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ELIAS NO MONTE DA TRANSFIGURA플O (1)
ELIAS NO MONTE DA TRANSFIGURA플O (1)

 

                                 ELIAS NO MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO (1)

 

O relato sobre a transfiguração, conforme narrado nos evangelhos sinóticos, e um dos mais emblemáticos do Novo Testamento (Mt 1 7.1 -1 3 Mc 9.2-8; Lc 9.28-36). Além do nome de Moises, o texto coloca em evidencia também o de Elias. Entretanto, diferentemente dos outros textos ate aqui estudados, o profeta não aparece aqui como a figura central, mas secundaria! O centro e deslocado do profeta de Tisbe para o Profeta de Nazaré, Jesus. E não mais Elias. Moises, Pedro, Tiago e João, também nominados nesse texto, aparecem como figurantes numa cena onde Cristo, o Messias prometido, e a figura principal.

 

I - ELIAS, O MESSIAS E A TRANSFIGURAÇÃO

 

  1. Transfiguração. O texto sagrado relata que tão logo subiram ao Monte, Jesus foi transfigurado diante de Pedro, Joao e Tiago. Diz o texto sagrado: “o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz" (Mt 1 7.2).

A palavra transfigurar, que traduz o termo grego metamorfose, mantem o sentido de mudança de aparência, ou forma, mas não mudança de essência. A transfiguração mostrou aos discípulos aquilo que Jesus sempre fora: o verbo divino encarnado (Jo 1.1; 1 7.1-5). Os discípulos observaram que o seu rosto brilhou como o sol (Mt 1 7.2). O texto revela também que suas vestes resplandeceram (Mt 1 7.2). Esses fatos põem em evidencia a identidade do Messias, o Filho de Deus.

 

 

 

  1. Gloria divina. Mateus detalha que durante a transfiguração? “uma nuvem luminosa os cobriu" (Mt 1 7.5). E relevante o fato de que Mateus, ao escrever o evangelho aos põe em evidencia o fato de que Jesus e o Messias anunciado no Antigo Testamento. Isso pode ser visto na manifestação da nuvem luminosa, que esta relacionada com a manifestação da presença de Deus (Ex 14.19,20; 24.15-17; 1 Rs 8.10,1 1; Ez 1.4; 10.4). Tanto Moises como Elias, quando estiveram no Sinai, presenciaram a manifestação dessa gloria. Todavia, não como os discípulos a vivenciaram no Monte da Transfiguração (Mt 17.1,2).

 

SINOPSE DO TÓPICO ( I )

 

A transfiguração provou para os discípulos e para nos aquilo que Jesus sempre fora: o verbo divino encarnado.

 

 

 

II - ELIAS, O MESSIAS E A RESTAURAÇÃO

 

  1. Tipologia. No evento da transfiguração, o texto destaca os nomes de Moises e Elias (Mt 1 7.3). Para a Igreja Crista, Moises prefigura a Lei enquanto Elias, os profetas. E perceptível, nessa passagem, que Moises aparece como figura tipológica. Mateus põe em evidencia o pronunciamento do próprio Deus: “Escutai-o” (Mt 17.5). E Moises havia dito exatamente estas palavras quando se referia ao Profeta que viria depois dele: “O SENHOR, teu Deus, te despertara um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis” (Dt 1 8.1 5). A transfiguração revela que Moises tem seu tipo revelado em Jesus de Nazaré e que toda a Lei apontava para Ele.

 

 

  1. Escatologia. Enquanto Moises ocupa um papel tipológico no evento da transfiguração, Elias aparece em um contexto escatológico. O texto de Malaquias 4.5,6 apresenta Elias como o precursor do Messias. O Novo Testamento aplica a João Batista o cumprimento dessa Escritura: “E ira adiante dele no espirito e virtude de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos e os rebeldes, a prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto” (Lc 1.17). Assim como Elias, Joao foi um profeta de confronto (Mt 3.7), ousado (Lc 3. 1-14) e rejeitado (Mt 11.1 8). A presença do Batista, o Elias que havia de vir, era uma clara demonstração da messianidade de Jesus.

 

 

 

SINOPSE DO TÓPICO (2)

 

No evento da transfiguração, Moisés prefigurava a Lei e Elias os profetas.

 

 

 

III - ELIAS, O MESSIAS E A REJEIÇÃO

 

  1. O Messias esperado. Tanto os rabinos como o povo comum sabiam que antes do advento do Messias, Elias haveria de aparecer (Ml 4.5,6; Mt 1 7.10). O relato de Mateus sugere que os escribas não reconheceram a Jesus como o Messias, porque faltava um sinal que para eles era determinante — o aparecimento de Elias antes da manifestação do Messias (Mt 17.10).

Como Jesus poderia ser o Messias se Elias ainda não havia vindo? Jesus revela então que nenhum evento no programa profético deixara de ter o seu cumprimento. Elias já viera e os fatos demonstravam isso. Elias havia sido um profeta do deserto, João também o foi; Elias pregou em um período de transição, Joao prega na transição entre as duas alianças; Elias confrontou reis (1 Rs 1 7.1,2; 2 Rs 1.1 -4), Joao da mesma forma (Mt 14.1-4). Mais uma vez fica claro: Joao era o Elias que havia de vir e Jesus era o Messias.

 

 

 

  1. O Messias rejeitado. O texto de Mateus 1 7.1 -8, que narra o episodio da transfiguração, inicia- se com a sentença: “Seis dias depois” (Mt 1 7.1). O texto coloca a transfiguração num cor exto onde uma sequencia de fatos deve ser observada. Os eruditos ressaltam que “seis dias” e uma outra forma de dizer: “uma semana depois”. De fato, o texto paralelo de Lucas fala de “quase oito dias”, isto e, uma semana depois (Lc 9.28). O texto, portanto, põe o evento no contexto da confissão de Pedro (Mt 16.13-20) e no discurso de Jesus sobre a necessidade de se tomar a cruz (Mt 16.24-28). O Messias revelado, portanto, em nada se assemelhava ao herói da crença popular. Pelo contrario, a sua mensagem, assim como a do Batista, não agradaria a muita gente e provocaria rejeição.

 

SINOPSE DO TÓPICO (3)

 

João era o Elias que havia de vir e Jesus era o Messias.

 

 

 

IV - ELIAS, O MESSIAS E A EXALTAÇÃO

 

  1. Humilhação. Os interpretes destacam que havia uma preocupação dos discípulos sobre a relação do aparecimento de Elias e a manifestação do Messias. Esse fato e demonstrado na pergunta que eles fazem logo apos descer o monte da transfiguração (Mt 17.10). Como D. A. Carson observa, o fato e que a profecia referente a Elias falava de “restaurar todas as coisas” (Mt 17.11) e os discípulos não entendiam como o Messias tao esperado pudesse morrer em um contexto de restauração. Cristo corrige esse equivoco, mostrando que a cruz faz parte do plano divino para restaurar todas as coisas (Mt 17.12; Lc 9.31; Fl 2.1-11).

 

 

 

  1. Exaltação. Muito tempo depois, o apostolo Pedro ainda lembra dos fatos ocorridos e os cita em relação a exaltação e glorificação de Jesus e, também, como prova da veracidade da mensagem da cruz: “Porque não vos fizemos

 

saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fabulas artificialmente compostas, mas nos mesmos vimos a sua majestade, porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e gloria, quando da magnifica gloria lhe foi dirigida a seguinte voz: Este e o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido” (2 Pe 1.16,1 7).

 

 

 

SINOPSE DO TÓPICO (4)

 

Jesus deixou claro que a cruz faz parte do plano divino para restaurar todas as coisas.

 

 

 

CONCLUSÃO

 

Vimos, pois, que os eventos ocorridos durante a Transfiguração servem para demonstrar que Jesus era de fato o Messias esperado. Tanto a Lei, tipificada aqui em Moises, como os Profetas, representado no texto pela figura de Elias, apontavam para a revelação máxima de Deus — o Cristo Jesus. Essas personagens tão importantes no contexto bíblico não possuem gloria própria, mas irradiam a gloria proveniente do Filho de Deus. Ele, sim, e o centro das Escrituras, do Universo e de todas as coisas (Cl 1.18,19; Hb 1.3; Fl 2.10,11).

 

 

 

EXERCÍCIOS

 

  1. Explique os fenômenos da transfiguração descritos nos evangelhos.

 

R: A transfiguração, aponta claramente para a divindade de Jesus, mostrando que Ele era o Messias esperado.

 

  1. De que forma pode ser explicado as aparições de Moises e Elias no evento da transfiguração?

 

R: Podemos entender que a presença de Moises tem uma função tipológica, isto e, a sua missão apontava para Jesus Cristo, assim como a função de Elias estava relacionada a escatologia.

 

  1. Como o fenômeno da transfiguração demonstra que Jesus era de fato o Messias esperado?

 

R: Serviu para mostrar que Joao, o batista, era o Elias profetizado, e que, portanto, o seu aparecimento era uma prova incontestável de que Jesus era oMessias esperado.

 

  1. Como D. A.Carson observa a profecia referente a Elias?

 

R: A exaltação do Messias revelado na transfiguração, conforme lembrou posteriormente o apostolo Pedro (2 Pe 1.16-19), era uma prova inconteste da veracidade da mensagem da cruz.

 

  1. Comente, com suas palavras, sobre a exaltação do Messias.

 

R: Resposta pessoal.

 

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I

 

Subsidio Teológico

 

Embora a Transfiguração fosse sem duvida uma maravilhosa revelação da natureza essencial de Jesus, no contexto ela era também uma poderosa manifestação da natureza do reino que o nosso Senhor pretendia estabelecer com a sua morte.

 

[...] A chave para entendermos o pretenso significado da transfiguração e encontrada em Marcos 9.2, na frase ‘seis dias depois’. O que havia acontecido antes dos seis dias? Jesus havia falado sobre a sua cruz e depois a gloria, e feito uma promessa especifica: ‘Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns ha que não provarão a morte sem que vejam chegado o Reino de Deus com poder’ (Mc 9.1)≫

 

Não e costume de Marcos indicar um preciso relacionamento entre os eventos. A frase ‘seis dias depois’ faz intima ligação entre a transfiguração e a profecia de Cristo sobre a sua morte e ressurreição — e a promessa que fez aos discípulos de que alguns veriam ‘o Reino de Deus com poder (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-cultural do Novo Testamento. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p. 11 5).

 

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II

 

Subsidio Teológico

 

“Embora a transfiguração fornecesse uma confirmação visível da divindade de Cristo, os discípulos, perante os quais Ele havia exibido sua gloria, ja o havia reconhecido através dos olhos da fé (Mc 8.29). Porem não haviam reconhecido a natureza do seu reino: não entendiam a implicação de tomar a cruz e seguir a Jesus a fim de receberem uma nova vida. Então Jesus transfigurou-se diante deles e, nessa transformação, eles viram ‘o Reino de Deus com poder’ (Mc 9.1). Eles viram Aquele que apareceu em sua encarnação como um homem comum, brilhar de repente com um extraordinário esplendor. O que eles viram era uma verdadeira transfiguração — uma transformação revolucionaria do estado de um ser para outro. Um estado de ser que indiscutivelmente exibia a gloria e o poder de Deus. E isso que a transfiguração redefine o reino para seus discípulos. Quando, depois da morte e ressurreição de Cristo o reino de Deus vier ‘com poder’, a característica marcante desse reino não será exércitos de anjos marchando para esmagar o poder de Roma. O reino de Deus vem com poder a fim de mudar os seres humanos comuns em seres que escolheram seguir a jesus. O reino, pelo menos ate a volta de Jesus, consistira em transformação, e não nas conquistas que eles desejavam" (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-cultural do Novo Testamento. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p. 11 5).

 

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-cultural do Novo Testamento. 1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

 

MERRILL, Eugene H. Historia de Israel no Antigo Testamento: O reino de sacerdotes que Deus colocou entre as nações. 6. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

 

 

 

REVISTA ENSINADOR CRISTÃO

 

 

 

Bíblia nos diz que Elias foi levado aos céus em um redemoinho (2o Rs 2.11). Assim terminaram os dias de um dos grandes profetas que Israel conheceu.

Mas a história das participações de Elias na história sagrada não se encerraram com o seu arrebatamento. Deus o faria aparecer séculos depois,como representante dos profetas, para confirmar o ministério de Jesus.

Seu ministério causou tanto impacto em Israel que Deus disse que o profeta que precederia o Senhor Jesus viria no espírito e poder de Elias: "Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João. E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento, porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe. E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus, e irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos e os rebeldes, à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto" (Lc 1.13-17). Vamos levarem conta aqui que a expressão "no espírito e virtude de Elias" não tem qualquer vínculo com doutrinas espíritas, como algumas pessoas alegam, pois Elias foi arrebatado vivo aos céus.

 

 Após o evento, a ninguém viram, senão a Jesus. Durante a transfiguração, os discípulos mais próximos do Senhor viram Elias e Moisés com o Senhor. Ao passo que Moisés era a confirmação da Lei de que Jesus era o Messias de Deus, Elias trouxe a representação dos profetas para confirmar igualmente a pessoa de Jesus como o Filho de Deus. Após a transfiguração, os discípulos não viram mais nem a Moisés nem a Elias, somente Jesus. Nenhum evento, por maior que seja ou mais pirotécnico que venha a ser, pode deixar de, ao final, mostrar que apenas Jesus permanece conosco. Os discípulos ficaram deslumbrados com a presença de Elias e Moisés, mas logo perceberam que eles foram embora, e que apenas Jesus ficou. Todas as coisas que temos, sejam posses, sejam dons, devem espelhar Jesus, e mesmo quando essas coisas se forem, devemos mostrar Jesus às pessoas. Mesmo em eventos cristãos, celebridades podem comparecer, mas não podem substituir a presença de Cristo nem no culto nem em nossas vidas. Ao fim de tudo, que possamos ver unicamente a Jesus, como os discípulos também o viram.

 

 

 

SUBSÍDIOS EXTRAS

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

 

 

Se olharmos com cuidado para o que revela o texto de Marcos 9.29, observaremos algumas características do cristianismo transfigurado, isto é, que brilha. Quais, pois, seriam essas características desse cristianismo que brilha? Aqui vão algumas delas:

  1. Ele escala montes — “dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, Tiago e João e levou-os sós, à parte, a um alto monte” (Mc 9.2). E interessante observarmos que os outros discípulos, nove deles, haviam ficado embaixo, pois, o Senhor Jesus levou consigo somente a Pedro, Tiago e João (v.2). Os outros haviam ficado embaixo, não subiram o monte. Quem não sobe o Monte não terá vitória nas lutas espirituais. Escrevi sobre isso quando tratei sobre a vida do patriarca Abraão:“Vai-te a terra de Moriá” (Gn 22.1). Deus mandou Abraão subir o monte Moriá! Ninguém será abençoado sem escalar o monte! É necessário subir o Moriá de Deus e encontrar a bênção no seu cimo. Hoje está na moda subir o “monte” como um lugar místico em busca da bênção! Mas a Escritura mostra que como princípio, subir o monte está associado à necessidade de se buscar ou subir até a presença de Deus e não a geografia de um lugar (Jo 4.20-24). O monte pode ser o nosso quarto ou o templo da igreja ou ainda qualquer outro lugar (Mt 6.6; At 16.13,16). Quem ora hoje no monte Sinai, monte Moriá ou mesmo em Jerusalém não leva nenhuma vantagem sobre quem, por exemplo, ora numa pequena cidade do sertão nordestino ou na grande São Paulo. A geografia não é mais importante e sim a esfera e a atitude na qual a oração acontece, isto é, no Espírito (Ef 6.18; 1 Tm 4.7)”.1
  2. Ele é metamorfoseado — “Foi transfigurado diante deles” (v.2). A palavra traduzida em português como “transfigurado” corresponde ao vocábulo grego metemorphôté, que é o aoristo passivo de metamorphóô? Esse mesmo vocábulo é usado pelo apóstolo Paulo em Romanos 12.1,2: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

O expositor bíblico William Barclay em seu comentário da Epístola aos Romanos, observa que: “Não devemos adotar as formas do mundo; sem transformar-nos, quer dizer, adquirir uma nova maneira de viver. Para expressar esta verdade Paulo usa duas palavras gregas quase intraduzíveis, que requerem uma frase para transmitir seu sentido. A palavra que usa para amoldar-nos ao mundo é syschematizesthai, da raiz schema—de onde vem a palavra portuguesa e quase internacional schema —, que quer dizer forma exterior que muda de ano em ano e quase de dia a dia. O schema de uma pessoa não é o mesmo quando tem 17 anos e quando tem 70; nem quando sai do trabalho e quando está numa festa. Está mudando constantemente. E como se Paulo dissesse: Não cuideis de estar sempre em dia com todos os modismos deste mundo; não sejais ‘camaleões’, tomando sempre a cor do ambiente”.3 Por outro lado, continua Barclay em sua análise:

“A palavra que (Paulo) usa para transformai-vos de uma maneira distinta da palavra do mundo é metamorphusthai, da raiz morfé, que quer dizer a natureza essencial e inalterável de algo. Uma pessoa não tem o mesmo schema aos 17 e aos 70 anos, todavia possui a mesma morphè (essência); o macacão não tem o mesmo schema do vestido de uma cerimônia, mas possui a mesma morphê; muda seu aspecto exterior; pelo que segue sendo a mesma pessoa. Assim, disse Paulo, para dar culto e servir a Deus temos que experimentar uma mudança, não de aspecto, senão de personalidade. Em que consiste essa mudança? Paulo diria que, por nós mesmos, vivíamos kata sarka (segundo a carne), dominados pela natureza humana em seu nível mais baixo; em Cristo vivemos kata Christon (segundo Cristo) ou kata Pneuma (segundo o Espírito), sob o controle de Cristo e do Espírito. O cristão é uma pessoa que mudou em sua essência: agora vive, não uma vida egocêntrica, senão cristocêntrica. Isto deve ocorrer, diz Paulo, pela renovação da mentalidade. A palavra que ele emprega para renovação é anakainosis. No grego há duas palavras para novo: neós e kainós. Neós se refere ao tempo, e kainós ao caráter e a natureza. Um lápis recém fabricado é neós mas uma pessoa que era antes pecadora e agora e está chegando a ser santa é kainós. Quando Cristo entra na vida de um homem, este é um novo homem; tem uma mentalidade diferente, porque tem a mente de Cristo.”4

  1. Ele é fundamentado na Palavra de Deus — ‘E apareceu-lhes Elias com Moisés” (v.4). Todos os intérpretes entendem que os nomes “Elias” e “Moisés” representam figuradamente a Palavra de Deus. Elias representa os profetas enquanto Moisés, a Lei. O cristianismo deixa de ser autêntico quando se distancia da palavra de Deus. Em outro livro de minha autoria, escrevi: Uma igreja modelo possui como fundamento a Palavra e o Espírito. Somente o Espírito sem a Palavra de Deus incorre-se em fanatismo; todavia a Palavra sem o Espírito não passa de ortodoxia morta. O correto é termos o equilíbrio entre a Palavra e o Espírito. O principal mal do pentecostalismo contemporâneo é essa falta de equilíbrio entre a Palavra e o Espírito. Como vimos um carismatismo sem fundamento bíblico transforma-se em desvios, modismos, inovações, desvios doutrinários evoluindo para doutrinas heréticas.5
  2. Ele promove espanto — ‘Pois não sabiam o que dizia, porque estavam assombrados” (v.6). Uma das tragédias do cristianismo hodierno é que ele não promove mais espanto! Um grande número de cristãos parece ter se acostumado com uma vida religiosa onde nada mais é novo. Não há espanto algum! Mas experimentar espanto diante do sagrado é um fenômeno presente nas religiões. Mircea Elliade (2008, pp.16,17) destaca que o homem “descobre o sentimento de pavor diante do sagrado, diante desse mysterium tremendum, dessa majestas que exala uma superioridade esmagadora de poder; encontra o temor religioso diante do mysterium fascinans, em que se expande a perfeita plenitude do ser.”6

Esse espanto diante do sagrado, do totalmente outro, nós encontramos no relato da Pesca Maravilhosa (Lc 5.1-11)

Quando Pedro viu o que ocorrera, prostrou-se aos pés do Senhor e exclamou: “Retira-te de mim, porque sou pecador” (v.8). E o texto ainda diz que a admiração apoderou-se de seus companheiros! (v.9). Esse é um cristianismo que promove espanto! Que causa admiração!

  1. Ele possui imanência — ‘Saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu filho amado; a ele ouvi”(v.7). O cristianismo bíblico é transcendente, isto é, Deus é totalmente outro e não pode ser confundido com suas criaturas. Todavia ele possui também imanência. Não está solto em um universo metafísico onde a realidade espiritual é algo inatingível. Não, o nosso Deus se faz presente no nosso dia a dia (SI 46.1). Ele possui voz, portanto, possui a faculdade da fala. Não é mudo! É bom sabermos que quando oramos não estamos presos em um monólogo, mas estamos nos relacionando com um Deus que também fala.
  2. Ele não faz publicidade — “E, descendo eles do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto” (v.9). Isso me chama a atenção, pois quem não gostaria de noticiar um feito desses? O cristianismo midiático de hoje faz isso o dia todo. Gosta de ser visto, admirado e paparicado. E exibicionista! Todavia o cristianismo bíblico não faz propaganda, mas é visto. E visto porque é uma obra do Espírito Santo e não do homem. O cristianismo da mídia gosta de números, de multidões e de muito dinheiro. Mas é um cristianismo pobre!
  3. Ele tem ressurreição, mas também tem morte — “E eles retiveram o caso entre si, perguntando uns aos outros que seria aquilo, ressuscitar dos mortos (...) E, respondendo ele, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, e todas as coisas restaurará; e como está escrito do filho do homem, que ele deva padecer muito e ser aviltado” (v.10,12).

O cristianismo bíblico possui ressurreição, mas também possui morte! O texto de Lucas 9.31, que é paralelo a esse e diz: “os quais apareceram com glória, e falavam da sua morte, a qual havia de cumprir-se em Jerusalém.” Hoje se fala muito em “vitória”, mas nada de morte. O cristianismo contemporâneo tem pavor da morte! Não quer morrer, mas não tem vida! Só há ressurreição se houver morte! Precisamos morrer para que possamos viver.

  1. Ele tem consciência escatológica — ‘E interrogaram-no, dizendo: por que dizem os escribas que é necessário que Elias venha primeiro?”(v. 11). O cristianismo bíblico possui um forte apelo escatológico, pois não é imediatista e preso a esta era. Ele tem seu olhar no futuro! Crer na parousia do Senhor. Ele sabe que tudo aqui é efêmero, como a neblina que se dispersa! Em meu livro: Rastros de Fogo, escrevi:“É falso qualquer suposto movimento espiritual que alega ser herdeiro do avivamento bíblico, mas que possui uma visão escatológica deformada ou mutilada. Os autênticos movimentos de avivamento ao longo da história da igreja foram logo reconhecidos como tal porque possuíam um entendimento correto da escatologia bíblica. No atual pentecostalismo observa-se um distanciamento cada vez mais crescente da escatologia bíblica. E a pregação do imediatismo, do ineditismo e mercantilismo que tem reinado nesses últimos anos no carismatismo contemporâneo”.7
  2. Não pode ser resumido a um simples debate teológico — “E, quando se aproximou dos discípulos, viu ao redor deles grande multidão, e alguns escribas disputavam com eles”.

Quando a fé cristã se resume a uma simples controvérsia teológica, então ela perdeu sua essência. O cristianismo bíblico não pode ser resumido a um mero debate de ideias. Há muita “teologia” sendo debatida por ai, mas são debates estéreis que não promovem a verdadeira edificação. Ela se resume na sua maioria a um confronto ideológico entre confissões religiosas. Cristianismo é vida, é Espírito, é a Palavra de Deus. O texto mostra que os discípulos que ficaram no vale se limitaram a debater com os escribas, e pelo visto estavam em desvantagem. Os escribas eram bons de debates teológicos, mas ineficientes em promover uma fé viva no povo. A teologia não deve servir apenas como alimento do intelecto, mas também da alma. O Senhor Jesus afirmou que “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4.4).

  1. Ele não se resume a um produto cultural — “Ó geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei ainda? (v.19). Entendo que o termo “geração” aqui pode ser traduzido como cultura. Por que as pessoas daquela cultura eram tão incrédulas? Não foi aquela geração a escolhida por Deus para ver a manifestação do Messias (G1 4.4)? Parece que os discípulos estavam também influenciados por aquela cultura incrédula e por isso apresentaram dificuldade em se render diante do sobrenatural de Deus. Precisavam viver à sombra do Senhor, quando o Senhor cobrou deles a responsabilidade por aquele momento. Eram eles que deveriam ter expelido aquele demônio e não ficarem ineficientes diante da ação do mal. Será que a cultura contemporânea também não tem moldado a fé e o comportamento de muitos cristãos?
  2. Ele não pode ser resumido a fórmulas — ‘Por que não pudemos nós expulsá-lo?” (v.28). Eles estavam atônitos diante do fracasso! Essa pergunta ganha o sentido: “Por que a nossa fórmula não funcionou?” Não é que eles não tivessem tentado, porque o texto deixa claro que os discípulos tentaram expelir esse espírito, mas não conseguiram. “Roguei aos teus discípulos que o expelissem, e eles não puderam” (v. 18). Não tenho dúvidas que eles se valeram dos métodos e fórmulas aprendidas, mas nada aconteceu! O próprio Senhor dissera que os demônios são expulsos não pelo uso de uma técnica ou fórmula, mas pelo poder do Espírito Santo (Mt 12.28). Um cristianismo preso a formulas ou métodos fracassará!
  3. Ele é relacional — ‘Esta casta não pode sair senão por meio de oração [e jejum]” (v.29). Já dissemos que o cristianismo bíblico não se prende a fórmulas, por quê? Porque ele é relacional, isto é, se fundamenta em relacionamentos. A fé cristã é construída pela comunhão com Deus! De nada adianta fórmulas, técnicas, recursos de marketing, se não houver relacionamentos! Deus quer que seus filhos se relacionem com ele e então a vida vitoriosa tão almejada chegará.

GONÇALVES, José. Porção Dobrada, CPAD 2012 pag103-108.

 

 

I - ELIAS, O MESSIAS E A TRANSFIGURAÇÃO

 

  1. Transfiguração.

 

TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS

 

Ver o artigo separado sobre Transformação Segundo a Imagem de Cristo.

 

  1. No grego, metamorphôomai, "transformar", "transfigurar". Esse vocábulo grego é usado por duas vezes acerca da transfiguração do Senhor Jesus (ver Mat 17:2 e Mar. 9:2), e por duas vezes acerca da transformação ocorrida nas vidas dos crentes, por meio das operações divinas (ver Rom. 12:2; 11 Cor. 3:18).

 

  1. A Transfiguração de Jesus no Novo Testamento. Todos os três evangelhos sinópticos relatam o evento da transfiguração de Jesus, no monte (ver Mal. 17:1-8; Mar. 9:2-8; Luc. 9:28-36). Mas Lucas não usa o verbo específico "transfigurar", mas apenas diz que a aparência do Senhor Jesus ficou "diferente". O apóstolo Pedro também se refere ao acontecido (ver 11 Ped. 1: 16-18). E as alusões feitas pelo apóstolo João, à glória de Jesus, talvez reflitam a ocorrência (ver João 1:14; 2: 11 e 17:24).

 

  1. O Lugar da Transfiguração. Há uma tradição que vem desde o século IV d.C., afirmando que o monte da transfiguração é o monte Tabor, da Galileia. No século VI d.C., nada menos de três templos cristãos haviam sido construídos naquele monte, provavelmente, em face dessa tradição. Mas, no século XIX, os eruditos mudaram de opinião, diante do fato de que o cume do monte Tabor, segundo descobriu-se, era ocupado por uma cidadela, na época da transfiguração de Jesus. Não há qualquer evidência de que o Senhor Jesus se afastou para longe da região de Cesaréia de Filipe. Apenas aprendemos em Marcos 9:30, que Ele e seus discípulos "passavam pela Galileia", algum tempo depois da transfiguração. A maioria dos eruditos atualmente acha que devemos pensar no monte Hennom, o único monte cujo pico é perenemente recoberto de gelo, o que poderia corresponder ao "alto monte" referido em Mal. 17:1. No entanto, um estudioso, W. Ewing(ver ISBE, voI. 5 pág. 3006) objeta que o monte da transfiguração deve ter sido na Judéia, onde havia escribas nas proximidades (ver Mar. 9:14). E ele sugere ali o Jebel Jennuque, a mais elevada montanha da própria Palestina, que dominava o norte da Galileia. Mas, ainda outros estudiosos têm procurado espiritualizar esse monte "alto", que Pedro chama de "santo". Todavia, esses estudiosos tendem por negar a historicidade do evento, ou então, a exatidão dos relatos dos evangelhos.

 

  1. O Tempo da Transfiguração. Parece que o tempo da transfiguração foi no começo do outono do ano anterior ao da crucificação. Mateus e Marcos afirmam que isso ocorreu seis dias após a confissão de Pedro. Lucas fala em "cerca de oito dias depois de proferidas estas palavras", o que talvez inclua os dias terminais, ou então, porque ele também incluiu um dia de subida no monte, e outro de descida. Mas outros comentadores, rejeitando as referências cronológicas, imaginam que a narrativa foi transferida de local, porquanto diria respeito, na realidade, a alguma aparência mítica ou real de Jesus, após a sua ressurreição. Na verdade, há certos pontos de semelhança entre o Cristo transfigurado e o Cristo glorificado; mas é uma temeridade pensar que os escritores sagrados inventaram uma transfiguração de Jesus. Não há qualquer necessidade de negar o fato da transfiguração, para aqueles que aceitam a descrição neotestamentária de Jesus como o Cristo divino, sobrenatural.

 

  1. Fontes de Informação Esta seção tem paralelos em Mar. 9:2-36, pelo que a sua fonte foi o proto marcos. Ver informação sobre as fontes informativas dos evangelhos na introdução ao comentário no artigo intitulado o Problema Sinôptioo e no artigo sobre Marcos, Evangelho de. Alguns intérpretes têm procurado lançar dúvidas sobre a historicidade deste acontecimento, por crerem que se deve à imaginação dos membros da Igreja primitiva, especialmente criada para ilustrar a divindade de Cristo, ou que histórias similares do Antigo Testamento, especialmente sobre o resplendor do rosto de Moisés, ao receber a lei, foram reescritas e aplicadas a Jesus, como se Ele fosse um novo Moisés. Não obstante, a verdade é que nada soa tão veraz em face daquilo que sabemos de Jesus e de suas experiências místicas, e as descrições que aqui são dadas são típicas dessas experiências.

 

  1. Natureza do Evento e Significados Uma aura de grande esplendor é frequentemente associada às experiências místicas, quer historiadas quer não, nas Escrituras. Mas o acontecimento aqui narrado ultrapassa a experiência comum, porquanto não envolveu somente a Jesus, mas também a Pedro, a Tiago e a João, os quais, diferentemente de Jesus, não estavam sujeitos a essas experiências. Foi uma experiência de origem divina, uma revelação dada aos apóstolos, sobre a glória do reino futuro que terá Jesus como seu rei. O Senhor Jesus foi visto em sua glória, o homem imortal exaltado, mas também participante na natureza divina (vs.2). Moisés, provavelmente, representou a autoridade judaica da lei. Elias representou certamente os profetas, e juntos foram vistos como representantes da autoridade básica da religião revelada aos judeus. Alguns intérpretes veem nesse acontecimento a existência de muitos símbolos, como o de Moisés, que representaria os que passaram pela experiência da morte e o de Elias, como a figura dos redimidos que serão arrebatados sem ver a morte; os apóstolos são vistos como representantes de Israel no reino futuro. Mas, devido ao fato de que o NT não indica tais lições, é precário exagerar os possíveis símbolos desse acontecimento. O vs. 5 é muito significativo, porque apresenta outro incidente da aprovação direta e divina à pessoa de Jesus e à sua missão.

 

Outros significados, que apesar de acidentais, também são importantes, têm sido apresentados, como os seguintes:

 

  1. Jesus, vendo claramente que já se aproximava a morte, necessitou de um consolo especial do Pai, da demonstração da aprovação divina em sua vida e obra. 2. Jesus precisou da demonstração do êxito final de sua obra; precisou da prova de que o reino, apesar de rejeitado pelo povo, seria uma realidade futura, de acordo com o elemento de tempo que o Pai determinasse. 3. Os apóstolos também necessitavam desse consolo, não só naquele instante em que estavam ligados a Jesus, mas também mais tarde, após a sua morte, ressurreição e ascensão. O trecho de II Ped. 1:16-18 ilustra o fato de que esse acontecimento insuflou grande segurança e confiança e, realmente, a lembrança da realidade desta experiência fortaleceu e conferiu maior autoridade à mensagem cristã. A experiência demonstrou, como poucas outras, a singularidade e a autoridade de Jesus, confirmando a sua identificação como o Messias prometido e afirmando a sua missão, não somente terrestre, mas também cósmica.

 

"Os investigadores recentes se têm preocupado mais com o significado, propósito e pano de fundo da narrativa do que com suas origens históricas, porquanto muito têm a dizer-nos acerca do primitivo pensamento cristão. Assim, Herald Riesenfeld traça todos os antigos motivos e alusões em sua obra Jesus Transfigured (Copenhagen: Ejnar Munksgaard, 1947), que contém uma bibliografia completa. Conforme Riesenfeld, a história é fundamentalmente "histórica", pois relata uma visão da entronização de Jesus como Messias e Sumo Sacerdote, que Pedro e outros puderam contemplar. G.H. Boobyer, "St. Mark and the Transfiguration Story", Journal of Theological Studies, XLI, 1940, págs. 119-140, nega que isso tenha qualquer vínculo com a ressurreição. A transfiguração, em vez disso, seria a prefiguração da "parousia", da segunda vinda gloriosa de Cristo, tal como se vê em II Ped. 1:13-18 e no Apocalipse de Pedro (Sherman Johnson, in loc.).

 

O vocábulo grego aqui traduzido por transfiguração, em português é realmente a palavra metamorfose, que significa "mudança de forma". "Morphe" é uma das palavras gregas que significam "forma". Paulo se utilizou do mesmo termo, em Rom. 12:2, ao falar da transformação do homem interior, isto é, a vida interior do crente. A palavra morphe também foi usada para indicar a "forma" do corpo de Jesus após a sua ressurreição (ver Mar. 16: 12). A passagem de II Cor. 3: 18 usa a palavra ao aludir à história do rosto refulgente de Moisés, mas aplica essa transformação a todos os crentes. Em Fil. 2:6, o termo grego morphe se refere ao estado de Jesus antes da encarnação, e também depois, já feito "homem". É evidente que esse vocábulo fala, usualmente, da natureza essencial de alguma coisa ou pessoa. Aqui, a Bíblia diz que "(Jesus) foi transfigurado". Pode ser que a transfiguração tenha envolvido realmente uma verdadeira alteração de natureza ou substância. De fato, esta fala da transformação do homem imortal, que tem vida em si mesmo, a vida não derivada, igual à vida de Deus, que o Pai conferiu a Jesus (como homem), e que Cristo dará aos seus verdadeiros discípulos. Ver as notas no NTI que tratam das implicações destas declarações, em João 5:26 e Rorn. 8:29. O termo "morphe" é usado em relação à essência da natureza, e às vezes em contraste com a palavra "skerna", que geralmente significa a forma externa, sujeita a alterações bruscas. Skema fala de formas acidentais; morphe pode falar da natureza essencial, ou de forma externa.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol.6, Editora HAGNOS. pag.477, 478.

 

A exaltação de Jesus, começando com a ressurreição ate a segunda vinda, e prefigurada na transfiguração, registrada em 17. 1-13; especialmente nos vercículos e 1-8. Essa transfiguração serviu ao duplo proposito de: a. preparar o Mediador para enfrentar com coragem sua amarga prova, lembrando-o do constante amor do Pai (17.5) e da gloria que se seguiria ao seu sofrimento (Hb 12.2); e b. confirmar a fé de Pedro, Tiago e Joao – e indiretamente de toda a igreja subsequentemente - na verdade que havia sido revelada a Simão Pedro e confessada por ele, como porta-voz dos Doze (Mt 16.16).

HENDRIKSEN William. Comentário do Novo Testamento Mateus Volume 2. Editora Cultura Cristã. pag.227, 228.

 

 

  1. Gloria divina.

 

A transfiguração revelou quatro aspectos da glória de Jesus Cristo o Rei. A glória de sua Pessoa. Tanto quanto sabemos pelos relatos bíblicos, essa foi a única vez que Jesus revelou sua glória de tal forma durante seu ministério aqui na Terra. A palavra traduzida por transfiguração dá origem a nosso termo "metamorfose", que significa uma mudança exterior provinda de uma transformação interior. Quando uma lagarta constrói um casulo e depois sai dedentro dele na forma de uma borboleta, deu-se um processo de metamorfose. A glória de nosso Senhor não refletiu algo exterior, mas sim, irradiou algo interior. Houve uma mudança exterior que veio de dentro de Jesus e fez com que sua glória essencial resplandecesse (Hb 1:3).

 

Por certo, esse acontecimento serviria para fortalecer a fé dos discípulos, especialmente de Pedro, o qual havia confessado pouco tempo antes que Jesus era o Filho de Deus. Sua confissão de fé não teria sido tão significativa se ele a tivesse feito depois da transfiguração. Pedro creu, confessou sua fé e recebeu confirmação (ver lo 11 :40; Hb 11 :6).

 

Muitos anos depois, João relembrou este acontecimento quando o Espírito o inspirou a escrever: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai" 001 :14). Em seu Evangelho, João enfatiza a divindade de Cristo e a glória de sua pessoa (Jo 2:11; 7:39; 11 :4; 12:23; 13:31, 32; 20:31).

 

Quando veio à Terra, Jesus Cristo deixou de lado sua glória (Jo 17:5). Por causa de sua obra consumada na cruz, recebeu de volta sua glória, que hoje compartilha conosco (Jo17: 22,24). No entanto, não precisamos esperar pelo céu para participar dessa "glória da transfiguração". Quando nos entregamos a Deus, ele "transfigura" nossa mente (Rm 12:1, 2). Ao nos sujeitarmos ao Espírito de Deus, ele nos transforma (transfigura) "de glória em glória" (2 Co 3: 18). Ao examinarmos a Palavra de Deus, vemos o Filho de Deus e somos transfigurados pelo Espírito de Deus na glória de Deus.

 

A glória de seu reino. No encerramento de seu sermão sobre tomar a cruz, Jesus prometeu que alguns de seus discípulos veriam "o Filho do Homem no seu reino" (Mt 16:28). Selecionou Pedro, Tiago e João para testemunhar esse acontecimento. Esses três amigos e sócios (Lc 5:10) haviam acompanhado Jesus à casa de Jairo (Lc 8:51) e, posteriormente, estariam com ele no jardim do Getsêmani, antes da crucificação (ver Mt 26:37).

 

  1. Campbell Morgan chama a atenção para o fato de que, nessas três ocasiões, o assunto principal foi a morte. Jesus estava ensinando a estes três homens que ele é vitorioso sobre a morte (ressuscitou a filha de Jairo) e se entregou à morte (no jardim). A transfiguração ensinou que ele foi glorificado na morte. A presença de Moisés e de Elias foi significativa, pois Moisés representava a lei e Elias os Profetas. Toda a lei e os Profetas apontam para Cristo e se cumprem em Cristo (Lc 24:27; Hb 1:1). Nenhuma palavra do Antigo Testamento deixará de ser cumprida. O reino prometido será estabelecido (lc 1:32, 33, 68-77). Assim como esses três discípulos viram Jesus glorificado na Terra, também o povo de Deus o veria em seu reino glorioso na Terra (Ap 19:11 - 20:6). Pedro aprendeu essa lição e nunca mais a esqueceu. "Nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade [...] Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética" (ver 2 Pe 1:12ss). A experiência de Pedro no monte apenas fortaleceu sua fé nas profecias do Antigo Testamento. O mais importante não é testemunhar grandes feitos e prodígios, mas ouvir a Palavra de Deus. "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi" (Mt 17:5). Todos os que são nascidos de novo pertencem ao reino de Deus 00 3:3-5). Trata-se de um reino espiritual, separado das coisas materiais deste mundo (Rm 14:17). Mas um dia, quando Jesus voltar, haverá um reino glorioso por mil anos (Ap 20: 1-7), com Jesus Cristo governando como Rei. Os que crerem nele reinarão com ele na Terra (Ap 5:10).

 

A glória de sua cruz. Os discípulos precisavam aprender que o sofrimento e a glória andam juntos. Pedro não queria que Jesus fosse a Jerusalém para morrer, de modo que Jesus teve de ensinar-lhe que, sem seu sofrimento e morte, não haveria glória. Sem dúvida, Pedro aprendeu a lição, pois em sua primeira epístola enfatiza repetidamente o sofrimento e a glória (1 Pe 1:6-8,11; 4:12 5: 11 ). Moisés e Elias conversaram com Jesus Seu sofrimento e morte não seriam um acidente, mas uma conquista. Pedro usa a palavra partida ao descrever sua morte iminente (2 Pe 1:15). Para o cristão, a morte não é uma estrada de mão única para o esquecimento. Antes, é uma partida, um êxodo, a libertação da escravidão desta vida para a gloriosa liberdade da vida no céu. Pelo fato de Cristo ter morrido e pago o preço, pudemos ser redimidos: comprados e libertados. Os dois discípulos de Emaús esperavam que Jesus libertasse a nação da escravidão romana (Lc 24:21). Jesus não morreu para oferecer liberdade política, mas sim para conceder liberdade espiritual: fomos libertos do sistema do mundo (Gil :4), de uma vida fútil e sem propósito (1 Pe 1:18) e da iniquidade (Tt 2:14). Nossa redenção em Cristo é decisiva e definitiva.

 

A glória de sua submissão. Pedro não conseguia entender por que o Filho de Deus se sujeitaria a homens perversos e sofreria voluntariamente. Deus usou a transfiguração para ensinar a Pedro que Jesus é glorificado quando negamos a nós mesmos, tomamos nossa cruz e o seguimos. A filosofia do mundo é: "salve sua vida!", mas a filosofia cristã é: "entregue sua vida a Deus!" Ao se colocar diante deles em glória, Jesus provou aos três discípulos que a entrega sempre conduz à glória. Primeiro o sofrimento, depois a glória; primeiro a cruz, depois a coroa. Cada um dos três discípulos viveria essa importante verdade. Tiago seria o primeiro dos discípulos a morrer (At 12:1, 2). João seria o último, mas enfrentaria perseguições intensas na ilha de Patmos (Ap 1:9). Pedro passaria por muitas aflições e, no final, daria sua vida por Cristo 00 21 :15-19; 2 Pe 1:12). Pedro opôs-se à cruz quando Jesus mencionou sua morte pela primeira vez (Mt 16:22ss). No jardim, usou sua espada para defender o Mestre 00 18:10). Até mesmo no monte da transfiguração, Pedro tentou dizer a Jesus o que fazer, pois queria construir ali três tendas, uma para Jesus, outra para Moisés e outra para Elias, para que todos permanecessem ali e desfrutassem a glória! Mas o Pai interrompeu a Pedro e deu permite que seu Filho amado seja colocado no mesmo nível que Moisés e Elias. A ninguém [...] senão Jesus", esse é o padrão de Deus (Mt 17:8). Enquanto descia o monte com seus três discípulos, Jesus advertiu-os a não revelar o que haviam visto, nem mesmo aos outros discípulos. Mas os três homens ainda estavam perplexos. Haviam aprendido que Elias viria primeiro em preparação para a fundação do reino. A presença de Elias no monte seria o cumprimento dessa profecia? (MI 4:5, 6).

 

Jesus responde a essa pergunta de duas maneiras. Sim, Elias viria conforme profetizado em Malaquias 4:5, 6, mas, em termos espirituais, Elias já havia vindo na pessoa de João Batista (ver Mt 11:10-15; Lc 1:17). A nação permitiu que João fosse executado e pediria que Jesus fosse morto. Apesar de tudo o que os líderes perversos fariam, Deus realizaria seu plano. Quando se dará a vinda de Elias para restaurar todas as coisas? Alguns acreditam que Elias virá como uma das "duas testemunhas", cujo ministério é descrito em Apocalipse 11. Outros acreditam que a profecia foi cumprida no ministério de João Batista e, dessa forma, Elias não virá outra vez.

WARREN. W. Wiersbe. Comentário Bíblico Expositivo. Novo Testamento Volume I.EDITORA Central Gospel. pag.78-80.ESTUDALICAOEBD.BLOGSPOT.COM /WWW.MAURICIOBERWALD.COMUNIDADES.NET