,4 Esdras 13:14). No presente exemplo o rio seco representa simbolicamente a remoção da barreira que retinha as hordas pagãs.

 

“Os reis que vêm do lado do nascimento do sol” não são definidos com mais detalhes, nem sua função é identificada. Alguns comentadores veem aqui um conflito civil entre os reis do oriente e os reis do mundo todo (v. 14), mas no texto não há nenhum indício disto. A conclusão mais natural é que os reis do oriente — as hordas pagãs — reúnem suas forças às dos reis do mundo (civilizado) todo, para combater o Messias, porque estamos claramente diante da “peleja do grande dia do Deus Todo-poderoso” (v. 14). Mais adiante lemos que a besta é auxiliada por “dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora” (17:12). Junto com a besta eles combatem o Cordeiro (17:14). Estes dez reis podem ser os reis do oriente, como também os reis do mundo todo. Em qualquer caso João prevê uma confederação de dois grupos de reis que auxiliam a besta no combate com o Cordeiro.

 

Muitos comentadores afirmam — como se isto fosse evidente no tex­to — que os reis do oriente são os partos, que agora invadem o mundo civilizado sob a liderança de Nero redivivus. Isto, porém, é pura especulação. Conforme a lenda, Nero reconquistaria Roma; nesta passagem os reis se aliam ao Anticristo para se oporem ao Todo-poderoso. Se a alusão fosse à lenda do Nero redivivus, a besta como líder deveria vir do oriente, enquanto que no texto ela já tem seu trono em Babilônia e aceita ajuda destes reis estrangeiros.

 

  1. Os “reis que vêm do leste” de repente desaparecem da narrativa, que continua falando do dragão e da besta. Pela primeira vez aparece o termo falso profeta; ele é a segunda besta que surgiu da terra para dar apoio à besta em suas exigências blasfemas. Os três espíritos imundos semelhantes a rãs, saindo da boca dele, são a maneira de João descrever a inspiração demoníaca dos inimigos de Deus na grande batalha final. Ao soar da sexta trombeta veio do oriente uma praga terrível afligir os ho­mens, matando a terça parte da humanidade. Aqui o quadro é diferente; os espíritos maus não afligem as pessoas, mas as inspiram para que se aliem ao dragão, à besta e ao falso profeta. João quer dizer que este movimento não é meramente político ou militar, mas uma manifestação escatológica histórica da luta secular entre Deus e Satanás. A palavra traduzida “imundos” é a mesma usada tantas vezes nos evangelhos para se referir a demônios como espíritos imundos (Mc 1:23; 3:11; 5:2). Eles são semelhantes a rãs talvez para manter a analogia com a praga das rãs no Egito (Êx 8:6).

 

  1. Porque eles são espíritos de demônios pode ser traduzido melhor por “porque eles são espíritos demoníacos”. Demônios são seres espiri­tuais, por isso não podemos dizer que eles têm espíritos; eles são espíritos. Para os reis do mundo inteiro veja o comentários ao v.12. João antevê uma aliança de governadores humanos, inspirados por demônios, que com­baterão o Messias.

 

A peleja do grande dia do Deus Todo-poderoso não é uma frase comum na Bíblia. As expressões comuns são o dia do Senhor (veja 1 Ts 5:2), o dia de Cristo (Fp 1:10), ou o dia do Senhor Jesus Cristo (1 Co 1:8). Alguns intérpretes tentam encontrar alguma diferença de significado en­tre estes termos, como se representassem dias diferentes, mas isto é impos­sível. Na verdade são tão iguais e cambiáveis que somente a palavra “o dia”, ou “aquele dia”, sem adjetivos, pode ser usada para designar o úl­timo dia (l Co 3:13; 2 Ts 1:10). O evangelho de João refere-se com frequência ao “último dia” (Jo 6:39; 11:24; 12:48). Pedro fala do “dia de Deus” (2 Pe 3:12). O dia do Senhor é o momento em que todo o plano redentor de Deus estará consumado, de salvação e julgamento, tanto de indivíduos, como da igreja, e de toda a criação. João vê o ódio que se expressou durante os séculos da história humana em termos de hostilidade e perseguição ao povo de Deus chegando ao “grand finale”, quando todos os que governam a terra se juntam para uma batalha derradeira. Os profetas do Antigo Tes­tamento falaram muito de uma batalha como esta, entre o povo de Deus e seus vizinhos pagãos (Sl 2:2-3; Is 5:26-30; Jr 6:1-5; Ez 38; J13:9-15).

 

  1. À vista da crise iminente representada pela batalha entre Deus e as forças do mal o próprio Jesus diz uma palavra à igreja, para advertir seu povo e lhes falar da realidade que há por trás dos acontecimentos históricos imediatos. A guerra dos reis aliados, sob a liderança do Anticristo, não é a última realidade: é o fato da volta do Senhor. É neste evento que a esperan­ça dos santos se concentra. Este versículo é uma interrupção da passagem, para proporcionar à igreja a perspectiva correta.

 

Ele virá como vem o ladrão. Outras passagens do Novo Testamento comparam a vinda de Jesus com a de um ladrão (veja 3:3). A ideia não é de astúcia, nem da surpresa da volta do Senhor, mas de que ela não é esperada. Paulo diz que Cristo vem como ladrão (1 Ts 5:2), mas isto somente em relação aos que não estão preparados: “Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse dia como ladrão vos apanhe de surpresa” (1 Ts 5:4). Para os que estão despertos, atentos, sua vinda não será surpresa, inesperada, mas uma libertação feliz da situação trágica do mundo em que se encontram... João presume que estas pessoas estarão vigiando. Esta tradução não deixa bem claro o significado do grego. Em português “vigiar” significa estar concentrado em um objeto, não dei­xando que nada desvie nossa atenção. Talvez este seja o argumento mais eficiente para a volta do Senhor “a qualquer momento”, isto é, antes da tribulação. É impossível “vigiar” a não ser que o acontecimento esperado possa acontecer a qualquer hora, ou seja, antes da grande tribulação. O termo grego, no entanto, significa simplesmente “estar desperto”. Jesus exorta seus discípulos a estarem acordados, porque não podem saber quando ele voltará (Mt 24:42). Ele ilustrou isto dizendo: "Mas considerai isto: Se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria (isto é, ficaria acordado) e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. Por isso ficai também vós apercebidos; Porque, à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá” (Mt 24:43-44). A ênfase é colocada integralmente sobre a volta imprevista do Senhor, e por causa desta época de incerteza os crentes nunca podem se acomodar e dormir, têm de estar sempre acor­dados. Dormir significa dizer: “Paz e segurança” (1 Ts 5:3), quer dizer, perder de vista as coisas verdadeiramente importantes da vida e pensar que a segurança pode ser encontrada a nível humano, em vez de em ter­mos de nosso relacionamento com Cristo. Para estes “sobrevirá repen­tina destruição, como vem a dor do parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão” (1 Ts 5:3). No presente contexto João pre­sume que a igreja não perdeu a perspectiva e não perdeu de vista os valores espirituais realmente importantes, apesar de a besta reinar em triunfo sobre as nações.

 

A advertência guarda as suas vestes, para não andar nu, e não se veja a sua vergonha não é terminologia muito usada, mas o significado é claro. A igreja de Laodicéia tinha sido advertida contra pobreza e nudez espiritual, e aconselhada a comprar “vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez” (3:18). Isto é uma exortação ao zelo espiritual.

 

  1. Então os ajuntaram no lugar que em hebraico se chama Armagedom. Depois de exortar a igreja a ficar desperta, João conclui a narrativa dos espíritos imundos que reúnem os reis da terra para a batalha, acrescentando que eles os trazem a um lugar chamado Armagedom. Isto são preparativos da batalha que será descrita em 19:11ss., quando Cristo vem como guerreiro vitorioso para derrotar seus inimigos.

 

A palavra “Armagedom” é difícil de interpretar; o equivalente em hebraico seria har megiddon — a montanha de Megido. O problema é que Megido não é uma montanha, mas uma planície, localizada entre o lado da Galiléia e o mar Mediterrâneo, parte do vale do Jezreel(ou Esdraelon). É um campo de batalha famoso na história de Israel. Foi em Megido que Baraque e Débora derrotaram Jabim, o canaanita (Jz 5:19); ali morreu Acazias, rei de Judá, ferido por Jeú (2 Rs 9:27) e Josias, na batalha contra o faraó Neco (2 Rs 23:29; 2 Cr 35:22). Não está claro por que João fala da montanha de Megido; R. H. Charles diz que até agora ninguém deu uma interpretação convincente a esta passagem; ela não aparece na literatura hebraica. Charles sugere que a referência à montanha como lugar da batalha final seja tirada de Ez 38:8,21; 39:2,4,17, onde o profeta vê uma batalha escatológica sobre as montanhas de Israel. Seja qual for a origem do termo, está claro que com Armagedom João quer dizer o lugar da batalha final entre os poderes do mal e o Reino de Deus.notas Eld Ladd,coment.do apocalipse,1990) 

 

 

Os eruditos divergem na interpretação desta passagem. Certo comentarista sugere que o secar do rio Eufrates é uma figura da própria Babilônia, situada às suas margens. Mas nada se encaixará no contexto a não ser o rio Eufrates tomado literalmente, cuja largura forma grande barreira, difícil de ser transposta tanto por indivíduos como por exércitos. A secagem deste rio permitirá aos exércitos asiáticos (descritos no capítulo 19) marchar sem impedimento à Terra Prometida, da qual o rio Eufrates é a fronteira leste.

 

O importante a ser lembrado é que tanto o rio Nilo (Is 11:15) como o Eufrates devem secar-se literalmente. Assim, os limites ocidental e oriental de Israel estarão abertos aos invasores, e Israel estará desprotegida aos ataques de todos os lados. Com a secagem do rio Eufrates, os exércitos orientais sob seus respectivos reis então alcançarão seu objetivo.

 

Estes reis, que vêm “do oriente”, marcharão sem impedimento algum contra a Terra Prometida. Como o emblema nacional do Japão é o sol nascente, pode ser que essa nação agressiva partilhe no avanço das hordas asiáticas. Não é terrível a ideia de que incontáveis milhões de asiáticos hão de cruzar o leito seco do Eufrates e unir forças com a besta contra Israel? Tal ímpeto de nações unidas antes do grande dia da ira é medonho ao extremo. Cegamente, correm para o morticínio por atacado, quando o sangue chegará aos freios dos cavalos.

 

Note-se o uso frequente de “grande” neste capítulo. Mediante o ministério milagroso da besta, as multidões estarão acostumadas a grandes coisas. Sensacionalismo estará na ordem do dia. Grandes acontecimentos, com suas influências enganadoras, serão ocorrências diárias. Mas o próprio Deus dará ao povo algumas “grandes” coisas; não para prazer, mas para disciplina:

 

Uma grande voz (16:1)

Um grande calor (16:9)

Um grande rio (16:12)

Um grande dia (16:14)

Um grande terremoto (16:18)

Uma grande cidade (16:19)

A grande Babilônia (16:19)

Uma grande saraiva (16:21)

Uma grande praga (16:21).

 

Nos versículos 13 a 16 do capítulo 16, que alguns escritores tratam como parêntese, temos a trindade satânica dirigindo a combinação mais gigantesca de forças da oposição jamais testemunhada na terra. Tendo a supervisão pessoal de Satanás, as forças mundiais unem-se para sua condenação.

 

Nesta sexta taça da ira temos a trindade do mal—o dragão, a besta e o falso profeta—arregimentando todos os reis da terra para a batalha, não somente contra Israel mas contra o próprio Deus. “Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos conspiram contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas” (Sl 2:2, 3).

 

 

As Três Rãs

 

A trindade maligna do mistério da iniquidade é comparada a três espíritos imundos, semelhantes a rãs (16:13). Embora três rãs fossem o brasão original da França, país que tem sido centro de infidelidade, socialismo e espiritismo, não cremos na interpretação exclusivamente histórica desta parte (ou de qualquer outra parte) dos capítulos 4 a 22. E por ser a profecia muitas vezes progressiva ou cumulativa, há uma visão modificada do princípio de interpretação que procura combinar os sistemas históricos e futuristas. Assim, pode haver cumprimentos parciais de algumas seções do Apocalipse sem esgotar sua significação. Apontam para um cumprimento completo no futuro. Os intérpretes deste ponto de vista duplo vêm no Nazismo, no Fascismo e no Comunismo as três rãs da visão de João.

 

Muitos dos manuscritos da besta leem: “Como se fossem rãs.” Aqui temos o antítipo da praga das rãs enviadas sobre o Egito, milagre que os mágicos foram capazes de duplicar (Êx 8:7). Uma feição conspícua do ministério da besta serão os grandes sinais e maravilhas realizados por meios satânicos. O dragão, a besta e o falso profeta são apropriadamente comparados a repelentes rãs. Assim como as rãs coaxam à noite nos pântanos e charcos, assim também estes espíritos imundos nas trevas do erro ensinam mentiras na sujeira de lascívias imundas. Alford fala da “imundície e do barulho pertinaz da rã”. Os escritores e poetas gregos viam as rãs como habitantes do lago estígio, ou rio do inferno. Estes espíritos saem das bocas dos três ímpios que formam a trindade infernal (sendo a boca a sede principal de influência). De várias passagens das Escrituras concluímos que a boca é a fonte e o meio de destruição (Ap 1:16; 2:16; 9:17; 19:15; Is 11:4). O dragão há de ser consumido pelo sopro da boca do Senhor (2 Ts 2:8).

 

O espírito imundo que sai da boca do dragão simboliza a infidelidade orgulhosa que se opõe ao Senhor e ao seu Ungido (Cristo). O espírito imundo que sai da boca da besta representa o espírito do mundo nas políticas dos homens, quer seja a democracia sem lei, quer o despotismo, nos quais o homem é colocado acima de Deus. O espírito imundo que sai da boca do falso profeta representa o espiritismo mentiroso e a ilusão religiosa dominante nos dias do engano satânico.

 

Nesta trindade satânica, com seu ministério de operação de mila­gres, temos uma combinação de poder infernal direto, força bruta apóstata e terrível influência maligna para o propósito horrendo de reunir milhões de pessoas para a guerra. O esforço final do inferno a fim de derrubar o céu está próximo, e seu resultado é Cristo dominar como rei do mundo (19:17-21). Na sua vinda, ele lidará eficazmente com esses três espíritos imundos, assim como o fez com os que se opuseram a ele enquanto estava na terra.

 

Visto que o ajuntamento dos reis do mundo com a besta é sinal da vinda de Cristo a fim de destruir seus inimigos, os santos são exortados a vigiar esperando sua volta. Manda-se ao remanescente fiel uma palavra de ânimo e de advertência: “Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia, e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua nudez” (16:15). Aqui temos um parêntese de grande importância espiritual. Deve-se compreender claramente que esta não é uma mensagem para a igreja, embora o princípio subjacente da bem-aventurança associada com o vigiar (e da vergonha com o viver descuidado) seja aplicável aos santos de todos os tempos.

 

O “eis” e o “bem-aventurado” definitivamente se relacionam com os santos da Tribulação. Ao seu redor haverá multidões dormindo na escuridão moral e espiritual. Vivendo num estado de segurança falso, congratulam a si mesmos por um estado de “paz e segurança”. Mas repentina e inesperadamente o Senhor, como um ladrão de noite, surpreenderá e destruirá os povos reunidos por agências satânicas contra o Senhor e seu Ungido. Os que acreditam que a igreja há de passar pela Grande Tribulação dão grande importância a este versícu­lo, mas Cristo não vem para sua igreja como um ladrão. Ele volta para a igreja como o noivo, já que a igreja é sua noiva. Com a vinda de um ladrão há pavor e medo, pois ele vem para roubar-nos de nossas posses e destruir nossos bens (1 Ts 5:2, 4; Mt24:43; 2 Pe 3:10). Não somos da noite nem das trevas, e portanto não tememos a volta de nosso Senhor.

 

É claro, em relação com nosso andar devemos esforçar-nos para ter vestes sem manchas, em uma vida sem ter do que se envergonhar e sem nudez moral. O perigo que os santos enfrentarão, os que viverem na época em que os espíritos imundos estiverem operando, é o de negligenciar a esperança do advento e com isso exporem-se ao olhar dos anjos e de um mundo sem Deus—“nu” ou tendo falta pública de direção e proteção divina.

 

O bispo Lightfoot sugere que pode haver uma alusão nesta advertên­cia à vigilância a um costume judaico no serviço do santuário. Vinte e quatro vigias ou companhias eram nomeadas todas as noites para guardar as várias entradas dos santuários sagrados. Certo indivíduo era nomeado como capitão ou comandante sobre os outros, e era-lhe dado o nome de “homem da montanha da casa de Deus”. Seu dever era dar volta aos vários portões durante a noite a fim de verificar se seus subordinados eram fiéis em seus serviços. Ele era precedido por homens que levavam tochas e esperava-se que cada sentinela vigilante saudasse sua aparição com a seguinte senha: “Tu, homem da montanha da casa, paz seja contigo!” Se, por falta de vigilância, ou por causa do sono, tal coisa fosse negligenciada, o ofensor era surrado com a vara do ofício, e suas vestes queimadas e ele era marcado com a vergonha.

 

 

 

                     A Batalha do Armagedom

 

Como trememos ao tentar visualizar o que acontecerá com as nações unidas em ódio imorredouro a Deus e a seu Cristo à medida que se ajuntam pelos espíritos imundos para a batalha naquele dia do Deus Todo-poderoso! Que morticínio universal! A História prova que há épocas quando as nações são tomadas da paixão pela guerra e que os historiadores não podem explicar por completo. É isto o que acontecerá na guerra contra Deus.

 

Quão cegamente serão levadas as hordas da terra contra Aquele que as criou! (Veja o Sl 2; Ap 17:14; 19:19.) A frase “e eles os congregaram” (16:16) pode ser traduzida por “ele os congregou”. Se o “ele” foi retido pode representar Deus, que lhes dá poder sobre os espíritos imundos. Ninguém pode ler o Apocalipse como um todo sem perceber que Deus está por trás das cenas e dos atores no juízo judicial do livro. Em retribuição justa ele permite que os chefes apóstatas da terra reúnam as multidões no monte de Megido.

 

E, considerando que o Armagedom testemunhará a batalha mais sangrenta de toda a história, devemos examinar brevemente a significação histórica e profética do campo de batalha mais terrível da terra. O Armagedom fica ao pé do monte Carmelo, que foi cena de muito morticínio no passado. Armagedom significa “monte da destrui­ção” ou “morticínio” e esse nome é bem adequado. Atualmente o nome é Har, que significa “monte”, e Magedom ou Megido que vem de uma palavra cuja raiz significa “separar” ou “massacrar”. A área limitada de Megido não permitiria a presença de vastos números de homens, mas o nome também pode significar a vizinhança mais ampla de Israel, onde, por agência satânica, as nações da terra serão esmagadas.

 

Megido foi palco da derrota dos reis cananeus pela interposição miraculosa de Deus sob Débora e Baraque. Como aliado da Babilônia, Josias foi derrotado e morto em Megido. O prantear dos judeus na época logo antes que Deus interfira por eles contra todas as nações que se dispuseram contra eles é comparado ao lamentar de Josias em Megido (Jz 5:19, 20; Zc 12:11; 2 Cr 35:22-25).

 

Mas pode-se fazer a pergunta: “Por que o Armagedom é escolhido como local de congregação?” Bem, as nações reúnem-se aí a fim de esmagar e exterminar a Israel! “Astutamente formam conselho contra o teu povo, e conspiram contra os teus protegidos. Dizem eles: Vinde, e apaguemo-los para que não sejam nação, nem seja lembrado mais o nome de Israel. Pois à uma se conluiam; aliam-se contra ti” (Sl 83:3-5). Deus, entretanto, domina e intervém. Embora as nações se lancem com poder combinado contra o Senhor e seu povo, a fúria divina é desencadeada e a destruição sobrevêm às hordas arrogantes. Israel é libertado e seus inimigos cruéis mortos. E na destruição completa das nações, decide-se sobre a soberania da terra e também sobre o direito de Israel de possuir sua própria terra.(notas Normam R. Champlin, comentario do apocalipse).

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Postado por mauricio berwald 

 

 

 

A SÉTIMA TAÇA DO APOCALIPSE

 

               A Sétima Taça — No Ar (16:17-21) 

 

                   O sétimo flagelo (16:17-21). 

 

 

 

                                   Professor Mauricio Berwald

 

O sétimo flagelo é um relato antecipado do julgamento de Deus sobre Babilônia, a sede do poder da besta. O relato detalhado do jul­gamento e a queda de Babilônia segue nos próximos dois capítulos (17-18), que será comentado na próxima lição. Alguns comentadores encontram aqui dois eventos diferentes: uma derrota preliminar de Roma, que dá ao Anticristo poder universal, se­guida do julgamento de Roma por Deus. Mas João já antecipou diversas vezes o fim, tanto em termos de salvação como de julgamento, para depois estender-se sobre os eventos do fim (veja em 6:12ss.; 11:15ss.; 14:8; 14:14ss., 15:2ss.). Na verdade João já tinha anunciado a queda de Babilônia (14:8), de maneira antecipada. Assim como o sexto selo trouxe o dia da ira de Deus (6:12-17), e assim como a sétima trom­beta fez um anúncio do fim (11:15ss.), assim o sétimo flagelo traz o jul­gamento de Babilônia, acrescentando os detalhes deste julgamento mais adiante.

 

  1. Então derramou o sétimo anjo a sua taça pelo ar, e saiu grande voz do santuário, do lado do trono, dizendo: Feito está. Esta voz aparentemente é a mesma do v. 1 — a voz de Deus — já que vem do templo e do trono de Deus. A voz anuncia prolepticamente, a consumação do julga­mento de Deus sobre a capital da besta. A frase “Feito está” representa uma só palavra grega que indica ação completa. Novamente nos depa­ramos com a técnica literária de João, de anunciar um fato como realizado, para depois detalhar o conteúdo do fato.

 

  1. Ao pronunciamento da sentença sobre a capital da besta seguem os fenômenos apocalípticos que são manifestações da glória e do poder de Deus: relâmpagos, vozes e trovões, e ocorreu grande terremoto, como nun­ca houve igual desde que há gente sobre a terra. Fenômenos semelhantes tinham seguido a sétima trombeta (11:19), e estavam relacionados com a visão de Deus em 4:5 e com a preparação para o soar das sete trombetas (8:5). Estes fenômenos são manifestações comuns do poder e da glória divinos.

 

  1. O resultado desta teofania é o colapso completo da civilização humana, ateísta. A grande cidade, Babilônia, a capital da besta, se dividiu em três partes; em outras palavras, foi transformada em ruínas. Em 11:8 as mesmas palavras, “a grande cidade”, foram usadaspara Jerusalém; mas o contexto deixa bem claro que nesta passagem a cidade em questão é Babilônia. Jerusalém já tinha sido destruída em um grande terremoto (11:13). Nesta visão João vê a cidade sendo arruinada por um terremoto; tudo o que esta destruição significa está descrito de diversas maneiras nos dois capítulos seguintes.

 

Caíram as cidades das nações. Mais uma vez João vê antecipada­mente a destruição das cidades que apoiaram a besta. Os detalhes estão em 17:12-14, onde diz que o Cordeiro guerreará contra os reis que apoiaram a besta, vencendo-os. Veja também 18:9, onde os reis da terra lamentam a queda da grande cidade.

 

Lembrou-se Deus da grande Babilônia para dar-lhe o cálice do vinho do furor da sua ira. Babilônia deu às nações da terra “do vinho do furor da sua prostituição” para beber, deixou “os reis da terra se prostituírem com ela” e possibilitou aos comerciantes da terra “enriquecerem à custa da sua luxúria” (18:3). Deus, por seu lado, dá a Babilônia e às nações que a seguiram um outro cálice para beber, o cálice da sua ira. Este tema já foi comentado em 14:8,10.

 

“Lembrou-se Deus da grande Babilônia.” Estas palavras são do­lorosas. Durante o curto período do reinado do Anticristo parecerá que Deus esqueceu o seu povo. O mal aparentemente estará vencendo; não há perspectivas de libertação. Meu Deus não esquece. Deus se lembra, e ele se lembrará do poderoso inimigo do seu povo, para lhe retribuir com justiça.

 

  1. Mais uma vez João descreve o fim que ainda não veio, que compreenderá a renovação de todo o sistema criado e o início de um novo céu e nova terra. Isto só se realiza depois da volta de Cristo (19:11ss.), e será mesmo um sistema totalmente transformado (21:lss.). João já pode dar uma ideia de como será isto falando, em linguagem apocalíptica, do fim do sistema antigo: Toda ilha fugiu, e os montes não foram achados. João já usou em uma passagem anterior expressões semelhantes para descrever a vinda do fim: quando o sexto selo foi aberto ele deixou transparecer a dis­solução do sistema atual (6:12ss.).

 

  1. Também desabou do céu sobre os homens grande saraivada, com pedras que pesavam cerca de um talento; e, por causa do flagelo da chuva de pedras, os homens blasfemaram de Deus, porquanto o seu flagelo era sobremodo grande. Não sabemos com certeza que medida de peso foi usada, mas parece que as pedras pesavam mais de cinquenta quilos.

 

A narrativa apocalíptica de João está agora se aproximando rapidamente do seu fim. Ele nos levou através do tempo de grande tribulação, com a terrível perseguição dos santos pelo Anticristo, e nos mos­trou uma civilização rebelde e anticristã, que não se curva e não se ar­repende sob a ira de Deus derramada sobre ela nas pragas das sete trom­betas e das sete taças. O sétimo flagelo não foi uma praga, somente anunciou o fim, a destruição de Babilônia em particular, um acontecimento já anunciado (14:8). Agora só falta relatar a vinda do fim. João dá primeiro o lado negativo da vitória divina, ou seja, a destruição da civilização rebelde, anunciada pelo sétimo flagelo (capítulos 17 e 18), e depois fala da volta de Cristo em triunfo, seu reinado vitorioso, e por fim o estabelecimento do novo sistema, com novo céu e nova terra (capítulos 19-22).

 

Bibliografia  George Ladd,coment. do apocalipse,1990

 

 

Tudo o que temos sob a taça anterior é preparatório para o derramamento final de ira de Deus, o grande dia da ira de Apocalipse19:11-16. Então, e só então, os rebeldes serão esmagados e removidos da terra (Mt 13:40-43). Na sexta taça temos a conglomeração das nações da terra contra Israel para a batalha contra Deus e o remanescente de seu povo (Is 11:15, 16). Agora sobrevêm uma destruição que excede em magnitude tudo o que jamais foi testemunhado desde que o homem deu início à sua história de sofrimento fora do jardim do Éden.

 

O sétimo anjo derramou sua taça no ar. Por que todos os homens respiram o ar, que é essencial à vida, aqui temos o juízo divino visitando o fôlego de vida dos povos. E por que Satanás é mencionado como príncipe da potestade do ar (Ef 2:2), temos também nesta taça a consumação do juízo sobre as influências perniciosas do diabo. Assim, o reino de Satanás sofre sob esta praga horrível. A “grande voz” é a voz de Deus, como no versículo 1 do capítulo 16, exceto que aqui o santuário e o trono se unem. No santuário resideDeus e no trono ele reina. A voz divina clama: “Está feito”, significando que a série toda de pragas agora está completa. Está feito! Aconteceu. Compare a voz de Deus nesta consumação final com a voz de Cristo na cruz quando a obra da expiação foi completada: “Está consumado!” O “está consumado” do Salvador foi totalmente rejeitado, de modo que aqui vem o “está feito” do Juiz da terrível retribuição divina.

 

Chegou o fim da ira de Deus. Mais tarde acontecerá a exibição medonha da ira do Cordeiro. Sob a sétima taça, Deus dá à Babilônia “o cálice do vinho do furor da sua ira”. Esta frase sugere raiva fervente e ira incontida, e a ambas encontramos referência em Jeremias30:23, 24. Aqui se afirma o fato da destruição da Babilônia. Nos capítulos 17 e 18 temos o relato com mais detalhes do breve resumo dado sob esta taça. Deus é o Criador; ele produz convulsões de natureza tal como a que lançou a terra no caos antes da criação do mundo.

 

 

 

Três Expressões da Ira

 

 

Nos “relâmpagos e vozes e trovões” (sempre expressivos do poder dominante do juízo) temos a fórmula da visitação divina calculada para infundir terror nos corações dos homens. Estes sinais e expressões da ira retributiva são visitados sobre a terra na forma do maior terremoto que a terra já experimentou. Todos os terremotos até esta altura nada significam quando comparados com esta sublevação sem paralelo. (Veja Hb 12:25, 26).

 

 

As Três Partes da Cidade

 

 

Tão destruidor é este vasto terremoto que Jerusalém é dividida em três partes. Roma e todas as grandes cidades da terra são reduzidas à ruína. Destrói-se para sempre toda a soberania exercida sobre os reis da terra, que Roma e Babilônia representam. “A grande Babilônia” é individualizada como estando madura para “o grande terremoto” e “uma praga. . . excessivamente grande.” O lugar e seu orgulho são condenados à destruição eterna (Jr 51:62-64), cuja destruição é celebrada no céu em Apocalipse 19:1-4.

 

Para aumentar o terror da hora há o desaparecimento de ilhas e montes. Sob o sexto selo estes foram “removidos dos seus lugares” (6:14). Aqui eles “fugiram” e “não mais se acharam”. Que catástrofe maciça!

 

O ato coroador do juízo é a queda de saraivas enormes sobre a terra. A saraiva, como já mostramos, é símbolo da ira divina (Is 28:2; Ez38:22). (Para outras saraivas, veja Ap 8:7; 11:19.) Ninguém pode imaginar completamente quais serão os efeitos desta última saraivada súbita e devastadora. A natureza esmagadora e avassaladora deste juízo torna-se clara ao lembrarmo-nos de que as pedras da saraiva “pesavam quase um talento” cada. Um talento equivalia, aproximadamente a 20 quilos. Assim a severidade do juízo reservado contra o dia da batalha e guerra no “tesouro da saraiva” de Jeová é horrível ao extremo (Jó 38:22, 23; Sl 105:32).

 

Estes juízos, porém, resultam em blasfêmia em vez de arrependi­mento! A persistência no pecado endurece a consciência. A tragédia é que o homem não se quebranta nem se arrepende; permanece sem mudança. Com a exposição do poder judicativo de Deus, os homens deviam ter-se voltado para ele, dando-lhe glória; em vez disso, perecem amaldiçoando-o. Que efeito diverso a apresentação do poder de Deus exerce sobre o seu povo: dão glória ao Deus do céu (11:13). 

(Bibliografia H. Lockyer + ,coment.do apocalipse G.ELADD,1980).

fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

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