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O CUIDADO COM A LINGUA
O CUIDADO COM A LINGUA

O CUIDADO COM A LINGUA

 COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Após estabelecer no capítulo 2, ao tratar sobre a relação entre fé e obras, as bases teológicas de suas recomendações éticas, Tiago passa agora, a partir do capítulo 3, para os assuntos de natureza mais prática, que faziam parte do dia a dia dos seus leitores. Como frisa o pastor e teólogo norte- -americano Timothy B. Cargal, as mudanças de comportamento tratadas por Tiago a partir desse capítulo em diante “são urgentes, pois, em um futuro não muito distante (Tg 5.9), os crentes deverão ser julgados pelo único ‘Legislador e Juiz’ (Tg 4.12), e alguns serão julgados com maior severidade que outros (Tg 3.1)”, de maneira que “a certeza desse iminente julgamento perante Deus traz consigo muitas responsabilidades não só para cada um deles como para com seus semelhantes”.

O objetivo de Tiago nessa segunda parte de sua epístola, permeada de exemplos práticos, é que seus leitores examinem a si mesmos para assegurarem que escaparão do julgamento vindouro. E para isso, o apóstolo, antes de adentrar o primeiro tema prático — sobre o poder da língua e os cuidados que o cristão deve ter com ela —, focaliza o primeiro obstáculo ao autoexame: a tendência, fruto da nossa natureza pecaminosa, de nos colocarmos sempre acima das outras pessoas.

Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 95-96.

Essa seção é completa em si mesma e trata do problema prático do cristão e seu uso da língua. Embora esses versículos sejam completos, eles também estão relacionados ao restante da epístola. A abordagem ampla de Tiago acerca do comportamento cristão inclui o tema relacionado à fala. O autor volta a abordar de maneira mais detalhada uma das ideias apresentadas em 1.19: “Todo o homem seja [...] tardio para falar”. A transição do tema de 2.14-26 ocorre de maneira natural; Tiago está preocupado com as palavras bem como com as obras do cristão.

  1. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 173.

Certamente você conhece o poder terapêutico da palavra.

Provavelmente você já viu coisas lindas acerca de pessoas que foram levantadas e curadas, refeitas e reanimadas por uma palavra boa. A palavra boa é como medicina, ela traz cura. Uma pessoa está abatida, triste, desanimada, aflita, sem sonhos, e, de repente, alguém chega com uma palavra oportuna, apropriada; e essa palavra, como bálsamo do céu, traz um novo ânimo e um novo alento.

Entretanto, nós também somos testemunhas de pessoas, famílias e comunidades, que sáo minadas e destruídas por palavras insensatas. Há palavras que ferem mais que uma espada afiada.

A Bíblia relata um exemplo dramático a esse respeito. Saul estava louco, possesso de ódio por Davi, seu genro. Davi não apenas tinha sido escolhido por Deus em seu lugar, mas também tinha sido escolhido pelo povo, como o herói nacional. Ao ser ungido pelo profeta Samuel para ser rei sobre Israel, Davi começou a ter muitos problemas. Sua unção não o levou ao trono, mas à escola do sofrimento e do quebrantamento. Em vez de Davi pisar os tapetes aveludados do palácio, pisou as areias esbraseantes do deserto. Em vez de subir ao palco da fama, sob as luzes da ribalta, precisou esconder-se nas cavernas. Em vez de Davi andar pelas ruas, em um carro alegórico, sendo aplaudido pelas multidões em festa, ele precisa perambular pelo deserto, esconder-se nas cavernas, e buscar refúgio até mesmo fora do território de Israel para salvar sua vida da fúria de um rei louco. Em uma dessas andanças, fugindo de Saul, ele chega à cidade de Nobe, onde morava uma comunidade de sacerdotes. Davi e seus homens chegaram ali com fome. O sacerdote disse que náo havia alimento para eles, senão o pão da proposição, aquele pão que era colocado na mesa da proposição todos os dias, como símbolo do alimento espiritual.

O sacerdote deu aquele pão para Davi. Este pegou a espada de Golias, que lá estava guardada, e saiu. Mas, ali estava um homem que ouviu toda a conversa entre Davi e o sacerdote. Esse homem chamava-se Doegue, um aliado de Saul. Este homem, de forma irresponsável, inconsequente e demoníaca foi ter com Saul e distorceu os fatos, escamoteou a verdade, delatando o sacerdote, como se este estivesse mancomunado com Davi em um plano de conspiração.

Saul, envenenado pela mentira de Doegue, mandou chamar o sacerdote e responsabilizou-o por ter-se ajuntado com Davi para traí-lo. O sacerdote tentou se defender, revelando a veracidade dos fatos, mas Saul, contaminado por uma palavra torcida, diabólica, falsa, tendenciosa de Doegue, resolveu destruir o sacerdote e toda a comunidade de sacerdotes da cidade de Nobe. Saul deu uma ordem a seus homens para matar o sacerdote, bem como os outros oitenta e cinco sacerdotes. Os homens de Saul recusaram-se a cumprir a ordem insana. Então, Saul obrigou o próprio Doegue, o delator, a lançar-se contra os sacerdotes para matá-los. Doegue passou ao fio da espada os homens, as mulheres, as crianças, as crianças de peito e até aos animais (iSm 2.1-9; 22.6-19). Foi uma chacina, por causa de uma palavra mal colocada, que delatara o sacerdote e alterara a notícia, dando uma conotação de traição e conspiração contra o rei.

Isso nos mostra como a língua pode ser um instrumento de bênção ou de destruição. Salomão, em Provérbios 6.16-19, elenca seis pecados que Deus aborrece e um pecado que a alma de Deus abomina. Dos sete pecados, três estão ligados ao pecado da língua: a língua mentirosa, a testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos.

Tiago chegou a dizer, nessa carta, que ninguém pode se dizer religioso sem primeiro refrear sua língua (1.27). Tiago está dizendo que podemos ter um conhecimento colossal das Escrituras, podemos ter um invejável cabedal teológico, mas se não dominamos a nossa língua, a nossa religião é vá. Para Tiago, para ser um cristão verdadeiro não basta apenas a teologia ortodoxa, é preciso também uma língua controlada.

LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag. 57-59.

1 – Deus fala e falou, razão pela qual sua palavra pode e deve ser passada adiante em sua igreja e no mundo. O mundo descrente pensa que Deus se cala. Mas a Bíblia afirma: “Deus vem e não guarda silêncio” (Sl 50.3). Acima de tudo “falou por último em seu Filho” (Hb 1.2). Jesus é a palavra de Deus em pessoa (Jo 1.1; Ap 19.13). Ele se tornou íntimo de nós por meio de sua palavra e seu Espírito (Jo 15.15; 1Co 2.10).

2 – Já em termos gerais humanos o dom de falar representa uma das maiores e mais maravilhosas dádivas que recebemos. Por meio da linguagem podemos comunicar a outros o que pensamos, sentimos, queremos e experimentamos. E podemos participar do que outros vivenciam, pensam, sentem e querem. Toda a nossa comunhão e a cultura humana estão ligadas a esse dom. Um mundo descortina-se para nós por meio da linguagem.

3 – Agora nosso dom de falar é colocado no mais sublime serviço: Deus deposita sua palavra nos lábios humanos. Nossa capacidade de falar é colocada a serviço do falar de Deus. Podemos e devemos comunicar a palavra dele. Até mesmo pôs sua palavra nos lábios dos profetas do AT (Jr 1.9; etc.). Os sacerdotes tinham a permanente incumbência, associada a seu ministério, de entregar a promessa e orientação de Deus a Israel (Ml 2.7). Todo israelita tinha a tarefa de transmitir aos filhos o testemunho de Deus (Dt 6.7). Já durante os dias de Jesus na terra os discípulos receberam de seu Senhor a incumbência de transmitir a palavra de Deus (Mt 10.7; Lc 10.9). Também aos demais deu a instrução de testemunhar o que haviam recebido (Mc 5.19). Após a morte e ressurreição de Jesus o grupo de discípulos – e consequentemente também a igreja de Jesus de todos os tempos – recebe a incumbência de proclamar o evangelho (Mt 28.19). A todos os seus dirige a tarefa: “Sereis minhas testemunhas” (At 1.8).

Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.

I - A SERIEDADE DOS MESTRES (Tg 3.1,2)

  1. O rigor com os mestres.

Não somos superiores a nossos irmãos em Cristo e a humildade deve caracterizar os mestres na Igreja.

O apóstolo Tiago abre o capítulo 3 alertando seus leitores para o perigo de alguns deles se acharem superiores aos demais devido à sua posição de mestres na Igreja. Tiago chega mesmo a dizer que seus leitores deveriam ter muito cuidado ao desejarem ser mestres: “Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo” (v.l). Apesar de parecer aqui que Tiago está chegando ao ponto de desestimular os seus leitores a se tornarem mestres, como se ser mestre fosse algo mau, negativo, na verdade ele está, num recurso de retórica, apenas chamando a atenção de seus leitores para a imensa responsabilidade que há em ser um mestre na Igreja. Aliás, a Epístola de Tiago é um dos textos do Novo Testamento que mais usam o recurso da retórica na exposição de seus assuntos e argumentos.

Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 96.

Tg 3.1 O sentido do versículo 1 está claramente expresso por Moffatt: “Meus irmãos, não insistam em tornar-se mestres; lembrem-se: nós mestres seremos julgados com mais rigor”. Aparentemente a ânsia entre os primeiros cristãos de assumir o papel de mestres (professores) motivou Tiago a escrever essa seção da sua carta. Para uma melhor compreensão dessa passagem, Lenski argumenta que “deveríamos lembrar que nas primeiras igrejas qualquer membro podia falar nas reuniões. O texto de 1 Coríntios 14.26-34 é instrutivo: qualquer irmão pode contribuir com alguma palavra. No entanto, Paulo coloca restrições: essa contribuição deve ocorrer apenas com o propósito da edificação; ela deve ocorrer com a devida ordem; somente dois ou três devem falar e as mulheres devem manter o silêncio. Tiago apresenta as mesmas ideias”. Mais uma vez, Tiago identifica-se com os seus leitores: Meus irmãos. Essas admoestações não têm a intenção de proibir qualquer cristão de fazer o que for possível para orientar outras pessoas na vida e conduta cristã. Elas visam lembrar-nos das nossas responsabilidades em vez de impedir-nos das nossas obrigações. A advertência é dirigida às pessoas teimosas e àqueles que estão procurando fama (cf. Mt 23.8-10). Tiago está dizendo: Não sejam ansiosos por dirigir a vida dos outros, porque essa tarefa requer uma grande responsabilidade. Presume-se que o mestre tenha um conhecimento maior; essa luz adicional requer vida mais intensa. Se falharmos, receberemos mais duro juízo porque temos menos desculpas para errar.

  1. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 173-174.

3.1 Tiago ensinou que as pessoas não deviam se apressar para ser mestres na igreja. Muitos dos seus leitores, preocupados com o status, teriam desejado a posição respeitável de professores da comunidade. Acompanhando de perto o capítulo 2, uma das “obras” mais respeitadas que viria imediatamente à mente dos judeus seria a posição de professor. Tiago tinha em mente uma grande ênfase no crescimento espiritual e no autocontrole, antes que alguém assumisse uma posição de professor. Os professores receberão mais duto juízo de Deus. A autoridade para ensinar traz consigo uma responsabilidade maior. Assim como as obras revelam a profundidade da fé de uma pessoa, as palavras também mostram a profundidade da maturidade de uma pessoa. O professor tem uma responsabilidade maior devido ao seu papel chave no ensino (Lc 12.42-48).

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 678.

...havemos de receber maior juízo... Porque tomamos sobre nós a responsabilidade da instrução cristã, em que o desenvolvimento espiritual é encorajado ou amortecido. Quão frequentemente, na modernas denominações evangélicas, os pregadores passam de ano para ano sem aprimorarem a si mesmos ou eficácia de sua mensagem! Esses serão julgados por sua negligência. Se eles mesmos estagnaram, como se pode esperar que seus pupilos sejam outra coisa? Além disso, o melhor mestre é aquele que vai sempre aumentando em sua experiência e em seu conhecimento espirituais.

O mestre estagnado não se aprimorará em qualquer dessas áreas.

O mestre professa «conhecer», em elevado grau, a vontade de Deus e a sua revelação aos homens, e arroga-se o direito de conduzir os homens pelo caminho espiritual. Se ele falhar em seus deveres, mostrando-se indolente, ou pervertendo os mesmos, o seu julgamento será mais severo. Ele será considerado responsável pelo seu doutrinamento (ver I Tim. 4:1 e ss. e 6:3). Ele será responsabilizado por seu exemplo (ver I Cor. 11:1). Como um pai para seus filhos, assim é um mestre para com os demais irmãos na fé. Ele deve para eles três coisas principais: exemplo, exemplo, exemplo.

O mestre e o pregador cristãos movimentam com a mais preciosa dc todas as entidades—a personalidade humana. No plano espiritual, tratam do bem-estar das almas, Isso não é coisa sem importância, o que explica a advertência do presente texto. Os mestres cristãos praticamente não são recompensados financeiramente: mas, se fizerem bem seu trabalho, grande será o seu peso de glória. Mas se Deus está envolvido no caso. isso se dá em todos os aspectos da vida crista, contanto que a pessoa envolvida tenha sido chamada pelo Senhor para aquele mister. Cada pessoa tem uma missão especifica a cumprir, sendo pessoa sem-par; e isso não somente agora, neste mundo, mas também por toda a eternidade. (Ver Apo. 2:17, nas notas expositivas ali existentes, acerca desse conceito). Cada indivíduo será responsabilizado pelo modo como tiver cumprido sua própria vida. e então, sua própria missão.

«...havemos...» Notemos o verbo na primeira pessoa do plural, em que o autor sagrado inclui a si mesmo, mostrando ser ele um dos ·mestres· da igreja. Provavelmente não temos aqui apenas um toque polido, em que o orador se inclui na exortação, conforme fazem os mestres e os oradores, a fim de suavizarem suas expressões.

Havia proselitismos fanáticos e manias por polêmicas que talvez tenha encorajado a alguns para tomarem a si a tarefa de ensinar, mas que realmente não haviam sido preparado para isso pelo Senhor. Além disso, na sinagoga, todos os tipos de mestres eram convidados a falar, para que as ideias pudessem ser trocadas de modo ·liberal·. E bem possível que esse costume tenha sido insuflado na igreja. Seja como for, o autor anseia que não houvesse um número demasiado de mestres, e que os já existentes tomassem a sério a sua responsabilidade, não usando o ensino como meio de satisfazer alguma maneira ou fanatismo. Em Pirke Aboth, cap. 1,10, encontramos um aviso contra os mestres (certos rabinos), os quais, em seu zelo fanático, espantavam os discípulos e usavam o ensino para efeito de autoglorificação. (Isso pode ser comparado com as palavras de Jesus, em Mat. 23:1-12). Muitos gostavam de ser chamados ·Rabino, rabino!», e usavam a posição de mestres como trampolim para propósitos autoritários e egoístas. Os trechos de Atos 15:24: I Cor. 1:12; 14:26: Gál. 2:12 ilustram o problema de um grande número de mestres, muitos dos quais, na realidade, não foram chamados por Deus para o ofício, e alguns dos quais são até mesmo inimigos da verdade do evangelho.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 53.

Tg 3.1 – “Pois sabeis que receberemos um juízo tanto maior.” A “palavra de Deus em lábios humanos” constitui uma responsabilidade gigantesca. Por isso não é correto ansiar para receber essa incumbência, nem tampouco tratá-la levianamente (há razões para que se afirme também o oposto: confiando em nosso Senhor podemos nos arriscar a assumir essa tarefa. Ele é que concede também o dom para a incumbência – cf. Tg 1.5; 2Tm 1.6).

Importa “manejar corretamente” a palavra (2Tm 2.15), no juízo e com graça, com instrução e promessa, tanto aos orgulhosos quanto aos desanimados, aos levianos e deprimidos, aos que se mexem com entusiasmo humano e aos apenas introvertidos. Representa uma ousadia especial comunicar a palavra ao mesmo tempo entre numerosas pessoas tão diferentes, tanto perante pessoas desconhecidas como perante aquelas que conhecemos muito bem. Aqui há necessidade de prece e intercessão.

A “avaliação” iminente (1Co 4.4) pode tornar-se “condenação”. Quando um médico esquece algo, quando não visita o paciente em tempo hábil, quando faz um diagnóstico errado por negligência, comete um erro em uma intervenção, deixa de tomar as necessárias precauções ou aplica uma injeção errada, eventualmente terá de submeter-se a um processo penal e uma ação civil de indenização. Quando entregamos incorretamente a palavra de Deus, quando pregamos lei em lugar de evangelho, quando tornamos a graça barata, quando diminuímos a seriedade do chamado ao arrependimento, quando “tiramos” ou “acrescentamos” (Ap 22.18s), não seremos perseguidos pela promotoria pública. Mas estamos sujeitos ao juízo divino, que não será menos grave do que o juízo de Deus sobre os descrentes (Lc 12.46-48).

Com tanto maior intensidade cumpre que roguemos: “Abre, Senhor, os meus lábios, e a minha boca manifestará os teus louvores” (Sl 51.15).

Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.

  1. A seriedade com os mestres na igreja (v.1).

Ao referir-se a “mestres”, o apóstolo tem em mente exatamente todos aqueles crentes que exercem a atividade de ensino na Igreja. Trazendo para os dias de hoje, aqui estão incluídos os pastores, pregadores da Palavra de Deus, professores de Escola Dominical, obreiros em geral, dirigentes de igreja, missionários ou qualquer irmão em Cristo que exerça, reconhecidamente, um ministério de ensino entre o povo de Deus. Ora, uma vez que só pode dar quem tem para dar, isto é, só pode ensinar quem tem realmente recebido e aprendido o bastante para poder ensinar, e uma vez também que Jesus afirmou que “a quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido” (Lc 12.48), é óbvio que ninguém tem uma responsabilidade maior do que aqueles que ensinam a Palavra de Deus. Trata-se de uma atividade extremamente honrosa e para a qual existe uma promessa extraordinária de Deus: “...os que a muitos ensinam a justiça refulgirão como as estrelas, sempre e eternamente” (Dn 12.3); entretanto, por outro lado, como toda bênção, toda dádiva, todo dom — e o ensinar é um dom (Rm 12.6,7; Ef 4.8,11,12) — traz consigo uma responsabilidade, e essa responsabilidade é ainda maior no caso do dom do ensino, então o juízo será mais severo para os mestres. E o que assevera Tiago, inclusive incluindo-se entre os mestres, entre aqueles que passarão por esse julgamento diante de Deus: “...receberemos mais duro juízo” (Tg 3.1).

Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 96-97.

Tg 3. Na igreja primitiva, os professores eram muito importantes. Tanto a sobrevivência como a profundidade espiritual dos crentes dependiam deles. Na igreja de Antioquia, os professores tinham o mesmo status que os profetas que enviaram a Paulo e Barnabé (At 13.1). Os professores eram o ponto de contato para todos os novos crentes, porque os convertidos precisavam receber instrução sobre os fatos do Evangelho, e os professores os edificavam na fé. O problema, entretanto, era que alguns professores tinham a capacidade de transmitir o ensinamento, mas eram movidos por motivações muito mundanas. Eles ocupavam posições de liderança em uma igreja, formavam grupinhos, e usavam as suas posições de professores para criticar os outros. Desta maneira, eles conseguiam conservar a sua posição e importância.

Neste capítulo, a preocupação imediata de Tiago é com as palavras dos falsos professores que estão destruindo os crentes com as suas línguas descontroladas. Desta

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 677.

*...Meus irmãos...· Este título é empregado de duas maneiras: 1. Para lembrar os leitores de sua fraternidade e de sua responsabilidade para com o Pai celestial, além de seu imenso privilégio de serem irmãos do Irmão mais velho, que é Cristo; e como um artifício literário para introduzir alguma nova secção.

  • ...não vos torneis muitos de vós. mestres...· Que ninguém anseie demasiadamente por scr mestre, certificando-se sempre de seu dom e chamamento, porquanto isso traz consigo uma responsabilidade em nada pequena, e um julgamento mais severo, sc tal dom for abusado. E isso envolve diretamente o uso da língua, algo potencialmente perigoso. ·...mestre...· Em um contexto puramente judaico, isso significa rabino. Porém, pelo tempo em que esta epistola foi cscrita, nas congregações cristãs havia indivíduos que se destacavam como mestres, que assumiam autoridade sobre os demais, tal como os rabinos eram os lideres das sinagogas. Alguns desses mestres eram apóstolos e evangelistas. Dos diáconos e anciãos se esperava que pudessem ensinar. Porem, havia mestres, especialmente dotados por Deus para tal mister, que eram guardiões do conhecimento bíblico e religioso, os quais eram inspirados pelo Espírito Santo, para usarem seu conhecimento com o mais elevado proveito. Não eram, necessariamente, diretamente inspirados por Deus como no caso dos apóstolos e profetas; mas ocupavam-se principalmente de transmitir a outro aquele corpo de conhecimento que já estava formado, ou o do A.T., ou de porções do Novo Testamento (ou as tradições que, finalmente, vieram a compor ο N.T.), e que a igreja cristã reconhecia como autorizado.

A algo ao mesmo tempo óbvio e necessário, meramente devido às considerações sobre a natureza do «mestre», que não pode haver grande número de mestres. Outros podem ensinar com capacidades limitadas e que realmente não possuam a aptidão e o dom do ensino, como sucede no caso de muitos dos «professores» de Escola Dominical da moderna igreja evangélica.

«...sabendo...» E como se Tiago tivesse dito: Aquilo que passo a dizer já é do conhecimento de todos, e esse conhecimento agirá como motivo para a conduta certa.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 52-53.

Tg 3.1 Agora, porém, havia os “mestres” especiais na igreja. Na pluralidade dos serviços nas igrejas eles tinham a incumbência específica de conduzir adiante os seus membros no conhecimento daquilo que Deus fez, faz e fará, e também no conhecimento daquilo que ele quer que seja feito por nós. Em Paulo (1Co 12.28; Ef 4.11s) os mestres exercem esse serviço específico em uma constituição diferenciada dos ministérios nas igrejas, ao lado de apóstolos, evangelistas e profetas. Em outras passagens da Escritura a palavra “mestre”, em grego didáskalos, tem o significado de um cristão incumbido de forma geral da tarefa de proclamar, interpretar a Escritura, sobretudo na reunião da igreja. Nessa acepção o “mestre” é comparável ao rabino judaico. Esse é o significado da palavra em Hb 13.7,17,24 e também aqui.

4 – Tiago adverte para que não se busque ansiosamente assumir essa tarefa:

“Não vos torneis mestres em tão grande número”: no contexto daquele tempo os mestres eram importantes, tanto os mestres da lei em Israel como também os mestres da sabedoria, os filósofos no mundo grego. Agora evidentemente vários cristãos percebiam uma chance de galgar uma posição de peso similar no âmbito de sua igreja. Afinal, era tão belo poder falar e ensinar, enquanto os outros ouviam com devoção. Trata-se de uma tendência humana em não poucas pessoas, e de um ideal grego em especial, “ser sempre o primeiro e se avantajar diante dos demais”. Contudo em Jesus e sua igreja vigoram outros parâmetros: quem aqui pretende ser “grande” e mais próximo do Senhor esteja disposto a assumir o papel do servo (Mt 20.26-28). O dom supremo é o amor que se esquece de si mesmo (1Co 12.31; 13.1ss). A igreja de Jesus se assemelha a um corpo no qual e dentro do qual cada membro e órgão são indispensáveis, possuindo sua importância específica (1Co 12.12ss). A tarefa dos mestres é uma entre outras. Ela é importante, mas o mesmo vale para os outros prestadores de serviço. Não é imperioso que alguém se torne um mestre.

Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.

  1. Perfeição que domina o corpo (v.2).

Na sequência, Tiago ressalta que os mestres também são passíveis de erros. Ele se coloca, juntamente com todos os demais mestres, no mesmo nível de falibilidade dos demais irmãos que não são mestres. Ou seja, tanto o cristão que é um mestre na Igreja como aquele crente mais simples da congregação não são moralmente perfeitos — ambos precisam da graça de Deus: “Porque todos tropeçamos em muitas coisas...” (Tg 3.2). Como ressalta Cargal à luz dessa passagem, “os professores ou mestres não são possuidores de uma posição superior ou de uma perfeição moral dentro da Igreja, pois estes também tropeçam”.

Um detalhe importante ainda nessa passagem, como destaca também Cargal, é que ela deixa claro que “o ofício de ensinar era altamente considerado nos primórdios da Igreja, e a pretensão de ‘muitos’ da congregação de se tornarem mestres, aos quais Tiago está se dirigindo”, é uma das causas de sua “preocupação com a ambição pelo poder e pela posição (Tg 1.9,12; 2.1-4)”.

Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 97-98.

Tg 3.2 O apóstolo nos lembra que todos tropeçamos em muitas coisas (v. 2). Uma tradução mais correta seria: “Todos nós cometemos erros” (RSV). Todos nós podemos tropeçar (cf. 1 Co 10.12); todos nós temos grandes chances de cometer equívocos e somos propensos a errar; por isso, corremos sérios riscos ao assumir voluntariamente o papel de guia. Wesley comenta: “Não coloque mais sobre as suas costas do que Deus confiou a vocês, visto que é tão difícil não ofender ao falar muito”.

Tiago usa o artifício da repetição de palavras para aumentar a ênfase. “Tropeçamos” em 2a é seguido de tropeça em 2b. Ele diz que se alguém não tropeça em palavra — se não cometemos erro no falar — podemos ser considerados homens perfeitos. Aquele que controla suas palavras pode refrear (guiar ou controlar) toda a sua conduta. Isso provavelmente não é um termo literal porque um homem poderia manter sua fala sob controle e mesmo assim pecar de outra forma. Tiago está usando um tipo de provérbio — uma generalização para enfatizar o lugar-chave da fala na vida cristã. Ela é comparável à afirmação de Jesus: “Porque por tuas palavras serás justificado e por tuas palavras serás condenado” (Mt 12.37).

O que Tiago quer dizer com varão [...] perfeito? 0 adjetivo perfeito (teleios) normalmente refere-se ao propósito ou função do substantivo modificado. Nesse contexto, poderia significar: “aqueles que alcançam plenamente o seu elevado chamado”.3 O cristão que é cristão no seu falar está agradando plenamente a Deus. Ele é varão [...] perfeito, no sentido que Jesus ordenou aos seus discípulos a usar um falar franco e direto (Mt 5.37) e então acrescentou: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.48). A luz dessa verdade um cristão apenas pode se unir à oração do Salmista: “Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor, rocha minha e libertador meu!” (SI 19.14).

  1. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 174.

Tg 3.2 Todos tropeçamos em muitas coisas, ou nos enganamos quando estamos descuidados. Todos tropeçamos, mas os nossos erros mais frequentes acontecem quando estamos falando. Por termos a tendência de cometer erros ao falar, precisamos ter ainda mais cuidado e permitir que Deus controle o que dizemos. Ele é capaz de orientar a nossa motivação, os nossos pensamentos, a nossa escolha de palavras, e até mesmo o impacto que as nossas palavras têm sobre os outros.

Muitas pessoas podem pensar que é impossível controlar a língua, mas a maioria das pessoas nem sequer começou a tentar. A capacidade de controlar a língua é a marca da verdadeira maturidade para o cristão (veja I.I9, “ser tardio para falar”). Quando Jesus confrontou os líderes religiosos sobre as acusações que tinham contra Ele, Ele disse que a boca fala do que há em abundância no coração – mostrando que aquilo que há dentro de uma pessoa afeta o que ela faz com as suas palavras (Mt 12.33-37). O Senhor também disse que nós devemos prestar contas por qualquer palavra descuidada que proferirmos (Mt 12.36). As pessoas que conseguem controlar as suas línguas serão capazes de refrear todo o corpo. A sabedoria e o amor de Deus e o autocontrole dado pelo Espírito Santo nos ajudarão a exercer este controle (veja Pv 15.1-4, para mais informações sobre como uma pessoa amadurecida controla a sua língua).

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 678.

Tg 3.2 E aí Tiago começa a colocar a questão da língua num aspecto muito interessante, que é a questão do tropeço. Nós tropeçamos em muitas coisas, aquele que não tropeça no falar é perfeito varão, é capaz de manter o controle de todo seu corpo (3.2).

Obviamente todos nós já falhamos, já tropeçamos em nossa própria língua. Quantas vezes já ficamos envergonhados de falar aquilo que não deveríamos ter falado, na hora em que não deveríamos ter falado, com a pessoa que não deveríamos ter falado, com a intensidade e o volume da voz que não deveríamos ter usado. Uma palavra falada é como uma seta lançada, não tem jeito de retorná-la. E como um saco de penas soltas do alto de uma montanha, não podemos mais recolhê-las.

Tiago, então, diz que se você controla sua língua, você controla o seu corpo inteiro, você domina sua vida. Nós tropeçamos, e a Bíblia diz que é um laço para o homem o dizer precipitadamente, pois além dos estragos provocados na vida de outros e na nossa própria vida, ainda vamos dar conta no dia do juízo por todas as palavras frívolas que proferimos. Pelas nossas palavras seremos inocentados, ou pelas nossas palavras seremos condenados. Tiago enumera para nós algumas figuras importantíssimas no trato dessa importantíssima matéria. Warren Wiersbe diz que a língua tem o poder de dirigir, destruir e deleitar.

LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag. 60-61.

Tg 3.2 1 – “(Na verdade) falhamos de muitas maneiras”: em todas as esferas da vida ocorrem falhas, inclusive entre nós cristãos.

“Se alguém não tropeça (nem mesmo) no falar, é um homem perfeito”: teria chegado ao alvo (a palavra grega téleios = “perfeito” está gramaticalmente ligada a télos = “fim”, “consumação”, “alvo”). Com certeza essa pessoa também controlaria todas as demais áreas da vida. Antes Tiago escreveu: “Todos nós falhamos de múltiplas maneiras.” A última coisa que conseguimos controlar são as transgressões com palavras. Logo nenhum de nós é “pessoa perfeita”. Porém conhecemos Aquele capaz de afirmar: “Quem dentre vós pode me arguir de qualquer pecado?” (Jo 8.46). “As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo” (Jo 14.10,24). Pedro, que vivera longo tempo com Jesus, podia atestar: “Não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca… Não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças…” (1Pe 2.22s). No entanto, isso não pode ser afirmado a nosso respeito. “Nós falhamos de múltiplas formas”, principalmente e pelo tempo mais longo na área tão importante do nosso falar. Nesse ponto salva-nos unicamente o fato de que “a misericórdia se gloria contra o juízo” (Tg 2.13), prevalece o perdão de Deus e seu Espírito, por meio do qual ele mesmo habita em nossos corações (Ef 3.17). “O Senhor é o Espírito” (2Co 3.17). A única coisa que soluciona isso é que nosso Senhor está em nós e nós nele. Porque “se alguém está em Cristo, é nova criatura” (2Co 5.17).

2 – Por meio de duas comparações Tiago explicita como o pequeno membro, nossa língua, ou seja, nossa capacidade de falar, possui relevância decisiva para toda a vida, sendo por assim dizer o ponto de apoio de nossa vida. Mostra como somos capacitados para a “pôr freio” (controlar) também “o corpo todo” (nossa vida com seu vigor e seus efeitos; v. 3s).

Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.fonte estudaalicao.blogspot.com/ mauricioberwald.comunidades.net