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Lições biblicas cpad jovens adoração 4 trim- 2016
Lições biblicas cpad jovens adoração 4 trim- 2016

          LIÇÕES BIBLICAS JOVENS CPAD

                       4 TRIMESTRE 2016 

 

LIÇÕES 4 TRIMESTRE  2016 JOVENS

Lição 1 - O real significado da adoração e do louvor

Lição 2 - A obediência como adoração

Lição 3 - A adoração após a Queda

Lição 4 - Adoração como cumprimento da vontade de Deus

Lição 5 - A separação de um povo para adoração exclusiva

Lição 6 - A institucionalização da adoração e do louvor

Lição 7 - Quando o legalismo substitui a adoração

Lição 8 - A lembrança da essência da adoração

Lição 9 - A adoração integral ensinada por Jesus

Lição 10 - A adoração sem conhecimento

Lição 11 - A forma do culto

Lição 12 - Modismos na adoração e no louvor

Lição 13 - A Igreja louvará eternamente ao Senhor

 

BÍBLICAS CPAD JOVENS LIÇÃO N.1

4º Trimestre de 2016 

Título: Em Espírito e em verdade — A essência da adoração cristã

Comentarista: Thiago Brazil 

Lição 1: O real significado da adoração e do louvor

Data: 02 de Outubro de 2016 

 

TEXTO DO DIA

 

“Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos! Ajoelhemos diante do SENHOR que nos criou” (Sl 95.6).

 

SÍNTESE

 

O louvor e a adoração são os atributos que o verdadeiro cristão consagra a Deus.

 

                              AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Dt 6.4

O primeiro grande mandamento 

TERÇA — Jó 1.20

Adoração como reconhecimento da soberania de Deus 

QUARTA — Mt 4.10

O Senhor Deus é o único que merece louvor e adoração 

QUINTA — Sl 22.3

O louvor como instante da manifestação da presença divina 

SEXTA — Mt 21.16

O perfeito louvor 

SÁBADO — 2Cr 7.3

Adoração e louvor, o fundamento de nosso relacionamento com Deus

 

OBJETIVOS 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

APRESENTAR a busca pela adoração como algo essencial ao ser humano.

RELACIONAR adoração e louvor com amor e obediência.

DISCUTIR a respeito dos perigos que corre uma igreja quando não vive em adoração.

 

INTERAÇÃO 

Olá professores(as), novo trimestre — expectativas renovadas, novas oportunidades para crescimento. O tema que estudaremos está diretamente ligado ao nosso cotidiano na Igreja. Por isso, nosso desafio é torná-lo empolgante e contextualizado à sua realidade local. Nossas aulas não podem ser momentos de debates teológicos inúteis, e sim, instantes de formação espiritual continuada para esta nova geração que o Senhor levanta. Lembre-se, sua classe é de jovens, eles estão cheios de expectativas, incertezas e projetos. Faça dos momentos na Escola Dominical espaços de ministração mútua, abençoe a vida deles sendo um instrumento de Deus para apontar uma vida espiritual mais profunda e viva. Permita-se ser renovado pelas esperanças juvenis deles, afinal de contas, a Bíblia revela que há neles uma força que vem de Deus e da sua Palavra. Que suas aulas tornem-se, para vocês, inesquecíveis encontros de louvor e adoração ao Pai.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

O conhecimento não pode ser visto como algo restrito ao educador(a), seus educandos possuem um universo cultural riquíssimo e que precisa ser valorizado durante as aulas da ED. Por isso, uma boa sugestão didática é iniciar esta aula com a metodologia denominada Brainstorming ou “Tempestade Mental”, “Tempestade de Ideias”. A execução é muito simples. Inicie sua aula com as seguintes indagações: “O que é louvor e adoração?”; “Existe alguma diferença entre louvar e adorar? Qual?” Ou ainda com um pedido: “Defina em uma palavra cada um desses conceitos: adoração e louvor”. Identifique as características do que seja louvor e adoração. Daí em diante, deixe os educandos livres para participarem, anote as opiniões de cada um, compare as respostas, averigue se existem opiniões conflitantes, solicite aperfeiçoamento. Por fim, use, sempre que possível, as participações dos educandos como fio condutor para a aula a ser ministrada.

 

TEXTO BÍBLICO 

 

Marcos 12.28-34. 

28 — Aproximou-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar e, sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos?

29 — E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.

30 — Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.

31 — E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.

32 — E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus e que não há outro além dele;

33 — e que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças e amar o próximo como a si mesmo é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.

34 — E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do Reino de Deus. E já ninguém ousava perguntar-lhe mais nada.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO INTRODUÇÃO

 

Adorar e louvar são as duas faces de uma mesma moeda muito cara para nós: nosso relacionamento com Deus. Isto é um fato: quem não adora ou louva ao Pai sequer consegue se perceber como alvo do amor do Criador. Por isso, durante os próximos três meses estudaremos a respeito dos fundamentos de nossa adoração e louvor a Deus. O objetivo é aprofundar nossa relação com Deus. Muito mais que um árido e estéril exercício de diferenciações terminológicas, nossas aulas serão momentos reservados para, em comunidade, desenvolvermos nossa intimidade com Deus e o amor ao próximo.

 

  1. A SINCERA DÚVIDA DE UM ESCRIBA 
  1. A relação de Jesus com os líderes religiosos de sua época. O contexto no qual está inserida a porção bíblica de nossa leitura em classe demonstra bem a convivência tumultuada entre Jesus e as autoridades religiosas de sua época. Quando de sua entrada triunfal em Jerusalém Ele foi criticado pelos fariseus (Lc 19.38-40). Depois de expulsar os vendedores do Templo, escribas e sacerdotes tramaram matá-lo (Mc 11.17,18). Sacerdotes, escribas e anciãos tentaram constituir provas para uma acusação de blasfêmia indagando sobre sua autoridade (Mc 11.27,28). Sacerdotes e fariseus quiseram prendê-lo (Mt 21.45,46), herodianos e fariseus buscaram induzi-lo ao erro de insubordinação contra César (Mc 12.13-17) e saduceus procuraram embaraçá-lo com uma questão a respeito da interpretação da lei (Lc 20.27-33).
  2. A dúvida do escriba. Em meio a tantos embates, um daqueles religiosos parece fazer uma pergunta genuína, desprovida de segundas intenções: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” (Mc 12.28). Claro que a inquietação do doutor da lei não era sobre a sequência dos mandamentos, isto ele como guardião da lei sabia muito bem. O questionamento era sobre qual o maior, o mais importante, o mandamento imprescindível. Jesus cita o Shema Judaico, isto é, a clássica declaração de Deuteronômio 6.4-9 que se inicia com o imperativo “ouve”, que no curso da construção da sociedade judaica tornou-se uma espécie de “declaração de fé”. Todavia, a conclusão que o escriba tira das palavras citadas por Jesus é dura para o sistema religioso tradicional, pois como conclui o doutor da lei, amar a Deus e ao próximo como a si mesmo é mais importante “do que todos os holocaustos e sacrifícios” (Mc 12.33).
  3. A declaração de Jesus. Diante de uma afirmação tão radical, que colidia diretamente com a natureza do culto sacrifical judaico, enfraquecido, mas ainda existente naquela época, Jesus, assegura ao escriba que suas convicções o aproximam do Reino de Deus (Mc 12.34). Jesus denuncia mais uma vez aqui neste texto que adoração não tem relação com o que possuímos, isto é, com o “capital” (financeiro, social ou intelectual) que temos, mas com aquilo que somos. Se reconheço que não sou nada e que Deus é incomparável, então sou adorador! Se não sou egoísta, mas percebo o outro como meu irmão, merecedor de toda a misericórdia e amor que necessito, estou louvando a Deus! O que faço não deve ser consequência de uma cobiça por algo a receber, mas o resultado de um autoconhecimento básico: sou filho amado do Pai e membro do Corpo de Cristo.

 

Pense!

 

É notório que boa parte dos conflitos que Jesus tinha com as pessoas que comandavam o mundo religioso de sua época estava relacionada à sua visão sobre adoração e louvor.

 

Ponto Importante

 

Ao ser indagado sobre o “maior mandamento”, Jesus não declara apenas: “Adorar a Deus!”, o Mestre preocupa-se em afastar sua resposta da pura teoria e procura contextualizá-la associando-a diretamente ao amor a Deus e ao próximo, conceitos muito mais acessíveis a qualquer pessoa.

 

 

  1. A RESPEITO DA ADORAÇÃO INDIVIDUAL

 

  1. Possíveis definições para louvor e adoração? Provisória e precariamente, podemos descrever adoração e louvor como um estado de consciência onde se reconhece simultaneamente a grandiosidade de Deus e a efemeridade da condição humana. É a busca insaciável por mais da pessoa de Deus, sem nenhum interesse alheio a esse fim. É desejo pessoal de dedicar o máximo de si a Deus e ao próximo. Partindo destas ideias fica evidente que existem níveis e intensidades diferentes na adoração e louvor, não necessariamente uma hierarquia ou uma escala.
  2. A espontaneidade e simplicidade na adoração. Adoração não pode ser mecanizada. Celebrações como “tarde de adoração”, “noite dos adoradores” podem ter um ótimo apelo midiático, mas não possuem garantias espirituais. É possível a realização de cultos com outros fins — políticos, econômicos, pessoais — que não a adoração. Nunca se deve associar a adoração e o louvor a uma sequência de protocolos a serem seguidos, e que não podem ser modificados. A adoração e louvor, por vezes, estão relacionados na Bíblia a situações de fortes sentimentos, arrebatamentos, e muitas vezes surpreendentes (Dn 10.7-10; At 22.7). Ao falar a respeito do “perfeito louvor”, Jesus cita a pureza e simplicidade das crianças (Mt 21.16). Logo, devemos entender que louvar a Deus, ainda que seja algo feito em um contexto coletivo, é uma atitude que devemos fazer de forma espontânea, por meio da gratidão, quebrantamento e humilhação.
  3. Adoração como acesso individual a Deus. Não dá para adorar mais ou menos, “quase adorar” ou adora-se a Deus ou não! Por isso, muitas pessoas procuram enganar a si mesmas achando que a simples presença num contexto religioso as faz adoradoras do Pai. A verdade é que aqueles que creem e buscam a Deus com simplicidade de coração, com certeza o acharão (Sl 119.7). Deus, durante todo o curso da humanidade, convida-nos a adorá-lo, reconhecê-lo como único Senhor (Sl 29.2; 150.6; Is 55.6). A Bíblia está repleta de narrativas a respeito de pessoas que, em sua disposição pessoal para adorar ao Senhor, foram abundantemente abençoados enquanto adoravam: Isaías teve o pecado perdoado (Is 6.7); Moisés conversou com Deus como quem dialoga com um amigo (Êx 33.11); Jacó teve um encontro inesquecível com Deus (Gn 32.28) e Paulo teve toda sua visão de mundo reorientada (2Co 12.1-10). 

Pense!

Adoração e louvor não são uma sequência de protocolos a serem seguidos. Eles devem ser espontâneos e brotar de um coração inteiramente rendido ao Pai.

 

Ponto Importante

 

Cada pessoa é única e reage de maneira diferente ao sentir a presença de Deus nos momentos de adoração e louvor.

 

III. ALGUNS DESAFIOS NA ADORAÇÃO EM COMUNIDADE

 

  1. O cerimonialismo legalista contemporâneo. Normas para se prestar um culto são necessárias, e a própria Bíblia traz essas orientações. Entretanto, um culto que se concentra em ritos e cerimônias, sem contemplar a atuação do Espírito Santo, tende a engessar a liberdade da adoração e do Espírito Santo em atuar na congregação. Para algumas pessoas a adoração está diretamente vinculada à execução de determinadas formalidades espirituais.
  2. A irreverência assumida como elemento litúrgico. Em nome de uma suposta modernização, ou para usar um termo técnico, aculturação, algumas igrejas perderam suas identidades. Já não se percebem como manifestações históricas do Reino de Deus, são apenas meros ajuntamentos sociais. Não há nenhum sentimento de reverência nesses locais. Para certos grupos, ir ao shopping e ir à igreja significa a mesmíssima coisa, literalmente. O louvor é um espetáculo de pirotecnia espiritual — às vezes nada mais que muito choro e gritos, outras vezes apenas pulos e aplausos. Letras repetitivas à exaustão, vazias de conteúdo bíblico e até mesmo de sentido lógico, povoam certas igrejas. Em nome de atrair o público jovem o templo transforma-se em um local de entretenimento.
  3. O que significa realmente adoração e louvor? Perguntar-se a respeito do que é adorar é um ótimo indício de que você está muito perto de experimentar a plenitude da presença de Deus. Lembra do escriba cheio de dúvidas (v.34)? Adoração e louvor são conceitos amplíssimos, enriquecidos pelas vivências pessoais de cada um de nós. Muito mais importante que saber o conceito é poder testemunhar as experiências quase indescritíveis de ter estado na presença de Deus em amor e obediência, louvor e adoração, fragilidade e plenitude. Não há pressa em compreender o que é adorar e louvar, temos mais doze domingos para nos achegarmos mais a Deus, com muita humildade e temor, e perguntarmos a Ele: podes me ajudar a viver diante de ti uma vida para teu louvor onde tudo o que faça repercuta em adoração ao teu santo nome? 

Pense!

 

Você se sente motivado a louvar e adorar a Deus durante as celebrações em sua igreja? De que forma você pode contribuir para que o ambiente comunitário em que você serve a Deus torne-se um espaço de vivências de adoração? 

Ponto Importante

 

A moderação é uma palavra-chave na construção das liturgias coletivas em uma comunidade. A igreja não pode tornar-se um campo de combate de gostos e opiniões. Princípios como “cuidado com os mais fracos” e “misericórdia” sempre devem estar presentes.

 

CONCLUSÃO

 

Ao falarmos de louvor e adoração precisamos ter a consciência de que estamos lidando com temas absolutamente relevantes para o Reino de Deus. Neste tempo de poucos referenciais e muitos escândalos, desenvolver um senso coletivo de intimidade e temor a Deus será essencial para o amadurecimento de nossas igrejas.

 

ESTANTE DO PROFESSOR 

SILVA. E. R. Adoração sem limite: Um coração aos pés de Cristo. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2015.

 

HORA DA REVISÃO 

  1. Apresente, segundo sua vivência espiritual, uma definição para o que seja louvor e adoração.

Resposta pessoal. Sugestão: Adoração é um desejo pessoal de dedicar o máximo de si a Deus e às demais pessoas. 

  1. É possível separar louvor e adoração? Justifique sua resposta.

Sim. Adoração pode ser vista como uma veneração piedosa a Deus e louvor como uma manifestação pessoal de gratidão e reconhecimento do senhorio a Deus.

  1. Por que a conclusão que o escriba chega a partir de sua conversa com Jesus merece ser chamada de sábia resposta?

Porque por meio desta resposta, o escriba demonstra que compreendeu que adoração e louvor são o resultado espontâneo de um coração livre, e não de um sistema de práticas religiosas.

 

  1. Quais os dois perigosos extremos em que a igreja pode cair quanto ao louvor e adoração.

Cerimonialismo legalista e Liberalismo litúrgico. 

  1. Quais os riscos que surgem quando a igreja não é um lugar de adoração e louvor?

Cultura de irreverência, descaracterização do louvor, formalismo e esvaziamento da fé.

 

SUBSÍDIO 

“ADORAR. sāhāh: ‘adorar, prostrar-se, curvar-se’. Esta palavra é encontrada no hebraico moderno no sentido de ‘curvar-se’ ou ‘inclinar-se’, mas não no sentido geral de ‘adorar’. O fato de que ocorre mais de 170 vezes na Bíblia hebraica mostra algo do seu significado cultural. Aparece pela primeira vez em Gênesis 18.2. O ato de se curvar em homenagem é feito diante de um superior ou soberano. Davi ‘se curvou’ perante Saul (1Sm 24.8). Às vezes, é um superior social ou econômico diante de quem a pessoa se curva, como quando Rute ‘se inclinou’ à terra diante de Boaz (Rt 2.10). Num sonho, José viu os molhos dos seus irmãos ‘inclinando-se’ diante do seu molho (Gn 37.5,7,8). A palavra sāhāh é usada com o termo comum para se referir a ir diante de Deus e na adoração (ou seja, adorar), como em 1 Samuel 15.25 e Jeremias 7.2. Às vezes está junto com outro verbo hebraico que designa curvar-se fisicamente, seguido por ‘adorar’, como em Êxodo 34.8: ‘E Moisés ... encurvou-se [‘adorou’ — ARA]’. Outros deuses e ídolos também são o objeto de tal adoração mediante a ação de se prostrar diante deles (Is 2.20; 44.15.17)” (VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; WHITE JR., William. Dicionário Vine. 7ª Edição. RJ: CPAD, 2007. p.31). 

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS n.2

4º Trimestre de 2016 

Título: Em Espírito e em verdade — A essência da adoração cristã

Comentarista: Thiago Brazil 

Lição 2: A obediência como adoração

Data: 9 de Outubro de 2016 

 

 

TEXTO DO DIA

 

“Agora, pois, ó Israel, que é que o SENHOR, teu Deus, pede de ti, senão que temas o SENHOR, teu Deus, e que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao SENHOR [...]” (Dt 10.12).

 

SÍNTESE 

Adoração e obediência são princípios muito interligados. Obedecer é dizer “não” para o eu e “sim” para Deus.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — 1Sm 15.22

A obediência voluntária é muito melhor que o sacrifício ritualístico 

TERÇA — Jr 42.6

A obediência precisa ser incondicional

QUARTA — Lc 18.22

Não era sobre dinheiro, mas sobre adoração como obediência 

QUINTA — Fp 2.8

Jesus, paradigma de obediência 

SEXTA — 2Co 2.9

O desafio da obediência sincera 

SÁBADO — Cl 3.20

Quando a obediência aos pais é adoração ao Pai Celeste

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

COMPREENDER que o fracasso de Israel no tempo dos Juízes tinha seu fundamento na desobediência.

IDENTIFICAR a obediência a Deus como a obediência à Palavra de Deus;

DEMONSTRAR que a adoração a Deus deve estar presente em nossas ações cotidianas através da obediência.

 

INTERAÇÃO

 

Vivemos em uma sociedade de valores absolutamente invertidos; aquilo que a Bíblia Sagrada declara como honroso e digno, o mundo retrata como ridículo e atrasado. Um dos conceitos mais atacados em nossos dias é o de “obediência”; para muitos jovens “obedecer” é sinônimo de fraqueza, covardia e medo. Há entre nós, até mesmo em nossas Igrejas, a cultura da rebeldia. Essa cultura é alimentada por ícones da cultura Pop contemporânea. Faz parte de seu ministério, enquanto educador, ressignificar a definição de “obediência” entre os jovens que frequentam sua sala de aula. Para tanto, apresente exemplos positivos de pessoas que, por serem obedientes aos pais, às leis, a Deus, foram bem-sucedidas em suas vidas. Por fim, mui amorosamente, revele a eles que servir a Deus é um processo longo, contínuo e progressivo de obediência ao Pai. É algo árduo, mas que o fruto de comunhão com Deus, advindo de tal comportamento, é excelentíssimo.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Solicite aos alunos que façam uma tabela com o título: “Meu Plano de Vida” e que criem as seguintes colunas: “Vida Profissional, Acadêmica, Espiritual, Sentimental” (e outras colunas que você, educador, achar necessárias). Em seguida, oriente-os a preencher cada coluna com suas expectativas — pode ser apenas palavras-chave, frases ou até mesmo datas que representem determinadas metas. Depois, peça-os que façam um círculo e coloquem sobre ele o título “Meu Plano de Vida”. Logo após, dê a eles o seguinte comando: “Livremente, conforme vocês bem acharem, preencham o plano de vida de vocês, sabendo de uma coisa: Tudo o que vocês colocarem dentro deste círculo precisa estar interligado entre si”. Ou seja, se eles escreverem “trabalho”, “igreja”, “amor”, “01/01/2020” eles precisam explicar como estas informações relacionam-se entre si simultaneamente. Ao final, pergunte-os sobre qual destes planejamentos foi mais fácil de fazer e por quê.

 

TEXTO BÍBLICO 

 

Juízes 2.8-10;16-19. 

8 — Faleceu, porém, Josué, filho de Num, servo do SENHOR, da idade de cento e dez anos.

9 — E sepultaram-no no termo da sua herdade, em Timnate-Heres, no monte de Efraim, para o norte do monte Gaás.

10 — E foi também congregada toda aquela geração a seus pais, e outra geração após eles se levantou, que não conhecia o SENHOR, nem tampouco a obra que fizera a Israel.

16 — E levantou o SENHOR juízes, que os livraram da mão dos que os roubaram.

17 — Porém tampouco ouviram aos juízes; antes, se prostituíram após outros deuses e encurvaram-se a eles; depressa se desviaram do caminho por onde andaram seus pais ouvindo os mandamentos do SENHOR; mas eles não fizeram assim.

18 — E, quando o SENHOR lhes levantava juízes, o SENHOR era com o juiz e os livrava da mão dos seus inimigos, todos os dias daquele juiz; porquanto o SENHOR se arrependia pelo seu gemido, por causa dos que os apertavam e oprimiam.

19 — Porém sucedia que, falecendo o juiz, tornavam e se corrompiam mais do que seus pais, andando após outros deuses, servindo-os e encurvando-se a eles; nada deixavam das suas obras, nem do seu duro caminho.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO

 

Nesta lição estudaremos a respeito da íntima relação entre obediência e adoração. Veremos que todo ato de obediência a Deus pode naturalmente ser considerado uma ação que louva ao Senhor. Deste modo, rompemos com o conceito errôneo de que apenas atitudes cerimoniais ou litúrgicas associam-se à adoração.

Perceberemos que é possível louvar ao Rei do universo por meio de nossa vida cotidiana. Partindo do exemplo do povo de Israel no período dos Juízes, seremos conduzidos à compreensão de que a obediência não pode ser meramente formal, da boca para fora, pois é possível desobedecer a Deus fazendo aquilo que aparentemente é a coisa certa. A verdadeira obediência, assim como o genuíno louvor, é produzida dentro de nós.

 

  1. UM POVO QUE DESAPRENDEU A OBEDECER E A ADORAR

 

  1. O caráter integral da vida. É conhecida a história da decadência de Israel na época dos juízes, um momento em que cada um fazia o que achava ser certo. Aquele povo recém-acomodado no novo território não teve fundamento suficiente para permanecer nos princípios ensinados por Josué (Jz 2.10). A história do povo de Deus neste contexto histórico nos deixa valiosos ensinamentos. Um deles, talvez o mais importante, é a necessidade de compreensão da vida como um emaranhado de fatos, decisões e emoções. Tudo em nossa existência está interligado. Quem imagina que há uma divisão entre a instância espiritual e a física desconhece que somos pessoas integrais. O que faço no corpo tem implicações espirituais. Se nossa espiritualidade não vai bem, isto é um sinal que tudo em nós — ainda que aparentemente harmônico — está à beira do colapso.
  2. Quando a exceção torna-se regra. Que o amor de Deus e sua paciência são incomensuráveis isso é verdade. Entretanto, o povo de Israel tornou o erro, a queda e o pecado em uma rotina em seu arraial (Jz 2.19). O Senhor é poderoso para perdoar, mas nestes ciclos de santidade e promiscuidade, muitos israelitas se perderam, morreram pelas mãos de opressores impiedosos. A pior consequência dessa desestruturação espiritual foi afastamento do temor do Senhor (Jz 3.7). As sucessivas quedas não eram fruto de “acidentes”, e sim de uma opção baseada na falta de comunhão com Deus. O povo passou a desenvolver um relacionamento idolátrico com Deus. Ele era o Deus verdadeiro, mas eles não lhe prestavam um louvor autêntico. Jeová era o amuleto a quem em tempos de crise eles clamavam e esperavam o resultado. Sem dúvida alguma, aquele povo desaprendeu a adorar.
  3. Consequências para Israel. Os efeitos dessa irreverência deliberada da parte do povo de Israel foram trágicos. Vejamos: Primeiro eles foram gradativamente perdendo a fonte da misericórdia para suas vidas (2.20); a ação sobrenatural de Deus ajudando Israel a vencer as guerras por várias vezes cessou (2.21); e aqueles povos que deveriam ser vencidos tornaram-se seus opressores (3.1-8); o povo de Deus sofreu saques e pilhagens (6.3-6).

Eles escolheram um caminho de dor, e por isso este foi o principal cenário no qual Deus os ensinou. A fonte da dor e do mal que os israelitas viveram neste período foi resultado das escolhas tortuosas (21.25). Mas a despeito destas, o Senhor ainda foi capaz de revelar seu amor e misericórdia. Israel experimentou a amargura de perceber-se longe do Senhor, não por que Ele simplesmente os abandonou, mas em virtude da infidelidade espiritual do povo que os conduziu a um sistemático afastamento de Deus (Jz 2.19; 3.7; 8.33; 10.13).

Pense!

 

Deus não foi somente abandonado pelos israelitas. Eles entregaram aos falsos deuses aquilo que pertencia ao Senhor. Você ainda amaria essas pessoas?

 

Ponto Importante

 

Deus nunca foi desleal para com o seu povo. O Senhor jamais mudou em sua disposição de abençoar e acolher Israel. Todavia, eles repetidas vezes, trocaram a segurança do amor do Altíssimo pelos encantos de Baal e Astarote.

 

  1. QUANDO ADORAR E OBEDECER SÃO SINÔNIMOS

 

  1. Não é possível adorar sem obedecer. A trajetória de Israel, especialmente no período dos Juízes, é uma prova irrefutável de que é impossível declarar-se adorador do Pai, e ao mesmo tempo, ser surdo e desleal às suas ordenanças (Is 43.8).Louvar a Deus implica relacionar-se com Ele. Quem tem comunhão com o Altíssimo sabe que Ele é o Senhor e nós seus servos. Quando obedecemos a Deus estamos louvando-o e quando o desobedecemos estamos em pecado (Pv 28.5; Rm 5.19). Se não gosto de ouvir e não quero obedecer a Deus, como o adorarei? Por isso, muitos estão apenas fingindo, conforme denunciou Isaías e ratificou Jesus (Is 29.13; Mt 15.8). Amar a lei de Deus é parte fundamental do louvor que agrada ao Senhor (Sl 119.163).
  2. É possível louvar ao Senhor desobedecendo sua Palavra? Esta resposta precisa ser categórica: NÃO! A Bíblia cita vários casos onde as pessoas agiram sob o pretexto de adorar ao Criador, mas o resultado foi desastroso, pois as ações que tomaram confrontavam diretamente a vontade de Deus. Saul poupou excelentes animais para serem sacrificados ao Senhor, contudo, foi rejeitado como rei daquele momento em diante, pois a ordem dada por Deus havia sido outra (1Sm 15.1-3,24-28). Uma multidão resolveu seguir a Jesus, deslocando-se e desejando estar perto dEle; tais pessoas estavam agradando a Deus? Não, pois seu interesse não era por salvação, e sim, por alimento fácil (Jo 6.22-26). Davi teve uma excelente ideia: construir uma casa para adoração ao Eterno, algo extremamente louvável, e a princípio foi até incentivado pelo profeta (2Sm 7.3). Contudo, esta não era a vontade de Deus para a vida dele, pois se ele fizesse aquela construção não agradaria a Deus (1Cr 22.7,8).
  3. Como posso obedecer se não sei o que o Senhor quer? Esse é um velho argumento que algumas pessoas procuram utilizar para isentarem-se de suas responsabilidades diante de Deus. Supor-se ignorantes não nos dá autorização para sairmos pecando e desagradando a Deus. A vontade do Mestre está expressa em sua Palavra, tudo o que fazemos e que contradiga a Bíblia é desobediência. Não há como escondermo-nos por trás da máscara da ignorância, nossa responsabilidade é conhecer o plano de Deus declarado nas Escrituras (Sl 40.8; 143.10; Cl 1.9). Se aquilo que você vive é uma questão absolutamente específica do mundo contemporâneo, mesmo assim os preceitos eternos de Deus continuam valendo (Sl 119.44). Não se esqueça: A Bíblia traz os princípios de Deus para nossas vidas! 

Pense!

 

Declarar que a Bíblia é um livro de princípios e não de regras significa dizer que os valores que ela defende são imprescindíveis, universais e eternos.

 

Ponto Importante

 

Você conhece suficientemente a Bíblia para compreender a vontade de Deus para sua vida?

 

III. ADORANDO A DEUS NO DIA A DIA

 

  1. Superando a dicotomia: vida secular X vida espiritual. Dicotomia é a palavra que usamos para expressar a ideia de uma separação radical. Para muitas pessoas aquilo que fazemos no cotidiano (trabalhar, estudar, responsabilidades domésticas, relacionamentos familiares e com amigos) não possui qualquer relação com nossa vida espiritual, a qual seria exercida exclusivamente nos momentos em que nos dedicamos a atividades religiosas (ler a Bíblia, orar, ir ao culto etc.). Isto é um perigoso engano. Não há divisões em nossa vida, tudo o que fazemos deve ser dedicado ao Senhor, em todo o momento e em todo lugar (1Pe 1.15).
  2. Adorando a Deus na obediência diária. Entendendo que tudo em nossa vida é do Pai, compreendemos também que devemos louvá-lo em nossas atividades diárias. Por isso, aquele que lidera uma equipe no trabalho, deve agir com justiça e equidade (Cl 4.1), sem ameaças sabendo que o Senhor de tudo está no céu (Ef 6.9). O cristão que exerce um cargo de chefia com opressão e desrespeito está pecando contra Deus. Já o crente que é empregado em um estabelecimento deve saber que quando trabalha com seriedade e produtividade, faz de sua profissão seu sacerdócio (Ef 6.5-8; Cl 3.23,24; Tt 2.9,10).
  3. Fazendo da vida um altar de adoração. As verdades que aprendemos nesta lição devem nos inspirar a ter responsabilidades em nossas escolhas. Devemos sempre pensar: As pessoas com que me relaciono são inspiradas a ter uma vida com Deus a partir de meu testemunho? Sou reconhecido como um profissional de referência, um estudante dedicado ou constantemente escuto críticas negativas a meu respeito? Afasto as pessoas de Deus com minha falta de obediência à vontade do Pai? Que nossa vida, hoje e sempre, seja um altar vivo de adoração (Sl 34.18).

 

Pense!

 

Ao aplicar-se com amor a suas atividades você despertará nas pessoas o desejo de saber porque você é tão feliz e dedicado em tudo o que faz; nessas oportunidades, declare com alegria: Não sou eu, é Cristo em mim! 

Ponto Importante

 

Algumas pessoas fazem de sua existência um emaranhado de subdivisões: vida profissional, acadêmica, amorosa, espiritual, familiar, etc. Você não possui várias “vidas” separadas entre si. 

 

CONCLUSÃO

 

Como vimos, adoração e obediência não podem ser separadas uma da outra. Somente quem possui um coração de servo, disposto a obedecer em todas as instâncias de sua vida, é capaz de adorar a Deus com excelência.

 

 

HORA DA REVISÃO 

  1. Em que sentido adoração e obediência estão interligadas?

Sempre que alguém está adorando a Deus, esta pessoa está obedientemente submetendo-se à vontade de Deus; todas as vezes que agimos debaixo de obediência, Deus é glorificado em nossas vidas. 

  1. Qual foi o grande erro do povo de Israel, no período dos Juízes, quanto à obediência e adoração?

Acreditar que a obediência e a adoração podiam ser dissociadas de tal modo que, mesmo em desobediência frontal à vontade de Deus, eles poderiam ainda assim adorá-lo. 

  1. Se a Bíblia é um livro escrito há quase 2.000 anos, num contexto cultural diferente, como ela pode ser nosso manual de vida e prática?

A Bíblia contém princípios que são imprescindíveis, universais e eternos. 

  1. É possível louvar a Deus desobedecendo sua Palavra? Justifique sua resposta.

Não. Resposta pessoal. SUGESTÃO: pois a materialização da obediência a Deus está diretamente vinculada às ordenanças por Ele apresentadas na Bíblia.

 

  1. Como posso adorar a Deus em minhas atividades do dia a dia?

Sendo exemplo de obediência e honradez no cumprimento de minhas responsabilidades.

 

SUBSÍDIO I

 

“Quando Deus criou os dois primeiros seres humanos, Adão e Eva, estabeleceu um limite moral: ‘E ordenou o Senhor Deus ao homem,dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás’ (Gn 2.16,17). Adão e Eva eram livres para acreditar em Deus e obedecer a sua lei, ou desobedecê-lo e sofrerem as consequências. Essa mesma escolha confronta cada pessoa no decorrer da história. Obediência a Deus não é uma questão de seguir regras arbitrariamente impostas por um mestre severo. Mas um meio de entrar na vida real, uma vida cheia de significado e propósito: ‘Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal... escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua semente’ (Dt 30.15-19). A obediência também não é apenas sobre ações externas. Mas uma reação interna a Deus como um ser pessoal; é a escolha de conhecer e amar (Dt 6.5). No âmago dos mandamentos de Deus não está um conjunto de princípios ou uma lista de expectativas, mas a essência de um relacionamento. Somos feitos para amar a Deus com todo o nosso ser” (COLSON, Charles & PEARCEY, Nancy. E Agora Como Viveremos? 1ª Edição. RJ: CPAD, 2000. pp.235,236).

 

SUBSÍDIO II

 

“Quando chegamos no Novo Testamento, a primeira coisa que notamos é que todo o povo de Deus é dotado e chamado para fazer várias obras pelo Espírito de Deus (veja Atos 2.17; 1 Coríntios 12.7), e não apenas as pessoas especiais como os artesãos do Templo, reis ou profetas. Todo o trabalho humano, quer seja complicado ou simples, é possibilitado pela operação do Espírito de Deus na pessoa que trabalha. Como poderia ser diferente? Se a vida inteira do cristão é por definição uma vida no Espírito, então o trabalho não pode ser exceção, quer seja trabalho religioso ou trabalho secular, trabalho ‘espiritual’ ou trabalho mundano. Em outras palavras, trabalhar no Espírito é uma dimensão do andar cristão no Espírito (veja Rm 8.4; Gl 5.16-25). Deus deseja que todos os cristãos utilizem pelo trabalho que fazem os vários dons que Ele lhes deu. Deus chama os indivíduos para entrar no seu Reino e viver uma vida de acordo com as suas demandas. Quando eles respondem, Deus os capacita a dar o fruto do Espírito e os dota cada um com os múltiplos dons do Espírito. Na qualidade de pessoas dotadas pelo Espírito e guiadas pelas demandas do amor, os cristãos devem fazer seu trabalho na obra de Deus e da humanidade” (PALMER, Michael D. (Ed.). Panorama do Pensamento Cristão. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2001. p.228).

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS LIÇÃO N.3

 4º Trimestre de 2016 

Título: Em Espírito e em verdade — A essência da adoração cristã

Comentarista: Thiago Brazil

Lição 3: A adoração após a Queda

Data: 16 de Outubro de 2016

 

TEXTO DO DIA

 

“Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo [...]” (Hb 11.4).

 

SÍNTESE

 

A adoração a Deus conduz-nos a uma vida de maior intimidade com o Senhor. Mas, neste percurso, muitas vezes nos deparamos com um perigoso obstáculo, nosso coração mau e teimoso.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Gn 4.2

Abel e Caim, duas trajetórias 

TERÇA — 1Jo 3.12

Caim, homem de comportamento maligno 

QUARTA — Mt 23.35

Abel, um homem justo

QUINTA — Gn 4.16

Por seu pecado, Caim não pôde permanecer na presença de Deus 

SEXTA — Jd 11

Caim, paradigma daqueles que entraram pelo caminho mal 

SÁBADO — Hb 12.24

O sangue de Jesus para a obra da salvação

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

DISCUTIR os principais aspectos do relato bíblico sobre Abel e Caim.

RELACIONAR os conflitos vivenciados por Caim com as crises que enfrentam aqueles que não têm um coração puro diante de Deus.

DEMONSTRAR que as crises que vivenciamos na Igreja estão diretamente ligadas aos nossos relacionamentos com as outras pessoas, nunca com Deus.

 

INTERAÇÃO

 

A vida em comunidade é um enorme desafio; são pessoas diferentes, com visões e percepções diversas, unidos por um elemento em comum, no nosso caso, a fé. Pressupõe-se que a Igreja seja um ambiente de construção de relacionamentos sadios, abençoadores e fundamentados em Deus. Mas na verdade, como bem sabemos, nem sempre é assim. A narrativa acerca de Abel e Caim ilustra de maneira primorosa como nossa convivência com outras pessoas pode ser conturbada e traumática. Eram irmãos, orientados a desenvolverem uma espiritualidade viva, todavia, foi exatamente no espaço religioso que o conflito tomou corpo: inveja, insegurança, rancor e raiva encheram o coração de um dos irmãos, enquanto o outro experimentava gratidão, acolhimento, aceitação e paz.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

“Inveja”, esta parece ser uma das palavras-chave de nossa lição hoje. Desafie seus educandos a montarem um quadro identificando os comportamentos que podem ser definidos como práticas que tem seu fundamento na inveja. Lembre-se, este deve ser um momento construtivo na aula, não de “lavagem de roupa suja” ou de exposição da vida de uma pessoa específica, antes, instigue-os a partirem da própria experiência pessoal, de seus sentimentos particulares.

Demonstre aos seus educandos que não existe “inveja positiva” e que a raiz de tal sentimento sempre é a vontade de destruição do outro. Se possível, ao final deste momento, realize uma oração, clamando ao Pai por cura e restauração aos corações feridos e machucados pela inveja.

 

TEXTO BÍBLICO

 

Gênesis 4.1-8. 

1 — E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu, e teve a Caim, e disse: Alcancei do SENHOR um varão.

2 — E teve mais a seu irmão Abel; e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra.

3 — E aconteceu, ao cabo de dias, que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR.

4 — E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta.

5 — Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o seu semblante.

6 — E o SENHOR disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante?

7 — Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E, se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás.

8 — E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel e o matou.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO

 

Na aula de hoje, vamos analisar um dos mais trágicos textos da Bíblia Sagrada: o fratricídio de Abel por Caim. Dentre as várias maneiras de se estudar este denso relato bíblico, o elemento do culto não pode ser desconsiderado em nenhuma delas. O fio condutor que interliga toda história de Abel e Caim é a adoração. Como compreender que o contexto da adoração a Deus pode fazer tanto bem a alguns e deixar outros tão mal? É sobre isso que pensaremos hoje.

 

  1. ENTRE SACRIFÍCIOS E ASSASSINATOS: OS PRIMEIROS ANOS DEPOIS DA QUEDA
  1. A vida além do jardim de Deus. Os primeiros versículos do quarto capítulo do Gênesis concentram-se na apresentação das histórias de Caim, em hebraico eth — “com ajuda de...” e Abel, hébel, que significa “vaidade”, “efêmero”. Apesar das dores prometidas, da maldição sobre a terra e do esforço redobrado para a subsistência (Gn 3.16-19), Deus não havia abandonado seus filhos como bem reconhece Eva, pois era “com ajuda do Senhor” que a vida continuava após a Queda. Conta-nos o texto que Caim foi lavrador, enquanto Abel pastor de ovelhas. As diferenças entre os filhos de Eva não se limitavam apenas a suas profissões; ambos eram muito diferentes quanto ao caráter (1Jo 3.12).
  2. A adoração presente após a Queda. De maneira absolutamente sucinta a Bíblia relata o acontecimento em Gênesis 4.3-5. Esta é uma típica cena do Antigo Testamento: no fim de um ciclo produtivo, as pessoas desejavam agradecer a Deus pelo bom resultado de seus trabalhos, e apresentavam-se diante do Altíssimo para oferecerem-lhe sacrifícios. Abel, criador de animais, traz o melhor de suas ovelhas. Caim, agricultor, oferece o fruto dos seus campos. Tudo ficaria dentro da normalidade se o escritor do Gênesis não destacasse a intrigante nota: “[...] e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou [...]” (v.4,5). Aqui está um detalhe relevante para nossas discussões a respeito do louvor e adoração que levanta vários questionamentos: Deus não recebe todo tipo de adoração? Como devo louvar para que minha adoração seja aceita? Neste caso a rejeição e a aprovação estão relacionadas aos elementos ofertados ou à vida das pessoas que ofertam?
  3. A oferta que revela os corações. Há várias hipóteses que procuram explicar a relação “aceitação — Abel x rejeição — Caim” neste texto. Abel apresentou suas primícias, enquanto Caim trouxe uma parte qualquer de sua produção. O problema se concentraria na importância que cada um deu àquilo que ofertou, o que revelaria o quanto o ato de ofertar seria significativo ou não. Seguindo outra análise, Abel já era um homem justo (Hb 11.4), Caim já era uma pessoa “do maligno” e de más obras (Jd 11), a aceitação-rejeição dos sacrifícios é uma imagem de louvor e denúncia dos comportamentos de ambos. Associar estes acontecimentos exclusivamente à natureza dos elementos ofertados — gordura e sangue de um lado, vegetais do outro — é muito precipitado. Nem a melhor oferta trazida por alguém consegue esconder seu coração diante de Deus. 

Pense!

 

Quando apresento minha adoração a Deus, o que meu louvor revela? Inveja, segundas intenções, egoísmo?

 

Ponto Importante

 

A Queda foi um terrível acontecimento na história da humanidade, o amor de Deus, entretanto, nunca nos abandonou. 

  1. QUANDO O MOMENTO DE LOUVOR TORNA-SE MOMENTO DE DOR

 

  1. Caim não aceitou a verdade. O texto não deixa claro de que modo Caim percebeu a rejeição de Deus para sua oferta. Se foi uma conversa pessoal ou um sinal que repercutiu em seu trabalho no campo, isso não nos é revelado. O fato é que diante da terrível constatação: “O Senhor não recebeu minha adoração!”, Caim agravou a situação — irou-se, expôs publicamente sua revolta, mas em momento algum procurou a Deus. Quando estamos diante de Deus, não há máscaras, personagens, mentiras, revelamo-nos em nossa inteireza. Caim não gostou do que viu. Diante da bondade de Deus, o coração mau do filho de Adão veio à tona, e isto entristeceu-lhe. O que Caim deveria ter feito? Deveria ter se humilhando e pedido ajuda do Pai.
  2. A adoração como momento de cura e restauração. Quantas pessoas têm o privilégio de serem tão abertamente esclarecidas pela palavra divina como Caim? O ato de Deus para com o filho de Eva não era punição, mas orientação. Tanto que o Senhor preocupa-se em esclarecê-lo e conscientizá-lo sobre os riscos que ele corria se não mudasse de postura (v.6,7). Reconhecer nossos erros não é nada fácil, é custoso, muitas vezes doloroso, mas como nos demonstra o caso de Caim, absolutamente necessário. Por não escutar a voz do Senhor, as consequências para Caim foram desastrosas (v.11,12). Caim não estava “predestinado” a matar Abel, pois o Senhor declarou-lhe o caminho de restauração. É diante de Deus, em adoração, que curamos nossas feridas e recebemos alento e ajuda do céu (2Co 12.7-10).
  3. O que acontece quando não levamos a adoração a sério. Caim não escutou as advertências de Deus. Isto parece ser mais uma prova de seu caráter duvidoso, de sua adoração mecânica e ritualística, que tinha como fim cumprir uma obrigação e não apresentar gratidão. A revelação do Senhor para Caim foi sem arrodeios (v.7). Ele, todavia, não temeu ao Senhor e covardemente assassinou seu irmão. Se continuarmos a leitura do texto, perceberemos que, cinicamente, Caim nega o fratricídio, e demonstra absoluta frieza ao declarar que nada tem a ver com seu irmão e que não é seu “guardador”. Quando não consideramos o louvor como algo digno de honra entre nós, nosso coração enche-se de terrível maldade (Is 46.12; Ez 2.1-5). Talvez o pior de tudo isso é quando a maldade extrapola nossos corações e fere quem está perto nós.

 

Pense!

 

Aceitar a verdade é o momento inicial para qualquer tratamento. A fuga da verdade nos enfraquece e constitui uma realidade falsa à nossa vista.

 

Ponto Importante 

Você já foi curado de dores ou feridas na alma enquanto louvava a Deus? A adoração ao Pai é o caminho por excelência para recebermos do céu o remédio necessário e suficiente para restabelecermos nosso bem-estar espiritual.

 

III. DEUS NÃO FICA INERTE DIANTE DA INJUSTIÇA

 

  1. A dor do justo (v.8). Esse é o primeiro registro nas Sagradas Escrituras da complexa questão: Por que sofre o justo? Esta indagação percorrerá toda a Bíblia, em inúmeros episódios. Como entender que a malignidade de Caim teve poder para realizar tão brutal ato? Mais ainda, como explicar a morte daquele que agradava ao Pai, sem que este interviesse na história? Estas são questões intrincadas com as quais somos desafiados a tratar diariamente, em nossas cidades, igrejas e famílias. Diante das múltiplas variáveis para responder os porquês, ao menos uma verdade emerge: Deus não fica inerte diante da injustiça. Os “Cains” nunca ficarão impunes! (v.11-16) Quanto aos “Abéis”, nenhuma morte pode enterrar suas bondades e atos de justiça os quais brilharão e servirão de inspiração às novas gerações. Talvez, “Porque o justo sofre?” seja uma pergunta demasiadamente complexa para respondermos, consolemo-nos com uma certeza: o justo nunca será desamparado, nem sua família (Sl 37.25).
  2. Conflitos e dores nos espaços de adoração. Nem sempre teremos no ambiente de adoração somente pessoas como Abel, desejosas de oferecer a Deus suas vidas e dons. Entretanto, como Abel, devemos focar nossa vida e adoração para o serviço a Deus. E devemos nos lembrar de que o Senhor conhece aqueles que realmente estão adorando no culto. O amor de Deus é capaz de nos direcionar nos momentos de adoração dentro e fora da congregação. E os que são maus, como Caim, não terão guarida onde os santos vivem (Sl 1.5).
  3. Quem feriu quem? Uma última verdade que necessitamos explicitar, acerca de Abel e de sua morte pelas mãos de Caim é a seguinte: Deus não foi o responsável pelo que aconteceu! Há pessoas que, quando sofrem, reputam seu sofrimento a Deus. Ocorre que em um mesmo lugar de adoração podemos ter pessoas com o sentimento de Abel e o sentimento de Caim, mas isso não deve ser motivo para desistir da vida em comunidade. Por isso, não há motivos para abandonar sua comunhão com o Pai. O Senhor nos ama infinitamente (Ef 3.18,19). Se pessoas te decepcionaram, Deus nunca nos desapontará (Sl 94.14).

 

Pense!

 

O que você tem, dentro de seu campo de ação, feito para tornar sua igreja um local onde pessoas feridas possam encontrar cura e acolhimento para suas vidas?

 

Ponto Importante 

O reconhecimento de relações conflituosas é um passo importante para a construção de um ambiente de cura e restauração.

 

CONCLUSÃO

 

Partindo do olhar construído durante toda esta lição, podemos afirmar que há dois tipos de pessoas que se apresentam diante do Pai em adoração: Aquelas que reconhecem a soberania dEle, e por isso são capazes de darem o melhor de si; e as outras que não podem dar a Deus o melhor de si porque estão envoltos em maldade e inveja. Para estes há punição, para aqueles Deus destina amor, paz e redenção. 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

ANDRADE, Claudionor, de. O Começo de Todas as Coisas. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2015.

 HORA DA REVISÃO

 

  1. Se Deus expulsou Adão e Eva do seu jardim, por que continuou ainda aceitando a adoração destes?

Porque a disciplina pelo pecado do primeiro casal era fruto do amor e cuidado de Deus, não era um sinal de abandono e rejeição. 

  1. Dentre as várias possibilidades possíveis, apresente uma explicação para o fato de Deus ter aceitado o sacrifício de Abel e rejeitado o de Caim.

Resposta Pessoal. SUGESTÃO: As obras e o caráter de Abel eram boas, enquanto que a vida e coração de Caim denunciavam sua maldade.

 

  1. Você concorda com a afirmação: “Quando estamos em adoração diante de Deus, todas as máscaras caem”? Justifique sua resposta.

Resposta Pessoal. Sugestão: Sim, pois diante de Deus, aquEle que habita na imarcescível luz, tudo o que somos manifesta-se.

 

  1. Esclareça o que acontece quando não consideramos a adoração a Deus como algo importante.

Nosso coração enche-se de terrível maldade. Talvez o pior de tudo isso é quando a maldade extrapola nossos corações e fere o que está perto de nós.

 

  1. O que você diria a alguém que, como Abel, foi ferido e machucado por prestar uma adoração sincera a Deus?

Nunca abandone sua comunhão com o Pai. O Senhor nos ama infinitamente. Se pessoas lhe decepcionaram, Deus nunca nos desapontará.

 

SUBSÍDIO

 

“A morte reinou desde que Adão pecou, mas nós não lemos sobre alguém ter sido feito prisioneiro por ela até agora. Assim sendo: O primeiro que morre é um santo, alguém que era aceito e amado por Deus, para mostrar que, embora a semente prometida estivesse muito longe para destruir aquele que tinha o poder da morte assim como para salvar os crentes de seu aguilhão, ainda hoje eles estão expostos aos seus ataques. O primeiro que foi para a sepultura foi para o céu. Mais ainda: O primeiro que morreu foi um mártir, e morreu por sua religião. A morte de Abel não apenas não tem nenhuma maldição em si, mas tem uma coroa. Assim é tão admiravelmente bem alterada uma característica da morte: ela passa a ser apresentada como inócua e inofensiva para aqueles que morrem em Cristo, além de honrosa e gloriosa para aqueles que morrem por Ele. E assim, não estranhemos se nos sobrevier alguma prova ardente, nem recuemos se formos chamados para resistir até o sangue. Porque nós sabemos que existe uma coroa de vida para aqueles que são fiéis até a morte” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Matthew Henry: Gênesis a Deuteronômio. Volume 1. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2010. p.37).

fonte www.mauricioberwald.com

 

 

                              LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS

                                    4º Trimestre de 2016

 

Título: Em Espírito e em verdade — A essência da adoração cristã

Comentarista: Thiago Brazil 

Lição 4: Adoração como cumprimento da vontade de Deus

Data: 23 de Outubro de 2016

 

TEXTO DO DIA

 

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).

 

SÍNTESE 

Quando uma pessoa resolve desenvolver uma vida de adoração e louvor a Deus, compreender a vontade do Pai torna-se o caminho mais fácil para atingir esse objetivo tão maravilhoso.

 

                                  AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Gn 22.5

A inabalável fé de Abraão

TERÇA — Gn 26.24

A promessa a Isaque

QUARTA — Jo 9.31

O Senhor ouve aqueles que fazem sua vontade

QUINTA — Gn 17.1

A adoração que leva ao aperfeiçoamento do adorador

SEXTA — 1Pe 4.19

Aqueles que padecem fazendo a vontade de Deus

SÁBADO — Mc 3.34,35

O cumprimento da vontade de Deus

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

APRESENTAR Abraão como exemplo de fé e adoração do Antigo Testamento;

RELACIONAR a trajetória de Isaque com os desafios para cumprir a vontade de Deus;

ANALISAR, a partir da parábola dos dois irmãos, as características daqueles que adoram a Deus cumprindo sua vontade.

 

INTERAÇÃO 

Os jovens que compõem nossas salas de ED, assim como qualquer pessoa, muitas vezes ficam ansiosos diante das múltiplas possibilidades que a vida apresenta. Ao tratar de um assunto tão relevante quanto à relação entre adoração e a vontade de Deus, lembre-se sempre de fazer uma abordagem cheia de amor e misericórdia, pois muitas pessoas vão se identificar com os dilemas enfrentados pelos personagens bíblicos, os quais muitas vezes retratam a condição humana: cheia de ansiedades e medos.

Procure demonstrar a seus educandos que assim como Abraão e Isaque conseguiram discernir a vontade de Deus, e assim desfrutaram de uma vida para a glória do Pai, assim também eles, tendo fé e paciência, compreenderão os planos do Senhor para as vidas deles. Falar de esperança e paciência para quem vive na geração do imediatismo não é nada fácil, mas isso também faz parte de nosso ministério enquanto educadores de valores espirituais.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Inicie sua aula anunciando que ao final da ministração, se toda classe participar ativamente, todos receberão um prêmio — nessas horas chocolate parece ser melhor que uma medalha de ouro. Não diga que prêmio, nem demonstre que trouxe alguma coisa. Exercite a fé e a esperança deles — claro que fé e esperança num presente humano servirão apenas como um pequeno exercício para comparar com disposição espiritual que devemos ter.

Ministre sua aula inteira, em momentos pontuais chame-os a participar mais, a crerem no galardão que receberão no final. Lembre-os que se eles não conseguem acreditar nas promessas feitas por uma pessoa de carne e osso que eles constantemente veem, como crerão nas palavras do Criador? Finalizando sua aula, sinalize como se tudo estivesse acabando, mas antes que suas palavras caiam no descrédito, surpreenda todos com a apresentação do prêmio justo que os fiéis merecem.

 

                                        TEXTO BÍBLICO 

                                        Gênesis 12.1-8.

 

1 — Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.

2 — E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção.

3 — E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.

4 — Assim, partiu Abrão, como o SENHOR lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos, quando saiu de Harã.

5 — E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e toda a sua fazenda, que haviam adquirido, e as almas que lhe acresceram em Harã; e saíram para irem à terra de Canaã; e vieram à terra de Canaã.

6 — E passou Abrão por aquela terra até ao lugar de Siquém, até ao carvalho de Moré; e estavam, então, os cananeus na terra.

7 — E apareceu o SENHOR a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra. E edificou ali um altar ao SENHOR, que lhe aparecera.

8 — E moveu-se dali para a montanha à banda do oriente de Betel e armou a sua tenda, tendo Betel ao ocidente e Ai ao oriente; e edificou ali um altar ao SENHOR e invocou o nome do SENHOR.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO

 

É a respeito de adorar a Deus, mesmo quando tudo parece errado, que falaremos hoje. Partindo da narrativa bíblica a respeito de Abraão e seu herdeiro Isaque, concentrar-nos-emos no esforço de demonstrar que cumprir a vontade de Deus é o único caminho para a verdadeira adoração.

 

  1. ABRAÃO: A PARTIR DE UM HOMEM, O CUMPRIMENTO DO PLANO DE DEUS PARA TODAS AS FAMÍLIAS DA TERRA 
  1. Para adorar não basta saber a vontade de Deus, é necessário cumpri-la. A vida de Abrão, que começa a ser narrada pela Bíblia a partir dos 75 anos, pode ser descrita como um conjunto de desafios de fé. Sair da terra natal (Gn 12.1); ir para terras desérticas (13.9); lutar contra exércitos poderosos (14.15); ofertar a Deus quando não há certeza alguma sobre o futuro (14.20); esperar por um filho que demorou a chegar (15.4). Entretanto, o mais importante sobre estes e tantos outros atos relacionados a Abraão que pudéssemos contar, é o fato de que conhecer a vontade de Deus não teria gerado nenhum efeito na vida do patriarca, pois saber não é o bastante é necessário crer. Ou seja, conscientizar o coração de que a despeito de todos os impedimentos e aparentes impossibilidades, há um Deus bom que nos ajuda a cumprir seus maravilhosos planos. Nosso relacionamento com Deus não pode reduzir-se a um conjunto de pressupostos racionais; o Senhor nos convida para uma união de amor e transbordamento de felicidade.
  2. E quando a vontade de Deus contraria nossa vontade? Abraão, assim como vários de nós, foi alguém que viveu situações limites: cumprir a vontade de Deus, muitas vezes, é confrontar diretamente o desejo de nosso coração. O grande desafio é abandonar aquilo que desejamos e que vemos, por aquilo que Deus quer, e apenas esperar. Acreditar na justiça de Deus; deixar ir um filho amado (21.12); o sacrifício do filho mui amado (22.2). Em algumas destas situações a proposta divina parecia pior do que o contexto terreno já constituído. É por isso que andamos por fé, e não por vista (2Co 5.7), por que a fé lança-nos no centro do coração do Pai, já nossa vontade está limitada e reduzida pela aparência. Demonstra-se assim que aquele que adora o Pai, necessariamente, é aquele que cumpre a sua vontade. Alinhar nosso coração com o de Deus, é a única maneira de experimentar uma vida de louvor ao Criador.
  3. O fim da vida daquele que cumpre a vontade de Deus. O relato do momento final da vida de Abraão é animador (25.8-11). Os momentos maus não dominaram sua vida e sua velhice foi definida como boa (v.8a). Seus dias não foram abreviados, nem consumidos, mas fartos (v.8b). Seus filhos estavam junto a ele (v.9), e tanto Ismael quanto Isaque tiveram vidas abençoadas (21.13,20; 25.11). Não poderia ser de outro modo, Abraão abriu mão de seu roteiro particular de vida para experimentar a “boa, perfeita e agradável” vontade de Deus para ele. O Senhor foi adorado na vida de Abraão muito mais pelo que o patriarca fez do que pelo que disse. Não foram as orações longas ou louvores afinados de Abraão que alegraram ao Senhor, e sim, sua renúncia, sua obediência e sua esperança de que em Deus estaria sempre o melhor. Por isso, Paulo pode declarar que desde o Antigo Testamento há um homem que nos inspira a confiar nas promessas de Deus, nosso pai Abraão (Rm 4.16).

 

Pense!

Você seria capaz de abrir mão de seus sonhos para cumprir a vontade de Deus?

Ponto Importante 

A vontade de Deus na época de Abraão era manifesta por meio de revelações, sonhos, visões. Hoje, a Bíblia Sagrada é o caminho por excelência da revelação de Deus! 

 

  1. ISAQUE: QUEM ESPERA A VONTADE DE DEUS RECEBE A MELHOR PARTE
  2. Isaque, filho da promessa, vivo pela promessa. A história de Isaque é toda envolta em milagres e manifestações da vontade de Deus. Sua chegada foi anunciada décadas antes de seu nascimento (15.4). Contudo, um dos momentos mais críticos para entendermos o plano de Deus para Isaque foi quando seu pai foi a Moriá. Sem saber até instantes antes do sacrifício o que aconteceria (22.7), lá no cume do monte Isaque rendeu-se à vontade de Deus. Esta obediência de Isaque pode ser inferida pelos seguintes fatos: Abraão já um idoso centenário, Isaque um adolescente na flor de seu vigor; se o texto diz-nos que Abraão esteve a ponto de sacrificá-lo (22.10), fica claro que, assim como seu pai, Isaque também cria que a vontade de Deus jamais seria frustrada, mesmo quando tudo aparentemente apontava o contrário.
  1. Aceitando a vontade de Deus em todas as áreas da vida. Para algumas pessoas, acatar a vontade de Deus quanto ao ministério a ser exercido na Igreja ou aos dons espirituais é fácil, porém para a maioria não é assim. Mas, e quanto nossa vida profissional, acadêmica e até sentimental, Deus tem interesse nela? É claro que o Senhor está interessado em abençoar-nos também nessas áreas, pois Deus deseja nossa felicidade em todos os aspectos de nossa existência. Isaque é um exemplo disto.
  2. Cumprir a vontade de Deus não é fácil. A vida também não foi simples para Isaque. Ele enfrentou a dor da infertilidade de sua esposa (25.21) e peregrinou em terras desconhecidas (26.1-6); correu riscos de morte (26.7-11); viu conflitos familiares estabelecerem-se dentro de sua casa (27.1-46). É importante apresentar estes embates enfrentados por Isaque para demonstrar que o cumprimento da vontade de Deus, e com isto uma vida de adoração, não nos torna imunes a dores, sofrimentos, medos; permite-nos, entretanto, que tenhamos a convicção de que o universo não é um caos, e que os acontecimentos do mundo submetem-se à soberania de Cristo. Se crermos e obedecermos, como já tem prometido o Senhor, experimentaremos o melhor de Deus para nós (Is 1.19). 

Pense!

Você teria a confiança que Isaque teve, de entregar, literalmente, a vida nas mãos de quem você ama e acreditar que esta pessoa, seguindo a orientação de Deus, fará o melhor por você? 

Ponto Importante

 

Os exemplos de Isaque e Abraão demonstram-nos que não há idade mínima ou máxima para submeter-se à vontade de Deus. 

III. COMO POSSO SABER SE ESTOU FAZENDO A VONTADE DE DEUS E, POR ISSO, ADORANDO-O 

  1. A parábola dos dois filhos (Mt 21.28-32). Esta parábola resume bem a crítica de Jesus contra certos líderes de sua época. Também fala da necessidade de acolhermos pessoas desprezadas e excluídas. Interessa-nos, porém, a imagem literária que Jesus constrói para denunciar os hipócritas que fingiam adoração e aqueles que verdadeiramente buscavam ao Pai. Tudo concentra-se no cumprimento ou descumprimento da vontade de Deus. Jesus fala que existe um enorme grupo de pessoas que exteriormente parecem boas, cerimonialmente cumprem as regras, mas que tudo, na verdade, é só da boca para fora, pois não há arrependimento nem submissão alegre à vontade de Deus (v.30). Há, contudo, um grupo que assumidamente erra, flagrantemente desrespeita ao Pai, esses porém arrependem-se e obedecem ao Pai (v.29). Na verdade esse último grupo vive sem máscaras, é completamente sincero, na verdade não queriam ir e obedecer, não escondem esse sentimento, mas constrangidos pelo amor do Pai, vão.
  2. Muito mais que palavras (Mt 7.21). Adorar a Deus, louvar seu santo nome, é muito mais que um conjunto de palavras mágicas que fazem a divindade “funcionar” a nosso favor. O Criador do universo não é um caricatural gênio da lâmpada mágica. Adorar é algo que emerge da alma, que revela a nossa interioridade.
  3. Qual a motivação da sua vida? (Jo 4.34). O que motiva você a seguir quando tudo dá errado? Quando as expectativas se frustram, os supostos amigos te abandonam, até mesmo a confiança em si falha? O Mestre deixou bem explícito qual era o alimento de seu ser: o imenso desejo de ser agente do Reino de Deus neste mundo. Não espere aplausos, tapinhas nas costas, pois nem sempre fazer a vontade de Deus significa necessariamente ser reconhecido pelas pessoas que nos cercam. Entretanto, mais importa obedecer a Deus do que aos homens. 

Pense!

Será que nossa experiência evangélica contemporânea tem colaborado para formar pessoas que, confessando seus pecados e maldades, buscam fazer a vontade de Deus? 

Ponto Importante 

Saber o que nos alimenta, isto é, qual o combustível de nossa existência é algo imprescindível para discernirmos as intenções de nossos corações — os quais são muito tendenciosos à cobiça vã e ao erro. Que seja o Reino, a vontade e o amor de Deus a força que nos impulsiona a viver. 

CONCLUSÃO 

Adoração e vontade de Deus são dois conceitos importantíssimos para o desenvolvimento da vida cristã. Dissociá-los é, na verdade, descaracterizá-los; só há adoração onde existe um coração nascido de novo que crucificou o eu e entregou o trono do desejo ao Criador do universo. Sabedores que somos destas verdades, busquemos intensamente a concretização da vontade de Deus em nossas vidas.

 

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Quando nossa vontade “colide” com a vontade de Deus o que fazer? Justifique sua resposta.

Escolher a vontade de Deus, pois ela é sempre boa, perfeita e agradável.

 

  1. O que se pode esperar para o fim da vida de um homem ou mulher que segue diligentemente a vontade do Pai?

Paz, prosperidade, alegria e realização pessoal e familiar.

 

  1. De que forma pode-se, e deve-se, relacionar adoração/louvor e obediência à vontade de Deus?

Quando uma pessoa cumpre a vontade de Deus inevitavelmente ela estará adorando a Deus com o melhor que tem, sua vida.

 

  1. Cite momentos da vida de Abraão e Isaque em que obedecer a vontade do Pai produziu louvores a Deus.

Abraão: saída para Canaã, oferecimento de Isaque, despedida de Ismael; Isaque: paciência para o recebimento da esposa, permanência na terra em tempo de seca, fé na oração que pedia um filho.

 

  1. Apresente uma interpretação plausível para a declaração de Jesus: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou” (Jo 4.34).

A motivação que animava Jesus a continuar seu ministério apesar dos problemas era a crença de que a vontade de Deus era o melhor.

 

SUBSÍDIO 

“Todos sabemos que existem consequências para as ações que praticamos. O que fazemos pode desencadear uma série de acontecimentos que talvez perdurem até muito tempo após a nossa morte. Infelizmente, quando tomamos uma decisão, a maioria de nós pensa somente nas consequências imediatas. Este engano é cometido com frequência pelo fato de termos um período de vida relativamente curto. Abraão teve uma escolha a fazer. Sua decisão consistia em partir com a família e os pertences para terras desconhecidas ou permanecer exatamente onde estava. Ele precisava decidir entre a segurança do que possuía e a incerteza de viajar sob a direção de Deus. Tudo com que ele contava para prosseguir era a promessa de que Deus iria guiá-lo e abençoá-lo. Abraão dificilmente poderia imaginar quanto o futuro dependia de sua decisão, mas sua obediência afetou a história do mundo inteiro. A resolução firme de obedecer e seguir a Deus resultou no desenvolvimento da nação que seria usada por Deus ao visitar Ele próprio a terra. Quando Jesus Cristo veio ao mundo, a promessa de Deus foi cumprida; através de Abraão o mundo inteiro foi abençoado” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, 1995. p.31).

 

 

                            LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS 

                                        4º Trimestre de 2016

 

Título: Em Espírito e em verdade — A essência da adoração cristã

Comentarista: Thiago Brazil 

Lição 5: A separação de um povo para adoração exclusiva

Data: 30 de Outubro de 2016 

TEXTO DO DIA 

“Porque povo santo és ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que sobre a terra há” (Dt 7.6).

 

SÍNTESE 

Todas as pessoas e instituições sobre a terra possuem uma finalidade que dota de sentido sua existência; para a nação de Israel, existir significa louvar e adorar ao único Deus verdadeiro.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — 1Cr 17.21

Povo incomparável 

TERÇA — 2Sm 7.24

A condição de povo especial 

QUARTA — 1Sm 12.22

A imutável fidelidade do Senhor 

QUINTA — Sl 100.3

Foi o Senhor que trouxe esse povo à existência 

SEXTA — 1Pe 2.9

A Igreja como povo de Deus 

SÁBADO — Tt 2.14

A finalidade do sacrifício de Jesus

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

DEMONSTRAR a maneira graciosa e miraculosa como Israel foi criado por Deus;

DISCUTIR a respeito da necessidade de separação de Israel como povo para louvar a Deus;

REFLETIR a respeito da relação entre Igreja e Israel.

 

INTERAÇÃO 

Na continuação de nossas reflexões a respeito do louvor e adoração a Deus, analisaremos na aula de hoje a gênese do povo de Israel como comunidade formada exclusivamente para a glória de Deus. Nascido das promessas anunciadas a Abraão e sua descendência, o povo de Israel é uma prova histórica da ação benevolente de Deus em favor daqueles que lhe servem amorosamente. Partiremos do episódio da saída do Egito para demonstrar a natureza do relacionamento de Deus com o seu povo que desafiadoramente exigia daquelas pessoas o rompimento com os costumes politeístas da época e as chamava para uma experiência de adoração reservada apenas a Deus.

Relacione a distante e longínqua história de Israel com a vida pessoal de cada um de seus educandos, desafiando-os a crer que se as promessas celestes foram o fundamento da subsistência de Israel, em todo tempo, especialmente nas crises, as promessas proferidas a eles têm em Jesus o sim e o amém (2Co 1.20).

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Desafie seus alunos a construírem uma linha do tempo destacando nela os principais acontecimentos de suas vidas. Após este momento especial de rememoração, solicite-os que selecionem e apresentem dentre os acontecimentos registrados o momento mais marcante para eles. Faça desta parte da sua aula um instante de partilha e aproximação coletiva. Ainda que haja momentos de descontração, esteja preparado para acolher aqueles que destacarão momentos de perda e dor como os mais significativos em suas histórias.

A partir dos elementos pessoais compartilhados neste instante, procure conduzir seus educandos à reflexão de que o fundamento de todas as nossas alegrias é Cristo, e que somente por meio dEle seremos capazes de superar os acontecimentos que nos causam ressentimentos.

Se houver possibilidade, ore em sala apresentando a trajetória de vida de cada uma destas pessoas especiais que o Senhor tem posto sobre seus cuidados espirituais.

 

TEXTO BÍBLICO 

Êxodo 19.1-8. 

1 — Ao terceiro mês da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no mesmo dia, vieram ao deserto do Sinai.

2 — Tendo partido de Refidim, vieram ao deserto do Sinai e acamparam-se no deserto; Israel, pois, ali acampou-se defronte do monte.

3 — E subiu Moisés a Deus, e o SENHOR o chamou do monte, dizendo: Assim falarás à casa de Jacó e anunciarás aos filhos de Israel:

4 — Vós tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos trouxe a mim;

5 — agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu concerto, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha.

6 — E vós me sereis reino sacerdotal e povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel.

7 — E veio Moisés, e chamou os anciãos do povo, e expôs diante deles todas estas palavras que o SENHOR lhe tinha ordenado.

8 — Então, todo o povo respondeu a uma voz e disse: Tudo o que o SENHOR tem falado faremos. E relatou Moisés ao SENHOR as palavras do povo.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO 

Miraculosamente Abraão, que era apenas um peregrino guiado pela voz de Deus, torna-se pai de uma multidão incontável (Hb 11.12). Aquela pequena família, que se alocou nas terras egípcias em busca de sobrevivência durante um período de fome, tornou-se um numeroso povo que causava medo aos governantes das terras do Nilo (Êx 1.10,11).

Com a bênção divina, nem a opressão do Egito nem seu controle de natalidade perverso, foram capazes de fazer estéril a semente santa abençoada por Deus. Mas abandonar a dependência — econômica e política — do Egito e aventurar-se num retorno a uma terra tão distante quanto os sonhos mais idealizados de qualquer israelita, era um enorme passo de fé; não mais para um homem e sua família, mas para centenas de milhares de pessoas.

É sobre essa trajetória, que exigiu ruptura com o comodismo e a construção de instrumentos coletivos de fé, que nossa lição se refletirá neste domingo.

 

  1. ISRAEL, POVO DE DEUS, POR DEUS E PARA DEUS 
  1. Quem fez este povo? Antropologicamente, afirma-se que um povo é o resultado de uma conjunção de fatores culturais, étnicos e econômicos que unem determinado grupo de pessoas que habita certo território através de vínculos e interesses comuns, que extrapolam os laços familiares. Segundo a fé cristã, estes fatores antropológicos, no caso do povo de Deus, foram diretamente coordenados pelo Altíssimo que, para o propósito específico que Ele determinou, fez surgir Israel. A riqueza de detalhes com que a Bíblia narra a formação do povo de Israel — as esterilidades das três matriarcas (Gn 11.30; 25.21; 30.1,22-24), as peregrinações e a escravidão — tem como função principal revelar a contínua intervenção de Deus nessa história, com o intuito final de deixar inconteste que a existência de Israel é ação da graça e poder de Jeová.
  2. Por que Israel? É evidente que dentre os milhares de povos já existentes àquela época, o Senhor poderia escolher qualquer um destes para torná-lo propriedade peculiar sua. Então, por que Israel foi o escolhido? Segundo Deuteronômio 7.6-10, foi a fidelidade do Senhor, ou como bem interpretam alguns tradutores, foi o “amor-leal” de Iavé para com às promessas feitas a Abraão, Isaque e Israel. Como argumenta o autor de Deuteronômio, não foram motivações materiais ou históricas que mobilizaram o Senhor a escolher Israel como sua possessão especial, mas isto foi resultado exclusivamente de um ato gracioso, que para sempre apontaria para a grandeza do Deus adorado por aquele povo, e nunca para algum tipo de mérito ou qualidade do povo em si. Esta evidência bíblica deve nos levar a refletir sobre o privilégio que alcança aquele que recebe promessas feitas pelo Senhor Deus.
  3. Para que este povo foi constituído? Não sendo obra do acaso, a existência de Israel tem uma clara razão de ser: louvar e adorar exclusivamente ao SENHOR (Dt 14.2; 1Cr 17.22). Diante de um conjunto de povos absolutamente politeístas, a “separação” que Deus exige de Israel não é algo essencialmente territorial, até porque em vários momentos da história do povo eles não terão sequer um torrão de terra, ou mesmo étnico, pois a interação entre a descendência de Abraão e outros povos será geralmente intensa. A separação do povo de Deus terá um caráter cúltico-espiritual; Israel deve evitar ao máximo influências externas que lhe desviem de sua vocação primária: adorar exclusivamente a Jeová. Por isso as tradições, festas, leis sociais, em suma, tudo em Israel deveria apontar para o Senhor e para o seu relacionamento com o seu povo especial. 

Pense!

Se Deus por sua vontade é poderoso para levantar um povo, que depois tornar-se-á nação, com a finalidade exclusiva de adorá-lo, o que Ele é capaz de fazer em sua vida para que se torne evidente que você não é fruto do acaso, mas resultado de um elaborado plano celeste que tem como fim a adoração? 

Ponto Importante 

Israel não existe por si nem para si; a finalidade da existência deste povo é engrandecer o Deus que lhe trouxe à realidade a partir de um simples homem que creu na vontade de Deus.

 

  1. A FORMAÇÃO E A SEPARAÇÃO DE ISRAEL 
  1. Da necessidade de sair do Egito. O refúgio no Egito durante mais de quatrocentos anos foi algo extremamente salutar para os descendentes de Jacó. De uma pequena família numerável em Êxodo 1.1-5, Israel torna-se uma multidão de centenas de milhares (Êx 12.37). Quando Moisés reporta-se ao faraó solicitando a liberação do povo de seus afazeres para ir ao deserto, a finalidade é apenas uma: “[...] Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto” (Êx 5.1). Os anos de escravidão estavam afastando Israel do foco de sua existência, a adoração ao Senhor. O Egito não era mais o lugar onde deveriam permanecer; era chegada a hora de voltar às terras prometidas ao patriarca Abraão. Mas sair das terras de faraó não significa apenas sair da escravidão, mas também abandonar casas, propriedades, uma vida já estabelecida a gerações. E agora, o que fazer?
  2. A necessidade de desfazer velhas relações para estabelecer novos vínculos. A permanência do povo no Egito garantir-lhes-ia estabilidade econômica e bem-estar familiar. Era um momento de escravidão, mas havia as “panelas de carne” e “pão” da terra de faraó (Êx 16.3). Havia, entretanto, uma ordem divina: saiam do Egito! Adorar a Deus envolve, muitas vezes, tomadas de decisões radicais que nos custam a comodidade da tradição, o conforto de tudo permanecer como está. A convocação de Deus para Israel no Egito é um símbolo da vontade dEle para seu povo. Israel não deveria servir a ninguém mais, apenas a Jeová (Êx 23.13). Não devia vender sua liberdade por cebolas ou alhos do Egito (Nm 11.5). A exclusividade de Israel para adoração a Deus é uma exigência desafiadora de ser cumprida num contexto social politeísta.
  3. O estabelecimento de novos valores. Antes de o povo deixar o Egito, era necessário que estivessem convictos de que se dedicar exclusivamente ao Senhor era o fundamento da sua liberdade. Não estavam sendo livres para o pecado, ou para submeterem-se ao julgo de outro déspota que se auto-intitulasse deus. A maravilhosa libertação de Israel tinha como finalidade gravar nos corações daquela geração, e das vindouras, que somente um Deus deveria ser reverenciado — exatamente aquele que lhes proporcionará o fim da escravidão — Jeová. A Páscoa deveria ser um memorial de celebração e uniria um aglomerado de pessoas como povo, as quais dali em diante passariam décadas sem território ou Estado, mas que estariam unidos pelos valores de fidelidade, gratidão e adoração ao Deus que os livrou da terra da exploração.

 

Pense! 

Se Israel foi desafiado a separar-se dos cultos pagãos e concentrar sua vida espiritual no louvor a Jeová, nosso desafio não pode ser diferente hoje — não sejamos escravos dos desejos carnais, do mundo ou de Satanás. 

Ponto Importante 

Jeová exige de Israel uma postura que rompia com os valores e tradições até então estabelecidas. Adoração torna-se sinônimo de exclusividade. 

 

III. SOMOS A NAÇÃO DA CRUZ 

  1. Israel como metáfora histórica da Igreja. Nossa discussão até aqui deixou claro que Deus formou e sustentou um povo para viver exclusivamente para seu louvor. Apesar da existência histórica de Israel, e da atual vigência das promessas de Deus a este povo, esta comunidade terrena pode ser utilizada como metáfora para falar da grande família que o Senhor deseja estabelecer na terra que, em o Novo Testamento, ganha o nome de Igreja. As promessas de Israel são específicas e restritas a este povo, todavia, em o Novo Testamento, a referência ao povo de Deus amplifica-se e ganha contornos universais — não mais regionais e culturais. A Igreja, como grupo de pessoas que reúne os salvos em Cristo, não é um Estado político ou uma civilização específica, mas o ajuntamento daqueles que foram alcançados pelos efeitos do sacrifício vicário de Jesus (Ef 2.11-22).
  2. A Igreja como povo santo. Em 1 Pedro 2.9,10, essa analogia da Igreja como povo ganha contornos vivos. Ao falar de uma série de procedimentos éticos a serem vivenciados por aqueles que nasceram de novo (vv.1,2), além da necessidade do reconhecimento da singularidade da obra redentora de Jesus (vv.3-9). Pedro declara que os partícipes, da Igreja que antes “não eram povo”, agora foram feitos “povo de Deus”. Novamente percebe-se aqui a ação de Cristo na constituição e manutenção do seu povo. A identificação do Senhor com esta comunidade não se dará por uma marca física (Gn 17.10) ou ligação étnica, mas exclusivamente por meio da fé na pessoa bendita de Jesus (Jo 1.12,13). Assim como Israel, somos separados — não de nossas relações ou papéis dentro de nossa sociedade — mas para uma vida plena de louvor e adoração a Deus.

 

Pense! 

A finalidade da Igreja é adoração, mas não podemos cair no erro de achar que Igreja é apenas o prédio ou a comunidade em que nos congregamos. Igreja somos todos nós, por isso, todas as ações que realizamos no cotidiano devem ter como objetivo último fazer o nome de Cristo ser louvado através de nós.

 

Ponto Importante 

Não devemos confundir as promessas específicas de Deus para o povo de Israel, com aquelas que possuem um caráter universal e que atingem todos os Filhos de Abraão, tanto os que são pela carne como os que são pela fé. Compreendamos que não há predileção de Deus, mas fidelidade à Palavra.

 

CONCLUSÃO 

É impossível dissociar a fé do povo de Israel de sua história. A formação, constituição e sustentação de Israel foi obra das benevolentes mãos de Deus. Tal como Israel, devemos, enquanto povo de Deus desta geração, reconhecer sua misericórdia como o fundamento de nossa vida e prosperidade. Aquilo que somos é resultado direto do amor do Pai, por isso devemos viver eternamente para adorá-lo.

 

 

HORA DA REVISÃO 

  1. Com que finalidade Deus formou o povo de Israel?

Com o intuito exclusivo de adorá-lo e louvá-lo continuamente.

 

  1. Por que Deus investiu tanto para Israel ser seu povo?

Porque Ele foi fiel às promessas feitas a Abraão, Isaque e Israel, que por consequência estenderam-se a toda sua descendência.

 

  1. O que significava para Israel sair do Egito?

Abandonar as comodidades de uma vida estabelecida e enfrentar o desafio de viver inteiramente pela fé.

 

  1. É possível fazer uma relação entre Israel e a Igreja? Qual?

Sim, assim como Israel foi povo exclusivo de Deus dedicado inteiramente à adoração ao Pai até o advento do Messias, assim também nós, aqueles que foram alcançados pela obra na cruz, devemos viver para a glória do Pai.

 

  1. Como povo de Deus hoje, qual deve ser nossa principal característica?

Nossa vida de adoração e devoção a Deus.

 

SUBSÍDIO 

“Depois da morte dos 12 patriarcas, os israelitas tiveram de esperar 400 anos até que uma nova geração de líderes estivesse pronta. E, conforme sabemos, não é sempre que aparece um libertador com a fidelidade de Moisés, um sacerdote com a postura de Arão, ou um general com a coragem de Josué. É imperioso que a nação seja submetida a alguns processos históricos, sociológicos, políticos e teológicos, visando o seu amadurecimento. Tais processos são bastante morosos; requerem décadas e, às vezes, séculos. Era imprescindível, pois, que os hebreus deixassem a fase tribal, a fim de se erguerem nacionalmente. Doravante, Deus não trataria mais diretamente com os patriarcas, mas haveria de tratar, através de seus profetas, com a nação. Os pais, contudo, jamais deixariam de ser lembrados como a principal referência teológica, ética e histórica dos hebreus. Nos momentos de crise e dificuldade, o Senhor apresentar-se-ia como o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Sua menção serviria, também, para lembrar aos israelitas que as alianças firmadas pelo Senhor com os antigos continuavam tão firmes quanto às leis que regem o Sol, a Lua, a Terra e as estrelas. Não é da noite para o dia que aparecem homens da estirpe de Moisés” (ANDRADE, Claudionor, de. O Começo de Todas as Coisas. 1ª Edição. RJ, CPAD: 2015, p.102).

 

   LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS 

 4º Trimestre de 2016

 

Título: Em Espírito e em verdade — A essência da adoração cristã

Comentarista: Thiago Brazil 

Lição 6: A institucionalização da adoração e do louvor

Data: 06 de Novembro de 2016 

 

TEXTO DO DIA 

“Assim, nós, teu povo e ovelhas de teu pasto, te louvaremos eternamente; de geração em geração cantaremos os teus louvores” (Sl 79.13).

 

SÍNTESE

 

A institucionalização da adoração e do louvor foi um processo pelo qual o povo de Israel teve de passar para enfrentar o desafio do crescimento e amadurecimento no meio de sua jornada no deserto.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Êx 25.8

A prescrição para a confecção do Tabernáculo 

TERÇA — Lv 9.7

Ordenanças de sacrifícios pelo povo e pelos sacerdotes 

QUARTA — Nm 3.10

A instituição do sacerdócio 

QUINTA — Lv 23.2

As solenidades sagradas de Israel 

SEXTA — Dt 10.8

Levi, a tribo vocacionada para o serviço da adoração 

SÁBADO — Êx 29.46

A finalidade dos sacrifícios

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

EXPLICAR as razões da institucionalização da adoração em Israel.

APRESENTAR as principais repercussões da institucionalização sobre a adoração e o louvor do povo de Israel.

DISCUTIR aspectos gerais da institucionalização na Igreja contemporânea.

 

INTERAÇÃO 

Nossa aula tem como foco principal buscar compreender os efeitos da institucionalização da adoração e do louvor em Israel. Apesar de aparentemente muito complexo, nosso tema pode suscitar excelentes debates. Por isso, não perca a oportunidade de aproximar seus educandos dessa temática atualíssima.

Partindo do exemplo histórico de Israel, procure desmistificar a imagem de que toda instituição é uma máquina burocrática e, por isso, alheia às necessidades das pessoas. Construa em sala de aula um espaço de discussão construtivo, de modo que ao final da aula, seus educandos percebam que apesar de institucionalizada, a Igreja é um organismo vivo, o próprio corpo de Cristo.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

O objetivo principal da atividade proposta a seguir é demonstrar aos membros de sua sala de aula a necessidade mínima de organização prévia, ou porque não dizer institucionalização para o desenvolvimento de qualquer atividade em grupo.

Inicie sua aula propondo a seus educandos que um deles vai ministrar o conteúdo em seu lugar e que este será escolhido aleatoriamente; depois da óbvia celeuma que vai se constituir, torne o contexto mais complexo ainda, afirme que cada um dos presentes será responsável pela apresentação de uma parte da lição. Provavelmente, depois de instantes de insegurança e apreensão para alguns deles, revele que tudo não passa de um experimento.

Finalize essa ação introdutória destacando a importância da existência de uma estrutura institucional em sua igreja local, e especialmente, na Escola Dominical, por meio da qual cada um dos participantes da turma pode reconhecer seu papel.

 

TEXTO BÍBLICO 

Deuteronômio 12.1-7. 

1 — Estes são os estatutos e os juízos que tereis cuidado em fazer na terra que vos deu o SENHOR, Deus de vossos pais, para a possuirdes todos os dias que viverdes sobre a terra.

2 — Totalmente destruireis todos os lugares onde as nações que possuireis serviram os seus deuses, sobre as altas montanhas, e sobre os outeiros, e debaixo de toda árvore verde;

3 — e derribareis os seus altares, e quebrareis as suas estátuas, e os seus bosques queimareis a fogo, e abatereis as imagens esculpidas dos seus deuses, e apagareis o seu nome daquele lugar.

4 — Assim não fareis para com o SENHOR, vosso Deus,

5 — mas buscareis o lugar que o SENHOR, vosso Deus, escolher de todas as vossas tribos, para ali pôr o seu nome e sua habitação; e ali vireis.

6 — E ali trareis os vossos holocaustos, e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos, e a oferta alçada da vossa mão, e os vossos votos, e as vossas ofertas voluntárias, e os primogênitos das vossas vacas e das vossas ovelhas.

7 — E ali comereis perante o SENHOR, vosso Deus, e vos alegrareis em tudo em que poreis a vossa mão, vós e as vossas casas, no que te abençoar o SENHOR, vosso Deus.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO 

Ao salvar Israel da opressão da terra do Egito, o Senhor Deus investiu sistematicamente na reeducação espiritual do povo, transmitindo-lhe seus estatutos e mandamentos especialmente com relação ao louvor e a adoração. Percebemos assim, a partir da saída do Egito até a chegada em Canaã, um esforço de Jeová em criar instituições, normas e regras que conduzissem Israel a uma adoração genuína e livre das influências estrangeiras. Por isso, é criado todo um sistema de sacrifícios - com significados e razões próprias. É confeccionado um centro de adoração móvel, através do qual o povo pudesse crer que a presença divina não lhes abandonara. É separada toda uma tribo para cuidar dos elementos do culto e uma família inteira para o ofício sacerdotal.

Esta série de prescrições devocionais exigidas de Israel deve levar-nos à reflexão a respeito da seriedade com que encaramos nossos momentos de louvor e adoração em nossas igrejas.

 

  1. ISRAEL, UM POVO CUJO ESTILO DE VIDA RESUME-SE EM ADORAÇÃO 
  1. A pormenorização dos elementos devocionais em Israel. Após a saída do povo do Egito, Deus tratou rapidamente de transmitir a Moisés, que retransmitiria ao povo, os preceitos centrais da adoração que deveria ser apresentada por Israel a Deus. Era necessário garantir que a influência de 430 anos no Egito não geraria prejuízos espirituais no povo (Êx 24-31). Aquilo que para alguns pode parecer um exagero detalhista era, na verdade, expressão do amor zeloso de Deus por seu povo. As orientações a Moisés, que eram jurídicas, cerimoniais, sociais e devocionais, tinham como objetivo último orientar a descendência de Abraão na fuga do politeísmo e na dedicação a uma vida exclusivamente voltada a Jeová.
  2. A institucionalização da adoração. Até aquele momento histórico, os filhos de Israel utilizavam-se das mesmas práticas tradicionais compartilhadas pelas sociedades do oriente antigo para prestarem o seu culto a Jeová. Inicia-se então um longo processo de aprendizagem onde o Senhor, pacientemente, vai fundando as instituições que regulamentarão a adoração do povo de Israel. Se antes todo tipo de oferta e sacrifício era feito aleatoriamente, segundo o desejo de cada adorador; agora o Senhor institui o sacerdócio, e através da corporação de homens dedicados exclusivamente a Deus, institui regras, dias, horários e exigências para àqueles que desejam prestar-lhe um culto autêntico (Êx 28.1-29). A adoração deixa de ser algo episódico e isolado, e passa a relacionar-se com tudo o que se cultiva, cria, trabalha, ou seja, o louvor a Deus conecta-se diretamente com a vida cotidiana.
  3. Tudo é do Senhor. Uma das características fundamentais do culto que passa a ser estabelecido no meio do povo liberto do Egito é a gratidão. As ofertas, celebrações e rituais apontam para o grande amor de Jeová, que foi importantíssimo no tempo da escravidão e que continuará absolutamente relevante durante toda a história do povo. As três grandes festas judaicas eram festividades estabelecidas para desenvolver continuamente uma consciência grata ao Senhor (Êx 34.22-24). Deste modo, deve-se compreender que a institucionalização da fé judaica teve como objetivo estabelecer um conjunto de garantias que assegurariam o desenvolvimento de uma fé saudável e equilibrada entre o povo de Deus.

 

Pense! 

Se Deus não tivesse estabelecido um conjunto mínimo de normas e cerimoniais para a organização do culto a Ele, como comportar-se-ia aquela multidão de pessoas que caminhava no deserto no momento de adorar a Deus? 

Ponto Importante 

A institucionalização parece ser um processo inevitável para todo agrupamento de pessoas que cresce numericamente.

 

  1. CRITÉRIOS, NORMAS E PROCEDIMENTOS PARA A ADORAÇÃO EM ISRAEL
  1. Ofertas e sacrifícios específicos. Aquele que desejava trazer algo como sinal de sua adoração deveria observar uma série de exigências. Se fosse um sacrifício animal, havia animais puros e impuros (Lv 11.47). Dependendo da cerimônia o sacrifício deveria ser feito com um animal próprio àquele momento (Nm 7.15-17). O ofertante deveria ainda ter ciência de que algumas partes do animal seriam descartadas enquanto outras seriam valorizadas (Lv 4.4-12). O animal sacrificado não poderia ter falhas ou doenças (Dt 15.19-23). Se, ao invés de animal, a oferta fosse vegetal ou de produtos de origem vegetal, o adorador deveria ter atenção quanto à quantidade a ser trazida e a qualidade do que era trazido (Lv 6.20; Nm 5.15; Dt 18.4). Essa série de requisitos exigia daquele que iria adorar a Deus um cuidado contínuo, o que o levaria a pensar em Deus diariamente, enquanto envolvido em seus afazeres cotidianos.
  2. Lugares especiais. A adoração cerimonial foi concentrada em um lugar comunitário, através do qual homens e mulheres, ricos e pobres, todos podiam adorar ao mesmo Deus. Num contexto multipoliteísta, a designação de um só local para adoração oficial reforçava, nos corações e mentes dos israelitas, que só havia um Deus a ser reverenciado. Inicialmente este “local” foi o tabernáculo, o ambiente de adoração portátil que o Senhor ordenou que Moisés construísse (Êx 25.8,9). Posteriormente este local de adoração foi “fixado” no Templo em Jerusalém (2Cr 7).
  3. Pessoas separadas. Um outro aspecto significativo da institucionalização da adoração em Israel foi a separação de uma tribo inteira para os serviços relativos ao louvor e adoração e mais especificamente de uma família para o exercício do sacerdócio (Nm 3.6-10). É claro que isso era um enorme privilégio, contudo, não se pode negar o grande sacrifício que estava ligado a essa honraria. Os filhos de Levi não teriam parte na herança que todo o povo receberia (Dt 10.9; 12.12; 14.27; Js 18.7). Se todo o povo vivia impulsionado pela fé, muito mais os levitas. Basta levar em consideração que em tempos de crise, quando a colheita era escassa, consequentemente as ofertas também eram reduzidas e em última instância a alimentação dos levitas e sacerdotes estava comprometida. Assim sendo, além das honras havia muitos sacrifícios.

 

Pense! 

Você estaria disposto a abrir mão de todo conforto e bem-estar pessoal para viver inteiramente para o serviço de Deus? 

Ponto Importante 

Como acabamos de estudar, a institucionalização do judaísmo fortaleceu os vínculos sociais e enfraqueceu o politeísmo.

 

III. A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA FÉ HOJE

 

  1. A inevitável institucionalização. Assim como Israel — que cresceu vertiginosamente no Egito — as igrejas evangélicas brasileiras multiplicaram-se de maneira notável durante o século XX. De denominações que se reuniam em casas, geralmente da periferia, tornaram-se em grandes instituições espalhadas em todo o território nacional, presentes inclusive nas mídias. A partir do momento em que as igrejas deixaram de realizar apenas atividades espirituais e precisaram atuar civilmente — na aquisição de imóveis, contratação de pessoal, compra de bens móveis — sua institucionalização foi algo irreversível. A natureza essencial da Igreja é espiritual, por isso mesmo, quando ela trata de assuntos materiais deve fazer tudo com ética, lisura e justiça (Mt 22.17-21; Tt 3.1; 1Pe 2.13-15).
  2. “Na minha igreja, só quem canta e prega são os oficiais”. Infelizmente esta frase sintetiza a realidade de muitas igrejas locais; aquilo que aparentemente é fruto de uma maior organização e preparo, muitas vezes é apenas formalidade. A Bíblia deixa bem claro que através da obra de Cristo somos todos sacerdotes da Nova Aliança (Ap 1.6; 20.6), por isso universalmente capacitados para falar de Cristo. A beleza do pentecostalismo sempre foi a espontaneidade da participação leiga, isto é, daqueles que, sem uma formação específica, mas cheios de Deus, anunciam publicamente as obras de Jesus.
  3. Perigos contemporâneos da igreja enquanto instituição. A relação Igreja-Estado-Sociedade Civil torna-se perniciosa quando existe troca de favores, deixando de obedecer a Palavra de Deus. Nesse caso, a ética cristã é ferida, priorizando mais os homens que o Reino de Deus. Tais relações trazem escândalos e são uma das principais causas de abandono da fé. Algumas pessoas, erroneamente, chegam a afirmar que a estrutura “igreja” já faliu e está ultrapassada. Discordamos absolutamente deste ponto de vista, a vida em comunidade é a essência do Cristianismo (Jo 17.22). 

Pense!

 

Sem dúvida alguma os “desigrejados” não possuem fundamento real para suas argumentações, isto porque a razão de nossa fé é Cristo e ninguém mais.

Ponto Importante

A natureza espiritual e o aspecto legal são duas faces inegáveis desse plano amoroso criado por Deus para a humanidade denominado Igreja. Já houve um tempo, quando as instituições civis eram menos desenvolvidas, que a Igreja não necessitava de estrutura institucional, hoje isso não é mais possível. 

CONCLUSÃO 

Se, como detalhadamente vimos, a institucionalização da fé dos judeus não foi um momento de retrocesso ou fragilização do relacionamento do povo com Deus, mas ao contrário, um processo de amadurecimento e fortalecimento dos interesses coletivos, também devemos crer que não são normas ou legislações humanas que roubarão a essência de nossa adoração a Deus e de nossa comunhão uns com os outros.

 

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Qual a causa central da institucionalização da adoração para o povo de Israel?

O enorme e repentino crescimento do povo que exigia a existência de preceitos coletivamente evidentes.

 

  1. Que característica da adoração a Deus é ressaltada a partir da institucionalização do culto do povo de Israel?

A gratidão, uma vez que as cerimônias e os atos litúrgicos apontavam para os grandes feitos do Senhor e seu amor para com Israel.

 

  1. A decisão divina de constituir um “local” de louvor oficial tinha finalidades para além da adoração?

Consolidar a ideia do monoteísmo e o sentimento de unidade entre o povo.

 

  1. É correto afirmar que toda institucionalização religiosa produz apenas resultados negativos? Justifique sua resposta.

Não, pois tanto em Israel como na Igreja contemporânea a institucionalização gerou resultados positivos para a comunidade envolvida no processo.

 

  1. Que práticas desenvolvidas nas igrejas locais demonstram seu caráter institucionalizado?

A existência de estatutos, regimentos, CNPJ e outros instrumentos jurídicos e legais.

 

SUBSÍDIO I 

“O Tabernáculo

Além dos lugares sagrados onde Deus se revelara, um lugar central de adoração passou a existir. Durante o período do Êxodo, ele podia ser melhor descrito como uma tenda-templo, que era a estrutura mais conveniente para o povo que estava viajando ou acampado na região de Cades-Barneia (Nm 13.26; 14.38). A tenda-templo era conhecida como Tabernáculo. O santuário central era feito de tábuas revestidas de ouro, apoiadas por um sistema de vigas, encaixes e pesadas bases de prata firmadas no chão. Isso formava uma estrutura de três lados com trinta côvados (15m) de comprimento e quinze côvados (7m) de largura, aberta para o céu em sua extremidade mais estreita a leste. O teto era provido por cortinas de linho branco, bordadas com figuras de querubins, protegidas por várias camadas de pano de saco, peles vermelhas de carneiro e peles de cabra (Êx 26.1-30). No interior, o aposento de 30 côvados (15m) era dividido em dois por uma cortina pendurada em pilares dourados, a fim de criar o ‘Santo dos Santos’ (5 x 5 x 5m) e um ‘Lugar Santo’ comprido. Uma cortina do mesmo material era pendurada sobre a entrada para impedir que olhos curiosos vissem o interior (Êx 26.31-36)” (GOWER, R. Novo Manual dos Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002, pp.239,240).

 

SUBSÍDIO II 

“As estipulações específicas ocupam grande parte do restante de Deuteronômio (12.1-26.15). Os propósitos são claramente para elucidar mais o princípio básico do concerto dos capítulos 5 a 11 e definir precisamente os termos do concerto pertinentes às relações morais, sociais/interpessoais/inter-raciais e de culto. A razão para o atual arranjo canônico do material é difícil de se compreender, mas as considerações apresentadas a seguir honram, razoavelmente bem, as exigências literárias e teológicas. (1) A exclusividade do Senhor e a sua adoração (12.1-16.17). O conjunto de regulamentos expresso nesta seção começa com a atenção a um santuário central (12.1-14), um lugar separado em contraposição aos santuários oponentes que não só tinham de ser evitados, mas destruídos, porque representavam a suposta propriedade da terra por soberanos oponentes (vv.4,5,13,14). Em relação ao santuário estão as ofertas e os sacrifícios. Particularmente significativo é o sangue (vv.15-28), cuja sacralidade coloca-se em contraste radical com as noções pagãs de vida, sua fonte e seu sustento. A vida é comum aos homens e animais; o seu meio — o sangue — é comum a todos” (ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, p.95)

fonte www.mauricioberwald.com

 

 

           LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS

      4º Trimestre de 2016 

Título: Em Espírito e em verdade — A essência da adoração cristã

Comentarista: Thiago Brazil 

Lição 4: Adoração como cumprimento da vontade de Deus

Data: 23 de Outubro de 2016

 

 

TEXTO DO DIA

 

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).

 

SÍNTESE

 

Quando uma pessoa resolve desenvolver uma vida de adoração e louvor a Deus, compreender a vontade do Pai torna-se o caminho mais fácil para atingir esse objetivo tão maravilhoso.

 

AGENDA DE LEITURA 

SEGUNDA — Gn 22.5

A inabalável fé de Abraão 

TERÇA — Gn 26.24

A promessa a Isaque

QUARTA — Jo 9.31

O Senhor ouve aqueles que fazem sua vontade

QUINTA — Gn 17.1

A adoração que leva ao aperfeiçoamento do adorador 

SEXTA — 1Pe 4.19

Aqueles que padecem fazendo a vontade de Deus 

SÁBADO — Mc 3.34,35

O cumprimento da vontade de Deus

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

APRESENTAR Abraão como exemplo de fé e adoração do Antigo Testamento;

RELACIONAR a trajetória de Isaque com os desafios para cumprir a vontade de Deus;

ANALISAR, a partir da parábola dos dois irmãos, as características daqueles que adoram a Deus cumprindo sua vontade.

 

INTERAÇÃO

 

Os jovens que compõem nossas salas de ED, assim como qualquer pessoa, muitas vezes ficam ansiosos diante das múltiplas possibilidades que a vida apresenta. Ao tratar de um assunto tão relevante quanto à relação entre adoração e a vontade de Deus, lembre-se sempre de fazer uma abordagem cheia de amor e misericórdia, pois muitas pessoas vão se identificar com os dilemas enfrentados pelos personagens bíblicos, os quais muitas vezes retratam a condição humana: cheia de ansiedades e medos.

Procure demonstrar a seus educandos que assim como Abraão e Isaque conseguiram discernir a vontade de Deus, e assim desfrutaram de uma vida para a glória do Pai, assim também eles, tendo fé e paciência, compreenderão os planos do Senhor para as vidas deles. Falar de esperança e paciência para quem vive na geração do imediatismo não é nada fácil, mas isso também faz parte de nosso ministério enquanto educadores de valores espirituais.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Inicie sua aula anunciando que ao final da ministração, se toda classe participar ativamente, todos receberão um prêmio — nessas horas chocolate parece ser melhor que uma medalha de ouro. Não diga que prêmio, nem demonstre que trouxe alguma coisa. Exercite a fé e a esperança deles — claro que fé e esperança num presente humano servirão apenas como um pequeno exercício para comparar com disposição espiritual que devemos ter.

Ministre sua aula inteira, em momentos pontuais chame-os a participar mais, a crerem no galardão que receberão no final. Lembre-os que se eles não conseguem acreditar nas promessas feitas por uma pessoa de carne e osso que eles constantemente veem, como crerão nas palavras do Criador? Finalizando sua aula, sinalize como se tudo estivesse acabando, mas antes que suas palavras caiam no descrédito, surpreenda todos com a apresentação do prêmio justo que os fiéis merecem.

 

TEXTO BÍBLICO

 

Gênesis 12.1-8. 

1 — Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.

2 — E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção.

3 — E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.

4 — Assim, partiu Abrão, como o SENHOR lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos, quando saiu de Harã.

5 — E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e toda a sua fazenda, que haviam adquirido, e as almas que lhe acresceram em Harã; e saíram para irem à terra de Canaã; e vieram à terra de Canaã.

6 — E passou Abrão por aquela terra até ao lugar de Siquém, até ao carvalho de Moré; e estavam, então, os cananeus na terra.

7 — E apareceu o SENHOR a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra. E edificou ali um altar ao SENHOR, que lhe aparecera.

8 — E moveu-se dali para a montanha à banda do oriente de Betel e armou a sua tenda, tendo Betel ao ocidente e Ai ao oriente; e edificou ali um altar ao SENHOR e invocou o nome do SENHOR.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO

 

É a respeito de adorar a Deus, mesmo quando tudo parece errado, que falaremos hoje. Partindo da narrativa bíblica a respeito de Abraão e seu herdeiro Isaque, concentrar-nos-emos no esforço de demonstrar que cumprir a vontade de Deus é o único caminho para a verdadeira adoração.

 

  1. ABRAÃO: A PARTIR DE UM HOMEM, O CUMPRIMENTO DO PLANO DE DEUS PARA TODAS AS FAMÍLIAS DA TERRA

 

  1. Para adorar não basta saber a vontade de Deus, é necessário cumpri-la. A vida de Abrão, que começa a ser narrada pela Bíblia a partir dos 75 anos, pode ser descrita como um conjunto de desafios de fé. Sair da terra natal (Gn 12.1); ir para terras desérticas (13.9); lutar contra exércitos poderosos (14.15); ofertar a Deus quando não há certeza alguma sobre o futuro (14.20); esperar por um filho que demorou a chegar (15.4). Entretanto, o mais importante sobre estes e tantos outros atos relacionados a Abraão que pudéssemos contar, é o fato de que conhecer a vontade de Deus não teria gerado nenhum efeito na vida do patriarca, pois saber não é o bastante é necessário crer. Ou seja, conscientizar o coração de que a despeito de todos os impedimentos e aparentes impossibilidades, há um Deus bom que nos ajuda a cumprir seus maravilhosos planos. Nosso relacionamento com Deus não pode reduzir-se a um conjunto de pressupostos racionais; o Senhor nos convida para uma união de amor e transbordamento de felicidade.
  2. E quando a vontade de Deus contraria nossa vontade? Abraão, assim como vários de nós, foi alguém que viveu situações limites: cumprir a vontade de Deus, muitas vezes, é confrontar diretamente o desejo de nosso coração. O grande desafio é abandonar aquilo que desejamos e que vemos, por aquilo que Deus quer, e apenas esperar. Acreditar na justiça de Deus; deixar ir um filho amado (21.12); o sacrifício do filho mui amado (22.2). Em algumas destas situações a proposta divina parecia pior do que o contexto terreno já constituído. É por isso que andamos por fé, e não por vista (2Co 5.7), por que a fé lança-nos no centro do coração do Pai, já nossa vontade está limitada e reduzida pela aparência. Demonstra-se assim que aquele que adora o Pai, necessariamente, é aquele que cumpre a sua vontade. Alinhar nosso coração com o de Deus, é a única maneira de experimentar uma vida de louvor ao Criador.
  3. O fim da vida daquele que cumpre a vontade de Deus. O relato do momento final da vida de Abraão é animador (25.8-11). Os momentos maus não dominaram sua vida e sua velhice foi definida como boa (v.8a). Seus dias não foram abreviados, nem consumidos, mas fartos (v.8b). Seus filhos estavam junto a ele (v.9), e tanto Ismael quanto Isaque tiveram vidas abençoadas (21.13,20; 25.11). Não poderia ser de outro modo, Abraão abriu mão de seu roteiro particular de vida para experimentar a “boa, perfeita e agradável” vontade de Deus para ele. O Senhor foi adorado na vida de Abraão muito mais pelo que o patriarca fez do que pelo que disse. Não foram as orações longas ou louvores afinados de Abraão que alegraram ao Senhor, e sim, sua renúncia, sua obediência e sua esperança de que em Deus estaria sempre o melhor. Por isso, Paulo pode declarar que desde o Antigo Testamento há um homem que nos inspira a confiar nas promessas de Deus, nosso pai Abraão (Rm 4.16).

Pense!

Você seria capaz de abrir mão de seus sonhos para cumprir a vontade de Deus? 

Ponto Importante 

A vontade de Deus na época de Abraão era manifesta por meio de revelações, sonhos, visões. Hoje, a Bíblia Sagrada é o caminho por excelência da revelação de Deus! 

  1. ISAQUE: QUEM ESPERA A VONTADE DE DEUS RECEBE A MELHOR PARTE

 

  1. Isaque, filho da promessa, vivo pela promessa. A história de Isaque é toda envolta em milagres e manifestações da vontade de Deus. Sua chegada foi anunciada décadas antes de seu nascimento (15.4). Contudo, um dos momentos mais críticos para entendermos o plano de Deus para Isaque foi quando seu pai foi a Moriá. Sem saber até instantes antes do sacrifício o que aconteceria (22.7), lá no cume do monte Isaque rendeu-se à vontade de Deus. Esta obediência de Isaque pode ser inferida pelos seguintes fatos: Abraão já um idoso centenário, Isaque um adolescente na flor de seu vigor; se o texto diz-nos que Abraão esteve a ponto de sacrificá-lo (22.10), fica claro que, assim como seu pai, Isaque também cria que a vontade de Deus jamais seria frustrada, mesmo quando tudo aparentemente apontava o contrário.
  2. Aceitando a vontade de Deus em todas as áreas da vida. Para algumas pessoas, acatar a vontade de Deus quanto ao ministério a ser exercido na Igreja ou aos dons espirituais é fácil, porém para a maioria não é assim. Mas, e quanto nossa vida profissional, acadêmica e até sentimental, Deus tem interesse nela? É claro que o Senhor está interessado em abençoar-nos também nessas áreas, pois Deus deseja nossa felicidade em todos os aspectos de nossa existência. Isaque é um exemplo disto.
  3. Cumprir a vontade de Deus não é fácil. A vida também não foi simples para Isaque. Ele enfrentou a dor da infertilidade de sua esposa (25.21) e peregrinou em terras desconhecidas (26.1-6); correu riscos de morte (26.7-11); viu conflitos familiares estabelecerem-se dentro de sua casa (27.1-46). É importante apresentar estes embates enfrentados por Isaque para demonstrar que o cumprimento da vontade de Deus, e com isto uma vida de adoração, não nos torna imunes a dores, sofrimentos, medos; permite-nos, entretanto, que tenhamos a convicção de que o universo não é um caos, e que os acontecimentos do mundo submetem-se à soberania de Cristo. Se crermos e obedecermos, como já tem prometido o Senhor, experimentaremos o melhor de Deus para nós (Is 1.19).

Pense! 

Você teria a confiança que Isaque teve, de entregar, literalmente, a vida nas mãos de quem você ama e acreditar que esta pessoa, seguindo a orientação de Deus, fará o melhor por você? 

Ponto Importante 

Os exemplos de Isaque e Abraão demonstram-nos que não há idade mínima ou máxima para submeter-se à vontade de Deus. 

III. COMO POSSO SABER SE ESTOU FAZENDO A VONTADE DE DEUS E, POR ISSO, ADORANDO-O

 

  1. A parábola dos dois filhos (Mt 21.28-32). Esta parábola resume bem a crítica de Jesus contra certos líderes de sua época. Também fala da necessidade de acolhermos pessoas desprezadas e excluídas. Interessa-nos, porém, a imagem literária que Jesus constrói para denunciar os hipócritas que fingiam adoração e aqueles que verdadeiramente buscavam ao Pai. Tudo concentra-se no cumprimento ou descumprimento da vontade de Deus. Jesus fala que existe um enorme grupo de pessoas que exteriormente parecem boas, cerimonialmente cumprem as regras, mas que tudo, na verdade, é só da boca para fora, pois não há arrependimento nem submissão alegre à vontade de Deus (v.30). Há, contudo, um grupo que assumidamente erra, flagrantemente desrespeita ao Pai, esses porém arrependem-se e obedecem ao Pai (v.29). Na verdade esse último grupo vive sem máscaras, é completamente sincero, na verdade não queriam ir e obedecer, não escondem esse sentimento, mas constrangidos pelo amor do Pai, vão.
  2. Muito mais que palavras (Mt 7.21). Adorar a Deus, louvar seu santo nome, é muito mais que um conjunto de palavras mágicas que fazem a divindade “funcionar” a nosso favor. O Criador do universo não é um caricatural gênio da lâmpada mágica. Adorar é algo que emerge da alma, que revela a nossa interioridade.
  3. Qual a motivação da sua vida? (Jo 4.34). O que motiva você a seguir quando tudo dá errado? Quando as expectativas se frustram, os supostos amigos te abandonam, até mesmo a confiança em si falha? O Mestre deixou bem explícito qual era o alimento de seu ser: o imenso desejo de ser agente do Reino de Deus neste mundo. Não espere aplausos, tapinhas nas costas, pois nem sempre fazer a vontade de Deus significa necessariamente ser reconhecido pelas pessoas que nos cercam. Entretanto, mais importa obedecer a Deus do que aos homens.  

Pense! 

Será que nossa experiência evangélica contemporânea tem colaborado para formar pessoas que, confessando seus pecados e maldades, buscam fazer a vontade de Deus?

 

Ponto Importante

 

Saber o que nos alimenta, isto é, qual o combustível de nossa existência é algo imprescindível para discernirmos as intenções de nossos corações — os quais são muito tendenciosos à cobiça vã e ao erro. Que seja o Reino, a vontade e o amor de Deus a força que nos impulsiona a viver.

 

CONCLUSÃO

 

Adoração e vontade de Deus são dois conceitos importantíssimos para o desenvolvimento da vida cristã. Dissociá-los é, na verdade, descaracterizá-los; só há adoração onde existe um coração nascido de novo que crucificou o eu e entregou o trono do desejo ao Criador do universo. Sabedores que somos destas verdades, busquemos intensamente a concretização da vontade de Deus em nossas vidas.

 

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Quando nossa vontade “colide” com a vontade de Deus o que fazer? Justifique sua resposta.

Escolher a vontade de Deus, pois ela é sempre boa, perfeita e agradável. 

  1. O que se pode esperar para o fim da vida de um homem ou mulher que segue diligentemente a vontade do Pai?

Paz, prosperidade, alegria e realização pessoal e familiar. 

  1. De que forma pode-se, e deve-se, relacionar adoração/louvor e obediência à vontade de Deus?

Quando uma pessoa cumpre a vontade de Deus inevitavelmente ela estará adorando a Deus com o melhor que tem, sua vida. 

  1. Cite momentos da vida de Abraão e Isaque em que obedecer a vontade do Pai produziu louvores a Deus.

Abraão: saída para Canaã, oferecimento de Isaque, despedida de Ismael; Isaque: paciência para o recebimento da esposa, permanência na terra em tempo de seca, fé na oração que pedia um filho. 

  1. Apresente uma interpretação plausível para a declaração de Jesus: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou” (Jo 4.34).

A motivação que animava Jesus a continuar seu ministério apesar dos problemas era a crença de que a vontade de Deus era o melhor.

 

SUBSÍDIO 

“Todos sabemos que existem consequências para as ações que praticamos. O que fazemos pode desencadear uma série de acontecimentos que talvez perdurem até muito tempo após a nossa morte. Infelizmente, quando tomamos uma decisão, a maioria de nós pensa somente nas consequências imediatas. Este engano é cometido com frequência pelo fato de termos um período de vida relativamente curto. Abraão teve uma escolha a fazer. Sua decisão consistia em partir com a família e os pertences para terras desconhecidas ou permanecer exatamente onde estava. Ele precisava decidir entre a segurança do que possuía e a incerteza de viajar sob a direção de Deus. Tudo com que ele contava para prosseguir era a promessa de que Deus iria guiá-lo e abençoá-lo. Abraão dificilmente poderia imaginar quanto o futuro dependia de sua decisão, mas sua obediência afetou a história do mundo inteiro. A resolução firme de obedecer e seguir a Deus resultou no desenvolvimento da nação que seria usada por Deus ao visitar Ele próprio a terra. Quando Jesus Cristo veio ao mundo, a promessa de Deus foi cumprida; através de Abraão o mundo inteiro foi abençoado” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, 1995. p.31).

 

 

 

    LIÇÕES BÍBLICAS CPAD  JOVENS

     4º Trimestre de 2016 

Título: Em Espírito e em verdade — A essência da adoração cristã

Comentarista: Thiago Brazil 

Lição 5: A separação de um povo para adoração exclusiva

Data: 30 de Outubro de 2016 

 

TEXTO DO DIA

 

“Porque povo santo és ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que sobre a terra há” (Dt 7.6).

 

SÍNTESE 

Todas as pessoas e instituições sobre a terra possuem uma finalidade que dota de sentido sua existência; para a nação de Israel, existir significa louvar e adorar ao único Deus verdadeiro.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — 1Cr 17.21

Povo incomparável

TERÇA — 2Sm 7.24

A condição de povo especial 

QUARTA — 1Sm 12.22

A imutável fidelidade do Senhor 

QUINTA — Sl 100.3

Foi o Senhor que trouxe esse povo à existência

SEXTA — 1Pe 2.9

A Igreja como povo de Deus 

SÁBADO — Tt 2.14

A finalidade do sacrifício de Jesus

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

DEMONSTRAR a maneira graciosa e miraculosa como Israel foi criado por Deus;

DISCUTIR a respeito da necessidade de separação de Israel como povo para louvar a Deus;

REFLETIR a respeito da relação entre Igreja e Israel.

 

INTERAÇÃO 

Na continuação de nossas reflexões a respeito do louvor e adoração a Deus, analisaremos na aula de hoje a gênese do povo de Israel como comunidade formada exclusivamente para a glória de Deus. Nascido das promessas anunciadas a Abraão e sua descendência, o povo de Israel é uma prova histórica da ação benevolente de Deus em favor daqueles que lhe servem amorosamente. Partiremos do episódio da saída do Egito para demonstrar a natureza do relacionamento de Deus com o seu povo que desafiadoramente exigia daquelas pessoas o rompimento com os costumes politeístas da época e as chamava para uma experiência de adoração reservada apenas a Deus.

Relacione a distante e longínqua história de Israel com a vida pessoal de cada um de seus educandos, desafiando-os a crer que se as promessas celestes foram o fundamento da subsistência de Israel, em todo tempo, especialmente nas crises, as promessas proferidas a eles têm em Jesus o sim e o amém (2Co 1.20).

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Desafie seus alunos a construírem uma linha do tempo destacando nela os principais acontecimentos de suas vidas. Após este momento especial de rememoração, solicite-os que selecionem e apresentem dentre os acontecimentos registrados o momento mais marcante para eles. Faça desta parte da sua aula um instante de partilha e aproximação coletiva. Ainda que haja momentos de descontração, esteja preparado para acolher aqueles que destacarão momentos de perda e dor como os mais significativos em suas histórias.

A partir dos elementos pessoais compartilhados neste instante, procure conduzir seus educandos à reflexão de que o fundamento de todas as nossas alegrias é Cristo, e que somente por meio dEle seremos capazes de superar os acontecimentos que nos causam ressentimentos.

Se houver possibilidade, ore em sala apresentando a trajetória de vida de cada uma destas pessoas especiais que o Senhor tem posto sobre seus cuidados espirituais.

 

TEXTO BÍBLICO

 

Êxodo 19.1-8. 

1 — Ao terceiro mês da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no mesmo dia, vieram ao deserto do Sinai.

2 — Tendo partido de Refidim, vieram ao deserto do Sinai e acamparam-se no deserto; Israel, pois, ali acampou-se defronte do monte.

3 — E subiu Moisés a Deus, e o SENHOR o chamou do monte, dizendo: Assim falarás à casa de Jacó e anunciarás aos filhos de Israel:

4 — Vós tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos trouxe a mim;

5 — agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu concerto, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha.

6 — E vós me sereis reino sacerdotal e povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel.

7 — E veio Moisés, e chamou os anciãos do povo, e expôs diante deles todas estas palavras que o SENHOR lhe tinha ordenado.

8 — Então, todo o povo respondeu a uma voz e disse: Tudo o que o SENHOR tem falado faremos. E relatou Moisés ao SENHOR as palavras do povo.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO 

Miraculosamente Abraão, que era apenas um peregrino guiado pela voz de Deus, torna-se pai de uma multidão incontável (Hb 11.12). Aquela pequena família, que se alocou nas terras egípcias em busca de sobrevivência durante um período de fome, tornou-se um numeroso povo que causava medo aos governantes das terras do Nilo (Êx 1.10,11).

Com a bênção divina, nem a opressão do Egito nem seu controle de natalidade perverso, foram capazes de fazer estéril a semente santa abençoada por Deus. Mas abandonar a dependência — econômica e política — do Egito e aventurar-se num retorno a uma terra tão distante quanto os sonhos mais idealizados de qualquer israelita, era um enorme passo de fé; não mais para um homem e sua família, mas para centenas de milhares de pessoas.

É sobre essa trajetória, que exigiu ruptura com o comodismo e a construção de instrumentos coletivos de fé, que nossa lição se refletirá neste domingo.

 

  1. ISRAEL, POVO DE DEUS, POR DEUS E PARA DEUS 
  1. Quem fez este povo? Antropologicamente, afirma-se que um povo é o resultado de uma conjunção de fatores culturais, étnicos e econômicos que unem determinado grupo de pessoas que habita certo território através de vínculos e interesses comuns, que extrapolam os laços familiares. Segundo a fé cristã, estes fatores antropológicos, no caso do povo de Deus, foram diretamente coordenados pelo Altíssimo que, para o propósito específico que Ele determinou, fez surgir Israel. A riqueza de detalhes com que a Bíblia narra a formação do povo de Israel — as esterilidades das três matriarcas (Gn 11.30; 25.21; 30.1,22-24), as peregrinações e a escravidão — tem como função principal revelar a contínua intervenção de Deus nessa história, com o intuito final de deixar inconteste que a existência de Israel é ação da graça e poder de Jeová.
  2. Por que Israel? É evidente que dentre os milhares de povos já existentes àquela época, o Senhor poderia escolher qualquer um destes para torná-lo propriedade peculiar sua. Então, por que Israel foi o escolhido? Segundo Deuteronômio 7.6-10, foi a fidelidade do Senhor, ou como bem interpretam alguns tradutores, foi o “amor-leal” de Iavé para com às promessas feitas a Abraão, Isaque e Israel. Como argumenta o autor de Deuteronômio, não foram motivações materiais ou históricas que mobilizaram o Senhor a escolher Israel como sua possessão especial, mas isto foi resultado exclusivamente de um ato gracioso, que para sempre apontaria para a grandeza do Deus adorado por aquele povo, e nunca para algum tipo de mérito ou qualidade do povo em si. Esta evidência bíblica deve nos levar a refletir sobre o privilégio que alcança aquele que recebe promessas feitas pelo Senhor Deus.
  3. Para que este povo foi constituído? Não sendo obra do acaso, a existência de Israel tem uma clara razão de ser: louvar e adorar exclusivamente ao SENHOR (Dt 14.2; 1Cr 17.22). Diante de um conjunto de povos absolutamente politeístas, a “separação” que Deus exige de Israel não é algo essencialmente territorial, até porque em vários momentos da história do povo eles não terão sequer um torrão de terra, ou mesmo étnico, pois a interação entre a descendência de Abraão e outros povos será geralmente intensa. A separação do povo de Deus terá um caráter cúltico-espiritual; Israel deve evitar ao máximo influências externas que lhe desviem de sua vocação primária: adorar exclusivamente a Jeová. Por isso as tradições, festas, leis sociais, em suma, tudo em Israel deveria apontar para o Senhor e para o seu relacionamento com o seu povo especial. 

Pense! 

Se Deus por sua vontade é poderoso para levantar um povo, que depois tornar-se-á nação, com a finalidade exclusiva de adorá-lo, o que Ele é capaz de fazer em sua vida para que se torne evidente que você não é fruto do acaso, mas resultado de um elaborado plano celeste que tem como fim a adoração?

 

Ponto Importante 

Israel não existe por si nem para si; a finalidade da existência deste povo é engrandecer o Deus que lhe trouxe à realidade a partir de um simples homem que creu na vontade de Deus.

 

  1. A FORMAÇÃO E A SEPARAÇÃO DE ISRAEL

 

  1. Da necessidade de sair do Egito. O refúgio no Egito durante mais de quatrocentos anos foi algo extremamente salutar para os descendentes de Jacó. De uma pequena família numerável em Êxodo 1.1-5, Israel torna-se uma multidão de centenas de milhares (Êx 12.37). Quando Moisés reporta-se ao faraó solicitando a liberação do povo de seus afazeres para ir ao deserto, a finalidade é apenas uma: “[...] Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto” (Êx 5.1). Os anos de escravidão estavam afastando Israel do foco de sua existência, a adoração ao Senhor. O Egito não era mais o lugar onde deveriam permanecer; era chegada a hora de voltar às terras prometidas ao patriarca Abraão. Mas sair das terras de faraó não significa apenas sair da escravidão, mas também abandonar casas, propriedades, uma vida já estabelecida a gerações. E agora, o que fazer?
  2. A necessidade de desfazer velhas relações para estabelecer novos vínculos. A permanência do povo no Egito garantir-lhes-ia estabilidade econômica e bem-estar familiar. Era um momento de escravidão, mas havia as “panelas de carne” e “pão” da terra de faraó (Êx 16.3). Havia, entretanto, uma ordem divina: saiam do Egito! Adorar a Deus envolve, muitas vezes, tomadas de decisões radicais que nos custam a comodidade da tradição, o conforto de tudo permanecer como está. A convocação de Deus para Israel no Egito é um símbolo da vontade dEle para seu povo. Israel não deveria servir a ninguém mais, apenas a Jeová (Êx 23.13). Não devia vender sua liberdade por cebolas ou alhos do Egito (Nm 11.5). A exclusividade de Israel para adoração a Deus é uma exigência desafiadora de ser cumprida num contexto social politeísta.
  3. O estabelecimento de novos valores. Antes de o povo deixar o Egito, era necessário que estivessem convictos de que se dedicar exclusivamente ao Senhor era o fundamento da sua liberdade. Não estavam sendo livres para o pecado, ou para submeterem-se ao julgo de outro déspota que se auto-intitulasse deus. A maravilhosa libertação de Israel tinha como finalidade gravar nos corações daquela geração, e das vindouras, que somente um Deus deveria ser reverenciado — exatamente aquele que lhes proporcionará o fim da escravidão — Jeová. A Páscoa deveria ser um memorial de celebração e uniria um aglomerado de pessoas como povo, as quais dali em diante passariam décadas sem território ou Estado, mas que estariam unidos pelos valores de fidelidade, gratidão e adoração ao Deus que os livrou da terra da exploração. 

Pense! 

Se Israel foi desafiado a separar-se dos cultos pagãos e concentrar sua vida espiritual no louvor a Jeová, nosso desafio não pode ser diferente hoje — não sejamos escravos dos desejos carnais, do mundo ou de Satanás. 

Ponto Importante

 

Jeová exige de Israel uma postura que rompia com os valores e tradições até então estabelecidas. Adoração torna-se sinônimo de exclusividade. 

III. SOMOS A NAÇÃO DA CRUZ

 

  1. Israel como metáfora histórica da Igreja. Nossa discussão até aqui deixou claro que Deus formou e sustentou um povo para viver exclusivamente para seu louvor. Apesar da existência histórica de Israel, e da atual vigência das promessas de Deus a este povo, esta comunidade terrena pode ser utilizada como metáfora para falar da grande família que o Senhor deseja estabelecer na terra que, em o Novo Testamento, ganha o nome de Igreja. As promessas de Israel são específicas e restritas a este povo, todavia, em o Novo Testamento, a referência ao povo de Deus amplifica-se e ganha contornos universais — não mais regionais e culturais. A Igreja, como grupo de pessoas que reúne os salvos em Cristo, não é um Estado político ou uma civilização específica, mas o ajuntamento daqueles que foram alcançados pelos efeitos do sacrifício vicário de Jesus (Ef 2.11-22).
  2. A Igreja como povo santo. Em 1 Pedro 2.9,10, essa analogia da Igreja como povo ganha contornos vivos. Ao falar de uma série de procedimentos éticos a serem vivenciados por aqueles que nasceram de novo (vv.1,2), além da necessidade do reconhecimento da singularidade da obra redentora de Jesus (vv.3-9). Pedro declara que os partícipes, da Igreja que antes “não eram povo”, agora foram feitos “povo de Deus”. Novamente percebe-se aqui a ação de Cristo na constituição e manutenção do seu povo. A identificação do Senhor com esta comunidade não se dará por uma marca física (Gn 17.10) ou ligação étnica, mas exclusivamente por meio da fé na pessoa bendita de Jesus (Jo 1.12,13). Assim como Israel, somos separados — não de nossas relações ou papéis dentro de nossa sociedade — mas para uma vida plena de louvor e adoração a Deus.

 

Pense! 

A finalidade da Igreja é adoração, mas não podemos cair no erro de achar que Igreja é apenas o prédio ou a comunidade em que nos congregamos. Igreja somos todos nós, por isso, todas as ações que realizamos no cotidiano devem ter como objetivo último fazer o nome de Cristo ser louvado através de nós. 

Ponto Importante

 

Não devemos confundir as promessas específicas de Deus para o povo de Israel, com aquelas que possuem um caráter universal e que atingem todos os Filhos de Abraão, tanto os que são pela carne como os que são pela fé. Compreendamos que não há predileção de Deus, mas fidelidade à Palavra.

 

CONCLUSÃO

 

É impossível dissociar a fé do povo de Israel de sua história. A formação, constituição e sustentação de Israel foi obra das benevolentes mãos de Deus. Tal como Israel, devemos, enquanto povo de Deus desta geração, reconhecer sua misericórdia como o fundamento de nossa vida e prosperidade. Aquilo que somos é resultado direto do amor do Pai, por isso devemos viver eternamente para adorá-lo. 

 

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Com que finalidade Deus formou o povo de Israel?

Com o intuito exclusivo de adorá-lo e louvá-lo continuamente.

 

  1. Por que Deus investiu tanto para Israel ser seu povo?

Porque Ele foi fiel às promessas feitas a Abraão, Isaque e Israel, que por consequência estenderam-se a toda sua descendência. 

  1. O que significava para Israel sair do Egito?

Abandonar as comodidades de uma vida estabelecida e enfrentar o desafio de viver inteiramente pela fé. 

  1. É possível fazer uma relação entre Israel e a Igreja? Qual?

Sim, assim como Israel foi povo exclusivo de Deus dedicado inteiramente à adoração ao Pai até o advento do Messias, assim também nós, aqueles que foram alcançados pela obra na cruz, devemos viver para a glória do Pai. 

  1. Como povo de Deus hoje, qual deve ser nossa principal característica?

Nossa vida de adoração e devoção a Deus.

 

SUBSÍDIO

 

“Depois da morte dos 12 patriarcas, os israelitas tiveram de esperar 400 anos até que uma nova geração de líderes estivesse pronta. E, conforme sabemos, não é sempre que aparece um libertador com a fidelidade de Moisés, um sacerdote com a postura de Arão, ou um general com a coragem de Josué. É imperioso que a nação seja submetida a alguns processos históricos, sociológicos, políticos e teológicos, visando o seu amadurecimento. Tais processos são bastante morosos; requerem décadas e, às vezes, séculos. Era imprescindível, pois, que os hebreus deixassem a fase tribal, a fim de se erguerem nacionalmente. Doravante, Deus não trataria mais diretamente com os patriarcas, mas haveria de tratar, através de seus profetas, com a nação. Os pais, contudo, jamais deixariam de ser lembrados como a principal referência teológica, ética e histórica dos hebreus. Nos momentos de crise e dificuldade, o Senhor apresentar-se-ia como o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Sua menção serviria, também, para lembrar aos israelitas que as alianças firmadas pelo Senhor com os antigos continuavam tão firmes quanto às leis que regem o Sol, a Lua, a Terra e as estrelas. Não é da noite para o dia que aparecem homens da estirpe de Moisés” (ANDRADE, Claudionor, de. O Começo de Todas as Coisas. 1ª Edição. RJ, CPAD: 2015, p.102).

 

 

                     LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS 

                            4º Trimestre de 2016 

Título: Em Espírito e em verdade — A essência da adoração cristã

Comentarista: Thiago Brazil 

Lição 6: A institucionalização da adoração e do louvor

Data: 06 de Novembro de 2016

 

TEXTO DO DIA

 

“Assim, nós, teu povo e ovelhas de teu pasto, te louvaremos eternamente; de geração em geração cantaremos os teus louvores” (Sl 79.13).

 

SÍNTESE

 

A institucionalização da adoração e do louvor foi um processo pelo qual o povo de Israel teve de passar para enfrentar o desafio do crescimento e amadurecimento no meio de sua jornada no deserto.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Êx 25.8

A prescrição para a confecção do Tabernáculo 

TERÇA — Lv 9.7

Ordenanças de sacrifícios pelo povo e pelos sacerdotes 

QUARTA — Nm 3.10

A instituição do sacerdócio 

QUINTA — Lv 23.2

As solenidades sagradas de Israel 

SEXTA — Dt 10.8

Levi, a tribo vocacionada para o serviço da adoração 

SÁBADO — Êx 29.46

A finalidade dos sacrifícios

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

EXPLICAR as razões da institucionalização da adoração em Israel.

APRESENTAR as principais repercussões da institucionalização sobre a adoração e o louvor do povo de Israel.

DISCUTIR aspectos gerais da institucionalização na Igreja contemporânea.

 

INTERAÇÃO 

Nossa aula tem como foco principal buscar compreender os efeitos da institucionalização da adoração e do louvor em Israel. Apesar de aparentemente muito complexo, nosso tema pode suscitar excelentes debates. Por isso, não perca a oportunidade de aproximar seus educandos dessa temática atualíssima.

Partindo do exemplo histórico de Israel, procure desmistificar a imagem de que toda instituição é uma máquina burocrática e, por isso, alheia às necessidades das pessoas. Construa em sala de aula um espaço de discussão construtivo, de modo que ao final da aula, seus educandos percebam que apesar de institucionalizada, a Igreja é um organismo vivo, o próprio corpo de Cristo.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

O objetivo principal da atividade proposta a seguir é demonstrar aos membros de sua sala de aula a necessidade mínima de organização prévia, ou porque não dizer institucionalização para o desenvolvimento de qualquer atividade em grupo.

Inicie sua aula propondo a seus educandos que um deles vai ministrar o conteúdo em seu lugar e que este será escolhido aleatoriamente; depois da óbvia celeuma que vai se constituir, torne o contexto mais complexo ainda, afirme que cada um dos presentes será responsável pela apresentação de uma parte da lição. Provavelmente, depois de instantes de insegurança e apreensão para alguns deles, revele que tudo não passa de um experimento.

Finalize essa ação introdutória destacando a importância da existência de uma estrutura institucional em sua igreja local, e especialmente, na Escola Dominical, por meio da qual cada um dos participantes da turma pode reconhecer seu papel.

 

TEXTO BÍBLICO

 

 Deuteronômio 12.1-7. 

1 — Estes são os estatutos e os juízos que tereis cuidado em fazer na terra que vos deu o SENHOR, Deus de vossos pais, para a possuirdes todos os dias que viverdes sobre a terra.

2 — Totalmente destruireis todos os lugares onde as nações que possuireis serviram os seus deuses, sobre as altas montanhas, e sobre os outeiros, e debaixo de toda árvore verde;

3 — e derribareis os seus altares, e quebrareis as suas estátuas, e os seus bosques queimareis a fogo, e abatereis as imagens esculpidas dos seus deuses, e apagareis o seu nome daquele lugar.

4 — Assim não fareis para com o SENHOR, vosso Deus,

5 — mas buscareis o lugar que o SENHOR, vosso Deus, escolher de todas as vossas tribos, para ali pôr o seu nome e sua habitação; e ali vireis.

6 — E ali trareis os vossos holocaustos, e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos, e a oferta alçada da vossa mão, e os vossos votos, e as vossas ofertas voluntárias, e os primogênitos das vossas vacas e das vossas ovelhas.

7 — E ali comereis perante o SENHOR, vosso Deus, e vos alegrareis em tudo em que poreis a vossa mão, vós e as vossas casas, no que te abençoar o SENHOR, vosso Deus.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO

 

Ao salvar Israel da opressão da terra do Egito, o Senhor Deus investiu sistematicamente na reeducação espiritual do povo, transmitindo-lhe seus estatutos e mandamentos especialmente com relação ao louvor e a adoração. Percebemos assim, a partir da saída do Egito até a chegada em Canaã, um esforço de Jeová em criar instituições, normas e regras que conduzissem Israel a uma adoração genuína e livre das influências estrangeiras. Por isso, é criado todo um sistema de sacrifícios - com significados e razões próprias. É confeccionado um centro de adoração móvel, através do qual o povo pudesse crer que a presença divina não lhes abandonara. É separada toda uma tribo para cuidar dos elementos do culto e uma família inteira para o ofício sacerdotal.

Esta série de prescrições devocionais exigidas de Israel deve levar-nos à reflexão a respeito da seriedade com que encaramos nossos momentos de louvor e adoração em nossas igrejas.

 

  1. ISRAEL, UM POVO CUJO ESTILO DE VIDA RESUME-SE EM ADORAÇÃO 
  1. A pormenorização dos elementos devocionais em Israel. Após a saída do povo do Egito, Deus tratou rapidamente de transmitir a Moisés, que retransmitiria ao povo, os preceitos centrais da adoração que deveria ser apresentada por Israel a Deus. Era necessário garantir que a influência de 430 anos no Egito não geraria prejuízos espirituais no povo (Êx 24-31). Aquilo que para alguns pode parecer um exagero detalhista era, na verdade, expressão do amor zeloso de Deus por seu povo. As orientações a Moisés, que eram jurídicas, cerimoniais, sociais e devocionais, tinham como objetivo último orientar a descendência de Abraão na fuga do politeísmo e na dedicação a uma vida exclusivamente voltada a Jeová.
  2. A institucionalização da adoração. Até aquele momento histórico, os filhos de Israel utilizavam-se das mesmas práticas tradicionais compartilhadas pelas sociedades do oriente antigo para prestarem o seu culto a Jeová. Inicia-se então um longo processo de aprendizagem onde o Senhor, pacientemente, vai fundando as instituições que regulamentarão a adoração do povo de Israel. Se antes todo tipo de oferta e sacrifício era feito aleatoriamente, segundo o desejo de cada adorador; agora o Senhor institui o sacerdócio, e através da corporação de homens dedicados exclusivamente a Deus, institui regras, dias, horários e exigências para àqueles que desejam prestar-lhe um culto autêntico (Êx 28.1-29). A adoração deixa de ser algo episódico e isolado, e passa a relacionar-se com tudo o que se cultiva, cria, trabalha, ou seja, o louvor a Deus conecta-se diretamente com a vida cotidiana.
  3. Tudo é do Senhor. Uma das características fundamentais do culto que passa a ser estabelecido no meio do povo liberto do Egito é a gratidão. As ofertas, celebrações e rituais apontam para o grande amor de Jeová, que foi importantíssimo no tempo da escravidão e que continuará absolutamente relevante durante toda a história do povo. As três grandes festas judaicas eram festividades estabelecidas para desenvolver continuamente uma consciência grata ao Senhor (Êx 34.22-24). Deste modo, deve-se compreender que a institucionalização da fé judaica teve como objetivo estabelecer um conjunto de garantias que assegurariam o desenvolvimento de uma fé saudável e equilibrada entre o povo de Deus. 

Pense!

 

Se Deus não tivesse estabelecido um conjunto mínimo de normas e cerimoniais para a organização do culto a Ele, como comportar-se-ia aquela multidão de pessoas que caminhava no deserto no momento de adorar a Deus? 

Ponto Importante

 

A institucionalização parece ser um processo inevitável para todo agrupamento de pessoas que cresce numericamente.

 

  1. CRITÉRIOS, NORMAS E PROCEDIMENTOS PARA A ADORAÇÃO EM ISRAEL 
  1. Ofertas e sacrifícios específicos. Aquele que desejava trazer algo como sinal de sua adoração deveria observar uma série de exigências. Se fosse um sacrifício animal, havia animais puros e impuros (Lv 11.47). Dependendo da cerimônia o sacrifício deveria ser feito com um animal próprio àquele momento (Nm 7.15-17). O ofertante deveria ainda ter ciência de que algumas partes do animal seriam descartadas enquanto outras seriam valorizadas (Lv 4.4-12). O animal sacrificado não poderia ter falhas ou doenças (Dt 15.19-23). Se, ao invés de animal, a oferta fosse vegetal ou de produtos de origem vegetal, o adorador deveria ter atenção quanto à quantidade a ser trazida e a qualidade do que era trazido (Lv 6.20; Nm 5.15; Dt 18.4). Essa série de requisitos exigia daquele que iria adorar a Deus um cuidado contínuo, o que o levaria a pensar em Deus diariamente, enquanto envolvido em seus afazeres cotidianos.
  2. Lugares especiais. A adoração cerimonial foi concentrada em um lugar comunitário, através do qual homens e mulheres, ricos e pobres, todos podiam adorar ao mesmo Deus. Num contexto multipoliteísta, a designação de um só local para adoração oficial reforçava, nos corações e mentes dos israelitas, que só havia um Deus a ser reverenciado. Inicialmente este “local” foi o tabernáculo, o ambiente de adoração portátil que o Senhor ordenou que Moisés construísse (Êx 25.8,9). Posteriormente este local de adoração foi “fixado” no Templo em Jerusalém (2Cr 7).
  3. Pessoas separadas. Um outro aspecto significativo da institucionalização da adoração em Israel foi a separação de uma tribo inteira para os serviços relativos ao louvor e adoração e mais especificamente de uma família para o exercício do sacerdócio (Nm 3.6-10). É claro que isso era um enorme privilégio, contudo, não se pode negar o grande sacrifício que estava ligado a essa honraria. Os filhos de Levi não teriam parte na herança que todo o povo receberia (Dt 10.9; 12.12; 14.27; Js 18.7). Se todo o povo vivia impulsionado pela fé, muito mais os levitas. Basta levar em consideração que em tempos de crise, quando a colheita era escassa, consequentemente as ofertas também eram reduzidas e em última instância a alimentação dos levitas e sacerdotes estava comprometida. Assim sendo, além das honras havia muitos sacrifícios. 

Pense!

 

Você estaria disposto a abrir mão de todo conforto e bem-estar pessoal para viver inteiramente para o serviço de Deus? 

Ponto Importante. 

Como acabamos de estudar, a institucionalização do judaísmo fortaleceu os vínculos sociais e enfraqueceu o politeísmo.

 

III. A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA FÉ HOJE

 

  1. A inevitável institucionalização. Assim como Israel — que cresceu vertiginosamente no Egito — as igrejas evangélicas brasileiras multiplicaram-se de maneira notável durante o século XX. De denominações que se reuniam em casas, geralmente da periferia, tornaram-se em grandes instituições espalhadas em todo o território nacional, presentes inclusive nas mídias. A partir do momento em que as igrejas deixaram de realizar apenas atividades espirituais e precisaram atuar civilmente — na aquisição de imóveis, contratação de pessoal, compra de bens móveis — sua institucionalização foi algo irreversível. A natureza essencial da Igreja é espiritual, por isso mesmo, quando ela trata de assuntos materiais deve fazer tudo com ética, lisura e justiça (Mt 22.17-21; Tt 3.1; 1Pe 2.13-15).
  2. “Na minha igreja, só quem canta e prega são os oficiais”. Infelizmente esta frase sintetiza a realidade de muitas igrejas locais; aquilo que aparentemente é fruto de uma maior organização e preparo, muitas vezes é apenas formalidade. A Bíblia deixa bem claro que através da obra de Cristo somos todos sacerdotes da Nova Aliança (Ap 1.6; 20.6), por isso universalmente capacitados para falar de Cristo. A beleza do pentecostalismo sempre foi a espontaneidade da participação leiga, isto é, daqueles que, sem uma formação específica, mas cheios de Deus, anunciam publicamente as obras de Jesus.
  3. Perigos contemporâneos da igreja enquanto instituição. A relação Igreja-Estado-Sociedade Civil torna-se perniciosa quando existe troca de favores, deixando de obedecer a Palavra de Deus. Nesse caso, a ética cristã é ferida, priorizando mais os homens que o Reino de Deus. Tais relações trazem escândalos e são uma das principais causas de abandono da fé. Algumas pessoas, erroneamente, chegam a afirmar que a estrutura “igreja” já faliu e está ultrapassada. Discordamos absolutamente deste ponto de vista, a vida em comunidade é a essência do Cristianismo (Jo 17.22). 

Pense!

 

Sem dúvida alguma os “desigrejados” não possuem fundamento real para suas argumentações, isto porque a razão de nossa fé é Cristo e ninguém mais. 

Ponto Importante

 

A natureza espiritual e o aspecto legal são duas faces inegáveis desse plano amoroso criado por Deus para a humanidade denominado Igreja. Já houve um tempo, quando as instituições civis eram menos desenvolvidas, que a Igreja não necessitava de estrutura institucional, hoje isso não é mais possível.

 

CONCLUSÃO

 

Se, como detalhadamente vimos, a institucionalização da fé dos judeus não foi um momento de retrocesso ou fragilização do relacionamento do povo com Deus, mas ao contrário, um processo de amadurecimento e fortalecimento dos interesses coletivos, também devemos crer que não são normas ou legislações humanas que roubarão a essência de nossa adoração a Deus e de nossa comunhão uns com os outros. 

 

 

HORA DA REVISÃO 

  1. Qual a causa central da institucionalização da adoração para o povo de Israel?

O enorme e repentino crescimento do povo que exigia a existência de preceitos coletivamente evidentes. 

  1. Que característica da adoração a Deus é ressaltada a partir da institucionalização do culto do povo de Israel?

A gratidão, uma vez que as cerimônias e os atos litúrgicos apontavam para os grandes feitos do Senhor e seu amor para com Israel. 

  1. A decisão divina de constituir um “local” de louvor oficial tinha finalidades para além da adoração?

Consolidar a ideia do monoteísmo e o sentimento de unidade entre o povo. 

  1. É correto afirmar que toda institucionalização religiosa produz apenas resultados negativos? Justifique sua resposta.

Não, pois tanto em Israel como na Igreja contemporânea a institucionalização gerou resultados positivos para a comunidade envolvida no processo. 

  1. Que práticas desenvolvidas nas igrejas locais demonstram seu caráter institucionalizado?

A existência de estatutos, regimentos, CNPJ e outros instrumentos jurídicos e legais.

 

SUBSÍDIO I 

“O Tabernáculo

Além dos lugares sagrados onde Deus se revelara, um lugar central de adoração passou a existir. Durante o período do Êxodo, ele podia ser melhor descrito como uma tenda-templo, que era a estrutura mais conveniente para o povo que estava viajando ou acampado na região de Cades-Barneia (Nm 13.26; 14.38). A tenda-templo era conhecida como Tabernáculo. O santuário central era feito de tábuas revestidas de ouro, apoiadas por um sistema de vigas, encaixes e pesadas bases de prata firmadas no chão. Isso formava uma estrutura de três lados com trinta côvados (15m) de comprimento e quinze côvados (7m) de largura, aberta para o céu em sua extremidade mais estreita a leste. O teto era provido por cortinas de linho branco, bordadas com figuras de querubins, protegidas por várias camadas de pano de saco, peles vermelhas de carneiro e peles de cabra (Êx 26.1-30). No interior, o aposento de 30 côvados (15m) era dividido em dois por uma cortina pendurada em pilares dourados, a fim de criar o ‘Santo dos Santos’ (5 x 5 x 5m) e um ‘Lugar Santo’ comprido. Uma cortina do mesmo material era pendurada sobre a entrada para impedir que olhos curiosos vissem o interior (Êx 26.31-36)” (GOWER, R. Novo Manual dos Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002, pp.239,240).

 

SUBSÍDIO II 

“As estipulações específicas ocupam grande parte do restante de Deuteronômio (12.1-26.15). Os propósitos são claramente para elucidar mais o princípio básico do concerto dos capítulos 5 a 11 e definir precisamente os termos do concerto pertinentes às relações morais, sociais/interpessoais/inter-raciais e de culto. A razão para o atual arranjo canônico do material é difícil de se compreender, mas as considerações apresentadas a seguir honram, razoavelmente bem, as exigências literárias e teológicas. (1) A exclusividade do Senhor e a sua adoração (12.1-16.17). O conjunto de regulamentos expresso nesta seção começa com a atenção a um santuário central (12.1-14), um lugar separado em contraposição aos santuários oponentes que não só tinham de ser evitados, mas destruídos, porque representavam a suposta propriedade da terra por soberanos oponentes (vv.4,5,13,14). Em relação ao santuário estão as ofertas e os sacrifícios. Particularmente significativo é o sangue (vv.15-28), cuja sacralidade coloca-se em contraste radical com as noções pagãs de vida, sua fonte e seu sustento. A vida é comum aos homens e animais; o seu meio — o sangue — é comum a todos” (ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, p.95) 

 

 

                LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS  

                          4º Trimestre de 2016

 

Título: Em Espírito e em verdade — A essência da adoração cristã

Comentarista: Thiago Brazil 

Lição 7: Quando o legalismo substitui a adoração

Data: 13 de Novembro de 2016

 

 

 TEXTO DO DIA

 

“Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim e, com a boca e com os seus lábios, me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim [...]” (Is 29.13).

 

SÍNTESE

 A adoração nasce de um coração que ama a Deus e não de uma relação jurídica (legal) com o Criador.

 

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Tg 4.11

A natureza soberba dos legalistas 

TERÇA — Am 5.21

Festas solenes sem pureza de coração são rituais vazios

QUARTA — Is 58.5

Fórmulas religiosas que para nada servem 

QUINTA — Jr 7.4

O legalismo faz o lugar sagrado virar um amuleto 

SEXTA — Mt 23.4

Os legalistas do período de Jesus 

SÁBADO — Cl 2.21

As regras dos legalistas no tempo de Paulo

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

DISCUTIR as origens e manifestações do legalismo no Antigo Testamento;

DEMONSTRAR que o legalismo era um desafio constante para a Igreja Primitiva;

REFLETIR a respeito das atitudes a serem tomadas para evitar o legalismo.

 

INTERAÇÃO 

Prezado(a) professor(a), chegamos à metade de nosso trimestre. Momentos como este são sempre propícios para realizarmos avaliações, autocríticas e, se necessário, mudanças de atitudes. Por isso, faça a si mesmo perguntas como: Minhas aulas são motivacionais ou monótonas? Minha linguagem e didática são adequadas para o nível de meus educandos? Sou um ótimo educador para o tipo de jovens do século passado ou consigo transmitir os princípios da Palavra de Deus de maneira clara para os jovens de hoje?

Partindo das respostas, que você também pode obter por meio de uma consulta aos próprios educandos, desde que seja algo feito com naturalidade e espontaneidade por eles - numa conversa informal antes ou depois da exposição do conteúdo, por meio de uma pesquisa por escrito —, continue as ministrações das aulas tendo como foco principal fazer dos instantes destes encontros momentos de crescimento pessoal e espiritual para cada jovem.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Providencie papel ofício e lápis de cor. Entregue a cada aluno uma folha de papel e lápis de cor. Dê a eles um comando para desenhar algo (objeto, paisagem) o mais caprichado possível que eles conseguirem, todavia, informe-os que terão de seguir algumas regras, pois não será um desenho livre. Abuse no uso das regras, faça com que os alunos sintam-se “sufocados” com o excesso de controle que você terá sobre a tentativa de desenho deles. Não os permita usar determinadas cores, diga que é proibido desenhar certas formas ou objetos. Encerre a dinâmica indagando-os sobre como eles sentiram-se na elaboração dos desenhos. Partindo da fala deles, leve-os a refletir a respeito dos perigos e prejuízos do legalismo.

 

TEXTO BÍBLICO

 

Atos 5.1-6,8-10. 

1 — Mas um certo varão chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade

2 — e reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos.

3 — Disse, então, Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade?

4 — Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.

5 — E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu e expirou. E um grande temor veio sobre todos os que isto ouviram.

6 — E, levantando-se os jovens, cobriram o morto e, transportando-o para fora, o sepultaram.

8 — E disse-lhe Pedro: Dize-me, vendestes por tanto aquela herdade? E ela disse: Sim, por tanto.

9 — Então, Pedro lhe disse: Por que é que entre vós vos concertastes para tentar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e também te levarão a ti.

10 — E logo caiu aos seus pés e expirou. E, entrando os jovens, acharam-na morta e a sepultaram junto de seu marido.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO 

O que é legalismo? Pode-se definir legalismo como sendo a postura religiosa que privilegia o cumprimento de regras e normas como caminho para a obtenção de bênçãos divina, inclusive a salvação. Dentre os perigos de uma religiosidade legalista está a ilusão de tornar-se uma pessoa melhor, isto é, alguém superior aos outros pelo simples fato de obedecer rigidamente um determinado conjunto de ordenamentos religiosos. É a respeito dos riscos e consequências de uma fé genuína tornar-se legalista que discutiremos na aula de hoje, partindo de alguns exemplos bíblicos.

 

  1. O SURGIMENTO DO LEGALISMO NO ANTIGO TESTAMENTO

 

  1. Da institucionalização ao legalismo. Como estudamos na última aula, com o enorme crescimento do povo de Israel e com o início de sua jornada de retorno à Canaã, a adoração e o louvor dos judeus tiveram que passar por um processo de organização para melhor desenvolvimento (Êx 19.3-6). Todavia, rapidamente propagou-se a prática legalista, ou seja, ao invés do povo cumprir as ordenanças divinas por amor e obediência ao Senhor, parte do povo passou a executar os mandamentos de maneira mecânica e vazia de intencionalidade ou, pior ainda, por puro interesse (Nm 14.1-37). Nem toda institucionalização causa legalismo, mas todo legalismo é destruidor em qualquer tipo de relacionamento, especialmente entre os adoradores e Deus.
  2. O legalismo como causa da tragédia na família de Eli. Um dos primeiros exemplos bíblicos de como o legalismo pode destruir uma família inteira é o caso da família de Eli (1Sm 2-4). Os filhos de Eli não respeitavam as ofertas e espaços sagrados em Israel (1Sm 2.12-17,22-25), eram homens de Belial (1Sm 2.12). Diante desta situação Deus usa tanto um profeta anônimo (1Sm 2.27-36), como o adolescente Samuel (1Sm 3.15-18) para declarar aos ouvidos do próprio Eli a indignação de Deus com a situação, todavia, nada mudou. O momento mais patente do legalismo da casa de Eli foi quando seus filhos transportaram a arca da aliança do Senhor para o meio do campo de batalhas com a intenção de vencerem uma guerra contra os filisteus (4.3-5). Houve uma comoção geral entre os guerreiros, isto, entretanto era pura ilusão. Deus não era a arca, muito menos estava preso dentro dela! Acreditar que venceriam a guerra simplesmente por terem trazido o objeto sagrado era puro legalismo; o resultado não podia ser outro: derrota, extermínio do povo, morte da família sacerdotal e rapto da arca (4.11-22).
  3. A denúncia do legalismo nos discursos dos profetas. O Antigo Testamento está repleto de discursos denunciando esta prática de uma religiosidade de fachada. Logo no primeiro capítulo de sua profecia, Isaías denuncia a hipocrisia religiosa daquele povo (Is 1.11-23) e apesar deles cumprirem várias ações cerimoniais, nenhuma delas era agradável ao Senhor. Já em Ezequiel 8.1-18, Deus revela ao profeta, através de uma visão cheia de símbolos, a espiritualidade decadente travestida de piedade daquela geração. Em Amós 5.21-23, o profeta, que há pouco denominou ironicamente a classe opressora de “vacas de Basã”, declara que o simples cumprimento de cerimônias religiosas não isentava o povo de Deus de sua responsabilidade social com os pobres e oprimidos. Religião que declara servir a Deus, mas é incapaz de servir ao próximo, é puro legalismo.

Pense!

 

O excesso de cuidado no conhecimento e cumprimento de determinadas normas e regras religiosas pode nos levar a esquecer qual deve ser a finalidade maior destas: auxiliar-nos a diariamente tornarmo-nos a imagem e semelhança do Pai.

 

Ponto Importante

 

Se sua fé tem se reduzido a mera observância de regras, de tal forma que sua relação com Deus já abandonou um caráter filial, por meio de seu amor integral e desinteressado ao Pai, e tem se tornado algo legal — onde você exige dEle as recompensas de sua suposta obediência — você tornou-se legalista.

 

  1. A LUTA CONTRA O LEGALISMO NA IGREJA PRIMITIVA

 

  1. O legalismo como herança do farisaísmo na Igreja Primitiva. O cristianismo, apesar de ter rapidamente atingido o mundo gentio, especialmente através de Paulo, teve em seu surgimento forte adesão de judeus. Uma das mais tradicionais seitas judaicas daquele momento histórico eram os fariseus (literalmente, “separados”). A característica marcante deste grupo era a rigidez com que eles cumpriam a Lei (Mt 23.23), chegavam até a exceder-se no cumprimento de alguns pontos dela (Lc 18.12). Quando esse conjunto de pessoas ingressou no cristianismo, trouxe junto suas tradições legalistas, dentre as quais estava a circuncisão para os cristãos não-judeus, assim como o cumprimento de todo o restante da Lei. É claro que o conjunto de exigências deste grupo de novos convertidos colidia diretamente com o discurso da graça, do amor e da misericórdia, proposto e vivenciado por Jesus e os seus discípulos (Mt 9.13).
  2. A rejeição do legalismo entre os primeiros cristãos. Não houve negociação entre os líderes da Igreja Primitiva. O legalismo deveria ser radicalmente rejeitado. Os apóstolos ratificaram que a salvação é obra exclusiva da morte vicária de Jesus e que por isso nenhum fardo deveria ser posto sobre os irmãos gentios. O Cristianismo já nasceu com a pretensão de acolher toda a humanidade; deste modo não era simplesmente mais uma seita judaica e por isso não necessitava submeter-se às tradições culturais daquele povo. Paulo, em vários momentos de seu ministério, denunciou a inutilidade do legalismo dos judaizantes — judeus convertidos ao cristianismo que exigiam dos gentios o cumprimento de práticas culturais e cerimoniais do judaísmo para garantir-lhes a salvação (Gl 2.14-17; Fp 3.1-3; Cl 2.16-23; Tt 1.10-16).
  3. As distorções teológicas do legalismo. O legalismo, no intuito de desenvolver uma piedade comprometida, cria sérios problemas doutrinários. Por exemplo, se alguém condiciona a salvação a algo além do sacrifício de Jesus — rituais (Mt 15.1-9), obediência a normas humanas (Gl 5.1-6), boas obras (Ef 2.8-10) — essa pessoa está usurpando a centralidade de Cristo na obra salvífica. O legalista, arrogantemente, entende-se como alguém apto para julgar a espiritualidade dos outros (Tg 4.12). Não devemos ser juízes de ninguém (Lc 6.37), só há um Juiz (Is 33.22; Jr 11.20), nossa missão é ser suporte para os mais fracos (Rm 14.1-23). O legalismo transforma a ética cristã, encarnação histórica do amor (Mt 7.12), em um conjunto vazio de cumprimento de regras que para nada serve (Mc 7.7-9). 

Pense! 

Você é um legalista? O legalista, arrogantemente, entende-se como alguém apto para julgar a espiritualidade dos outros.

 

Ponto Importante 

Misericórdia para com os doentes espiritualmente não significa conivência com seus atos.

 

III. COMO SUPERAR O LEGALISMO

 

  1. Retornando a centralidade de Cristo em nossa fé. Não existem amuletos mágicos (sal, copo com água, arca da aliança) ou rituais de invocação da divindade (sete vigílias, sete salmos, sete hinos de sangue) no Cristianismo. O centro de nossa fé é Cristo Jesus (Cl 1.27). O legalismo somente será superado quando, sem medo algum, voltarmos a pregar e viver a mais simples verdade do Evangelho: a morte e ressurreição de Cristo é a garantia da nossa salvação (Rm 8.31-39). Se for salvo, vivo para Ele (Fp 1.21); se congrego numa Igreja é para aperfeiçoamento do “corpo” dEle (do qual eu faço parte — Ef 4.12,13); se pratico boas ações é para que o nome dEle seja glorificado (1Pe 2.11,12). Não devemos ter medo de supostas maldições ou “retaliações divinas”, Cristo não é Baal — um deus melindroso — Ele nos ama e tudo que Ele faz é para abençoar-nos (Ef 1.3-10).
  2. Amando mais as pessoas que a religião. Cristianismo não é religião — cheia de protocolos e cerimônias — antes é relacionamento puro, direto e genuíno com Deus. Se em alguma circunstância da vida você estiver diante de um suposto dilema entre salvar a vida de alguém ou cumprir uma regra religiosa, não pense duas vezes, salve a vida desta pessoa. Porque alguém deve fazer isso? 1) Por que em seu lugar Cristo faria o mesmo, na verdade Ele já fez (Jo 5.1-15; 8.1-11); 2) Porque o cerne do cristianismo não é cumprir regras, mas amar a Deus, amando a si mesmo e as pessoas ao nosso redor; 3) Algumas religiões fazem guerra e matam pessoas, Jesus veio para dar a sua vida e ninguém foi capaz de convencê-lo do contrário (Jo 10.17,18).
  3. Vivenciando a liberdade proporcionada pelo Espírito de Deus. A Bíblia é clara: onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade (2 Co 3.17). Somos livres do pecado, livres para adorar a Deus e para ter uma vida santa, e servir de exemplo ao mundo daquilo que Deus pode fazer na vida de um ser humano.

 

Pense! 

Adoração não é reprodução mecânica de palavras ou ações.

 

Ponto Importante

 

Adoração não produz ódio. Alguém por ignorância pode não gostar de nossa fé ou até mesmo de nós, todavia, nosso louvor a Deus nunca pode ser fonte de discriminação ou maldade. 

CONCLUSÃO

 

O legalismo é uma antiga doença que tenta atacar o povo de Deus. Desde o Antigo Testamento até nossos dias a sedução de fazer da fé um aglomerado de proibições, prescrições e juízos é algo tanto real quanto perigoso. Por isso, devemos cada vez mais nos empenharmos para desenvolver um relacionamento vivo, íntimo e pessoal com Deus, livre o suficiente para expressarmos a sinceridade de nossos corações. 

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. A partir dos seus conhecimentos e das discussões em sala de aula defina o que é legalismo.

Pode-se definir legalismo como sendo a postura religiosa que privilegia o cumprimento de regras e normas como caminho para a obtenção de bênçãos da divindade, inclusive a salvação. 

  1. Apresente episódios bíblicos onde fica bastante claro a manifestação de uma religiosidade legalista (No mínimo dois no AT e outros dois no NT).

AT — Precipitação dos Filhos de Eli (1Sm 2-4); Contemporâneos de Amós (Am 5); NT — Discussões no Concílio de Jerusalém (At 15); Judaizantes nas igrejas da Galácia (Gl 2). 

  1. Que tipos de problemas ou contradições de natureza teológica o legalismo pode trazer?

Defesa da salvação a partir da obediência a regras humanas; distorção dos princípios éticos; divisão das pessoas entre puros e impuros segundo as normas da religião. 

  1. Como podemos superar o legalismo?

Resposta Pessoal. (Sugestão: criação de regras quanto a tipos específicos de ritmos ou canções na igreja). 

  1. Que ações podem ser tomadas para combater a espiritualidade legalista?

Retornando a centralidade de Cristo em nossa fé; Amando mais as pessoas que a religião; Vivenciando a liberdade proporcionada pelo Espírito de Deus.

 

SUBSÍDIO 

“[...] Judeus cristãos eram chamados ‘judaizantes’, porque eles criam que todo aquele que recebesse o evangelho deveria se converter ao judaísmo e guardar a lei de Moisés, particularmente a circuncisão. O ensino dos judaizantes cria divisão na Igreja. Eles entram num espírito de exclusivismo judaico e pronunciam que os crentes gentios incircuncisos não são salvos, e que a fé em Cristo não é o bastante para a salvação. Estes agitadores dogmaticamente insistem que a circuncisão deve ser acrescentada à fé no Salvador. [...] O esforço para judaizar a Igreja cria acalorado debate e tem o potencial de dividir a Igreja em duas facções, uma com sede em Jerusalém e outra, em Antioquia. A integridade do evangelho e a unidade da Igreja estão em jogo. A palavra traduzida por ‘não pequena discussão’ (stasis) significa literalmente ‘insurreição, facção, discórdia’, ao passo que a palavra traduzida por ‘contenda’ (zetesis) quer dizer ‘disputa, discussão’. Estas duas palavras descrevem uma situação dominada por conflito que é provocada por raiva, desunião e discussão” (ARRINGTON, F. L; STRONSTAD, R. Comentário Bíblico Pentecostal. 4ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.709).

 

 

                LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS 

                       4º Trimestre de 2016 

Título: Em Espírito e em verdade — A essência da adoração cristã

Comentarista: Thiago Brazil

Lição 8: A lembrança da essência da adoração

Data: 20 de Novembro de 2016 

 

 

TEXTO DO DIA

 

“Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficiência, e andes humildemente com o teu Deus?” (Mq 6.8).

 

SÍNTESE 

Nada justifica a opressão ou exploração de uma pessoa por outra. Todo sacrifício feito à custa do sangue e lágrimas de outrem é abominação. A adoração torna-nos mais justos e bondosos.

 

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Mq 3.11

Perfil da espiritualidade no período de Miqueias

TERÇA — Mq 4.2

A vocação universal para o louvor e adoração 

QUARTA — Mq 6.7

Adorar é muito mais que cerimonialismo 

QUINTA — Mq 6.15

Quando a prática religiosa não se torna adoração 

SEXTA — Mq 7.2

A situação decadente da humanidade 

SÁBADO — Mq 7.18

O incomparável Deus

 

OBJETIVOS 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

APRESENTAR período sócio-histórico-espiritual de Miqueias.

MOSTRAR os três componentes fundamentais para a adoração.

COMPARAR os dilemas e desafios de Miqueias com os da Igreja atual.

 

INTERAÇÃO 

Caro(a) educador(a) você tem uma poderosa oportunidade semanal. Numa sociedade onde os jovens recebem vários apelos pecaminosos, manter um grupo de moças e rapazes, durante um determinado período, para exclusivamente estudarem a Palavra de Deus é um verdadeiro milagre. Inclusive é possível, dependendo de sua sensibilidade e do bom ambiente que você promove em sala de aula, que você seja capaz de perceber determinados comportamentos, medos, dúvidas ou dons, que um certo jovem tem e ninguém mais detectou. Isto ocorre em virtude do poder, quebrantador e transformador, que a Palavra tem. Por isso, todas as vezes que você estiver diante de seus educandos, lembre-se: Você pode ser a única pessoa que os ouve e conhece de verdade. Por isso, não perca a oportunidade de abençoá-los e de sempre que possível, ministrar cura, amor e esperança em suas vidas. Que suas aulas sejam momentos de descontração, crescimento e alegria para seus alunos.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Inicie sua aula fazendo a seguinte indagação: O que é ser bem-sucedido? Dê exemplos de pessoas bem-sucedidas. (Se possível escreva esta pergunta na lousa ou numa cartolina.) À medida que eles forem respondendo vá coletando suas opiniões. Em seguida faça uma nova pergunta: “O que é ser avivado?”. Após este segundo momento de respostas, faça um confronto entre os exemplos de pessoas bem-sucedidas e as características de alguém avivado. Leve sua classe a perceber que a vontade de Deus é que sejamos continuamente avivados e que isso implica em sermos plenos em todas as áreas de nossas vidas. Se algum educando definir alguém bem-sucedido com qualidades que se contraponham ao Evangelho (por exemplo, como alguém ganancioso, poderoso, egoisticamente feliz), demonstre que esse tipo de vida não é própria de um cristão; esclareça-os que as riquezas não são pecado, a ganância sim.

 

TEXTO BÍBLICO 

Miqueias 7.1-7. 

1 — Ai de mim! Porque estou como quando são colhidas as frutas do verão, como os rabiscos da vindima: não há cacho de uvas para comer, nem figos temporãos que a minha alma desejou.

2 — Pereceu o benigno da terra, e não há entre os homens um que seja reto; todos armam ciladas para sangue; caça cada um a seu irmão com uma rede.

3 — As suas mãos fazem diligentemente o mal; o príncipe inquire, e o juiz se apressa à recompensa, e o grande fala da corrupção da sua alma, e assim todos eles são perturbadores.

4 — O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que o espinhal; veio o dia dos teus vigias, veio a tua visitação; agora será a sua confusão.

5 — Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio guarda as portas da tua boca.

6 — Porque o filho despreza o pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora, contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa.

7 — Eu, porém, esperarei no SENHOR; esperei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO 

O profeta Miqueias, não era um simples religioso de sua época. Ele foi um homem comprometido com a luta contra as desigualdades e abusos dos poderosos sobre os mais frágeis em sua comunidade. Para este profeta, como deve ser para todos nós, era impossível defender um real avivamento que, além de transformações espirituais, também não causasse mudanças nos paradigmas sociais. A adoração naquela época — isto é, durante os reinados de Jotão, Acaz e Ezequias (1.1) — ganhou nova centralidade. Os cultos foram reestabelecidos, sacrifícios passaram a ser cerimonialmente apresentados, todavia, ainda havia corrupção e injustiça entre o povo (2.1,2). Havia certo pessimismo no coração de Miqueias com relação ao povo e o seu relacionamento com Deus (1.9). Será que nossa geração está seguindo esse mesmo caminho? Vamos pensar a esse respeito na aula de hoje.

 

  1. MIQUEIAS E SUA DENÚNCIA PROFÉTICA 
  1. O perfil de um adorador. As informações biográficas a respeito deste profeta são muito escassas. Além de seu próprio texto, temos na profecia de Jeremias um registro sobre o seu ministério (Jr 26.18,19). Tanto pelo contexto mais amplo da profecia de Miqueias, como pela sucinta citação de Jeremias, pode-se inferir que ele tinha como tônica central de seu ministério o desenvolvimento de uma fé viva, a qual deveria romper com o modelo vigente, onde sacerdotes e profetas realizavam seus ministérios conforme o pagamento que recebiam (Mq 3.5,11). A cidade de onde Miqueias é oriundo, Moresete, não possui sua identificação geográfica clara, mas provavelmente é um povoado da zona rural próximo a Filistia. Se levarmos em conta esta possibilidade, Miqueias seria um homem humilde, do contexto campestre, que anunciava a vontade de Deus na mesma época do palaciano profeta Isaías (Is 6.1).
  2. O contexto sócio-religioso da comunidade de Miqueias. As palavras do profeta são contra Jerusalém e Samaria (1.5), apesar do profeta concentrar-se mais na denúncia da situação espiritual do Reino do Sul (3.1). Mesmo diante do avivamento experimentado pelo povo de Deus durante o reinado de Ezequias (2Cr 29-31), havia um conjunto de pecados que sistematicamente desenvolviam-se naquela comunidade: os ricos estavam perversamente explorando os mais pobres (6.12-15). Os profetas não denunciavam as mazelas sociais, antes, por suborno que recebiam, anunciavam uma falsa paz (3.5-12). Havia idolatria e práticas religiosas reprovadas por Deus (5.12-15); o cerimonialismo legalista também era um desafio a ser superado naquela comunidade (6.6,7). Em meio a todo esse contexto paradoxal (avivamento X pecaminosidade, justiça divina X injustiça humana), o Senhor continuava atraindo e pacientemente esperando uma mudança de comportamento do povo (6.8,9).
  3. A profecia de Miqueias. As palavras de Miqueias são, literalmente, revelação àquela comunidade. O profeta “tira o véu” que tenta esconder a condição deplorável que os mais pobres estavam vivendo naquele contexto (3.1-4). Revela ainda os efeitos imediatos que sobreviriam sobre àquela sociedade em virtude do conjunto de opressores (3.12), e os efeitos a longo prazo que repercutirão naquela sociedade, tanto as repreensões (4.10-12) como as restaurações (5.2-4). O esforço do profeta está em denunciar as condutas pecaminosas que foram normalizadas entre os filhos de Israel (7.2), e propor uma mudança radical de comportamento que espelhe a natureza graciosa e justa do Senhor. Segundo a perspectiva defendida por Miqueias, o verdadeiro avivamento traz a presença de Jeová para o meio do seu povo, para que este povo possa revelar ao mundo a presença de Deus por meio de atos de justiça social.

 

Pense! 

A mensagem de Deus precisa ser anunciada a todas as pessoas, em todos os contextos existentes.

 

Ponto Importante 

Os verdadeiros servos de Deus não são coniventes com as práticas pecaminosas de sua sociedade, ainda que estas sejam comunitariamente aceitas.

 

  1. A ESSÊNCIA DA ADORAÇÃO SEGUNDO MIQUEIAS (6.8)

 

  1. A adoração conduz a bondade. É impossível que aquele que conhece a Deus permaneça deliberadamente numa vida de maldade, pois o pecado não o domina mais (Rm 6.14), tendo sido afastado de nós (Sl 103.12). Não fazemos boas obras para sermos salvos, todavia, uma vez íntimos do Pai, inevitavelmente espelharemos o seu caráter por meio das boas ações que realizaremos (2Ts 3.13). A crueldade não pode ser um atributo daqueles que se declaram adoradores do Senhor, João deixa isso bastante claro em 3Jo 11. Se é para a glória de Deus que realizamos uma determinada ação, esta não pode ter como meio a violência, opressão ou mentira (Cl 3.9), e seu fim não pode ser a inveja, competição ou vanglória (Fp 2.3). Se de fato adoramos a Deus, a bondade é o fundamento de nossa vida (Cl 3.12; Rm 15.14). Uma vez que a adoração nos aproxima de Deus, ela também nos afasta do mal e atrai-nos para o bem (Pv 14.22).
  2. A justiça como fruto da adoração. Miqueias chocou-se com a cumplicidade e com a injustiça que imperavam entre aqueles que se declaravam povo de Deus (3.9). Contudo, ele, como profeta do Senhor, proclamava em alto e bom som a justiça (3.8). Aquele que adora a Deus ama a justiça porque o Senhor a ama também, assim como ao homem justo (Sl 11.7; 33.5; 146.8). A justiça é parte integrante da natureza de Deus, por isso a sua observância jamais vai contrariar o coração de Deus; assim sendo, cuidado, não confunda justiça com legalismo-formalismo. Nosso critério de justiça não é nossa constituição — esta é a base de mediação de nossas relações civis —, mas sim a Escritura. Enquanto aqueles que não conhecem a Deus associam o conceito de justiça a leis e punições, nós devemos defender um tipo de justiça que se alinhe mais com o amor e a misericórdia.
  3. Louvar a Deus torna o nosso coração humilde. Sentimentos como autossuficiência e exaltação tendem a ser próprios daqueles que estão longe do amor de Deus, e essa era a situação deplorável dos contemporâneos de Miqueias (2.1; 3.9). Uma vida de adoração torna-nos absolutamente conscientes de nossas finitudes, diante da grandeza do Deus a quem adoramos somos confrontados com uma verdade eterna: somos limitados e fracos, Deus é quem nos fortalece (2Co 2.19; Is 40.29,30; Ef 6.10). A soberba da geração de Miqueias expunha o quão longe do Senhor eles estavam; de nada serviam os sacrifícios e cerimoniais que faziam (6.6,7). A arrogância deles era um prenúncio de sua queda iminente (Pv 16.18). A verdadeira adoração conduz-nos a mesma postura do publicano da célebre parábola de Jesus (Lc 18.10-14). Não existe adoração sem quebrantamento.

 

Pense! 

Na história do cristianismo, em nome de Deus, foram iniciadas guerras, cometeram-se assassinatos, justificou-se o uso da violência. Para que nunca mais voltemos a estes tempos vergonhosos precisamos compreender que a fé que temos em Cristo não nos torna donos do mundo.

 

Ponto Importante 

Infelizmente em nossa sociedade, a humildade é um comportamento raro, especialmente entre aqueles que se dizem cristãos. 

III. DE FATO SOMOS ADORADORES?

 

  1. A Igreja e a justiça social. A Igreja de Jesus Cristo não deve se esquecer de que precisa também socorrer aqueles que têm necessidades. Em momentos, como o que estamos enfrentando, em que a desigualdade social é manifestada nacionalmente, devemos nos posicionar não apenas falando de Jesus para a nossa sociedade, mas também estendendo as mãos para que possamos ver mais justiça social de acordo com o que Deus planejou.
  2. Somos cristãos ou consumidores de religiosidade? O marketing religioso é um campo em amplo crescimento no mundo dos negócios. Infelizmente, para algumas igrejas, desenvolver uma comunidade de adoradores não é mais o foco; aspira-se um mercado consumidor, por isso há todo um “portfólio” de opções para atrair novos “clientes”. A Igreja não pode se esquecer de que o foco é Jesus. Como arautos do Senhor, precisamos pregar a Palavra de Deus com responsabilidade. Isto implica discipular pessoas, ensiná-las a se relacionarem com Deus. É preciso mostrar que diferente do que o mundo tenta fazer em alguns ambientes de adoração que recorrem as regras de mercado para atrair pessoas, a Igreja não forma consumidores em busca de entretenimento, e sim ovelhas que obedecem a Deus.
  3. O mais importante não é o que temos, mas o que somos. Os ricos opressores do contexto histórico de Miqueias, queriam justificar sua opulência como derivada da bênção de Deus (3.11). Na verdade eles tinham muito em virtude da opressão e exploração dos mais frágeis.

Desenvolvamos nossa viva fé como um instrumento de adoração a Deus que nos torna mais humanos, irmãos uns dos outros, filhos de Deus. Se o Senhor abençoar-nos com riquezas, o fará por meio da justiça e da verdade (Sl 112.1-10). 

Pense! 

A Igreja não é o Estado e nem cabe sê-lo; logo, o modo e a finalidade pela qual a Igreja deve lutar por um mundo mais justo devem ser diferentes daqueles utilizados pelo Estado. Enquanto este toma suas medidas por força da lei ou por interesse populista, a aquela abraça a causa de Cristo para si.

 

Ponto Importante

 

Nossa experiência de fé tem de fato tornado-nos pessoas com valores e princípios diferentes daqueles que estão estampados no mundo, ou tudo o que vivemos é uma adaptação religiosa da lógica perversa e perniciosa do mundo que nos cerca? 

CONCLUSÃO

 

Assim como na época de Miqueias necessitamos urgentemente de um avivamento. Contudo, esse movimento não pode reduzir-se apenas a um conjunto de práticas religiosas, antes deve contemplar a totalidade de nossos papéis e relacionamentos. Deste modo, uma Igreja avivada segundo a vontade de Deus, imprescindivelmente colaborará para uma sociedade melhor.

 

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Quais os principais problemas que enfrentava a sociedade de Miqueias?

Os ricos estavam perversamente explorando os mais pobres; os profetas não denunciavam as mazelas sociais, antes, por suborno que recebiam, anunciavam uma falsa paz; havia idolatria e práticas religiosas reprovadas por Deus; o cerimonialismo legalista também era um desafio a ser superado naquela comunidade. 

  1. Por que o avivamento que estava acontecendo em Judá, segundo Miqueias, não era pleno?

Porque não havia o bem-estar social junto com o bem-estar espiritual. 

  1. Apresente as três características que demonstram o coração de um adorador.

Bondade, Justiça e Humildade. 

  1. Hoje, existem desafios similares aos que Miqueias enfrentou em nossas comunidades? Quais?

Teologia da Prosperidade, triunfalismo, narcisismo. 

  1. O que devemos ofertar a Deus como sinônimo de nossa adoração a Ele?

Todo nosso ser, não simplesmente nossos bens.

 

SUBSÍDIO I 

“Miqueias profetizou nos dias dos reis Jotão, Acaz e Ezequias em Judá (Mq 1.1) e dos reis Pecaías, Peca e Oseias em Israel (2Rs 15.23-30), e sua mensagem era tanto para Judá quanto para Israel (Mq 1.1-9). Ele predisse o cativeiro do povo do Reino do Sul e do Reino do Norte. Viu a queda de Samaria pela Assíria e a queda de Jerusalém pela Babilônia. Pelos reis que lhe foram contemporâneos, o período de seu ministério profético pode ser estabelecido de 752 a.C. a 697 a.C. Um detalhe muito significativo é que Deus escolheu Miqueias para profetizar o local do nascimento do Messias (Mq 5.2; Mt 2.1,5,6). A mensagem de Miqueias pode ser dividida, fundamentalmente, em duas partes: na primeira, que compreende os capítulos de 1 a 3, ele denuncia os pecados de Samaria e Jerusalém, e anuncia a condenação vindoura; e na segunda, que vai do capítulo 4 ao 7, ele traz uma mensagem de consolação, de redenção do povo judeu e de promessas de bênçãos. Outro destaque da mensagem de Miqueias é que ele foi usado por Deus também para denunciar a opressão e as injustiças sociais em Israel, especialmente nos capítulos 2 (vv.1,2,8,9) e 3 (vv.2,3,11), mas também no capítulo 6 (vv.8-12)” (COELHO, A; DANIEL, S. Os Doze Profetas Menores. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2012, pp.56,57).

 

SUBSÍDIO II 

“Miqueias expõe os falsos profetas pelo que realmente são. Afirma que suas visões serão tiradas. Os que, por dinheiro, deram orientações errôneas às pessoas serão abandonados em suas próprias ilusões sombrias. Pelo fato de eles mesmos estarem na noite espiritual, não poderiam fazer predições ou tornar a vontade de Deus conhecida. Em consequência disso, as trevas espirituais infestarão toda a nação. Elas caem sobre todo homem, ou grupo de pessoas, que, por fins ignóbeis e egoístas, fecham os olhos à verdade. Agir irresponsavelmente com a justiça, faz os homens perderem todo o senso de princípio; ‘direitos’ e ‘deveres’ tomam-se meras palavras (ver Mt 7.22,23; 1Jo 1.7). É muito ruim estar sob o governo de líderes que não temem a Deus, mas é pior ser guiado por falsos mestres. Jesus falou sobre eles quando se referiu a cegos que guiam cegos (Mt 15.14) e mencionou a necessidade de andarmos na luz para que não sejamos surpreendidos (Jo 12.34-36). Se por um ganho monetário ou por outro motivo vil, os líderes da igreja torcem o Evangelho, quando as pessoas lhes pedem conselhos, não têm a resposta do Senhor para dar. E como são densas essas trevas! (Mt 6.19-23; cf. Is 5.20,21)” (Comentário Bíblico Beacon. Oseias a Malaquias. Volume 5, 1ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.180).

fonte www.mauricioberwald.com

 

 Lições Bíblicas  CPAD 4° trimestre de 2016 

              Professor Mauricio Berwald 

 

TEXTO DO DIA

 

'[...] amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma. e de todas as forças e amar o próximo como a si mesmo é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios." (Mc 12.33)

SÍNTESE

Jesus, em seu ministério, preocupou-se em apresentar o verdadeiro caminho de adoração ao Pai.

 

 

AGENDA DE LEITURA 

SEGUNDA -Lc 4.8: Adorar só a Deus

TERÇA - Mt 211: Jesus foi adorado desde o seu nascimento

QUARTA - Mt 15.9: A falsa adoração

QUINTA - Jo 12.13: Adoração sem profundidade

SEXTA - Lc 16.13: Adoração sem mistura

SÁBADO - Mt 14.33; Adoração como ato de reconhecimento da natureza de Jesus

 

 

OBJETIVOS 

  • APRESENTAR a adoração como uma ação integral do ser humano.
  • DISCUTIR a respeito do amor ao próximo como um requisito da adoração.
  • PROBLEMATIZAR e contextualizar o conceito de próximo na Igreja contemporânea.

 

INTERAÇÃO 

Que tipo de preconceito você já enfrentou ou enfrenta caro (a) educador (a)? Por incrível que possa parecer, faz parte da adoração confrontar as atitudes discriminatórias e de hostilidade, tão comuns em nossa sociedade contemporânea. Na preparação desta aula, pesquise e reflita a respeito dos grupos de pessoas que mais sofrem com o preconceito na região onde você mora.

Compartilhe suas indagações e impressões com seus educandos (as); leve-os a refletirem também, a perceberem os preconceitos que carregam, e o quanto estes são negativos e perigosos para o desenvolvimento de uma fé saudável. Este não deve ser um momento de reforço das discriminações: de ironias ou piadinhas. Faça deste instante uma ocasião de confissão, quebrantamento e arrependimento, individuais e coletivos.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Você vai precisar dos seguintes materiais: retângulos constando características ou grupos de pessoas discriminados (a quantidade de retângulos deve ser suficiente para cada educando ficar com cinco, as características ou grupos podem se repetir). Sugestão de características ou grupos: ex-presidiários. moradores de ruas, dependentes químicos, doentes mentais, etc.

Diga aos alunos que eles serão líderes de um grupo, cada um será responsável por outras pessoas. Deixe os retângulos voltados para baixo de modo que não possam ver o que está escrito. À medida que eles forem escolhendo às cegas, perceba as reações e possível mal-estar. Finalize a dinâmica fazendo um momento de reflexão, indagando-os como eles sentir-se-iam se o preconceito fossem com eles; e se aquelas pessoas começassem a visitar a igreja eles aproximar-se-iam dessas pessoas?

 

TEXTO BÍBLICO 

Lucas 10.25-35

25 E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

26 E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês?

27 E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.

28 E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás.

29 Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?

30 E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.

31 E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.

32 E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo.

33 Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão;

34 E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;

35 E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar.

 

INTRODUÇÃO

 

Jesus, através de sua vida, demonstra que adorar a Deus é muito mais do que cumprir exigências cerimoniais: louvar ao Criador envolve a totalidade de nosso ser todo nosso espírito, alma e corpo. Logo, se é tudo o que somos, a adoração está ligada também com nossos relacionamentos. Deste modo, a maneira pela qual nos relacionamos com as pessoas denuncia se somos ou não adoradores Partindo da célebre parábola de Jesus, em Lucas 10, refletiremos nesta lição a respeito do caráter integral da verdadeira adoração a Deus.

 

I - JESUS EXPLICA O QUE É ADORAÇÃO

 

  1. A capciosa pergunta do doutor da lei (Lc 10.25).

 

Mais uma vez. Jesus está às voltas com uma pergunta feita por um dos religiosos da época. A questão suscitada pelo escriba referia-se a problemática da vida eterna e o recebimento desta Jesus, numa estratégia discursiva típica dos sábios da época, devolve a pergunta com outras duas: Que está escrito na lei? Como lês?

Apesar de não responder diretamente, as indagações de Jesus direcionam e restringem as opções que o doutor tem para apresentar sua tréplica. O acesso a vida eterna estava intimamente relacionado a duas questões muito sérias: tanto às verdades eternas já manifestas por Deus e registradas nas Escrituras, como também ao modo pelo qual as pessoas a interpretavam. É claro que a Bíblia é nosso manual sobre adoração e louvor, todavia, corremos sérios riscos de negarmos ao Pai. se a lermos de maneira errónea.

 

  1. “Amarás ao Senhor teu Deus" (v.27).

 

Imediatamente o doutor da Lei responde a primeira indagação de Jesus. Cita com perfeição o texto de Deuteronômio 6.5. Como é possível receber a vida eterna? Amando, adorando a Deus com tudo aquilo que temos e somos: coração, alma, forças e entendimento Percebe-se assim que a adoração não está relacionada com aquilo que recebemos, mas com nossa percepção sobre quem é Deus. Basta que tenhamos um simples vislumbre da sua pessoa (Êx 33.18-23:2 Co 12.1-10), e será o suficiente para não desejarmos mais nada, senão apenas um relacionamento intenso e genuíno com Ele. Adorar é amar ao próprio Deus. e só consegue amá-lo como Ele merece quem realmente conhece-o. Tudo que há em nós foi divinamente elaborado para louvar ao Altíssimo, por isso devemos zelar por cada área de nosso ser. Nosso amor dever ser direcionado à pessoa de Deus e em virtude de quem Ele é.

 

  1. Adorando a Deus por meio do amor ao próximo.

 

Uma vez que pouquíssimas pessoas terão o privilégio de ter uma experiência reveladora e direta com a divindade, como poderemos adorá-lo? A resposta parece explicita no final da fala do escriba: “[...] e o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 19.18).

O amor. que nos identifica universalmente uns com os outros, é a ferramenta capaz de revelar a face de Deus à humanidade. Posso ver Deus através de quem está próximo a mim; por meio daqueles que. assim como eu. são filhos, adoradores e amados do Pai. Não devo divinizar nenhuma pessoa, isto é idolatria, mas todas ás vezes que eu concedo àqueles que estão próximos a mim a dignidade inerente a eles (Gn 1.26). estou amando-os e. per uma inevitável consequência, oferecendo a Deus a verdadeira adoração que lhe é devida (Jo 15.1-14).

O Pense!

Que chave de leitura temos utilizado para lera Bíblia? Se compreendermos as Escrituras através do amor, misericórdia e graça, estaremos mais próximos do Pai.

 

O Ponto Importante

 

O amor a Deus torna-se palpável quando nos dedicamos a construir uma vida digna àqueles que, em virtude da maldade e pecado, tiveram-na roubada (Mt 25.34-40).

 

II - "MAS... E QUEM É MEU PRÓXIMO?"

 

  1. Como o doutor da Lei "lia" o mundo.

 

O escriba quis justificar-se (v.20); mas desculpar-se de quê? De, contraditoriamente, afirmar que amava a Deus sem amar aqueles que estavam ao seu lado. Para aquele homem era impossível amar determinadas pessoas ou grupos sociais: os publicanos traidores, os leprosos impuros, as meretrizes promíscuas, os samaritanos etnicamente rejeitados.

Indagou então o doutor ‘Quem é meu próximo? O termo grego para ‘próximo" é literalmente vizinho, metaforicamente, ‘aquele que é o mais intimo’ Ao indagar sobre quem era seu próximo, arrogantemente o escriba questionava, ‘quem é semelhante a mim?, postura análoga ã do Fariseu em Lucas 18.11. Para aquele homem, a religiosidade o fazia superior, e qualitativamente diferente de todas as demais pessoas; deste modo. amar a quem. senão apenas a si mesmo?

 

  1. Uma parábola como resposta.

 

A fim de esclarecer o escriba, mais uma vez. Jesus não oferece uma resposta direta, mas por meio de uma parábola, denuncia a arrogância daquele homem. A parábola do samaritano, como é tradicionalmente nomeada esta imagem bíblica, é um dos mais belos textos da Escritura; lembremo-nos, todavia, que seu objetivo central é responder ao questionamento: ‘Quem é meu próximo?’

Se levarmos em conta está questão perceberemos que, dentre os três personagens secundários do enredo: o sacerdote, o levita e o samaritano, a ajuda ao homem assaltado vem de quem o escriba jamais se identificaria: o samaritano.

Os samaritanos eram os descendentes do Reino do Norte que, colonizados pela Assiria, desenvolveram uma religiosidade mista, considerada impura e espúria pelos judeus. Por isso, um judeu, particularmente um especialista em conhecimentos da Torá, jamais consideraria um samaritano digno de amor ou compaixão.

 

  1. O amor supera o ódio.

 

Diante da cena que Jesus elabora, o quadro tradicional muda; temos um sacerdote e um levita, não misericordiosos, cerimonialmente puros, mas cheios de preconceitos. Por outro lado temos um samaritano, socialmente rejeitado, mas graciosamente acolhedor; etnicamente odiado, entretanto o único que demonstra amor.

A quem o escriba comparar-se-ia, aos dois primeiros? Se fizesse isso Jesus demonstraria que não havia amor a Deus naquele homem. O escriba, num exercício de superação de seus preconceitos, teve de comparar-se ao samaritano. Por esta parábola Jesus demonstra que o próximo, o intimo, é todo aquele que é carente de amor, assim como é aquele que desinteressadamente ama.

Pense!

A fé que desenvolvemos a partir de nosso encontro com Jesus tem nos tomado pessoas mais amorosas, misericordiosas, capazes de superar os preconceitos que a sociedade constituiu sobre nós?

O Ponto Importante

Os judeus e os samaritanos são um exemplo típico do mal qte as divergências culturais podem causar.

 

III – SALVAÇÃO, AMOR E ADORAÇÃO

 

  1. O desenvolvimento de uma adoração plena.

 

O culto não pode ser nosso único momento de adoração. Não é saudável que reduzamos nossa adoração apenas a louvores, pregações, orações e contribuições Devemos adorar com tudo o que somos, em todo o tempo (Sl 32.6; Ef 6.18), com tudo o que temos (At 20.35; Cl 3.22-25). Sempre conscientes de que é fraudulenta a adoração do coração daquele que afirma amar a Deus, mas tem algo contra seu irmão (Mt 5.23.24).

 

  1. Igreja, acolhimento e adoração.

 

Que tipo de pessoas a espiritualidade que praticamos tem desenvolvido? Indivíduos insensíveis à dor do outro, que em nome de rituais e tradições observam de maneira Inerte multidões morrendo á mingua sob o domínio do pecado, sem sequer estender a mão. Ou nossa fé, que é simultaneamente resultado e causa de nossa adoração (Hb 11.1), tem cotidianamente transformado nosso ser, quebrando nossa arrogância e exaltação (Pv 8.13), levando-nos a perceber àquele que está a nossa volta não apenas como um outro (Gr heteros), distante e diferente, mas como o próximo (Gr. ptesion), íntimo, amigo mais chegado que irmão (Pv 18.24).

 

  1. Nós e os samaritanos.

 

Quem são os samaritanos de nossa sociedade? Nossa fé não é excludente. o Reino de Deus é inclusivo (Mt 9.10-13). O evangelho do Senhor Jesus é a boa-nova de Deus para a humanidade. Ele é convidativo, acolhedor. Assim como Jesus, não tenhamos medo de aproximarmo-nos das pessoas que necessitam de Deus (Fp 2.6-9; Hb 2.11).

O Pense!

Como estão seus relacionamentos, dentro e fora da Igreja?

O Ponto Importante

A Igreja precisa ser o lugar daqueles que estão em processo de cura. através da adoração e do amor

 

SUBSÍDIO

 

Questões que exigem atenção

 

  1. Esta história pertence, originalmente, ao contexto do diálogo de Jesus e o doutor da Lei a respeito do caminho para a vida eterna e do mandamento para amar? A omissão dessa história nos outros Evangelhos (mesmo que eles apresentem debates semelhantes acerca do mandamento de amar) e a disparidade entre a pergunta do doutor da Lei ( Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?) levou muitos a separarem a parábola (vv. 30-35 ou 36) do seu contexto.
  2. Que relevância outras passagens sobre o mandamento para amar. especialmente a conversa com o escriba em Mateus 22.34-40; Marcos 12.28-34 (que é omitida por Lucas) tem para a compreensão desta parábola?
  3. Será que estamos diante de uma 'história-exemplo', ou, melhor, diante de uma parábola indireta simples, ou de uma parábola indireta dupla e. no caso da última opção, qual é o exemplo metafórico?

4 Existe alguma armadilha na pergunta feita pelo doutor a respeito da vida eterna (v.25)? Não estaria o fariseu meramente testando o conhecimento de Jesus para determinar a sua competência tentando apanhá-lo em uma armadilha? (SNODGRASS. K Compreendendo todas as Parábolas de Jesus. 1 ed Rio de Janeiro; CPAD. 2010. p 477)

 

CONCLUSÃO

 

O tipo de vida que Deus deseja que desenvolvamos está intimamente ligada à vivência do louvor e da adoração; por isso vai muito além da mera observação de tradições ou ordenamentos humanos. Adorar ao Pai significa amá-lo, e tal experiência somente é possível quando nos permitimos amar e ser amados pelas pessoas que estão à nossa volta. Viva o melhor de Deus para você: adore, Ame e  perdoe.

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Quais aspectos da fé estão relacionados nosso acesso ao Reino segundo Jesus em Lucas 10?

As verdades eternas já manifestas por Deus e registradas nas Escrituras, como também ao modo pelo qual as pessoas interpretavam a mesma.

  1. Por que é impossível adorar a Deus sem amar o meu próximo?

Porque o amor ao próximo é um mandamento gémeo ao amor a Deus. e por consequência à adoração.

  1. Por que havia todo esse distanciamento entre judeus e samaritanos?

Porque historicamente eles eram descendentes do Reino do Norte que se misturaram cultural e espiritualmente com os assírios.

  1. Quem são, na atualidade, os ‘samaritanos’ dos quais precisamos nos aproximar? Resposta Pessoal. (Sugestão: moradores de rua, miseráveis, ex-presidiários)
  2. Que ações a Igreja precisa tomar para vivenciar a plena adoração que Jesus tem preparado para ela?

Através de ações de acolhimento e respeito às diferenças

fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

JOVENS 

4º Trimestre de 2016 

Título: Em Espírito e em verdade — A essência da adoração cristã

Comentarista: Thiago Brazil 

Lição 10: A adoração sem conhecimento

Data: 04 de Dezembro de 2016

 

TEXTO DO DIA 

“Jesus respondeu e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” (Jo 4.10).

 

SÍNTESE 

Adorar a Deus é o mais nobre privilégio que o Pai concede-nos. Por isso, faça-o com todo o zelo, fervor e empenho de sua alma, sabendo que adorar a Deus é conhecê-lo.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Jo 4.9

O trauma sociocultural 

TERÇA — Jo 4.10

A ignorância da mulher

QUARTA — Rm 10.14

A impossibilidade de uma fé genuína em virtude da ignorância 

QUINTA — At 17.23

Os atenienses e o deus desconhecido 

SEXTA — Jo 4.23

A revelação da essência da adoração 

SÁBADO — Jo 4.42

As consequências da verdadeira adoração

 

OBJETIVOS 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

IDENTIFICAR as características de quem não adora a Deus;

ANALISAR o perfil do verdadeiro adorador;

APONTAR as consequências da adoração para a vida daquele que tem esta experiência.

 

INTERAÇÃO 

Caro(a) educador(a), cuidado para não deixar sua aula cair no erro da repetitividade. Nosso tema geral é “louvor e adoração”, todavia, esta temática possui vários desdobramentos e pode ser analisada sob várias outras perspectivas além daquelas que aqui abordamos. Lembre-se, o espaço para desenvolvimento e escrita de cada lição é limitado, mas sua criatividade e amor pela educação espiritual de seus jovens não. Faça as devidas adaptações a sua realidade, dê ênfase ou insira outras questões, conforme a necessidade de seus educandos.

Este conjunto de lições não é uma “camisa de força” para tolher seu ministério, antes, é um material didático, ou seja, é algo para apoiar você; é um caminho previamente traçado, uma clareira aberta na “selva de discussões” da sociedade atual existente exclusivamente para auxiliar e abençoar sua tão nobre tarefa de educar jovens para o futuro e bem-estar da Igreja.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Você vai precisar de vendas para os olhos. O objetivo é submeter os educandos a uma situação de estranheza, assim como a vivida pela mulher samaritana no contexto a ser estudado na lição de hoje. Selecione de dois a cinco educandos, vende-os e peça para que eles sigam as instruções que serão dadas.

A intenção das instruções que você dará é gerar estranheza ou resistência nos alunos, para tanto use a criatividade: peça que os vendados abracem alguém que está a sua frente; oriente-os a dar seus calçados para alguém, sabendo que eles poderão ser escondidos; solicite que eles escolham alguém para trocarem de lugar com eles; peça que eles façam um bonito desenho, etc. Ao final, reflita com seus alunos a respeito de como é difícil fazer algo quando não se tem certeza do que deve ser feito ou quando é algo relacionado a alguém que não se conhece previamente.

 

TEXTO BÍBLICO 

João 4.19-24. 

19 — Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta.

20 — Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar.

21 — Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.

22 — Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus.

23 — Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem.

24 — Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO 

O episódio da mulher de Samaria pode ser tomado como uma imagem da condição espiritual de muitas pessoas na época de Jesus e ainda hoje há pessoas que elegem lugares, outras pessoas e até elas mesmas como elementos dignos de adoração. A ignorância é um perigoso estado para aquele que busca a Deus. 

  1. O ESTADO DAQUELES QUE DESENVOLVEM UMA INADEQUADA ADORAÇÃO

 

  1. A ignorância cega a razão e o coração. Sicar, cuja localização exata é desconhecida, ficava numa região árida. Ao meio-dia, horário do encontro da mulher com Jesus, o clima é extenuante. O Mestre aguarda seus amigos que foram à procura de alimentação; o pedido por água — ainda que estranho em nossos dias de violência e individualismo —, era uma prática corriqueira naquela época. A mulher, fundamentada em seu preconceito, nega o pedido. Como alguém, que inclusive afirmará que adora a Deus (v.20), poderia ser tão insensível à necessidade do próximo? Está é a desprezível consequência que a ignorância espiritual causa: dureza de coração (Is 46.12; Ez 2.4). Note-se assim que a falta de um conhecimento verdadeiro de Deus pode, rapidamente, transformar indiferença em conivência com o sofrimento alheio. Quem conhece a Deus não negará um copo de água fria a nenhum dos filhos dEle (Mt 10.42).
  2. O pragmatismo toma-se o objetivo do culto. A ausência de um conhecimento verdadeiro sobre quem é Deus e sua obra, conduz os indivíduos a perderem a percepção de uma existência além do imediatismo da vida, ou seja, de um pragmatismo existencial (Is 22.13; 1Co 15 32). Para estas pessoas, aqui representadas pela mulher de Samaria, a solução de seus problemas mais urgentes é a razão de ser de qualquer culto, louvor ou relacionamento com Deus. Na verdade, para esse tipo de pessoa, Deus só “serve” para resolver os problemas do momento. Para a mulher, alguém que a auxiliasse a ter água com facilidade (Jo 4.15), de modo que ela não necessitasse mais expor-se como fazia todo meio-dia, seria alguém digno de ser, no mínimo, seguido, quem sabe até adorado.
  3. A normalização do pecado. Todos somos pecadores, todavia lutamos diariamente para que o pecado não nos domine (Gn 4.7; Rm 3.23; 6.14). Aqueles que não mantêm um relacionamento pleno e consciente com Deus, “domesticam” o pecado e fazem dele algo próprio de suas vidas. Aquela mulher já havia mantido cinco outros relacionamentos, e agora estava numa sexta aventura amorosa ilicitamente (v.18). Mesmo assim, ela se considerava uma adoradora de Jeová.

 

  1. A VERDADEIRA ADORAÇÃO

 

  1. A adoração é algo consciente. Um dos primeiros fatos que denunciam a fragilidade da fé da mulher que conversa com Jesus é sua incerteza sobre onde adorar (v.20). A pergunta sobre “onde adorar?”, traz consigo implícitas outras questões: “Como adorar?” e “Quem adorar?”. Pode-se assim concluir que a espiritualidade daquela mulher era algo que refletia muito mais a reprodução de comportamento cultural do que uma ação consciente. Somente é possível prestar o verdadeiro louvor a Deus se, pelo menos, soubermos quem Ele é. Logo, a adoração não pode resumir-se a um simples êxtase ou um impulso irracional em busca do desconhecido. A oração de Jesus em João 17 é um maravilhoso exemplo de que um dos fundamentos da adoração é uma relação consciente com o Pai, um processo gradual e espiritual de conhecimento em amor (Jo 17.24,25).
  2. Adorar em espírito e em verdade. A vivência da adoração não é algo limitado a um aspecto físico — um determinado local, por exemplo —, muito menos pode ser fundamentada sobre opiniões ou tradições míticas. A verdadeira adoração é “em espirito”, ou seja, é uma experiência que tem seu nascedouro no interior do homem, que mobiliza partes do ser homem que foram criadas por Deus para serem canal de comunicação entre o Criador e seus filhos (Pv 20.27). Além disso o louvor a Deus deve ser “em verdade”, isto é, por meio de uma “revelação” — que é o significado imediato da palavra grega (aletheia) (2Co 13.8). A verdade na vida de um adorador implica uma vida entregue realmente aos cuidados de Deus, onde Ele tem total comando, e onde é adorado não apenas nos momentos de comunhão do culto, mas também nos momentos da vida comum, como trabalho, estudos, família e demais relacionamentos onde Deus também deve se manifestar.
  3. Adoração como uma urgência. Jesus não mediu palavras e disse à mulher que o tempo para a vivência de uma verdadeira adoração já havia chegado (v.21). O erro daquela mulher, que é o mesmo de muitas pessoas ainda hoje, foi imaginar que o louvor ao Pai era algo apenas para um momento específico ou para um tempo futuro. Não há mais tempo a perder, o desenvolvimento de uma vida de adoração é algo urgente, uma viva necessidade da Igreja para o tempo que se chama hoje! Infelizmente em muitas igrejas o tempo da adoração tem sido consumido por infindáveis, e muitas vezes dispensáveis, avisos; já em outras comunidades é a má gerência do tempo de acontecimento do culto (atraso para começar, demorar para execução dos louvores, hiatos de continuidade) que atrapalham a adoração. Cada instante de nossas vidas, especialmente aqueles que dedicamos a Deus na igreja, precisam ser bem aproveitados.

 

III. OS EFEITOS DA VERDADEIRA ADORAÇÃO

 

  1. Compreensão da adoração como comunhão com Deus. Antes de assimilar o verdadeiro conceito de adoração, a mulher estava preocupada com o protocolo certo a seguir: deveria adorar no Templo em Jerusalém ou em Siquém, no monte Gerizim (v.20)? Após a percepção de que Jesus não era um profeta qualquer (v.19), mas o próprio ungido de Deus enviado a terra (v.26), a mulher quebra todos os protocolos culturais e sociais, chama os habitantes da cidade a virem conhecer aquEle que os judeus, mas também os samaritanos esperam, o Cristo (v.29).
  2. O desejo de partilhar o conhecimento de Deus. A aproximação entre a mulher de Sicar e Jesus foi inicialmente turbulenta e cheia de rancores culturais (ela era samaritana, Jesus judeu; ela uma mulher de vida complicada, Jesus um santo homem). Contudo, após o esclarecimento sobre a pessoa e natureza da missão de Jesus, a mulher não conseguiu conter-se, e pessoalmente foi compartilhar a maravilhosa revelação a que teve acesso com seus conterrâneos.
  3. Tornar-se inspiração para a vida de outros. Num mundo tão repleto de exemplos negativos, devemos nos empenhar em ter uma vida de adoração ao Pai, e por meio desta, tornarmo-nos exemplo para nossa geração. A mulher pode ouvir, dos habitantes de sua vila, que a fé em Jesus que ela inicialmente testemunhara, tornara-se uma viva consciência espiritual em cada pessoa daquele vilarejo. A adoração não nos torna escandalosos, de modo a afastar pessoas de Cristo; ao contrário, a fé no Salvador é algo tão poderoso e transformador do caráter de uma pessoa que esta passa a ser exemplo e inspiração a todos aqueles que o cercam (At 9.19-21). 

CONCLUSÃO

 

Assim como a mulher em Samaria teve sua história revolucionada, que nosso encontro com Jesus transforme tudo em nós: que nosso testemunho seja para edificação daqueles que estão à nossa volta, que sejamos libertos de todos os nossos pecados, até daqueles que estão no mais profundo de nossas almas. Mas, acima de tudo, que sejamos partícipes da comunidade dos verdadeiros adorares do Pai.

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

ZUCK, Roy B. Teologia do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD. 2008.

 

HORA DA REVISÃO 

  1. Apresente as principais características daqueles que ainda não adoram, verdadeiramente, ao Pai.

Possuem o coração e a mente cegos, o culto tem como objetivo a obtenção de resultados; veem o pecado como algo normal. 

  1. O que significa dizer que nossa adoração a Deus precisa ser consciente?

Que somente podemos adorar a Deus se de fato conhecermo-lo, numa experiência pessoal e espiritual.

 

  1. Quais as principais consequências de uma vida de adoração?

Uma vida de comunhão com Deus, desejo de comunicar o amor de Deus, tornar-se inspiração para outras pessoas. 

  1. É possível adorar a Deus sem reconhecer quem Ele ê? Justifique sua resposta.

Não. Resposta pessoal (Sugestão: Alguém que ignora quem é o Senhor corre o risco de adorar pessoas ou seres, tornando-se assim um idólatra). 

  1. Um verdadeiro adorador pode ser tão egoísta a ponto de não desejar partilhar o Evangelho? Justifique sua resposta.

Não. Resposta pessoal (Sugestão: Pois o amor de Deus transborda em nossos corações a ponto de ser impossível, se há de fato adoração e comunhão, não partilhar o amor de Deus).

 

SUBSÍDIO I 

“Sabemos muita coisa a respeito da mulher junto ao poço. No oriente, a hora de pegar água no poço era a ocasião em que as mulheres de uma comunidade reuniam-se para conversar, enquanto se dirigiam ao poço, voltavam dele, ou esperavam a retirada de cada jarro de água. Mas a mulher de nossa história vem sozinha. Evidentemente, alguma coisa a separou das outras mulheres da cidade, e fez dela uma pessoa socialmente proscrita. E sabemos mais. Nenhuma mulher naquela cultura falaria com um homem sem que seu marido estivesse presente. Jesus também sabia disso, por isso seu pedido ‘vai chamar teu marido’ (4.16) tinha a intenção de confronto. Mas não há indicações culturais para o fato de que ela tivesse tido cinco maridos e agora estivesse vivendo com outro, sem estar casada. Assim estendemos sua surpresa quando Ele, homem judeu, é condescendente em falar com uma samaritana. E os discipulos ficaram surpresos por encontra-lo dialogando com uma mulher sozinha. [...] Muitas pessoas evitadas por outras estão esperando que nos aproximemos delas. Como Jesus, nós podemos reconhecer o pecado nos outros, sem acusar nem condenar” (RICHARDS. Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 3ª Edição. RJ: CPAD. 2008. p.206).

 

SUBSÍDIO II 

“Muitas vezes, João registra declarações depreciativas, sarcásticas ou céticas que as pessoas fazem sobre Jesus. Em João 4.12, por exemplo, a mulher samaritana pergunta: ‘És tu maior do que Jacó, o nosso pai, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado?’. Essas afirmações, como meio de ironia, são verdades ou mais relevantes do que o orador percebe no momento em que o profere. Contudo, o leitor do Evangelho, tendo a essa altura, pelo menos, alguma noção de quem è Jesus, percebe que a afirmação é verdade e pode sancioná-la. No caso da passagem 4.12, Jesus, de fato, é maior que Jacó. [...] Em João 4, Jesus, no diálogo com a mulher samaritana, faz uma declaração a respeito da natureza de Deus. ‘Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade’ (v.24). Embora nenhum desses dois usos da palavra ‘espírito’ aludam diretamente ao Espírito Santo, a noção de que a adoração deve acontecer em espírito e verdade pressupõe a atividade do Espírito da verdade que leva o crente à verdadeira adoração” (ZUCK, Roy. Teologia do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD. 2008. pp.190.221). 

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

JOVENS 

4º Trimestre de 2016

 

Título: Em Espírito e em verdade — A essência da adoração cristã

Comentarista: Thiago Brazil 

 

Lição 11: A forma do culto

Data: 11 de Dezembro de 2016

 

TEXTO DO DIA

 

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1).

 

SÍNTESE 

Deus criou todas as coisas ordenadamente. Nada veio do caos, tudo que existe tem uma razão de ser; assim também no culto ao Senhor necessitamos de princípios básicos de organização.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — 1Co 11.34

A necessidade de ordem no culto 

TERÇA — 1Tm 2.8

A oração e o culto a Deus 

QUARTA — Ef 5.19

O louvor como parte de nosso culto 

QUINTA — Cl 3.16

A pregação da palavra como um momento do culto 

SEXTA — 2Co 9.13

A administração de ofertas no culto 

SÁBADO — Cl 2.18

Cuidado com os falsos cultos

 

OBJETIVOS 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

DEFINIR e problematizar o conceito de liturgia;

ANALISAR o problema envolvendo a liturgia entre os coríntios;

APRESENTAR os desafios envolvendo a liturgia na Igreja atual.

 

INTERAÇÃO 

Caro(a) educador(a), o tema da lição de hoje requer muita atenção devido algumas características específicas: 1) Cuidado para não transformar sua aula numa discussão muito técnica, desinteressante e longe da realidade de seus alunos; 2) Evite expor publicamente qualquer liderança de sua igreja local, ressalte sempre aos educandos que os fundamentos de nossa discussão são gerais e impessoais; 3) Incentive a participação de seus alunos de modo positivo, solicitando-os a sugestão de ações que podem tornar a liturgia de sua igreja algo mais dinâmico e próximo à realidade da comunidade. As sugestões organizadas podem, por exemplo, ser implementadas inicialmente nos cultos ou atividades realizadas sobre a liderança dos jovens. Que ao final de sua aula, os corações de seus educandos estejam voltados a desenvolver estratégias para abençoar efetivamente a igreja local, superando todo tipo de exageros ou desregramentos.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Você vai precisar de um aparelho de reprodução de vídeos; seleção de vídeos. Apresente aos seus alunos fragmentos de vídeos nos quais ocorram procedimentos louváveis ou reprováveis para que depois eles possam apontar quais os erros e acertos de cada vídeo (diante da impossibilidade de apresentação dos vídeos, que em último caso podem ser apresentados no próprio celular do educador, crie algumas situações através das quais os alunos possam fazer a análise sugerida). Ao final da discussão, promova um momento de reflexão a respeito da necessidade de organização do culto a Deus para que se evite exageros ou distorções.

 

TEXTO BÍBLICO 

1 Coríntios 14.26-33. 

26 — Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.

27 — E, se alguém falar língua estranha, faça-se isso por dois ou, quando muito, três, e por sua vez, e haja intérprete.

28 — Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja e fale consigo mesmo e com Deus.

29 — E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.

30 — Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro.

31 — Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros, para que todos aprendam e todos sejam consolados.

32 — E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.

33 — Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO 

Nesta lição, estudaremos questões como: existe uma liturgia ideal? Liturgia, formalismo e fanatismo; culto à forma X culto a Deus. Estudaremos a respeito da natureza, necessidade e lógica da liturgia, compreendida como conjunto de procedimentos públicos que orientam o culto a Deus.

 

  1. LITURGIA 
  1. O que é liturgia? O termo “liturgia” é derivado de um vocábulo do mundo político da Grécia Antiga, que foi incorporado ao contexto religioso. Definia-se como leiturgía o trabalho que um cidadão exercia em benefício da coletividade. Tal atribuição não era percebida como um encargo, mas com uma honra. Ações como serviço militar, responsabilidade em cargos políticos, construção de bens públicos, todos eram concebidos como leiturgía. Quando introduzida no campo religioso a palavra passou a designar a organização dos elementos cúlticos com a finalidade de prestar adoração e louvor a Deus de forma coletiva e saudável. Em o Novo Testamento textos como 2 Coríntios 9.12; Filipenses 2.17 e Hebreus 8.6, utilizam o termo que é traduzido, respectivamente, como administração, serviço, ministério. Pode-se assim notar que a liturgia não tem um fim em si mesma, mas tem como objetivo contribuir para que cada elemento do culto cumpra seu papel principal, que é colaborar na adoração.
  2. Quem precisa de liturgia? Se vivemos em comunidade é natural que em determinado momento surjam as divergências. Elas não são necessariamente fruto do pecado ou da influência de Satanás, mas produto de nossas singularidades. Essa natureza multifacetada da humanidade repercute no corpo de Cristo, assim como nos ministérios que exercemos nele (Ef 4.11; Rm 12.6-8). Diante dessa condição própria da humanidade, o desenvolvimento de um conjunto de princípios para a organização do culto é absolutamente necessário. Sem um ordenamento mínimo qualquer organização humana torna-se caótica, até mesmo a adoração a Deus. Deste modo, por melhores que sejamos ou mais espirituais que nos achemos, todos necessitamos de limites e sinais que nos apontem até onde podemos ir.
  3. Quais os fundamentos de uma liturgia. O primeiro fundamento da liturgia é o louvor a Deus. Tudo o que acontece no culto deve exaltar e bendizer ao Pai, logo, se algo é realizado sem tal finalidade deve ser suprimido da devoção coletiva. A segunda razão de ser da liturgia é a coletividade, isto é, tudo que envolve o processo de organização do culto deve visar o bem comum, jamais o interesse individual. Por isso, gostos e preferências particulares precisam ser deixados de lado. O culto é organizado para glória de Deus e alegria de todos os adoradores (Sl 32.11; 68.3). O terceiro elemento da liturgia é a organização; a aplicação da liturgia deve permitir que participação no culto seja inteligível a todos. Não há nada indiscernível ou misterioso no culto; tudo o que acontece deve promover uma adoração racional. 
  1. O PROBLEMA DO CULTO EM CORINTO

 

  1. Corinto, uma igreja de excessos. A igreja em Corinto espelhava a comunidade na qual estava inserida: cheia de exageros e imoderação (1Co 4.8; 5.6). Não que aquela comunidade fosse apenas um reduto de pecados — apesar deles existirem (1Co 5.1,2; 8.12) —, mas, ao contrário, a graça de Deus fora derramada ali de modo especial (2Co 7.4; 8.7; 9.8,14). Aquela igreja transbordava em bênçãos de Deus (1Co 1.7), esse talvez fosse o “bom problema” em Corinto: havia tantos dons, bênçãos, milagres e ministérios, que se iniciou ali um choque de atuações e serviços; enquanto alguns eram abençoados, outros eram atribulados (1Co 14.17). Foi algo tão sério que a comunidade chegou a partidarizar-se em torno de algumas lideranças — as quais por sua vez possuíam características ministeriais e carismáticas diferentes (1Co 3.1-6). Diante desse abençoado, mas problemático, excesso de dádivas, o que fazer?
  2. A adoção de uma liturgia para edificação coletiva. Havia muitos talentos entre os coríntios (1Co 14.26). Por isso, para o desenvolvimento espiritual de todos, era necessário a adoção de um plano litúrgico para que as celebrações em Corinto fossem edificantes para todos. Logo, deveria haver espaço para tudo, do louvor ao falar em línguas, passando pela profecia e pelo discernimento de espírito. Um conceito chave, entretanto, era a ordem, de modo que cada um, a partir de seu próprio relacionamento com Deus e no desenvolvimento de sua adoração, deviam colaborar, individualmente, para o estabelecimento de um bom ambiente de louvor a Deus. A desculpa de que o momento da adoração nos conduz ao descontrole é inválida.
  3. O princípio do amor na estruturação da liturgia. Paulo deixa bastante claro que todas as regras comunitárias, operações sobrenaturais, normas coletivas e manifestações espirituais precisam ser mediadas pelo amor (1Co 12.31). Nada deve ser feito por revanchismo, sentimento de humilhação do próximo, ou narcisismo (1Co 14.36). Cada cristão daquela comunidade tinha o privilégio de exercer seus dons e ministérios, desde que levasse em conta que a existência desses era para a glória de Deus e serviço à comunidade. Sem a devida conciliação entre dons/ministérios e amor, a bênção de Deus pode tornar-se inválida (1Co 14.19,23). Não existe culto sem a manifestação de Deus, as operações espirituais sem a mediação do amor tornam-se puro exibicionismo e espetáculo que somente atrapalham o culto e afastam a glória de Deus. 

 

III. LITURGIA, FORMALISMO E EXIBICIONISMO

 

  1. O culto a Deus X o culto ao culto. A história é dinâmica, assim como o desenvolvimento do povo de Deus. Durante o curso do desenvolvimento do plano divino sobre a terra, o Senhor vem se utilizando de diversas estratégias para auxiliar o seu povo no louvor: orientou a construção do Tabernáculo e do Templo. Exigiu sacrifícios de animais e agora pede sacrifícios de louvor (Hb 13.15). Se com Israel e a Igreja Primitiva as formas de cultuar a Deus mudaram é natural que em nossas comunidades algo também se altere, sem contudo, a essência ser perdida.
  2. Formalismo. Formalismo é uma observância estrita a regras e formas, e isso em algumas igrejas vem se tornando um problema no momento do culto. Em alguns lugares, o culto é tão mecânico que sua previsibilidade engessa a adoração. Em outros casos, uma pessoa pode até não andar realmente de acordo com os padrões de Deus, mas se ela seguir o formalismo do culto, pode até ministrar a adoração. Isso é errado! Pois, os adoradores verdadeiros, mais do que seguir regras, seguem uma vida de obediência a Deus. Não existe fervor nas orações, que já se tornaram vãs repetições. A forma como o culto é apresentado é muito mais importante que o Deus que se pretende adorar. Ir à igreja tornou-se uma tradição.
  3. O perigo da falta de ordem. Semelhante a comunidade em Corinto, em várias igrejas a abundância de dons, que deveria ser um sinal de bênção, tem se tornado motivo de tribulação. Em alguns lugares há tanto louvor que não é possível ter pregação da Palavra; já em algumas comunidades o momento da oferta tornou-se o centro do culto, ocupando a maior parte do tempo. Como faz falta uma boa e genuína liturgia nestes lugares.

 

CONCLUSÃO

 

A importância da liturgia para o desenvolvimento da adoração a Deus é algo que devemos continuamente reconhecer. Todos somos capazes de perceber quando a programação de um culto está mal elaborada ou simplesmente não existe; isto porque essa irresponsabilidade afeta coletivamente o louvor que se pretende apresentar ao Senhor. Busquemos a Deus com fervor, mas sempre numa perfeita organização. 

 

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Explique com suas palavras o que é liturgia.

Resposta pessoal. (Sugestão: O conjunto de procedimentos públicos que orientam o culto a Deus). 

  1. Por que a organização do culto por meio de uma liturgia se faz tão necessária?

Para que se evite discórdia no momento do culto a Deus, pois somos todos seres únicos e por isso diferentes uns dos outros. 

  1. Quais os três fundamentos que justificam a natureza da liturgia?

Adoração, coletividade e organização. 

  1. Por que a igreja em Corinto enfrentava problemas se ela era abundante em dons e ministérios?

Porque lhe faltava organização na administração dos dons, isto é, na liturgia. 

  1. Que perigos corremos quando não se adota uma liturgia básica para cultuar a Deus?

Exageros e excessos de um lado; manipulação, controle personalista e formalismo do outro.

 

SUBSÍDIO I 

“O formalismo cansa a Deus

O culto levítico fora instituído, a fim de que Israel adorasse a Deus de forma verdadeira e amorosa (Lv 20.7). Os seus vários sacrifícios, oferendas e oblações deveriam ser subentendidos como figuras dos bens futuros (Hb 10.11). Infelizmente, os israelitas passaram, com o decorrer do tempo, a adorar a própria adoração. Acabaram por considerar o culto superior ao cultuado. E isso trouxe-lhes consideráveis prejuízos. Haja vista o que aconteceu à serpente de bronze (Nm 21.8; 2Rs 18.4). Na vida dos judeus, cumprira-se o que, certa feita, afirmou Charles Montesquieu: ‘A maior ofensa que se pode fazer aos homens é tocar nas suas cerimônias e nos seus usos’. De tal maneira o formalismo contagiou os judeus que, no tempo de Jeremias, passaram eles a considerar o Templo do Senhor como mais importante que o Senhor do Templo (Jr 7.4). Achavam que, apesar de suas iniquidades, os sacrifícios e oblações, que pensavam eles endereçar ao Altíssimo, ser-lhes-iam mais do que suficientes para torná-los aceitáveis diante de Deus (Jr 3.1-15). Como estavam enganados! [...] Assim é o cristianismo nominal” (ANDRADE, Claudionor, de. Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2004. p.128).

 

SUBSÍDIO II 

“O espírito do profeta e o Espírito do Senhor. Precisamos fazer a nossa parte, a fim de que o Espírito realize a dEle. E isso está relacionado com a liturgia, conjunto dos elementos que compõem o culto cristão (At 2.42-47; 1Co 14.26-40; Cl 3.16). Embora seja possível liturgia sem culto, não há culto sem liturgia (Is 1.11-I7; 29.13; Mt 15.7-9; 1Co 11.17-22). A parte litúrgica compreende diversas partes do culto: oração (At 12.12; 16.16); cânticos (1Co 14.26; Cl 3.16); leitura e exposição da Palavra de Deus (Rm 10.17; Hb 13.7); ofertas (1Co 16.1,2); manifestações e operações do Espírito Santo (1Co 14.26-32); e bênção apostólica (2Co 13.13; Nm 6.23-27). Tomando como base o livro de Atos dos Apóstolos e as Epístolas (At 2.1-4; Ef 5.19; Cl 3.16), vejamos como era o culto, nos tempos do Novo Testamento. A promessa da efusão do Espírito (Jl 2.28) cumpriu-se no dia de Pentecostes (At 2.16-18), quando os que estavam reunidos foram ‘cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem’ (At 2.1-4). Essa experiência pentecostal repetiu-se em outras ocasiões: At 8.14-20; At 9.17; At 10.44-48; At 19.1-7” (GILBERTO, Antonio. Teologia Sistemática Pentecostal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2008, p.208). 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

JOVENS 

4º Trimestre de 2016

 

Título: Em Espírito e em verdade — A essência da adoração cristã

Comentarista: Thiago Brazil

Lição 12: Modismos na adoração e no louvor

Data: 18 de Dezembro de 2016

 

TEXTO DO DIA

 

“Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina como para convencer os contradizentes” (Tt 1.9).

 

SÍNTESE 

Deve haver princípios que orientem nossa adoração e louvor; estes, contudo, precisam ser extraídos da Palavra de Deus.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Jz 2.12

O modismo espiritual ainda no AT 

TERÇA — Ap 2.14

O tortuoso caminho de Balaão

QUARTA — Jd 4

Os falsos profetas e seus falsos ensinos

QUINTA — Ef 4.14

Cuidado com as novidades doutrinárias

SEXTA — Tt 1.16

O comportamento daqueles que introduzem modismos

 SÁBADO — 2Jo 10

Como lidar com os falsos mestres

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

IDENTIFICAR as características dos falsos mestres conforme o texto de 2 Pedro;

ANALISAR as causas e efeitos dos modismos na adoração;

IDENTIFICAR as três causas dos modismos no louvor da igreja hoje.

 

INTERAÇÃO 

Caro (a) educador (a), esta tende a ser uma lição bem participativa. Como há várias referências a modelos de adoração e tipos de músicas que se desenvolvem na igreja atualmente, é natural que seus alunos acabem identificando, pregadores, pastores, igrejas, bandas e cantores, que seguem modismos. Nesse momento é necessária muita prudência, não torne a aula um palco de polêmicas, não permita que ninguém aproveite a oportunidade para tecer críticas vazias ou maldosas a determinadas pessoas, especialmente se for alguém de sua comunidade ou mesmo de sua turma. Demonstre a seus alunos que o objetivo da lição é construtivo, ou seja, é colaborar para o desenvolvimento sadio e espiritual do louvor e adoração em sua comunidade, por meio da reflexão, do reconhecimento de erros e da restauração; ressalte que é impossível construir algo positivo por meio de contendas, indiretas ou falta de compreensão.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Inicie sua aula solicitando aos seus alunos que daquele momento em diante comecem a repetir o que você faz. Daí em diante comece a fazer uma série de ações (por exemplo, bater palmas, bater o pé, sentar-levantar, etc) que deverão ser reproduzidas por eles. Se em algum momento alguém parar de repetir as ações, aponte para essa pessoa e faça um gesto de reprovação (o que deverá ser repetido por todos). Depois desse momento introdutório, peça a seus alunos que expliquem o porquê de cada movimento. Provavelmente eles só saberão explicar a reação à pessoa que parou de repetir as ações. Ao final, demonstre a irracionalidade dos modismos, onde as pessoas fazem uma série de ações sem saber ao certo porque as realizam, simplesmente seguem alguém que gostam ou confiam. Destaque ainda o papel discriminador das “modas”, segundo o qual, quem não as obedece é ridicularizado ou diminuído pela coletividade.

 

TEXTO BÍBLICO 

2 Pedro 2.1,13-19.

 

1 — E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.

13 — recebendo o galardão da injustiça; pois que tais homens têm prazer nos deleites cotidianos; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em seus enganos, quando se banqueteiam convosco;

14 — tendo os olhos cheios de adultério e não cessando de pecar, engodando as almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza, filhos de maldição;

15 — os quais, deixando o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça.

16 — Mas teve a repreensão da sua transgressão; o mudo jumento, falando com voz humana, impediu a loucura do profeta.

17 — Estes são fontes sem água, nuvens levadas pela força do vento, para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva;

18 — porque, falando coisas mui arrogantes de vaidades, engodam com as concupiscências da carne e com dissoluções aqueles que se estavam afastando dos que andam em erro,

19 — prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO 

Vivemos numa sociedade fluida. Prega-se que ao invés de valores e princípios — fixos e tradicionais — deve-se optar por tendências e modas — efêmeras e midiáticas. Essa tendência que se instaurou na sociedade contemporânea tem forte repercussão no campo religioso, especialmente quanto ao desenvolvimento do louvor e da adoração. A lógica do “faça rápido”, do “quem não aparece não é lembrando”, do “falem bem ou falem mal, mas falem de mim” invadiu o território sagrado da espiritualidade, transformando nossos adoradores em pop-stars e os cultos em “agendas” comerciais. A simplicidade e discrição, própria do cristianismo, foi substituída pelo glamour e pela midiaticidade. Todos querem ser notícia, cantar a música do momento, ir ao show de um ídolo. Parece que a mesma máquina de fazer dinheiro que impera no meio artístico de um modo geral, invadiu o segmento “gospel”. Em nome de Mamom, Jesus é preterido.

 

  1. A DENÚNCIA DE PEDRO COMO ALERTA PARA NOSSOS DIAS 
  1. Os falsos profetas. A preocupação de Pedro, que em grande parte é a preocupação de vários profetas ainda no Antigo Testamento, era a de que uma falsa liderança se levantasse sobre o povo de Deus distorcendo os ensinamentos de Cristo (Dt 13.1-18; Jr 23.9-15; Ez 12.21-28). As pessoas que Pedro denunciava, já naquela época, possuem, ainda hoje, uma série de características perigosas e identificadoras de suas más intenções: São avarentos e gananciosos (2Pe 2.3). Desejam fazer do povo de Deus mercadoria para negócio; são rebeldes e incapazes de obedecer às autoridades (v.10); são irracionalmente pragmáticos (vv.12,13), só pensam nos resultados imediatos, ainda que para isso acabem com princípios espirituais; são cheios de pecados sexuais, a mente, o coração e os olhos deles são dominados por adultérios (vv.14,15).
  2. O culto defendido pelos falsos doutores em 2 Pedro. Segundo os falsos mestres que Pedro denuncia, a vida do cristão não precisa ter grandes mudanças, libertação de pecados. Basta que ele permaneça como está, pois isso é ser livre. Mas como Pedro denuncia, esse discurso de falsa liberdade é a fonte de escravidão e dissolução daqueles que deveriam afastar-se do mal (vv.18,19). Seguindo a retórica falaciosa do princípio de que é “Proibido proibir!”, aquilo que deveria ser adoração torna-se profanação, e o que deveria ser louvor constitui-se escândalo. A promiscuidade é travestida de liberdade, e assim permite-se tudo para manter um grupo frequentando a igreja (Gl 5.13). O Evangelho é emudecido e só há espaço para discursos de autojustificação dos excentrismos, dos pecados e da falta de transformação.
  3. Este “evangelho” mudou tanto que não muda ninguém! Pedro, como verdadeiro profeta, já denunciava há quase dois mil anos que em tempos de crise desenvolver-se-ia um tipo de cristianismo que, de tão similar às práticas pecaminosas da sociedade sem Deus, não faria diferença alguma na vida das pessoas. A metáfora que o apóstolo usa no versículo 22 é extraída de Provérbios 26.11, e tem como finalidade demonstrar a ineficácia de uma espiritualidade que não liberta as pessoas. Esse tipo de “evangelho” é uma farsa, não transforma vidas, apenas as “embeleza” exteriormente para que mais tarde elas voltem a pecar, e mais uma vez retornem para a farsa religiosa, sem arrependimentos, apenas com culpas. Essa é a lógica perversa do “cristianismo sem Cristo”, um ciclo de pecado, falso perdão, novo pecado, novo falso perdão... Seguir a Cristo é um processo de escolha, renúncia e perseverança (Mt 16.24).

 

Pense! 

As igrejas do “Pode-tudo” sempre são as mais cheias, as que mais aparecem na mídia, são as igrejas do momento. Todavia, os consumidores religiosos destes “armazéns da fé” são sempre muito inquietos, trocam constantemente de “fornecedor”. Não abandone sua congregação. Não siga a moda, siga a Cristo. 

Ponto Importante

 

Que o Senhor Jesus nos dê cada vez mais discernimento para sermos capazes de diferençar os verdadeiros servos de Deus, dos mercenários que desejam apenas o poder. 

 

  1. MODISMOS NA ADORAÇÃO

 

  1. Como se formam os modismos no mundo gospel? Definimos como “modismo” todo tipo de comportamento ou atitude que as pessoas simplesmente reproduzem, sem uma reflexão prévia. É “moda” porque faz sucesso, porque chama a atenção. Na atualidade, boa parte dos modismos são reproduzidos por meio dos mecanismos de comunicação em massa, especialmente pela internet e por seus sites ou aplicativos de compartilhamento de informações. A força dos modismos está na falsa sensação de ineditismo que eles causam. Numa sociedade das coisas supérfluas, as pessoas não gostam de repetir experiências, por isso, até em sua vida espiritual procuram vivências novas, diferentes. Partindo deste princípio é que o modismo atinge outro ponto central para sua reprodutibilidade: o narcisismo. Quem faz algo novo torna-se o centro das atenções, e infelizmente muitas pessoas não estão em busca de uma adoração verdadeira, mas de tornarem-se celebridades.
  2. As modas na adoração. Os modismos na adoração são cíclicos, vão e vêm, sempre obedecendo ao princípio do ineditismo que alimenta o narcisismo. Tais modismo, de um modo geral, tiram a glória que pertence a Deus e direcionam a uma pessoa ou objeto (Êx 32.4; Ap 13.4). Daí temos as orações pelos copos com água ou pelas Carteiras de Trabalho; os tapetes ungidos; as vigílias centradas no número sete, etc. Existe a moda dos acontecimentos sobrenaturais no culto: todo culto alguém tem que cair; alguém rodopia; alguém marcha no poder. Acontecimentos que, se fossem ações de fato espirituais, deveriam ser episódicos e não programados.
  3. Os efeitos dos modismos na adoração. Os efeitos destes comportamentos são terríveis para o desenvolvimento de uma igreja: as pessoas não amadurecem espiritualmente (Hb 5.12), há um excesso de meninices (1Co 14.20), são facilmente enganadas por falsos obreiros (2Tm 3.13). É celebrado o culto, mas Cristo não é adorado (Mt 7.20-23). O que se faz pode-se chamar de adoração extravagante — onde pessoas gritam, choram jogam-se ao chão —, ou ainda de culto das primícias, do pentecostes — cheio de símbolos judaicos: shofar, candelabro, palavras em hebraico e ofertas em dinheiro —, todavia não são momentos de adoração, pois o simples nome não define uma celebração como verdadeira adoração. Pessoas que entram pelo caminho da falsa adoração enveredam por uma trajetória de ilusão, sofrimento e frustração (Cl 2.4,8,16). 

Pense!

 

Os modismos na adoração são prejudiciais à Igreja, pois tiram a glória que pertence a Deus e direcionam a uma pessoa. 

Ponto Importante

 

Ser narcisista é tornar a si mesmo como objeto de adoração e veneração; para um narcisista ninguém é melhor que ele, somente ele é digno dos holofotes, aplausos e olhares.

 

III. MODISMOS NO LOUVOR

 

  1. Muita repetição e pouca música. O louvor é algo intimamente ligado a construção do povo de Deus. Os judeus possuem uma vasta coletânea de salmos, já a Igreja Primitiva possuía um conjunto de hinos públicos. Para o desenvolvimento deste repertório musical foi necessário muita inspiração e dedicação. Infelizmente hoje, uma parte das canções que cantamos na Igreja são plágios explícitos de músicas seculares; outras canções, apesar de inéditas, são compostas de tão poucos versos que é necessário repeti-la várias e várias vezes. Há ainda uma grave pobreza de conteúdo, canções que falam apenas de vitória, depois de vitória e no fim de vitória; temas repetitivos, estruturas poético-musicais paupérrimas. Quando lemos o Salmo 119, ou mesmo um cântico como o de Romanos 8.31-39, pode-se perceber que a inspiração de Deus é infinita e a riqueza de temas e assuntos é inesgotável. Cabe àquele que se dedica ao louvor que o faça com empenho e humildade.
  2. A “indústria do louvor”. No final da década de 90 e início dos anos 2000, concretizou-se a guinada descendente da indústria fonográfica. Com a popularização dos aparelhos de reprodução de CD's e da internet, os grandes selos musicais entraram em decadência. Contudo, os empresários do entretenimento musical logo perceberam que o segmento evangélico, por seus princípios éticos, continuava consumindo os CD's e DVD's de seus cantores. A indústria da música passou a contratar e gravar música gospel, que antes era preterida. Nossos irmãos tornaram-se artistas, suas músicas, as capas de seus CD's e seus shows tornaram-se plágios do mercado secular. Não houve apenas uma profissionalização do louvor, desenvolveu-se uma mercantilização da fé. Hoje há artista gospel em comícios de políticos, em programas de TV com baixa audiência, músicas como trilha sonora de novelas. E não foi para a glória de Deus, e sim, para o enriquecimento de alguém. 

Pense!

 

Por que falta criatividade e inspiração em muitas canções evangélicas hoje? Se Deus não mudou, a resposta só pode ser uma: o louvor tem deixado de ser um ministério, serviço, para ser uma indústria, um negócio, com prazos, valores e lucros. A “comercialização da fé” nunca será abençoada por Deus.

Ponto Importante

 

Todo obreiro é digno do seu salário. Aquele que faz a obra de Deus com dedicação e esmero deve ser reconhecido, em todas as áreas, por seu empenho. Todavia, é a lógica perversa do acúmulo de riqueza que faz com que muitos de nossos irmãos trabalhem muito, para enriquecer a outros.

 

CONCLUSÃO

 

Só existe oferta porque há mercado. Só existe artista porque há plateia. A adoração e o louvor obedecerão tanto mais os modismos do entretenimento secular quanto nós, em nossas igrejas, aceitarmos, comprarmos e reproduzirmos esses comportamentos decadentes. Só há um modo de retornarmos a essência da adoração: apresentando nossa adoração como puro louvor, nosso louvor como desinteressada adoração. 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Quais as principais características dos falsos profetas, que ensinam uma falsa adoração?

São avarentos e gananciosos; são rebeldes e incapazes de obedecer às autoridades; são irracionalmente pragmáticos; são cheios de pecados sexuais. 

  1. O que acontecerá se nossa espiritualidade tornar-se um “cristianismo sem Cristo”?

Tornar-se-á um ciclo de pecado, falso perdão, novo pecado, novo falso perdão, sem qualquer encontro genuíno com Cristo. 

  1. Apresente uma definição para “modismo”.

É todo tipo de comportamento ou atitude que as pessoas simplesmente reproduzem, sem uma reflexão prévia. 

  1. Quais as principais consequências dos modismos na adoração?

As pessoas não amadurecem espiritualmente, há um excesso de meninices, são facilmente enganadas por falsos obreiros. É celebrado o culto, mas Cristo não é adorado. 

  1. Quais as três causas que explicam o surgimento dos modismos no campo do louvor?

Falta de inspiração, pouca criatividade, industrialização do louvor.

 

SUBSÍDIO

 

“A razão da audácia dos falsos mestres é encontrada na sua animalidade. Eles são como animais irracionais (12), que nascem para ser capturados e destruídos como animais de rapina. Sua brutalidade é evidenciada no fato de blasfemarem do que não entendem. Eles posam como peritos espirituais quando, na realidade, são ignorantes quanto às coisas de Deus. Ao destruírem, eles certamente serão destruídos; ao serem injustos, eles receberão o salário da iniquidade (v.13). Mas Pedro ainda não terminou. A animalidade deles é percebida no fato de terem prazer nos deleites cotidianos. Esses cristãos professos são nódoas [...] e máculas para a comunidade cristã. A última parte do v.13 tem sido interpretada da seguinte maneira: ‘[...] os enganam, vivendo em pecado repugnante por um lado, enquanto pelo outro juntam-se a vocês em suas festas fraternais, como se fossem homens sinceros’ (Bíblia Viva). Visto que seus olhos são cheios de adultério (14), eles não conseguem ver uma mulher sem ter pensamentos lascivos. Na verdade, eles estão tão profundamente emaranhados que não cessam de pecar (são incapazes de parar de pecar), porque, por meio da avareza, exercitaram o coração com desejos maldosos” (Comentário Bíblico Beacon. Volume 10 — Hebreus a Apocalipse. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.274).

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

JOVENS 

4º Trimestre de 2016 

Título: Em Espírito e em verdade — A essência da adoração cristã

Comentarista: Thiago Brazil

Lição 13: A Igreja louvará eternamente ao Senhor

Data: 25 de Dezembro de 2016 

TEXTO DO DIA

 

“Cada dia te bendirei e louvarei o teu nome pelos séculos dos séculos” (Sl 145.2).

 

SÍNTESE

 

Se tudo tem uma razão de ser, somente o Criador poderia dar sentido a cada detalhe do universo. Alegre-se, você é a realização do mais lindo projeto de Deus. Por isso, você nasceu para adorar.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — Sl 30.12

O desejo do salmista

TERÇA — Sl 111.10

O louvor a Deus é o que permanece para sempre

QUARTA — Ap 7.12

O cântico dos anjos

QUINTA — Fp 4.20

O único digno de todo louvor 

SEXTA — Jd 25

Um cântico da Igreja Primitiva

SÁBADO — Sl 79.13

O povo de Deus o louvará para sempre

 

OBJETIVOS 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

DEMONSTRAR que a adoração é um privilégio da humanidade.

REFLETIR a respeito do privilégio de louvar a Deus eternamente.

RESSALTAR a verdade de que nascemos para uma vida de adoração.

 

INTERAÇÃO

 

Caro(a) educador(a), como diz o pregador, “melhor é o fim das coisas do que o princípio delas[...]” (Ec 7.8). Sinceramente espero que sua jornada de estudo e ensino tenha sido uma experiência tão gratificante quanto foi desenvolver esta lição bíblica. Torço para que seu ministério seja mais e mais abençoado. São poucas as pessoas que se dedicam ao ensino da Palavra, muito menos aquelas que se especializam em comunicar as verdades profundas do Evangelho na linguagem dos jovens. Se ninguém jamais reconheceu sua chamada, vocação e dedicação, como um mensageiro de Deus, para sua vida desejo declarar: seu trabalho não é inútil, pois é feito para o Senhor!

Aproveite esse final de trimestre para, em particular, fazer uma análise sobre o desenvolvimento das aulas e crescimento de seus alunos. Coletivamente, celebre, louve a Deus, confraternize-se com sua classe, afinal de contas você e eles merecem. PARABÉNS!!!

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 

Você vai precisar de uma caixa com objetos variados, papel e lápis. Entregue as folhas e lápis aos alunos. Em seguida informe-os que a medida que você for retirando os objetos de dentro da caixa eles terão 30 segundos para escrever qual a finalidade deles. Use a quantidade de objetos que quiser, quanto mais diferentes forem as finalidades dos mesmos melhor. Depois de apresentar os objetos que você selecionou, faça suspense para a última pergunta que você fará, e então os indague: "Você, enquanto pessoa, nasceu para quê?" Seus alunos terão mais dificuldade para responder essa pergunta, lembre-os dos 30 segundos. Concluindo solicite a participação de alguns educandos, especialmente para falarem a respeito de suas respostas a última pergunta. Finalize esse momento afirmando enfaticamente para cada aluno que eles nasceram para adorar ao Pai celeste.

 

TEXTO BÍBLICO 

Apocalipse 4.6-9.

 

6 — E havia diante do trono um como mar de vidro, semelhante ao cristal, e, no meio do trono e ao redor do trono, quatro animais cheios de olhos por diante e por detrás.

7 — E o primeiro animal era semelhante a um leão; e o segundo animal, semelhante a um bezerro; e tinha o terceiro animal o rosto como de homem; e o quarto animal era semelhante a uma águia voando.

8 — E os quatro animais tinham, cada um, respectivamente, seis asas e, ao redor e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir.

9 — E, quando os animais davam glória, e honra, e ações de graças ao que estava assentado sobre o trono, ao que vive para todo o sempre.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO 

INTRODUÇÃO

 

É a respeito da vida eterna, e o que faremos no céu diante do trono de Deus, que falaremos nesta última lição do trimestre. Fomos criados para a adoração, salvos para o louvor, e seremos glorificados para eternamente venerar o Criador.

 

  1. O FIM DO COMEÇO 
  1. Deus requer adoração de seus filhos. Depois de termos estudado todo um trimestre a respeito da relação entre Deus e a adoração que a Ele oferecemos, devemos ter bastante claro que adoração não é uma necessidade do Senhor, mas um privilégio de toda a criação. Lembremo-nos de que o Criador não tem carência alguma (Rm 11.35,36). O Deus do cristianismo não é como as divindades do panteão grego. Segundo a mitologia grega Zeus, Apolo, Baco, Atenas, etc., eram imortais — não eternos —, e precisavam das orações dos humanos para manter a sua vitalidade. Nosso Deus, ao contrário, é Criador, livre e independente. A adoração do universo a Ele é pura gratidão (Sl 69.34).
  2. Tudo que tem fôlego, louve ao Senhor. A finalidade de toda criação é louvar ao Senhor (Sl 19.1). Se a simples existência de algo ou alguém no universo, ou alguma de suas ações, não exaltam ao nome do Criador, este ser, ou suas ações, estão fora do propósito eterno criado por Deus para eles (Is 45.9-12). A redenção oferecida por Jesus tem como finalidade religar todas as conexões que um dia foram quebradas, mas que clamam por restauração. A criação, desta forma, deve ser vista como um ato soberano e gracioso de Deus. O louvor e a adoração por nós oferecidos ao Senhor dota de sentido nossa existência, diante do caos cósmico originado pela Queda.
  3. Os efeitos da Queda sobre a totalidade das coisas. Como bem sabemos, não foi apenas a humanidade que herdou consequências tristes depois da Queda (Gn 3.16,17,19). Também a natureza sofreu uma série de revezes que tinham como principal objetivo atingir a relação daquela com o Criador (Gn 3.18). O projeto satânico era impedir que cada ser do universo, especialmente a humanidade, se tornasse pleno por meio da adoração. Já que o Inimigo havia caído de seu estado originário e negado-se a reconhecer ao Senhor como único merecedor de louvor e adoração, este também desejava conduzir o homem e o restante da natureza ao mesmo estado sombrio, solitário e decadente (Gn 3.7; 1Tm 1.17). Foi por isso que ainda no início de tudo, Deus anunciou qual seria o fim (Gn 3.15). Deste ponto em diante da história, iniciou-se uma contagem regressiva de dois momentos: o primeiro, registrando no tempo o sacrifício de restauração de todas as coisas; e o segundo momento, ainda em contagem, marcando o reencontro de todas as coisas com o Criador para, eternamente assim permanecer.

 

  1. O COMEÇO DO FIM 
  1. Nosso encontro com o Senhor. A imagem predileta que a Bíblia utiliza para falar do futuro encontro do povo de Deus com seu Criador/Salvador é de um momento extremamente feliz: um casamento (Mt 25; Ap 19.7,9). Na cultura do Oriente Antigo esta é uma das celebrações de maior importância social, efusivamente comemorada tanto pelos noivos como pela comunidade convidada. Não pode ser um tempo de tristeza, antes é de completa alegria. Se nossa separação originária foi trágica, mais especificamente, uma expulsão (Gn 3.22-24), nossa reconciliação plena será prazenteira (Is 62.5). A concepção de um tempo de exclusiva celebração deve ser algo para nos alegrar de modo extraordinário. As promessas bíblicas falam sobre o fim de todo tipo de sofrimento (Ap 21.3,4,23-27). Não será um tempo de desocupação, e sim, um ativo período de adoração e contínuo conhecimento do Senhor.
  2. O que faremos no céu. Lembremo-nos de que no céu não seremos anjos, continuaremos sendo nós mesmos com corpos glorificados (1Co 15.54). Os santos anjos são mensageiros que adoram a Deus com sua obediência e serviço aos que creem em Jesus. Há até os serafins, que dizem “Santo, Santo, Santo, é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6.3). As descrições que o livro do Apocalipse traz, ainda que em grande parte alegóricas, servem para ilustrar que existe uma arquitetura celeste, uma nova Jerusalém que possui áreas diferentes, cada uma destas com propósitos e componentes específicos. Em resumo, a vida no céu não será monótona e cheia de repetições.
  3. A perfeita adoração. É Paulo quem nos assegura que o melhor que apresentamos para Deus hoje ainda está longe de ser tudo o que viveremos enquanto adoradores (1Co 13.9-12). Creia, então, que todas as maravilhosas experiências com Deus, seus mais íntimos momentos de comunhão, são apenas vislumbres, percepções indiretas, da grande verdade que encontraremos no céu. Se hoje, em sua vivência cristã, já há alegria e contentamento por tudo aquilo que Cristo concedeu a você, tente imaginar como será a vida eterna com o Rei do universo (Is 62.8-12; Mt 19.28-30).

 

III. UMA ETERNIDADE INTEIRA SÓ PARA ADORAR

 

  1. Qual o sentido da vida? Essa talvez seja uma das grandes perguntas que vez por outra, nos interpela. De um modo geral as pessoas buscam respostas em várias fontes: dinheiro, relacionamentos, poder. Para nós, a resposta para essa pergunta deve ser simples: Nascemos para adorar (Jr 17.14). Tudo em nossa vida, literalmente, passará; nossa comunhão com Cristo permanecerá para todo sempre. É possível sofrermos decepções em várias áreas de nossas vidas. Jesus, todavia, sempre nos receberá de braços abertos (Is 40.11). Talvez não sejamos bons em muitas coisas que desejamos ser, entretanto, adorar é algo que fazemos naturalmente, por um impulso originário semeado por Deus em nosso ser. Quanto mais próximo de Deus ficamos, mais evidente torna-se quem o Pai é, e quem somos nós (Tg 4.8).
  2. Diga não ao efêmero, a eternidade aguarda-te. Nós devemos deixar-nos afetar muito mais pelo futuro do que pelo passado (Fp 3.13,14). O horizonte de uma vida celeste deve influenciar-nos a tomar decisões corretas e dignas de alguém que passará a eternidade diante de Deus (2Ts 1.5-12). Diante da certeza do céu, e de uma vida eternamente adorando, diga não, cotidianamente, a tudo o que possa afastar você de sua comunhão com o Senhor. Não permita que pequenas coisas, prazeres fugazes, instantes de ilusão, roubem as certezas imperecíveis que Jesus garantiu por seu ato de amor na cruz. Como a Bíblia declara: não sejamos profanos como Esaú (Hb 12.16); maldosos como Caim (1Jo 3.12); avarentos como Ananias e Safira. E sim, excelentes como Daniel (Dn 5.12); cheios do Espírito como José (Gn 41.38); dedicados como Paulo (2Co 11.26).
  3. Ser, adorar e amar. A restauração que Deus tem a fazer em todo o universo, reestabelecerá todas as coisas ao seu devido lugar. Por isso, esperemos com grande expectativa o cumprimento das promessas de Cristo, sabendo que o advento integral do Reino de Deus também nos atingirá de forma especial. Nossa interioridade, que hoje passa por aflições, crises, medos e receios, será eternamente sarada (Ef 3.16). Nossas dores, serão finalmente aniquiladas, e tendo nosso homem interior renovado a semelhança de Cristo, poderemos adorar a Deus como nunca fizemos antes, para experimentarmos assim todo o amor que o Pai, desde a fundação do mundo, tem reservado para seus filhos amados (1Pe 1.19-23). Lancemos fora todo medo, não fomos feitos para a condenação ou para o inferno, por isso, aproximemo-nos com confiança daquele que nos fez para sermos plenos adoradores de seu Filho Amado (2Pe 1.17).

Quanto mais próximo de Deus ficamos, mais evidente torna-se quem o Pai é, e quem somos nós.

 

CONCLUSÃO 

Vivemos para adorar ao Pai, tendo sido libertos do domínio do pecado por Jesus e seu sacrifício salvífico, e por meio do Espírito Santo que nos ensina cotidianamente a como apresentar o melhor de nós para Deus.

 

HORA DA REVISÃO

 

  1. Deus precisa de nossa adoração? Justifique sua resposta.

Não, adoração é um privilégio que Deus concede aos seres criados, nunca uma necessidade sua. 

  1. Qual era o plano eterno de Deus ao criar todas as coisas no início de tudo?

Criá-los para um íntimo e amoroso relacionamento com Ele por meio da adoração. 

  1. Qual a finalidade de tudo o que existe no universo?

Exaltar, louvar e adorar ao Deus Criador. 

  1. Que certeza podemos ter acerca do futuro que Deus tem preparado para nós?

Haverá uma restauração de todos os seres e coisas existentes de tal modo que tudo que existirá será exclusivamente para a glória de Deus. 

  1. Qual o sentido de nossas vidas?

Adorar ao único Deus, criador de todas as coisas.

 

SUBSÍDIO I 

“Deus não é egoísta a ponto de criar bajuladores para sentarem-se ao seu lado e entoar-lhe louvores. Se assim fosse, teria feito esses seres fracos e dependentes. No entanto, temos a impressão de que Deus criou esses quatro seres tão poderosos e ferozes quanto possível. Apesar disso, estão tão perto do trono de Deus, que se sentem completamente envolvidos por sua presença. Gozando eternamente de sua glória, nada lhes resta a não ser adorá-lo. Mas o que existe em Deus capaz de envolvê-los ou dominá-los? É a sua santidade e não a sua sabedoria, poder ou glória. A santidade de sua presença é tão poderosa que aniquila os impuros que se aproximam (Êx 28.35,43; 30.20,21) e o homem que tocou a arca e morreu (1Cr 13.9,10). Talvez C.S. Lewis tenha expressado melhor essa ideia quando disse que nosso corpo mortal é demasiadamente fraco para suportar uma simples fração da presença de Deus. Certamente nos desfaríamos caso experimentássemos um pouco mais dessa presença. Os nossos corpos não serão glorificados para que estejam protegidos do sofrimento, mas para que sejamos fortalecidos e assim possamos estar na presença de Deus” (Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 4ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.1859).

 

SUBSÍDIO II 

“Apocalipse 21.6 — Assim como Deus terminou o trabalho da criação (Gn 2.1-3), e Jesus concluiu a obra de redenção (Jo 19.30), eles também irão terminar todo o plano de salvação, convidando os redimidos a uma nova criação e proclamando: ‘Está cumprido’. Deus disse: ‘Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim’. Isto repete 1.8 (veja também 1.17; 2.8), onde Cristo tinha dito isto a João. Alfa e ômega são a primeira e a última letra do alfabeto grego. Deus é soberano sobre a história e está no controle de tudo. Deus prometeu que, a quem quer que tiver sede, de graça Ele lhe dará da fonte da água da vida. Esta água também é descrita em 22.1 e simboliza a vida eterna. Jesus tinha falado com a mulher samaritana a respeito desta água (Jo 4.13,14), assim como a todos os que cressem nele (Jo 7.37,38). A água retrata a recompensa daqueles que ‘venceram’ (21.7). Estes já não terão mais necessidades, pois as suas necessidades serão completamente satisfeitas por Deus, por toda a eternidade.

Apocalipse 21.7,8 — Os versículos 7 e 8 formam um intervalo; eles destinam-se aos leitores que precisam fazer uma escolha sobre se farão parte dos vencedores, que herdarão todas as coisas (21.7)” (Comentário do Novo Testamento: Aplicação pessoal. Volume 2. RJ: CPAD, 2010, p.914).

fonte www.mauricioberwald.com