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Lições CPAD jovens livro de Isaias 3-trim2016
Lições CPAD jovens livro de Isaias 3-trim2016

                                                        paz 

REVISTA LIÇÕES BÍBLICAS JOVEM PROFESSOR 3º TRIM. 2016

Sumário:

Lição 1 - Conhecendo o Livro de Isaías

Lição 2 - O Contexto da Profecia de Isaías

Lição 3 - O Dia do Senhor

Lição 4 - O Juízo de Judá e de Jerusalém

Lição 5 - Predições de Juízo e Glória

Lição 6 - Parábola do Castigo e Exílio de Judá

Lição 7 - A Chamada e Purificação do Profeta

Lição 8 - Primeiras Profecias Messiânicas

Lição 9 - O Sinal do Emanuel

Lição 10 - O Messias Davídico e seu Reino

Lição 11 - Profecias da Consumação da História

Lição 12 - Profecias de Salvação e Esperança

Lição 13 - Promessas a Respeito do Messias como Servo Sofredor

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS n.1

 

 

 

3º Trimestre de 2016

 

Título: Isaías — Eis-me aqui, envia-me a mim

Comentarista: Clayton Ivan Pommerening

 

 

 

Lição 1: Conhecendo o livro de Isaías

Data: 3 de Julho de 2016

 

 

 

TEXTO DO DIA

 

“Vinde, então, e argui-me, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã” (Is 1.18).

 

SÍNTESE

 

O povo de Deus havia se desviado da Lei. Então, Deus chamou Isaías para mostrar que seu julgamento estava às portas.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Is 1.11-13

A corrupção do povo

 

 

 

TERÇA — Is 1.14,15

Deus não aceita o culto, os rituais e as orações feitas pelo povo

 

 

 

QUARTA — Is 1.21,22

O profeta chama Israel de prostituta

 

 

 

QUINTA — Is 1.23

Isaías profetiza contra as autoridades

 

 

 

SEXTA — Is 1.18,19

Isaías convida o povo ao arrependimento

 

 

 

SÁBADO — Is 1.16,17

Deus convida o povo para um novo caminho

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

CONHECER a autoria, o tema, o local e data do livro de Isaías;

MOSTRAR os objetivos do livro de Isaías;

EXPLICAR o conteúdo do livro de Isaías.

 

INTERAÇÃO

 

Prezado professor, neste trimestre estudaremos o livro do profeta Isaías. Esse livro, por seus temas teológicos, é considerado uma peça fundamental da literatura profética. Muitas expressões e palavras utilizadas por Isaías não são encontradas em nenhum outro livro do Antigo Testamento. O livro de Isaías tem muitas promessas de restauração, a respeito da vinda do Messias e da salvação. Essas promessas enchem nossos corações de esperanças e alegria, pois mostram o quanto Deus ama o pecador. As promessas proferidas por Isaías nos possibilitam sonhar com um mundo melhor e mais justo.

O comentarista do trimestre é Claiton Ivan Pommerening — doutor em Teologia, diretor da Faculdade Refidim, membro do RELEP (Rede Latino-Americana de Estudos Pentecostais) e editor da Azusa, revista de estudos pentecostais.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, neste trimestre teremos a oportunidade de estudar o livro do profeta Isaías, uma obra marcada por relevantes temas teológicos. O profeta Isaías nos mostra uma ampla visão do contexto social e espiritual da sua época.

Sugerimos para a primeira aula a elaboração de um quadro com as principais informações necessárias para se compreender o livro de Isaías, como por exemplo, data em que foi escrito, autoria, objetivo e versículo-chave. Esse quadro pode ser confeccionado em uma cartolina e fixado no mural da classe. Ele vai ajudar os alunos a compreenderem melhor o livro de Isaías. O quadro poderá ser utilizado durante todo o trimestre e sempre que desejar fazer uma revisão.

 

TEXTO BÍBLICO

 

Isaías 1.1-3,18-20,27-31.

 

1 — Visão de Isaías, filho de Amoz, a qual ele viu a respeito de Judá e Jerusalém, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá.

2 — Ouvi, ó céus, e presta ouvidos, tu, ó terra, porque fala o Senhor: Criei filhos e exalcei-os, mas eles prevaricaram contra mim.

3 — O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, a manjedoura do seu dono, mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende.

18 — Vinde, então, e argui-me, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.

19 — Se quiserdes, e ouvirdes, comereis o bem desta terra.

20 — Mas, se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada, porque a boca do Senhor o disse.

27 — Sião será remida com juízo, e os que voltam para ela, com justiça.

28 — Mas os transgressores e os pecadores serão juntamente destruídos; e os que deixarem o Senhor serão consumidos.

29 — Porque vos envergonhareis pelos carvalhos que cobiçastes e sereis confundidos pelos jardins que escolhestes.

30 — Porque sereis como o carvalho, ao qual caem as folhas, e como a floresta que não tem água.

31 — E o forte se tornará em estopa, e a sua obra, em faísca; e ambos arderão juntamente, e não haverá quem os apague.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO

 

O profeta Isaías teve muita ousadia em sua atuação pública. Suas profecias eram majestosas e repletas de nobreza e beleza poética. Por isso, é um dos profetas mais lidos do Antigo Testamento e um dos que mais falou a respeito da vinda do Messias. Tal fato revela a importância que deve ser dada ao mesmo. Uma leitura atenta e cuidadosa do seu livro nos leva a perceber as implicações que esse profeta tem para os dias atuais. Assim, a obra desse profeta é considerada uma das mais grandiosas produções teológicas do Antigo Testamento. Sua mensagem é profunda e parte de alguém que conhecia profundamente o ambiente onde estava inserido, de modo que, tomado pela inspiração divina, foi muito claro e assertivo nas suas profecias, especialmente as que predisseram a vinda messiânica de Jesus Cristo. Sua pregação foi marcada por uma paixão sacerdotal, descrevendo Cristo com muita clareza, sendo por isso mesmo chamado de o evangelista do Antigo Testamento.

 

  1. TEMA, DATA, AUTORIA E LOCAL

 

  1. Tema. Seu tema principal está relacionado às profecias da vinda do Messias, enfatizando a salvação recebida somente pela graça. O livro mostra ainda que Deus não permitirá a desobediência do povo da promessa e esta será tratada com a devida purificação através do sofrimento, primeiramente do próprio povo e vicariamente por intermédio de Cristo.Tal é a importância de Isaías que o Novo Testamento faz mais de 400 citações diretas e indiretas do livro.
  2. Data. O livro de Isaías começou a ser escrito provavelmente antes do ano 740 a.C. e foi terminado no ano 701 a.C., período este que corresponde ao tempo de ministério do profeta. Essas datas são aproximadas e levam em conta a morte do rei Uzias. Entretanto, outra possibilidade é que, como o livro possui três partes, a primeira delas tenha sido escrita de 740 a 698 a.C. e a segunda e terceira partes de 697 a 680 a.C., terminando no reinado de Manassés.
  3. Autoria. A autoria do livro é creditada a Isaías, cujo nome significa “o Senhor é salvação”. Bastante apropriado, pois esse é o tema da mensagem do livro. Em Israel havia várias pessoas com o nome Isaías, mas o autor é distinguido dos demais ao se apresentar como filho de Amoz (Is 1.1). Entre os profetas ele é considerado o maior, sendo chamado por alguns de rei dos profetas. Há uma tradição que afirma que Isaías era sobrinho do rei Amasias, portanto, de linhagem nobre e certamente vivia na corte real, desfrutando de alguns privilégios que lhe serviram de apoio para ter o amplo ministério que teve; mas o final de sua vida foi trágico; segundo a tradição rabínica, foi serrado ao meio durante o reinado de Manassés. Era casado com uma profetisa e teve dois filhos com ela (Is 8.3).
  4. Local. Como a maior parte do ministério do profeta se desenvolveu em Jerusalém, acredita-se que foi nessa mesma cidade que ele transformou suas profecias em textos.

 

 

 

Pense!

 

O profeta Isaías não fechou os olhos para a realidade de seu contexto. Será que temos os nossos olhos abertos para ver a realidade que nos cerca?

 

 

 

Ponto Importante

 

O livro de Isaías é um dos livros mais instigantes do Antigo Testamento, pois suas profecias e sua mensagem, apesar de serem endereçadas para um povo especifico entre 740 e 701 a.C, são sempre atuais diante da corrupção da humanidade.

 

 

 

  1. OBJETIVOS DE ISAÍAS

 

Isaías queria mostrar que o julgamento de Deus estava às portas e seria terrível, mas, apesar disso, Deus levantaria um remanescente e dentre este um “rebento” e “um renovo que frutificará” (Is 11.1), referindo-se a Cristo.

  1. Anunciar o juízo de Deus. Israel e as nações vizinhas estavam em desacordo com os preceitos justos de Deus, ofendendo gravemente a santidade dEle; assim, se fazia necessário que o profeta denunciasse essa situação, embora ele não fosse ouvido com atenção, pois chegou a chamar o povo de surdo e cego (Is 42.18; 43.8). Mas era necessário que Deus, diante de sua justiça e misericórdia, fizesse o povo saber com clareza quais eram seus pecados e quais as consequências dessa desobediência.
  2. Falar contra a falsa religião. O povo de Israel estava sendo governado por alguns reis que desprezaram a Palavra de Deus. Embora alguns deles fossem bons, o povo estava corrompido. A eles se aliaram alguns sacerdotes cujo compromisso era apenas manter a religião institucional. Isso se fez refletir numa religiosidade vazia, hipócrita, ritualística e sem sentido espiritual para o povo, levando-os a se desviar dos caminhos do Senhor.
  3. Denunciar a injustiça social. O povo de Deus havia se tornado orgulhoso e egoísta como as demais nações. Isso fez com que os pobres dentre o povo fossem humilhados e explorados pelos ricos e pelos governantes (Is 10.2; 26.6; 32.7; 41.17), mas em contrapartida o Deus justo e misericordioso faria justiça ao pobre (Is 11.4), lhes daria alimentação e descanso (Is 14.30), lhes serviria de refúgio (Is 25.4) e seria portador de boas notícias (Is 61.1).
  4. Anunciar a vinda do Messias. Este é o objetivo mais importante de Isaías, porque diante da desobediência, aliada ao fato de que as pessoas não conseguiam encontrar o caminho certo para Deus, a única solução possível seria a vinda do Messias que, através do seu sofrimento, faria com que o povo se voltasse para Deus, “porque as iniquidades deles levará sobre si” (Is 53.11). A vinda do Messias aponta para o caráter misericordioso e redentor de Deus, mesmo sendo o povo rebelde. Por mais de dez vezes o profeta aponta para Jeová como o Redentor. O autor cita pelo menos dezessete profecias que se referem ao Messias vindouro. Isso demonstra a extraordinária unção do Espírito Santo sobre o profeta, fazendo-o prever o evento histórico mais importante da humanidade depois da criação: Cristo, o Redentor.

 

 

 

Pense!

 

O orgulho e o egoísmo são como um vírus que destrói a vida de muitos. Ser orgulhoso e egoísta é ir contra a lei do amor e do serviço, contra o fruto do Espírito Santo e contra o Reino de Deus. Seja um jovem livre disso!

 

 

 

Ponto Importante

 

O profeta Isaías teve um ministério ousado e corajoso em meio ao contexto político, social e religioso em que vivia. Entregou-se a Deus para enfrentar a dura missão de ser mensageiro da justiça, do julgamento do pecado e do anúncio da esperança messiânica ao seu povo.

 

 

 

III. CONTEÚDO DE ISAÍAS

 

Do capítulo 1 ao 39, o enfoque de Isaías é o juízo divino sobre Judá e Jerusalém e sobre as nações vizinhas por meio da Assíria. Na segunda e terceira parte do livro, do capítulo 40 ao 55 e 56 ao 66, respectivamente, Isaías se volta para a salvação do povo, depois da punição pelo pecado ao retornarem do cativeiro babilônico, escreve sobre a glória futura do povo de Deus por intermédio do Servo do Senhor, que é Cristo, que salvará seu povo através de seu próprio padecimento e triunfo.

  1. Quem é o Deus de Isaías. O profeta descreve o caráter de Deus (Javé) de maneira brilhante. Chama-o de Santo de Israel vinte e cinco vezes; Ele é o Salvador, relacionando essa palavra a redenção, livramento, justiça e juízo; Ele é o Redentor e o Único e Supremo Governante em contraste com outros deuses que nada são (Is 37.19); é Ele quem carrega e cuida do seu povo (Is 46.4) e faz novos céus e nova terra (Is 65.17; 66.22).
  2. O Espírito de Deus. Isaías é o profeta que mais fala sobre o Espírito de Deus no Antigo Testamento. A referência mais importante é quando afirma que o Espírito do Senhor (Javé) repousará sobre o “rebento de Jessé” (Cristo) com “o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor” (Is 11.1,2). Sendo a igreja corpo de Cristo, entende-se que essa descrição do Espírito do Senhor refere-se aos “dons” e “fruto” do Espírito (1Co 12.4-11; Gl 5.22). Há promessa de um derramamento tal do Espírito que “o deserto se tornará em campo fértil” (Is 32.15) e a Palavra do Senhor não se desviará dos convertidos nem de seus filhos (Is 59.20,21); o Espírito sobre Cristo “trará justiça às nações” (Is 42.1) e o “ungiu para pregar boas novas aos oprimidos”, “restaurar os de coração abatido”, “proclamar liberdade aos cativos e a pôr os presos em liberdade” (Is 61.1); e o Espírito do Senhor trará descanso ao seu povo (Is 63.14).
  3. A santidade de Deus. Por meio de suas profecias, Isaías quer denunciar os pecados do governo e do povo e levá-los ao arrependimento, mostrando que se isso não acontecesse calamidades viriam sobre todos. Essa exigência de Deus fica clara quando, ao ter um encontro com Deus e ver sua santidade, Isaías clama por purificação (Is 6). Isso mostra que, quando há arrependimento, Deus prontamente vem ao encontro do contrito como fez com o profeta, tirando a iniquidade e purificando o pecado (Is 6.7).

 

 

 

Pense!

 

O profeta anuncia que o Espírito Santo concede sabedoria, entendimento, conselho e fortaleza, conhecimento e temor do Senhor. O Espírito Santo pode capacitar qualquer jovem a ser cheio dessas qualidades, pois é desejo dEle habitar plenamente sobre seus filhos.

 

 

 

Ponto Importante

 

Na mensagem de Isaías, Deus manifesta sua graça ao povo. Os pecados já estavam sentenciados, todos mereciam o julgamento definitivo de Deus, mas ainda assim, o anúncio de julgamento é seguido de uma mensagem de esperança.

 

 

 

CONCLUSÃO

 

Viver em família é a mais emocionante aventura da vida. Conviver com pessoas diferentes e suportá-las em amor é, sem dúvida, um exercício extraordinário de fé e obediência.

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002.

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Qual o tema do livro de Isaías?

Seu tema principal está relacionado às previsões da vinda do Messias.

 

  1. Quais os objetivos do profeta em seus escritos?

Anunciar o juízo de Deus, falar contra a falsa religião, denunciar a injustiça social e anunciar a vinda Messias.

 

  1. Qual a característica da falsa religião combatida pelo profeta?

Uma religiosidade vazia, hipócrita, ritualística e sem sentido espiritual para o povo, levando-os a se desviarem dos caminhos do Senhor.

 

  1. Que tipo de pessoas injustiçadas o profeta tem em mente quando denuncia a injustiça social?

O pobre.

 

  1. Qual a referência mais importante que Isaías faz sobre o Espírito do Senhor?

A referência mais importante é quando afirma que o Espírito do Senhor (Javé) repousará sobre o “rebento de Jessé” (Cristo) com “o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor” (Is 11.1,2).

 

SUBSÍDIO

 

“O que se destaca na profecia de Isaías é seu rico conceito acerca do Deus Eterno. Para o profeta, Deus se eleva acima de todas as coisas terrenas. Ele é ‘o Senhor dos exércitos’, ‘o Alto e Sublime que habitou a eternidade’, ‘o Poderoso de Israel’, ‘Criador’ de todas as coisas e o Eterno que fez todas as coisas. Deus dirige a história; não há outro Deus além dEle e Ele não tem nenhuma intenção de repartir sua divindade com qualquer rival humano. Ele é Deus de sabedoria e poder. Além disso, Ele é apaixonadamente ético — o Santo. A respeito dEle os serafins cantaram: ‘Santo, Santo, Santo’ (6.2,3).

A contribuição de Isaías à fé judaico-cristã é grande e duradoura. Das suas percepções proféticas nos vieram às sementes que ao longo dos séculos geraram os conceitos mais definidos de expiação e salvação. Porque todos nós, como ovelhas, andávamos desgarrados, e o Senhor havia colocado sobre Cristo a iniquidade de todos nós, para que por meio das suas pisaduras pudéssemos ser curados. Somente com esse tipo de convicção poderemos voltar ao nosso Deus, que terá misericórdia de nós, com certeza de que Ele também nos perdoará abundantemente” (Comentário Bíblico Beacon. Volume 4. RJ: CPAD, 2005, pp.24-26).

 

 

 

 

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS n.2

 

 

 

3º Trimestre de 2016

 

Título: Isaías — Eis-me aqui, envia-me a mim

Comentarista: Clayton Ivan Pommerening

 

 

 

Lição 2: O contexto da profecia de Isaías

Data: 10 de Julho de 2016

 

 

 

TEXTO DO DIA

 

“Aprendei a fazer o bem; praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas” (Is 1.17).

 

SÍNTESE

 

Isaías escreveu seu livro num amplo e complexo contexto histórico, político, cultural, econômico e religioso, que, ao ser conhecido, torna mais vívida e compreensível sua mensagem.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Is 6.1-13

A chamada do profeta

 

 

 

TERÇA — 2Cr 26.1-5

O profeta Isaías viu parte do bom reinado de Uzias

 

 

 

QUARTA — 2Cr 26.16-21

A morte de Uzias

 

 

 

QUINTA — 2Rs 15.5

O reinado de Jotão

 

 

 

SEXTA — 2Cr 28.1

O reinado de Acaz

 

 

 

SÁBADO — Is 37.1-7

O profeta Isaías e os reis de Judá

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

ANALISAR o contexto histórico-político do livro do profeta Isaías;

ENTENDER o contexto econômico-social do povo de Israel no livro de Isáias;

COMPREENDER o contexto religioso do livro do profeta Isaías.

 

INTERAÇÃO

 

Professor, algumas das profecias de Isaías não estão escritas em ordem cronológica. Assim, a narrativa do chamado do profeta só vai aparecer no capítulo 6. Seu texto é organizado dentro de uma lógica temática e não necessariamente cronológica. Podemos afirmar que existem no livro de Isaías três divisões principais. Sua profecia abrange um período histórico que vai da morte do rei Uzias até a vinda e o sacrifício vicário do Messias. Ainda prediz a manifestação final do reino messiânico no fim dos tempos apocalípticos e escatológicos.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, Isaías foi levantado como profeta em um tempo de grande conturbação social. Invasões, guerras sanguinárias, idolatria, instabilidade política, econômica e social provocavam grandes temores nos israelitas. Para facilitar a compreensão do momento histórico-social do livro de Isaías, sugerimos que você procure, na internet ou em livros, imagens que retratem esse período. Essas ilustrações podem ser impressas e fixadas em folhas de papel pardo, formando um painel que será fixado no mural da classe. Você também pode utilizar as imagens para fazer uma apresentação em PowerPoint. Procure ressaltar a gravidade das questões sociais durante o ministério do profeta Isaías e a necessidade de o povo ouvir palavras de esperança. Por isso, o profeta Isaías fala tanto de esperança.

 

TEXTO BÍBLICO

 

Isaías 1.11,12,15-17,21-26.

 

11 — De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o Senhor? Já estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais nédios; e não folgo com o sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes.

12 — Quando vindes para comparecerdes perante mim, quem requereu isso de vossas mãos, que viésseis pisar os meus átrios?

15 — Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.

16 — Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos e cessai de fazer mal.

17 — Aprendei a fazer o bem; praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas.

21 — Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela que estava cheia de retidão! A justiça habitava nela, mas, agora, homicidas.

22 — A tua prata se tornou em escórias, o teu vinho se misturou com água.

23 — Os teus príncipes são rebeldes e companheiros de ladrões; cada um deles ama os subornos e corre após salários; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa das viúvas.

24 — Portanto, diz o Senhor Deus dos Exércitos, o Forte de Israel: Ah! Consolar-me-ei acerca dos meus adversários, e vingar-me-ei dos meus inimigos.

25 — E voltarei contra ti a minha mão e purificarei inteiramente as tuas escórias; e tirar-te-ei toda a impureza.

26 — E te restituirei os teus juízes, como eram dantes, e os teus conselheiros, como antigamente; e, então, te chamarão cidade de justiça, cidade fiel.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO

 

A profecia de Isaías pode ser dividida em três momentos específicos: período dos reis de Jerusalém, dentro do contexto em que ele vive (Isaías 1 — 39), com reis que foram tementes a Deus como Ezequias, mas também com reis que incentivaram a idolatria como Acaz; o segundo momento é quando ele prediz que o povo irá para o cativeiro babilônico, trazendo-lhes consolo e esperança para superarem as dificuldades e aguardarem o retorno com confiança em Deus (Isaías 40 — 55); e um terceiro momento é quando o povo voltaria do cativeiro para Jerusalém, predizendo um período de glória para Israel sob o reinado messiânico (Isaías 56 — 66). A mensagem de Isaías diante do contexto histórico e religioso é difícil, pois apontava para a quase destruição e rejeição do povo, porém, haveria um remanescente. Portanto, o profeta contrasta tempos de prosperidade material com muita injustiça bem como períodos de um efervescente culto a Deus contrastando com idolatria.

 

  1. CONTEXTO HISTÓRICO-POLÍTICO

 

  1. A divisão do reino. Após a morte do rei Salomão, filho de Davi, aconteceu uma disputa pela sucessão em Israel. As dez tribos do Norte, lideradas por Jeroboão, solicitaram a Roboão, filho de Salomão e herdeiro legítimo do trono, que aliviasse a carga tributária imposta por seu pai, Salomão; diante da negativa de Roboão, as tribos do Norte entronizaram como rei a Jeroboão. Com isso, Israel se dividiu em duas partes, chamadas de Reino do Norte, sob a liderança de Jeroboão, e Reino do Sul, sob a liderança de Roboão. Esse fato aconteceu em 922 a.C. A falta de amor e misericórdia entre as tribos irmãs foi a causa do cisma de toda uma nação. Quando a arrogância e a soberba prevalecem sobre o amor e respeito pelo outro, o fim sempre será trágico.
  2. Os reis do profeta Isaías. Adiante segue a relação de reis que governaram Judá (Reino do Sul), cuja capital era Jerusalém. Veja que pessoas sem a presença e temor de Deus em posições de liderança trazem ruína para seus liderados. Deus deseja contar com jovens que desde muito cedo compreendam que seu sucesso em todas as áreas da vida está na base da fé e na comunhão que cada um desenvolve com Deus.
  3. a) Uzias. Foi rei de Judá de 791 a 740 a.C. e é relatado no capítulo 6 de Isaías. Provavelmente o ministério profético se iniciou na data da morte deste rei.
  4. b) Jotão. Era filho de Uzias e o sucedeu no trono de 740 até 732 a.C. Acredita-se que tenha sido corregente com seu pai, após este ter adquirido lepra (2Rs 15.5) por ter oferecido sacrifício indevido no altar; no entanto, foi um bom rei, embora tenha permitido alguns locais de idolatria em Judá.
  5. c) Acaz. Foi filho de Jotão e tornou-se rei logo após o falecimento do seu pai. Reinou de 735 a 715 a.C.. Foi esse rei que, ao ter seu país invadido por tropas de Israel e da Síria, fez aliança com a Assíria (2Cr 28.16), o que denotou falta de confiança em Deus e trouxe sérias consequências para Judá. O profeta Isaías interferiu diretamente no reinado de Acaz lhe entregando uma profecia da parte de Deus (Is 7.1). A decisão de confiar na Assíria começou a enfraquecer o reino de Judá e trouxe consequências econômicas para o povo, devido ao pagamento de tributos para a Assíria. Foi um rei bastante idólatra (2Cr 28.19,24), principalmente a Baal, chegando a queimar um de seus filhos em oferta aos deuses (2Rs 16.3-4; 2Cr 28.2-4), quebrou utensílios do Templo e fechou locais de adoração a Deus (2Cr 28.23-25).
  6. d) Ezequias. Era filho do rei Acaz e reinou de 715 a 686 a.C., porém, provavelmente foi corregente com seu pai a partir de 729 a.C.. Foi durante seu reinado, graças a sua confiança em Deus, que aconteceu o grande livramento de Judá da invasão Assíria, quando morreram 185 mil soldados (2Rs 19.35), no ano de 701 a.C.; embora muitas cidades de Judá (Reino do Sul) terem sido saqueadas nessa invasão, Jerusalém foi milagrosamente poupada. Isaías animou o rei Ezequias durante a invasão do exército assírio (Is 37.5-7) e lhe trouxe uma mensagem de morte e outra de cura diante de seu arrependimento (2Rs 20) quando esteve doente. Embora esse rei tenha procurado honrar e adorar a Deus (2Rs 18.5,6), permitiu também determinados cultos aos deuses dos invasores assírios. No início de seu reinado, ele fez uma reforma religiosa reinstituindo algumas celebrações que haviam sido abandonadas (2Cr 29.2) pelo povo de Deus, tornando-se assim um dos melhores reis de Judá após a divisão do reino (2Rs 18.5).
  7. e) Manassés. Reinou de 686 a 642 a.C., mas deve ter sido corregente com seu pai desde 696 a.C. Não há registros de que Isaías tenha profetizado durante o reinado desse rei, mas provavelmente foi no início desse reinado que o profeta foi martirizado, sendo serrado ao meio, segundo a tradição, pois esse rei era perversamente idólatra.
  8. A ascensão dos impérios mundiais. Com a subida ao poder de Tiglate-Pileser III ao trono da Assíria (745-727 a.C.) esta começou a subjugar algumas nações, dentre as quais o Reino do Sul. A Síria e Israel (Reino do Norte) haviam ameaçado invadir o Reino do Sul (735-732 a.C.). Com isso, Acaz, que nessa época era o rei, fez uma aliança com a Assíria, o que ocasionou ao Reino do Sul certa submissão ao Império Assírio, com pagamento de pesada carga de tributos. Em 722 a.C. o Reino do Norte foi destruído e levado cativo pela Assíria (2Rs 17.5) para nunca mais se restabelecer. Já o Reino do Sul teve uma duração mais longa, embora tenha sido invadido e ameaçado algumas vezes pela Assíria e outros países vizinhos. Entretanto, no ano de 586 a.C. foi invadido, após duas outras invasões babilônicas anteriores, e levado cativo por esta.

 

 

 

Pense!

 

Com o profeta Isaías somos desafiados a pedir que o Espírito Santo nos capacite cada vez mais para trazer mensagens, profecias e intervenções no contexto em que estamos inseridos.

 

 

 

Ponto Importante

 

A profecia israelita não era simplesmente voltada para questões do Templo e do culto, mas também tinham alcance político.

 

 

 

  1. CONTEXTO ECONÔMICO E SOCIAL

 

  1. Um período de prosperidade. Durante o período do reinado de Uzias, o Reino do Sul experimentou um grande desenvolvimento econômico, tornando-se um dos mais prósperos de Judá desde a divisão do reino, sendo o luxo abundante. Este foi um dos motivos do afastamento do povo das leis de Deus, pois, com a ganância da prosperidade, começaram a praticar toda sorte de injustiças. Essa prosperidade permaneceu até o período dos reis Jotão e Acaz, vindo a declinar com este último.
  2. As injustiças. Este período do profeta Isaías foi de muita prosperidade entre o povo, mas em vez de fazerem uma justa distribuição de recursos e ganharem dinheiro de forma justa, passaram a oprimir e explorar os pobres, as viúvas e os órfãos (Is 1.17,23; 3.14; 10.2). Isso demonstra que a ganância leva a sociedade a praticar a injustiça social. Mas o profeta, discernindo a vontade de Deus, se levantou contra essas ações perversas.

 

 

 

Pense!

 

A injustiça é a revelação da falta de amor ao próximo. É um pecado que nos conduz à destruição e prejudica outros que muitas vezes são inocentes.

 

 

 

Ponto Importante

 

Muitas vezes, a prosperidade sem amor produz ignorância e arrogância que destroem a vida.

 

 

 

III. CONTEXTO RELIGIOSO

 

  1. A idolatria. Alguns reis desse período profético foram extremamente idólatras. Isso levou o povo a apostatar da fé e da confiança em Deus. Duas formas de idolatria são combatidas na Bíblia: a primeira, de que não se poderia adorar outro Deus a não ser o Senhor Jeová; a segunda proíbe confecção de qualquer imagem ou ídolo que represente o Deus de Israel. Nos tempos de Isaías, especialmente no reinado de Jotão e Acaz, a primeira forma de idolatria foi utilizada pelos judeus, o que agravou a situação do povo diante de Deus. Além disso, esse ambiente idólatra ajudou a incrementar as injustiças que eram praticadas na época. Uma das principais divindades adoradas pelos judeus era Baal, deus da fertilidade e do fogo, e por algumas vezes até mesmo chegaram a oferecer seus filhos em sacrifício aos deuses. A Bíblia se refere à idolatria como sendo idêntica ao pecado da prostituição (Jr 3.2; Ez 23.27; Os 9.1; Mq 1.7), portanto, um ato de traição e uma abominação diante da bondade, fidelidade e amor de Deus para com seu povo. Nada pode ocupar o lugar dEle no coração do ser humano, pois isso também se torna em idolatria.
  2. Uma religião de aparência. Com a mistura praticada pelo povo na adoração a Deus Jeová e aos deuses falsos, instalou-se uma falsa religiosidade, com alguns pecados bem graves cometidos: os sacerdotes se uniram aos assaltantes do povo e passaram a roubá-lo; criou-se uma religiosidade confusa e misturada com a idolatria da influência do culto a Baal multiplicaram-se os pecados morais e sociais. Entretanto, no reinado de Ezequias deu-se uma importante reforma religiosa. Servir a Deus é um estilo de vida, portanto, qualquer aparência pode ser enganosa.

 

 

 

Pense!

 

Quando a fé não é vivida segundo a vontade revelada de Deus mediante a sua Palavra, ela se torna uma fé de aparências. Deus nos convida a sermos jovens de fé verdadeira e obediência sincera à sua Palavra.

 

 

 

Ponto Importante

 

A idolatria acontece quando colocamos outras prioridades antes de Deus.

 

 

 

CONCLUSÃO

 

Deus sempre terá um porta-voz, e nesta geração Ele conta com a voz de jovens que se ergam para denunciar, com coragem, o pecado. Mas ao mesmo tempo que ame o pecador, jovens que se comprometam não com este mundo e tudo que ele tem para oferecer, mas com Deus e com sua Palavra, que produz vida. Para isso, é necessário, como Isaías, discernir as estruturas de poder religiosas, políticas e sociais para agir de forma relevante.

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2005.

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Qual o principal motivo de separação do reino de Israel em Norte e Sul?

Porque solicitaram a Roboão, filho de Salomão, que aliviasse a carga tributária imposta por seu pai Salomão, caso contrário, seguiriam como rei a Jeroboão.

 

  1. Qual foi o rei mais idólatra do período de Isaías e o que ele fez nesse sentido?

Acaz, queimou um de seus filhos em oferta aos deuses e adorou a Baal (2Re 16.3-4; 2Cr 28.2-4), quebrou utensílios do Templo e fechou locais de adoração a Deus (2Cr 28.23-25).

 

  1. Quais foram os dois impérios mundiais que surgiram durante e logo após o ministério profético de Isaías?

Assíria e Babilônia.

 

  1. Quais foram os principais pecados cometidos nesse período?

Os sacerdotes se uniram aos assaltantes do povo e passaram a roubá-lo, criou-se uma religiosidade confusa e misturada com idolatria da influência do culto a Baal, multiplicaram-se os pecados morais e sociais, e passou-se a falsificar a Palavra de Deus.

 

  1. Qual foi considerado um dos maiores reis de Israel após a divisão do reino e por quê?

Foi Ezequias, porque incrementou uma grande reforma religiosa e cúltica.

 

SUBSÍDIO I

 

“O ministério profético do Antigo Testamento ajuda-nos a compreender o do Novo Testamento. A missão principal dos profetas do Antigo Testamento era transmitir a mensagem divina através do Espírito para encorajar o povo de Deus a permanecer fiel, conforme os preceitos da Antiga Aliança. Às vezes, eles também prediziam o futuro, conforme o Espírito lhes revelava.

Cristo e os apóstolos são um exemplo do ideal do Antigo Testamento. A função do profeta na Igreja incluía o seguinte: a) Proclamava e interpretava, cheio do Espírito Santo, a Palavra de Deus, por chamada divina. Sua mensagem visava admoestar, exortar, animar, consolar e edificar (At 2.14-36; 3.12-26; 1Co 12.10; 14.3). b) Devia exercer o dom de profecia; c) Às vezes era vidente (1Cr 29.29), predizendo o futuro (At 11.28; 21.10,11). d) Era dever do profeta do Novo Testamento, assim como no Antigo Testamento, desmascarar o pecado, proclamar a justiça, advertir do juízo vindouro e combater o mundanismo e frieza espiritual entre o povo de Deus. Por causa de sua mensagem de justiça, o profeta pode ser rejeitado por muitos nas igrejas, em tempos de mornidão e apostasia” (ARAUJO, Israel de. Dicionário do Movimento Pentecostal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007).

 

SUBSÍDIO II

 

“O nome ‘Isaías’ significa ‘o Senhor salva’. Como profeta designado por Deus, Isaías começou seu ministério em 740 a.C., no ano em que morreu o rei Uzias. Profetizou por mais de quarenta anos e morreu provavelmente cerca de 680 a.C..

O longo ministério profético de Isaías teve lugar na época do reino dividido. O Reino do Norte — chamado pelos diferentes nomes de ‘Israel’, ‘Samaria’ e ‘Efraim’ — abrangia dez tribos de Israel. O Reino do Sul — comumente chamado de ‘Judá’, com sua capital em Jerusalém — consistia das tribos de Judá e de Benjamim. Os dois reinos, na época de Isaías, estavam desviados de Deus e de sua lei e recorriam às nações pagãs e seus deuses falsos para livrá-los dos seus inimigos. O Reino do Norte foi subjugado e destruído pela Assíria em 722 a.C. Isaías advertiu Judá de que esse reino, também, seria destruído por causa de seu pecado e apostasia” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, p.993).

 

 

 

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS n.3

 

 

 

3º Trimestre de 2016

 

Título: Isaías — Eis-me aqui, envia-me a mim

Comentarista: Clayton Ivan Pommerening

 

 

 

Lição 3: O Dia do Senhor

Data: 17 de Julho de 2016

 

 

 

TEXTO DO DIA

 

“Mas o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão” (2Pe 3.10).

 

SÍNTESE

 

O Dia do Senhor para a Igreja expressa o dia da gloriosa vinda do Senhor Jesus Cristo para arrebatar a sua Igreja, quando os salvos se reunirão para sempre com o seu amado, mas para os ímpios representa dia de juízo e angústia.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Is 2.1-5

Julgamento e restauração

 

 

 

TERÇA — Dn 12.1-3

O final da história

 

 

 

QUARTA — Is 4.2

A glória de Deus sobre seu povo

 

 

 

QUINTA — Mt 25.1-13

O encontro entre o Noivo e a Noiva

 

 

 

SEXTA — Mt 24.26-28

A vinda de Jesus será clara e sem confusão

 

 

 

SÁBADO — Ap 21.1-4

O Dia do Senhor é um dia de restauração e glória

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

ENTENDER que a altivez do povo foi resultado da prosperidade;

COMPREENDER o que significa o Dia do Senhor para o povo de Israel;

SABER o que significa o Dia do Senhor para a Igreja.

 

INTERAÇÃO

 

Professor, o tema dessa lição é escatológico, por isso você vai encontrar assuntos que se aplicam a Israel e à Igreja. No que se refere à Igreja, em virtude dos acontecimentos que sobrevirão ao mundo, é bom não assustar os alunos. Porém explique o quanto é importante que eles estejam preparados para a segunda vinda de Jesus Cristo. Conscientize-os de tudo o que a Bíblia ensina a respeito do Dia do Senhor. Incentive os alunos a obedecerem a Cristo por amor, e não por medo. Ressalte a misericórdia, o amor e o cuidado de Deus para com aqueles que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Caro professor, a lição dessa semana fala a respeito do Dia do Senhor. Para uma compreenção melhor a respeito do tema, confeccione um quadro comparativo mostrando o que será o Dia do Senhor para Israel e para a Igreja.

 

 

 

TEXTO BÍBLICO

 

Isaías 2.2-5,12,17.

 

2 — E acontecerá, nos últimos dias, que se firmará o monte da Casa do Senhor no cume dos montes e se exalçará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações.

3 — E virão muitos povos e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine o que concerne aos seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor.

4 — E ele exercerá o seu juízo sobre as nações e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças, em foices; não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerrear.

5 — Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do Senhor.

12 — Porque o dia do Senhor dos Exércitos será contra todo o soberbo e altivo e contra todo o que se exalta, para que seja abatido;

17 — E a altivez do homem será humilhada, e a altivez dos varões se abaterá, e só o Senhor será exaltado naquele dia.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO

 

O Dia do Senhor refere-se à intervenção divina contra a altivez humana, expressada no apego excessivo às riquezas, desvios morais e éticos, que culminam em corrupção e idolatria. Porém, também se refere às histórias de proezas e grandes feitos de Deus ao intervir milagrosamente na história do seu povo. A expressão é utilizada dezenove vezes no Antigo Testamento, especialmente pelos profetas. Pode referir-se a um dia específico como também a um período de tempo mais longo, dependendo do contexto. No caso de Isaías, é específica para Judá e Jerusalém, mas também se aplica aos dias atuais, pois a maioria das profecias bíblicas tem um cumprimento imediato e um cumprimento remoto, ou seja, aplicam-se num período de tempo próximo, mas também são aplicáveis a tempos mais distantes e escatológicos, pois Deus, conhecedor de todas as coisas, ao inspirar sua Palavra, tinha propósitos muito mais amplos do que aquilo que o profeta entendia para seus dias.

 

  1. A ALTIVEZ ORIUNDA DA PROSPERIDADE

 

No período profético de Isaías, Israel experimentou muita riqueza e prosperidade. Isso levou o povo a praticar uma série de pecados que podem vir acompanhados da riqueza e prosperidade quando usadas indevidamente, como a ganância, a corrupção, a idolatria e todos os desvios morais e éticos deles consequentes, pois a Bíblia afirma que um abismo chama outro abismo (Sl 42.7). A arrogância era tão crônica que perpassou várias instâncias sociais (Is 5.14; 32.9).

  1. Riqueza e prosperidade. Os governantes e o povo acumularam para si ouro, prata, cavalos, carros e muitos tesouros. Deus havia dito que os reis de Israel não deveriam acumular prata ou ouro (Dt 17.17), pois isso desviaria o coração deles, e foi justamente o que aconteceu no período de Isaías. A Palavra de Deus não fala contra a riqueza e a prosperidade, inclusive é vista como uma bênção de Deus, mas adverte seriamente contra o acúmulo desnecessário dela e a consequente ganância e exploração que se manifestam nesse ambiente. A autossuficiência econômica, social e militar, aliada ao orgulho, não poderia vir junto com o culto ao Deus verdadeiro.
  2. A corrupção. A corrupção acompanhou a raça humana desde a Queda; logo, não é uma novidade dos dias atuais. Cidadãos honestos, diante da corrupção, são considerados ultrapassados e em desacordo com a ordem vigente, que é obter vantagem em tudo. A corrupção não está apenas entre o meio político como muitos pensam; ela pode estar acontecendo ou sendo praticada por nós. Qualquer desvirtuação que altere o curso correto de um determinado caminho para que eu seja beneficiado com alguma vantagem é corrupção.
  3. A idolatria. Jesus afirmou que onde estivesse o tesouro de alguém ali estaria seu coração (Mt 6.21), ou seja, o coração pode seguir as ações de alguém e vice-versa. O povo de Israel demonstrou isso ao permitir que a riqueza e a prosperidade começassem a desviar seus corações do Senhor. Isso os levou a adorar falsos deuses e ídolos. Qualquer coisa que tome o lugar do Senhor, como prioridade última, torna-se um ídolo, e este sempre é opaco, ou seja, ele ofusca aquilo que se quer buscar, passando a apontar para si mesmo. O ídolo serve como um substituto muito fútil para Deus. Inclusive a religiosidade pode se tornar um ídolo, quando passa a manipular o povo para obter vantagem própria e adquirir poder (não do Espírito, mas de forças humanas), ou quando ela se torna um fim em si mesma. O povo havia se dobrado diante da loucura dos povos pagãos e se ajoelharam diante de ídolos feitos por mãos humanas. Assim, a arrogância fez com que se instalasse a degradação moral, ética, social, econômica e religiosa, muito semelhante aos dias atuais.

 

 

 

Pense!

 

Quando a riqueza se torna prioridade em nossa vida, devemos ter o cuidado para que ela não se torne o motivo da cegueira de nossa vida espiritual.

 

 

 

Ponto Importante

 

Na história de Israel, Deus sempre desejou abençoar seu povo, assim como quer abençoar a sua Igreja na Terra. No entanto, a sua presença gloriosa nunca deve ser trocada pelas bênçãos financeiras.

 

 

 

  1. O DIA DO SENHOR PARA ISRAEL

 

A expressão Dia do Senhor simboliza eventos futuros e escatológicos, e quer expressar o sentido de iminência e gerar expectativa. Para Israel, era símbolo de que Deus viria destruir o mal e vingar os pecadores (Is 13.9; Jl 1.15; Sf 1.7), mas também como símbolo de estabelecimento de paz e prosperidade. O lado negativo da profecia se cumpriu quando o povo de Deus foi levado para o cativeiro babilônico, tendo as consequências que veremos adiante.

  1. O abatimento do orgulho. A idolatria é o ápice do orgulho humano. A demonstração da ira do Senhor contra os obstinados será violenta, de acordo com a estupidez que o orgulho traz consigo. Deus não permitirá que o fraco seja espoliado para sempre, conforme a profecia de Isaías. O Dia do Senhor seria tão pesado para Israel diante do pecado do orgulho, que o profeta aconselha o povo a entrar nas rochas e se esconder no pó (Is 2.10). O pó era sinônimo de extrema humilhação. Nos tempos antigos, quando alguém queria demonstrar humilhação diante de uma atitude errada, sentava-se literalmente no pó, por vontade própria, mas aqui o profeta está dizendo ao povo que, como eles não o fizeram por vontade própria, seriam forçados a fazê-lo diante da calamidade que viria.
  2. A destruição da idolatria. Haverá um reconhecimento de que a idolatria para nada serve (Is 2.20) e quando perceberem que toda inclinação aos ídolos lhes colocou em mais apuros, eles lançarão todos ao chão (Is 2.18,20), demonstrando que finalmente reconhecem que não têm valor. O Dia do Senhor para eles será tão angustiante que se meterão nas cavernas das rochas e nos buracos da terra (Is 2.19,21). Nesse dia, reconhecerão que há somente um Deus verdadeiro.
  3. O estabelecimento da paz completa. Quando Israel reconhecer o senhorio do Senhor, recebendo o Messias como o enviado de Deus para restaurar a nação, então se estabelecerá verdadeira paz e prosperidade. Será um período tão esplendoroso para Israel, que as nações de toda a terra afluirão para Jerusalém para aprender sobre os caminhos do Senhor e haverá justiça em toda a terra. Não haverá mais violência nem guerra, pois os povos “converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças, em foices” (Is 2.4). Isso também se aplica à violência urbana presente em muitas cidades brasileiras.

 

 

 

Pense!

 

A idolatria é o ápice do orgulho humano, pois é o desvio do olhar daquEle que realmente fez, é e pode todas as coisas para se fixar em coisas fúteis, passageiras e infinitamente menores do que realmente representam.

 

 

 

Ponto Importante

 

O Dia do Senhor é um conceito teológico próprio da mensagem escatológica. Simboliza ao mesmo tempo julgamento e triunfo de Deus sobre a história e seus acontecimentos. O profeta Isaías usa constantemente esse conceito.

 

 

 

III. O DIA DO SENHOR PARA A IGREJA

 

O Dia do Senhor para a Igreja expressa o dia da gloriosa vinda do Senhor Jesus Cristo para arrebatá-la, quando os salvos se reunirão para sempre com o seu Amado.

  1. A preparação para a vinda de Jesus. Assim como o povo de Israel se voltou para os ídolos e se corrompeu, nós facilmente podemos fazer o mesmo. Assim, devemos estar preparados para esse glorioso dia, que para os salvos será de muita alegria e regozijo. Convém atentarmos para a Palavra de Deus em obediência para que estejamos incluídos no grupo dos salvos (Tg 1.22). A vinda de Cristo será precedida por uma grande proliferação de abandono das leis do Senhor, querendo a humanidade estabelecer substitutos para o culto a Deus (2Ts 2.3,4). Certamente que invenções humanas como o consumismo e a ganância podem ser maneiras de expressar essa apostasia quando usadas de forma a expressar a ganância humana.
  2. Como será esse dia. A Bíblia se refere a ele como um dos mais terríveis diante dos acontecimentos aos que ficarem. Mas para os salvos será o encontro com o seu Senhor e Salvador, um evento de grande celebração (1Pe 4.13), pois culminará na redenção final. Para estes, Jesus voltará do mesmo modo que partiu, ou seja, descerá dos céus (At 1.11). O apóstolo Paulo dá-nos uma ideia de como será essa volta em 1Tessalonicenses 4.16,17.
  3. Atitudes diante do Dia do Senhor. Precisamos cuidar para não ficarmos focados no quando e no como será o Dia do Senhor a ponto de nos esquecermos de quem está voltando. A atitude deve ser de grande expectativa para com o Amado das nossas almas, aquEle que por nós deu sua vida para nos resgatar da morte e do inferno. Jamais a riqueza, a prosperidade ou o trabalho devem servir de impedimento para a expectativa da espera. Não pode haver a fuga do presente, um descaso com tudo como desculpa de sua vinda, nem viver ignorando a volta de Jesus como se Ele nunca fosse voltar.

 

 

 

Pense!

 

A vinda de Jesus será imprevisível, por isso devemos estar sempre preparados para o Dia do Senhor mediante a perseverança nos caminhos do Evangelho.

 

 

 

Ponto Importante

 

Precisamos cuidar para não ficarmos focados no quando e no como será o Dia do Senhor a ponto de nos esquecermos de quem está voltando. A atitude deve ser de grande expectativa para com o Amado das nossas almas, aquEle que por nós deu sua vida para nos resgatar da morte e do inferno e nos levar ao eterno lar.

 

 

 

CONCLUSÃO

 

O Dia do Senhor será terrível para os que estão entregues ao pecado e aos valores perniciosos que algumas coisas do mundo oferecem. Mas para aqueles que foram lavados no sangue do Cordeiro e, consequentemente, amam seu Senhor e vivem uma vida de acordo com seus preceitos, o Dia do Senhor será um dia glorioso, pois para sempre se estabelecerá a justiça, o juízo e a equidade, não haverá mais rico nem pobre, opressor ou oprimido e valores de morte serão substituídos pela eterna vida dos salvos com Cristo, aquEle que os salvou da condenação eterna.

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

JEREMIAH, David. Antes que a Noite Venha. 1ª Edição. RJ: CPAD, p.2015.

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Explique o que significa o Dia do Senhor.

O Dia do Senhor refere-se à intervenção divina contra a altivez humana e a idolatria, também refere-se às histórias de proezas e grandes feitos de Deus intervindo milagrosamente na história do seu povo, Israel.

 

  1. Por que Deus abomina a idolatria?

O ídolo serve como um substituto muito fútil para Deus.

 

  1. O que significa contexto imediato e remoto de uma profecia?

O contexto imediato aplica-se a um período de tempo próximo, o contexto remoto é aplicável a tempos mais distantes e escatológicos.

 

  1. Quando a paz e a prosperidade completa se estabelecerão para Israel?

Quando Israel reconhecer o senhorio do Senhor, recebendo o Messias como o enviado de Deus para restaurar a nação.

 

  1. Que atitudes devemos tomar diante do Dia do Senhor?

Não pode haver o extremo da fuga do presente, um descaso com tudo como desculpa de sua vinda, nem viver ignorando a volta dEle como se nunca fosse voltar.

 

SUBSÍDIO

 

“O significante dia de bravura do homem empalidece em comparação com o grande dia do Senhor. Isaías vê chegar o dia em que os idólatras deverão se esconder em terror diante da manifestação do Senhor, a quem eles desprezaram (cf. Ap 6.15-16). As concavidades das rochas (vv.10,19) refletem o fato de que a Palestina está cheia de cavernas calcárias que os homens têm usado como refúgio em tempos de terror.

[...] O dia do Senhor dos Exércitos virá. Esse é um dia no qual o homem orgulhoso se encontra nas mãos de um Poder Superior. O orgulho do homem é comparado com os grandes cedros do Líbano e os carvalhos de Basã, símbolos de força e vigor. [...]

A presença temível do Eterno e o esplendor da sua majestade farão com que pessoas arrogantes se escondam nas cavernas da terra quando Deus afligi-la com terror (Jl 3.16; Ag 2.6; Hb 12.26; Ap 5.15-16). O homem lançará seus ídolos às toupeiras e aos morcegos, roedores cegos que habitam as trevas. Aqueles ídolos se mostrarão impotentes para salvar seus adoradores humanos pagãos. [...] Assim o profeta lamenta: Ah! Meu povo! Os que te guiam te enganam” (Comentário Bíblico Beacon. Volume 4. Isaías e Daniel. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2005, pp.35-36).

 

 

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS n.4

 

 

 

3º Trimestre de 2016

 

Título: Isaías — Eis-me aqui, envia-me a mim

Comentarista: Clayton Ivan Pommerening

 

 

 

Lição 4: O juízo de Judá e de Jerusalém

Data: 24 de Julho de 2016

 

 

 

TEXTO DO DIA

 

“O Senhor vem em juízo contra os anciãos do seu povo e contra os seus príncipes; é que fostes vós que consumistes esta vinha; o espólio do pobre está em vossas casas” (Is 3.14).

 

SÍNTESE

 

O profeta de Deus percebe quando há injustiça entre os homens e quando esta atrai o juízo de Deus. Ele discerne tudo e conhece os grandes dilemas do seu povo e do seu tempo.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Is 3.1-3

O julgamento de Deus

 

 

 

TERÇA — Is 1.5

O profeta Isaías e o juízo de Deus

 

 

 

QUARTA — Pv 22.8

Israel estava semeando a iniquidade

 

 

 

QUINTA — Is 7.17-18

Judá recebeu o castigo anunciado por Deus

 

 

 

SEXTA — Is 1.14,15

Deus leva a juízo os líderes do povo

 

 

 

SÁBADO — Is 1.4

O julgamento da nação pecadora

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

RESSALTAR a injustiça e a opressão relatadas por Isaías;

MOSTRAR os males da arrogância e como se prevenir dela;

DESCREVER a misericórdia e a justiça de Deus em Cristo.

 

INTERAÇÃO

 

Aproveite o tema da lição para discutir com os jovens a respeito da justiça divina. Em geral, nesta fase da vida, eles têm um senso de justiça mais aguçado. Aproveite a oportunidade para despertar o desejo de agir em prol da justiça nas várias esferas da sociedade. O mundo dos jovens, em geral, é cercado de belos ideais. Isso pode ser aproveitado de forma positiva em prol do Reino de Deus. Ressalte o valor da justiça tanto na igreja quanto na sociedade. Mostre que a justiça de Deus pode ser revelada por meio de ações concretas de cuidado, equidade e expressões de amor para com os que sofrem, os oprimidos e os injustiçados.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, sugerimos que para a aula de hoje seja feito um debate a respeito da injustiça social. Utilize para o debate os tópicos da lição.

No primeiro tópico, é importante apontar algumas formas de injustiça social em nossa sociedade. Mostre o quanto a profecia de Isaías é atual. Já no tópico II, trabalhe a questão da arrogância. Mostre como as pessoas estão deixando de perceber o outro. No tópico III, discuta a respeito da misericórdia e da justiça de Deus revelados por intermédio da Igreja.

 

TEXTO BÍBLICO

 

Isaías 3.1-5,8,13-15.

 

1 — Porque eis que o Senhor Deus dos Exércitos tirará de Jerusalém e de Judá o bordão e o cajado, todo o sustento de pão e toda a sede de água;

2 — o valente, e o soldado, e o juiz, e o profeta, e o adivinho, e o ancião;

3 — o capitão de cinquenta, e o respeitável, e o conselheiro, e o sábio entre os artífices, e o eloquente;

4 — e dar-lhes-ei jovens por príncipes, e crianças governarão sobre eles.

5 — E o povo será oprimido; um será contra o outro, e cada um, contra o seu próximo; o menino se atreverá contra o ancião, e o vil, contra o nobre.

8 — Porque Jerusalém tropeçou, e Judá caiu, porquanto a sua língua e as suas obras são contra o Senhor, para irr tarem os olhos da sua glória.

13 — O Senhor se levanta para pleitear e sai a julgar os povos.

14 — O Senhor vem em juízo contra os anciãos do seu povo e contra os seus príncipes; é que fostes vós que consumistes esta vinha; o espólio do pobre está em vossas casas.

15 — Que tendes vós que afligir o meu povo e moer as faces do pobre? — diz o Senhor, o Deus dos Exércitos.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO

 

A palavra juízo é amplamente usada em vários livros do Antigo Testamento e o profeta Isaías a utiliza 40 vezes em seu livro. Os governantes, os ricos, os sacerdotes e os profetas estavam coniventes com o erro; sentindo-se seguros dentro das fortalezas, usavam todo o seu poder para oprimir os pobres. Tornaram-se arrogantes, e por isso perderam o bom senso daquilo que seria o certo e o errado. Isso fez o profeta prever a ruína do povo, fazendo com que o capítulo 3 de seu livro se tornasse uma das mais sombrias profecias. Ele quer, com isso, chamar o povo de Deus à prática da humildade. Deve-se seguir o exemplo de Cristo, que se esvaziou a si mesmo, encarnando-se como homem para servir aos propósitos de seu Pai (Fp 2.5). O Evangelho nos chama à prática da justiça, pois Ele mesmo disse: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mt 5.6).

 

  1. A INJUSTIÇA E A OPRESSÃO DE UM POVO

 

  1. Justiça. Atualmente a palavra justiça significa o cumprimento de uma lei moral que leve em conta a equidade e a igualdade entre todas as pessoas. Para o judeu, era sinônimo de seguir as exigências da lei de Deus e de sua justiça. O colapso da nação era iminente para Isaías por haverem pervertido o juízo ou trocado o que seria justo pelo injusto. Situações como essa sempre acabam prejudicando aqueles que não têm como se defender, como o fraco, o pobre, o órfão e a viúva (Is 1.17,23). Os líderes privaram os pobres e oprimidos da justiça e ainda roubaram o órfão e a viúva (Is 3.14; 10.2). Os dois reinos de Israel (Norte e Sul) tinham saído da situação de grande pobreza para uma ascensão econômica só comparável ao tempo do rei Salomão. Mas, como geralmente acontece ainda hoje, o desenvolvimento da agricultura e de outros bens só foi conseguido à custa dos injustiçados.
  2. A opressão oficializada. Sempre existiram desigualdades em Israel, mas no tempo dos profetas elas adquiriram grandes proporções. A distância entre ricos e pobres cresceu, assim, boa parte dos profetas dividiram o povo em dois grandes grupos: os oprimidos e os opressores, sendo os pobres as maiores vítimas (Is 3.15; Am 3.9-12). Mas até mesmo entre os pobres, quem tinha chances de oprimir alguém o fazia deliberadamente, se instalou o desrespeito contra os idosos (Is 3.5) e a anarquia no governo (Is 3.4). Além disso os governantes agiam de forma imprudente, corrupta e leviana (Is 3.12). Essa situação demonstra o caos que o povo de Israel vivia e a completa cegueira daqueles que deveriam e poderiam reverter a situação, ou seja, a classe dominante, tanto civil quanto religiosa.
  3. A injustiça como instrumento de triunfo. Justiça tem o significado de retidão, aquilo que deve ser estabelecido como duradouro nos assuntos humanos porque é correto e em conformidade com os caminhos de Deus, o que leva a um caminho ético. Tudo isso havia sido substituído por derramamento de sangue para se alcançar os objetivos de enriquecer a todo custo (Is 5.7). Havia muita desonestidade e corrupção na esfera pública e uma grande diferença entre as classes sociais. Deus havia ordenado que ninguém deveria acumular terras (Is 5.8), que os julgamentos tinham que ser justos e não deveriam construir nada a preço de sangue, os comerciantes não deveriam ter balança desonesta, ninguém poderia praticar extorsão, não deveriam dar lugar ao orgulho da riqueza, mas em vez invés disso estavam edificando palácios e fortalezas opulentas, e estavam tentando fazer alianças reprováveis com países vizinhos em vez de confiarem em Deus. Isaías também profetizou sobre como o governo enganava o povo e causava dificuldades em vez de facilitar a vida deles.
  4. A injustiça no mundo atual. Em nossos dias, a organização econômica se dá em torno de uma economia geralmente espoliativa para o pobre, a exemplo dos dias de Isaías. Aproximadamente 10 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da miséria; no mundo, quase um bilhão de pessoas sobrevive com menos de dois dólares por dia. Obviamente que o povo de Deus não pode se conformar com isso. O fato de Jesus ter dito que sempre teríamos pobres entre nós não serve de desculpa para fugirmos dos mecanismos a nosso dispor para lutar contra a pobreza. Esses mecanismos podem ser efetivados através da política, da denúncia profética, como fez Isaías, como também por meio de ações sociais que combatam os problemas sociais e econômicos em sua raiz. Uma das respostas de Deus ao mundo que sofre é a igreja, e ela tem feito isso pela pregação do Evangelho que salva e transforma o pecador, mas também pela promoção da justiça e igualdade.

 

 

 

Pense!

 

A pobreza é uma condição de existência que reduz as potencialidades de vida humana. Ela causa sofrimento e desigualdades sociais.

 

 

 

Ponto Importante

 

Na profecia bíblica, os problemas sociais também são encarados como missão e desafios dos servos de Deus. Os profetas eram homens sensíveis à voz do Espírito de Deus e aos clamores das injustiças e opressões sociais.

 

 

 

  1. A ARROGÂNCIA QUE CEGA

 

  1. A descrição da arrogância pelo profeta. Isaías é corajoso ao denunciar que até mesmo as pessoas importantes do governo se portavam com orgulho. Ele não tem nada contra o bom senso em se embelezar e vestir bem, mas essas pessoas estavam usando tudo isso com altivez, andando de nariz empinado, em licenciosidade, se adornando com joias que excediam a necessidade, usando perfumes e tecidos caríssimos, seus cortes de cabelos eram feitos nos lugares mais caros, tudo como fruto da arrogância. Por que Isaías denominou isso de arrogância? Porque era custeada pela injustiça. Num círculo vicioso, a arrogância leva à injustiça e a injustiça à arrogância.
  2. Um pecado abominável. O orgulho foi o primeiro pecado praticado no universo. Foi o que levou Lúcifer à queda e também a Adão e Eva, pois, o desejo de querer ser igual a Deus e de ter os mesmos conhecimentos que Ele tem, não podem ser desejados por ninguém. Quando um ser humano se porta com arrogância, está com isso dizendo que tem condições de conhecer todas as coisas e de se governar sem o auxílio de Deus; por isso, torna-se um grave erro.
  3. Os males do orgulho. Além de ser uma afronta a Deus, o problema do orgulho é que ele supervaloriza o “eu” em detrimento do “outro”, e ninguém consegue ser alguém a não ser que interaja de forma abençoadora com os outros. Portanto, o orgulho leva à prática da injustiça, como bem mostra Isaías.

 

 

 

Pense!

 

O orgulho revela a nossa falta de autoconhecimento enquanto seres humanos. Quem conhece suas limitações e a fragilidade da vida de modo algum se torna orgulhoso.

 

 

 

Ponto Importante

 

O livro do profeta Isaías é um bom exemplo do modo como o orgulho destruiu a dependência do povo israelita de Deus.

 

 

 

III. A MISERICÓRDIA E A JUSTIÇA DE DEUS

 

  1. O profeta prediz a ruína. Por causa do pecado do povo, Isaías anuncia que as pessoas iriam se odiar pelas ruas com muito desrespeito de um para com o outro, ou seja, a anarquia se instalaria, pois o povo chegou a se orgulhar de sua depravação. Haveria pavor diante de ameaças pequenas e insignificantes. Ele avisa que chegaria o dia em que toda a pompa seria lançada ao chão como lixo e o mau cheiro seria sentido de longe, haveria muita morte, lamentos e escassez de homens para desespero das mulheres. Nessa descrição, o profeta tinha em mente a invasão de Jerusalém pela Babilônia, quando esta foi saqueada, queimada e destruída e o povo levado cativo para a Babilônia, se cumprindo cabalmente a profecia de Isaías, em consequência da desobediência do povo de Deus.
  2. Humildade: símbolo da dependência de Deus. Haveria solução para o povo se este se humilhasse, pois a Bíblia afirma que “a humildade precede a honra” (Pv 15.33). Deus estava alertando porque queria agir com misericórdia para com seu povo. Ele mesmo disse que habitava “com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e novo alento ao coração do contrito” (Is 57.15). Jesus disse que o Reino dos Céus é dos humildes (Mt 5.3).
  3. A justiça de Deus. A justiça divina geralmente é manifestada como atos de salvação, misericórdia e bondade de Deus, mas não torna o seu povo imune ao juízo divino quando este despreza o seu amor e justiça. O profeta estava prevendo esse momento para o povo, em que seriam visitados em sua maldade. Essa consequência do pecado aponta para a necessidade de um Salvador, o Messias, pois somente Ele poderia livrar definitivamente o povo do castigo divino, tomando sobre si todas as maldades. Novamente, aqui se manifesta a bondade de Deus em prover um meio de salvação enfatizando seu imenso amor pelo povo errante.

 

 

 

Pense!

 

A humildade é o caminho mais fácil para conseguir o favor de Deus e dos homens.

 

 

 

Ponto Importante

 

A tradição profética israelita sempre trouxe em sua mensagem a combinação entre anúncio de juízo e restauração, justiça e graça ao povo, pois em última instância a vontade de Deus é sempre trazer vida e esperança, e não destruição ao ser humano, apesar de sermos merecedores.

 

 

 

CONCLUSÃO

 

A função profética sempre esteve junto com questões sociais e políticas. O profeta de Deus é também porta-voz de uma mensagem que anuncia, denuncia e alerta diante de situações presentes e conhecidas, e na lição de hoje denunciou a injustiça e a arrogância. Que nossos corações sejam humildes diante de Deus para reconhecer quando precisamos de arrependimento; que nossa dependência de Deus seja evidente em atitudes, palavras e pensamentos.

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

DORTCH, W. Richard. Orgulho Fatal: Um Ousado Desafio a este Mundo Faminto de Poder. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1996.

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Quais são as duas fortes denúncias que Isaías fez na profecia analisada nesta lição?

Isaías denuncia a injustiça e o orgulho.

 

  1. Que tipos de injustiça estavam sendo praticadas por Judá?

Deus havia ordenado que ninguém deveria acumular terras (Is 5.8), que os julgamentos tinham que ser justos e não deveriam construir nada a preço de sangue, os comerciantes não deveriam ter balança desonesta, ninguém poderia praticar extorsão, não deveriam dar lugar ao orgulho da riqueza.

 

  1. Qual característica o povo assumiu ao se tornar arrogante?

É como se Deus não se importasse com nada, ou como se Ele não precisasse ser honrado, assumindo uma postura de autossuficiência.

 

  1. Qual foi o primeiro pecado praticado no universo?

O orgulho.

 

  1. Que promessa o Evangelho de Mateus faz aos humildes?

Que o Reino dos Céus seria deles.

 

SUBSÍDIO

 

“Depois da morte do bom rei Ezequias, em 686, e do profeta Isaías, Judá entrou em um processo de declínio em todos os setores, do qual não mais viria a recuperar-se, exceto pelo breve reinado de Josias.

Uma falha específica no caráter de Ezequias pode ser vista no seu comportamento para com os embaixadores de Merodaque-Baladã, de Babilônia. [...] O autor de Reis e o profeta Isaías declaram que o rei Ezequias expôs os tesouros do reino à embaixada babilônica (2Rs 20.12-15; Is 39.1-4). [...] O fato de Ezequias ter aberto seus tesouros para os embaixadores da Babilônia pode ser a expressão de um suposto apoio a causa dos caldeus, de forma que queria impressioná-los mostrando sua força e seu poder. Tal atitude foi má aos olhos do Senhor, ocasionando a ira de Yahweh contra Judá e Jerusalém. Ezequias arrependeu-se, mas Isaías o informou de que chegaria o tempo em que os descendentes políticos desses mesmos caldeus retornariam para Jerusalém. Eles despojariam todo o tesouro de Judá e levariam seus filhos e filhas para a corte real da Babilônia” (MERRILL, H. Eugene. História de Israel no Antigo Testamento: O reino de sacerdotes que Deus colocou entre as nações. 12ª Edição. RJ: CPAD, 2013, pp.457-458).

 

 

 

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS n.5

 

 

 

3º Trimestre de 2016

 

Título: Isaías — Eis-me aqui, envia-me a mim

Comentarista: Clayton Ivan Pommerening

 

 

 

Lição 5: Predições de Juízo e Glória

Data: 31 de Julho de 2016

 

 

 

TEXTO DO DIA

 

“E haverá um tabernáculo para sombra contra o calor do dia, e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e contra a chuva” (Is 4.6).

 

SÍNTESE

 

Após o juízo divino avassalador, se estabelecerá um período de muita justiça, glória e beleza, em que o “renovo do Senhor”, Cristo, promoverá um período de bênçãos, proteção e prosperidade.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Is 4.1

Profecia sobre o Messias

 

 

 

TERÇA — Mt 25.31-32

No dia do juízo Deus honrará seus verdadeiros filhos

 

 

 

QUARTA — Is 2.4

Deus realiza seu juízo

 

 

 

QUINTA — Is 2.1-2

Deus manifestará sua glória restauradora

 

 

 

SEXTA — Is 44.21-22

Deus apaga os pecados do seu povo

 

 

 

SÁBADO — Is 65.17-18

A glória de Deus traz alegria e regozijo

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

DEMONSTRAR o que é o juízo de Deus e que a execução deste não anula seu amor para com sua criação;

MOSTRAR quem é o Renovo do Senhor predito por Isaías e o que Ele representa para Israel e para a Igreja;

SABER que a proteção do Senhor é real e constante.

 

INTERAÇÃO

 

Professor, podem surgir dúvidas quanto ao fato de Deus executar juízo com amor. Procure mostrar que o juízo de Deus faz parte do seu amor para purificar e ensinar seu povo errante. De outra forma não se arrependeriam, dado o estado de rebeldia e rejeição para com as ofertas amorosas de Deus. O Senhor desejou que seu povo confiasse inteiramente nEle. Porém preferiram resolver as crises da maneira deles. Desta forma, a escolha foi feita pelo próprio povo, pois foram alertados, com antecedência, do que aconteceria se confiassem em si mesmos e não na provisão divina. Entretanto, o que prevalece no final é a grande demonstração do amor de Deus ao restaurar seu povo e cuidar deles oferecendo seu Filho.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Na aula de hoje, estudaremos temas que provocam a curiosidade dos jovens: predições de juízo e glória. Aparentemente são temas que levam a uma ideia de antagonismo, embora não sejam.

Para explicar o subtópico 3 do terceiro tópico, sugerimos a confecção de um quadro em cartolina. Escreva no centro do quadro o nome Cristo. Peça que os alunos citem maneiras pelas quais o Messias pode prover bênçãos para aqueles que creem. À medida que os alunos forem citando, vá relacionando no quadro. Conclua comentando as citações dos alunos. Ressalte o que Cristo tem preparado para os salvos.

 

TEXTO BÍBLICO

 

Isaías 4.2-6.

 

2 — Naquele dia, o Renovo do Senhor será cheio de beleza e de glória; e o fruto da terra, excelente e formoso para os que escaparem de Israel.

3 — E será que aquele que ficar em Sião e que permanecer em Jerusalém será chamado santo: todo aquele que estiver inscrito entre os vivos em Jerusalém.

4 — Quando o Senhor lavar a imundícia das filhas de Sião e limpar o sangue de Jerusalém do meio dela, com o espírito de justiça e com o espírito de ardor,

5 — criará o Senhor sobre toda a habitação do monte de Sião e sobre as suas congregações uma nuvem de dia, e uma fumaça, e um resplendor de fogo chamejante de noite; porque sobre toda a glória haverá proteção.

6 — E haverá um tabernáculo para sombra contra o calor do dia, e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e contra a chuva.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO

 

Nesta lição você verá que o profeta mostra que, apesar de Deus ter de executar juízo contra seu povo, como consequência das escolhas erradas feitas por eles, o que prevalece é seu imenso amor, misericórdia e cuidado para com eles, demonstrado no envio do Messias (Is 4.5). Isaías deixa claro que o Deus executor de juízo age com justiça e equidade, mas que jamais deixará seu povo entregue ao sofrimento, demonstrando assim a grandeza dEle purificando, salvando e curando seu povo e ainda lhes prometendo que seriam muito abençoados.

 

  1. O JUÍZO DE DEUS

 

  1. As causas do juízo de Deus. Antes de enviar seu juízo, Deus havia mostrado claramente ao povo que não deveriam agir de forma contrária ao seu amor. Por isso, alertou contra a corrupção dos governantes e a violência. Alertou sobre questões econômicas e sociais que promoviam a injustiça, foram denunciadas e advertidas as seguintes práticas: a substituição do Senhor pelas riquezas; a ganância; o suborno recebido pelo juiz; a exploração dos trabalhadores para a manutenção do luxo no palácio, do rei, da corte e do Templo; a concentração de riquezas nas mãos de poucos; o empobrecimento da população; a administração fraudulenta; a impunidade e a opressão. Tudo isso característica do afastamento sistemático do amor e do cuidado de Deus, dando as costas a Ele, e na prática querendo afirmar que não precisariam dEle nem de suas ordenanças para organizarem suas vidas.
  2. Como um Deus bom pode agir com juízo. Existem pessoas que não compreendem como um Deus de amor pode agir em juízo; alegam que as duas coisas são antagônicas e preferem achar que Ele é complacente com situações que ferem sua santidade, como no caso do povo de Judá e Jerusalém, mas a verdade é que o juízo de Deus se manifesta sempre que se viola o princípio de justiça estabelecido por Ele, e assim se viola seu próprio amor, ou seja, a própria criatura humana se expõe ao juízo de Deus ao rejeitar o seu amor, que é oferecido gratuitamente. No caso de Israel, esse amor foi rejeitado ao agirem com arrogância e autossuficiência, desprezando a provisão de Deus, e ao praticarem a injustiça de uns para com os outros, oprimindo e explorando os pobres, os órfãos e as viúvas.
  3. A justiça estabelecida com juízo. Para que houvesse o retorno da justiça no meio do povo de Deus era preciso que o juízo fosse feito com rigor pelo Justo Juiz. Deus lavaria e purificaria toda a sujeira e limparia Jerusalém da culpa do sangue inocente derramado. Para isso enviaria seu Espírito de justiça e seu Espírito purificador (Is 4.4). Quando o juízo fosse completado, a glória e a proteção do Senhor seriam estendidas sobre seu povo.

Atualmente, a igreja é o povo do Senhor na terra e atua como um arauto de justiça e um inibidor do juízo contra o pecado e todas as formas de injustiça. Por isso, ela não deve se omitir dos meios públicos, políticos e da justiça social, mas também não pode compactuar com políticas injustiças e corruptas. Precisa ocupar o espaço na sociedade que lhe compete e posicionar-se de forma profética e justa. Nessa posição, não há como aceitar troca de favores com os poderes constituídos, pois compromete a autoridade profética da igreja.

 

 

 

Pense!

 

Apesar da existência do juízo de Deus, a nossa relação de obediência a Ele não deve se basear no medo de sua punição, mas sim no amor que nos constrange a ser fiéis à sua Palavra e vontade sublime, entendendo-as como o melhor caminho possível para as nossas vidas.

 

 

 

Ponto Importante

 

Na teologia bíblica cristã, o juízo de Deus não se origina por uma intenção malévola de Deus. O juízo surge por consequência de nossos pecados, de nossa transgressão ao modelo de vida estabelecido por Deus.

 

 

 

  1. A GLÓRIA DO RENOVO DO SENHOR

 

  1. O Renovo do Senhor para Israel. Segundo os estudiosos do texto bíblico, ao falar do Renovo do Senhor, Isaías está se referindo ao Messias que seria rejeitado pelo povo de Israel, mas aceito ao final de muito aperto. Novamente, aqui a profecia aponta para um contexto imediato, a invasão da Babilônia, e para um contexto remoto — o fim dos tempos, quando Israel estará novamente sitiada e será liberta milagrosamente quando reconhecer e aceitar a Cristo como o enviado de Deus. Esse tempo será após o período da grande tribulação, que durará sete anos, e o Anticristo quebrará o pacto feito com Israel e muitas nações da terra se voltarão contra o povo de Deus. Neste momento o socorro do Senhor virá por meio da intervenção divina encabeçada por Cristo em favor de seu povo.
  2. O Renovo do Senhor para a Igreja. Como Israel rejeitou a Cristo, abriu-se a grande porta da graça de Deus para todos os povos da Terra. Todos os que aceitam a Cristo como salvador, neste tempo da graça, serão espiritualmente revestidos de beleza e glória, através de Cristo nas suas vidas. Com isso todos os que estão em Cristo são chamados de santos (Is 4.3; 1Co 1.2). Além disso, o profeta promete que o Renovo do Senhor produzirá vida, Jesus se referiu a Ele mesmo como o doador da vida (Mt 20.28; Jo 3.15-16; 5.24), dizendo que “quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (Jo 4.14).
  3. Cristo, o provedor de bênçãos para os salvos. Por meio de Cristo, há abundante provisão para todos nós, os salvos. Através de sua Palavra Ele promete cura para o corpo físico (Mt 4.23), libertação do pecado e de situações de aflição e angústia (Rm 8.21), salvação do estado de morte e aproximação de Deus (Lc 3.6), renovação para a mente e no modo de pensar (Rm 21.2; 4.23), perdão completo para a culpa (Mt 26.28; Lc 24.47), e sobre nós repousa sua glória transformadora, como disse Paulo em 2 Coríntios 3.18.

 

 

 

Pense!

 

Em Cristo começamos a experimentar a glória de Deus em nossas vidas. Apesar de não ser de maneira plena, quando estamos em Jesus iniciamos a preparação para viver a glória eterna. Estar em Jesus é ter a garantia de que iremos experimentar a glória de Deus de maneira plena.

 

 

 

Ponto Importante

 

O objetivo final do juízo é sempre a renovação do bem-estar do povo de Deus e a manifestação da glória do Deus Altíssimo. Deus julga porque quer restabelecer a ordem da sua criação.

 

 

 

III. A PROTEÇÃO DO SENHOR

 

  1. A proteção do Senhor para Israel. O profeta faz o povo se lembrar do cuidado de Deus na travessia do deserto e afirma que, de forma mais gloriosa ainda, a mesma proteção será presente para o povo de Deus. Obviamente essas expressões estão em sentido figurado e remetem para um tempo futuro, no reinado messiânico, em que Deus protegerá seu povo de forma miraculosa contra todos os inconvenientes, tanto da natureza quanto de seus inimigos. Mas além dessa proteção, fornecerá provisões de calor durante a noite e sombra durante o dia (Is 4.6), ou seja, o povo se sentirá confortável como nunca em outro tempo esteve, pois a plenitude do reino messiânico será de uma glória indescritível (Is 4.5).
  2. A proteção do Senhor para os salvos. Embora as promessas de Deus para Israel quanto ao reino messiânico também se apliquem aos salvos, Jesus afirmou que aqueles que vivessem em seu Reino (Lc 8.1; 16.16; 17.20-21) que se estabelece nos corações, experimentariam antecipadamente as realidades desse Reino (Rm 14.17). Jesus não prometeu uma vida fácil, livre de tribulações, Ele mesmo disse: “no mundo tereis aflições; mas, tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33). Porém, a sua provisão para o seu povo é a companhia, o consolo e o conforto do seu Espírito Santo, que atua como uma nuvem sobre seu povo, guardando-os do calor escaldante das aflições da vida e do fogo do Espírito que protege contra a frieza deste mundo e lhes provê sustento espiritual. O resplendor de fogo sobre o povo e o seu Espírito purificador (Is 4.4-5) é uma alusão ao batismo no Espírito com fogo (Mt 3.11) que se cumpriu no Dia de Pentecostes e se cumpre na vida de cada crente ao ser batizado no Espírito Santo, promovendo purificação e queimando interiormente aquilo que fere a santidade de Deus, permitindo vivermos em seu Reino de justiça, paz e amor.

 

 

 

Pense!

 

Apesar da proteção que Jesus dá para as nossas vidas, isso não significa que Ele nos isenta de qualquer situação difícil. Só teremos total transformação e descanso na manifestação plena do reinado futuro de Jesus.

 

 

 

Ponto Importante

 

A vinda do Messias remete à promessa de um renovo e cuidado de Deus pelo seu povo apesar de seus pecados. É símbolo de que Deus não desiste do seu povo ainda que este abandone seus caminhos. Deus sempre volta a ter compaixão.

 

 

 

CONCLUSÃO

 

Deus deseja para nós, o seu povo escolhido, os salvos em Cristo, que vivamos uma vida de plenitude desfrutando das muitas coisas boas disponíveis em seu Reino, estabelecido em nossos corações. A rejeição dessa oferta gratuita é uma afronta ao seu amor e misericórdia; por isso, vale a pena o esforço para permitir que o seu Espírito Santo instale em nossos corações o seu Reino, trazendo libertação das forças opressoras do mal e da miséria humana.

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

RENOVATO, Elinaldo. O Final de Todas as Coisas: Esperança e Glória para os Salvos. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2015.

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Que significado tinha a coluna de nuvem e fogo para o povo de Israel?

Proteção, conforto e consolo.

 

  1. Por que Deus enviou juízo para o seu povo?

Porque o povo que não deveria agir de forma contrária ao seu amor.

 

  1. Por que um Deus bom pode agir com juízo?

Porque quando se viola o princípio de justiça estabelecido por Ele, se viola Seu próprio amor, ou seja, a própria criatura humana se expõe ao juízo de Deus.

 

  1. Qual o propósito do juízo de Deus sobre Israel?

Deus lavaria e purificaria toda a sujeira e limparia Jerusalém da culpa de sangue inocente derramado; para isso enviaria seu Espírito de justiça e seu Espírito purificador através do juízo.

 

  1. A quem o profeta se refere quando escreve sobre o renovo do Senhor?

Está se referindo ao Messias, ao Cristo.

 

SUBSÍDIO

 

“Cristo é chamado Renovo de Jeová, plantado pelo seu poder e florescido para seu louvor. O Evangelho é fruto do renovo de Jeová. Todas as graças e consolações do Evangelho brotam de Cristo. É chamado fruto da terra porque surge neste mundo e é adequado para o estado presente. Será uma boa prova de que somos diferentes daqueles simplesmente chamados Israel, se formos levados a ver toda a beleza em Cristo, e na santidade. [...].

Através do juízo da providência de Deus, os pecadores são destruídos e consumidos; porém, pelo Espírito da graça são transformados e convertidos. O Espírito atua aqui como Espírito de juízo, ilumina a mente e convence a consciência; também como Espírito que queima, vivifica e fortalece os afetos, e faz com que os homens sejam afetados zelosamente em uma boa obra. Um amor ardente por Cristo e por vidas humanas, e o zelo contra o pecado, levarão os homens de modo resoluto a obras que tirem a incredulidade de Jacó. Toda a aflição serve para os crentes como forno para purificá-los da escória; a influência convincente, poderosa e iluminadora do Espírito Santo desarraiga paulatinamente as suas luxurias e os torna santos como Ele é Santo” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002. p.563).

 

 

 

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS n.6

 

 

 

3º Trimestre de 2016

 

Título: Isaías — Eis-me aqui, envia-me a mim

Comentarista: Clayton Ivan Pommerening

 

 

 

Lição 6: A parábola do castigo e exílio de Judá

Data: 7 de Agosto de 2016

 

 

 

TEXTO DO DIA

 

“Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal! Que fazem da escuridade luz, e da luz, escuridade, e fazem do amargo doce, e do doce, amargo!” (Is 5.20).

 

SÍNTESE

 

Deus cuida dos seus filhos e tem grande esperança de que estes frutifiquem abundantemente; portanto, a falta de frutos adequados traz resultados desagradáveis.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Is 5.1,2

Deus compara Israel com o vinha

 

 

 

TERÇA — Is 5.3,4

Deus comunica seu projeto e castigo ao povo

 

 

 

QUARTA — Is 5.5,6

Deus anuncia o exílio de Judá

 

 

 

QUINTA — Is 5.20

A perversão do povo é denunciada

 

 

 

SEXTA — Is 5.13

A falta de entendimento do povo causa o exílio

 

 

 

SÁBADO — 2Cr 36.17-21

O cumprimento do castigo anunciado por Isaías

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

COMPREENDER o cuidado de Deus para com sua vinha, Israel;

ENTENDER o cuidado e a esperança de Deus para com seu povo;

MOSTRAR as consequências da desobediência de Israel.

 

INTERAÇÃO

 

Professor, seria interessante fazer a leitura do Salmo 80. Depois de ter concluído a lição, peça que os alunos formem grupos. Cada grupo ficará com uma parte do salmo. Depois da leitura, os alunos vão explicar o que entenderam. Esse salmo retrata o cativeiro do povo, provavelmente assírio. O exílio foi consequência da rebeldia e desobediência. Enfoque os versículos de contrição e quebrantamento presentes no Salmo.

Mostre que esse salmo foi escrito por alguém que realmente queria desfrutar novamente da comunhão e da presença de Deus. No exílio, o povo passou a lembrar o quanto era agradável estar protegido pelo Senhor e ter a certeza da salvação.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, na aula de hoje estudaremos a respeito da parábola da vinha. Essa parábola representa o povo de Deus. Por intermédio dessa história, aprendemos a respeito do nosso proceder. Sugerimos que você faça, no quadro, uma tabela com duas colunas. Na primeira coluna, faça uma relação dos principais pontos abordados nos tópicos I e II. Na segunda coluna, faça uma contextualização dos tópicos abordados na primeira coluna. Por exemplo: Na primeira coluna, “Deus cultivou sua vinha”. Na segunda coluna aponte o significado do fato de Deus cultivar a vinha fazendo uma relação com a nossa vida.

 

TEXTO BÍBLICO

 

Isaías 5.1-8,13.

 

1 — Agora, cantarei ao meu amado o cântico do meu querido a respeito da sua vinha. O meu amado tem uma vinha em um outeiro fértil.

2 — E a cercou, e a limpou das pedras, e a plantou de excelentes vides; e edificou no meio dela uma torre e também construiu nela um lagar; e esperava que desse uvas boas, mas deu uvas bravas.

3 — Agora, pois, ó moradores de Jerusalém e homens de Judá, julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha.

4 — Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? E como, esperando eu que desse uvas boas, veio a produzir uvas bravas?

5 — Agora, pois, vos farei saber o que eu hei de fazer à minha vinha: tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto; derribarei a sua parede, para que seja pisada;

6 — e a tornarei em deserto; não será podada, nem cavada; mas crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela.

7 — Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta das suas delícias; e esperou que exercessem juízo, e eis aqui opressão; justiça, e eis aqui clamor.

8 — Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem herdade a herdade, até que não haja mais lugar, e fiquem como únicos moradores no meio da terra!

13 — Portanto, o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento; e os seus nobres terão fome, e a sua multidão se secará de sede.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO

 

A parábola da vinha, que além de parábola também é uma poesia, é um dos capítulos mais deprimentes de Isaías. Prevê muita ruína, catástrofes, mortes, fome, miséria e toda sorte de infortúnios ao povo de Deus desobediente, embora Ele tivesse os tratado com todo carinho, cuidado e amor para levá-los à obediência e submissão. Ele a plantou, tirou pedras, escolheu sementes, afofou a terra, edificou torre e lagar e cultivou seguindo técnicas primorosas, mas sua esperança se frustrou ao produzir uvas insuficientes e de má qualidade; então Ele a reprovou e entregou à própria sorte, permitindo ser pisada e maltratada pelo exército inimigo. Convém que tomemos como exemplo o povo de Israel para não incorrer no mesmo erro (1Co 10.11).

 

  1. A PARÁBOLA DA VINHA

 

  1. Deus cultivou sua vinha. A vinha é uma plantação de uvas que obviamente são plantadas para produzir resultados ou lucros para o seu dono. Nessa parábola retratada por Isaías a vinha representa o povo de Israel e mais especificamente o reino de Judá e a cidade de Jerusalém, com todos os investimentos que Deus havia feito neles para que produzissem bons e abundantes frutos. A forma como o profeta retrata o cultivo da vinha evoca as técnicas agrícolas primorosas e intenso trabalho.
  2. A escolha do local. O vinhateiro escolheu um outeiro para plantar sua vinha, num lugar de terras muito férteis (Is 5.1). Outeiro é um terreno com uma pequena elevação de terra que faz com que de longe se aviste a beleza do lugar, ou seja, Deus escolheu um lugar privilegiado para a vinha, querendo que ela fosse reconhecida pelo capricho do vinhateiro, pela beleza de sua organização e consequentemente pelas abundantes colheitas.
  3. Deus plantou as melhores mudas. Israel era um povo escolhido entre as nações, era o povo eleito pelo Senhor. Ele mesmo escolheu seu povo quando chamou Abraão e cuidou para que sempre fossem preservados da maldade e tivesse os melhores resultados. Preservou-os da fome, da aniquilação, libertou-os da escravidão do Egito, guiou-os pelo deserto, providenciou-lhes maná do céu, os estabeleceu numa boa terra de abundâncias, guiou-os na escolha de reis e governadores, livrou-os de inimigos poderosos e lhes fez promessas grandiosas (Dt 8.2,3; Sl 107).

 

 

 

Pense!

 

Assim como Deus esperou frutos do povo israelita, certamente Ele criou a Igreja para que ela possa dar frutos que o glorifiquem.

 

 

 

Ponto Importante

 

O povo de Israel não foi criado para glorificar a si mesmo, mas foi criado para mostrar Deus aos outros povos e servir de modelo para outras nações. Esse é o fruto que Deus esperou de Israel.

 

 

 

  1. DEUS CUIDOU E ESPEROU COISAS BOAS DA VINHA

 

  1. Ele afofou a terra e tirou as pedras. Mesmo sendo o solo da vinha adequado para o cultivo, era necessário prepará-lo para receber as mudas tenras. Isso significa que Deus trabalhou no sentido de moldar o coração do povo para receber sua Palavra. Deus criou as condições propícias para que tudo que Ele lhes dissesse desse resultado positivo. Ele amoleceu o coração do povo, transformando-o em um coração predisposto a produzir frutos. O Senhor tirou desse solo também as pedras que poderiam fazer morrer as plantas da vinha. Jesus disse na parábola do semeador (Mt 13.21) que as pedras significam a superficialidade da raiz, quando algo é plantado em solo pedregoso, pois não consegue se aprofundar e, vindo o sol, mata a planta. Ou seja, eram os inimigos de Israel, seus perseguidores, que Deus removeu daquela boa terra para que seu povo se estabelecesse num bom lugar. Deus cuidou para que nenhum impedimento atrapalhasse uma safra abundante.
  2. Edificou uma torre e construiu um lagar. A torre remete à vigilância constante que Deus tinha de sua vinha. Ele ficava observando tudo ao redor para que nenhum inimigo ou animal silvestre invadisse ou destruísse a vinha. Mais uma afirmação do profeta que remete ao cuidado absoluto de Deus para com aqueles que Ele escolheu para ser seu povo. Ninguém invadiria Israel se Deus assim não o permitisse, pois estava sempre olhando tudo a volta do seu povo.

O lagar era o local onde as uvas eram espremidas, geralmente com os pés, depois da colheita; o lugar de processamento da safra, que depois resultava em suco de uva ou vinho (Is 63.3). Construir um lagar antecipadamente é sinônimo de muita esperança para com a colheita.

  1. A esperança de Deus. O profeta afirma que Deus esperava que sua vinha desse excelente qualidade de uvas. Depois de todo o cuidado e capricho de Deus ao cultivar a vinha, era justamente essa a consequência óbvia. O vinhateiro esperava o bom resultado da tarefa cumprida com cuidado e amor, amor este não apenas como sentimento, mas também como obras, e eram boas obras o que se esperava do povo. A despeito de todo zelo e predileção de Deus pela sua vinha, ela produziu uvas amargas. Deus esperava de seu povo obediência à sua lei e ordenanças, a prática da justiça e submissão ao seu senhorio, mas tudo que Ele colheu foram roubos, injustiças, corrupção, idolatria, opressão e toda sorte de males. A maioria das acusações pecaminosas que Deus faz ao povo se refere aos relacionamentos interpessoais, pois Ele busca, através de seu trabalho de amor, que o povo respeite e ame seu próximo, mas isso não estava mais acontecendo.

 

 

 

Pense!

 

Se Deus criou e cuidou de Israel dando a eles condições para seu crescimento, Ele também fará o mesmo com todo aquele que invocar seu nome sobre a face da Terra.

 

 

 

Ponto Importante

 

Uma das doutrinas fundamentais da fé cristã é a doutrina da providência. Essa doutrina afirma que Deus cuida da sua criação e dá a ela condições que possibilitam a sua continuidade e existência saudável. Deus não cria somente, mas Ele mesmo sustenta o que cria.

 

 

 

III. O CASTIGO E O EXÍLIO DA VINHA

 

  1. A frustração divina. Deus se aborrece com seu povo, pois diante de tanto cuidado somente poderia haver boas colheitas. Ele mesmo disse que fez de tudo pela vinha (Is 5.4). Mas como os resultados foram frustrantes, Ele elegeu o próprio povo para julgar (Is 5.4) e o resultado do julgamento seria óbvio; suas palavras demonstram o que aconteceria (Is 5.5,6). Deus a abandonaria a seu próprio destino, afastaria dela seu amor e cuidado. Ela viraria pasto, seria pisada, se tornaria desertificada, cresceriam nela plantas que a sufocariam e lhe faltaria chuva. Tudo isso era o destino natural daqueles que se rebelam contra o cuidado de Deus.
  2. Os “ais” aos desobedientes. Deus profere seis “ais” contra o povo de Israel, divididos em sete classes, cujo foco central é a inversão de valores que era praticada: Subvertendo a ordem natural das coisas, afirma-se que eles estavam chamando o mal de bem e vice-versa, transformando trevas em luz e vice-versa e chamando o amargo de doce e vice-versa (Is 5.20). Essas três afirmações colocam palavras negativas na frente das positivas; estas últimas é que eram as esperadas por Deus, mostrando que a cegueira espiritual, a falta de discernimento das coisas corretas, a falência da moral e da ética levaram o povo a confundir e trocar a obediência pelo pecado, sem nem perceberem o que estavam fazendo.

Em vários textos de Isaías, além do capítulo 5, se utiliza a palavra “ai”, e como o próprio Jesus a utilizou (Mt 23). Seu significado tem a ver com a punição de Deus diante de atos ofensivos a Ele. Deus profere o seu primeiro “ai” contra aqueles que acumulam riquezas e consequentemente empobrecem os outros e os deixam entregues à morte (Is 5.8-10). O destino é que suas propriedades seriam reduzidas a pó e cinza e a produção da terra seria praticamente nula. Outro “ai” é proferido contra os festeiros, pois, estando bêbados, não conseguem enxergar as grandes obras e feitos de Deus, ou seja, em seus desejos de diversão ilícita, tornam-se estúpidos para com seu Criador; contra esses se diz que serão exilados, sofrerão fome e sede, descerão à cova aberta diante deles e que seriam extremamente humilhados. O próximo “ai” vai contra aqueles que se apegam a iniquidade (perversidade, depravação) e o pecado. Outro “ai” é proferido contra aqueles que praticam o suborno para obter favorecimento na justiça, negando-a ao que realmente é merecedor dela. A esses se diz que serão queimados e reduzidos a pó.

  1. O poder do exército inimigo. Isaías prevê com extrema exatidão várias invasões que Judá e Jerusalém sofreriam, primeiramente pelos assírios, sob o comando de Senaqueribe em 701 a.C. e finalmente várias invasões pelo exército babilônico, culminando no cativeiro final e destruição de Jerusalém em 587 a.C., cumprindo-se a profecia de Isaías. O exército assírio era extremamente cruel, poderoso e assustador, e vinha conquistando o Oriente Médio. Eles cortavam mãos, pés, nariz e orelhas, arrancavam os olhos, escalpelavam, queimavam as pessoas vivas. Eram soldados sádicos (Na 3).

 

 

 

Pense!

 

Deus espera alguma coisa de você, pois o investimento feito na cruz do Calvário exige de nós uma resposta. A maior resposta que podemos dar é viver entregues a sua vontade.

 

 

 

Ponto Importante

 

O exílio foi também uma fase pedagógica da história de Israel. O profeta Isaías vê o exílio como forma de correção, e não de destruição final da história de Israel.

 

 

 

CONCLUSÃO

 

O cuidado de Deus a favor do seu povo é perfeito, nada lhes falta (Sl 23). Ele os esconde debaixo de suas asas (Sl 91), portanto, provê tudo e tem grande esperança de que nós frutifiquemos abundantemente.

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

BUSIC, A. David. Perfeitamente Imperfeitos: Retrato de Personagens do Antigo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2015.

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Que povo Isaías está retratando na parábola da vinha?

O povo escolhido, Israel.

 

  1. Que significado tem a remoção das pedras para plantar a vinha?

As pedras significam a superficialidade da raiz, quando algo é plantado em solo pedregoso, pois não consegue se aprofundar e vindo o sol mata a planta.

 

  1. Qual o significado da torre na parábola?

O cuidado absoluto de Deus para com aqueles que Ele escolhe para serem seu povo.

 

  1. Ao proferir os “ais” contra o povo, o profeta considerou um texto central que dá sentido aos demais. Que quer dizer esse texto?

Subverter a ordem natural das coisas eles estavam chamando o mal de bem e vice-versa, transformando trevas em luz e vice-versa e chamando o amargo de doce e vice-versa.

 

  1. Quem é o lavrador na parábola da videira proferida por Jesus?

Pai.

 

SUBSÍDIO I

 

“No Salmo 80 a Igreja está representada como uma vide e uma vinha. A raiz desta vide é Cristo e os ramos são os crentes. A Igreja é como uma vide que precisa de apoio, mas que se estende e dá fruto. Se uma vide não der frutos, nenhuma outra planta valerá tão pouco quanto ela. E nós não somos plantados como em um horto bem cultivado, com todos os meios para darmos frutos em obras de justiça? [...].

A vinha foi desolada e destruída. Houve uma boa razão para esta mudança na maneira de Deus tratá-los. Tudo estará bem ou mal para nós, conforme nos submetemos aos sorrisos ou à face irada de Deus. [...].

Deus espera frutos daqueles que desfrutam privilégios. Os bons propósitos e os bons princípios são coisas boas, mas não são suficientes; deve haver fruto da vinha: pensamentos e afetos, palavras e ações agradáveis ao Espírito. Quando os erros e os vícios se excedem e se descontrolam, a vinha não é podada, e rapidamente começam a crescer espinhos. É triste que uma alma, no lugar das uvas da humildade, mansidão, amor, paciência, e desprezo pelo mundo, coisas que Deus busca, produza as uvas silvestres do orgulho, da paixão, do descontentamento, da maldade e do desdém para com Deus; em lugar das uvas da oração e louvor, estão as uvas silvestres de maldizer e jurar” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico. RJ: CPAD, 2002. pp.458,563-564).

 

SUBSÍDIO II

 

“Vinho e vinha (5.1-5)

Israel é sempre mencionada como uma vinha no Antigo Testamento (cf. Sl 80.8; 14.15; Jr 2.21; Os 10.1; Zc 3.10). Deus é o guardador da vinha que alimenta e protege seu povo. Contudo, apesar do amável cuidado de Deus, a comunidade da aliança continuou a produzir o fruto amargo do pecado no lugar dos aprazíveis produtos da justiça. Jesus nos dá uma perspectiva disso quando se apresenta como ‘videira verdadeira’ (Jo 15.1). E lembra-nos que somente através de um íntimo relacionamento pessoal com Deus o ser humano produzirá o fruto que Ele deseja.

‘Ajuntam casa a casa’ (5.8). Deus destruiu a Terra Santa em pequenas parcelas para que todas as famílias tivessem uma propriedade rural. Alguns possuírem muito, às custas de outros que têm cada vez menos, é uma grande e terrível injustiça social. Os ricos dos nossos dias precisam também estar atentos a isso” (RICHARS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.413).

 

 

 

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS n.7

 

 

 

3º Trimestre de 2016

 

Título: Isaías — Eis-me aqui, envia-me a mim

Comentarista: Clayton Ivan Pommerening

 

 

 

Lição 7: A chamada e purificação do profeta

Data: 14 de Agosto de 2016

 

 

 

TEXTO DO DIA

 

“Então, disse eu: ai de mim, que vou perecendo! Porque eu sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exércitos!” (Is 6.5).

 

SÍNTESE

 

O profeta tem a visão extraordinária da glória de Deus, deixa de lado sua autossuficiência e experimenta o perdão amoroso do Pai.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Is 6.1-4

Deus manifesta sua glória a Isaías

 

 

 

TERÇA — Is 6.5

Isaías reconhece sua fragilidade

 

 

 

QUARTA — Is 6.6,7

Deus purifica o profeta

 

 

 

QUINTA — Is 6.8-10

Deus convoca Isaías para pregar ao povo

 

 

 

SEXTA — Rm 10.14,15

A Boa-Nova é anunciada por aqueles aceitam o desafio

 

 

 

SÁBADO — Mc 16.15,16

O chamado de Deus é para todos

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

DESCREVER os detalhes da visão do profeta Isaías;

ENTENDER como e por que ele precisou ser purificado;

COMPREENDER como se deu a chamada e a resposta de Isaías.

 

INTERAÇÃO

 

Professor, utilize a experiência que Isaías teve com Deus para enfatizar a necessidade de termos uma experiência com o Espírito Santo. Fale a respeito do batismo com o Espírito Santo. Tal experiência é de vital importância para o jovem. Desperte em seus alunos o desejo de buscar uma vida de comunhão com o Espírito Santo. Ressalte também os dons e capacitação que o Espírito Santo concede para realizarmos a obra de Deus, conforme descrito em Atos 1.8. Se possível, ore com eles ao final da lição pedindo um revestimento de poder.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

A lição de hoje trata da chamada e da purificação do profeta Isaías. É um momento muito especial para abordar também a chamada que Deus tem na vida de cada jovem. Providencie uma folha de papel e escreva as seguintes questões: “Qual é a chamada de Deus para sua vida?”; “É uma chamada a uma mudança radical?”. “Quais são as mudanças em sua vida que você precisa ter para viver essa chamada de Deus?”. Dê alguns minutos para que os alunos reflitam e respondam as questões. Em seguida, peça que alguns compartilhem com a classe suas respostas. Depois, solicite que eles orem pedindo a Deus forças e sabedoria para viverem o chamado de Deus e terem uma vida de comunhão com o Espírito Santo.

 

TEXTO BÍBLICO

 

Isaías 6.1-8.

 

1 — No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo.

2 — Os serafins estavam acima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, e com duas cobriam os pés, e com duas voavam.

3 — E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.

4 — E os umbrais das portas se moveram com a voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.

5 — Então, disse eu: ai de mim, que vou perecendo! Porque eu sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exércitos!

6 — Mas um dos serafins voou para mim trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz;

7 — e com ela tocou a minha boca e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e purificado o teu pecado.

8 — 8 Depois disso, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então, disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO

 

A chamada do profeta Isaías é uma das passagens bíblicas mais celebradas de seu livro. Certamente todos já ouviram alguma pregação a respeito dela nas mais variadas formas de interpretação. O atrativo do texto se dá pela manifestação da glória de Deus de uma maneira extraordinária, viva e transformadora para o profeta. Diante da experiência que ele tem com Deus, tudo se transforma em sua vida; ele não somente vê, sente, ouve e age dentro da visão, mas também tem uma nova perspectiva de vida a partir da visão; seus valores, vontades, desejos e consagração a Deus mudam. Agora ele está totalmente entregue e absorto à vontade de Deus, independentemente dos resultados alcançados. O mais impressionante é que os resultados de seu ministério para com Israel são paradoxais em relação à grandeza da revelação que ele tem. Seu ministério não terá resultados práticos entre o povo, mas suas palavras e sua vida foram purificadas pela experiência gloriosa.

 

  1. A VISÃO SANTA

 

  1. A crise do profeta. Isaías provavelmente era um parente próximo do rei Uzias. Assim, desfrutava de privilégios junto ao palácio real, era como se fosse o profeta oficial, pertencente ao clero remunerado, com estabilidade, segurança e demais benefícios do favor real. Quando o rei morre, o futuro do profeta entra em questão. O que será daqui para a frente? Como as coisas vão se resolver e organizar? Como será o governo do rei Jotão? As coisas ficam difíceis porque o rei deixa o povo continuar na idolatria (2Cr 27.2). Aquilo que para o profeta era algo certo passou a ser duvidoso. Ele percebeu que precisava estar com Deus, sozinho, pois sua situação era caótica. Assim, instalou-se a crise no profeta e criou-se o ambiente para o encontro santo, magnífico, assombroso e transformador com o Todo-Poderoso. Ele vai ao Templo para orar e adorar buscar a presença de Deus.
  2. O assombro e o terror majestoso. O que o profeta vê lhe causa terror e assombro, diante da grandeza da majestade que se revela a ele. Ele vê o trono de glória (do hebraico kabod: carga, energia) de onde todas as coisas materiais e espirituais tomam vida, fôlego e forças, e vê a fumaça que esconde, envolve e permite descobrir em partes o Todo-Majestoso. Têm a visão dos serafins (do hebraico “incandescente”), seres que assistem e adoram no trono de Deus, e ouve a suprema adoração desses seres (Is 6.3). A revelação de Deus para nós, embora completa em Cristo, ainda permanece cercada de mistérios. Deus é santo não somente na qualidade moral, mas principalmente no fato de ser inacessível. Isaías se espanta por Ele se tornar acessível a um pecador como ele, demonstrando que é possível que Deus se esvazie parcialmente de sua glória para se revelar ao homem mortal e transformar a sua realidade (Fp 2.7).
  3. A constatação assustadora. Diante da santidade de Deus que se revela ao profeta, não há outra coisa a fazer a não ser ficar assombrado, pois fica muito claro o contraste entre o Santo de Israel e o pecador; mas Ele não se revela para condenar, e sim para perdoar. A visão lhe dá a constatação mais difícil para qualquer ser humano — a sua pecaminosidade e miséria — levando-o a uma confissão que sai do profundo do coração: “ai de mim, que vou perecendo!” (Is 6.5). Ele reconhece que as suas palavras, bem como o mundo a sua volta que se organiza por essas palavras, estão repletas de impurezas, ou seja, palavras vazias, tolas, maldizentes, egoístas, que não levam Deus em conta. Elas são fruto de um interior cheio de pecados. Jesus mesmo disse que “a boca fala daquilo que o coração está cheio” (Mt 12.34).

 

 

 

Pense!

 

Deus chama, capacita e sustenta, mas antes de tudo Ele busca de nós disponibilidade e aceitação de seu chamado. Deus conta com você para a manifestação de sua vontade ao mundo.

 

 

 

Ponto Importante

 

O chamado do profeta Isaías é relatado nos primeiros capítulos do livro a fim de deixar claro que seu ministério, apesar de ser complexo, nasceu da orientação divina.

 

 

 

  1. A PURIFICAÇÃO DO PROFETA

 

  1. A misericórdia que leva ao arrependimento. Uma profunda tristeza tomou conta do profeta diante da constatação de pecador. Ele permanece perto do Santo por um tempo suficiente para constatar a impureza e depois recebe dEle a brasa viva purificadora. Se o profeta não tivesse passado tempo com o Senhor, teria vivido em trágica ignorância de quem Deus era e de seus caminhos para ele e para o povo. Somente a presença do Senhor pode detectar em nós aquilo que ainda precisa ser purificado. Por conta e vontade própria, esse processo será superficial e incapaz de produzir transformações verdadeiras e duradouras. É o entrar no Santo dos Santos, que nos foi possibilitado pelo sacrifício de Cristo (Hb 10.20), que nos permite constatar quem realmente somos e o que Deus espera de nós. Sua essência é ser santo e toda relação com Ele supõe a consciência de que é paradoxal e impossível estabelecer contato com aquEle que é santo. Isso faz com que o profeta grite por misericórdia ao perceber seu estado.
  2. A brasa purificadora. Deus não deixa o profeta em desespero. Se Ele não interviesse com a brasa, o profeta seria destruído. Mais uma vez a misericórdia e graça de Deus se manifesta, diante da culpa e incapacidade humana de alcançar êxito no esforço de santificação, Ele mesmo intervém bondosa e amorosamente. Com certeza é um processo doloroso a purificação, mas altamente desejável e necessária para qualquer jovem cristão que queira andar com Deus em verdade. Não se pode entender a purificação como algo pronto e acabado, pois ao andar com Deus, continuamente, serão necessárias novas investidas de purificação, tendo em vista que enquanto aqui andarmos nossos pés se sujarão com as coisas do mundo e não seremos perfeitos. A busca ansiosa por perfeição poderá se transformar numa neurose doentia; por isso a necessidade de andar com Deus.
  3. Culpa removida e pecado perdoado. Um alívio toma conta do profeta pecador quando este ouve a voz proclamando que está tudo perdoado. Para nós é o grito que ecoa do Calvário anunciando: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34). Ao aceitarmos e crermos que Jesus tem poder para perdoar nossos pecados e aliviar nossa culpa, somos imediatamente aceitos como filhos e todo peso é retirado, o fardo se torna leve e suave (Mt 11.30). No caso do profeta, apenas ouvir a voz já lhe bastou para saber que agora suas palavras e sua consciência estavam purificadas pelo poder daquEle que enchia o templo com sua glória; o Santo que não tolera o pecado, mas que ao mesmo tempo é misericordioso, amoroso e perdoador.

 

 

 

Pense!

 

Às vezes não conseguimos fazer a obra de Deus porque nos sentimos culpados. Deus é misericordioso para purificar nossos pecados e deixar-nos livres para servirmos em amor e alegria.

 

 

 

Ponto Importante

 

O serviço a Deus deve ser feito com honestidade, transparência e integridade. Esses elementos são essenciais para o bom andamento da vontade de Deus. Por isso, antes de Deus chamar o profeta, Ele primeiro transforma e purifica a vida dele.

 

 

 

III. A CHAMADA DO PROFETA

 

  1. Uma mudança radical. A santidade é um convite para trabalhar com Deus do jeito dEle para impactar o mundo. O chamado do profeta não lhe é imposto. Deus lhe faz uma pergunta e o convida a uma resposta; ele tem liberdade de dizer sim ou não, mas diante da grandeza e da santidade de Deus, sua vontade é se sujeitar inteiramente. O chamado de Deus nunca é imposto; é um convite a ser respondido em amor diante da grandeza do amor que nos constrange (2Co 5.14).
  2. Envia-me a mim. Isaías vê o Santo, é purificado por Ele e se vê chamado a um trabalho santo. Porém ele é informado de que não terá bons resultados. Terá muita autoridade e santidade, mas não será ouvido (Is 6.9-10). O resultado será mais rebeldia e desobediência, e em consequência o país seria destruído e devastado (Is 6.11). O povo já está com o coração duro, mas a mensagem de Isaías o endurecerá ainda mais, como num claro gesto de recusa, pois sem a palavra do profeta a recusa poderia parecer superficial e a consciência ficaria tranquila, mas assim as máscaras caem e aparece a verdade da falsa religiosidade e da rebeldia que precisa ser rechaçada.
  3. A santa semente. Sobrará uma floresta de troncos decepados, uma nação de troncos, mas desses troncos brotará uma semente que fará toda a diferença, Cristo, que purificaria e salvaria não somente o povo de Israel, mas todo o mundo (Jo 3.16). O resultado do ministério do profeta mostra que o ativismo e a busca desenfreada por sucesso em tudo que se faz nem sempre é o desejo de Deus. Histórias deslumbrantes e testemunhos arrebatadores nem sempre estão de acordo com a santidade de Deus. São as tentações do mundo, da carne e do Diabo (1Jo 2.16), com promessas de gratificação, muitas vezes imediatas, que nos levam a ter desejos de uma vida melhor que não levam em conta aquilo que o Senhor pensa e quer, pois é do tronco feio e queimado que brotará a vida abundante.

 

 

 

Pense!

 

Isaías é enviado a um povo que já está com o coração endurecido. Nem sempre Deus vai nos levar a realizar ministérios fáceis, com glórias, e nos colocar na vitrine religiosa.

 

 

 

Ponto Importante

 

O chamado do profeta não lhe é imposto. Deus lhe faz uma pergunta e o convida a uma resposta; ele tem liberdade de dizer sim ou não.

 

 

 

CONCLUSÃO

 

O profeta deixa de lado sua autossuficiência (“ai de mim”), experimenta o perdão amoroso (“tua iniquidade foi tirada”), recebe o convite para trabalhar para o Senhor (“quem enviarei”) e dá uma resposta cheia de fé e obediência (“Eis-me aqui. Envia-me!”). Em resposta a sua submissão, ouve Deus lhe dizendo que todas as grandes nações do mundo (Assíria e Babilônia) seriam destruídas, mas a herança do Senhor, o seu povo, será o remanescente santo que brotará e herdará todas as promessas.

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

GEORGE, Jim. Um Jovem Segundo o Coração de Deus. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2013.

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Qual era o rei que governou Israel após a morte de Uzias?

Jotão, filho de Uzias.

 

  1. Quais as experiências sensoriais que o profeta tem em sua visão?

Ele vê, sente, ouve, fala e é tocado pelo serafim.

 

  1. Quais as principais características da santidade de Deus?

Ele é humanamente inacessível e não se contamina com o pecado.

 

  1. Qual o elemento purificador que o serafim utiliza?

O fogo.

 

  1. Qual lição se tira do fracasso do profeta?

Que nem sempre o sucesso humano é o sucesso de Deus para os seus filhos.

 

SUBSÍDIO

 

“É na presença de Deus que os seres humanos, finitos e limitados, são: Convencidos de pecados; expurgados do pecado e chamados a ministrar. A oração de consagração feita por Isaías, seguindo-se ao ato de purificação, lançou as bases para a chamada divina que veio imediatamente após. A rendição da vontade e a purificação do coração é que permitiram a Isaías receber o comissionamento divino: ‘Vai e dize a este povo’. Era uma mensagem difícil, mas havia esperança. Deus teria um remanescente, uma santa semente.

[...] Às vezes pode parecer que Deus nos desamparou. Contudo, podemos confiar que tudo quanto Ele está fazendo coaduna-se perfeitamente com seu imutável amor. Ele nos está podando e purificando. A disciplina de Deus não anulou seu desejo e determinação de abençoar o povo de Israel, como nação. E olhe que eles também experimentaram o silêncio de Deus. Foi a uma circunstância assim que Isaías se referiu na sua última oração.

O chamado se confirma na oração, na intimidade e comunhão com Deus. As adversidades do chamado são atravessadas e enfrentadas na caminhada sincera de rendição e oração a Deus” (BRANDT, L. Robert; BICKET, J. Zenas. O Espírito nos Ajuda a Orar: Uma Teologia Bíblica da Oração. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1996. pp.175-177).

 

 

 

 

 

 

 

  LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS n.8

 

 

 

3º Trimestre de 2016

 

Título: Isaías — Eis-me aqui, envia-me a mim

Comentarista: Clayton Ivan Pommerening

 

 

 

Lição 8: Primeiras profecias messiânicas

Data: 21 de Agosto de 2016

 

 

 

TEXTO DO DIA

 

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.6).

 

SÍNTESE

 

O profeta Isaías fala do Messias como uma grande luz que dissiparia as trevas.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Is 7.14

O anúncio profético da vinda do Emanuel

 

 

 

TERÇA — Is 9.1,2

O profeta mostra a linhagem do futuro Rei

 

 

 

QUARTA — Is 9.6

Os adjetivos do Messias

 

 

 

QUINTA — Is 53.4,5

O profeta descreve a missão do Messias

 

 

 

SEXTA — Is 53.11

A promessa de um Messias de justiça

 

 

 

SÁBADO — Is 12.6

O Messias trará alegria e júbilo

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

MOSTRAR que apesar da desobediência e castigo do povo de Deus, Ele não deixaria de praticar a justiça às nações que oprimiram os israelitas;

SABER que a vinda do Messias será acompanhada da quebra de todo jugo;

COMPREENDER que os nomes de Jesus seriam nomes divinos, assim como Ele é divino.

 

INTERAÇÃO

 

A partir do capítulo 7, Isaías começa a falar a respeito da vinda do Messias. Isso traz um tom mais ameno às profecias de castigo, repreensão e quase extermínio do povo de Deus. Explique aos alunos que apesar de Deus não tolerar o pecado e a injustiça, Ele enviou seu filho para que, por intermédio dEle, todos fossem justificados e santos. Aproveite para falar da falência humana em cumprir a lei. Fale também a respeito da provisão de Deus em Cristo para que fôssemos aceitos em amor. Cristo se doou a si mesmo na cruz para nos reconciliar com Deus.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Escreva no quadro o seguinte título: “Os nomes do Messias”. Em seguida, escreva os nomes apresentados no tópico III: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz. Então solicite aos alunos que falem o que significa cada nome. Lembre de provocar a reflexão acerca da forma como cada nome expressa uma aplicação para saciar os nossos anseios. Que sua aula possa ser produtiva, significativa e realmente transformadora para os seus jovens.

 

TEXTO BÍBLICO

 

Isaías 9.2-4,6; 10.12,15.

 

Isaías 9

2 — O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra de morte resplandeceu a luz.

3 — Tu multiplicaste este povo e a alegria lhe aumentaste; todos se alegrarão perante ti, como se alegram na ceifa e como exultam quando se repartem os despojos.

4 — Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre ele, a vara que lhe feria os ombros e o cetro do seu opressor, como no dia dos midianitas.

6 — Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.

 

Isaías 10

12 — Por isso, acontecerá que, havendo o Senhor acabado toda a sua obra no monte Sião e em Jerusalém, então, visitarei o fruto do arrogante coração do rei da Assíria e a pompa da altivez dos seus olhos.

15 — Porventura, gloriar-se-á o machado contra o que corta com ele? Ou presumirá a serra contra o que puxa por ela? Como se o bordão movesse aos que o levantam ou a vara levantasse o que não é um pedaço de madeira!

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO

 

Isaías é um profeta criativo e rico em suas colocações. Trabalha a questão da ameaça a Sião de forma amedrontadora, mas coloca ao lado dessas tragédias a esperança messiânica. Não fosse este último assunto estar presente, suas profecias seriam muito tristes. É o Messias que dá vida ao seu conteúdo profético e traz uma esperança que suplanta qualquer ameaça ou desobediência. Embora o povo de Israel fosse merecedor de todo o castigo de Deus por motivo de sua desobediência deliberada e claramente exposta pela rejeitada profecia de Isaías, Deus visitará a maldade do seu opressor, a Assíria. E também lhes dará um escape, por meio das qualidades divinas somente presentes no Messias encarnado, como sendo o próprio Deus. É o amor de Deus pelo seu povo que o faz enviar seu próprio filho, Jesus Cristo, como Salvador, não somente de Israel, mas de toda a humanidade.

 

  1. CONSOLO AO POVO SOFREDOR

 

Deus não toleraria a desobediência de seu povo, que após várias advertências preferiu continuar no erro. Ele enviou reis e nações poderosas para corrigi-los. Eles foram quase que dizimados, mas Deus teve misericórdia do remanescente (Is 1.9; 6.13; 10.19; 11.1) e destruiu as nações opressoras, trazendo, mais tarde, uma pequena parte de Israel novamente para Jerusalém prometendo-lhes o Messias. Assim, trouxe consolo ao seu povo sofredor, embora profeticamente o escape final de Israel ainda está para acontecer.

  1. O instrumento de Deus para corrigir o seu povo. A forma que Deus se utilizou para corrigir o seu povo desobediente foi a Assíria. Mais tarde, as profecias de Isaías indicarão que a Babilônia também fará parte desses castigos. Eles tinham exércitos poderosos e cruéis, que esmagaram o povo de Deus. O profeta diz que pelo povo ter rejeitado a tranquilidade do rio de Deus, eles seriam invadidos pela enchente de um rio caudaloso e devastador, a Assíria (Is 8.6,7).
  2. A arrogância do instrumento de Deus. Os Assírios eram um povo arrogante. Embora nesse momento estivessem sendo instrumento de Deus, não reconheceram essa verdade e diziam que tinham muita força própria, sabedoria, inteligência; que tinham o poder de mover as nações e remover seus limites, de roubar riquezas e destronar reis (Is 10.13,14). O profeta afirma que jamais um instrumento poderá se gloriar contra aquele que o utiliza, como se o machado pudesse mover a mão do lenhador (Is 10.15).
  3. Deus destruirá o inimigo cruel. Isaías diz que Deus fará definhar a Assíria. O próprio Senhor em um dia consumiria parte de seus exércitos (Is 10.16-19). Isso aconteceu quando de uma só vez morreram 185 mil soldados dizimados por uma peste, quando esse exército estava acampado ao redor de Jerusalém para a destruir, depois de já ter destruído todas as cidades em volta (2Rs 19.35). Mas a destruição final da Assíria viria com a invasão dos medos e dos babilônios em 612 a.C.. A magnífica civilização de ilimitada ambição e conquistas violentas e cruéis terminaria, conforme descrito por Isaías (10.24,25).

 

 

 

Pense!

 

Às vezes, algumas perdas e derrotas nos ajudam a relembrar os nossos erros e nossas decisões equivocadas. Esse processo de lembrança nos revela o lugar em que devemos retornar, a vontade de Deus.

 

 

 

Ponto Importante

 

A teologia do Messias é de conforto, esperança e restauração. O menino que nascerá é apresentado por Isaías como o novo rebento de Davi, o verdadeiro Rei e Senhor da história.

 

 

 

  1. O PODER DO MESSIAS

 

O Messias para Israel seria o grande libertador que finalmente tiraria do seu povo a vergonha de ser escravizado e subjugado por outros povos, como no caso da Assíria e Babilônia. Somente Ele teria poder para trazer libertação total e completa. Todos os demais reis frustraram a esperança do povo, mas este seria vencedor. Essa mesma importância Jesus assumiu para o povo da nova aliança, a Igreja.

  1. A grande luz do menino que nasceu. A importância da luz na Bíblia se dá pelo fato de simbolizar e estar ligada à vida e à felicidade. Por isso Deus é comparado à luz, pois dEle emana a vida e a felicidade (Tg 1.17). Nenhuma vida seria possível na Terra se não houvesse abundância de luz; nenhuma vida espiritual teriam as pessoas que conhecem a Deus se Ele não as alimentasse com sua luz poderosa. Desta forma se diz do Messias que virá, que Ele irradiará uma grande luz, iluminando os que andavam na escuridão (Is 9.2). Agora não haverá mais desorientação nem confusão, pois o Messias, o Cristo, já proporcionou abundante luz para os seus filhos, pois diante dessa luz há clareza no caminho (Jo 14.6). Aqueles que moravam em regiões de morte têm agora lugar permanente na vida abundante (Jo 5.24).
  2. A imensa alegria (Is 9.3). Isaías compara a alegria que o Messias traria à mesma que havia na época das colheitas (dia de pagamento com aumento de salário) ou como num despojo de guerra em que conseguissem muitas riquezas. A vinda de Cristo à Terra representa uma boa nova, expressa nos Evangelhos, tão extraordinária que o anjo que apareceu aos pastores em muita glória, a ponto de eles ficarem aterrorizados, disse: “[...]vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo” (Lc 2.10). A alegria de Cristo consiste no fato de Ele ter poder para perdoar pecados, salvar, curar e batizar no Espírito Santo, mas além disso, estar com Cristo é estar com a fonte permanente de alegria. Assim, mesmo em meio a tribulações e angústias, podemos experimentar sua alegria em nossa alma.
  3. A quebra do jugo (Is 9.4). Jugo designa na Bíblia uma peça de ferro ou madeira que era colocada no pescoço do boi para controlá-lo, ou seja, um instrumento de opressão e submissão. Não existe nada pior para o ser humano do que ser aprisionado por algum jugo. Existem muitas pessoas aprisionadas pelo pecado, por outras pessoas ou mesmo por situações da vida que as oprimem e subjugam, mas Cristo, o Messias, veio para estraçalhar qualquer jugo e tornar todos os que o reconhecem como Cristo completamente livres.

 

 

 

Pense!

 

Fomos feitos para ser pessoas livres, e não escravas. Por isso, o evangelho do Messias é para libertar, transformar e livrar os homens do jugo do Maligno.

 

 

 

Ponto Importante

 

O profeta Isaías leva o povo a fixar sua esperança somente em Deus. Aceitar que somente Ele tem o verdadeiro poder de trazer a alegria, o consolo e conduzir o povo a um novo momento de sua história.

 

 

 

III. OS NOMES DO MESSIAS

 

  1. Maravilhoso Conselheiro. Contrapondo a confusão do povo que não sabia o que deveria fazer, pois preferiram conselhos errados (Is 3.4,12), agora essa realidade muda com o Messias; os rumos serão corretos porque os conselhos serão corretos. Nada melhor do que seguir na luz dos conselhos de Cristo, descritos nos Evangelhos, para ter uma vida bem-sucedida. As principais escolhas da sua vida precisam ser estabelecidas a partir dos maravilhosos conselhos daquEle que foi chamado de Deus Forte.
  2. Deus Forte. Conselho e força precisam andar juntos; se faltar um, o outro qualificativo perde sua importância. Contrapondo a fraqueza dos governantes que oprimiram os fracos e desvalidos, mas também se sobrepondo aos países que oprimiram Israel, como Assíria e Babilônia, agora o Deus Forte assume o controle. Ele tem todo o poder e pode governar (Is 10.1,2). Deus é infinitamente mais forte que todos os inimigos e vai dar descanso ao seu povo. Além disso, é na força de Deus que o Messias, também sendo Deus, imporá a justiça e o direito, ninguém mais oprimirá seu próximo, pois a equidade é estabelecida. Ele é forte o suficiente para estabelecer a tão esperada paz.
  3. Pai da Eternidade. Ele contrapõe a efemeridade de tudo que é humano, “e ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.17). Exatamente por Ele ser eterno, sem começo nem fim, é que é o Deus Forte que controla e mantém todas as coisas em seu devido lugar, com todas as leis da natureza por Ele criadas e sustentadas. Antes que houvessem sido criados céus e terra Ele já existia (Jo 1.1), pois Ele criou a própria eternidade. Além disso, Ele existirá para todo o sempre, numa perpetuidade de poder, glória e majestade.
  4. Príncipe da Paz. em hebraico é mais do que estado de tranquilidade, mas também sugere prosperidade, espaço, riqueza, saúde, bem-estar, felicidade e contentamento. Contrapondo o ambiente de guerra, desolação, violência e injustiça, o Messias traria uma paz perpétua que nenhum poder ou inconveniente poderia tirar. A paz do Príncipe seria muito mais do que ausência de guerras e violência, mas também de provisão inesgotável de salvação e bênçãos para o povo de Deus, pois somente onde há completa libertação e abundância da bondade de Deus é que se estabelece a paz. O mundo inteiro anseia por paz. Hoje existem mais conflitos do que jamais houve na terra, não somente bélicos, mas também na sociedade violenta e nas famílias disfuncionais. Mas o Príncipe da Paz estabelece sua paz àqueles que hoje se entregam ao seu governo e num futuro próximo dará paz completa para toda a sociedade e todos os povos e nações da terra, conforme diz o salmista em Salmos 72.12-14.

 

 

 

Pense!

 

As principais escolhas da sua vida precisam ser estabelecidas a partir dos maravilhosos conselhos daquEle que foi chamado de Deus Forte.

 

 

 

Ponto Importante

 

Os nomes atribuídos ao Messias são o contraponto de toda a situação histórica que o povo estava vivendo nos dias do profeta Isaías. No entanto, esses nomes de Deus ainda podem ser considerados nos dias atuais da Igreja.

 

 

 

CONCLUSÃO

 

O profeta Isaías é poético ao falar da vinda do Messias. Ele aborda o assunto falando da grande luz que dissiparia as trevas, da imensa alegria, da quebra de todo jugo e lhe atribui nomes que somente cabem para Ele. Com isso, revela como Deus é compassivo e perdoador para com o desobediente arrependido. Embora o profeta utilize abundante linguagem simbólica, a realidade que a mesma aponta é concreta, real e no tempo oportuno cumprir-se-á.

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

DEVER, Mark. A mensagem do Antigo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2008.

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Qual foi o instrumento que Deus usou para repreender seu povo?

A Assíria.

 

  1. Que metáfora Isaías utiliza para se referir à arrogância da Assíria?

De que jamais um instrumento poderá se gloriar contra aquele que o utiliza.

 

  1. Qual o símbolo que a luz tem na Bíblia?

Simboliza a vida e a felicidade, por isso Deus é comparado à luz.

 

  1. O que significa Pai da Eternidade?

Que Jesus é eterno, sem começo nem fim.

 

  1. Por que Isaías chama de Jesus de o Príncipe da Paz?

Porque estabelece sua paz àqueles que hoje se entregam ao seu governo e num futuro próximo dará paz completa para toda a sociedade e todos os povos e nações da terra.

 

SUBSÍDIO I

 

“Maravilhoso Conselheiro deveria ser hifenizado. [...] Jesus foi uma maravilha pessoal. Ele foi alguém Maravilhoso que deu conselhos Maravilhosos. Isaías está expressando o atributo divino do Onisciente, mas exprimindo-o em forma verdadeiramente hebraica.

Deus Forte sugere o guerreiro divino ou o herói divino. Ele tem valor sobre-humano, não simplesmente porque o Espírito do Deus Todo-Poderoso está sobre Ele com unção, mas porque a natureza da deidade essencial habita nEle.

Pai da Eternidade é melhor entendido como Pai Eterno, ou Pai perpetuamente. Designar alguém como ‘o Pai de’ é uma maneira hebraica e arábica de dizer que Ele é propriamente a fonte da coisa designada como seu atributo.

Príncipe da Paz é um nome que indica um governo bem-sucedido com prosperidade abençoada e verdadeira. Paz pertence ao reino ideal. Mas R.B.Y. Scott está correto em sugerir ‘Príncipe Beneficente’ como um significado mais correto. O termo hebraico Shalom indica não somente uma ausência de guerra, mas uma condição de bem-estar rica, harmoniosa e positiva” (Comentário Bíblico Beacon. Volume 4: Isaías e Daniel. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2005. p.51).

 

SUBSÍDIO II

 

“Emanuel (7.14)

O nome significa ‘Deus conosco’. Mas a comum e enfática posição das palavras compondo o nome mostra que devia ser entendido como ‘Conosco está Deus!’. Assim, o nome Emanuel capta a admiração e maravilha da encarnação e o inimaginável fato de que o Deus do Universo entrou na corrente do tempo para tornar-se um conosco.

Nascimento virginal (7.14). A palavra hebraica traduzida por virgem significa ‘jovem mulher em idade casadora’. O ideal hebraico de casamento faz uma tradução como ‘virgem’ igualmente. Entretanto, a intenção é absolutamente clara em Mateus 1.23 que cita Isaías e usa palavra grega, parthenos que inequivocadamente significa ‘virgem’. De fato, o conceito de nascimento viriginal é um fundamento básico do cristianismo bíblico” (RICHARS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.415).

         

 

 

 

 

    LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS n.9

 

 

 

3º Trimestre de 2016

 

Título: Isaías — Eis-me aqui, envia-me a mim

Comentarista: Clayton Ivan Pommerening

 

 

 

Lição 9: O sinal do Emanuel

Data: 28 de Agosto de2016

 

 

 

TEXTO DO DIA

 

“E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35).

 

SÍNTESE

 

O Emanuel, Deus conosco, é a maior prova de amor e cuidado de Deus para com seus filhos.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Is 7.11-13

Deus conversa com o rei Acaz

 

 

 

TERÇA — 2Cr 28.22-25

Os pecados do rei Acaz

 

 

 

QUARTA — Is 7.3-7

O contexto antes da promessa messiânica

 

 

 

QUINTA — Is 61.1-3

O Emanuel vai apregoar libertação

 

 

 

SEXTA — Is 7.14,15

A promessa do Emanuel

 

 

 

SÁBADO — Mt 28.20

O Deus Emanuel estará com a Igreja

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

COMPREENDER o contexto da profecia messiânica;

ENTENDER o significado do sinal do Emanuel;

ACREDITAR que Cristo está para sempre com seu povo.

 

INTERAÇÃO

 

Alguns alunos poderão confundir dois países chamados Síria (também chamada de Arã), cuja capital era Damasco, e a Assíria, cuja capital era Nínive. Explique que o primeiro se refere a um país próximo ao norte de Israel que nunca chegou a ser uma grande nação. A Assíria tornou-se um império mundial e conquistou Israel (o Reino do Norte), levando-o para o cativeiro. Outro fato a destacar é que Acaz oferecia sacrifícios aos deuses falsos da Síria porque erroneamente achou que estes supostamente estavam livrando aquele país. Mas nessa profecia de Isaías, o rei é alertado para o fato de que a Síria também cairia por intermédio do Império Assírio, assim como todos os demais países idólatras seriam castigados.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, o nome Emanuel está carregado de significado e implicações teológicas. Nesta lição, ao abordar os tópicos II e III, enfatize o sentido que o nome Emanuel deve ter na vida do cristão. Escreva no quadro a seguinte pergunta: “De que forma Deus está conosco?”. Em seguida, vá registrando no quadro as respostas dadas pelos alunos. Depois faça mais uma pergunta: “Que reflexos a presença de Deus deve ter na vida do jovem crente?”. Ressalte que o fato de Deus estar conosco deve refletir em nosso dia a dia, em nossas ações e pensar.

 

TEXTO BÍBLICO

 

Isaías 7.10-16.

 

10 — E continuou o Senhor a falar com Acaz, dizendo:

11 — Pede para ti ao Senhor, teu Deus, um sinal; pede-o ou embaixo nas profundezas ou em cima nas alturas.

12 — Acaz, porém, disse: Não o pedirei, nem tentarei ao Senhor.

13 — Então, ele disse: Ouvi, agora, ó casa de Davi! Pouco vos é afadigardes os homens, senão que ainda afadigareis também ao meu Deus?

14 — Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel.

15 — Manteiga e mel comerá, até que ele saiba rejeitar o mal e escolher o bem.

16 — Na verdade, antes que este menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra de que te enfadas será desamparada dos seus dois reis.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO

 

Uma das mais belas profecias de Isaías é a que ele aponta para o maior gesto de amor de Deus para com a humanidade: a vinda de Cristo ao mundo, o Emanuel, o “Deus conosco”. A profecia foi dada diante de um rei idólatra e desobediente, cujo povo seguia esse mesmo caminho, mostrando com isso que o amor de Deus transcende qualquer maldade e desobediência humana, levando-os a um lugar de arrependimento e cura de suas maldades e pecados. Ou seja, Deus em Cristo estava provendo meios de aproximar os pecadores a si, dando-se a si mesmo ao mundo, mesmo este não merecendo um gesto de tamanha graça. O Emanuel é aquEle que está perto e habita com os “que têm o coração quebrantado e salva os contritos de espírito” (Sl 34.18), dando-lhes todas as promessas que dizem respeito aos escolhidos de Deus e a vida abundante, pois são cumpridas por meio de Cristo (2Co 1.20) e de seu sacrifício na cruz.

 

  1. O CONTEXTO IMEDIATO DA PROFECIA MESSIÂNICA

 

  1. A ameaça a Jerusalém. A Síria e Israel (o Reino do Norte) haviam se unido para subjugar Judá e Jerusalém. O rei nessa época em Jerusalém (o Reino do Sul) era Acaz. Ele era idólatra, chegando a oferecer seus próprios filhos aos falsos deuses. Ele havia feito aliança com a Assíria (2Rs 16.7) para se proteger dos inimigos a sua volta por não confiar em Deus.
  2. O medo do povo e do rei. O rei Acaz entregou muitas riquezas do templo ao rei da Assíria para obter a proteção deste, pois a aliança síria e israelita lhes causou muito medo. Diante das ameaças, o rei e todo o povo ficaram apavorados e amedrontados (Is 7.2), e em vez de confiarem em Deus foram pedir socorro à Assíria. Foi aí que Deus enviou Isaías com a promessa de salvação, apesar da desobediência do rei.

 

 

 

Pense!

 

Às vezes, o medo gera em nós uma sensação de desamparo total. É nessas horas que o Deus Emanuel se torna manifesto. Ele nunca desampara os seus filhos durante as situações de angústia ou adversidades profundas.

 

 

 

Ponto Importante

 

Além da profecia messiânica do Emanuel que se cumpriria em Cristo, havia nessa profecia de Isaías um sentido imediato, um livramento que Deus estava dando para o povo naquele momento da história.

 

 

 

  1. O SINAL DO EMANUEL

 

  1. O contexto da profecia. Como com outras profecias de Isaías, aqui também se aplica o princípio de que a profecia estava sendo predita para o presente, mas um sentido muito mais abrangente e profundo do que as pessoas da época poderiam enxergar. Ao falar com o rei Acaz sobre o filho que nasceria, o profeta Isaías estava se referindo também ao que foi cumprido nos Evangelhos, quanto ao nascimento de Jesus (Mt 1.22-23).
  2. O significado do Emanuel. Emanuel, no hebraico, é a junção de dois termos — immánu, que significa “conosco”, e El, que significa “Deus” ou “Senhor”, literalmente “conosco [está] Deus”. Jesus não somente foi homem, mas estabeleceu morada entre os homens. Essa atitude de Jesus demonstra o imenso amor de Deus para com a humanidade perdida, que de outra forma jamais entenderia esse amor. Ele se tornou como um de nós e nos amou para que nós o amassemos e fôssemos definitivamente dEle. Jesus não se chamava Emanuel como nome próprio, mas vários textos bíblicos apontam para Ele como sendo designado por esse nome como aquilo que Ele de fato é: Deus Conosco. Esse nome designa sua missão entre a humanidade de fazer Deus estar com a humanidade, de habitar entre os homens. Mostra a natureza divina do Filho de Deus como sua obra messiânica da graça, habitando entre os homens e ao mesmo tempo significando que “porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9).
  3. O Deus que se humilhou. Ele é Deus infinitamente santo, em quem não há escuridão (1Jo 1.5), mas ao mesmo tempo assumiu a condição humana, com todas as suas contingências e dificuldades (Fp 2.7-8). Portanto, Deus não enviou o Emanuel contra nós, mas a nosso favor, demonstrando seu grande amor. Somente Deus pode tirar força da fraqueza. Deus enviou o Emanuel de uma mulher (nos tempos antigos era sinal de fraqueza) que conceberia sem ajuda de um homem (nos tempos antigos era sinal de força), para demonstrar que Deus ajudaria o homem enfraquecido pelo pecado e pela desobediência por intermédio de seu filho, Jesus Cristo, nascido menino, humano e de uma mulher. Tudo isso em contraste com o poderio do pecado, da maldade e da violência que domina o mundo.

 

 

 

Pense!

 

Deus assumiu a condição humana e por isso podemos extrair dois princípios fundamentais: Ele valorizou a humanidade e ensinou o que é ser verdadeiramente humano segundo a sua vontade.

 

 

 

Ponto Importante

 

Emanuel, no hebraico, é a junção de dois termos — immánu, que significa “conosco” , e El, que significa “Deus” ou “Senhor”, literalmente “conosco [está] Deus”.

 

 

 

III. DEUS ETERNAMENTE CONOSCO

 

  1. Ele esteve com Israel. Apesar de todos os problemas que o povo de Deus teve para permanecer fiel à aliança, com tantas oportunidades que tiveram de experimentar sempre de novo a misericórdia e bondade do Senhor e reiteradamente optarem pela desobediência, Ele permaneceu fiel à aliança com Israel, mesmo quando estavam no cativeiro. O povo quase foi dizimado, mas Ele prometeu que um resto, um remanescente que “brotará do tronco de Jessé” (Is 11.1), simbolizando o Messias, o Emanuel, que sobreviveria a todas as destruições e catástrofes. Portanto, apesar de não merecerem, Ele cuidou e esteve com seu povo por amor a toda a humanidade (Jo 3.16). Cristo foi a realização do pacto de Deus com Israel: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros [...]” (Is 9.6).
  2. Ele está conosco. No Emanuel se cumpriram todas as profecias bíblicas sobre a vinda do Messias. Ele é o Cristo enviado de Deus para salvar a humanidade sofredora. O Emanuel é a garantia de que, assim como foi com o povo de Israel, Ele também está conosco, como prometeu (Mt 28.20). Assim se cumpre em nós a promessa messiânica de que Ele de fato estaria conosco. O apóstolo João escreveu que “e o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). O verbo “habitar” utilizado por João tem o mesmo sentido que o Emanuel utilizado por Isaías, ou seja, Deus agora habita definitivamente entre seu povo por meio de Cristo e de seu sacrifício na cruz (Rm 8.11).
  3. Ele estará conosco. A presença do Emanuel não foi somente uma realidade passada ou é no presente, mas é a garantia de que também no futuro, e para todo o sempre, o Senhor estará entre seu povo, não apenas espiritualmente e de forma limitada pelas contingências humanas, mas também com toda a sua força e esplendor (Ap 21.3).

 

 

 

 

 

Pense!

 

Se Deus é presente conosco, isso implica que devemos ser imitadores de seu caráter. Devemos também ser uma igreja de jovens que estão uns com os outros. Emanuel também significa comunhão.

 

 

 

Ponto Importante

 

A teologia do Emanuel pode ser entendida de três formas básicas: Ele esteve com o povo de Israel, Ele está com a Igreja ao longo da história, e por fim Ele estará plenamente com todos os redimidos e salvos no Novo Céu e na Nova Terra.

 

 

 

CONCLUSÃO

 

O nascimento de Jesus traz consigo todo o cumprimento das profecias messiânicas, desde os livros de Gênesis até Zacarias, em número de mais de trezentas delas. Portanto, o Emanuel traz uma carga divina tão grande que alcançou seu cumprimento salvífico em Israel e em toda a humanidade carente de Deus. Mas a maior garantia de sua vinda ao mundo é que Ele continua conosco e estará por toda a eternidade, quando seremos levados para junto dEle.

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

SPANGLER, Ann. Orando com os Nomes de Deus. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2014.

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Quais eram os países que ameaçavam invadir Jerusalém quando Isaías fez a profecia do Emanuel?

Israel (reino do Norte) e a Síria.

 

  1. Por que Acaz fez aliança com a Assíria?

Porque não confiava em Deus e estava tomado de incredulidade.

 

  1. Qual o sinal que Deus deu ao profeta de que o menino que nasceria era o Emanuel?

Que uma virgem daria à luz um menino.

 

  1. Qual o significado de Emanuel?

Deus conosco.

 

  1. Que promessa o Emanuel fez em Mateus 28.20?

“Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

 

SUBSÍDIO

 

“O profeta aconselhou Acaz a buscar um sinal de Yahweh [...], mas o rei já havia determinado no coração buscar socorro com o rei da Assíria. Isaías então profetizou que uma virgem conceberia, e o seu filho seria chamado de Emanuel. Este seria o sinal da misericórdia de Deus, a despeito de toda a incredulidade de Acaz. Na providência de Deus, aquEle Filho, no sentido messiânico, era Jesus de Nazaré. Mas o sinal específico para Acaz e sua corte era uma criança, não identificada, que nasceria de uma jovem mulher conhecida do rei. Antes que a criança alcançasse a idade de discernir entre o bem e o mal, Rezim e Peca perderiam os seus tronos, e Acaz começaria a sofrer a depredação de seu aliado assírio. Damasco caiu em 732 e Rezim, seu rei, foi sumariamente executado. Quase simultaneamente, Peca foi assassinado, e em seu lugar levantou-se o rei Oseias, um aliado dos Assírios. Assim, o cumprimento da palavra profética ocorreu dentro de dois anos. Sete anos mais tarde, Salmaneser V finalmente tomou a cidade de Samaria, causando também espanto e terror ao reino de Acaz. Não foi senão no reinado de Ezequias, cerca de dez anos depois, que a Assíria iniciou suas campanhas sistemáticas contra Judá e quase eliminou o reino do Sul” (MERRILL, H. Eugene. História de Israel no Antigo Testamento: O reino de sacerdotes que Deus colocou entre as nações. 12ª Edição. RJ: CPAD, 2013. p.451).     

 

 

 

 

      LIÇÕES BÍBLICAS CPAD  JOVENS n.10

 

 

 

3º Trimestre de 2016

 

Título: Isaías — Eis-me aqui, envia-me a mim

Comentarista: Clayton Ivan Pommerening

 

 

 

Lição 10: O Messias Davídico e seu reino

Data: 4 de Setembro de 2016

 

 

 

TEXTO DO DIA

 

“Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai” (Lc 1.32).

 

SÍNTESE

 

O reino messiânico será pleno de paz, alegria, justiça e amor.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Is 11.1,2

A promessa do Rebento de Jessé

 

 

 

TERÇA — Is 11.3-5

O Messias é justo

 

 

 

QUARTA — Is 11.6-9

O Messias trará paz e harmonia

 

 

 

QUINTA — Is 12.6

O Messias será motivo de alegria

 

 

 

SEXTA — Ap 21.4

O Messias acabará com o sofrimento

 

 

 

SÁBADO — Is 66.12,13

O reinado do Messias será pleno

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

MOSTRAR quem é o Messias e como será o seu Reino;

SABER como e por que se dará a futura restauração de Israel e da humanidade que crê em Jesus;

DISCUTIR as condições e abrangências nas quais os crentes fazem parte do Reino de Deus.

 

INTERAÇÃO

 

O reino messiânico não abrange apenas o remanescente de Israel, nem se restringe política e geograficamente a uma determinada região. Ele é a manifestação do amor, justiça, misericórdia, paz e alegria de Deus para toda a humanidade. Será o tempo em que cessará toda dor e angústia humana, um tempo que ainda chegará. Porém, ao mesmo tempo, trata-se da manifestação imediata desse Reino no coração de todos aqueles que se permitem ser guiados pelo Espírito de Deus. Além dessas características do Reino, uma de suas melhores manifestações é que Deus graciosamente se relaciona com os seus filhos em amor e comunhão plena.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, o item III, “Os crentes e o Reino”, é apresentado com diversas características e ampla implicação na Igreja e na vida dos cristãos. Para melhor compreender como funciona essa questão, sugerimos que você providencie uma série de figuras de revistas ou ainda figuras impressas a partir da internet, mostrando cenas do cotidiano de pessoas em situações mais diversas possíveis. A partir dessas figuras, faça uma tabela com duas colunas. Na primeira coluna escreva “Reino de Deus”, na segunda “O mundo sem Deus”. A partir daí, sugerimos que sejam fixadas as imagens em uma das colunas conforme elas forem ilustrando uma ou outra realidade. Finalmente, comente o resultado.

 

TEXTO BÍBLICO

 

Isaías 11.2-5,10.

 

2 — E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, e o Espírito de sabedoria e de inteligência, e o Espírito de conselho e de fortaleza, e o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor.

3 — E deleitar-se-á no temor do Senhor e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos;

4 — mas julgará com justiça os pobres, e repreenderá com equidade os mansos da terra, e ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará o ímpio.

5 — E a justiça será o cinto dos seus lombos, e a verdade, o cinto dos seus rins.

10 — E acontecerá, naquele dia, que as nações perguntarão pela raiz de Jessé, posta por pendão dos povos, e o lugar do seu repouso será glorioso.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO

 

Na lição de hoje veremos que Isaías tem em vista a dinastia de Davi prevendo a vinda do Messias (Cristo) como o Rei. Segundo o profeta, o Messias surgiria da linhagem de Jessé para a salvação de Israel. Ele seria o ápice dos reis do pacto davídico e o surgimento do majestoso Reino de Deus e a futura glória desse Reino.

 

  1. O MESSIAS E SEU REINO

 

  1. Atributos do Messias. Isaías indica a origem e as competências do Messias. Embora alguns estudiosos pensem que Ezequias esteja sendo retratado nessa passagem, as qualidades aqui enumeradas ultrapassam as de qualquer monarca terreno. Ele teria comunicação direta com o Espírito Santo e também a unção do mesmo para cumprir sua missão. Os atributos designados a Ele esclarecem a perfeição de suas ações, pois todos os tesouros de sabedoria estavam com Ele, todo o entendimento lhe seria dado para se ajustar a todas as ocasiões.
  2. A justiça do Reino. Nos tempos do Antigo Testamento, a justiça era responsabilidade do rei. A ordem e a prática da justiça eram atribuições de seu governo, no entanto, não se refere a todos os atos de governo, mas apenas à defesa dos pobres e oprimidos. O Messias vai julgar, porém, seu julgamento não será por aparências nem suas decisões serão com base em rumores. Ele julgará com retidão baseado no que é sensato. Paulo enfatiza intensamente a justiça atribuída a nós por Deus por intermédio de Cristo. Esse caminho de justiça está aberto tanto ao judeu como para o gentio (Rm 3.21). O Reino de Deus consiste nessa retidão a nós atribuída mediante uma correta posição diante de Deus (de pecadores a purificados) por meio de Cristo.
  3. O reto juiz. O Messias não terá apenas o conhecimento equilibrado para garantir a justiça social, mas também terá a força para colocar em vigor o que Ele sabe estar correto; ninguém o engana com julgamentos falsos ou frustra sua capacidade de discernimento, pois sua sabedoria não é meramente humana, acumulada com a experiência, mas ela ultrapassa os anos e a eternidade. A justiça está em relação com a fidelidade. Ele não apenas faz justiça aos fracos, mas demonstra fidelidade à aliança com Deus. Justiça e fidelidade são partes integrais de suas vestes, o cinturão segurava todas as peças do vestuário, e sua fidelidade aos homens e a Deus esboçam a nobreza de seu caráter (Is 11.5).

 

 

 

Pense!

 

As qualidades do Messias nos levam a ter certeza de que sua glória, força e poder vão além de qualquer força humana.

 

 

 

Ponto Importante

 

Para o profeta Isaías, o Messias não terá apenas o conhecimento para garantir a justiça social, mas também terá a força para colocar em vigor o que Ele sabe estar correto.

 

 

 

  1. A FUTURA RESTAURAÇÃO DE ISRAEL

 

  1. Promessas de restauração. Para alguns eruditos, essa seção representa a derrota dos inimigos e a restauração de Israel. Outros veem aqui uma profecia a longo prazo, dita pelo profeta descrevendo o Messias e o futuro Reino de Deus, onde os seus filhos de todas as tribos e nações serão recolhidas por Ele e todos se beneficiarão com o Reino. Deus prometeu a Abraão que por meio de sua linhagem, todos os povos da terra seriam abençoados (Gn 12.3). No entanto, o ensino dispensacionalista de que Israel tem um lugar especial no projeto de Deus, por causa das promessas divinas feitas a Abraão, não exclui os gentios de também terem um lugar especial; o profeta prevê a conversão dos gentios. Aquele será um período de restauração, sendo o Messias a bandeira em torno da qual todas as nações se ajuntarão e a Igreja será chamada de todos os lugares da Terra para adentrar ao seu Reino. Seu governo será absolutamente universal e Deus se tornará tudo para todos, Cristo será glorificado e todas as coisas estarão incluídas no seu poder restaurador (1Co 15.28; Ef 1.10).
  2. Características do Reino restaurado. O profeta descreve o que alguns intérpretes supõem ser características do milênio e ilustra as condições ideais de vida sobre a Terra com o Messias. Quando todo o conflito universal chegar ao fim, o lobo e o cordeiro não serão mais inimigos, crianças viverão em segurança no meio dos leões e terão como companheiros o urso e a serpente, e nenhum ser humano explorará o outro. Um quadro de verdadeira paz e harmonia entre os povos e nações, que reflete as relações de justiça entre os homens. Nesse Reino, os seres humanos viverão em paz entre si e principalmente com Deus, o seu criador, pois a maldade não existirá.
  3. O novo êxodo. O Messias vai chamar e congregar os filhos de Israel que foram espalhados pelas nações opressoras dos vários impérios que destruíram seu povo. Além do cativeiro assírio e babilônico, houve o romano, iniciado no ano 70 d.C., e que só foi revertido em parte, em nossos dias, com a fundação do estado de Israel em 1948. Nas palavras da profecia, Deus chama pelos quatro cantos da Terra para ajuntar os que estão perdidos. Essa chamada seria para todos adentrarem o Reino de Deus. A profecia de Isaías, a princípio, fala sobre o remanescente como sendo os desterrados de Israel (Is 11.12); no entanto, vemos nos Evangelhos a pregação do Reino como um tema central.

 

 

 

Pense!

 

Deus sempre nos anima em meio aos momentos difíceis trazendo suas promessas e restauração.

 

 

 

Ponto Importante

 

A restauração de Israel também implica a restauração da Igreja.

 

 

 

III. OS CRENTES E O REINO

 

  1. O lugar do Reino (Ef 1.10). A vida cristã é um meio pelo qual o Reino pode ser expresso. Isso acontece quando Deus governa os corações humanos por meio de seu Espírito Santo, infundindo neles o seu Reino. O Reino pode ser concebido como existente no céu ou no coração dos seres humanos regenerados. A Igreja é formada pelos regenerados no céu e na Terra. Esse Reino tem um rei, e onde esse rei é aceito como tal, aí está o Reino de Deus. No Evangelho de Mateus, ele é chamado o Reino dos Céus porque o céu é habitação de Deus, porém, quando o Reino finalmente se estabelecer, a autoridade de Jesus Cristo será exercida em todos os lugares.
  2. O Reino como virtudes cristãs (Rm 14.17). O Reino de Deus abrange todas as coisas sobre as quais Deus exerce poder — a vida dos homens, o mundo e tudo que nele existe. O Reino messiânico foi profetizado e esperado pelos judeus, no entanto, não faz parte da dimensão material e objetiva como eles esperavam; sua dimensão é subjetiva, espiritual e, portanto, transcende a matéria, incluindo todas as coisas (Lc 17.21).
  3. O Reino de Deus é paz e alegria (Gl 5.22). Paz e alegria são aspectos do Reino e também características do fruto do Espírito que é desenvolvido por Deus na alma do crente.

 

 

 

Pense!

 

O reinado de Deus precisa iniciar em nossas vidas, em nossos corações, em nossos lares e em nossas igrejas.

 

 

 

Ponto Importante

 

O Reino messiânico foi profetizado e esperado pelos judeus, no entanto, não faz parte da dimensão material e objetiva como eles esperavam.

 

 

 

CONCLUSÃO

 

Promover o Reino de Deus em um mundo onde prevalece a falta de amor, a ingratidão e a desonestidade se torna tarefa crucial para os cristãos, pois é Deus que por meio do Espírito Santo cultiva no ser humano qualidades espirituais que caracterizam um homem espiritual. Quando o Reino de Deus passa a habitar o coração do homem, o mesmo conhece a verdadeira vida e desfruta intensamente de sua posição em Cristo.

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

ZUCK, B. Roy. Teologia do Antigo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2014.

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Quais seriam os principais atributos do Messias de acordo com Isaías 11.2?

Sobre Ele repousaria o Espírito do Senhor, e o Espírito de sabedoria e de inteligência, e o Espírito de conselho e de fortaleza, e o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor.

 

  1. Qual foi uma das principais promessas que Deus fez a Abraão?

Que todos os povos da terra seriam abençoados através dele.

 

  1. Quem serão os habitantes do Reino de Deus?

Os israelitas e todos os que foram salvos em Cristo Jesus.

 

  1. Qual a principal descrição que o profeta faz do Reino de Deus?

Um tempo de verdadeira paz e harmonia entre os povos e nações, que reflete nas relações de justiça entre os homens.

 

  1. Conforme Romanos 14.17, quais as principais características desse Reino?

Será um Reino de justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.

 

SUBSÍDIO I

 

“O Messias é chamado de Rebento e Renovo. Estas palavras significam um pequeno e tenro broto que se rompe com facilidade. Quando a família real fosse cortada, e quase nivelada ao solo, iria brotar novamente. A casa de Davi estava completamente decaída na época do nascimento de Cristo. O Messias deu assim uma notícia antecipada de que o seu Reino não era deste mundo. Porém, o Espírito Santo, com todos os seus dons e graças, repousa e permanece nEle (Cl 1.29; 2.9).

O Messias seria justo e reto em todo o seu reinado. [...] O Evangelho muda a natureza e faz com que os mesmos que pisoteavam os mansos da terra sejam amáveis e mansos para com eles. Porém isso será mais plenamente mostrado nos últimos dias. Também Cristo, o grande Pastor, cuidará do seu rebanho para que a natureza dos problemas e da própria morte seja transformada e não façam nenhum dano real. O povo de Deus será liberto não somente do mal, mas também do temor do mal. Enquanto isto, façamos com que o nosso exemplo e esforço possam ajudar o progresso da honra de Cristo e de seu reino de paz” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002. p.569).

 

SUBSÍDIO II

 

“Isaías 10.1-4 faz parte de Isaías 9 e define a base pela qual o julgamento de Israel fora decretado. Deus então declara que julgará a Assíria, que excedeu em sua tarefa, destruindo Israel em vez de discipliná-lo (vv.5-19). Mesmo assim, um remanescente permanece e Deus livrará os sobreviventes. O discorrer da passagem agora nos mostra a mensagem principal desses capítulos. Um dia virá, quando os reinos do homem serão suplantados pelos reinados de Deus. O Messias de Deus, guiado e impulsionado pelo Espírito de Deus, julgará a Terra, estabelecerá a justiça e até mesmo trará paz à própria natureza. Naquele dia, todas as nações do mundo se submeterão ao Senhor, e Deus levará seu povo escolhido de volta à sua terra natal. Naquele dia, todo Israel louvará a Deus pela salvação e o fará conhecido a todo o mundo” (RICHARS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.418).

fonte www.mauricioberwald.com

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS

3º Trimestre de 2016

Título: Isaías — Eis-me aqui, envia-me a mim

Comentarista: Clayton Ivan Pommerening 

Lição 11: Profecias da consumação da história

Data: 11 de Setembro de 2016 

TEXTO DO DIA

 

“Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça” (2Pe 3.13).

 

SÍNTESE

 

Deus sempre esteve no controle de tudo. O fim da história será a prova disso.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Is 24.1,2

A consumação das coisas

TERÇA — Is 24.21-23

A justiça final será feita

QUARTA — Is 25.6-9

O profeta anuncia a restauração final de Israel

QUINTA — Is 26.1-6

O povo confiará plenamente em Deus

SEXTA — Is 27.1; Ap 20.1,2

Deus destruirá de uma vez por todas o mal 

SÁBADO — Is 27.12,13

Deus reunirá seu povo junto de si

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

MOSTRAR como será o julgamento dos maus e a salvação dos justos;

COMPREENDER que Cristo está no centro da história humana;

DISCUTIR a respeito do fim da história humana e o novo começo em Deus.

 

INTERAÇÃO

 

O Salmo 46 fala a respeito da soberania de Deus sobre todo o universo. Ele tem o domínio de todas as coisas e nada acontece sem sua permissão. É um convite à confiança em tempos de angústia e uma mensagem de esperança de que aquilo que Deus faz é agradável, perfeito e bom. Você poderá, ao final da lição, ler esse Salmo com seus alunos. Ressalte que, apesar das situações difíceis que o mundo tem enfrentado, Deus está e estará no controle de todas as coisas. Seus filhos podem confiar plenamente em seu cuidado e amor.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

A lição desta semana fala a respeito das profecias de consumação da história. Eis um tema que desperta curiosidade e muita preocupação por parte de todos. Ao fazer essa abordagem, sugerimos que você leve para a sala de aula o trailer de um filme que fale a respeito do fim dos tempos. Diversos filmes podem ser encontrados no Youtube como, por exemplo, “Deixados para trás” (2000) e “O apocalipse” (2014). A partir do estudo desta lição e da análise desses trailers, promova um debate acerca da consumação dos tempos. Um bom debate e uma boa reflexão.

 

TEXTO BÍBLICO

 

Isaías 24.4-6.

 

4 — A terra pranteia e se murcha; o mundo enfraquece e se murcha; enfraquecem os mais altos do povo da terra.

5 — Na verdade, a terra está contaminada por causa dos seus moradores, porquanto transgridem as leis, mudam os estatutos e quebram a aliança eterna.

6 — Por isso, a maldição consome a terra, e os que habitam nela serão desolados; por isso, serão queimados os moradores da terra, e poucos homens restarão.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO

 

Os capítulos 24 a 27 do livro de Isaías apresentam profecias que apontam para o final da história. São textos complexos e de difícil interpretação. Profecias de castigo aos israelitas e promessa final de livramento e salvação. Reúnem profecias, cânticos (26.1-6; 27.2-5) e orações (25.1-5; 26.7-19). Estão divididos entre julgamentos dos maus e salvação e promessas de livramento para o povo de Deus. Nenhum desses textos (Is 24.1-27.13) fala do Messias, todavia precisam ser interpretados sob a perspectiva de que somente será possível a redenção do povo de Deus na consumação da história, mediante a obra do Messias consumada na cruz. Aqueles que rejeitarem o Messias, que não aceitarem a redenção gratuitamente proposta e oferecida por Deus, sofrerão a condenação eterna. A condenação será a eterna separação de Deus, o autor da vida, e estes padecerão com Satanás, no lago de fogo e enxofre.

 

  1. O JULGAMENTO E A SALVAÇÃO

 

  1. Como será o julgamento. A palavra julgamento no grego (krinein) quer dizer separar (Mt 13.24-30), ou seja, será a separação do bem e do mal, daquilo que é verdadeiro do que é falso, o ato final de Deus onde se preservará apenas aquilo que não foi contaminado pela maldade e pelo pecado. Na teologia dispensacionalista, presente na maioria das igrejas pentecostais, esse período de julgamento se refere ao Juízo Final, na consumação de todas as coisas, quando todos os povos e nações comparecerão diante do trono de Deus para serem julgados por seus atos (Mt 25.31-33). No Antigo Testamento, além do profeta Isaías, quem mais profetizou sobre o Juízo Final foi Daniel (Dn 12.1-3). No Novo Testamento, o assunto foi tratado por Jesus no Sermão Profético (Mt 24,25), bem como por Paulo, Pedro e João.
  2. O destino dos maus. Para o Juízo Final acontecerá a ressurreição dos maus de todos os tempos; os salvos já terão ressuscitado para estarem no milênio com Cristo (Is 26.19; Ap 20.4). Ninguém escapará da desolação e julgamento que sobrevirá: ricos, pobres, sacerdotes, leigos (Is 24.2) e reis (Is 24.21). A terra, outrora abençoada, agora é maldita por causa da injustiça (Is 24.5) e será abalada, provavelmente num grande terremoto (Is 24.18-20), e o sol e a lua deixarão de brilhar (Is 24.23). Deus destruirá todo o mal bem como todos os grandes poderes e impérios mundiais, representados pelo leviatã, pela serpente sinuosa e pelo dragão (Is 27.1). Aqueles que forem julgados como maus serão separados definitivamente de Deus, a fonte da vida.
  3. O destino dos bons. Aqueles que forem julgados como bons e forem justificados pelo sacrifício de Cristo serão levados para o Reino eterno, conforme Jesus mesmo afirmou em Mateus 25.34. O Reino de Deus será um eterno desfrutar de alegrias, delícias e bem-estar, na presença de todos os salvos de todos os tempos, mas o importante é que para sempre estaremos com nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, cuja presença encherá a terra com sua glória e majestade, conforme a visão de João (Ap 21.23).

 

 

 

Pense!

 

O julgamento será uma realidade concreta para a humanidade.

 

 

 

Ponto Importante

 

Esse período de julgamento se refere ao Juízo Final, na consumação de todas as coisas.

 

 

 

  1. CRISTO, O CENTRO DA HISTÓRIA

 

  1. O início da história humana. A história da humanidade pode ser revelada na criação, Queda, redenção em Cristo e final dos tempos com Cristo. Isso porque Ele é o que permeia a história humana com sua presença. Israel não foi fiel à aliança feita com Deus; com isso, um remanescente (a semente, o troncorestante), que se concentra em Cristo na sua morte, tornou-se precursor de um grande povo composto por todas as tribos e nações que confessam a Cristo como Salvador.
  2. A redenção da história humana. Toda a história da salvação está contida num único evento: a intervenção de Cristo na história por meio da cruz. Dela brota todo o presente e representa a garantia de todo o futuro. Entre a cruz de Cristo e a consumação final da história dá-se a tensão e hostilidade entre a instalação de seu Reino na terra “já agora” e no “ainda não” do Reino que está por vir. A batalha decisiva e vitoriosa já foi travada na cruz do Calvário. Neste momento, vive-se em hostilidade com o adversário, Satanás, que quer tentar destruir a obra redentora em nós, embora já tenha sido vencido.
  3. Ele é para todo sempre. Ele é antes do início, foi crucificado ontem, reina agora de forma invisível e voltará no fim dos séculos para estabelecer seu Reino eterno, onde a justiça e a paz reinarão perpetuamente. Algumas vezes, o fim dos tempos é entendido como um tempo caótico e terrível. Para alguns poderá ser mesmo, mas para os que forem do Senhor será um tempo em que as qualidades humanas serão potencializadas e nossa fidelidade ao Senhor não sofrerá mais os percalços que temos hoje, pois Ele mesmo vai destruir toda infidelidade (Is 5.1-6).

 

 

 

Pense!

 

Se Cristo é o centro da história, Ele precisa ser o centro de nossas histórias pessoais.

 

 

 

Ponto Importante

 

Para a fé cristã, Jesus Cristo é o verbo que origina a história, se encarna na história para redimir a história e no final Ele há de encerrar a história. Cristo é o centro e o fim da história.

 

 

 

III. O FIM DA HISTÓRIA

 

  1. A consumação. Quando se fala em consumação da história, fala-se do seu fim. E fim significa término e também alvo, ou seja, os filhos de Deus se esforçam para estabelecer seu Reino na terra (alvo), mas esse esforço terá fim quando os céus e a terra passarem (2Pe 3.10). Entretanto, o seu Reino se concretizará em plenitude somente no fim dos tempos, no término da história humana.
  2. A história humana terá fim, mas a de Deus não. Deus está acima da história. Ele é a-histórico, pois é eterno. Seu Reino se estabelece na história humana, por isso tem início, mas nunca terá fim.
  3. A Nova Jerusalém é o início da nova história humana. O Reino de Deus é sinônimo da Nova Jerusalém, o lugar que Deus preparou para os salvos em Cristo, para passarem com Ele por toda a eternidade, na casa do Pai (Jo 14.1-4), desfrutando eternamente de seu amor.

 

 

 

Pense!

 

A melhor coisa na restauração final da história não será o Novo Céu e a Nova Terra, mas sim a presença eterna e sublime de Deus.

 

 

 

Ponto Importante

 

Deus está acima da história, Ele é um ser a-histórico, pois é eterno.

 

 

 

CONCLUSÃO

 

O fim da história será a prova de que Ele sempre esteve no controle de todas as coisas e aqueles que confiaram nEle entrarão para o descanso eterno, preparado desde a fundação do mundo (Mt 25.34).

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

Teologia Sistemática Pentecostal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2008.

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Transcreva a oração que Isaías faz em 25.1 de seu livro.

Ó Senhor, tu és o meu Deus; exaltar-te-ei e louvarei o teu nome, porque fizeste maravilhas; os teus conselhos antigos são verdade e firmeza.

 

  1. Que período escatológico acontecerá logo antes do Juízo Final?

O milênio.

 

  1. Qual a característica principal do milênio?

Serão mil anos de paz do governo mundial em que Cristo será o rei.

 

  1. Por que Cristo é o centro da história?

Toda a história da humanidade tem Cristo como seu precursor (Jo 1.1), seu executor (Mt 28.18; Cl 1.17) e o seu fim (Fp 3.21).

 

  1. Qual a essência que poderá ser vivida na vida eterna?

O perfeito amor de Deus.

 

SUBSÍDIO I

 

“Estudiosos bíblicos discutem se esses capítulos (24.1-27.13) contêm profecias ou se eles apresentam um teor apocalíptico. Às vezes é difícil distinguir entre os dois. A profecia geralmente prediz um futuro definido. Informações apocalípticas dirigem a mente de forma mais abstrata e simbólica em direção ao futuro, em contraste com o presente. Como o material apocalíptico é geralmente repleto de visões, figuras simbólicas e nomes, ele pode ser compreendido mais corretamente como uma expressão de fé do autor e sua filosofia da história. O estudante dos textos apocalípticos deve aprender a não interpretar literalmente todo simbolismo que encontra.

[...] Alguns dos temas apocalípticos com os quais Isaías trabalha são: o julgamento de Deus por causa do pecado e dos pecadores; tribulações como guerra, fome e pestilência; convulsões geológicas; desordens astronômicas; guerra moral no reino espiritual; o triunfo final do programa divino; o banquete escatológico em honra à vitória divina; a alienação da morte; a ressurreição dos justos; a dor aguda de uma nova era” (Comentário Bíblico Beacon. Volume 4: Isaías e Daniel. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2005, pp.79-80)

 

SUBSÍDIO II

 

“O Reino e a Vinda do Filho do Homem (Lc 17.20-30)

O Jesus inspirado pelo Espírito fala profeticamente sobre a vinda do Reino de Deus, incluindo sua própria vinda e o julgamento final. Lucas registra dois dos maiores discursos de Jesus sobre os acontecimentos do tempo do fim (Lc 17. 20-37). O Reino, o governo de Deus, é uma realidade presente. A vida e ministério de Jesus declaram de modo veemente e novo a presença do reinado régio de Deus. Mas a vinda desse Reino também é um acontecimento futuro. Jesus se refere a ambos os lados do reinado soberano de Deus aqui. Nos versículos 20 e 21, em resposta a uma pergunta feita pelos fariseus, Ele explica a natureza futura do Reino. Depois, nos versículos 22 a 37, Ele explica aos discípulos a futura vinda do Reino.

Alguns fariseus perguntaram a Jesus quando Deus vai estabelecer o seu Reino na terra. Não há que duvidar que eles ficaram impressionados com os dons proféticos de Jesus, então agora eles desejam saber o momento quando Deus começará a exercer seu governo sobre a humanidade. Eles querem um horário e presumem que sinais visíveis precederão a vinda do Reino. Jesus explica que o Reino de Deus é distinto dos reinos com os quais os fariseus estão familiarizados. Sua vinda não corresponderá com sinais visíveis para que ninguém possa predizer o tempo exato de sua chegada. As pessoas entendem mal o caráter do Reino de Deus, quando dizem ‘Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali!’. Tais predições são arrogantes e mostram-se falsas e decepcionantes a pessoas persuadidas por elas (cf. At 1.6,7)” (Comentário Bíblico Pentecostal. 4ª Edição. RJ: CPAD, 2009, p.432).

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS

3º Trimestre de 2016

Título: Isaías — Eis-me aqui, envia-me a mim

Comentarista: Clayton Ivan Pommerening

 

 

 

Lição 12: Profecias de salvação e esperança

Data: 18 de Setembro de 2016

 

 

 

TEXTO DO DIA

 

“Porque também a nós foram pregadas as boas-novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram” (Hb 4.2).

 

SÍNTESE

 

Isaías anuncia boas notícias ao povo, profetizando que o tempo de sofrimento estava chegando ao fim, que o castigo divino estava para terminar, e bênçãos e salvação estavam a caminho.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Is 40.1,2

Deus anuncia o perdão dos pecados de Israel

 

 

 

TERÇA — Is 40.10,11

Deus promete pastorear seu povo

 

 

 

QUARTA — Is 40.29-31

Deus irá renovar as forças de seu povo

 

 

 

QUINTA — Is 41.14,15

Deus convida o povo a não temer

 

 

 

SEXTA — Is 66.10-12

A restauração final do povo

 

 

 

SÁBADO — Is 43.1-13

A salvação de Deus não será impedida por poder algum

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

COMPREENDER por que Isaías é chamado de profeta evangelista;

SABER o que significa Boas-Novas na profecia de Isaías;

RELATAR a respeito da esperança dada por Deus em Cristo.

 

INTERAÇÃO

 

O Salmo 137 foi escrito enquanto o povo de Deus estava no cativeiro babilônico. Ele retrata o sofrimento bem como a imensa saudade e desejo de estarem em Jerusalém no Templo, cantarem as suas canções e oferecerem culto ao Deus verdadeiro. Agora o povo de Deus estava diante dos deuses falsos e não tinha graça alguma cantarem para seus algozes. Você, professor, poderá explorar esse salmo com seus alunos. Destaque o sofrimento do povo e o desejo de voltarem para Jerusalém a fim de cultuarem a Deus. Você também poderá conversar com eles a respeito de Jeremias 29, que é um lembrete ao povo do motivo de estarem no cativeiro e um incentivo a se estabelecerem naquele lugar, pois ficariam um bom tempo por lá até Deus os libertar.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, nessa lição nossa conversa é acerca das profecias de salvação e esperança. Uma questão relevante é em relação às Boas-Novas. A lição apresenta o Evangelho como um estilo de vida.

Juntamente com seus alunos, elabore dois painéis. O primeiro intitule: “Cultura gospel”. O segundo, “O Evangelho como estilo de vida”. A partir daí, juntamente com os jovens, relacione e registre quais são as características da cultura gospel. Depois aponte as características do viver o Evangelho realmente como estilo de vida. Leve os alunos a refletirem a respeito da diferença entre esses dois estilos de vida. Incentive-os a buscarem viver o que é o Evangelho, seguindo o exemplo de Cristo em todos os momentos.

 

TEXTO BÍBLICO

 

Isaías 40.3,4,8,9,11.

 

3 — Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus.

4 — Todo vale será exaltado, e todo monte e todo outeiro serão abatidos; e o que está torcido se endireitará, e o que é áspero se aplainará.

8 — Seca-se a erva, e caem as flores, mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente.

9 — Tu, anunciador de boas-novas a Sião, sobe a um monte alto. Tu, anunciador de boas-novas a Jerusalém, levanta a voz fortemente; levanta-a, não temas e dize às cidades de Judá: Eis aqui está o vosso Deus.

11 — Como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os braços, recolherá os cordeirinhos e os levará no seu regaço; as que amamentam, ele as guiará mansamente.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO

 

As profecias de Isaías que dizem respeito a salvação e esperança se referem a dois períodos basicamente. O primeiro é o do cativeiro babilônico que logo aconteceria, e o povo precisava ter esperança em Deus naquele lugar de sofrimentos. Alguns deles serviriam no palácio real, como Daniel e seus amigos, mas muitos seriam escravos maltratados e fariam trabalhos desprezíveis. Assim o profeta os anima com suas palavras, preparando-os para esse tempo. O segundo é o período em que eles voltariam do cativeiro. Porém, dadas as condições precárias da longa viagem, em boa parte pelo deserto, bem como a própria situação de Jerusalém devastada, era preciso palavras de encorajamento para que o remanescente não desfalecesse. No entanto, todas essas profecias de Isaías têm um horizonte muito maior, que é a salvação que Deus daria ao povo por meio de Cristo. Por isso, o profeta é chamado de anunciador de Boas-Novas, pois ele prevê que Deus traria grande salvação ao seu povo.

 

  1. O PROFETA EVANGELISTA

 

  1. A situação do povo no cativeiro. Quando o povo de Jerusalém chegasse à Babilônia, haveria um contraste inquietante entre os deuses babilônios que deram a vitória aos opressores e o aparente fracasso do Deus israelita, que não livrou seu povo. Diante disso, o povo precisava ser animado e encorajado para continuar crendo e esperando que Deus lhes traria o livramento, quando o castigo pela desobediência passasse. O profeta deveria dar uma mensagem de esperança para que o povo não caísse na armadilha de achar que havia uma disputa entre os deuses babilônios e o Deus de Israel. Embora temporariamente os babilônios tenham sido vencedores, essa realidade não duraria para sempre. Sendo assim, o profeta estava enviando boas-novas de salvação, para um momento em que a confiança em Deus ficaria muito tênue, diante da realidade do opressor. Aconteceram três deportações para a Babilônia: a primeira em 605 a.C., sendo um dos cativos o profeta Daniel; a segunda em 597 a.C, quando foram levados todos os nobres e ricos da cidade, em torno de 10.000 pessoas; a terceira, como um golpe final sobre Jerusalém, aconteceu no ano 586 a.C. Alguns haviam morrido de forme e nas guerras. Ficaram na cidade somente os mais pobres dentre o povo. Nessa conquista, a cidade foi devastada, o Templo queimado e as riquezas saqueadas. Somente no ano 539 a.C. os judeus começaram a voltar para Jerusalém e a reconstruí-la, juntamente com o Templo.
  2. O significado de Boas-Novas. Boas-Novas vem da palavra hebraica basar, que no grego é euangelizo, de onde provém a palavra “evangelho”. Deus designa ao profeta: “Tu, anunciador de boas-novas a Sião, sobe a um monte alto. Tu, anunciador de boas-novas a Jerusalém, levanta a voz fortemente. Levanta-a, não temas e dize às cidades de Judá: Eis aqui está o vosso Deus” (Is 40.9). Essas palavras significavam que Deus interviria e salvaria seu povo do cativeiro, mas significavam também que em Cristo se cumpriria plenamente a promessa de salvação da parte de Deus. Esse assunto é tão importante em seu livro, que Isaías sempre que vai falar da promessa de salvação usa a expressão “aqui está”, “veja” e “veja só”, em torno de sete vezes, demonstrando assim que o ápice de sua profecia como também o desejo de Deus era a salvação do povo por intermédio de Cristo.
  3. O anunciador de Boas-Novas. Por quatro vezes em seu livro, o profeta se refere ao anúncio de Boas-Novas (40.9; 41.27; 52.7; 61.1). O que aconteceria ao povo no cativeiro não poderia ser comparável com a salvação que viria, por isso ele anuncia Boas-Novas. Essa palavra significa evangelho, e se tornou a coisa mais importante para aqueles que seguem a Jesus. No tempo do profeta, boas-novas designavam notícias e relatos de que alguma coisa muito boa havia acontecido, e sempre era motivo de muito júbilo e alegria. Portanto, quando o profeta a pronuncia, está dizendo que, apesar das circunstâncias difíceis do cativeiro, Deus estaria agindo. Para provar isso, ele evoca na sua profecia diversas vezes a obra da criação (Is 40.12-17,21-31 dentre outros), como se no momento do exílio estivesse tudo “sem forma e vazio”, mas Deus estaria se movendo sobre a face das águas (Gn 1.2) e em breve traria livramento para seu povo.

 

 

 

Pense!

 

Tal como o profeta Isaías, somos desafiados por Deus a sermos jovens que anunciam as Boas-Novas de seu Reino.

 

 

 

Ponto Importante

 

O conceito de “Boas-Novas” vem da palavra hebraica “basar”, que no grego é “euangelizo”, de onde provém a palavra “evangelho”. A palavra evangelho é diretamente ligada ao Novo Testamento, mas sua essência já vem desde o Antigo Testamento.

 

 

 

  1. AS BOAS-NOVAS DO EVANGELHO

 

  1. O Evangelho é uma pessoa. O Evangelho é a própria pessoa de Cristo; nele se concentra toda a boa-nova de Deus para o resgate do ser humano. Foi Ele que com sua morte e ressurreição tornou a mensagem do Evangelho inconfundível. Todo aquele que está em Cristo é amado do Pai (Jo 14.23), dá muito fruto (Jo 15.7,8) e passou da morte para a vida (Jo 5.24). Marcos é o evangelista que nomeia o Evangelho como sendo o próprio Cristo (Mc 1.1), bem como anuncia que o tempo do Evangelho chegou com Cristo (Mc 1.15). Mateus anuncia que as várias profecias de Isaías se cumpriram em Cristo (Mt 1.22,23; 2.15,23; 4.12-17; 21.4,5). Isaías afirma, em relação ao cumprimento de sua profecia em Cristo, que sobre este estaria o Espírito do Senhor, pois foi ungido para pregar as Boas-Novas. Ele restauraria os contritos de coração e os que estivessem cativos. Ele proclamaria a liberdade. Aos presos traria libertação. Ele consolaria os tristes, derramaria sobre eles o óleo de alegria e daria motivos de louvor aos que estivessem em angústia (Is 61.1-3). Jesus mesmo disse que nEle se cumpriu essa profecia (Lc 4.16-21). Ele abriria os olhos dos cegos e tiraria de prisões aqueles que estavam em trevas. Por isso, Jesus é chamado em Isaías de luz dos gentios (Is 9.2; 42.6,7).
  2. O Evangelho é uma mensagem. Trata-se da boa mensagem de que Deus cumpriu para com Israel suas promessas por meio de Cristo e que foi aberto o caminho de salvação para toda a humanidade, cumprindo assim o que os profetas disseram. Crer no Evangelho e confessar a Cristo leva à salvação, mas rejeitar o Evangelho leva à condenação (Rm 10.9). O Evangelho é o poder de Deus operando para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). A aceitação do Evangelho em atitude de fé é a garantia da libertação de pecados, medos e culpas e a porta de entrada para a vida de liberdade que Deus preparou para os seus filhos. Além disso, o convite do Evangelho é para que se o proclame a todos que não o conhecem (Rm 10.15).
  3. O Evangelho é um estilo de vida. O estilo de vida proposto pelo Evangelho não tem muito a ver com a cultura gospel impregnada em nosso país, mas sim é um estilo de vida que imita Jesus em todas as coisas, numa atitude radicalmente contrária aos valores observados ou impostos, até mesmo pela religiosidade. É preciso coragem para tomar cada dia a cruz e seguir Jesus, o mais empolgante projeto devida que alguém pode abraçar. É dizer sim para a vida abundante, para a alegria e obediência a Deus e dizer não para ofertas que afastam nosso coração da fonte devida. Seguir Jesus é dizer sim a atitudes de amor e esperança para um mundo sofredor.

 

 

 

Pense!

 

A mensagem do Evangelho tem poder para transformar famílias, bairros, municípios, cidades e Estados. Seus agentes somos nós (jovens), por isso podemos iniciar anunciando as Boas-Novas nos lugares em que estamos inseridos.

 

 

 

Ponto Importante

 

O estilo de vida proposto pelo Evangelho é diferente da cultura gospel impregnada em nosso país. É um estilo de vida que imita Jesus em todas as coisas.

 

 

 

III. SALVAÇÃO E ESPERANÇA

 

  1. Deus ampara seu povo no cativeiro. O profeta, descrevendo a situação do povo no cativeiro e prevendo a salvação, afirma que o Livramento do Senhor virá em meio ao deserto e que este se tornará em caminho reto (Is 40.3,4). Ele faz a promessa de que os cansados e afadigados, mas que esperam no Senhor, serão renovados (Is 40.29-31). No exílio, o povo se sentiria muito longe de Deus, com muita sede, mas o Senhor os ouviria e os saciaria. Deus lhes promete que no deserto teriam tanques de água e que lugares desertos se transformariam em mananciais de águas pelo seu poder miraculoso; isso significa que Deus proverá para o seu povo as coisas essenciais em abundância (Is 41.17,18).
  2. Deus livra seu povo do cativeiro. Deus daria visão aos cegos, mostrando o caminho da salvação (Jo 14.6) nunca antes trilhado. Ele lhes tornaria as trevas em luz e o que era torto seria endireitado (Is 42.16). Além dessa condução e cuidado de Deus, Ele promete perdoar e apagar todos os pecados (Is 43.24,25).
  3. Um derramar abundante do seu Espírito. O profeta prevê que sobre todos os que tiverem sede de Deus Ele derramaria água e onde houvesse uma terra seca, transformaria em rios, prevendo que seu Espírito seria abundantemente derramado (Is 44.3,4). O Senhor faria brotar da terra a justiça, tão desprezada pelo povo antes do cativeiro, bem como muito motivo de louvor (Is 61.11).

 

 

 

Pense!

 

O Espírito de Deus é a força que ajuda o cristão a passar os diversos cativeiros dessa caminhada humana.

 

 

 

Ponto Importante

 

Deus ampara seu povo no cativeiro, o livra, restaura sua identidade e história. Esse é o agir pleno de Deus.

 

 

 

CONCLUSÃO

 

O profeta anuncia ao povo que o tempo de sofrimento está chegando ao fim, que o castigo divino estava para terminar e bênçãos e salvação estavam a caminho. Elas enfatizam o livramento, a redenção e a glória do povo de Deus.

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

BERGSTÉN, Eurico. Teologia Sistemática. 4ª Edição. RJ: CPAD, 2005.

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Para quais situações o profeta está prevendo salvação e esperança?

Para o tempo de cativeiro, para a jornada de volta a Jerusalém e para o tempo em que Deus salvaria o mundo através de seu Filho.

 

  1. Qual o significado de Boas-Novas no Novo Testamento?

Significa “Evangelho”.

 

  1. Quem é a pessoa principal retratada nos Evangelhos?

A pessoa de Jesus Cristo e sua obra salvadora.

 

  1. O que significa o Evangelho como um estilo de vida?

Tomar cada dia a sua cruz e seguir Jesus, e dizer sim para a vida abundante, para a alegria e obediência a Deus.

 

  1. Segundo o profeta, o que acontece com os que têm sede de Deus?

Deus derramaria água e onde houvesse uma terra seca Ele transformaria em rios, prevendo que seu Espírito seria abundante.

 

SUBSÍDIO

 

“Os versículos 3 a 8 contêm o diálogo entre Jesus e seus irmãos. Eles falam pela primeira vez nos versículos 3 e 4, onde exortam Jesus a ir a Jerusalém para a Festa dos Tabernáculos — ocasião apropriada para Ele ir publicamente com suas declarações messiânicas, as quais, julgam, devem ser divulgadas de maneira ousada: ‘Para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes’. Implícito está a noção de que esta é a maneira de angariar seguidores — fazer sinais. Eles concluem no versículo 4 com a exortação de Ele se manifestar ao mundo.

O modo como os irmãos de Jesus falam claramente os coloca na categoria dos incrédulos. Jesus se distingue ainda mais dos seus irmãos. Seus irmãos foram vistos pela última vez em João 2.12. Jesus não confiava neles, e também não confia agora. Nestes pequenos parágrafos, estes irmãos desempenham papel importante e tornam-se antagonistas de Jesus, aparecendo duas vezes (vv.3,10). Eles estão com o mundo (que o odeia) em seu pecado e incapacidade de conhecer as coisas espirituais. Mais tarde, em João 20.17. Jesus envia uma mensagem a seus irmãos acerca de ir para o Pai, muito provavelmente a fim de encorajá-los a crer” (Comentário Bíblico Pentecostal. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004. pp.528-529).

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPADJOVENS

3º Trimestre de 2016

Título: Isaías — Eis-me aqui, envia-me a mim

Comentarista: Clayton Ivan Pommerening

Lição 13: As promessas a respeito do Messias como Servo Sofredor

Data: 25 de Setembro de 2016

TEXTO DO DIA

 

“Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados” (1Pe 2.24).

 

SÍNTESE

 

Isaías expõe todo o sofrimento de Cristo pela humanidade. O sofrimento de Jesus destruiu o poder que o pecado tinha sobre o homem.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Is 49.1-3

O Servo do Senhor é a luz dos gentios

 

 

 

TERÇA — Is 50.4,5

O Servo Sofredor ouve a voz de Deus

 

 

 

QUARTA — Is 53.6

O Servo Sofredor assumiu os pecados do povo

 

 

 

QUINTA — Is 53.9

O Servo Sofredor é exemplo de retidão

 

 

 

SEXTA — Is 55.1

O Servo Sofredor dará vida eterna

 

 

 

SÁBADO — Is 53.12

O Servo Sofredor anulou a condenação merecida

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

DESCREVER as qualidades do Servo Sofredor;

SABER que Jesus levou sobre si o pecado de toda a humanidade;

COMPREENDER que o sofrimento de Cristo é a garantia da cura completa do homem.

 

INTERAÇÃO

 

O protagonista da obra da redenção, o Servo Sofredor, será desprezado segundo o julgamento do mundo e até por seu próprio povo, bem como pelos orgulhosos governantes. No entanto, isso não mudará os fatos. Ele continuará sendo o escolhido, e reis e príncipes verão sua glória e se prostrarão em reverência reconhecendo sua majestade. Essas são promessas que se cumprirão de forma universal. A rejeição do mundo à mensagem do Evangelho não deve significar um desestimulo para o cristão, pois o desprezo não vai mudar em nada a eficácia dos propósitos de Deus. Ele continua sendo a única fonte de salvação e vida, e cabe a nós conduzir essa luz de forma que ela, com ou sem rejeição, brilhe cada vez mais.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, chegamos ao final de mais um trimestre. Para concluir este estudo, sugerimos a realização de um fórum. Divida a classe de modo que cada grupo receba um tópico da lição para uma breve abordagem. Esse tipo de atividade também é uma possibilidade de avaliação acerca do desenvolvimento da classe ao longo do trimestre e o quanto os temas estudados impactaram e estão impactando a vida de cada um. Agradecemos a sua companhia ao longo desta jornada e desejamos cada vez mais que possamos caminhar e prosseguir caminhando no serviço do Mestre amado.

 

TEXTO BÍBLICO

 

Isaías 53.3-7,9.

 

3 — Era desprezado e o mais indigno entre os homens, homem de dores, experimentado nos trabalhos e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.

4 — Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido.

5 — Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados.

6 — Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.

7 — Ele foi oprimido, mas não abriu a boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.

9 — E puseram a sua sepultura com os ímpios e com o rico, na sua morte; porquanto nunca fez injustiça, nem houve engano na sua boca.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO

 

O contexto das profecias que estudaremos na lição de hoje referem-se especialmente ao Messias, ao Cristo enviado de Deus para salvar a nação de Israel e o mundo perdido. Essas profecias de Isaías estão divididas em quatro cânticos, todos fazendo menção ao Servo: 42.1-9; 49.1-7; 50.4-9; 52.13-53.12.

 

  1. AS QUALIDADES DO SERVO

 

  1. Promulgador de justiça. O cântico do Servo, Isaías 42, relata a missão do Cristo: promover a justiça, cuidar dos que estão prestes a cair, promulgar a equidade e igualdade entre todos (Is 42.1-4). Portanto, o Servo do Senhor não se imporia pela força (Is 42.2). Ele seria um ser humano ímpar pela sua fineza no trato, prudência e beleza de caráter (Is 52.13). Jesus nunca foi injusto nem usou de engano (Is 53.9). O conhecimento do Servo e sua submissão à vontade de Deus garantem a justificação de todos os que creem (Is 53.11).
  2. Luz nas trevas. O Servo do Senhor permite que os povos que vivem em trevas tenham acesso à luz proveniente do Calvário (Is 42.6; 49.6), de modo que todos os povos e extremidades da terra tenham acesso à salvação de Deus. Ele tem poder para libertar da prisão do pecado e da escuridão espiritual os que estão presos (Is 42.7).
  3. Poderoso em palavras. O Servo do Senhor tem habilidade com a Palavra, pois ela tem poder para transformar o ser humano (Is 49.2; Hb 4.12). Suas palavras trazem alívio ao cansado (Is 50).

 

 

 

Pense!

 

Cristo deve ser o modelo para a nossa caminhada de vida cristã.

 

 

 

Ponto Importante

 

As características do Servo Sofredor tipificam Cristo manifesto no Novo Testamento. O Servo Sofredor carrega consigo a manifestação da misericórdia, justificação e restauração de Deus à humanidade inteira.

 

 

 

  1. O NOSSO PECADO LEVOU SOBRE SI

 

  1. A vileza do pecado. Cristo foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas iniquidades (Is 53.5). Sobre Ele caiu o pecado de todos nós, as iniquidades dos injustos levou sobre si (Is 53.11). Jesus foi equiparado aos transgressores, embora nunca houvesse transgredido (Is 53.12).
  2. O sacrifício substitutivo. O prenúncio de toda instituição sacrificial tem seu início no Éden, quando um animal foi morto para cobrir a nudez e o pecado do ser humano. O sistema de sacrifícios do Antigo Testamento previa matar animais para várias ocasiões, como quando alguém queria fazer uma oferta de louvor ou um agradecimento. Porém, sua função era expiar, no sentido de cobrir ou ocultar a culpa de alguém que pecou, apaziguando a ira de Deus sobre o pecador. Era o sacrifício de uma vida inocente oferecida em lugar de uma vida culpada, uma troca não merecida, mas aceita diante de Deus.
  3. A graça do sacrifício. O sacrifício de Cristo foi um favor imerecido da parte de Deus para com os pecadores que merecidamente deveriam sofrer. Cristo, o Servo Sofredor, fez essa substituição, o santo pelos pecadores, o justo pelos injustos. Assim, os sacrifícios do Antigo Testamento tinham sua transitoriedade temporal, mas o de Cristo teve validade eterna: “Mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus” (Hb 10.12).

 

 

 

Pense!

 

Cristo manifestou tão abundante graça a nosso favor que nada pode mais servir de condenação para nossas vidas, se estamos em Cristo.

 

 

 

Ponto Importante

 

O Servo Sofredor revela a grandeza de Deus. Mediante a impossibilidade de o humano curar-se a si mesmo do pecado, Deus providencia o Servo Sofredor para curar a humanidade de suas dores resultantes do pecado.

 

 

 

III. SEU SOFRIMENTO, NOSSA CURA

 

  1. O sofrimento necessário. Os sofrimentos do Servo Sofredor foram indescritíveis. Entretanto, foi necessário que Ele sofresse assim para curar todas as enfermidades do corpo e da alma humana. Muitas doenças são ocasionadas pelos pecados individuais e a maldade de uns para com os outros. Cristo levou todo sofrimento sobre si, não apenas para curar o corpo, mas também a alma (emoções, sentimentos e vontades) daqueles que creem no seu sofrimento na cruz. Ele sofreu ferimentos lancinantes nas costas e na face e suportou terríveis afrontas (Is 50.6; Mc 15.17; Jo 19.1). Os castigos desfiguraram o rosto de Jesus, a ponto de as pessoas ficarem pasmas diante dEle (Is 52.14). Ao ser oprimido e ferido, Ele ficou quieto como um cordeiro indefeso. Foi submetido a um julgamento injusto, uma morte indevida, uma cruz vergonhosa, uma sepultura emprestada, uma coroa horrorosa e acusado de pecados que não cometeu, tudo pela nossa salvação e cura.
  2. Homem de tristezas. O profeta descreve o Servo Sofredor empregando uma linguagem que lembrava os leprosos. Estes eram excluídos do convívio da comunidade. Jesus, assim como os leprosos, sofreu uma das mais terríveis e amargas dores, a dor da solidão e do abandono, de alguém que foi rejeitado e de quem os homens escondiam o rosto. Porém, aquEle a quem desprezamos e pensamos ser insignificante levou sobre si nossas deformidades e doenças, ou seja, a lepra incurável do pecado. Sua fragilidade e falta de formosura foi a garantia da nossa redenção.

 

 

 

Pense!

 

O sofrimento de Cristo a nosso favor justifica uma resposta positiva de nossa parte diante de sua convocação à vida eterna.

 

 

 

Ponto Importante

 

O profeta Isaías quer mostrar ao povo que todo o sofrimento será carregado pelo Servo Sofredor a fim de livrar o povo da terrível dor de ter pecado contra Deus.

 

 

 

CONCLUSÃO

 

Cristo sofreu toda a dor que a humanidade deveria sofrer por causa do pecado, mas, ao experimentar a totalidade desse sofrimento, o Messias destruiu o poder que o pecado tinha sobre o homem e reconduziu todas as pessoas novamente a Deus. É imensurável e extraordinário o alcance dos sofrimentos e da morte do Servo Sofredor. Essa é a garantia de nossa cura, transformação, libertação, salvação e de que um dia estaremos para sempre com Ele.

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

CONDE, Emílio Tesouro de Conhecimentos Bíblicos: Enciclopédia de Assuntos Bíblicos. RJ: CPAD, 2000.

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Cite onde estão localizados os quatro cânticos do Servo em Isaías.

Os quatro cânticos do Servo estão em Is 42.1-9; 49.1-7; 50.4-9; 52.13-53.12.

 

  1. Quem é o Servo Sofredor de Isaías?

É o Messias, o Cristo enviado de Deus para salvar a humanidade.

 

  1. Qual o significado messiânico de ser luz nas trevas?

Significa libertação da prisão do pecado e da escuridão espiritual.

 

  1. Por que o sofrimento de Cristo foi necessário?

Para curar todas as enfermidades e doenças do corpo, mas especialmente as feridas da alma humana.

 

  1. Por que a morte de Cristo foi necessária?

Para reconciliar todos em todo o mundo com Deus e assim providenciar uma tão grande salvação.

 

SUBSÍDIO I

 

“A vil condição a que se submeteu e a sua manifestação ao mundo não concordam com as ideias messiânicas que os judeus tinham formado. Esperava-se que Ele viesse com pompa; ao invés disto, cresceu como uma planta, silenciosa e inadvertidamente. Ele nada tinha de glória que alguém houvesse pensado encontrar nEle. Toda sua vida foi extremamente humilde e penosa. Feito pecado por nós, viveu a sentença peta qual expôs o pecado. Os corações carnais não contemplam nada que o interesse no Senhor.

(...) Os nossos pecados foram os espinhos na cabeça de Cristo, os cravos em suas mãos e pés, a lança que o feriu. Foi entregue à morte por nossas ofensas. Por seus sofrimentos adquiriu para nós o Espírito e a graça de Deus para mortificar as nossas corrupções, que sãs as enfermidades de nossa alma.

(...) Lembremo-nos de nossa longa lista de transgressões e consideremos-lhe sofrendo sob o peso de nossa culpa. Aqui se lança um fundamento firme sobre o qual o pecador temeroso pode descansar a sua alma. Nós somos a aquisição de seu sangue, e as obras de valor de sua graça; por isso Ele intercede continuamente, e prevalece destruindo as obras do Diabo” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002. pp.599-600).

 

SUBSÍDIO II

 

“O servo do Senhor (Is 42.1)

Essa frase tem grande significado em Isaías. Frequentemente refere-se a Israel (cf. Is 41.8-10). Porém, o servo Israel falhou em completar sua missão para Deus. Como resultado, Deus deve enviar outro Servo, o Messias. Ele será autorizado por Deus e será a chave que abrirá as cadeias dos cativos (Is 42.1-9). Ele falará às nações e demonstrará o esplendor de Deus.

Deus o guardará, apesar da sua missão requerer sofrimento. Apesar de rejeitado pelos homens, o Servo está destinado a ser exaltado. O que se segue é uma atordoante predição onde, literalmente, é retratada a crucificação de Jesus em detalhes. Através da morte, o Servo completará as finalidades de Deus e, então, Ele mesmo será elevado à glória. Esses cânticos do servo não somente demonstram Cristo em sua essencial beleza, mas também servem para modelar a natureza de todo o serviço. Qualquer que serve a Deus deve ter o desejo de assim fazer; permanecer humilde ante os outros e dependente do Senhor; estar comprometido em ganhar a liberdade de outros presos do pecado” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.432).

fonte www.mauricioberwald.com