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Escatologia os grandes impérios mundais
Escatologia os grandes impérios mundais

  Escatologia os impérios mundiais (1)

      OS IMPÉRIOS MUNDIAIS DANIEL 7 (1) 

      E O REINO DO MESSIAS 

   Professor Mauricio Berwald

 

A partir deste capítulo, o sete, iniciaremos outro gênero de narrações sobre o profeta Daniel e os seus amigos. Até o capítulo seis o gênero predominante no livro é classificado como história. Mas a partir do capítulo sete, o gênero que passa a dominar a obra é o das visões de Daniel. Uma série de visões dadas por Deus ao profeta é revelada a respeito do futuro do mundo e do Reino de Deus.

Considere também que os muitos interpretes de Daniel tendem a colocar a profecia do capítulo 7 e 8 como uma continuação do capítulo 2. Lembra do que trata este capítulo? Os impérios são representados por uma grande estátua com cabeça de ouro; peito e braços de prata; ventre e quadris de bronze; pés de ferro e de barro. Entretanto, a estátua é derrubada por uma pedra. Esta pedra é o Reino de Deus destruindo toda a concepção humana de imperialismo.

 

Além do primeiro, do segundo e do terceiro, o quarto animal traz algo bastante específico: "dez chifres" e um "chifre pequeno". Quando o professor explicar estes elementos considere que ao longo dos anos muitas especulações foram feitas a respeito dessas duas figuras. Não vá além do que menciona o texto bíblico.

No passado, muitos crentes sinceros consideraram Hitler o pequeno chifre, isto é, o Anticristo. Outros consideraram Stalin o líder mundial. Alguns disseram que o Comunismo iria gerar o Anticristo. Outros ainda compreenderam que o papa João Paulo II era o Anticristo. A história provou que todas estas especulações não se sustentaram. Não sabemos a respeito do Anticristo porque simplesmente a sua identidade não foi ainda declarada. Ao que parece, nem saberemos. Não seremos arrebatados antes? Revista Ensinador Cristão. Editora CPAD. pag. 40.

 

 

                                       COMENTÁRIO INTRODUÇÃO

 

Os estudiosos do livro de Daniel dividem o livro em duas partes, histórica e profética. Os capítulos 1 a 6 o identificam como históricos, mesmo contendo uma parte profética no capítulo 2. Os capítulos 7 a 12 são tratados como sendo proféticos. É interessante notar que os acontecimentos dos capítulos 7 e 8 antecedem os descritos nos capítulos 5 e 6. Se no capítulo 6, Daniel já passava dos 80 anos de idade, no capítulo 7, ele tinha aproximadamente uns 70 anos. Quando Daniel organizou o seu livro tratando das interpretações dos sonhos nos capítulos 2 e 6 e as visões que ele recebeu de Deus as separou da parte histórica.

No capítulo 7 inicia-se, essencialmente, a parte profética do livro de Daniel, o verdadeiro Apocalipse do Antigo Testamento.

 

 Esse capítulo 7 com a sua visão dos impérios mundiais é paralelo com o capítulo 2 que tem o sonho de Nabucodonosor. O capítulo 2 apresenta quatro impérios representados por quatro figuras do mundo material. A visão do capítulo 2 foi dada a um rei pagão, o rei Nabucodonosor e a visão do capítulo 7 foi dada a um servo de Deus, o príncipe Daniel. A Nabucodonosor a visão revela o lado político e material dos impérios, representados na figura da grande Estátua. A Daniel Deus revelou o lado moral e espiritual desses impérios representados pelas figuras dos quatro animais. Os fatos são os mesmos, mas o objetivo das duas visões difere nas finalidades. Deus mostra a decadência desses impérios e o surgimento do reino eterno do Messias.

Igualmente, os acontecimentos preditos e proféticos nos capítulos 7 a 12 se darão em sequência cronológica. As duas primeiras visões dos capítulos 7 e 8 se deram antes da festa de Belsazar, descrita no capítulo 5. Porém, a visão do capítulo 9 precedeu à experiência de Daniel na cova dos leões no capítulo 6. Já, a quarta visão de Daniel (cap.10 a 12) se deu no “ano terceiro de Ciro,rei da Pérsia”(Dn 10.1).Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 97-98.

 

Os seis capítulos anteriores desse livro eram históricos. 

 

Ingressamos agora com temor e tremor nos seis posteriores, que são proféticos, e onde existem muitas coisas misteriosas e difíceis de serem entendidas, das quais certamente não ousamos determinar o sentido, e ainda muitas coisas claras e proveitosas, das quais eu creio que Deus nos permitirá fazer um bom uso. Nesse capítulo, temos: I. Avisão de Daniel dos quatro animais (1-8). II. Sua visão do trono de domínio e juízo de Deus (9-14). III. A explicação dessas visões, que lhe foram dadas por um anjo que estava presente (15-28). E difícil dizer se essas visões procuram antecipar o fim dos tempos, ou se elas deveriam ter um rápido cumprimento. Nem mesmo os intérpretes mais criteriosos estão completamente de acordo neste ponto.HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 868.

Este capítulo inicia a segunda parte do livro de Daniel. Nos capítulos 1 a 6 vimos a parte histórica do livro; agora, nos capítulos 7 a 12, veremos a parte profética.O livro de Daniel é chamado de “O Apocalipse do Antigo Testamento”. Ele trata da saga dos reinos do mundo e da vitória triunfal do Reino de Cristo. É um livro escatológico e apocalíptico.

 

Edward Young diz que o capítulo 7 de Daniel trata do mesmo assunto que foi tratado no capítulo 2. Ele afirma que esses dois capítulos são paralelos. José Grau sugere que para um claro entendimento, esses dois capítulos devem ser lidos conjuntamente. Evis Carballosa corretamente afirma que o capítulo 2 apresenta um panorama na perspectiva do homem, enquanto o capítulo 7 apresenta uma perspectiva divina do mesmo tema. Como a revelação divina é progressiva, o capítulo 7 acrescenta detalhes importantes à revelação dada no capítulo 2.

 

O capítulo 7 está dividido em duas grandes partes: os versículos 1 a 14 retratam o sonho de Daniel; os versículos 15 a 28, a interpretação do sonho. Daniel 7 trata do desenrolar da história humana até o fim do mundo. Se olharmos apenas para os reinos deste mundo somos o povo menos favorecido da terra, mas se olharmos para o trono de Deus somos o povo mais feliz da terra. Os impérios do mundo surgem, prosperam e desaparecem, mas o Reino de Cristo permanece para sempre.LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 89-90.

Esta visão, na realidade, foi um sonho espiritual, e, quanto ao título, difere das visões que se seguem nos capítulos 8-12. Novamente encontramos os quatro impérios, paralelos às quatro partes da imagem do sonho de Nabucodonosor (capítulo 2).

 

Os quatro im périos são sim bolizados pelos quatro anim ais que correspondem aos quatro diferentes metais da visão do capítulo 2. Aqui também achamos uma escala descendente de valor e poder, descendo do leão, passando pelo urso e pelo leopardo, e chegando finalmente a um animal não chamado pelo nome, os quais correspondem ao ouro, à prata, ao bronze e ao ferro da visão anterior. Em ambas as visões, o reino de Deus (que é eterno) vem depois dos reinos terrenos. Há aí um toque escatológico que nos leva à era do reino milenar de Deus. Atenção especial é dada ao pequeno chifre, o último rei do quarto império, o qual é variegadamente identificado. Se os santos do Senhor serão especialmente perseguidos por ele, as páginas do livro da história o encerrarão, ao passo que o Reino de Deus prosseguirá infinitamente depois do milênio. Este capítulo divide-se naturalmente em três partes: vs. 1; vss. 2-7 e vs. 28. Também há certo número de claras subdivisões.CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3401.

 

I – A VISÃO DOS QUATROS ANIMAIS (Dn 7.1-8)

  1. A visão.

 

Daniel, em sua visão, viu “os quatro ventos do céu agitavam o Mar Grande” (7.2) que simbolizam os poderes celestiais movimentando o mundo nos quatro pontos cardeais. São ventos que representam as grandes comoções políticas, os conflitos bélicos e sociais nas nações do mundo.

“margrande”(v. 2) e “subiam do mar”(v. 3). O “Mar Grande” tem sido interpretado de dois modos: Alguns estudiosos veem o “mar grande” como sendo a humanidade; outros veem o “Mar Grande” como sendo o Mar Mediterrâneo, pelo fato, de que os quatro impérios da visão surgem junto ao Mediterrâneo. Por outro lado, “o mar”, nas profecias escatológicas da Bíblia é interpretado, também, como sendo “as nações gentílicas” (Is 17.12,13). Minha opinião particular, fruto das avaliações que fiz do texto é de que “o Mar Grande” é o Mediterrâneo. O versículo 3 diz que “subiam do mar” e isto indica que se trata das nações adjacentes ao Mediterrâneo. Uma das razões é que, o último império do capítulo 2 e 7, é o Império Romano, cujas dimensões alcançavam as nações gentílicas adjacentes a Roma.

Os quatro animais como já dissemos estão ligados com o Mar Mediterrâneo. O uso simbólico e profético do “mar” revela as turbulências e inquietações promovidas pelas lideranças desses personagens dos quatro impérios. Esses animais são diferentes uns dos outros e possuem caraterísticas que revelam a brutalidade daqueles dias de forma irracional porque as ações desses animais ultrapassarão o nível da racionalidade. Era o retrato que Deus dava desses impérios nas figuras animalescas do texto para revelar o surgimento deles ao longo da vida de Israel e do mundo, bem como, destacar o último grande império mundial sob a égide de Satanás, representado pelo Anticristo.

“o primeiro era como leão e tinha asas de águia” (7.4.). O leão, do mundo animal, o rei dos animais, simboliza a Babilônia, profetizado, também, pelo Profeta Jeremias (Jr 4.6,7). Comparando as visões do capítulo 2, a “cabeça de ouro”(Dn 2.32,37,38) é a “Babilônia” representada no capítulo 7 pelo “leão com asas de águia” (Dn 7.4), percebemos o paralelo entre os dois capítulos. Deus se utiliza de figuras do conhecimento cultural do homem para revelar verdades morais e espirituais, por isso, na visão de Daniel Deus usou figuras do mundo animal. No reino animal, o leão é o predador maior, portanto o rei. Aqui no capítulo 7 o leão representa o Império Babilónico e as “asas de águia” fala da conquista em extensão desse império que foi o maior do mundo naquela época. Na natureza, na fauna animal, o leão e a águia são os animais nobres.

 O leão é símbolo do rei dos animais terrestres e a águia é identifica como a rainha das aves do céu. Os dois, o leão e a águia representam a Babilônia pela ostentação de domínio e riqueza que tinha em relação ao mundo de então. O leão lembra a bravura, a violência e a força bruta sobre suas presas. Foi o que Nabucodonosor fez com as nações que subjugou sob seu domínio. A águia lembra a rapidez e a voracidade. Portanto, o domínio da Babilônia aconteceu entre os anos 605-539 a.C. Na visão, Daniel viu que o fim chegou para a Babilônia quando lhe “foram arrancadas as asas” (7.4) e isto lembra o fato quando Nabucodonosor que ficou demente, agindo como animal do campo, porque não soube reconhecer a soberania divina. Ora, uma águia sem asas significa um poder desfeito, sem capacidade de voar. Depois de “arrancadas as asas”, diz o texto que o mesmo “foi posto em dois pés como homem”, e na sua recuperação voltou à racionalidade e passou a agir como homem normal. Com esta experiência, Nabucodonosor teve que reconhecer a soberania divina e lhe dar a glória que só pertence a Deus (Dn 4.24,25,32,33,36,37).

 

O segundo grande animal da visão é UM URSO (7.5). 

 

O urso, pela sua força e voracidade é quase tão formidável quanto o leão. E um animal pesado que tem um apetite voraz, carnívoro e que estraçalha suas presas sem dificuldade. E um animal que age com ataques súbitos e inesperados. Na interpretação de Daniel, esse “urso” representa o segundo império que sucedeu ao babilónico que foi o “império medo-persa” (Dn 2.39). Um detalhe interessante é que o texto diz: “o qual se levantou de um lado” (v. 5). Em outras versões, a compreensão se amplia com a forma como está escrito, quando diz: “com uma das patas levantada, pronto para atacar”, conforme está na Bíblia Viva. Subentende-se que o urso não está dormindo, mas está pronto para atacar e foi o que fez, unindo a Média e a Pérsia, num ataque violento contra os exércitos de Nabonido. Na visão, o urso tinha “três costelas entre os dentes” que podem representar o domínio sobre três pequenas nações conquistadas por Ciro e por Dario. O Império Medo-persa foi formado com a união das duas nações: a Média e a Pérsia. No capítulo 2, o peito e os braços da colossal estátua simbolizavam o império que sucedeu ao Babilónico, que é o medo-persa. Os dois braços simbolizavam a Média e a Pérsia que se aliaram para atacar a Babilônia e formar um governo só. Em relação a visão de Daniel, “o grande urso” se levantou de um lado, ou seja, se levantou para atacar com voracidade e foi o que fez.

 

Diz mais o texto que o tinha “três costelas entre os dentes” (v. 5). 

 

Os estudiosos escatológicos discutem sobre “as três costelas” entre os dentes do grande urso, que podiam representar três outras nações que foram conquistadas por esse império. A maioria desses estudiosos entende que se tratava da Babilônia, da Lídia, na Ásia Menor e do Egito. Essas nações fizeram uma coligação para suplantar as ameaças de dois reis, Dario e Ciro. Essas três nações (Babilônia, Lídia e Egito) não conseguiram reagir porque “o urso” atacou com força voraz e muita violência e os desfez. As “costelas entre os dentes” era o resultado de outra ordem divina para o ataque do Urso, quando diz: ”Levanta-te, devora muita carne”. Segundo a história e as profecias bíblicas, especialmente, de Isaías, Ciro da Pérsia foi usado por Deus e é chamado o seu “ungido” para desfazer a força da Babilônia (Is 44.28; 45.5). Deus usou um rei pagão para fazer o que ele estabeleceu em sua soberana vontade para punir aquelas nações e para restaurar o seu povo em Jerusalém. Porém, na presciência divina, haveria um tempo para os sucessos do Império Medo-persa e esse tempo chegaria com o surgimento de outro animal: um leopardo.

 

O terceiro grande animal da visão é um LEOPARDO COM QUATRO ASAS (7.6). 

 

A primeira frase que aparece na sequência da visão depois do segundo animal, o urso, foi a seguinte: “Depois disso, eu continuei olhando”. Essa frase dá a entender que os animais apareceram na visão em sequência. Não apareceram todos ao mesmo tempo, mas um depois do outro, porque Deus queria facilitar a compreensão do seu servo Daniel em todos os detalhes da visão. O terceiro animal, portanto, era um leopardo, ou semelhante a um leopardo. A caraterística principal desse animal era a sua agilidade, a sua rapidez. Acima de tudo, esse leopardo não era semelhante aos leopardos comuns porque ele tinha “quatro asas nas costas” e tinha, também, “quatro cabeças”. Deus toma a figura desse animal extraordinário, porque não havia no mundo animal nenhum semelhante. Esse leopardo era uma representação da Grécia, que, com estupenda velocidade e crueldade conquistou o mundo de então que estava sob o domínio medo-persa. 

 

O leopardo comum, além de ser carnívoro, é capaz de ataques súbitos e inesperados. Esse ágil e forte leopardo representa, sem dúvida, ao reino grego sob a força militar de Alexandre em 331 a.C. Como figura mítica, esse leopardo tinha quatro asas de ave e quatro cabeças. As asas indicam o império depois da morte de Alexandre (323 a.C.). O Império Grego, no capítulo 2 é representado no sonho da Estátua de Nabucodonosor representado pelo “ventre e as coxas de cobre” (Dn 2.32). No capítulo 7, Daniel vê o leopardo alado e com quatro cabeças como o Império Grego que veio com Alexandre, o Grande, da Macedônia. Em dez anos, Alexandre com enorme rapidez dominou o Império Medo-persa em 334 a.C., e expandiu o seu domínio na Europa e na índia. Ele tinha uma obsessão em conquistar outros territórios, e o fez com quatro principais generais de guerra.

 

O texto diz que “foi-lhe dado o domínio” 

 

(v. 6) e, de fato, rapidamente Alexandre conquistou as nações ao redor e a influência do seu domínio, especialmente, na cultura, foi capaz de tornar-se referencial cultural para o mundo inteiro até os tempos modernos. Porém, em 323 a.C., Alexandre teve uma morte súbita e o seu reino foi dividido por seus quatro generais. A Cassandro, foi-lhe dado a Macedônia e a Grécia; a Ptolomeu I, a Palestina e o Egito; a Selêuco I, foi-lhe dado a Síria e a Lisímaco, foi-lhe dado a Asia Menor e Trácia.

 

Na linguagem bíblica, a figura da “cabeça” simboliza governo (Is 7.8,9; Ap 13.3,12) e “as quatro cabeças” do leopardo representam os quatro generais que repartiram entre si o império depois da morte de Alexandre, o Grande. O leopardo, como um todo, diz o texto no versículo 6 que “foi lhe dado o domínio”. Naturalmente, entende-se, antes de tudo, que Deus tem o cetro de governo do universo e deu ao rei grego o poder de dominar por um pequeno período de tempo. No projeto divino prevalece a sua soberania que domina sobre as nações do mundo. Esses quatro generais se tornaram reis nas regiões designadas e se destacaram pela mesma ambição de glória e de poder como seu líder e desenvolveram conflitos entre si e lutaram entre si. Segundo outra visão que Daniel teve acerca desse mesmo império no capítulo 11.4: “o seu reino será quebrado, e repartido para os quatro ventos do céu, mas não para a sua posteridade”. Mais uma vez, ninguém rouba o cetro de governo de Deus. O Império Grego também passou e foi superado por outro mais forte e violento, o Império Romano. O leopardo audaz foi abatido pelo “animal terrível e espantoso” (Dn7.7).Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 99-103.

 

A data desse capítulo o coloca antes do capítulo 5, que ocorreu no último ano de Belsazar, e do capítulo 4, que aconteceu no primeiro ano de Dario. Pois Daniel teve aquelas visões no primeiro ano de Belsazar, quando o cativeiro dos judeus na Babilônia estava concluindo um ciclo. O nome de Belsazar é aqui, no original, soletrado diferentemente do que costumava ser. Antes ele era Bel-sa-zar - Bei é aquele que acumula riquezas. Mas este é Bel-eshe-zar neste nome, Bei significa aquele que arde em chamas ateadas pelo inimigo. Bei era o deus dos caldeus. Aquele governante havia prosperado, mas estava então prestes a ser destruído. Nós temos, nesses versículos, a visão de Daniel das quatro monarquias que foram opressivas aos judeus. Observe:

 

I - As circunstâncias dessa visão.

 

Daniel havia interpretado o sonho de Nabucodonosor, e agora ele mesmo é honrado com revelações divinas semelhantes (v. 1): Ele teve visões da sua cabeça em sua cama, quando estava dormindo. Assim Deus às vezes revelava aos filhos dos homens tanto a si mesmo como também os seus pensamentos. Sim, quando caía um sono profundo sobre eles (Jó 33.15). Pois quando estamos mais isolados do mundo, e afastados das coisas dos sentidos, estamos mais aptos para a comunhão com Deus. Mas quando estava acordado, ele escreveu o sonho para seu próprio proveito, para que não o esquecesse como um sonho que se desvanece. E ele contou o resumo dos assuntos para os seus irmãos judeus, para o proveito deles, e lhes entregou por escrito, para que pudesse ser comunicado àqueles que estavam longe, e fosse preservado para seus filhos que viriam depois, que veriam essas coisas se cumprirem. 

 

Os judeus, interpretando mal algumas das profecias de Jeremias e Ezequiel, se animaram com esperanças de que, depois de seu retorno para a sua própria terra, desfrutariam uma tranqüilidade total e ininterrupta. Mas, para que não se iludissem dessa forma, e súas desventuras se tornassem duplamente dolorosas pelo desapontamento, Deus faz com que saibam através desse profeta que terão tribulações: as promessas de sua prosperidade deveriam ser cumpridas nas bênçãos espirituais do reino da graça. Cristo diz aos seus discípulos que eles devem esperar perseguições, e as promessas nas quais confiam serão cumpridas nas bênçãos eternas do reino da glória. Daniel tanto escreveu essas coisas como as disse, para indicar que a igreja deveria ser ensinada tanto através da Escritura quanto pela pregação dos ministros. Pela palavra escrita e verbalmente. E os ministros, em suas pregações, devem divulgar os pontos principais dos assuntos que estão escritos.

 

II - A própria visão, que prediz as evoluções dos governos naquelas nações, sob cuja influência estaria a congregação dos judeus nas eras seguintes. mencionou os quatro ventos combatendo no mar grande (v. 2). Eles lutavam para definir quem sopraria com mais força e, no longo prazo, quem sopraria sozinho. Isso representa as contendas entre os príncipes pelo império, e as agitações das nações por causa dessas disputas, às quais essas poderosas monarquias (das quais ele devia agora ter um panorama) deviam a sua ascensão. Se um vento de qualquer direção soprar forte, causará uma grande agitação no mar. Mas que tumulto deve necessariamente se instaurai- quando os quatro ventos lutam pelo comando! Este é o ponto importante devido ao qual os reis das nações estão lutando em suas guerras, que são tão turbulentas e violentas quanto a batalha dos ventos. Mas como é o mar sacudido, e agitado, quão terríveis são as suas concussões, e quão violentas são as suas convulsões, enquanto os ventos estão em luta para decidir qual deles terá o poder exclusivo de atormentá-lo! Note que este mundo é como um mar violento e tempestuoso, graças aos ventos orgulhosos e ambiciosos que o atormentam. 2. Ele viu quatro grandes animais surgirem do mar, das águas agitadas, nas quais as mentes ambiciosas adoram pescai’. Os monarcas e as monarquias são representados por animais, porque muito frequentemente é pelo furor selvagem e pela tirania que são engrandecidos e mantidos. Esses animais eram diferentes uns dos outros (v. 3), de tamanhos diferentes, para denotar as diferentes índoles e o aspecto geral das nações em cujas mãos eles estavam alojados. 

 

(1) O primeiro animal era como um leão (v. 4). Esse representava a monarquia cal- déia que era forte e feroz, e tornava os reis absolutos. Esse leão tinha asas de águia, com as quais voava sobre a presa, simbolizando a extraordinária rapidez com que Nabucodonosor realizou a conquista de muitos reinos. Mas Daniel logo vê as asas arrancadas, um ponto final colocado à carreira dos seus exércitos vitoriosos. Diversas nações que haviam sido suas tributárias se revoltam e avançam contra ele. De modo que esse monstruoso animal, esse leão alado, é obrigado a ficar de pé como um homem, e um coração de homem lhe é dado. Ele perdeu o coração de leão, devido ao qual havia se tornado célebre (um dos nossos reis ingleses foi chamado de Coeur de Lion - Coração de Leão), perdeu a sua coragem e se tornou fraco e medroso, temendo tudo, não ousando fazer mais nada. Eles foram atemorizados, e lhes foi feito saber que eram apenas homens. Algumas vezes a coragem de uma nação estranhamente se deteriora, e ela se torna covarde e fraca, de maneira que aquela que era a cabeça das nações em uma ou duas gerações se torna a cauda delas. 

 

(2) O segundo animal era semelhante a um urso (v. 5). Este simbolizava a monarquia persa, menos poderosa e generosa do que a anterior, mas não menos voraz. Esse urso se levantou de um lado contra o leão, e logo o dominou. Ele levantou um império. Assim alguns o interpretam. A Pérsia e a Média, que na estátua de Nabucodonosor eram os dois braços ligados a um peito, agora estabeleceram um governo conjunto. Esse urso tinha em sua boca três costelas entre os dentes, os restos das nações que ele havia devorado, que eram o símbolo de sua voracidade, e ainda um indício de que embora ele tivesse devorado muito, não poderia devorar tudo. Algumas costelas, que não pôde conquistar, ficaram grudadas em seus dentes. Como conseqüência disso, foi-lhe dito: “Levanta-te, devora muita carne”. Deixa em paz os ossos, as costelas, pois estes não podem ser subjugados. Assim, ataque aquela que será uma presa mais fácil. Os príncipes encorajarão tanto os reis quanto o povo a prosseguir em suas conquistas, e a não permitir que nada se oponha a eles. Note que as conquistas, realizadas injustamente, são apenas como aquelas de animais que caçam, e nesse aspecto são muito piores, pois os animais não caçam os de sua própria espécie, como fazem os homens maus e irracionais. 

 

(3) O terceiro animal era semelhante a um leopardo (v. 6). Este representava a monarquia grega fundada por Alexandre, o Grande, que era ágil, astucioso, e cruel como um leopardo. Ele tinha quatro asas como as de uma ave. O leão parece ter tido apenas duas asas. Mas o leopardo tinha quatro, pois embora Nabucodonosor fosse rápido em suas conquistas, Alexandre foi muito mais. Em um período de seis anos ele conquistou todo o império da Pérsia, uma grande parte fora da Ásia, tornou-se senhor da Síria, Egito, índia, e outras nações. Esse animal tinha quatro cabeças. Na morte de Alexandre suas conquistas foram divididas entre seus quatro chefes militares. Seleuco Nicanor ficou com a Ásia Maior. Perdicas, e depois dele Antígono, ficou com a Ásia Menor. Cassandro ficou com a Macedônia. E Ptolemeu com o Egito. O domínio foi dado a esse animal. Foi dado por Deus, o Único de quem vem a promoção.

 

 

(4) O quarto animal era mais feroz, terrível e nocivo do que qualquer um deles, diferente de todos os outros. Não há nenhuma entre as feras com a qual ele possa ser comparado (v. 7). Os eruditos não estão de acordo a respeito desse animal desconhecido. Alguns entendem que seja o império romano, que, quando se encontrava em sua glória, abrangia dez reinos: Itália, França, Espanha, Alemanha, Britânia, Sarmatia, Pannonia, Ásia, Grécia e Egito. E então a pequena ponta que ascendeu através da queda de três das outras pontas (v. 8) entendem ser o império turco, que ascendeu no lugar da Ásia, Grécia e Egito. Outros entendem ser este quarto animal o reino da Síria, a família dos selêucidas, que era muito cruel e opressora para com a nação dos judeus, como encontramos em Josefo e na história dos macabeus.

E nisso esse império era diferente daqueles que vieram antes, pois nenhum dos poderes precedentes forçou os judeus a renunciarem à sua religião, mas os reis da Síria o fizeram, e aproveitaram-se deles barbaramente. Seus exércitos e comandantes eram os grandes dentes de ferro com os quais devoraram e fizeram em pedaços o povo de Deus, e eles pisotearam seus restos. Supõe-se, então, que as dez pontas sejam os dez reis que reinaram sucessivamente na Síria. Portanto, a ponta pequena é Antíoco Epifânio, o último dos dez, que de uma forma ou de outra debilitou gradativamente três dos reis, e conquistou o governo. Ele era um homem de grande engenhosidade, e então foi dito que tinha olhos iguais aos de um homem. Ele era muito destemido e ousado, e tinha uma boca que falava grandiosamente. Nós o encontraremos novamente nessas profecias.HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 868-869.

fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

 

Postado por mauricio berwald

 

 

 

Escatologia os impérios mundiais (2)

 

 

                  OS IMPÉRIOS MUNDIAIS DANIEL 7 (2)

 

                                  E O REINO DO MESSIAS

 

 

 

                                 Professor Mauricio Berwald

 

Dn 7.4: “O primeiro era como leão”. Todos os estudiosos das profecias de Daniel concordam nesta passagem, com o mesmo simbolismo. O leão é Babilônia, compreendendo seu rei. (Ver Jr 4.7; 49.19; Hc 1.8). Podemos observar que, nas próprias composições que são empregadas para representar este reino, diz-se que seus sucessores cresceriam naquele reino sempre apontando para baixo (Dn 2.39, 40). Três composições nas visões de Daniel, que representam Babilônia e o monarca, formam um simbolismo evidentemente perfeito: 

1) A cabeça de ouro. 2) O leão. 3) A águia. A cabeça é a parte mais nobre do corpo humano e, sendo de ouro, é mais evidente. O leão e a águia são dois animais nobres da fauna: o primeiro, como o rei dos animais terrestres, e a águia, como a rainha das aves do céu. Esse simbolismo sempre representou Babilônia, em várias conexões das Escrituras Sagradas. O leão, majestoso, corajoso, representa perfeitamente essa grande cidade. Babilônia, de fato, era representada em seu escudo por um leão com asas de águia. A águia é outro animal majestoso, a rainha das alturas, como o leão o é das planuras.

 O leão representa a brutalidade, a força e a violência. E fera de mandíbula trituradora. Na simbologia profética das Escrituras Sagradas, é o Império Babilónico “um destruidor de nações” (Jr 4.7). A águia, por sua vez, metaforiza a rapidez e a voracidade. Esse Império é considerado nas Escrituras como “u- ma nação feroz” que voa como a águia (Dt 28.49-50; Mq 1.6-8). “E tinha asas de águia”. Na simbologia profética, isso bem pode, como em outras partes das Escrituras, simbolizar Nabonido e Belsazar.

 

“E foi levantado da terra”. A presente passagem, descreve em resumo, a humilhação, a doença, a exaltação do poderoso monarca Babilónico, o rei Nabucodonosor. No capítulo quatro deste livro, Deus o feriu de licantropia. O doutor Montagu G. Barker, a descreve também como segue: “Licantropia”, uma condição freqüentemente mencionada em tempos antigos. Muitas vezes ligada à hidrofo- bia, em que parecia que as pessoas afetadas imitavam cães e lobos. Nabucodonosor, uma vez ferido por Deus desta doença, foi colocado junto com os animais do campo (Dn 4.33), onde passou “sete tempos”. Sete tempos (“sete anos”). 

 

A palavra “iddãnin” não denota especificamente “anos”, mas pode significar “estações”. E a mesma palavra traduzida por “tempo” em 2.8 e “momento” em 3.8, do livro em foco. A sua situação é indefinida, mas, no conceito geral, isso significa mesmo “sete anos” (Dn 7.25; 12.7; Ap 12.14. Um tempo nessas passagens significa um ano).

 

“E posto em pé como um homem”. O texto em foco descreve, em resumo, o estado normal e o restabelecimento do rei Nabucodonosor, e, com certeza, também o seu restabelecimento no posto e trono, como ele mesmo descreve: “Mas ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o meu entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei... no mesmo tempo me tornou a vir o meu entendimento, e, para a dignidade do meu reino, tornou a vir a minha majestade e o meu resplendor” (cap. 4.34-36).

 

“E foi-lhe dado um coração de homem”.

 

 O coração deste monarca estava muito endurecido no início do reinado; era realmente “um coração de leão” (Jr 4.7). Ele tornou-se um Faraó. Faraó foi um monarca, também de coração endurecido. Dez vezes lemos que ele endureceu seu coração e dez vezes lemos, também, que Deus o endureceu (Ex 7.13,14, 22; 8.15,19, 32; 9.7, 34, 35; 13.15 - Faraó). (Êx 4.22; 7.3; 9.12; 10.1, 27; 11.10; 14.4, 8, 17 - Deus). Theodoret assim explica o caso: “O sol pelo seu calor torna a cera mole e o barro duro, endurecendo um e amolecendo outro, produzindo, pela mesma ação, resultados contrários. Assim a longanimidade de Deus faz bem a alguém e mal a outros. - Por quê? - Porque alguns apresentam-se amolecidos e outros endurecidos”. O juízo de Deus caiu sobre Faraó quando se exaltou. O juízo de Deus caiu também sobre Nabuco- donosor quando se exaltou. Diferença: Faraó se endureceu; Nabucodonosor se humilhou. Teve seu “coração” mudado de “leão” para “coração de homem”. Nabucodonosor morreu, e seus dois sucessores, as asas, foram arrancadas, terminando, assim, aquela dinastia Babilónica (Dn 5.30; 7.4).

 

Dn 7.5: “Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou de um lado, tendo na boca três costelas entre os seus dentes; e foi-lhe dito assim: Levanta-te, devora muita carne”.

 

“...o segundo animal...” No capítulo 2 versículos 32 e 39 do livro em foco, o Império Medo-persa é representado pelo “peito e braços” de prata da estátua “terrível” do sonho do monarca Nabucodonosor. O “peito do colosso, na simbolo- gia profética, representava a unificação dos dois reinos (Média e Pérsia) em um só. Os “braços”, porém, geograficamente falando, são seus dois monarcas: Dario e Ciro, respectivamente. 1. O braço esquerdo representava Dario. 2. O braço direito representava Ciro (Is 45.1). São eles os dois “Tufões de vento do Sul, que tudo assolam...” (Is 21.1). 

No capítulo 4 de Daniel, esse Império, bem pode ser visto nos “ramos” da árvore que o rei Nabucodonosor viu em sonho.

 

“... um urso”. 

 

O segundo animal presenciado por Daniel, nesta visão é “um urso”. E quase tão temível quanto o leão, o primeiro animal. O urso marrom da Síria pode chegar a 250 kg de peso e tem um apetite voraz. “Embora o urso não seja considerado o rei dos animais, atinge maior estatura e peso, como já ficou demonstrado, do que o leão. Diz-se que sua espécie foi encontrada na Média, país montanhoso, acidentado e frio. Seus quarenta e dois (42) dentes pontiagudos, suas garras aguçadas, sua malícia, o seu enorme peso, a sua coragem e a sua astúcia, fá-lo grandemente terrível. No que diz respeito à sua crueldade, ferocidade e sede de sangue, não tem rival”. Todos esses requisitos possuídos por essa fera, foram realmente incorporados em grau supremo ao Império Medo-persa, e mais ainda. Dele está escrito: “Levanta-te, devora muita carne”.

 

"... levantou-se de um lado”.

 

 O presente versículo põe em foco Dario e Ciro se “levantando do sudeste” da Babilônia; nessa região se encravavam a Média e a Pérsia; os medos predominaram antes dos persas. A frase: “levan- tou-se de um lado” é interpretada na maneira de haver a fera se levantado de um lado, isto é, no sentido literal, o urso levantou-se sobre duas patas, ficando as duas outras suspensas, como se quisesse andar com os pés. Esses dois reinos, após conquistarem Babilônia, cada um queria andar só. Eis a razão por que Ciro depois vence Dario e reina com grande poder.

“Tendo na boca três costelas...” O presente texto mostra algo admirável no urso faminto, como fora presenciado no majestoso leão do versículo 4. As três costelas em foco, que o urso trazia na sua boca, na simbologia profética significam as três primeiras potências conquistadas pelo Império Medo-persa. São elas: 1) Babilônia. 2) A Lídia, na Á- sia Menor. 3) O Egito. Esses três reinos (costelas) fizeram uma coligação pensando suplantar as ameaças do inimigo. Mas não tiveram nenhum êxito nisso, pois a conquista por Dario e Ciro dessas nações já estava vaticinada cerca de 80 anos antes, como está descrito pelo profeta do Senhor: “O Senhor despertou o espírito dos reis da Média; porque o seu intento contra Babilônia é para a destruir. (Jr 51.11, 29). Dario e Ciro fizeram com estas três costelas (nações) o que antes já fora vaticinado. As nações aí mencionadas foram, em suma, as primeiras a caírem nas garras do urso voraz. Ele as subjugou.

 

"... entre os seus dentes”. 

 

O profeta Daniel, observa um detalhe importante na presente visão: as três costelas acima mencionadas, vinham presas “entre” os dentes da fera. Foi realmente o que aconteceu com as três potências aludidas: Babilônia, Lídia, e Egito. Elas foram conquistadas pelos poderosos dentes (exércitos) do urso faminto. Segundo a história natural, um urso da Média, é portador de 42 dentes pontiagudos. Nas conquistas mencionadas foram usados 42 exércitos em revezamento. As Escrituras são proféticas e se combinam em cada detalhe. (Ver Ec 7.27).

 

“Levanta-te, devora muita carne”. 

 

Essa voz que ordena ao “urso” que devore muita carne é a voz de Deus. Refere-se a Ciro, também chamado o “pastor” de Deus (Is 44.28) e seu “ungido”, em Is 45.1. Esses títulos lhe são dados, não por causa do seu caráter, pois ele era ignorante quanto à pessoa de Deus (Is 45.5). Ele não conhecia a Deus, e é chamado “uma ave de rapina” em Is 46.11, mas Deus o predestinou para executar a destruição de Babilônia e a obra de restauração de Israel. No texto de Is 45.1, 2, lemos a seu respeito: “Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações diante de sua face, eu soltarei os lombos dos reis, para abrir diante dele as portas e as portas não se fecharão. Eu irei diante de ti, e endireitarei os caminhos tortos; quebrarei as portas de bronze e despedaçarei os ferrolhos de ferro”. O leitor deve observar que os elementos apresentados nesta profecia existiam de fato em Babilônia. No cap. 8.3- 22 deste livro, o poderoso Império Medo-persa ainda continua, porém, já enfraquecido: não é mais representado por um “urso voraz”, mas por um animal doméstico. Não está mais diante do mar (v. 3) mas diante do rio (8.3).

 

Dn 7.6: "... eis aqui outro”. 

 

No texto em foco, é o Império Gre- co-macedônio que entra em cena. No capítulo 2, versículos 35 a 39 deste livro, esse Império é representado pelo “ventre e coxas” de cobre da estátua vista pelo monarca Nabu- codonosor, em seu majestoso sonho. Como na representação anterior dos dois reis, Dario e Ciro, o mesmo acontece aqui. “O ventre” como é descrito pelo profeta do Senhor, simboliza a unificação dos reinos Grego e Macedônio em um só. As “coxas” falam de duas nações que se uniram, depois, porém se dividiram com o “andar” das coxas. O ventre e as coxas formam uma extensão maior do que a cabeça. Contudo, a cabeça é mais nobre. 

O Império Babilónico era de fato maior do que todos em riquezas e glórias, mas foi menor em extensão territorial do que o reino de Alexandre Magno. Na simbologia profética, esse Império Greco-macedônio pode ser visto nas “folhas” da árvore do sonho do rei Nabucodonosor (4.21). O profeta Daniel diz, na sua interpretação, que as “folhas eram formosas”. Alexandre, foi de fato o maior em sua geração: foi chamado de Magno (o Grande). Ele foi um vulto muito culto e inteligente, mas, ao mesmo tempo, era violento e traiçoeiro até para com seus generais.

 

“... um leopardo”. 

 

O simbolismo usado na presente passagem se coaduna com a etimologia da palavra que dá nome ao animal do texto em foco. “Leo” (leão) e “pardo” (pantera). E realmente perfeito o que foi o reino de Alexandre Magno: duas naturezas. As duas naturezas interligadas deste Império Greco-macedônio eram vistas em vários aspectos, mas tomemos como exemplo: 1) Os dois povos (gregos e macedônios) eram diferentes em temperamento: os gregos sempre foram diferentes dos macedônios; isto pode ser visto e examinado em Atos dos Apóstolos e nas Epístolas de Paulo. Esse apóstolo foi enviado por Deus a esses dois povos. (Ver At 16.9 a 40 e 17.15 a 34; 1 Co 16.5, etc.) 2) Sentido geográfico: A Grécia ficava “no sudeste da Europa, ocupando a parte Sul da península dos Balcãs e numerosas ilhas do mar Jónico e do mar Egeu, no Mediterrâneo”. 3) A Macedônia.

 A região geográfica da antiga Ma- cedônia compreende hoje “a Iugoslávia, o Sul da Bulgária e a Turquia européia”. Vejamos onde se encravam essas três nações: a. Iugoslávia. Sua situação geográfica, Sudeste da Europa. E limitada ao norte pela Áustria e pela Hungria, a leste pela Romênia e Bulgária, ao sul pela Grécia e pela Albânia e a oeste pelo mar Adriático e pela Itália, b. A Bulgária. Sua situação geográfica, sudeste da Europa, na parte oriental da península balcânica. A Bulgária é limitada ao norte pela Romênia, a leste pelo mar Negro, ao sul pela Turquia e a Grécia, e a oeste pela Iugoslávia”, c. A Turquia Européia. E separada da parte asiática pelo estreito de Dardanelos, pelo mar de Mármara e pelo Bósforo. A parte européia é constituída de colinas próprias para a agricultura.

 

“E tinha quatro asas de ave nas suas costal.

 

 O profeta Daniel, em sua visão futurística, observa algo mais no “leopardo” como vira no leão e no urso, respectivamente. Ele notifica que, nas costas do animal, vinham quatro asas. Na simbologia profética e em outras representações simbólicas, asas têm sempre o sentido de insígnia militar. Verdade é que pode trazer também o sentido de rapidez. Um fato notável que deve ser observado no texto em foco é que essas asas estavam postas nas “costas” do animal. Elas representam, sem dúvida, os “quatro generais” de Alexandre que, após sua morte, fundaram quatro realezas. São eles: 1) Ptolomeu. 2) Selêuco. 3) Lísímaco. 4) Cassan- dro. Esses generais, de fato, estavam por “trás” de Alexandre em tudo que ele fazia. Cada um deles começou por implantar-se na região que lhe fora designada, e não ficaram somente nisso, pois a ambição de glória e de poder, levou- os a lutarem entre si, para novas conquistas.

 

“Tinha também este animal quatro cabeças”.

 

 O profeta do Senhor, Daniel, continua em sua descrição sobre o famoso “leopardo”. Ele observa algo mais naquela fera: ela tinha quatro cabeças. A cabeça, que é de um animal quadrúpede, está diante de si. Na simbologia profética, isso significa as quatro realezas que estavam por vir. Após a morte de Alexandre, seus quatro generais, já mencionados, fundaram quatro realezas dentro da divisão do Império. São elas: 1) Egito (Ptolomeu). 2) Síria (Selêuco). 3) Macedonia (Lisímaco). 4) Ásia Menor (Cassandro).

 

“E foi-lhe dado domínio”. 

 

Esse domínio, do texto em foco, dado a Alexandre, foi, sem dúvida, concedido pelo próprio Deus (Ver Rm 13.1-6). Mas em breve surgiram dis- sensões entre seus próprios generais, que, ao todo, eram sete (7): Ptolomeu, Selêuco, Lisímaco, Cassandro, Pérdi- cas, Antípatro e Polispercon. Os três últimos era os primeiros agentes do reino, mas foram afastados do poder. Enquanto que os quatro primeiros dividiram-se em quatro formas ideológicas (4 cabeças) e fundaram as 4 realezas já mencionadas. Cumpriu-se, assim o que está escrito a respeito de Alexandre, em 11.4: “O seu reino será quebrado, e repartido para os quatro ventos do céu mas não para a sua posteridade”. O domínio que foi dado, ele não soube aproveitar, e, assim, foi-lhe tirado, mas não para seus filhos, isto é, para a sua posteridade.

 

Dn 7.7: "... eis aqui o quarto animaP.

 

 O presente versículo coloca em cena o quarto Império Mundial. E o Império Romano. Esse poderoso Império, desde sua fundação, tem como capital a cidade de Roma. E cidade das mais antigas da península itálica, está edificada sobre “sete colinas” que João, o apóstolo do amor, chama de “sete montes” (Ap 17.9). Nos dias do Império, essas sete colinas eram chamadas: Aventino, Palatino, Célio, Esquilino, Vidimal, Quiri- nal e o Capitólio. A cidade ficava à margem esquerda do rio Tibre, a 24 quilômetros da desembocadura desse rio no mar Tirreno, na costa ocidental da península itálica. O seu fundador foi um habitante do Lácio (donde vem a palavra latino), chamado Rômulo, que, junto com seu irmão Rê- mulo, foi amamentado pela loba do Capitólio. (Lenda). No capítulo 2.33, deste livro, esse Império é representado pelas “pernas de ferro” do majestoso colosso visto pelo monarca Nabucodonosor, em seu sonho escatológico. Não é contemplado com os dois Impérios (Medo-persa e o Greco- macedônio) anteriores, que eram unificados pelo “peito e ventre” da imagem; mas segue um paralelismo até sua consumação. Na simbologia profética, esse paralelismo é representado pelas pernas da estátua. (Ver notas expositi- vas sobre isso em 2.33). No campo simbólico, esse Império pode ter também sua representação nos “frutos” da árvore do sonho do rei Nabucodonosor (Dn 4.14). A maneira como os romanos conquistaram o Império Greco-macedônio todos conhecem.

 

Os romanos conquistaram o Ocidente e voltaram depois suas vistas para o Oriente. Apoderaram-se da Grécia, Síria, Palestina e outros países. Tornaram-se senhores do mundo. Quando Matatias começou a lutar pela independência de seu país, os romanos eram fracos; agora, porém, eram os dominadores do mundo. 

 

O anjo deixou bem claro para Daniel quem seria o quarto animal, quando disse: “O quarto animal será o quarto reino na terra” (v. 23). Todos os estudiosos das profecias de Daniel sabem a quem esta passagem se refere. E ao Império Romano, o quarto reino mundial. Esta fera terrível não há nada a que ela se compare. A descrição salienta apenas o caráter destruidor da fera, como segue:

 

“Terrível...”

 

 O Império Romano foi, de fato, “terrível” em todos os seus aspectos; Jesus Cristo, o nosso Senhor, foi morto sob a força brutal deste terrível poder. Os próprios judeus sofreram muito sob esse sistema de governo desumano. O Velho Testamento deixa a Palestina como uma satrapia persa. Abrimos o Novo Testamento e ali encontramos a dominação romana no apogeu da sua força.

 

"... espantoso”. 

 

O texto em foco, se consolida em uma profecia de alcance muito vasto. A própria história secular diz que este Império deixou atrás de si um rastro de sangue. Ele era espantoso até mesmo para seus próprios governantes; ali havia muita traição e maldade. Só em falar na palavra “romano” todo o mundo tremia. (Ver Jo19.12, 13; At 16.37-39).

 

"... muito forte”. 

 

Essa expressão e outras correlatas se coadunam muito bem com a natureza desse império, que é o ferro visto nas pernas do majestoso colosso do sonho do rei, conforme Dn 2. Esse Império desenvolveu os três emblemas consolidados nas composições anteriores: O domínio do leão, a força do urso e a rapidez do leopardo; por essa razão, tornou-se “terrível, e espantoso, e muito forte”.

 

"... tinha dentes grandes de ferro”.

 

O animal tinha a mesma natureza das pernas e pés da estátua descrita em Daniel 2.33, 41. Isto é, composto de ferro e barro. O Império Romano tinha o mais poderoso arsenal militar em sua época. Seus dentes (exércitos) pontiagudos, eram adversários velozes como cavaleiros, fortes como leões, venenosos como serpentes, e lançavam elementos que cegavam e queimavam com poder mortal. É descrito, portanto, que eles eram forças mortais poderosas, maliciosas, e incansáveis. Eram, em suma, como diz a profecia divina: verdadeiros dentes grandes de ferro.

 

“Ele devorava...”

 

 O presente texto, fala do que fez de fato o Império Romano. Ele conquistou, em pouco tempo, o mundo civilizado; subjugou todos os reinos, dominou todos os povos, tornando-se, assim, o senhor do mundo. Ele fez mesmo, como diz o texto em foco: devorou toda a terra. Essa foi a interpretação dada pelo próprio ser angelical, no versículo 23, do presente capítulo: “O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra...”

 

"... fazia em pedaços”. 

 

A primeira coisa que fazia o Império Romano após conquistar uma nação, era dividir suas terras em regiões, tetrarquias, províncias e distritos. Roma, depois de conquistar o mundo, dividiu-o em regiões chamadas “províncias”. A divisão dos romanos era semelhante às satrapias dos persas. A Judéia foi anexada à Síria, e ambas, com outros pequenos países, constituíram uma província romana. Nos dias de Jesus como pessoa humana, encontramos o território da Palestina dividido em 4 ou 5 regiões, como por exemplo: Galiléia, Samaria, Judéia, Peréia e Decápolis. Os próprios judeus foram despedaçados por esses dentes (exércitos) de ferro, e, ainda hoje (1986 d.C.) encontram-se judeus em todas as partes do mundo. (Ver Mt 21.44).

 

“E pisava aos pés o que sobejava”.

 

O texto em foco salienta o que já ficou demonstrado no capítulo 2.33 da estátua terrível que tinha os seus pés de ferro. O Império Romano só tinha dois objetivos consigo em suas grandes conquistas: matar e reduzir à escravidão. As Sagradas Escrituras falam com intensidade sobre esses “pés” em várias partes (Ver Dn 2.33, 34, 41,42; 7.7,19, 23; 8.10,13). Outras expressões com o mesmo sentido são vistas no Novo Testamento (Lc 21.24, “pisada”, “pisarão”; Ap 11.2 “pisarão”; Ap 13.2, observe a expressão “seus pés”). As Escrituras são proféticas e se combinam entre si em cada detalhe! Até o “mapa geográfico” do país sede deste Império é a “figura de um pé” (mapa da península Itálica)!

 

“Era diferente de todos os animais”.

 

 Na interpretação feita pelo anjo a Daniel, ele lembra isso ao profeta do Senhor, dizendo: “o quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos. Realmente é o que diz a profecia de Daniel; o Império Romano, durante sua existência, de 754 a.C. a 455 d.C. (1209 anos), foi diferente de todos os reinos que já existiram no mundo. Ele era, no campo profético, o emblema expressivo do reinado cruel do Anticristo, a Besta que subiu do mar (Ver Ap 13.1 e ss.).

 

“E tinha dez pontas”.

 

 O animal espantoso do texto em foco tinha dez pontas como tinham dez dedos os pés da estátua do capítulo 2. Isso já tivemos a oportunidade de ver em outras notas expositivas sobre este livro, isto é, as dez pontas vistas em alinhamento na cabeça da fera simbolizam dez reis que “se levantarão” no tempo do fim. Eles não existiram nos dias do Império. Observe bem a frase: “se levantarão”. João, o vidente de Patmos, descreve a mesma coisa em Ap 13.1. O fato de estarem em alinhamento como em alinhamento estavam os dez dedos da estátua do cap. 2, quer dizer que esses reis escatológicos governarão ao mesmo tempo (Ap 17.12). Alguns deles (três) receberão poder apenas por “uma hora” mas depois cairão (Ap 17.12).

 

Dn 7.8: “Estando eu considerando...” 

 

A presente passagem nos dá a entender que existia um espaço de tempo para que essas pontas se mobilizassem. Os intérpretes históricos procuram encaixar essas profecias dentro da história secular. Segundo eles, nesta identificação ocorre um fato a comprovar sua exatidão perfeita, quando diz: “... diante da qual [do pequeno chifre] três das pontas primeiras foram arrancadas”. Com efeito, em prol da ascensão do “papado” foram extirpadas três nações representadas pelas dez pontas. Essas três nações, alojadas por sinal na península Itálica, são os povos Hérulos, Ostrogodos e Lombardos. Para nós, essa maneira de interpretar o texto é muito lógica, mas não se coaduna com a tese principal. Os intérpretes contemporâneos são de opinião que o Mercado Comum Europeu é o princípio de formação desta grande profecia. Para os intérpretes futuristas (o que nós aceitamos), a ponta pequena que subiu por último, é o Anticristo que, após estar tudo pronto aparecerá no cenário mundial. Ele fará uma aliança com dez monarcas escatológicos, porém com sua ascensão, três destes reis serão afastados, e apenas sete lhe apoiarão. (Ver Dn 7.8, 20, 24; Ap 17.12, 16 e ss.).Severino Pedro da Silva. Daniel vercículo por vercículo. Editora CPAD. pag. 127-138.

 

  1. O leão (7.4). 

 

Corresponde à cabeça de ouro da estátua do capítulo 2, isto é, Babilônia (2.32,37,38). O leão tinha duas asas, o que fala da rapidez nas suas conquistas, como bem revela a história.

Primeiro império mundial dos tempos dos gentios: Babilônia (606-536 a.C.). Simbolizada pelo leão (Dn 7.4), rei dos animais. Isso fala da primazia do Império Babilônico sobre os demais que se seguiram. Corresponde á cabeça de ouro da estátua de Dn 2.32,37,38. As asas de águias falam de suas rápidas conquistas.

 

  1. O urso (7.5) corresponde ao peito de prata do capítulo 2, isto é, à Medo-Pérsia (2.32,39).

 

 No capítulo 8.2o a Medo-Pérsia volta a ser representada por um carneiro. O urso se levantou sobre um dos lados, e tinha na boca três costelas. O lado que se elevou foi a Pérsia, que passou a ter ascendência sobre a Média. As três costelas na boca aludem à conquista (pela Pérsia) de Babilônia, Lídia e Egito.

 

Segundo império mundial dos tempos dos gentios: a Pérsia. Simbolizada por um urso que se levantou sobre um dos lados tendo três costelas na boca (Dn 7.5). O lado que elevou-se foi a Pérsia que passou a ter ascendência sobre a Média. As três costelas falam da sua conquista da Babilônia, Lídia e Egito. Período da Pérsia como império mundial: 536-331 a.C.

 

  1. O leopardo (7.6)

 

 corresponde ao ventre de bronze do capítulo 2, isto é, à Grécia (2.32,39). No capítulo 8.5,21 a Grécia volta a aparecer sob a figura de um bode. O leopardo tinha quatro asas e quatro cabeças. As quatro asas indicam mais rapidez nas conquistas do que Babilônia. As quatro cabeças falam da quádrupla divisão do império grego após a morte de Alexandre, a saber: Egito, Macedônia, Síria e Ásia Menor. De fato, em dez anos Alexandre dominou o mundo civilizado do seu tempo. Seu exército era altamente treinado e utilizava o princípio da guerra-relâmpago, isto é, surpresa e rapidez nos ataques.

Terceiro império mundial dos tempos dos gentios: a Grécia. Período: 331-146 a.C. É simbolizada por um leopardo tendo quatro azas e quatro cabeças. As quatro azas falam do avanço relâmpago da Grécia nas suas guerras. As quatro cabeças falam da quádrupla divisão do império grego após a morte de Alexandre. Texto bíblico: Dn 7.6.

 

  1. O quarto animal (7.7,8,11,19-24) corresponde às pernas e pés da estátua do capítulo 2, ou seja, ao Império Romano, e ainda à sua última forma de expressão, por ocasião da vinda de Jesus. Tinha dez chifres. Entre esses dez surgiu um pequeno. Três dos outros foram derrubados pelo chifre pequeno (vv. 8,24).

 

O quarto império mundial dos tempos dos gentios: Roma. Período: 146 a-C- a 476 d.C. quando se deu a queda de Roma. Tinha dez chifres (Dn 7.7,8,19-24).

O quarto animal seria um rei ou reino, como os demais animais (7.17,23). Esse animal tinha dentes de ferro (v. 7). Seria o reino da força, da ferocidade, do esmagamento, como foi o Império Romano. Os dez chifres do versículo 7 correspondem a dez futuros reis (v. 24). Esses futuros reis ou reinos correspondem aos dez dedos dos pés da estátua do capítulo 2.41,44, e aos dez chifres da besta de Apocalipse 13.1 e 17.12, a saber, ao Anticristo e suas nações confederadas durante a Grande Tribulação.

A visão do quarto animal com seus detalhes foi tão impressionante, que Daniel concentrou sua atenção sobre ele, querendo saber a que se referia (vv. 19,20).

 

  1. O chifre pequeno (7.8) representa o futuro Anticristo.

 

Ele, ao emergir entre os dez reinos, abaterá três reis. Essa expressão do Império Romano em dez reinos ainda não ocorreu, pois quando esse império deixou de existir tinha apenas duas formas, correspondentes às duas pernas da estátua do capítulo 2, isto é, o Império Romano do Ocidente e o Império Romano do Oriente. O primeiro caiu em 476 d.C. O segundo, em 1453. A divisão do império em dois deu-se em 395 d.C. Portanto, os fatos proféticos do versículo 8 são ainda futuros, como bem mostra o livro de Apocalipse. O versículo 8 em apreço revela também que o Anticristo será muito inteligente {"olhos" - vv. 8,20), e também um orador inflamado e magnetizador de massas ("boca que falava com insolência" - vv. 8,20). Com isso concorda Apocalipse 13.5,6.Antônio Gilberto. DANIEL & APOCALIPSE Como entender o plano de Deus Para os últimos dias. Editora CPAD.

fonte  http://www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com